Manguinhas de fora (22 de janeiro de 1977)
Começo do ano de 1964. Situação nacional intranquila. Jango e Brisola permitindo que assalariados de Moscou bagunçassem o coreto. Maus brasileiros, sobretudo maus patriotas, exultavam: “comunismo vai entrar”. Vagabundos, mas seguidores da doutrina exótica, preparavam-se para “receber” residências e fazendas daqueles que ganharam-nas com um trabalho suado, fruto de anos de trabalho constante. --:-- Caboclo, ingênuo, ignorante de tudo o que ouvia dizer e que não entendia, conversava com o outro: - Cumpádi, diz-que u tár di cumunismo vem aí. - Dêxa vim, qui nós avacáia êli. E o outro, mais curioso, queria saber o que era mesmo o comunismo que se anunciava que viria e o que representaria afinal. Pergunta ao compadre da cidade, homem que lia jornais, ouvia rádio, assistia televisão e conversava com o farmacêutico e o gerente do banco. E o homem da cidade explicou, então, ao ingênuo matuto: - O senhor me dá a palha de milho, o fumo de corda, o cani...