domingo, 29 de junho de 2008

A rodovia Marília-Bauru (29 de junho de 1956)


José Arnaldo (foto)

Finalmente, vai mesmo perder o “encanto” a propalada pavimentação da rodovia Marília-Baurú. Trata-se de um trecho rodoviário de apenas 109 quilometros, que liga dois importantes centros interioranos, centros êsses que significam motivos de relevo na própria vida da economia e progresso do Estado.

É uma luta antiga e uma necessidade imperiosa da região, Marília a Baurú por via pavimentada, facilitando, assim, o escoamento de gêneros alimentícios, em grande parte, procedentes da Alta Paulista, Alta Sorocabana e Norte do Paraná. Acontece, que nem todo o percurso, embora pequeno, como acima dissemos, será de pronto pavimentado. A concorrencia pública recentemente aberta, trata da pavimentação de dois trechos, num total de 40 quilometros cada um e compreende o percurso do quilometro 374 ao 394 e deste ao 414.

A Primeira Divisão de Obras Novas, da Secretaria de Viação e Obras Públicas, sita à Rua Riachuelo, 115, 9º andar, em São Paulo, está recebendo as propostas das firmas interessadas na execução desses serviços. Até o dia 17 do próximo mês, serão recebidas as propostas para os trabalhos correspondentes ao 1º trecho e até o dia imediato, ou seja, 18 de Junho, referente ao 2º trecho.

Em se tratando de um novo índice do próprio desenvolvimento da histerlandia, sem duvida alguma de grande importância para o Estado todo, pela importância que representa a pavimentação desse trecho rodoviário, é de se esperar boa receptividade por parte de firmas ou companhias especializadas.

Nossos votos sinceros são que os trabalhos sejam rápidos e que a comissão incumbida de estudar as propostas que sejam apresentadas, trabalhe sem preguiça, pois ha longo tempo Marília e Baurú aguardam essas providencias governamentais obrigatórias. Além do mais, seria conveniente lançar aqui novo lembrete ao Governador Janio Quadros (que em breve reassumirá o leme do Estado), para que não deixe de interessar-se pessoalmente pela rapidez dessa execução de trabalhos, bem como, cumprindo suas promessas anteriores, não deixe passar “longos e tenebrosos invernos”, entre a conclusão desses dois trechos e o reinício do resto do percurso que completa o total do trajeto da rodovia Marília-Baurú.

Êste nosso apêlo, nada tem de pretensioso, uma vez que é uma contingência legal do próprio dinamismo da região e decorre, além do mais, de promessas públicas assumidas pelo Sr. Jânio Quadros, frente ao povo mariliense.

Oxalá o Governador do Estado não olvide nossa região, no que diz respeito a essa pavimentação total da rodovia Marília-Baurú!

Extraído do Correio de Marília de 29 de junho de 1956

sábado, 28 de junho de 2008

“Sinhá Moça Chorou” (28 de junho de 1956)


José Arnaldo
(na foto, em Laguna Seca, Santa Catarina, lendo o Jornal do Brasil via Internet, em dezembro de 1996)

Nos primeiros dias do mês vindouro, Marília terá o ensejo de apreciar, no palco do Cine Marília, a exibição de uma importante peça teatral, que será apresentada por elementos do teatro amador mariliense.

A peça, por si só, conforme sabemos, é uma óbra de vulto, bem escrita e bastante original. Jovens da cidade, dispuseram-se leva-la publicamente, num espetáculo que visa obter fundos para os cofres da Associação Profissional Feminina de Marília.

Antonio Felipe Antonio, o popular Antoninho, do “Palácio do Disco”, foi o idealizador do espetáculo; e como não poderia deixar de ser, desempenhará papel importante na apresentação. E podemos dizer mesmo, que o Antoninho “entende do riscado”. Os ensaios estão sendo levados a efeito, com bastante seriedade, autorizando-nos a dizer que o espetáculo virá agradar.

O povo, por sua vez, sempre acompanhando todos os passos da cidade e dos próprios marilienses, por certo comparecerá em massa ao Cine Marília, no dia aprazado, para presenciar “Sinhá Moça Chorou”. Com isso, prestigiando esse grupo de artistas amadores e contribuindo tambem para auxiliar uma instituição educacional que muitos serviços têm prestado à mocidade feminina mariliense: a Associação Profissional Feminina de Marília.

Está ganhando vulto a expectativa em torno dessa apresentação. E não se poderia esperar outra coisa, pois o povo mariliense é caracterizado sempre em apoiar e prestigiar tudo o que é feito na cidade, com aquele justificável bairrismo mariliense. Bairrismo dos mais justos, pois só quem não pulsa pelo rincão em que vive, que não tem amôr à sua terra, quem não aplaude os feitos de seus homens, não é bairrista. E, a palavra “bairrismo”, aqui, embora pareça grosseira a comparação, nada mais significa do que o sentimento bem visível de acendrado amor por Marília.

“Sinhá Moça Chorou”, será exibida nos primeiros dias de Julho. A data não foi ainda fixada, em virtude de encontrar-se a comissão incumbida de sua apresentação, na dependência da palavra final do sr. Emílio Pedutti, proprietário do aludido cinema. Sem sombra de dúvida, deverá coroar-se de êxito. Êxito artisticamente falando e êxito no fim altruístico à que se destina.

É bom que o povo mariliense apóie essa iniciativa, prestigiando esse grupo de moços que irá apresentar esse teatro na cidade. Outros espetáculos poderão surgir, pois estamos certos de que Marília possui bons valores a respeito.

O povo de Marília, que não se esqueça: prestigie a apresentação “Sinhá Moça Chorou”.

Extraído do Correio de Marília de 28 de junho de 1956

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Mensagem ao prof. Lignelli (27 de junho de 1956)

José Arnaldo (foto)

O prof. Octávio Lignelli, gerente da Rádio Clube de Marília, é, sem dúvida alguma, uma das maiores expressões da cidade em composições musicais.

Vários são os números de belas músicas, elaborados pelo Sr. Octávio Lignelli, já conhecidos de nossa cidade e de nossa gente. Embora não sejamos autoridade no assunto, poderemos afiançar aos nossos leitores, que, as composições do prof. Octávio Lignelli aliam à música e arte, uma expressão de vida e de beleza lógica, hoje em dia tão distanciadas da maioria das letras musicais, muitas das quais se constituem em verdadeiras aberrações, em irretorquíveis absurdos.

Entendemos a música, na perfeição excelsa de suas notas coordenadas, casadas harmoniosamente com uma letra que seja uma história, que tenha um sentido, que prenda a atenção. As músicas do prof. Octário Lignelli enquadram-se nesse particular.

Hoje, das 20,30 às 21,30 horas, a Rádio Dirceu em Marília, homenageará o ilustre compositor mariliense prof. Octávio Lignelli, apresentando uma programação especial de suas composições artísticas.

A direção da Rádio Dirceu, procederá a um gesto dos mais simpáticos, enviando assim, a uma sua irmã, na pessoa de seu gerente, uma mensagem de cordialidade, de amizade, reconhecimento e respeito.

Essa homenagem, ostenta dois significados distintos: primeiro o preito merecido à um homem de nossa terra, legítimo representante dos compositores marilienses; segundo o estender da mão a um companheiro da profissão radialista, num sentimento sincero de consideração e respeito.

Belíssima sob todos os pontos de vista, é a atitude da Rádio Dirceu, ao prestar a homenagem merecidíssima ao compositor mariliense Octávio Lignelli. Embora, por força das circunstancias naturais, decorrentes das atividades comuns das duas emissoras, concorrentes de fato no terreno profissional, a gerência da Dirceu estará mostrando, publicamente, que a cordialidade e o respeito pessoal não devem sofrer qualquer interferência como consequência das lutas profissionais.

Sincero é o gesto da Rádio Dirceu. Merecida é a homenagem que a mesma se porpõe prestar ao prof. Octávio Lignelli, compositor mariliense de méritos indiscutíveis.

De ha muito, se fazia mister essa expressão pública do valor dêsse moço-artista. É porisso, que nós, sempre ao lado de todas as coisas e causas de Marília e seu povo, nos sentimos alegres em registrar hoje o acontecimento. E nos congratulamos com as duas emissoras. Com a Rádio Dirceu, pela iniciativa feliz e justíssima, em homenagear o prof. Octávio Lignelli, lídimo compositor da “cidade menina.” Com a Rádio Clube, porque homenageando seu gerente, a própria Rádio Dirceu homenageia tambem a emissora que nasceu com a cidade, rendendo um preito de reconhecimento ao valor de um homem de Marília que é, em toda a expressão do vocábulo, um grande compositor – e o mais importante: um compositor mariliense!

Extraído do Correio de Marília de 27 de junho de 1956

segunda-feira, 23 de junho de 2008

A Promessa do Governador (23 de junho de 1956)

Na sessão de quinta-feira da Câmara Municipal, o vereador Fernando Mauro apresentou requerimento, solicitando fôsse a Casa intérprete de uma lembrança ao general Porfírio da Paz, vice-governador em exercício, para que sua excelência nomeie rapidamente a Comissão prometida, que virá à Marília, estudar as possibilidades de dotar-se nossa cidade com um curso superior oficial.

A respeito, surgiram opiniões desencontradas, com pontos de vista fundamentados, é lógico. No final, o requerimento foi aprovado por maioria.

Entendemos que obrou bem o autor do requerimento, ao exigir do sr. Governador em exercício, o rápido cumprimento de sua promessa aos marilienses, promessa essa que veio de encontro, em parte, a velha aspiração e nobre luta local e que atestou também, a demonstração de um ato penitenciário do próprio general Porfírio. Aquêles que ouviram a gravação da palavra do general Porfírio da Paz em Baurú, certamente acreditaram na sinceridade de sua excelência. A rigor, por enquanto, não existem motivos para que se ponham em dúvida as afirmativas do Governador. De modos, que uma acha a mais nessa fogueira, só poderá produzir mais calor, mais incentivo. A lembrança tratada nesse requerimento foi oportuníssima. Virá lembrar ao general Porfírio da Paz que o povo mariliense aceitou bem as suas declarações, confiando na sua palavra e que agora, volta à sua presença, exigindo o cumprimento do trato.

Por certo, o general Porfírio, que sempre pautou sinceridade em seus atos, não esqueceu de sua promessa aos marilienses. Mas nem por isso, devemos nós, deixar de lembrar a sua excelência o compromisso assumido.

Por ora, não poderemos emitir outro conceito. Se, no entanto, depois de sua excelência receber mais êsse lembrete, partido da Câmara Municipal de Marília, interpretando o sentimento e as necessidades de todos os marilienses, e, a promessa não for cumprida,m então voltaremos ao assunto. Não com ataques, mas para dizer a verdade dos fatos.

No momento, desejamos louvar a iniciativa do vereador Fernando Mauro e congratulamo-nos e congratulamo-nos com os edís que acolheram sua sugestão. Que a Câmara continue assim, a exigir a fiel observância do prometido por autoridades ao nosso povo e nossa cidade.

Extraído do Correio de Marília de 23 de junho de 1956

domingo, 22 de junho de 2008

Visitante ilustre (22 de junho de 1956)

Deverá visitar nossa cidade, dentro em pouco, o Deputado Ulisses Guimarães, Presidente da Câmara Federal.

A respeito existe na cidade, um movimento interessado na formulação desse convite. O convite visará prestar uma homenagem ao ilustre parlamentar paulista, que é, pela importancia de sua investidura, o segundo substituto legal do Sr. Presidente da República. O movimento é pois, dos mais simpáticos: está sendo liberado por estabelecimentos educacionais, entidades de classe e imprensa local – sem interferência ou côr política. Objetiva, além de homenagear o ilustre parlamentar bandeirante, fazer S. Excia. conhecer de perto Marília e seu povo e as necessidades dêste centro de progresso.

O Deputado Federal Dr. Ulysses Guimarães têm à seu favor, uma brilhante folha de bons serviços prestados à Pátria. Leal, inteligente, prestativo, estudioso dos problemas nacionais, tem se mostrado um dos valorosos representantes de São Paulo na Câmara Alta.

Será justo que o povo de Marília o cerque de carinho e admiração, nesse pleito que se programa para sua visita à nossa cidade.

Temos a certeza de que todos os partidos políticos locais, cerrarão fileiras nessa homenagem que se prestará ao ilustre homem público, porque essa sua propalada visita à Marília terá o fim de amizade, sem qualquer outro sentido doutrinário.

Teremos então a oportunidade de fazer sentir ao nobre representante de São Paulo na Câmara Federal, os anceios e as necessidades de Marília. Eis porque, vemos como das mais oportunas essa visita do Deputado Federal por São Paulo, o Dr. Ulysses Guimarães. Principalmente vindo S. Excia. à nossa cidade, em visita oficial de amizade, sem qualquer cunho político.

Sede bem vindo, Dr. Ulysses Guimarães!

Extraído do Correio de Marília de 22 de junho de 1956

sábado, 21 de junho de 2008

A velhinha “cambista” (21 de junho de 1956)

Desde que foi promulgada a Constituição Paulista de 1947, o “jogo de bicho” foi posto fora de ação (oficialmente), em nosso Estado. O mesmo aconteceu com a Loteria Estadual. Após a vigência da Carta Magna, inúmeras autoridades policiais, para impedir que continuasse a prática do aludido jogo. De um certo modo, a luta, embora tendo apresentado seus resultados positivos, não deixa também de mostrar em muitos casos, que a própria fiscalização têm sido, muitas vezes, deficiente nessa luta constante quando os praticantes do vício continuam, seguidamente, empenhados no jogo referido. Isto significa que se os bicheiros continuam a infringir a lei, a arriscar, é porque os lucros são compensadores; por qualquer insignificancia, pensamos, ninguem iria teimar tanto assim, em continuar desrespeitando a lei.

Acontece, porém, que regra geral, os fortes “bicheiros” nem sempre chegam a sofrer as consequências do impedimento policial. Como “a corda quebra sempre do lado mais fraco”, pagam os outros: o viciado que arrisca a sua “fezinha” e o “cambista” que pouco ganha com o perigoso e ilegal trabalho. É verdade.

Temos conhecimento do caso da velhinha “cambista”. Deve andar aí pela casa dos cinquenta ou sessenta anos. Pobre, ignorante. Infeliz. Está na cadeira, por ter sido apanhada em flagrante prática do jogo do bicho. A polícia fez a sua obrigação: infração realizada, prisão efetuada. Mas, analisemos o lado humano da questão. Uma anciã está na cadeia, pela prática do jogo ilegal. Ela deve ter sido empregada por alguem. Alguem que deve ter ganho mais, com menos risco de ser preso. Alguem que está impune, enquanto a velhinha amarga o sabor da detenção, na cela fria da Cadeia local.

Ultimamente o nosso colaborador, reverendo Alvaro Simões, anda formulando uma campanha contra os terríveis inconvenientes da pinga. Citando, com conhecimento de causa, uma série de males que atualmente afligem a humanidade e que tão mal retratam nosso país. Acontece, que a pinga é como o “jogo do bicho”: sofrem as consequências os que dela se servem; não os que a fabricam.

Extraído do Correio de Marília de 21 de junho de 1956

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Nós e o “Caso do Leite” (20 de junho de 1956)

Este artigo vale de esclarecimento aos menos avisados; aos que pensam com a rapidez de um foguete e com miolos de galinha. Aos que são “peritos” em censurar, sem conhecer o “metier” de uma questão.

Nossa luta em torno do “caso do leite” nada têm de pessoal; pelo contrário, estamos combatendo idéias e ações e não homens. Estamos, antes de mais nada, como um órgão de imprensa da cidade, divulgando um acontecimento que se constitui em irregularidade e prejuizo para o próprio público mariliense. A imprensa é a tribuna de defesa do povo. Nossa missão é informar, criticar construtivamente; esclarecer a opinião pública, apontar faltas, seja de quem for, parta de quem partir.

Da mesma maneira que apontamos falhas e imprimimos censuras, publicamos encômios à pessoas ou fatos que devem ser públicos. É a bandeira do jornalismo.

Nossa luta, jamais foi a de impedir que o Sr. Romera Jr. exportasse ou industrializasse o leite. Poderia faze-lo, da maneira que bem entendesse, desde que suprisse, primeiramente, a população local. Mas, estando deixando em falta muitas famílias e exportando o produto, em detrimento dos interesses e necessidade do público, tinhamos mesmo que alertar a população. E não estamos agastados com isso; muito pelo contrário, estamos certos de que realizamos o nosso dever. E prosseguiremos.

Acontece, que o Sr. Romera, ao invês de procurar colaborar com o povo mariliense, êsse povo que o enriqueceu, está agora relegando-o a plano secundário. E não poderiamos nós, deixar de relatar o fato, conhecendo-o com minúcias, sabendo da gravidade de suas consequências.

O Sr. Romera Jr., quer se fazer de mártir; quer agora mostrar-se como o verdadeiro Jesus Cristo: injustamente cruxificado. Acontece que a população mariliense está bem ao par da questão e o Sr. Romera deve saber que não vai ser assim, a três por dois, que ele deixará de servir o público mariliense, criando um verdadeiro caso de calamidade pública em Marília. Se o Sr. Romera Jr. entendeu o nosso esclarecimento como ataques e usou-se do mesmo para pretexto, ameaçando suprimir o fornecimento de leite na cidade, seria bom que refletisse com senso; e que procurasse medir as atitudes que ameaça tomar.

Nossa luta é justa e humana; mais do que isso, é cem por cento mariliense; interprete-a o Sr. Romera e seus defensores como quiserem.

Nós continuaremos. Continuaremos porque o dia em que não divulgarmos a questão do povo mariliense e suas necessidades, deixaremos de trabalhar nesta honrosa, digna e democrática profissão de jornalistas.

Extraído do Correio de Marília de 20 de junho de 1956

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Retrato desolador do Brasil (19 de junho de 1956)

Tantas são as deficiências econômico-administrativas do país, que só um estudioso apaixonado e grande especialista na matéria poderia enumera-las.

Além do malfadado aumento do custo de vida, em consequência dos “balões de ensaio” do novo nível de salário mínimo, eis que atualmente, “dona” COFAP importa banha dos Estados Unidos, enquanto um milhão de porcos aguarda o abate no sul do país. Motivo? Falta de transporte.

O diretor da Viação Férrea do Rio Grande do Sul, Sr. Francisco Lima, esteve recentemente no Rio de Janeiro, avistando-se com o Sr. Presidente da República. Foi solicitar licença para importar sal da Espanha, a fim de evitar que grande quantidade de charque venha a deteriorar-se. Isto, porque o sal importado da Espanha chega ao estado sulino mais depressa do que o procedente do Estado do Rio Grande do Norte!

O Sr. Francisco Lima em entrevista a um jornal do Rio, fez aterradoras, porém verdadeiras revelações a respeito da malfadada COFAP, considerando-a um organismo completamente inútil. Afirmou mais que se o Govêrno providenciasse o transporte dos gêneros alimentícios, bem como seu escoamento das fontes, a vida poderia baixar 50 por cento, sem intervenção da COFAP.

O que vale, fomentar o plantío ou financiar a produção do trigo? A safra do último ano, num montante de 186 mil toneladas, está empilhada nas cidades de Santa Rosa e Carazinho, até no interior de igrejas (por falta de armazéns próprios).

Afirmou o Sr. Francisco Lima: “Quem quiser ver o trigo, poderá vê-lo passeando nas ruas de Porto Alegre. A formiga póde ser vista carregando os grãos, mas os carunchos da côr do trigo, são imperceptíveis, levando os grãos nas costas”.

E foram sinceras, cremos, as declarações do Sr. Francisco Lima. Disse mais que o Estado gaucho produz muitos gêneros alimentícios, que permanecem sem exportação, por falta de transporte, em prejuizo do Rio Grande do Sul e em detrimento aos próprios interesses nacionais, como é o caso da banha, óra importada dos Estados Unidos, enquanto um milhão de suinos aguarda a hora do sacrifício. E ninguém se atreve a mata-los, com medo de prejuisos, eis que não existem meios suficientes de transportes.

Óra, transporte, foi um dos angulos do trinômio batido pelo Sr. Juscelino Kubitschek em sua campanha eleitoral. Até agora, parece-nos que pouco ou nada foi feito. E em se tratando de um assunto que não é tão complexo assim e que não demanda tambem tempo dilatadissimo, estranhamos a atuação do Govêrno nesse particular.

Em verdade, as declarações do Sr. Francisco Lima, foram as de um grande pintor: executou, com sinceridade, um retrato desolador do Brasil.

Extraído do Correio de Marília de 19 de junho de 1956

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Luta Inglória (16 de junho de 1956)

Luta inglória advogou o vereador Nasib Cury, na sessão de quinta feira da Câmara Municipal. O vereador pessepista foi combatido por todas as camadas, inclusive pelo próprio partido.

Estamos contra o ponto de vista que defendeu no plenário, ante-ontem, sobre a questão do leite. E o fazemos altaneiramente, porque representa a luta de alerta e de protestos desfraldada pelo CORREIO DE MARÍLIA, em pról da economia popular.

Foi infeliz o “meu chefe”, ao advogar sozinho, uma questão que representa antes de tudo, interesses financeiros de uma grande protencia, que prefere sacrificar o povo mariliense, industrializando o leite ou exportando o produto para a Capital.

O sr. Nasib Cury trouxe ao plenario, dados estatísticos “provando” as razões de sua defesa da Pasteurização. Muitos foram desfeitos pelos vereadores. Um restou, que nenhum vereador teve na ocasião, meios para destruir. Mas nós temos. E vamos fazê-lo. Vamos dizer ao vereador Nasib Cury que não são verdadeiras as suas afirmativas de que “a Pasteurização deixara de exportar leite depois do dia 2”, não espelham a verdade, porque do dia 4 até o dia 8, milhares de litros sairam de Marília, em prejuízo do público mariliense, em detrimento da necessidade de muitas crianças.

Nosso ponto de vista é claro, contra a Pasteurização: se há diminuição do produto, que se evite essa exportação, atitude que está revoltando o próprio povo necessitado. E que esta infeliz manobra não sirva de pretexto para novos aumentos. Nós combateremos êsse áto, não em causa própria, mas sim em nome e defesa dos interesses dos marilienses.

Inglória é a luta que o vereador Nasib Cury esposou. Mais inglória se tornou, pela sua teimosia, quando a maioria dos vereadores se levantou contra seu ponto de vista, combatendo-o valentemente.

Que nos desculpe o “meu chefe”; mas ele está dançando com música errada!

Extraído do Correio de Marília de 16 de junho de 1956

domingo, 15 de junho de 2008

Festa Literária (15 de junho de 1956)

Na noite de hoje, na Sociedade Luso-Brasileira, dar-se-á o lançamento oficial de “O Estranho”, livro de poesias de João Mesquita Valença, o poeta mariliense. Tal obra foi escolhida e selecionada pelo Clube de Poesia e representa um motivo de estimulo para os poetas da nova geração.

Não vai aqui a nossa critica ao mencionado livro. Por dois motivos: primeiro, porque ainda não tivemos a oportunidade de folheá-lo, embora tivéssemos sido distinguidos com um exemplar autografado; segundo, porque mesmo que tivéssemos lido a citada obra, nossa critica seria superficial, considerando nossos poucos conhecimentos sôbre a questão. No entanto, não podemos deixar de registrar o fato, apreciando-se pelo seu ângulo de representação objetiva, tanto para o jovem poeta, como para a própria Marília, no avanço de sua intelectualidade.

Em verdade, não se trata apenas de “um livro publicado” por um mariliense. Trata-se, isso sim, do significado elevadíssimo para o próprio progresso literário da cidade, com a divulgação de um compêndio de poesias modernas, num volume classificado por uma entidade especializada e que irá, por certo, alçar-se além do cenário literário nacional.

Sempre gostamos de divulgar tudo o que diz respeito direto ao progresso de nossa cidade e os trabalhos de nossa gente. Sempre nos esforçamos, por informar, além das fronteiras de nossa Marília, os fatos que traduzem progresso, idéias, iniciativas de trabalho, em qualquer campo, em qualquer sentido. É por isso, que noticiamos prazerosamente mais êsse acontecimento, que representa novo marco de dinamismo de um mariliense.

Em verdade, o lançamento de “O Estranho” não deve ter-se constituído em admiração para ninguém. Principalmente para aquêles que conhecem o Mesquitinha e sabem, sobejamente, as ilimitadas dimensões de sua capacidade poética, de seu gosto artístico. E como tudo no mundo tem sua vez, surge agora essa obra literária de grande vulto, a enriquecer ainda mais o cenário intelectual da “cidade menina”.

Hoje, será a Festa Literária. Ocorrerá o lançamento oficial de “O Estranho”. Um grande motivo para a cidade, para seu mundo intelectual. Ao registrar o importante acontecimento mariliense, fazemos os nossos reais votos para que êsse livro venha a ser o ponto de partida de novas publicações dêsse gênero, pelo poeta mariliense João Mesquita Valença.

E, terminamos, afirmando nossa sinceridade nesses auguros.

Extraído do Correio de Marília de 15 de junho de 1956

sábado, 14 de junho de 2008

Açúcar, há; o que não há é moralidade (14 de junho de 1956)

Aconteceu, o que se esperava. Pelo menos, o que nós esperavamos. “Sumiu” o açucar em muitas praças. Desapareceu, como num passe de mágica.

E por que?

Simplesmente por isso: porque não existe em muita gente, o sentimento de brasilidade, de solidariedade humana. O que se verifica é a ganância desmedida, imoral, abusiva, desenfreada. Os grandes usineiros dêsse produto, se não são eles próprios, têm representantes diretor e especiais, no próprio Parlamento Nacional. Daí, então, verificarem-se êsses pedidos constantes de aumento do produto. A COFAP negou a primeira vez. E então os monopolistas do açucar principiaram a reter o produto em suas fontes e diminuir, em alguns casos, a produção. Tal sucedendo, o povo teria que sentir. E gritar. A COFAP, numa “camisa de onze varas”, teria que tomar uma providencia. A única saida, seria autorizar o aumento. E então, o açucar aparecerá, com o mesmo encanto e rapidez que sumiu do mercado!

A COFAP, nesse caso do açucar, tornou-se impotente. Terá que escolher entre os dois caminhos: ou autorizar o aumento de preço do açucar, ou importar o produto. As duas alternativas são vergonhosas e não condizentes com os interesses nacionais.

Dias mais, dias menos, o aumento será autorizado. Então, o açucar jorrará de todo o canto, lotando depósitos e armazens. Será exposto até nos passeios das ruas, defronte a estabelecimentos comerciais poderosos, que no momento ocultam o produto, criminosamente.

O caso até parece que já nem é da COFAP. É da polícia, uma vez que trata-se de um crime contra a economia popular.

Em Marília, desgraçadamente, já está se verificando essa imoralidade. Parece-nos que existem casas comerciais poderosas, que já estão pondo em prática o referido expediente. E, o mais interessante, é que são firmas que enriqueceram no passado, por ocasião da guerra, sonegando artigos de primeira necessidade e vendendo no “câmbio negro” generos pautados no racionamento da ocasião.

Aqui vai o nosso apelo. Humano apelo: Não façam isso com o povo, senhores comerciantes. Não sacrifiquem mais essa gente, que habitando o “país mais rido do mundo”, vive sub-alimentada, semi-nua, tiritando de frio!

É preciso que o sentimento de fé cristã possa, nesse caso, habitar entre êsses magnatas desbriados, êsses sugadores do sangue do pobre brasileiro, como se fossem ventosas. O caso já é de fundo moral, cristão. Profundamente moral. O caso é de vergonha nacional. Isto, porque açucar, há; o que não há, nesse campo, é moralidade!

Extraído do Correio de Marília de 14 de junho de 1956

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A culpa é da COMAP (13 de junho de 1956)

Fomos procurados por um determinado cidadão, que bem não conhecemos. Não sabemos seu nome, nem o que faz. Mas pudemos logo perceber suas intenções: defender o ponto de vista da Pasteurização, contra as notas que temos escrito ultimamente, acerca do problema do leite em Marília.

Não sabemos se o aludido elemento fôra instruido pela parte interessada, ou se quis servir de “mediador de paz”. O certo é que o homem se nos apresentou numa reunião social. Conversa vai e vem, o referido personagem tocou no palpitante assunto. Perguntou-nos se temos alguma coisa pessoal com o dono da Pasteurização. Respondemos que a sua pergunta era de todo infantil, pois apenas registramos, como órgão de imprensa, as causas e coisas da cidade. E a verdadeira manobra do leite que atualmente está se desenvolvendo em Marília não é segredo para ninguem.

O homem não se deu por achado. Afirmou que não é verdade que a empresa esteja remetendo leite para São Paulo. Lembramos ao cavalheiro, que antes de escrevermos alguma coisa, procuramos nos inteirar dos fatos. E as informações nos foram fornecidas pela Cia. Paulista de Estrada de Ferro, a empresa transportadora. Aí, o homem “afinou”.

Para êsse cidadão, que se propôs a advogar a injusta causa, aqui vai um esclarecimento. Nada temos contra o Sr. Romero Jr. ou contra quem-quer-que seja, que milite na Pasteurização. Apenas estamos esclarecendo o povo e censurando a atitude da Pasteurização, que, entendemos, deveria, conscienciosamente, nesta época de inverno quando a produção do leite cai, prejudicar o envio para fóra, servindo melhor a cidade. Entendemos que é uma obrigação moral que lhe pesa sobre os ombros. Pensamos ainda que sacrificando a população da cidade, para continuar a remeter o produto para fóra, objetivando lucros maiores com menos trabalho, é um verdadeiro crime contra os necessitados da cidade.

E vamos ainda mais longe: Responsabilizamos quem de direito, pelas não providencias coibitivas e pela não fiscalização; pela não imposição do dever de servir, principalmente o público local e em segundo plano exportar o produto.

A culpa é da COMAP, que é um sinônimo de inércia.

Extraído do Correio de Marília de 13 de junho de 1956

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Amparo aos inventores (12 de junho de 1956)

A deputada Conceição da Costa Neves, ex-Conceição Santamaría, apresentou ha pouco, na Assembléia Legislativa, um interessante projeto de lei.

Trata o aludido projeto, de amparar oficialmente, aos inventores paulistas, prestando-lhes assistência e apôio em suas invenções.

Não conhecemos o texto do mencionado projeto. Mas mesmo assim, consideramo-lo útil e necessário. E mais ainda, acreditamos que tal já foi apresentado com muitos anos de atraso.

Consta-nos a própria história, que os grandes engenhos que hoje servem a humanidade, foram obra do acaso ou descoberta de meros curiosos, que, na ocasião, foram chamados de loucos e temidos como animais selvagens. Por outro lado, sabemos que todos os países civilizados do globo, amparam de modo governamental, os inventores de todas as espécies. No Brasil, não. Até ha pouco, quando não existiam as entidades de classe, representativas daqueles que gostam de imaginar e experimentar novas coisas (a Associação Paulista de Inventores, por exemplo), qualquer artista ou curioso, que tivesse uma idéia e conseguisse pô-lá em prática, só poderia vê-lá realidade se tivesse dinheiro suficiente para fazer tudo sozinho. Nenhum amparo oficial encontrava.

Óra, novos inventos num país, significam novos marcos de progresso. Assim, entendemos, os governos que não estendam a mão àqueles que se propõem a inventar coisas úteis e novas, são governos falhos, anti-progressistas. São o mesmo que o pai de família que não está pronto para ouvir a lição escolar do filho, amparando-o e entusiasmando-o para melhor aperfeiçoar-se.

Já se fazia necessário, ha muito, um dispositivo legal dessa natureza. Já era tempo de prestar-se um auxílio moral e financeiro àqueles que tem idéias latentes em seus cérebros e que procuram pô-las em prática. E isto, pensamos, é obrigação do governo. Mas que não aconteça o entrave burocrático nessa oficialização. Que se não liguem para nomes ou inventores que apresentem “pistolões” e recomendações de políticos. Que haja equidade, justiça, imparcialidade de amparo, nesse campo.

Assim, São Paulo, que sempre deu grandes exemplos, marcará mais outro.

Extraído do Correio de Marília de 12 de junho de 1956

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Aumentará o preço do leite? (09 de junho de 1956)

Sempre nos ufanamos pela diretriz que esposamos em nossa carreira: criticar de maneira construtiva, colaborar e aclamar, pugnar pelos interêsses do povo mariliense e de nossa cidade. Às vezes, no exercício de nossas funções, somos forçados a desancar censuras mais severas, quando estas se fazem necessárias.

E, nessas ocasiões, fazemo-lo perfeitamente à vontade, sem sofrer qualquer interferência ou pressão, porque nos utilizamos do processo de externar um pensamento dos mais bem intencionados.

Assim é o caso de hoje. O assunto do leite.

Estranhamos a atitude da Pasteurização, no momento atual, negando-se a fornecer o precioso liquido alimentar à quem dêle necessita. Convimos que no período invernal a produção diminui realmente. Mas a diminuição do produto, havendo bôas intenções de servir o público, não deveria prejudicar o povo, e, entendemos, diminuir temporariamente a industrialização ou o envio do mesmo para a Capital.

Acontece que a Empresa deve ter mais interesse em vender em São Paulo o artigo por um preço mais compensador, sem as despesas, os aborrecimentos e os trabalhos de entrega ainda por cima. Então, tudo faz concluir que a firma, sendo uma sociedade que poderíamos até chamar “de utilidade pública”, resolveu continuar servindo somente aqueles que já são fregueses, não admitindo o aumento de sua distribuição, de novos pretendentes, mesmo que êstes provem suas necessidades. O fáto, nessas condições, merece criticas. E ríspidas.

Em anos anteriores, segundo estamos informados, nesta mesma época, a firma teve até a petulancia de “cortar” o leite para muita gente. Quem comprava dois litros, passou a receber um e meio, quem adquiria um passou a receber meio, e assim por diante. No entanto, a remessa para fóra embora pudesse ter deminuido um pouco, não sentiu tanto êsse reflexo, como o povo mariliense.

Isso está errado!

E como um erro, deve ser corrigido.

É verdade, que a Pasteurização Mariliense Ltda. é um estabelecimento comercial, e, como tal, objetiva lucros. Mas não é justo que os meios colimados para obtenção dos lucros, firam, frontalmente, os interesses de toda uma população.

Têm aumentado as queixas que nos são dirigidas, contra êsse monopólio escudado em Lei. Sim, em Lei, pois a lei proibe que um cidadão adquira o produto de um agricultor que esteja disposto a fornecê-lo por preços mais humanos. Isso, embora, na maioria dos quadrantes do Brasil, não existam processos de pasteurização de leite. Isso, embora a própria medicina assevere que o leite convenientemente fervido torna-se isento de possíveis transmissores de doenças. Aí, a questão, seria educar o povo melhor no sentido de higiene e permitir ao mesmo a sua defesa de outras maneiras – por exemplo, adquirindo o leite por preços inferiores diretamente do produtor ou aceitando a doação que muitos fazendeiros ou sitiantes fazem a amigos que se vêem, por tais motivos, compelidos a recusar.

De todo êsse estado de coisas, tiramos uma conclusão: O leite em São Paulo anda pela casa dos doze cruzeiros um litro. Sua venda lá oferece melhores margens – e com menos aborrecimentos. A falta que existe (e está sendo melhor recalcada), será um motivo irretorquível para a próxima elevação de preço desse produto em Marília! Temos quase a certeza.

Aqui fica nosso alerta.

Que se acautele o povo, preparando-se para mais uma sangria!

Extraído do Correio de Marília de 09 de junho de 1956

domingo, 8 de junho de 2008

Marília tem solução para tudo (08 de junho de 1956)

São Paulo é uma fábrica de progresso. Marília, não há (como) negar, é um dos motores de primeira grandeza dessa grande industria febril de desenvolvimento. Graças aos próprios marilienses – genuinos ou autênticos. Mercê do trabalho de seu povo, que trabalha nesta colméia de dinamismo e que foi capaz de realizar êste verdadeiro milagre – construir uma cidade moderna e ativa, em pouco mais de vinte anos.

Tudo foi feito por nossa gente. O dedo oficial, as poucas vezes que se fez sentir, o foi de modo quase inotável, deficiente ante a febre de necessidade de seu crescimento.

Isso é um orgulho. Motivos de euforia incontida.

Marília, é certo, têm solução para tudo. É capaz de resolver suas premências elogiavelmente. Nêsse particular, ostenta um galhardão de destaque a iniciativa privada. Incontestavelmente.

Luta-se agora, pela criação da Faculdade de Marília. Aclara o Governador em exercício um ponto obscuro que revoltou os marilienses, criando uma celêuma tremenda.

Quando se discutiam tais motivos, eis que uma empresa particular e mariliense, oferece-se para colaborar positivamente com a questão. O Educandário “Bezerra de Menezes”, cujo prédio magnífico encontra-se em fase final de construção, foi oferecido por empréstimo à Marília ou ao próprio Estado, para ali funcionar a Faculdade que venha a ser criada. Um problema a menos. Um motivo a mais para que seu povo possa exigir de pronto, a contemplação desse indispensável marco de progresso para a própria região.

Calou profundamente na opinião pública, a oferta do prédio do Educandário referido, transmitida à Câmara, extra-oficialmente, pelo vereador Reinaldo Alves de Souza.

Foi muito simpático êsse gesto da diretoria do Educandário “Bezerra de Menezes”. Foi mais do que isso. Foi patriótico, atentando um desejo irretorquível de servir Marília, de auxiliar seu povo a solver um problema que se apresenta difícil.

Isso prova que Marília têm solução para tudo. Isso atesta que sua gente não luta por louros, mas sim por objetivos que visem engrandecer e beneficial a cidade.

Se as iniciativas particulares foram uma mola propulsora do desenvolvimento mariliense, essa atitude dos dirigentes do Educandário vieram provar mais uma vez que Marília têm solução para tudo. Graças à sua gente.

Extraído do Correio de Marília de 08 de junho de 1956

sábado, 7 de junho de 2008

O vereador “Ad Hoc” (07 de junho de 1956)

O termo não é oficial. Mas o homem, apesar de seus 80 anos (completará essa idade, no próximo domingo, dia 10), fez-se notar por todos, pela sua extraordinária assiduidade às sessões da Câmara Municipal de Marília. Isso, desde 1.948. E entre seus colegas, cá da redação, passou a ser considerado “Vereador de Marília “Ad Hoc”.

Aristides Ferreira Franco, seu nome. “Seu” Aristides, aqui para a turma do “Correio”, onde ele trabalha há quase vinte anos. E a avançada idade de “Seu” Aristides não o impede de continuar a colaborar com o primeiro jornal da Alta Paulista. Embora não possa, como é lógico, apresentar um rendimento de trabalho equivalente ao de um jovem de vinte primaveras, faz suas obrigações de maneira melhor do que seriam feitas por muita gente de trinta ou quarenta.

Às vezes, o desgaste de tantos anos de vida e de trabalho, domina-o por instantes. O cansaço ou aquele sono tão bonito e inocente da própria velhice, toma-o por momentos. E ele cochila em sua mesa de trabalho. Quando isso acontece, ninguém o interrompe. Torna-se ainda credor de mais profundo respeito. Há muito, foi autorizado deixar o labor. Será aposentado. Não sob o aspecto de proteção de “iaps”. De modo especial, pelo nosso diretor. Mas o homem nega-se a abandonar o trabalho. Não pode passar sem o convívio de nossa redação, não quer deixar que outra pessôa venha a executar os trabalhos que ele, com muito carinho e há tanto tempo vem desenvolvendo. E a prova disso, é a sua pertinácia. A sua fibra de caboclo, o seu amor ao trabalho, são um verdadeiro exemplo para todos nós que o conhecemos.

Sereno, perfeitamente lúcido em seus átos, com nítida noção do que faz e do que fala, “Seu” Aristides constitui-se num patrimônio moral dêste jornal. E num motivo de orgulho e respeito para todos.

Acompanha, através do rádio e da leitura de jornais, o movimento político nacional. Interessa-se por tudo o que acontece em Marília e no Brasil. E gosta de trocar suas idéias, com uma modéstia admirável; com uma sensatez digna de respeito.

Nas últimas sessões da Câmara, o homem não tem comparecido. O frio e o vento estiveram muito acentuados. Mas o homem colou os ouvidos ao rádio e acompanhou o desenrolar dos trabalhos da edilidade mariliense.

Se todos os presentes vinham notando a sua constância no comparecimento às sessões semanais da Câmara Municipal, com maior facilidade fôra notado pelos senhores vereadores. E assim, o Dr. Aniz Badra, quis prestar-lhe uma homenagem. A idéia do presidente da Associação Paulista de Municípios teve o apôio incondicional de todos os edís. E a própria Câmara Municipal, mandou confeccionar uma placa, que foi colocada numa poltrona especial, destinada ao nosso velho e querido companheiro. Na aludida chapa, estão gravados os dizeres oficiais em que a Câmara Municipal de Marília reconhece e homenageia o Sr. Aristides Ferreira Franco, como “o mais assíduos dos assistentes”.

Na sessão de hoje, dar-se-á o acontecimento. E nós, partilhando dessa homenagem que é prestada a “Seu” Aristides, carinhosamente o abraçamos.

Extraído do Correio de Marília de 07 de junho de 1956

sexta-feira, 6 de junho de 2008

“Batidas” Policiais (06 de junho de 1956)

O dr. Celso Camargo de Azevedo, delegado de política adjunto da Regional local, está mesmo disposto a acabar com a malandragem que impera no “bas fond”. Essa autoridade vem fazendo agora, o que há muito estava sendo reclamando: a vigilância mais severa e permanente na zona do meretrício, visando acabar com os malandros e desocupados, os “habituès” da zona do pecado, aquêles que ficam até altas horas bebericando nos bares da própria região onde se localizam as mensalinas, para depois recolherem-se e pernoitar nas casas das meretrizes. Muitos são os desordeiros que se utilizam dêsse expediente. Inúmeros são os desocupados e malandros e vários são os que chegam até a explorar as mulheres de vida fácil.

Está merecendo aplausos da população a atitude da autoridade policial. Várias “batidas” têm sido realizadas, em diversos horários da noite e da madrugada. E os resultados têm sido os desejados: dezenas e dezenas de “boas vidas” aparentes, foram recolhidos ao xadrez. Muitos dêsses, não mais cairão na reincidência. Isso temos a certeza.

E a campanha vai continuar, cada vez mais acentuada, cada vez mais intransigente. Isso foi o que asseverou à nossa reportagem, o dr. Celso Camargo de Azevedo. E deve prosseguir. Sem esmorecimento.

Muita gente que é obrigada a residir nas proximidades da aludida zona, está agora tendo um pouco de maior sossego. Antes, registravam-se fatos desagradáveis e às vezes barulhos infernais e até lutas pela madrugada a dentro. De modos que os que precisam repousar para enfrentar o trabalho no dia seguinte, ficavam sempre prejudicados em sua tranquilidade noturna, que é alguma coisa de sagrada.

Está de parabéns o dr. Celso Camargo de Azevedo e seus diligentes auxiliares. Prossiga, doutor delegado!

Extraído do Correio de Marília de 06 de junho de 1956

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O Governador Contra Marília (05 de junho de 1956)

Não existe nenhum sensacionalismo ou tragicidade aparente, no epígrafe que escolhemos para nosso comentário de hoje. A realidade, oficial, aí está: O Governador em exercício, general José Porfírio da Paz, acaba de dar um golpe de morte nas justíssimas e humanas pretensões do povo mariliense, obstando, em mensagem enviada à Assembléia, com pareceres oficiais, que Marília mereça a contemplação de um curso oficial de ensino superior.

É inacreditável o acontecimento. Consideramo-lo indigno para com o povo mariliense, êste povo que construiu em pouco mais de vinte anos, sem subvenções oficiais, esta célula-orgulho de progresso no interior bandeirante.

Cidades de menor expressão geográfica e de menor densidade de população, situadas em zonas melhor servidas no setor educacional, possuem hoje suas escolas superiores. Marília, embora tendo o direito de exigir sem pedir, pelos fatos irrefutáveis que apresenta, continua a ser a eterna orfã dos poderes constituidos!

Só no Brasil, é que podem acontecer coisas dêsse naipe! Países que nós consideramos ingenuamente mais atrasados do que o nosso, jamais deixam que a mocidade estudantil clame, implore, mendigue uma escola para estudar, para ser mais util à própria Pátria! O próprio govêrno vem de encontro a essas aspirações, que são necessidade primordial do progresso e desenvolvimento de qualquer nação. Aqui, não. Aqui, mesmo tendo o direito, esta razão cede terreno a manobras políticas, confabuladas no aconchego acolhedor de gabinetes políticos, sob o aroma delicioso do café paulista e sob a fumaça agradável de caríssimos charutos havanos. Ninguém poderá contestar-nos. Nem mesmo o sr. Governador.

É de se lamentar, êsse gesto do general Porfírio da Paz, que reputamos dos mais infelizes. É de despostar e de decepcionar a atitude do govêrno de São Paulo, votando nessa circunstância, contra Marília e seu povo. Fazendo ruir um sonho justo, acalentado pela mocidade estudantil de Marília e da região; um sonho justo, patriótico, digno de encômios, merecedor do calor obrigatório das autoridades governamentais. Vem assim por terra, não só o sonho – uma necessidade indiscutível, uma luta gloriosa, na qual participa Marília inteira, por sua classe estudantil, sua Câmara Municipal, seu Prefeito, seus dirigentes escolares, suas associações de classe a imprensa mariliense.

O governador em exercício, que por mais de uma ocasião levou para seu nome votos de eleitores marilienses, agiu contra Marília! Numa atitude, repetimos, que consideramos indigna para com êste grande e obreiro povo da “cidade menina”.

Esperamos que s. excia. seja alertado em tempo, do erro que contra nós está praticando! Porque, com essa atitude, o governador colocou-se contra Marília e seus interêsses de progresso!.

Extraído do Correio de Marília de 05 de junho de 1956

terça-feira, 3 de junho de 2008

Aumento dos preços da “Circular” (02 de junho de 1956)

Não entraram em vigor ôntem os novos preços (para mais, é claro) das passagens de ônibus da Emprêsa Circular Cidade de Marília. Segundo nos informaram, registrou-se um período de “tréguas” de dez dias. Assim sendo, tudo faz crer, que, no próximo dia 10, o povo mariliense sinta nos costados mais uma escorcha, a juntar-se às contas do imenso rosário de sacrifícios porque passa atualmente.

Os proprietários da firma, certamente justificaram perante o sr. Prefeito Municipal, os motivos do pretendido aumento. Com cifras e estatísticas, logicamente. Não compete a nós, discutir as razões ou contradizer as bases que tenham a respeito sido ponderadas. Apenas, como parte do povo mariliense, que paga sempre gemendo, mas sem bufar, nos manifestamos contra mais êsse aumento.

A emprêsa em tela tem uma grande responsabilidade para com o público. Ninguém pode desconhecer os bons serviços que presta a Marília e sua gente. Mas nem por isso, deve o povo arcar, periodicamente, com as consequências de novos aumentos de preços de passagens.

Gostaríamos de ver com que cara ficariam os comerciantes e intermediários que estão dia a dia elevando os preços de tôdas as utilidades, se o salário “sai-não-sai” não viesse a ser decretado! Por certo, a consciência de alguns deverá doer um pouco.

Que tenhamos (até algum dia) que ficar a mercê dos ditadores de preços a bel prazer, sem qualquer fiscalização governamental no sentido, ainda vá. Mas que soframos aumentos em passagens de ônibus de firma local, é de se lamentar. E muito, frizamos.

Por certo, apesar de nosso desagrado e de alguns protestos do público, mais esse aumento virá mesmo. A menos que o Prefeito Municipal, se não o autorizou, deixe de aceitar as razões apresentadas. O caso é desconhecido para nós, para ser abordado com maior propriedade. Fazemos tão somente um apelo ao Chefe do Executivo local; examine S. Excia. carinhosamente a questão. E outro aos proprietários da própria empresa: se possível, evitem mais esse sacrifício aos marilienses.

Extraído do Correio de Marília de 02 de junho de 1956

Todos são contra o póbre (31 de maio de 1956)

Embora pareça, não há lugubridade ou tragicidade no título que encima nosso artigo de hoje. É que da maneira que as coisas caminham hoje em dia, somos forçados a assim pensar. Diz o brocardo popular que “pobre não tem vez”. E não tem mesmo.

A SUMOC, ao que parece, acaba de chutar fóra um “penalty”. Melhor dizendo, está ensaiando um golpe de morte contra as classes pobres, ao proceder os estudos de instruções visando as restrições que ferirão de morte os sistemas de vendas a crédito, o que trará, inegavelmente, prejuízos sem conta à população.

O próprio Govêrno precisa ser convenientemente elucidado a êsse respeito. A medida óra cogitada, visa fazer desaparecer os sistemas de venda conhecidos como “crediários” tão em voga no Brasil e tão úteis para os chefes de famílias pobres, que só assim podem adquirir muitos objetos que de outra forma jamais o fariam. Em última análise, o sistema não chegaria mesmo a desaparecer. Acontece porém, que, em tal hipótese, os onus decorrentes do entrave e embaraços oficiais à manutenção dos “crediários” serão carreados para o lombo do povo. “In finis” significa que as mercadorias sofrerão aumentos extras (afóra a corrida altista quase natural de hoje em dia).

Alega o órgão referido, que a intenção é combater a inflação no Brasil! Francamente! Isso até parece brincadeira. Não sabíamos que o combater a inflação é sufocar mais ainda a classe pobre. Sim, porque os ricos não necessitam adquirir nada a prestações, pagando 10% a mais, assinando “papagaios” e ainda por cima, implorando obséquios de avalistas, depois de oferecer tôdas as garantias que dispõem, como acontece com os pobres.

No início, pensamos que o caso tinha sido uma idéia infeliz, uma brincadeira apenas. Depois nos convencemos ao contrário, quando a questão começou a caminhar pelos meios oficiais. E nós, como temos tanto medo de coisas oficiais, vamos nos colocar ao lado dos pobres, nessa sua justa reação. Vamos lavrar aqui, o nosso protesto. Veemente.

Todos são contra o pobre: intermediários, “tubarões”, monopolistas... mas até a SUMOC??? Tantas coisas de maior importância para êsse organismo cuidar e resolver e vai envolver-se justamente com um assunto tão visivelmente contra a classe pobre!... E sabendo quão grande é!

Extraído do Correio de Marília de 31 de maio de 1956

Um mariliense em “Hamlet” (30 de maio de 1956)

“Bela Vista” é o nome de um novo teatro recém-inaugurado em São Paulo. Moderno e confortável, pelo que nos informaram. Condizente com o próprio progresso e as exigências modernas da arte na Capital bandeirante.

A Companhia Nydia Lícia-Sérgio Cardoso, está apresentando no “Bela Vista”, a histórica tragédia de William Shakespeare, em cinco atos e numa tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos, “Hamlet”. Deve ser garantido o seu sucesso.

O fato, porém, que levou-nos hoje a focalizar tal assunto é o seguinte:

Um amigo nosso estando em São Paulo, foi ver “Hamlet, Príncipe da Dinamarca”. No livro-roteiro que recebeu na porta, folheando seu interior, deparou, na constituição do elenco da famosa peça, um nome muito conhecido em Marília. Exatamente o nome de um rapaz que até há pouco exercia suas atividades num banco da cidade. Nosso amigo ficou intrigado: Seria possível? Seria o mesmo personagem seu conhecido dali mesmo da Avenida? E do auditório da Rádio Dirceu?

Ocupou seu lugar, com certeza lamentando intimamente, o alto preço do ingresso. E aguardou o início do espetáculo, enquanto folheava o livro-roteiro.

E o espetáculo começou. E o rapaz entrou em cena. Sim, senhores, em “Hamlet”! E era mesmo o mariliense e o bancário e o moço “habituè” do auditório da Rádio Dirceu! Êsse moço é Wilson Santoni, até há pouco funcionário do Banco Comercial local.

Agora é o nosso amigo que fala: “Para mim foi uma agradável surpresa. Wilson Santoni representa, juntamente com Newton Goldman, Oswaldo Vila Nova, Nilo Odalia, José Silva e José Egydio, os gentis-homens da Guarda. Trabalha bem. Seus diálogos são poucos, mas sua presença e ações mudas no palco, são muitas. Executa a missão a inteiro contento...” E vão por aí afóra as explicações dêsse nosso grande amigo, que voltou anteontem de São Paulo. E arremata: “Ninguém sabia que êle era um artista”...

E nós ficamos então pensando: Quantos artistas-natos não existirão aí por Marília, sem jamais ter apanhado a primeira oportunidade? Ou chegarem a demonstrar as aptidões originárias que conservam dentro de si?

Tudo no mundo é uma arte. Até o viver, hoje em dia. A propósito, nos recordamos mui bem, que há cerca de cinco anos passados, quando um mariliense lançou sua candidatura ao cargo de vereador municipal, chegamos a duvidar de sua capacidade política. O referido moço foi eleito e tem a seu favor, hoje, o mérito inegável de ter sido um dos mais competentes edis marilienses na legislatura passada. Nunca fez demagogia. Nunca trouxe para o plenário um assunto pueril, sem importância. Jamais usou a palavra, quando não fosse para discutir uma questão de relevo. E tôdas as vezes que o fez, soube fazê-lo como poucos.

Hoje em dia, em São Paulo e no Rio, temos nos meios radiofônicos, grandes e projetados valores artísticos. Oriundos de Marília. Todos sabem quem são. Aqui não tiveram jamais oportunidade. Fóra sim; e souberam agarrar-se a ela. O mesmo aconteceu com o Wilson Santoni.

Extraído do Correio de Marília de 30 de maio de 1956

O Exército e o custo de vida (29 de maio de 1956)

Parece que vai ser posta em prática u’a medida por nós preconizada há tempo, ou seja, a intervenção do Exército Nacional, na batalha do crescente aumento do custo de vida.

Isso é o que podemos deduzir, através da palavra oficial do Exército, na pessoa do Ministro da Guerra, general Teixeira Lot. Ao responder a uma pergunta de um repórter paulistano, no último sábado, momentos antes de embarcar em Congonhas com destino ao Rio, o titular da Guerra declarou que o govêrno federal está tomando providências e “medidas capazes e resolutas, que, sem sombra de dúvida, irão minorar as agruras pelas quais estão passando as classes menos favorecidas”.

E adiantou o ministro da Guerra: “Nessa emergência, o Exército dará ampla cobertura, auxiliando o govêrno em tudo e por tudo, inclusive lançando mão de suas viaturas para o transporte de mercadorias. Posso informar que o govêrno federal instalará postos de vendas e redobrará seus esforços na fiscalização de preços ou sonegação de mercadorias”.

A medida será oportuna e já virá um pouco tarde. Mas que seja bem organizada e melhor intencionada, são os nossos votos.

Por que o govêrno não adquire nas fontes, uma regular porcentagem das safras, executa os transportes por sua conta com viaturas oficias e estabelece postos de venda, com preços humanos e fiscalizados? Não seria impossível ao Executivo fazer isso. E o povo poderia respirar com maior facilidade, pois no momento atual, a vida está insustentável, cuja condição de desespero está repercutindo dolorosamente na própria vida nacional, trazendo-nos a condição atual de sermos um dos países mais inflacionários do planeta.

Tudo dependerá do modo e dos processos que sejam postos em prática. Que não venham os serviços oficiais a respeito apresentar falhar ou deficiências, pois assim teríamos dois motivos a lamentar: primeiro o não atender as suas precípuas finalidades; segundo, a continuidade da anomalia, desta vez, oficializada.

Sempre depositamos no Exército tôda a nossa confiança e as esperanças de dias melhores. Agora se apresenta uma oportunidade para isso.

Oxalá tudo dê certo. Oxalá.

Extraído do Correio de Marília de 29 de maio de 1956

Marília não tem teatro (26 de maio de 1956)

É claro que a afirmativa constante do epígrafe não é segredo para ninguém que reside em Marília, ou, que, fóra daqui, conhece nossa cidade. Mas acontece, que, até há pouco, tínhamos dois lugares apropriados para exibições teatrais quando necessárias. Agora temos um, por mais alguns dias. Depois disso, restar-nos-á a alternativa de, havendo necessidade, improvisar uma Associação Comercial, alguns Ginásio ou valermo-nos de auditórios de alguma rádio emissôra.

Até aqui, tôdas as exibições teatrais eram feitas num dos cinemas da cidade (afóra as demonstrações estudantis ou de fundo beneficente e amadorista, que eram apresentadas em locais adaptados). E em muitas ocasiões, assistimos ao palco do Cine São Luís (antes da reforma recente porque passou), teatros, festas, exibições de artistas, etc.. Hoje em dia, remodelado o aludido cinema, tendo a sua tela panorâmica de borracha fixo e imóvel, não se pode usar o palco para fins que não a exibição de películas cinematográficas. Resta apenas o Cine Marília. Êste, porém, dentro em pouco, passará a possuir o mesmo melhoramento citado e ficará em situações idênticas ao atual Cine São Luís.

É verdade que Marília é uma cidade nova, sem uma vida artística muito projetada no momento. Mas como um centro progressista, dia mais dia menos necessitará com maior urgência, o seu Teatro Municipal. Amanhã mesmo poderá dar-se o caso de precisarmos acolher entre nós, uma revista musical, uma caravana de artistas, um concerto lírico ou coisa equivalente. Que se fará a respeito? Onde acomodar tais apresentações? Como repercutirá fóra de nossos pagos a notícia de que tal exibição não foi possível em Marília por falta de um lugar apropriado?

É verdade que é uma hipótese. Mas não está afastada a sua possibilidade. Como proceder então, depois do Cine Marília tornar-se, em virtude da adaptação tela panorâmica (de borracha, fixa), impossibilitado de prestar-se para qualquer exibição teatral ou semelhante?

Nós não chegaríamos aqui, a fomentar uma campanha para a construção de um Teatro Municipal. Pelo menos no momento, quando sabemos sobejamente as dificuldades financeiras do município, ante as enormes cifras que representam os compromissos de despesas para os cofres da Prefeitura. Longe de nós propugnar por uma causa dessa (no momento), embora sabendo que seria mais um tijolo neste grande edifício de dinamismo e progresso que se chama Marília.

A verdade é que a questão, embora seja de plana inferior, sem representar “sangria desatada”, não deixa de ter a sua significação na própria vida comum (social e progressista) da cidade. E como é um assunto que pensamos ter passado pela cabeça de pouca gente, fazemos aqui sua alusão. Com o sentido de colaborar. Pode dar-se que dêste nosso lembrete, surja alguma idéia, para evitar-se uma possível dificuldade social amanhã, que, em última análise, seria mesmo um pequeno “senão” para as próprias autoridades, ou, possivelmente, uma “dor de cabeça” para ser resolvida em última hora.

Depois de remodelado o Cine Marília e com os melhoramentos apontados, ficando impossibilitado de servir para os fins aludidos, bom seria que dispuséssemos de um outro ponto capaz de substituir tais exigências.

Citamos revistas teatrais, como poderíamos ter citado uma conferência médica, política, cívica, municipalista, etc.. ou homenageativa. Ou de qualquer outro motivo, que viesse a interessar diretamente à cidade e o povo mariliense.

Não seria o caso de pensar-se sôbre o assunto antes, para não ter a preocupação e a dificuldade de agir “em cima da hora”?

Extraído do Correio de Marília de 26 de maio de 1956

Medicina à Prestações (25 de maio de 1956)

Não pudemos ler na íntegra o artigo. Apenas passamos uma vista d’olhos sôbre a reportagem, algo inédita, que o matutino paulistano publicou há poucos dias. E foi que nos inteiramos da questão.

Um médico de São Paulo, proprietário de um pequeno hospital, inventou de introduzir no ramo da medicina, uma inovação: facilitar aos necessitados, o pagamento em prestações, das despesas hospitalares.

O caso estourou como uma “bomba” dentro da própria classe dos esculápios: Alguns médicos acharam interessante a idéia; outros se sentiram ofendidos. Ninguém, no entanto, quis “se abrir”, quando o repórter, ávido de “furos”, principiou a entrevistar uma infinidade de doutores em medicina.

A entidade representativa, que é a Associação Paulista de Medicina, deu logo a nota: censurou o pretensioso introdutor do sistema de “crediário médico hospitalar” no Brasil. Um dos paredros da A. P. M., não teve papas na língua – desceu um palavrório de censuras ao médico que idealizou a questão. Terminou por dizer que a Associação iria se reunir e investigar o caso. O repórter (como todo bom repórter que se preza), tratou logo de ouvir o médico referido. Êste, por sua vez, foi franco – mais do que isso: foi desassombrado. Disse ser proprietário único do hospital; estar devidamente legalizado para o exercício da profissão; não receber subvenções particulares ou oficiais para nosocômio; não ter que dar satisfações à Associação Paulista de Medicina, de cuja entidade nem sócio é.

Não sabemos bem o que pensará a distinta classe médica a respeito. Mas entendemos que haverá duas correntes distintas. Aquêles que, como médicos, mantêm vivo o juramento de Hipócrates, que estão bem identificados com a miséria humana, conhecendo as dificuldades do povo brasileiro, sabendo de antemão, quão caríssimos são os medicamentos e os tratamentos hospitalares, por certo hão de convir que seja facilitado, àquelês que são pobres e vivem de ordenados fixos, pagar as despesas médico-hospitalares em prestações mensais. Aquêles outros, que, jamais fizeram da profissão nobre e honrada de médico um sacerdócio, mas sim, pelo contrário, um alto comércio, provavelmente serão contra a idéia.

O aludido facultativo, alegou ao repórter que nada existe nesse ato que diminua ou desprestigie a medicina ou a profissão de médico. Será apenas um sistema destinado a facilitar o tratamento a muita gente que não possui recursos adequados, para fazer face às despesas de tratamentos necessários e urgentes.

Nós entendemos ainda, que, tal proceder, virá dignificar mais a profissão dos médicos. Isso, porque sabemos que nos grandes centros, não existe “peito” em consultas médicas e nem operações. E nem amizades. E nem consideração. É pagamento adiantado. E absurdo, diga-se de passagem.

Aqui no interior, isso já não acontece. embora exista ainda um grande número de médicos que exerce a medicina como um autêntico comércio, há também os médicos que dedicam grande parte de suas atividades a servir o público. Consultas e operações gratuitas umas vezes; por preços ínfimos, outras.

O fato é que nós estamos com o médico. Isto é, se houver sinceridade nas suas declarações. E nas suas intenções. Se, de fato, êle pretende, conforme anunciou, favorecer os menores necessitados (como comumente acontece no interior), com as possibilidades de pagar as contas hospitalares em parcelas mensais, muito bem. Se, por outro lado, pretende arvorar-se numa filial da COFAP e estabelecer preços absurdos e abusivos, visando lucros, ditados ao seu bel prazer, então deve merecer o combate.

Por enquanto, convém experimentar o processo. Se se compra roupas e calcados, automóveis e outros objetos para pagar em prestações mensais, que mal em pagar também em pequenas parcelas uma dívida que se contrai por absolta e inadiável necessidade?

Extraído do Correio de Marília de 25 de maio de 1956

Dolorosa Verdade (24 de maio de 1956)

Um amigo comum, comentava conosco o conteudo de nosso artigo de ôntem, quando abordamos a absurda elevação do custo de vida, em face aos anunciados “estudos” do propalado futuro salário mínimo. Expondo-nos o seu ponto de vista acerca da situação, pediu-nos: “escreva os motivos de origem dêsse estado de coisas”.

Se escreveremos “os motivos de origem dêsse estado de coisas” com propriedade, não sabemos; mas que emitiremos o nosso ponto de vista a respeito, isso o faremos a seguir:

P’ra começo de conversa, entendemos como principal responsável pela situação, diretamente, o sr. Presidente da República. Apesar da consideração e respeito que nos merece o homem eleito pela maioria do eleitora brasileiro.

O Brasil de hoje é um atestado eloquente de desgovêrnos. São tantas as falhas que se notam, que difícil seria enumerá-las. Negocistas, “tubarões” e intermediários agem livre e impunemente. As divisas não obedecem um controle perfeito de adaptação aos interêsses nacionais. Enfraquecem o Brasil, melhorando o mercado exterior. As importações de coisas banais e automóveis, de luxo, são a prova disso. A lavoura continua desamparada e chegamos ao cúmulo de importar milho!

Não existem freios capazes e nem pulsos suficientes para puxar as rédeas da inflação e do aumento do custo de vida, cada vez em mais louca disparada. O desafio aos poderes constituidos já está se tornando ridículo. Para êles, é claro.

O sr. Juscelino Kubitschek, por ocasião de sua campanha eleitoral, inundou o Brasil com uma das mais completas “plataformas de govêrno”, na qual prometeu, através de todos os meios de divulgação, resolver os problemas fundamentais do país. É verdade que o presidente eleito está há pouco tempo no govêrno. Mas o que está acontecendo nesse ínterim, é desalentador.

“Em 5 anos darei 50 anos de progresso ao Brasil”, afirmou o sr. Juscelino Kubitschek. Prometeu-nos a ampliação da Petrobrás; a solução para o problema da falta de água na Capital Federal; equipamento e ampliação das ferrovias dos Estados; a reforma cambial; energia elétrica para o interior (Eletrobrás); estrada pavimentada ligando o sul ao norte do país; criação de novos Ministérios; um “Metrô” para o povo carioca; acesso à exploração agrária; a mudança da Capital da República, em apenas três meses; novas estradas de rodagem; reforma do ensino; mais hospitais e escolas para o interior; plano nacional de alimentação; estagnação do custo de vida; e muitas outras coisas.

E o que aconteceu?

A vida sobe dia a dia; os impostos foram majorados; os preços dos produtos horticolas subiram assustadoramente; minerais atômicos são exportados clandestinamente; a farinha de trigo foi majorada; as tarifas postais subiram até 700%; o comércio de utilidades jamais foi tal desenfreado e altista; nunca se verificou, em tão pouco tempo, tamanha avalancha de importação de carros de luxo; os transportes subiram; acentuou-se a crise de energia elétrica, afetando principalmente a própria economia dos Estados nordestinos; os produtos farmacêuticos subiram abusivamente; aumentaram os preços dos cinemas nas capitais; está em perspectiva o aumento das tarifas telefônicas; subiram os transportes ferroviários em geral, principalmente pelas empresas autárquicas federais; e muitas outras coisas, também!

Quem então é o responsável? O Govêrno, Flávio Costa ou o próprio Santo Padre?

Assim é que pensamos. E esta é a dolorosa verdade!

Extraído do Correio de Marília de 24 de maio de 1956

Novos salários (23 de maio de 1956)

Não vamos revelar nenhuma novidade neste comentário. Vamos apenas tecer considerações dum assunto conhecidíssimo por todos os brasileiros. Tão conhecido, que os próprios parlamentares foram os primeiros “a levantar a lebre”, sem qualquer outra providência.

É que os balões de ensaio das majorações salariais são verdadeiramente improdutivos. A rigor, denotam mesmo incapacidade administrativa no sentido. A elevação do nível de vida, tão alta e tão ascensional é um problema aparentemente insolúvel, desafiando a argúcia e o tirocínio administrativo de todos os govêrnos. Nem o presidente da República, nem os ministros de Estado, nem técnicos de nenhuma espécie são capazes de provar, com “a” mais “b” que ainda existe no país um meio de estancar o fenômeno que cresce mais rapidamente do que o “baurú” em terras cafeeiras.

O salário mínimo em bases mais elevadas, é necessário. Mas não soluciona a questão. E nunca resolverá o problema. O círculo vicioso torna-se cada vez mais aflitiva.

Foram só tornados públicos os ensaios e já a vida deu mais um “salto”. Aliás, isso não é novidade. O pobre hoje em dia é um malabarista. Sofre como um boi carreiro – sem protestos. Tem uma paciência de Jó e uma bondade paquidérmica.

Enquanto se confabulam e se “estudam” os novos níveis salariais, dando-se publicidade alardeante, os “tubarões” vai agindo; isto é, vão arrancando as tiras das costas do povo. Quando “sair” o salário mínimo, a vida estará na mesma – não na mesma, mas pior.

Se existisse um critério sensato e profundamente nacional – mais do que isso, patriótico – por parte das autoridades competentes, e, antes dessa publicidade multi-colorida, agir de modos a congelar os preços e estabelecer o nível salarial sem estardalhaços, por centro as coisas estariam noutro pé. Mas é que isso não é possível. Não é possível congelar os preços, uma vez, que não existe incentivo e apoio à produção. Nem amparo condigno. Até o milho (pasmem, leitores!) já importamos (graças a “dona” COFAP!)! Como será possível congelar os preços, se a produção nacional, em muitos pontos deficiente, está nas mãos dos intermediários, devidamente escudados pelo cunho oficial das comissões de abastecimento? Como será possível congelar os preços, quando grande parte da produção, mesmo os mais comezinhos produtos são importados e temos que nos sujeitar ao mercado exterior, carreando divisas para fora e enfraquecendo o Brasil, já tão anêmico?

Enquanto se fala e se “estuda” o aumento salarial, o povo que vá apertando a cinta; seus filhos que continuem definhando, por fome, falta de medicamentos, morrendo de frio. Reconhecer “a situação desesperadora, aflitiva”, etc., é muito fácil para aquêles que dão entrevistas à imprensa. Os fatos é que são elas...

Extraído do Correio de Marília de 23 de maio de 1956

A viagem de prefeitos e vereadores aos Estados Unidos (22 de maio de 1956)

Indiscutivelmente, aquêles que acompanham os passos e as lutas da Associação Paulista dos Municípios, vão se convencendo, a cada dia que passa, que a referida entidade está bem identificada nos pontos básicos e primordiais da independência econômica dos municípios.

A bandeira do municipalismo, com a descentralização e com a autonomia financeira dos municípios por meio de melhor discriminação na aplicação de rendas é um ponto verdadeiramente notável e vital para o próprio desenvolvimento da nação.

A A. P. M. vai empreender uma viagem de estudos e apreciações do sistema municipalista norte-americano, um dos padrões mundiais em independência e autonomia financeira dos centros interioranos. Prefeitos, vereadores e técnicos da própria A. P. M., conhecerão “in loco”, a engrenagem da progressista máquina de autonomia municipal dos chamados “condados americanos”.

A viagem está marcada para a próxima quinta-feira, dia 24, devendo ter a duração aproximada de trinta dias. Em entrevista que nos concedeu o dr. Aniz Badra, presidente da A. P. M., ficou bastante claro um ponto de elevada importância e a rigor, o mais elevado sentido da viagem: a mesma não onerará nenhum cofre público – municipal, estadual ou federal.

E foi mais além o dr. Aniz Badra, ao afirmar que a caravana não vai visitar “arranha-céus”, se bem que tal não deixasse de ser interessante para qualquer brasileiro. A missão especial é visitar os municípios de vários estados estadunidenses, conhecendo em fato a vida municipalista-padrão das comunas norte-americanas. Não de modo superficial, porém objetivo. Para conclusões e proveitos da própria bandeira municipalista. E a prova está que apesar de que a viagem pode ser integrada por qualquer outra pessoa, sòmente aquêles que alimentam idéias municipalistas e que são soldados da causa é que irão.

É digna de elogios a viagem e os seus motivos.

É merecedora de confiança e de esperança, principalmente pelo povo do interior, mormente dos grandes centros como Marília, que contribuem com parcelas gigantescas de cifrões para os cofres do Estado e da União. Municípios como o nosso, que crescem vertiginosamente e que a cota de suas rendas, por deficiente, não pode emparelhar-se ao voluma das despesas públicas exigidas pelo próprio progresso.

Desejamos felicidades à caravana que depois de amanhã rumará para a terra do Tio Sam, com a enorme responsabilidade de trazer num futuro próximo, para nós do interior, dias melhores de um progresso mais ritmado, com nossa vida própria mais liberal e sem necessitar, para qualquer pequena coisa, as difíceis assistências dos poderes centrais. Que a viagem seja proveitosa e preencha as finalidades que se propõe, é o que auguramos aos integrantes dessa caravana que no momento desperta as atenções de todo o interior.

Boa viagem e felicidades, senhores!

Extraído do Correio de Marília de 22 de maio de 1956

Nobre Campanha (19 de maio de 1956)

Nobre, sob todos os pontos de vista, é a campanha óra levantada em Marília, para auxiliar a luta de combate ao câncer.

Dela devem participar todos os marilienses, direta ou indiretamente. Em torno da mesma devem ser cerradas tôdas as fileiras possíveis.

O terrível mal, já está provado, é debelável no início de sua manifestação. O seu tratamento, por difícil e especial, é dispendioso. A porcentagem de doentes atacados pela insidiosa moléstia, não tem paralelo entre os que podem pagar o tratamento e os indigentes. O número de indigentes é muitas vezes superior. É por isso que se apela para o povo. Para a solidariedade humana de todos, indistintamente, em pról de u’a minoria de infelizes, nessa luta contra a morte.

A bandeira foi levantada em Marília. E deve prosseguir altaneira, elevada, porque é digna e humana.

Já se encontra instalada em nossa cidade, na Agência Ford, a Exposição Educativa de Combate ao Câncer. Por ali poderão os marilienses melhor aquilatar a profundeza das raízes dêsse terrível mal. E tirar proveito e conhecimento em benefício próprio. E saber melhor o porque de suas adesões a êsse nobre movimento.

A classe médica de Marília se incumbirá melhor de explanar as finalidades da patriótica e humanitária campanha. Palestras vão ser proferidas pelas emissoras locais; artigos irão ser publicados na imprensa.

O povo mariliense, que sempre tem dado sobejas provas de seu civismo e cooperação compreensiva a tôdas as boas causas, deve colaborar – mesmo que com sacrifícios – nesta campanha. Seu fundo é mais do que propriamente humano: é, antes de tudo, cristão.

Extraído do Correio de Marília de 19 de maio de 1956

Legião da Boa Vontade (18 de maio de 1956)

O conhecido e competente radialista patrício, Alziro Zarur, lançou, em 1949, através do microfone da Rádio Globo, do Rio, um programa que denominou “A Hora da Boa Vontade”. Nessa programação, Zarur se dirigia especialmente, aos infelizes leprosos, cancerosos, prisioneiros, mulheres transviadas, etc.. A todos procurava expor a sua palavra de carinho, amor e fé, pregando a compreensão e aproximação entre os homens, incentivando a caridade cristã. Sincera, sem espalhafatos.

O programa, de fundo espiritualista, terminou por grangear a simpatia de muita gente. Seu âmbito, deixou então de ser municipalista, para entender-se por todos quadrantes do Brasil, transformado em legião nacional – hoje a Legião da Boa Vontade.

Com a adesão de centenas de pessoas ao movimento iniciado por Alziro Zarur, foram sendo fundados em vários pontos do Brasil, núcleos dessa Legião. Hoje a mesma é um grande patrimônio de solidariedade humana e de fundo altruístico.

Pregando o amor ao próximo e o verdadeiro sentimento de fé e caridade cristã, inspirada na Verdade “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”, a Legião da Boa Vontade representa mesmo um élo de união de homens, independente de credos religiosos, condições sociais, cores ou raças. Tanto assim, que como figuras de prôa na Legião da Boa Vontade, ao lado do idealizador Alziro Zarur, vemos sacerdotes católicos, ministros protestantes, maometistas, budistas, positivistas, etc.. E todos olvidam no momento as suas religiões, para entrelaçar as mãos e pregar o bem, através daquilo que se chama boa vontade.

Em Marília, está sendo fundado o Núcleo da Legião da Boa Vontade. Quarta-feira teve lugar a primeira reunião do mesmo, que, novamente, na última quinta-feira do próximo mês, deverá realizar a segunda assembléia. O reverendo Álvaro Simões foi o conferencista da primeira assembléia, tendo exposto, em belíssima oração, as finalidades cristãs e caritativas da Legião.

Marília deve formar o seu Núcleo da Legião da Boa Vontade. Principalmente hoje em dia, quando tantos e tantos motivos desunem os homens, obcecados que andam pelas coisas materialistas da vida.

Extraído do Correio de Marília de 18 de maio de 1956

Combate ao Cancer (17 de maio de 1956)

A classe médica de Marília, através da Regional local da Associação Paulista de Medicina e por proposição da Associação Paulista de Combate ao Câncer, acaba de levantar a bandeira de lutas contra o terrível mal.

A campanha óra iniciada e que deverá ser ramificada por todos os quadrantes do interior, objetiva duas finalidades distintas: educar o próprio povo sôbre a terrível moléstia, seus perigos e o tratamento adequado, por um lado; a obtenção de fundos para que a Campanha de Combate ao Câncer possa continuar a rota inicialmente traçada na batalha da terrível enfermidade, por outro.

Sabemos que nos Estados Unidos o próprio Govêrno americano dispensa verbas fabulosas para o Hospital Central de Combate ao Câncer em Memphis, nosocômio que conta ainda com auxílios sem conta do próprio povo. Estamos inteirados ainda que no ano passado, no Hospital de Memphis, onde uma verdadeira legião de médicos cancerologistas emprestam inúmeras horas diárias de suas atividades especializadas, os resultados na luta contra o câncer e mesmo sua diagnosticação precoce, vem salvando centenas de vida. A respeito, lemos, há alguns meses, que numa campanha iniciada naquêle hospital, incitando as mulheres a fazerem testes, a fim de ser diagnosticado com precocidade o câncer uterino, que milhares de vítimas vinham fazendo por ano. E, 70.000 mil mulheres se submeteram aos exames que se denominam “esfregaços de Papanicolaou”, onde se constatou positivado o câncer cervical em cerca de 600 casos, quatrocentos e tantos curados radicalmente.

Sabemos que no Brasil, o câncer faz inúmeras vitimas anualmente. Sabemos ainda, que só agora é que a Associação Paulista de Combate ao Câncer vem se tornando capaz de realizar essa nobre obra de combater o mal em larga escala e convenientemente. Em São Paulo já existe um Hospital especializado, moderno, dotado de aparelhagem clínica adequada e contando com um grande número de abnegados cancerologistas.

Mas o tratamento é caríssimo. Nem todos podem arcar com as suas despesas, principalmente sendo longo o período de cura. Então, urge o apôio do povo (manifestado a farta e exuberantemente, quando perdeu a vida o médico-martir dr. Napoleão). E o povo deve contribuir para essa campanha óra levantada em Marília. De todos os meios, de tôdas as maneiras, conforme for possível.

Os médicos marilienses irão realizar palestras, publicar artigos na imprensa e fazer alocuções nas rádios, a respeito. Simultaneamente, promoverão exposições das consequências do terrível mal.

O passo inicial desse sentido e no setor financeiro, foi dado com a realização da partida de futebol amistoso, entre médicos e advogados, cuja renda obtida foi o começo. Outras lutas serão travadas. Os médicos marilienses estão dando um exemplo grandioso. O povo da cidade, generoso como é, não deixará de participar dessa humana campanha.

Extraído do Correio de Marília de 17 de maio de 1956

Wanderley, o fujão (16 de maio de 1956)

Os leitores estão bem informados acerca da fuga sensacional de Wanderley da Cunha Camargo, jovem brasileiro que “sismou” em residir nos Estados Unidos e incorporar-se ao Exército Norte-Americano.

O endiabrado rapaz realizou a façanha por duas vezes. Na primeira, foi mandado de volta, tendo o caso passado como uma aventura maluca de um adolescente. Na segunda vez, a questão mudou de figura. Wanderley foi preso nas proximidades do aeroporto da capital norte-americana, ainda em trajes de viagem (descalço, sem bagagem, com fome e com frio). As autoridades americanas enquadraram-no na lei e Wanderley foi condenado a cumprir a pena de 6 meses de “cana”, por ter entrado no território norte-americano clandestinamente. Mas o rapaz continuou batendo o pé e afirmando que deseja viver em definitivo na terra do cinema e que aspira ser soldado do Tio Sam.

A coisa estava nesse pé, quando apareceu a família de Willian E. Foster, de Roseda, Califórnia. A senhora Foster, que deve possuir muitos dólares, dá-se ao luxo de adotar filhos dos outros. E viu em Wanderley a oportunidade de mais uma adoção. Imediatamente intercedeu junto às autoridades americanas, para que o rapaz não sofra punição e possa ser adotado por ela.

O telegrama de Nova Iorque não diz se Wanderley aceitou ou não, mas nós temos a certeza de que deve ter aceito a “mamata”.

E como os americanos são francamente do carnaval, o fujão Wandeley está na “ordem do dia” nos Estados Unidos. Até em diversas emissoras de televisão Wanderley já foi apresentado.

O interêsse é tanto, que o aventureiro está sendo considerado como um autêntico herói. O “cartaz” dele já é notório. A imprensa tira proveito, fazendo floreados, nem sempre condizentes com a verdade. Acreditamos mesmo que as manchetes dos jornais tenham, de certo modo, eivas de menosprezo ao Brasil e seu povo, como, por exemplo: “Jovem brasileiro foge de sua pátria, para viver nos Estados Unidos”; ou ainda, “Insiste em ser cidadão americano o jovem brasileiro”.

Isto é apenas suposição. Mas não estará muito longe da realidade.

Deve-se condenar o jovem Wanderley? Talvez, sim. Talvez não. Se Wanderley trabalhava no Brasil, vivia uma vida honesta e segura, não. Se Wanderley era um vagabundo, como parece (desembarcou descalço e sem roupa – e sem dinheiro), deve sofrer o corretivo legal, por parte do próprio Govêrno brasileiro. Principalmente tendo declarado publicamente que “não quer mais viver no Brasil”.

Isto, porque o rapaz, embora sem o pretender, está fazendo péssima propaganda nossa fóra de nossas fronteiras. E, propaganda falha, nós já temos em demasia: para isso existe o serviço oficial!

Extraído do Correio de Marília de 16 de maio de 1956

“Verdades Duras” (15 de maio de 1956)

Com o título supra, o colaborador dêste jornal, que se assina Antônio Fernão de Magalhães, publicou, no dia 1º do mês em curso, um artigo abordando a questão da criação da sonhada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília.

O aludido escrito, terminou por criar no plenário da Câmara Municipal, quando o suplente de vereador Reinaldo Alves de Souza, em exercício, apresentou à Mesa um requerimento de protesto aos têrmos com que foi vasado o artigo, sob alegação de que o mesmo atacou os poderes municipais, inclusive a própria integridade do legislativo mariliense.

Nós, que somos neutros nessa questão, que somos também um dos soldados que sempre formamos nessa trincheira de lutas pela criação e instalação de um curso superior oficial em Marília, que sempre estivemos ao lado dos verdadeiros batalhadores dessa causa, poderemos, aqui, sem intenções de defender ou atacar nenhuma das partes comprometidas no caso, emitir nossa opinião a respeito do tormentoso caso.

Lemos hoje o conteúdo do referido artigo, para poder escrever. E confessamos que não pudemos perceber maldade no mesmo, ou intenções de ataques a ninguém. Percebemos, antes de mais nada, o sentido da crítica, o necessário e inadiável sentido da crítica construtiva.

É inquestionável, que a crítica foi verdadeira e dura, conforme reza o próprio título do artigo. Mas consideremo-la real. Consideremo-la real, não porque desconheçamos os trabalhos no sentido de conseguir a Faculdade, já desenvolvidos pelo povo mariliense, nas pessoas de autoridades municipais, vereadores, imprensa e própria Câmara. E, temos certeza, de que sòmente uma minoria de vereadores se sentiu atingida e ofendida. Acreditamos que a maioria recebeu a crítica como ela deve ser recebida: democraticamente.

Por nosso lado, com neutralidade, analisamos o artigo como uma crítica construtiva, que, conforme disseram os vereadores J. Coriolano de Carvalho e rev. Álvaro Simões, serve, antes de mais nada, de um alerta à própria Câmara.

Entendemos também, que o autor do requerimento obrou mal, em trazer para o plenário, um assunto que, a rigor, não carecia de ser trazido ao conhecimento da Casa e nem deveria tomar o tempo que tomou da edilidade, quando tantos serviços se encontram programados para a Ordem do Dia da sessão de sexta-feira última.

Em nosso entender, pensaríamos que os vereadores que se sentiram ofendidos pelo escrito em tela, deveriam, antes de mais nada, procurar o autor do mesmo e com êle trocar idéias ou discutir a questão. É possível, que se tal tivesse acontecido, o próprio autor do artigo tivesse, pessoalmente, exposto seu ponto de vista e talvez até elaborado um plano de ação juntamente com os edis, para reforças os trabalhos que já foram feitos a respeito.

De tudo isso, tiramos uma conclusão: O motivo principal que deve ter originado a não criação da aludida Faculdade em Marília, deve ser de inteira responsabilidade de todos os eleitores marilienses – inclusive Antônio Fernão de Magalhães e Reinaldo de Souza. Porque, os marilienses, com mais de 50 mil eleitores inscritos, não foram capazes de eleger um deputado estadual de nossa cidade! Sendo Marília, órfã na Assembléia Legislativa, temos mesmo que nos sujeitar a êsse estado de promessas permanentes, a pedir de chapéu na mão e continuar a mendigar sempre. Sim, pois todos trabalhos desenvolvidos pelo povo e autoridades marilienses, inclusive o autor destas linhas, nada mais têm sido, do que pedidos e implorações (se bem que justas e jamais pretenciosas).

Se tivesse o povo mariliense, na eleição de 3 de outubro (e nós falamos com autoridade, pois muito nos batemos, e com antecedência, pela eleição de um deputado mariliense), evitado a insensatez da dispersão de votos, consignados na maioria das vezes à aventureiros políticos e caçadores de votos em vésperas de eleições, acreditamos que a situação não estaria no pé em que está.

Guimarães Toni, Ademar de Toledo, Aniz Badra, Raul Pimzoni e Romeu Roteli, foram candidatos oficiais de Marília. Em cidades fora daqui, consta-nos que um dos aludidos candidatos teve maior votação do que na própria Marília. Isso significa desprestígio público, ou incompreensão do próprio eleitorado. E as consequências aí estão.

Promessas não mais interessam ao povo mariliense. Não dispomos de outros meios senão pedir. E com pedidos, já está provado, dificilmente conseguiremos o objetivo.

Pensamos que foi isso o que quís dizer o articulista.

E se isso foi, estamos com êle, mesmo conhecendo os trabalhos já desenvolvidos e por nós pessoalmente acompanhados algumas vezes.

Não houve desprestígio ou ataques, pensamos. Apesar de tantas lutas, nada foi conseguido a respeito. Em resumo, as lutas foram vãs. Em síntese, pedir não resolve. É necessário impor. Aí, então, é que encontramos as assertivas de Fernão de Magalhães, quando afirma mais ou menos que Marília não tem homens capazes para conseguir a Faculdade. Desculpem-nos os que se consideram atingidos, pois não há êrro nessa afirmativa. Marília não pode impor, porque qualquer imposição será traduzida em pedir, baixar a cabeça e ouvir promessas.

De tudo isso, tiramos uma proveitosa lição: no próximo pleito estadual, enviemos à Assembléia, um filho desta terra, que de fato venha a trabalhar para Marília e seus filhos. Aí, então, disporemos de um direito: o direito de exigir.

Extraído do Correio de Marília de 15 de maio de 1956

Mãe (13 de maio de 1956)

Numa das desalinhadas gavetas de nossa idosa e antiestética mesa de trabalhos, encontramos, entre um amontoado de cartas, cartões, endereços e outras coisas aparentemente imprestáveis, um recorte de jornal, cuja data e origem ignoramos.

Passamos uma vista d’olhos sôbre o mesmo e ficamos maravilhados com o seu conteúdo, embora não conseguíssemos atinar quando o havíamos guardado.

Trata-se de um artigo consagrado à Mãe, sob o título que emprestamos a êste nosso trabalho, de autoria de “Meimei”, com o P. S. “Do livro “Cartas do Coração”, psicografado por Francisco Cândido Xavier”.

No ensejo desta magna data – Dia das Mães –, pedimos vênia ao seu desconhecido autor, para transcrevê-lo na íntegra. Ei-lo:

“Um dia, a Mulher solitária e atormentada, chegou ao Céu, e, rojando-se em lagrimas diante do Eterno Pai, suplicou:

- Senhor, estou só! Compadece-Te de mim. Meu companheiro, fatigado, cada dia, pede-me repouso e devo velar-lhe o sono! Quando triunfa no trabalho, absorve-me na atividade mais intensa, e, muita vez distraído, afasta-se do lar, onde volta sòmente quando exausto, a-fim de refazer-se. Se sofre, vem a mim abatido, buscando restauração e conforto.

Tú que deste flores ao arvoredo e que abriste as carícias da fonte, no seio escuro e ressequido do sólo, consagra-me, assim, ao isolamento? Reservaste a Terra inteira ao serviço do homem que se agita, livre e dominador, sôbre montes e vales, e, concedes a mim, apenas o estreito recinto da casa, entre quatro paredes; para meditar e afligir-me sem consolo? Se sou a companhia do homem, que se vale de mim para lutar e viver, quem me acompanhará na missão que me destinas?

O Senhor sorriu, complacente, em seu trono de estrelas fulgurantes, e, afagando-lhe a cabeça curvada e trêmula, falou compadecido:

- Dei o mundo ao homem, mas confiarei a vida ao teu coração.

Em seguida, colocou-lhe nos braços uma frágil criança.

Desde então, a Mulher fez-se Mãe e passou a viver plenamente feliz”.

Extraído do Correio de Marília de 13 de maio de 1956

A Respeito do Monumento... (12 de maio de 1956)

Comentamos quarta-feira última, alguma coisa com referência ao movimento financeiro que se organizara na cidade, há um ano passado, objetivando angariar meios para construir-se em Marília, o Monumento à Mãe Brasileira.

Na ocasião, dizíamos de nossa ignorância para responder a uma de nossas leitoras, sôbre os trabalhos do momento. Quando rabiscamos o nosso artigo dêsse dia, esperávamos que o responsável pela idéia se comunicasse conosco e de fato tal veio acontecer. O dr. Aniz Badra, no mesmo dia apressou-se a nos endereçar a carta seguinte:

“Marília, 9 de Maio de 1956.

Prezado amigo José Arnaldo – CORREIO DE MARÍLIA.

Tomei conhecimento hoje pela leitura do CORREIO DE MARÍLIA do seu artigo “Monumento à Mãe Brasileira”.

Na qualidade de responsável pela idéia e membro da comissão, devo informar ao prezado amigo e à interessada que o movimento continua em marcha aguardando melhores dias para a sua intensa movimentação, dependendo é claro de muitas adesões, pois até o momento temos depositado em contas especiais as seguintes importâncias:

Banco Popular do Brasil S. A. inclusive juros Cr$ 10.396,90

Banco Nacional Paulista S. A. inclusive juros Cr$ 5.480,00

Banco de Marília (Coop.) inclusive juros .. Cr$ 5.364,60

Total depositado à conta do “Monumento à
Mãe Brasileira” .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. Cr$ 21.241,50
(Vinte e hum mil duzentos e quarenta e hum cruzeiros e cinquenta centavos).

Lembro ainda ao prezado amigo, que tôdas as importâncias subscritas foram publicadas pelo mesmo CORREIO DE MARÍLIA e os comprovantes não só de depósito como de assinaturas acham-se à disposição dos interessados.

Convém salientar que de acordo com consultas formuladas a diversos escultores o preço para uma obra vistosa e significativa ascende a milhares de cruzeiros.

É nosso pensamento reiniciar a movimentação, ou transformá-lo em outro objetivo que preencha os propósitos daquêles que generosamente contribuíram, e também as nossas intenções.

Fico portanto à disposição do prezado amigo para quaisquer esclarecimentos e a quem as desejar.

Cordialmente, ANIZ BADRA”.

Mais tarde, ficamos sabendo, que um Monumento igual ao idealizado, hoje em dia ficará numa soma aproximada de 400 a 500 mil cruzeiros, quantia elevada, difícil de arrecadar, principalmente na época presente.

Como colaborar é nossa intenção, arriscamos uma sugestão ao nosso amigo dr. Aniz Badra: ao invés do Monumento, construa-se um marco (espécie de pirâmide, torre, ou semelhante) com uma placa de bronze, onde se perpetue o preito do povo de Marília à Mãe Brasileira. Ou então, se isto não for possível e se viável não for a concretização da idéia inicial – uma vez que o dr. Aniz Badra aventa a transformação dêsse montante em outro objetivo –, que seja a importância já arrecadada, convertida em beneficio da Campanha de Combate ao Cancer, óra levantada em nossa cidade.

É só sugestão.

Ao dr. Badra, deixamos aqui consignados os nossos agradecimentos pela atenção que dispensou ao nosso escrito, dirigindo-nos a carta supra transcrita.

Extraído do Correio de Marília de 12 de maio de 1956

A COMAP precisa ressuscitar (10 de maio de 1956)

Quer nos parecer que a COMAP, para os pobres, deve ser como o homem para a mulher – ruim com êle, pior sem êle.

Pelo menos, alguma coisa de freio, deve significar, desde que à sua frente se encontrem homens capazes e bem intencionados. Alguma coisa de temerosidade pode acarretar aos intermediários gananciosos, que locupletam cada mais os seus bolsos. Já está provado, que ganham mais no Brasil os intermediários do que os produtores ou os pequenos comerciantes.

Nos explicava um dia dêsses, um verdureiro estabelecido no Mercado Municipal, que não dependia da classe os constantes aumentos. A cada dia, o mesmo adquire as suas mercadorias por preços mais elevados e em consequência é forçado a aumentar o custo de suas vendas. Acontece que nós jamais acusamos o pequeno comerciante, porque se um dia o fizermos, fa-lo-emos com provas consubstanciais.

O que é inegável, porém, é que alguém deve tomar providências. Alguém deve se interessar um pouco pela bolsa dos marilienses, especialmente, os marilienses pobres. E êsse alguém, pensamos, deve ser “dona” COMAP, que precisa ressuscitar.

Uma COMAP bem orientada, que trabalhe, que efetue estudos acerca do consumo e da produção no município, impedindo, por outro lado, a saída para fóra de gêneros aqui colhidos, só poderá dar resultados satisfatórios, de vez que assim se poderá fixar preços um pouco mais humanos e não ascendentes dia a dia, como estamos conhecendo no momento.

O intermediário, que adquire do caboclo ovos, aves e frutas, para vendê-las no mercado, ganha mais do que os comerciantes que pagam impostos e têm a obrigação de servir ao público. O intermediário dita os preços.

O tomate já está custando Cr$ 38,00 cruzeiros cada quilo. Dissemos outro dia, e voltamos a repetir: o autor destas linhas presenciou no Rio de Janeiro, em vários pontos da Capital Federal, tomates de primeira categoria, importados de São Paulo, vendidos à razão de Cr$ 9,00 por unidade de quilo. E o mesmo produto que adquirimos aqui, por Cr$ 38,00 (por enquanto)!

Frutas, carne, ovos, aves, tudo, tudo enfim, estão a exigir providências. E urgentes.

Se for decretado o salário mínimo em agosto, conforme prometeu o presidente Kubitschek em Assis no dia 7 de abril último, temos a convicção de que as classes trabalhadoras irão viver, mesmo com os aumentos salariais, dias piores do que os que já vivem hoje, que são insustentáveis.

Anteontem, em Recife, o presidente da famigerada COFAP, declarou ser impossível o congelamento dos preços dos gêneros de primeira utilidade. Para s. s., a declaração pode ter sido um objeto de rotina administrativa. Para nós, afirmamos, significam negras nuvens no horizonte da própria vida nacional.

Extraído do Correio de Marília de 10 de maio de 1956

O Monumento à Mãe Brasileira (09 de maio de 1956)

Dia 13 dêste, segundo domingo do mês de maio, como sempre, será a data consagrada às mães. Todo mundo vai, à medida que o tempo passa, melhor interpretando o sentido altamente louvável da intenção, rendendo de um modo bastante objetivo e sincero, um preito de gratidão e respeito à Rainha do Lar.

Com o decorrer do tempo, o Dia das Mães entre nós, passará a ter um significado de festa nacional, sagrada mesmo, cristã, quase como a comemoração do Natal. Nada mais justo. Nada mais humano.

A propósito, lembramos agora, que, há um ano passado, cogitou-se em Marília, instituir o Monumento à Mãe Mariliense. Foram feitos ensaios e ao que nos parece, até organizada a respectiva Comissão. No entanto, o negócio ainda está no tinteiro. E é pena.

Na ocasião, a idéia propalada calou profundamente bem, no seio da opinião pública local e nós fomos os primeiros que viemos a público, aplaudir a iniciativa. Tudo parecia ir muito bem, as mil maravilhas. Mas o caso sofreu qualquer solução de continuidade, ao que supomos. Pelo menos, jamais tivemos conhecimento de outras providências que não fossem os ensaios preliminares.

Que é da comissão referida?

No ensejo, dizia-se mesmo que o próximo Dia das Mães já apresentaria o Monumento à Mãe Mariliense. O próximo Dia das Mães será domingo. E então?

Se tal tivesse sido concretizado, não há dúvidas que Marília teria sido, no Brasil, a primeira cidade a tomar uma iniciativa exemplificadora dessa natureza.

O caso, no entanto, continua no mesmo pé, se não pereceu.

Gostaríamos de saber alguma coisa a respeito, para informar aos nossos leitores. Principalmente àquela senhora, que, outro dia, por telefone, nos inqueria a respeito.

Acontece que não sabemos nada mais do que os passos iniciais de um ano atrás. Por isso, nada podemos informar sôbre a questão.

Extraído do Correio de Marília de 09 de maio de 1956

Política e Politicalha (08 de maio de 1956)

Não somos entendidos no assunto. Confessamo-lo sem pêjo. No entanto, entendemos a política, como um plano de ação, organizado e desenvolvido por grupos de pessoas, dentro de uma doutrina pré-estabelecida, objetivando servir, de modo direto e democrático, à Pátria e à coletividade brasileira.

Difamar, caluniar, entrar no terreno pessoal, com ataques individuais e esgaravatando feridas de adversários de ideologia partidária (tão comum no Brasil em épocas de eleições), para nós não é política. É sordidez, baixeza, incapacidade política. É politicalha.

Já temos comentado isto em outras ocasiões. E continuamos acreditando que muitos políticos nacionais carecem entrar para uma escola da decência parlamentar, onde a ética seja matéria obrigatória.

Um deputado estadual, nos dá agora desagradável exemplo dêsse estado de coisas. O sr. Gabriel Quadros, em violentos ataques ao Governador do Estado, seu próprio filho, diz em plenário cobras e lagartos daquêle que tem o seu sangue, numa demonstração contundente para todos os paulistas!

Vejam os leitores, como algumas pessoas manuseiam a política: até renegando num parlamento o próprio filho (desmoralizando a própria família)!

Não estamos defendendo o sr. Jânio Quadros. Também não estamos acusando o sr. Gabriel Quadros. Nem ainda querendo analisar os motivos da briga política, não só por não ser de nossa competência, mas, acima de tudo, por não ser essa a nossa pretensão.

Apenas comentamos a questão jornalisticamente. E como tal, censuramo-la.

Fatos dêsse porte são estarrecedores.

Vejam os leitores, até que ponto chega no Brasil aquilo que não passa de torpezas, com o rótulo de política. Em parte, estamos com a maioria de semi-analfabeto eleitorado, que dia a dia mais se desilude dos políticos profissionais.

E, francamente, se isso é o que muita gente entende como política, confessamos que, à vista de acontecimentos dêsse jaez, nós que nunca morremos de amores pela política, cada vez ficamos mais envergonhados.

Extraído do Correio de Marília de 08 de maio de 1956