sexta-feira, 31 de maio de 2013

“Num paga a pena” (31 de maio de 1974)



Monteiro Lobato foi um escritor diferente.

Pena brilhante, sensibilidade raríssima, sabia dar um aceleramento multi-forme à sua imaginação fértil, onde a exuberância das idéias sempre fluía com a natural força e a cristalinidade das águas que jorram das cachoeiras.

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No ról imenso de suas publicações, destaca-se um trabalho extraordinário, que se constitui hoje num legado maravilhoso da nossa literatura infantil.

Dona Benta, Pedrinho, Marquês de Sabugosa, Emília, Rabicó, além de muitos outros personagens, representam a fixação imaginativa de um rosário impressionante de estórias, amenas e gostosas, bem dosadas, bem temperadas e úteis, como até agora ninguém foi capaz de igualar.

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Do ponto de vista literário, Lobato fôra versátil e eclético. Com a mesma facilidade que criava estórias imaginativas infantis, abordava problemas nacionais, podendo-se afirmar que, como jornalista e literato, ninguém antes dele conseguiu abordar, com mais propriedade, o problema do petróleo, em época em que o “ouro negro” nem siquer era explorado no país.

Não especializava-se, mas detinha um pendor de argúcia simplesmente extraordinário, em observações de política e economia.

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Tinha outro lado oculto: a sátira e o humorismo.

Deste último, pretendo falar.

Contratado, certa feita, pelo farmacêutico Cândido Fontoura, Monteiro Lobato imaginou, criou e publicou um avulso, caracterizando o protótipo de nosso caboclo.

A publicação tinha eiva de interesse comercial, é certo. Mas a estória conseguiu retratar, de maneira insofismável, nosso sertanejo desamparado, alheio ao conforto dos dias atuais, ignorante de noções comezinhas de higiene, emergido na simplicidade santa dos pobres e humildes, aqueles que não conseguem concentrar nos próprios corações, a maldade, a inveja, a malquerença ou o desejo de praticar o mal.

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Esse “retrato”, Monteiro Lobato configurou-o no caboclo pusilâmine, preso a um mundo restrito a um “habitat” de curtos horizontes, submerso num conformismo desolador, que se constitui, para ele, caboclo, num lugar comum, sem esperanças de mutabilidade.

Lobato criou o “Jéca Tatuzinho”.

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Jéca Tatuzinho em seu mundo de miséria era dominado por um manto de apatia, traduzida pela resignação e conformismo da própria vida.

Quando lhe recomendavam para capinar a roça, dizia: “Num pága a pena… o mato crésci ôtra veis…”.

Não matava as formigas: “Num pága a pena… Elas násci ôtra veis…”.

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Tudo, para ele, “não pagava a pena”, até que um médico o conheceu, compadeceu-se dele, ministrou-lhe e recomendou-lhe o tratamento para a verminose e o impaludismo.

E a estória mostrou os quadros seguintes, com o Jéca Tatuzinho recuperado após o tratamento. O mesmo com a esposa e os filhos. O novo espírito de trabalho e otimismo, substituindo a pusilanimidade anterior. O sucesso, o progresso, a bastança, enfim.

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Aproximamo-nos das eleições de novembro, sem definição político-situacionalista local, que se refere à escolha de um candidato de Marília para concorrer à Assembléia Legislativa.

Certamente, repete-se em proporções outras, o caso do Jéca Tatuzinho por estas bandas:

- Quar… num paga a pena…

Extraído do Correio de Marília de 31  de maio de 1974

terça-feira, 28 de maio de 2013

Engenharia biomédica (28 de maio de 1974)



Um dia destes, palestrando com o pediatra mariliense, Dr. Euripedes Battistetti, indaguei do mesmo o que vinha a ser “biomedicina”.

Justifiquei o por que da pergunta:

Tendo conhecido em Brasília determinado cidadão, por sinal muito bacana e comunicativo, no decurso da palestra, informou-me o mesmo ter concluído o curso de biomedicina.

Confesso que não atinei sobre a especialidade profissional, mas não deixei transparecer ante esse novo amigo, minha total ignorância. Por essa razão, mais tarde, perguntei ao Dr. Battistetti o fato que estou contando.

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Deparo-me agora com uma outra expressão profissional indicativa, que se chama “engenharia biomédica”.

Também não sabia da existência desse “negócio”. Agora sei.

“Engenharia biomédica” é a combinação de talentos, de engenheiros e médicos, no arquitetamento, experiências e construção de instrumentos médicos, para diagnóstico e prevenção de doenças, bem como para tratamento e restauração de pacientes.

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Na cidade de Shenandoah, Virgínia, Estados Unidos, existe um conservatório musical. O que não representa nenhuma novidade, pois toda cidade de grau mais ou menos adiantado, tem o seu conservatório musical.

Mas o referido conservatório apresenta um fato “sui generis” em seu corpo discente. Um fato digno de registro, de admiração.

Um dos alunos do curso de piano daquele estabelecimento, Jerry Cleveland, de 20 anos de idade, executa peças clássicas, com a utilização de um dispositivo mecânico, que substitui o braço e uma das mãos, perdidos num acidente.

O referido fato representa, em termos práticos e objetivos, uma conquista vitoriosa, dessa especialidade médica, relativamente nova e por muitos desconhecida até aqui.

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Mas há outro exemplo, outro caso análogo.

O Dr. Lowel W. Rogers, de 27 anos, é médico-patologista, residente, do Hospital da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland, Estados Unidos.

O Dr. Rogers teve sua mão direita amputada, tendo sido substituída por um tipo de dispositivo eletrônico. E o patologista trabalha normalmente, com esse dispositivo, mexendo e utilizando todos os seus complexos instrumentos médicos.

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Graças, portanto, a essa nova ciência, agora conhecida como “engenharia biomédica”, as duas pessoas citadas executam normalmente atividades que exigem o emprego das mãos apesar de não possuí-las.

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O maior laboratório de engenharia biomédica encontra-se nas imediações de Washington, na sede do Instituto Nacional de Saúde, órgão do Governo Norte-Americano, que se dedica à pesquisa de saúde.

Mais de cem universidades norte-americanas estão oferecendo cursos de engenharia biomédica, subindo a três mil o número de organizações particulares, que operam laboratórios de pesquisa nesse setor, naquele país.

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Se não trata, percebe-se, de simples aparelhos de ortopedia, que são utilizados como uma espécie de terapêuta auxliar de membros, mas sim, de aparelhos que substituem funções executadas por membros humanos.

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Há outro lado a ser analisado: o lado do otimismo, da esperança, da perseverança e da própria fé.

Fé na ciência e auto-confiança, sem complexos egocêntricos.

E a gente, tendo conhecimento desse avanço maravilhoso da ciência hodierna, fica pensando, em tantas criaturas humanas que por aí existem, e, que, por razões físicas insignificantes, comparativamente com esses dois casos, servem disso como pretexto, para não trabalhar, para soterrarem-se elas próprias, na indiferença e na pusilanimidade.

Extraído do Correio de Marília de 28 de maio de 1974

sábado, 25 de maio de 2013

Pragas e xingações (25 de maio de 1974)



Tem muita gente maldosa por aí.

Gente hipócrita, malediscente e covarde, que o “rogar pragas” passou a ocupar lugar comum, nas bocas e pronunciamentos, nascidos racionais, quiçá por um descuido da própria natureza.

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Se todo distinto fôra temer as “pragas”, que lhes é covarde, traiçoeira e anonimamente rogadas, teria por certo, que andar com figas no pescoço, patuás com orações, pé-de-coelho e galhinhos de arruda.

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Se as pragas pegassem muita gente que por aí perambula, de há muito estaria séte palmos abaixo do nível da terra.

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Quem exerce função ou atividade em relação direta, ao público, sujeito que está ao sabor das mais variadas opiniões interpretativas, sendo portanto alvo permanente de críticas, não fica isento e nem alijado da passividade de transformar-se num receptáculo de pragas.

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Sujeito ouve a Câmara, através do rádio. De repente, não se contém: “lasca” uma praga por cima de um vereador.

Mulher vai cortar a carna para preparar o bife do almoço. A carne é dura, a faca não corta bem, a própria mulher não sabe cortar um bife fininho. Lá vai uma praga para o açougueiro.

Zagalo anuncia a escalação do selecionado. Paulo César escalado. Lá vão duas pragas: uma para Zagalo e oura para o jogador.

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O metido a engraçadinho está fazendo “miséria” com seu carro. O guarda de trânsito admoesta, adverte, ameaça a multa, ou autua mesmo. Neste caso, a praga contra o policial vem depois, quando o distinto já está distante.

O cara faz uma coisa errada. O repórter soube. Escreve e o jornal publica. A praga é para o repórter.

Às vezes a praga é substituída. Substituída pelo xingar. A xingação é mais expontânea e não exige tanto esforço mental. Mesmo porque tem gente por aí que não pode fazer muito esforço mental. Resulta num mau cheiro insuportável.

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Então, vem a xingação.

Domingo passado (19/05/1974), Pulga perdeu um gol lá em São Caetano. O coitado nem sabe quanto foi xingado.

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Zagalo cortou Mirandinha da Seleção. Não somente por parte de sãopaulinos, mas de outros também foi mimoseado com um coral de xingações.

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Tem um buraco na rua. Xinga-se o prefeito.

Sobe o preço da carne. Xinga-se o açougueiro.

Telefone não funciona. Xinga-se a Companhia.

Televisão está ruim. Xinga-se todo mundo.

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Jornalista emite opinião, ou critica, ou censura, ou louva. Xinga-se o jornalista.

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Mas o maior índice, o maior volume, de pragas e xingações, talvez do mundo todo, centraliza-se em dois pontos da cidade.

Na Rua 9 de Julho e na Rua Paraná.

Motivo: porteiras da Fepasa, manobras das locomotivas e comboios.

Ali todo mundo xinga, todo mundo roga praga. Contra a Fepasa, contra os vereadores.

Xingação e pragas é ali.

O pior é que até as blasfêmias tem procedência…

Extraído do Correio de Marília de 25 de maio de 1974

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Task Force 45 (24 de maio de 1974)



Era uma terça-feira, dia 21 de novembro de 1944.

Encontrava-me, como integrante do Pelotão de Transmissão do III Batalhão do 6º. Regimento de Infantaria, numa casa abandonada, localizada numa contra-encosta da cidade de Volpara, próximo a um cemitério abandonado, parcialmente destruído por obuzes de morteiros das tropas alemãs.

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Seriam mais ou menos 10 horas da noite, quando o III/6º. principiou a ser substituido, por tropas do II Batalhão do 1º. Regimento de Infantaria.

A operação de substituição das tropas, no “front” que se extendia numa distância de uns oito quilêmetros, foi morosa e cautelosa, para não despertar as atenções do inimigo.

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Antes de duas horas da madrugada, a mudança completou-se, tendo eu descido a contra-encosta, juntamente com os outros 21 companheiros do Pelotão, para alcançar o novo objetivo de parada: “Casa di Christo”, às margens do Rio Reno, entre as localidades de Silla e Marano.

Por volta das 4 horas, atingido o novo local, distanciado da linha de combate, acomodei-me, juntamente com os demais, num quartinho sujo, com palhas de milho espalhadas pelo chão, servindo de colchões. Todos dormindo juntos, vestidos, calçados, armados, sujos e suados, imundos como porcos.

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Na manhã seguinte, enquanto aguardavamos que aparecesse o “camburão” de café, o Tenente Dantas Borges chamou-me:

- Cabo, você foi um dos poucos do 6º. Designado para integrar a rêde de comunicações dos Exércitos Aliados, subordinada à “Task Force 45”.

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Eu nem sabia o que seria “aquilo”, mas como o soldado cumpre ordens sem reclamar ou ponderar, calei-me concordando, receioso de não poder desincumbir-me da nova e desconhecida missão.

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No dia 23 de novembro de 1944, deixamos “Casa di Christo”, por volta das 14 horas, rumo à Silla e de lá em direção à Monte Castello, cujas posições inimigas eram desconhecidas e nosso Batalhão seria a primeira unidade militar a atacar, estabelecendo o primeiro contacto com os soldados alemães.

Só nas últimas horas da noite é que consegui chegar ao meu destino, uma casa próxima à Igreja, numa situação desesperadora, ante o cerrado fogo das tropas inimigas.

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No dia seguinte, sexta-feira, 24, fui obrigado a deslocar-me até um porão de uma casa destruída por bombardeios inimigos. Lá funcionava uma estação da Task Force 45, integrada por soldados ingleses e americanos, do “2nd Group Armored of 5th American Army”.

Foi para mim uma verdadeira “fogueira”, dialogar em inglês e travar contacto com têrmos militares desconhecidos, códigos e senhas até então não utilizados, recebendo as responsáveis instruções das novas funções.

Regressei, conduzindo inclusive dois pombos-correio, que teria que soltar no dia imediato, cada um portando mensagem específica das atividades da noite que se avizinhava.

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Passei a não funcionar mais como os meus companheiros de Pelotão e sim sozinho, “penando” e sofrendo com as novas funções de transmissões por rádio, em grafia e em fonia, tudo em inglês, ficando desesperado e quase maluco.

No final, percebi que bem havia desincumbido a missão, vez que mereci elogio individual pelas novas e defíceis atividades.

Prova que tenho em meu poder xerox extraído das alterações militares americanas, fornecidas que me foram pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América do Norte.

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A lembrança que originou o presente escrito ocorre-me pelo fato de ser hoje o Dia do Telegrafista.

Aqui, pois, minha homenagem ao Telegrafista e o Radiotelegrafista brasileiro, nas pessoas dos homens do “Morse” de nossa cidade.

Extraído do Correio de Marília de 24 de abril de 1974

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Dois assuntos (23 de maio de 1974)



Vou tratar aqui de dois assuntos.

Um sério. Outro não.

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O primeiro:

O primeiro é um protesto. Mais detalhadamente, meu protesto.

Estou protestando pelo fato de Gerson e Pelé irem à Alemanha, como comentaristas de futebol, nos jogos da Cópa do Mundo.

Eles não são jornalistas e como tal não podem exercer essas funções, impedidos que estão, pelo disposto na Lei n º. 5.696, de 24 de agosto de 1971, que regula e regulamenta a honrosa profissão de jornalista.

Não sendo os mesmos jornalistas profissionais, não podem executar a missão de comentaristas ou críticos esportivos.

Fazendo-o, estarão incorrendo em delito, que estabelece pena de prisão simples, de 15 dias a 3 meses, conforme preceitua o artigo 47, do Decreto-Lei n º. 3.668/41 (Lei de Contravenções Penais).

Protesto!

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O segundo:

Uma espécie de sátira, “bolada” por um mariliense funcionário público, referente aos horóscopos. O título, “Horoscópo”.

Vejamos o referido escrito:

O homem de SAGISTÁRIO, desde adolescente, era um “vidrado” em horóscopo, tanto que era fã incondicional de Omar Cardoso, ao qual já havia escrito mais de 200 cartas, na esperança de que com isto ocorresse um misterioso sinal, para mudar (para melhor) sua difícil vida. Acontecia algo inusitado ou inesperado e pronto: “lascava” mais uma carta, tomava toda a série de drogas indicadas, pelo fato de adorar o homem que solucionava problemas e que mais tem acertado na “loteca”.

Mais tarde, homem feito, veio a fase do namoro, com esta a do noivado e finalmente o casamento, fato que mereceu mais uma carta para o “bidú”. Mas o homem de SAGITÁRIO acabou casando. Acontece que nem ele e nem o Omar puderam prever e sua mulher era de outro signo, não era VIRGEM.

Percebendo isso, nova carta foi remetida e na resposta, condensava-se o motivo de consolação:

Muitos casais, entre um SAGITÁRIO e uma VIRGEM tem vivido bem, tendo ocorrido fato de até terem nascido GEMEOS, que passaram a residir em São Paulo, sob o Trópico de CAPRICORNIO.

Mas acontece que, dalí para a frente, a mulher passou a “bagunçar o corêto”, saindo com qualquer homem que aparecesse e para não perder a forma, tomava banhos de beleza e fazia regime alimentar, para fugir à BALANÇA. Os amigos do sagitário, comentavam às ocultas, que o mesmo tinha um “chifre” que parecia um TOURO, mas que era um verdadeiro CARNEIRO. Uma situação que nem o grande Omar dava jeito.

Tudo tinha que ter um fim e um dia o sagitário, tomado da coragem de um LEÃO, entrando em casa, ao ver a esposa de maneira como não pretendia, deu-lhe um AQUÁRIO na cabeça, tendo os PEIXES voado longe (primeira vez que peixe de aquário voou). Logo foi preso em flagrante, condenado, tento morrido de CANCÊR no dedo do pé, provocado por uma picada de ESCORPIÃO, uma vez que a prisão situava-se à beira mar e era muito imunda.

Hoje, em sua sepultura, uma lápide simples, contém um simples epitáfio:

“Horóscopo, ninguém sabe Omar que fêz”.

Extraído do Correio de Marília de 23 de maio de 1974

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Gíria em rádio vai acabar (22 de maio de 1974)



Portaria recente baixada pelo Ministério das Telecomunicações vem fixar proibição terminante, no emprego e utilização de gírias, nas transmissões de rádio e televisão.

A mesma portaria obriga os locutores e narradores a pronunciarem certo os nomes de órgãos oficiais.

Visa a medida sepultar em definitivo erros palmares do vernáculo, que à miúde são cometidos em rádios e tevês, a pretexto de uma falsa “evolução”, “modernismo” e o chamado “prafentex”.

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O Ministro Quandt de Oliveira irá normalizar, através do Dentel, todo o trabalho de radiodifusão e televisão, dentro de um sistema rígido de fiscalização, prevendo-se sansões duras aos órgãos que não cumprirem ou desrespeitarem as referidas determinações ministeriais.

Essa medida vem tornar-se necessária e oportuna.

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Sendo o rádio e a televisão veículos objetivos e diretos de penetração popular, se não poderia mesmo concordar que eles, ao invés de auxiliar o aprimoramento da cultura comum, viessem a proceder exatamente o inverso: perpetuando a incultura popular, por ausência de melhor orientação.

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A medida, certamente, virá também atingir os órgãos de divulgação escrita: jornais e revistas.

Nesses veículos provavelmente será exigida a linguagem pátria, senão castiça, pelo menos correta. Isto é, isenta de linguagem de gírias, consubstanciando termos genéricos, que acabaram por fixar-se no consenso popular, como exatamente compreensíveis, embora jamais constem de dicionários oficiais.

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Jornalistas e radialistas existem que são exagerados no emprego e utilização de gírias, numa deturpação flagrante aos comezinhos princípios do vernáculo nacional.

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Eu próprio tenho empregado, vezes muitas, gírias comuns. Mas gírias fáceis, conhecidas, qe se não chocam e não denigrem os princípios linguísticos  Mas quase sempre tenho me preocupado em grifar, através de aspas, todos os vocábulos estranhos ao próprio vernáculo.

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Por essa razão, algumas pessoas, fãs desse falso “modernismo” e dessa falta “evolução”, não se acanharam por vezes, em tachar de antiquado o linguajar desta coluna, de obsoleto e mesmo de superado.

Vai ficando provado de que os que assim entenderam estavam errados.

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Daí vale dizer que prosseguirei em frente e isto não irá acontecer, com os colunistas “avançados”, “evoluídos”, “modernos” e “prafrentex”.

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A medida do Ministro Quandt de Oliveira, além de boa, de oportuna, é também patriota. Visa ela conjurar um sistema aparentemente normal e corriqueiro, atualmente muito em voga, em que o rádio e a tevê, ao envés de contribuírem para o aperfeiçoamento da cultura popular, força o desprimoramento dessa mesma cultura, com o arrepio do vernáculo pátrio, na utilização de um rosário de gírias, muitas oriundas de cadeias e de “malocas”.

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O próprio Govêrno, empenhado no aprimoramento da cultura, incentivando as atividades do Mobral, promovendo uma sistemática educacional antes já vista no país, criando e ampliando escolas, não poderia mesmo agir de outro modo.

Extraído do Correio de Marília de 22 de maio de 1974

terça-feira, 21 de maio de 2013

O que pensam os outros (21 de maio de 1974)



Sábado último (19/5/1974) participei de uma feijoada no Restaurante “O Carretão”, no quilômetro 289, da rodovia BR-153.

O almoço fez parte de uma reunião que se convencionou denominar de “I Encontro de Imprensa e Rádio de Marília e Ourinhos”.

Em termos de reunião prevaleceu a premissa de cordialidade e congraçamento, eis que, assuntos relacionados diretamente às funções, profissiões ou trabalho de jornalistas e radialistas, não foram previamente pautados.

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Valeram as intenções no entanto e a feijoada oferecida pelos proprietários do estabelecimento, Mauro e Antonio, esteve supimpa.

O horário estabelecido era meio dia e como é meu hábito a pontualidade, cheguei momentos antes.

Lá encontravam vereadores de Ourinhos e Ocauçu, representando os Poderes Legislativo e Executivo das referidas cidades.

Também o sr. Márcio A. Bonifácio  Couto, prefeito municipal de Lupércio. O referido alcalde é um dos mais jovens do Brasil a ocupar o cargo de prefeito municipal, eis que, presentemente conta apenas 26 anos de idade.

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É perfeitamente normal que o homem fale por gosto aquilo que executa ou sobre cargo que exerce. Assim, o açougueiro conversa sobre o ramo com um colega, o médico discute assuntos sobre medicina com outro médico, o alfaiate fala sobre o feitio de calças com outro alfaiate, e, assim por diante.

Lá, nesse grupo citado, constituído  por políticos, o prato da conversa, antes do prato da mesa propriamente dito, foi política.

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Um jornalista presente, embora não tivesse declinado sua paixão e pendência doutrinária, deixou transparecer seu modo de pensar, ao indagar-me da situação atual, politicamente falando, de Doretto, Torrecilla e Quércia.

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Um vereador ourinhense falando sobre a Câmara daquela cidade, explicava-me que a Edilidade de Ourinhos, aprovava diretamente, todos os projetos oriundos do Executivo.

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Um outro edil, também de Ourinhos, nesse contacto improvisado enquanto se aguardava maior presença e a hopa da “boia”, perguntaram-me se a Câmara Municipal de Marília “tinha melhorado”.

Respondi-lhe, que, no julgamento geral, a edilidade local tinha perdido parte de seu conceito para com o público observador, mas que as coisas haviam tomado rumo diferente mais recente e que tudo parecia prenunciar um clima de harmonia completa entre os dois Poderes.

Aguardei oportunidade para saber do referido político, o fundamento que lhe dera base para indagar se a Câmara “tinha melhorado”.

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Quando a oportunidade se apresentou, fiz a indagação e a resposta veio rápida e franca:

- Presenciei certa feita uma sessão da Câmara de Marília. Fiquei abismado com o que ouvi, de certos vereadores da tribuna, coisas que em Ourinhos não acontecem. Vi e ouvi vereadores falarem besteiras na tribuna, “metendo o pau” no prefeito, chamando o Chefe do Executivo de “prefeitinho”, fato que me fez ficar admirado e surpreso, pela falta de respeito e ética parlamentar.

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Não pude desmentir e nem justificar o vereador ourinhense.

Ele tinha razão, porque no passado aconteceram coisas desagradáveis e verdadeiramente contundentes em nossa Câmara.

Vai dai…

Extraído do Correio de Marília de 21 de maio de 1974

sábado, 18 de maio de 2013

Desculpem a “bronca” (18 de maio de 1974)



Meus leitores perdoem e desculpem esta “bronca” de minha parte. Se a culpa deles não é, tão pouco minha.

Há um erro interpretativo, que por vias indiretas chega a envolver a própria História do Brasil. Um erro que confunde, mas que tem acentuação profundíssima aqui em nosso Estado.

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É claro, parte o erro de escalões superiores. Desse erro, redunda melhor falta de esclarecimento às nossas gerações, especialmente os escolares.

A culpa não é dos leitores, está certo.

Mas não é também minha.

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No próximo dia 23 será comemorado o Dia do Soldado Constitucionalista. A efeméride só tem destaque no Estado de São Paulo.

A homenagem é justa. A reverência também.

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Por ocasião da Revolução de 1932, eu mal havia saído dos cueiros e nem siquer frequentava o curso primário. Moleque da roça, nem poderia atinar com o movimento constitucionalista.

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Todos os anos, seguidamente, meus amigos e leitores procuram-me para dissertar sobre essa data, sobre o soldado constitucionalista, bem como para oferecer subsídios a trabalhos escolares.

Bolas! Eu não tive nada com isso.

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A confusão origina-se desse erro informativo, que consolida-se em erro generalizado, envolvendo a maioria de nossas gentes.

Estão confundindo a participação de cidadãos nesse movimento revolucionário, como os ex-combatentes da II Grande Guera Mundial, os “pracinhas” da Fôrça Expedicionária Brasileira.

Este é o meu caso. Eu sou ex-combatente. Sou “pracinha” da FEB.

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Há uma diferença muito distante entre o soldado constitucionalista e o pracinha da FEB.

Nas duas classes residem méritos. Mas são coisas diferentes.

O soldado constitucionalista é fruto de um patriotismo eminentemete paulista. Participou, por assim dizer, de um movimento político, intestino.

O ex-combatente, o “pracinha” da FEB, integrou o Exército Brasileiro, o que vale dizer, uma tropa armada, com comando militar, com esquema e plano estratégico e esquemático de guerra. Lutou no exterior. Ao lado das Nações Aliadas, de cujos exércitos fez parte.

Muita diferença.

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O erro é de origem. Pertence a escalões superiores, inclusive confundindo professores e alunos, gerando um espírito de ânimo genérico, fazendo-se a maioria pensar que é tudo a mesma coisa.

E não é.

Batatinha é batatinha, cebola é cebola.

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Nesta “bronca”, um apelo:

Aos leitores, aos professores, aos alunos marilienses: procurem discernir as duas classes, atendo-se ao fato de que Soldado Constitucionalista é uma coisa e Ex-Combatente da Força Expedicionária é outra.

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Desculpem a “bronca”.

Mas por favor, não confundam um e outro, dessas duas classes.

Extraído do Correio de Marília de 18 de maio de 1974

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Uma entidade necessária (17 de maio de 1974)



Lá por volta de 1956 tentei fundar em nossa cidade a Associação dos Cronistas Esportivos de Marília.

A pretensa entidade visava a congregar, numa irmandade de classe, todos os elementos que militavam, em diferentes órgão de divulgação, em assuntos relacionados com o esporte da cidade e mesmo da região.

Narradores de futebol, comentaristas esportivos, redatores de esportes, participantes efetivos como apresentadores de programas do desporto, operadores de som que atuavam nas quadras e praças esportivas e mesmo nos estúdios de emissoras, seriam os associados da entidade.

Esse era o plano.

Previa, na medida do possível, a prestação de assistências médicas, jurídica, hospitalar e dentária aos associados, faculdades que teriam que ser executadas à longo prazo.

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Consegui realizar duas reuniões da classe, sobre o assunto. Uma, a primeira, no auditório da Rádio Dirceu e outra no auditório da Rádio Clube de Marília.

Não foi possível, no entanto, concluir o idealistico plano. Frieza, falta de coesão ou mesmo de compreensão, anteciparam o fracasso de idéia.

E nunca foi fundada a pretendida Associação dos Cronistas Esportivos de Marília.

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Agora, pretendo levar avante uma outra empreitada: Fundar a Associação de Imprensa da Alta Paulista, entidade que terá por objetivo congregar os profissionais de imprensa e rádio de Marília e da região.

Um êmulo da Associação Paulista de Imprensa, guardadas as devidas proporções, cingidas aos limites regionais, moldada, em especial, no que couber, aos estatutos da Associação Sorocabana de Imprensa e também da Associação Campineira de Imprensa.

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Será uma entidade de classe, apolítica, sem idologias doutrinárias, sem preconceitos de cor ou de religião.

Associação visando a união e valorização dos profissionais de imprensa e rádio, defensores de seus direitos, sem constituir-se instrumento de dissidio entre empregadores e empregados.

Que procurará a reverência às datas cívicas, a divulgação dos fatos dentro da verdade indesviável, respeitando e impondo o próprio respeito aos cidadãos e autoridades.

Solicidificando a união e o respeito, promoverá motivações e enforques de reuniões, de atenções aos companheiros e prestará assistências mínimas aos seus associados e familiares.

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Este pequeno comentário, à guisa de informação preliminar, serve também como chamamento à classe dos homens de imprensa e rádio de Marília e região.

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Em época oportuna tentarei estabelecer o competente contacto, promovendo a reunião preliminar, expondo os planos e apresentando subsídios para a designação de uma comissão, que se incumba de elaboração dos Estatutos Sociais.

Nesse conclave, pretendo contar com jornalistas e radialistas de outras cidades da Alta Paulista, além de Marília, a fim de serem dados os passos iniciais da fundação da AIAP, Associação de Imprensa da Alta Paulista.

Extraído do Correio de Marília de 17 de maio de 1974

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Pais-da-Pátria estão aparecendo (16 de maio de 1974)



Papagaio!

Como existe gente por aí que “trabalha” por Marília!

Eu não sabia (desculpem minha ignorância), mas a verdade é que tem muitos cara (de pau) por estes Brasis afóra.

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Eleições se avizinham e os pais-da-pátria estão surgindo, lampeiros, imodéstos, vestindo o manto de trabalhadores, de obreios intelectuais, de amigos de Marília.

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Redação recebendo carradas de panfletos, de xerox de discursos proferidos na Assembléia e na Câmara Federal, “provando” qualidades de parlamentares desconhecidos, que buscam desbriadamente promoção pessoal, ludibrio ao público, via indireta, através de jornal.

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Certamente pensam eles que jornal do interior não tem notícias sérias e de interesse público e local. E que não tem pessoal muito disposto a cavar notícias e informações, e, que, nesse caso, vai acolher as arengas e mentiras, para estampá-las nos hebdomadários, fazendo-lhes propaganda eleitoral gratuita.

Bah!

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Recebo, diariamente, material desse jaez, através dos correios. Alguns dos avulsos trazem estampados, inclusive, clichês das fotos dos deslambidos pretensos candidatos.

Por certo, pensam esses dissimulados pretendentes às suas próprias reeleições, que o jornal, pelo fato de ser interiorano, é simplesmente provinciano, prestando-se, por isso mesmo, a fazer-lhes a mentirosa campanha eleitoral.

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Trata-se de “gente boa”.

Eu não sabia (desculpem minha ignorância), que tantos distintos “trabalham” por Marília, são “amigos” de Marília.

Gente que eu nunca havia ouvido falar tais nomes.

Alguns até com nomes que lembram xarope para tosse ou remédios para calos!

Nomes turcos, nomes esdrúxulos  nomes japoneses, esquisitos, mas que são parlamentares eleitos e que pretendem continuar nos cargos. E que querem tirar aqui da gente, através do jornal e sem ônus, alguns votinhos para aumentar-lhes o colegiado eleitoral.

Aqui, não.

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É possível que muitos desses falsos pais-da-pátria nem siquer conheçam Marília. Que nem saibam em que parte do Estado se situa a  sé da XI Região Administrativa.

Mas dão um jeitinho de conseguir o endereço e o nome do jornal. Seus assessores se incumbem do resto: apanhar o material embusteiro, colocá-lo em envelopes e deitá-lo na agência postal.

Tudo muito fácil.

Só que aqui não cóla.

Pais-da-pátria da política alienígena aqui não tem guarida, nem ressonância, nem aderência.

Ele que vão cantar em outra freguesia.

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É verdade que eles “trabalham” muito.

Só que o “trabalho” que até aqui apresentaram por Marília jamais existiu.

Afinal de contas, os interioranos simples e  sinceros, mas bobos à tanto, isso não!

Extraído do Correio de Marília de 16 de maio de 1974

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Não parece, mas é assunto sério (15 de maio de 1974)



Não há muito, o Banco do Estado de São Paulo S.A., absorveu o patrimônio total do antigo Banco de São Paulo S.A.

Na ocasião da transação referida a agência local do “Emissor” havia transferido suas instalações provisoriamente do prédio próprio existente na confluência da Sampaio Vidal com a 9 de Julho, para fins de reforma de seu edifício, um dos mais antigos de Marília.

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Com a passagem do “Emissor” para o Banespa as obras de reforma do prédio daquele ficaram paralizadas.

Agora, decidiu a alta direção do Banco do Estado de São Paulo colocar à venda o referido edifício, localizado estrategicamente em ponto central de Marília.

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Trata-se de um prédio de dois pavimentos, construção antiga, porém sólida, com uma área construída de 275,50 metros quadrados (174 na parte térrea e 131 metros quadrados no pavimento superior).

A construção apresenta 15 metros de frente, para a Avenida Sampaio Vidal e 18 metros para a Rua 9 de Julho.

O edital de venda prevê o preço mínimo de Cr$ 585 mil para pagamento à vista, sendo certo de que a administração acolherá para estudos propostas para pagamento à prazo.

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A publicação da venda desse imóvel veio trazer-me uma preocupação bem mariliense.

Explico:

Não a transação propriamente dita.

Meu receio é que algum capitalista local venha a adquirir o referido imóvel para ordenar sua demolição, fazendo surgir ali mais um estacionamento para veículos.

Isso seria uma barbaridade.

O progresso centro-urbano de Marília, no que se refere ao dinamismo arquitetônico, está estacionado, em virtude dos incontáveis “estacionamentos” centrais.

Não interpretem-me contrário ao referido comércio, que é legal e que tem seu lado bom. Mas a demolição de edifício centrais para em seu lugar surgirem estacionamentos de veículos está representando atrazo e entrave no progresso arquitetônico da cidade.

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Se isto vier a acontecer, Marília perderia a oportunidade, ou de construir no local mais um gigantesco “arranha-céu”, ou, no mínimo, a chance de adaptação do edifício, para alí funcionar ou um outro estabelecimento bancário, ou, então uma empresa comercial de gabarito e expressão.

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A propósito, a Câmara Municipal de Marília deveria “bolar” uma lei proibindo  em área discriminativa central a instalação de novos estacionamentos de veículos.

A edilidade estaria dando margem ao progresso centro-arquitetônico da cidade, numa tentativa de imitar Araçatuba, Rio Preto e Bauru, que, nesse particular de edifícios centrais, deixaram Marília lá  atraz e num “poeirão” dos diabos.

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Já imaginaram o aspecto que teria aquele trecho do coração mariliense, com um estacionamento numa esquina e outro defronte, no mesmo cruzamento?

Uma barbaridade!

Extraído do Correio de Marília de 15 de maio de 1974

terça-feira, 14 de maio de 2013

Coquetél de notícias (14 de maio de 1974)



Problemas do divórcio, fervendo na Itália. Assunto de três quinas: político, social e religioso.

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Prefeitura de Goiânia admitindo mulheres para serviços de motorista, em viaturas e caminhões daquela municipalidade. Parece que no Brasil todo não existe siquer meia dúzia de mulheres habilitadas como motoristas profissionais. E agora?

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Vereador Nadir de Campos proferindo palestra sobre o negro, ontem, em Presidente Prudente. O “negrão” está com um cartaz lá na Capital da Alta Sorocabana, tanto e igual que o Franciscato aqui em Marília.

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Marília Atlético Clube com uma bruta pedra no caminho, domingo, em São Caetano: o Saad Esporte Clube.

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Marilienses que foram pescar ontem na barragem do Tietê saíram às 22 horas de domingo, debaixo daquela chuvazinha fria e impertinente para conseguir “pegar lugar”.

É muito sacrificio para um prazer!

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Infeliz um requerimento verbal do vereador Nasib Cury, aprovado pela Câmara, quinta-feira última: a dispensa da leitura dos contextos dos requerimentos e votação pura e simples.
Ninguêm ficou sabendo o que fôra votado.

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Observação acima procede por dois motivos:

Primeiro, porque se a Câmara paga para a transmissão dos trabalhos, é para os marilienses ficarem informados, o que, com a medida, não aconteceu.

Segundo, quando a leitura é feita da Mesa, muitos vereadores metem a colher torta sem saber o que estão discutindo. Sem leitura, então… já viram, né?

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Não gostei do jogo do Brasil contra o Paraguai. Edu parece o melhor e único ponta esquerda dos convocados. Linha atacante não aprendeu muito bem noção de gol e não finaliza com boa visão. Só bolas altas. Nas defesas dos europeus, quase todos de dois metros, isso vai ser fracasso.

Atente-se que a seleção paraguaia não está bem trecnicamente, mas joga com raça. O selecionado Guarani foi convocado há apenas um mês e quase não teve tempo de um treinamento perfeito.

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“Corresponsal Internacional Agrícola”, de Berna-Worblaufen, Suiça, prevendo excelente safra mundial de arroz para este ano.

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Em novembro próximo, a Itália estará patrocinando um importante congresso de pesquisas científicas, de caráter internacional. Cientistas de todo o mundo estarão reunidos durante uma semana em Roma.

Função precípua desse conclave: estudos e experiências para aproveitamento de resíduos de petróleo, destinados à alimentação humana e animal no futuro. É muito negra a previsão desse aspecto da ciência com respeito à alimentação das futuras gerações. A produção mundial deverá ser insuficiente ante o consumo compulsado, em relação a explosão demográfica do mundo!

Sobre o conclave acima, um mariliense, jornalista em São Paulo, foi convidado para fazer a cobertura do mesmo, via UPI e Meridional.

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Comentário forte do fim de semana foi o resultado da decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, da Confederação Brasileiras de Desportos, acolhendo recurso impetrado pelo Marília Atlético Clube e tornando nulo um jogo de futebol realizado no ano passado na nossa cidade, entre o MAC e o Botafogo FC, de Ribeirão Preto.

Desse jaez é este o primeiro caso na história do próprio futebol brasileiro.

Extraído do Correio de Marília de 14 de maio de 1974

sábado, 11 de maio de 2013

Carta do soldado à mãe morta (11 de maio de 1974)



Volpara, Itália, 14 de novembro de 1.944, terça-feira.

Minha querida mãe. Faz hoje, onze anos que deixastes este mundo ingrato, para irdes viver em outro, diferente.

Onze longos anos que me deixastes, ainda pequeno, para irdes viver nos céus, nas alturas do Infinito, onde não germinam as ambições, a maldade, o egoismo, a hipocrisia, a ganância, o terrorismo e a guerra dos homens loucos.

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Onze anos! O tempo vai passando sempre, mistico, infalível e inevitável, sem alterar, entretanto, vossa santa imagem de meus olhos, queimados por lágrimas de sofrimentos e desgostos cruéis, que só vós, como sublime mãe, poderia avaliar. Esses anos não desfizeram de minha lembrança nítida, vosso sorriso meigo e angelical, vossos gestos de benigma candura, como jamais o farão. Vivereis eternamente em meu pensamento, em minha alma.

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Sinto-me, apesar de tudo, só neste mundo! Sinto-me só, apesar de cercado de filhos da mesma terra em que nasci.

Ribombam, não longe daqui, metralhas e canhões, cujos écos calam-se no findo de minha alma, como se fossem os próprios projéteis. Sobretudo, sinto-me desolado e quase completamente vencido. Às vezes, vejo-me um desolado, que aceitaria a própria morte, com um sorriso nos lábios. Sinto-me a vagar constantemente, numa incerteza de vida e morte, numa treva profunda, como um ébrio vencido pelo entorpecente de álcool e abandonado pela razão.

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Não vos esquecerei. Fazer-vos reviver na minha recordação, óra abalada e pendente entre um conflito de mortes e sofrimentos, é o que desejo sempre.

Amar-vos, mais ainda, é o que faço, sem atraver-me a suplicar-vos, que vivais no mesmo mundo em que vivo!

Subi ainda mais alto, muito mais alto e subei que um dia estarei junto  a vós e esperai-me.

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Quando partistes, deixaste-me na flor da inocência, quando só o sorriso da ingenuidade brotava em meus lábios. Quando eu ainda ignorava as injustiças da terra.

Fiquei, pois, sem mãe, o vocábulo mais doce e que mais significa nos corações humanos, a palavra sagrada que encerra toda a grandeza de carinho e amor.

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Vós sofrestes por este filho e agora ele sofre por injustiças praticadas por outros. Destes a vida a este filho e agora outros querem tirá-la.

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Deixastes-me numa solidão rude, com o coração dolorido, apesar de inocente. Solucei em silêncio sem chorar. Hoje não tenho lágrimas siquer. Coloquei as mãos sobre o coração, tentando sufocá-lo. Mas meu coração não parou, continuou sempre.

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O tempo foi passando e eu fui habituando-me à vossa ausência material.

O mundo foi dando-me, periodicamente, as lições da vida e adaptando-me aos poucos, às doutrinas de natureza. Fui  ambientando-me lentamente, sem que eu o esperasse, à todas as suas maldades e astúcias. O homem, nos seus procedimentos ao meu redor, foi aos poucos, injetando-me suas leis. Fiquei um conhecedor do mundo, este mundo tão grande e tão vazio sem vossa presença.

Nos primeiros tempos de solidão, busquei a sombra e tentei chorar sozinho. Depois, meu coração é que chorou vossa perda. Tentei chorar sozinho no início, mesmo sabendo que as lágrimas compartilhadas são mais suaves, mais doces. Eu não desejava ser consolado, queria viver em minha amargura, queria que a vossa felicidade dependesse de mim. Onde quer que fosse, eu procuraria dar-vos a suprema felicidade, a paz que decorre dos amores filiais e generosos.

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Numa imensidade toda azul dum sonho, eu vos amo ainda, agora mais, na minha idade dum joguete do destino, afigurando-se-me, que ainda me pertenceis como antes, para além de minha vida.

Na minha compreensão adulta, estremeço, fico angustiado, mas não mais tento lamentar a vossa perda. Que adiantam as lamentações? Uma vez que Deus vos chamou para junto Dele, é porque fostes digna dos céus. Agora, homem, compreendo. Posso agora, apenas, sentir o amor de filho, sem no entanto bradá-lo publicamente. Tenho ainda, a felicidade de manter intacta em meus olhos, vossa santa imagem.

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Vejo-vos sorrindo maliciosamente e com satisfação, ante as  diabruras inocentes de minha criancice. Vejo-vos sorrindo de contentamento, quando balbuciei as primeiras silabas do alfabeto. Revivo ainda esses momentos e jamais os esquecerei.

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Hoje sou homem, não sou mais aquele “filhinho” que deixastes inocente no mundo da ingratidão e da maldade. Mas meu coração ainda é o mesmo e será sempre o mesmo. Não sou o homem da cultura na ciência médica que vos prometi. Muitos motivos tornaram-se obstáculos, para que esse almejo fosse concretizado. Conforme previstes, causas às quais eu estaria sujeito, influenciaram de modo integral, evidenciando agora, que não conduzo o título comprobatório das fontes da medicina.

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Entretanto, o mundo dos homens como eu, que se dizem civilizados, empreendeu a mais terrível e sangrenta das guerras. E eu fui atirado também, à fome dessa beligerância, onde me encontro agora, lutando em terras muito diferentes daquelas que vós conhecestes.

Tudo ao redor de mim são ruinas e desolações. Escombros sinistros, destroços da civilização, implantados pelas máquinas da morte de nossos semelhantes, que se mantam entre si, esquecidos de que humanos são.

Sofrimentos, dores, desgostos e morte estão sendo semeados onde estou, por seres humanos como eu, somente que mais loucos e mais ambiciosos.

Um campo de batalhas!

E de um campo de batalhas vos escrevo, dirigindo a Deus minhas habituais preces, hoje, pelo aniversário de vossa morte.

Lá das alturas celestiais, abencôa vosso filho saudoso, que de coração martilizado pelos sofrimentos, só vos pode render esta minúscula e singela homenagem.

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PS – A carta acima foi extraida do diário de um pracinha mariliense, que participou  da II Guerra Mundial na Itália e aqui é publicada pelo fato de amanhã, dia 12, transcorrer a efeméride do Dia das Mães.

Extraído do Correio de Marília de 11 de maio de 1974

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Uma platéia diferente (10 de maio de 1974)

 

Transcorreu quarta-feira última o Dia da Vitória. 8 de maio marcou o transcurso o transcurso do 29º. aniversário do término da II Grande Guerra Mundial, da qual participou o Brasil, com o envio e participação em combate de mais de 25.000 soldados.

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O evento foi comemorado cívica e condignamente por todos os estabelecimentos educacionais da cidade.

O presidente da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, secção de Marília, dr. Flávio Villaça Guimarães, foi insistentemente procurado por professores e diretores de escolas para proferir conferências alusivas à efemétide.

Não podendo atender pessoalmente todos os convites, acabou por designar outros pracinhas para a realização dessas palestras.

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Coube a este escriba comparecer no Grupo Escolar e Ginásio Estadual “Geraldo Zamcopé” para falar sobre o assunto a algumas  centenas de crianças do curso primário.

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Falei, portanto, para uma platéia diferente. Para garotos e garotas, em maioria absoluta de gentes humildes. Esse contacto fez-me muito bem e chegou a emocionar-me.

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Jamais supunha de que aquele exército de crianças buliçosas e cheias de vida, dotadas portanto de ativas fontes de energia, que exige a natural movimentação e irriquietabilidade, viesse a permanecer silicioso e atento à uma fala que durou exatamente uma hora.

Pois aconteceu.

As crianças de pé, no páteo, acotoveladas mesmo, permaneceram atentas e presas ao assunto focalizado. Senti o despertar de interesses e de atenções e não notei cansaço e nem aborrecimento naqueles semblatezinhos felizes.

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Psicologicamente, tentei nivelar-me à minha platéia, falando como amigo, tentanto utilizar a linguagem simples, facilmente assimilável para crianças de um curso primário.

Tentei, qual um mestre em classe, explicar e esclarecer, numa fala franca, fraterna e cordial, assuntos relacionados com a participação do Brasil na II Grande Guerra Mundial.

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Depois da oração, coloquei-me ao dispor da petizada, para responder perguntas sobre assuntos relacionados aos pracinhas brasileiros e à guerra propriamente dita.

Ai, então, completou-se minha emoção. Inúmeros garotos e garotinhas vieram formular perguntas. O que mais me impressionou foi a oportunidade dessas indagações, todas de curiosidade e argúcia, todas cingidas ao assunto. Provando de que o aproveitamento da palestra havia atingido o nível por mim esperado. Provando, mais, um excelente índice de aproveitamento daqueles alunos. Mais ainda, atestando o despertar grandioso para as coisas cívicas e patrióticas. Ainda mais o irrestrito respeito à disciplina louvável.

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Aquelas crianças entoaram em conjunto a Canção do Expedicionário, provocando-me grande emoção.

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Ao despedir-me daquela criançada maravilhosa do GE “Geraldo Zancopé”, senti aquele calor sincero das almas sem maldade. Os sorrisos leais de uma infância feliz e satisfeita. O aceno de mãos num estravazamento de satisfação sincera.

Deixei feliz aquele estabelecimento. Alegre mesmo, porque sai muito convicto de que fiz mais uns trezentos novos amigos. Amigos dos quais não terei que temer falsidades, porque constituiram uma platéia diferente, uma platéia da personificação da própria inocência.

Extraído do Correio de Marília de 10 de abril de 1974

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O Homem do Ano (09 de maio de 1974)



A Rádio Verinha e o jornal “Correio de Marília”, com o patrocínio da Associação de Ensino de Marília, irão lançar o concurso pró eleição do Homem do Ano-73.

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O objetivo, além de provar um reconhecimento público, colima estimular e incentivar os homens que se tenham destacado em nosso meio social, anualmente, destaque este que caracterizado por trabalho ou empreitada, ação ou postura, serviços ou méritos pessoais, cuja atuação tenha sido marcada por relevo especial, reconhecidamente, dirigida e com efeitos voltados positivamente ao bem comum e fins sociais.

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Trata-se de um concurso público, send que 60 pessoas reconhecidas da cidade, integrantes das mais variadas posições sociais e de atividades de trabalho, terão a responsabilidade da votação.

Os votos serão secretos e o escrutínio será feito por um juri delineado pela diretoria da Associação de Ensino de Marília. O juri será igualmente integrado por pessoas de gabarito e responsabilidade, em atividades várias da vida mariliense.

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Os votantes, sessenta selecionados de uma lista triplice de 90 nomes pré-escolhidos, indicarão o mariliense que reúna as qualidades e condições previstas pelo Regulamento próprio do concurso, indicando cada qual o nome de sua preferência e enumerando em arrazoado os motivos da escolha e os méritos que justifiquem a indicação.

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Será este o terceiro concurso dessa espécie.

No primeiro, a escolha recaiu sobre o sr. Pedro Sola, hoje prefeito municipal e o fundamento principal foi a atuação do mesmo, em função da maioria da população no setor esportivo, conseguindo conduzir o Marília Atlético Clube à Divisão Especial do Futebol paulista.

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O segundo Homem do Ano foi o Comendador Dr. Christiano Altenfelder e Silva, como reconhecimento público ao interesse comprovado e aos trabalhos desenvolvidos no setor científico, como um dos grandes generais de nossa Faculdade de Medicina.

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Como se vê, duas escolhas certas e justas, que bem corroboraram a lisura e acerto das respectivas escolhas.

Tanto isso ficou comprovado de que a população recebeu alegremente as referidas preferências, pelas razões justas que caracterizaram as ações, pessoas, trabalho e personalidades dos dois referidos cidadãos.

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No dia 15 de junho será feita a apuração dos votantes que designarão o Homem do Ano-73.

Na data de 9 de julho, em festa pública e em local especialmente escolhido, haverá a festa de consagração do Homem do Ano-73, ocasião em que ao mesmo será conferido o troféu respectivo.

Também outros cidadãos votados serão agraciados com diplomas de Honra ao Mérito, numa prova de reconhecimento da Comissão Organizadora aos votos recebidos.

Extraído do Correio de Marília de 09 de maio de 1974

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Vamos eleger um mariliense (08 de maio de 1974)



Nunca é demasiado reprisar um dos assuntos, bater na mesma tecla, insistir numa questão, quando tais cometimentos digam respeito direto aos nossos interesses, aos interesses de Marília.

É porisso que mais uma vez aqui estamos comentando um mesmo assunto: a tese das próximas eleições. Para que o nosso povo se alerte e não incorra nos erros pretéritos, elegendo demagogos e caçadores de votos, que, nos Parlamentos, jamais levantaram suas vozes, na defesa das causas de Marília.

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Ministremos a esses politiqueros uma lição em regra, elegendo gente de nossa cidade, para que, de fato, possamos estar bem representados, para que, realmente, possamos contar com alguém que tenha obrigações de interessar-se por Marília, a eterna esquecida dos poderes públicos.

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O povo mariliense deve e tem obrigação de votar nos candidatos de Marília, deixando de lado todo e qualquer particarismo.

Os marilienses devem enviar à Assembléia Legislativa um homem da cidade, uma pessoa nossa, conhecedora de nossos problemas, nossas necessidades, nossos direitos.

Quem lê o matutino “Diário de São Paulo” deve ter visto, de há muito, na secção “O Interior e a Assembléia”, que o nome de Marília é desconhecido, que por Marília não se tomam providências, que, por Marília, ninguém trabalha, diretamente, naquela Casa.

Cidades de importância menor do que a nossa têm vozes condignas e laboriosas alí dentro, sendo sempre lembradas, sempre citadas, sempre exemplificadas e constantemente reivindicando direitos, fatos e melhoramentos.

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De quem a culpa? Só pode ser nossa, que, de boa fé, depositamos os nossos votos em favor de estranhos em benefício desses “doutores promessas” caçadores de votos, que, com suas fantasias de “amigos de Marília”, com suas naturais e preparadas qualidades dotilóquias, só nos têm ludibriado.

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Ainda é tempo de aprendermos, de repararmos o erro, elegendo um homem de Marília para a Assembléia. Um, dos ou mais porque, como dissemos em um de nossos últimos editoriais, aquí, mercê de Deus, temos, suficientemente, pessoas capacitadas e de todo credenciadas.

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Só assim poderemos ter alguém que nos represente legitimamente, para evitar a continuidade de injustiças por nós sofridas, com o permanente e eterno esquecimento em que Marília têm vivido.

Vamos, pois, eleger para deputado estadual um homem de Marília. Existe tempo de sobra para isso, para reparar um erro anteriormente cometido.

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PS – Este artigo foi publicado, nesta mesma secção, na edição do “Correio” número 6871, sexta-feira, dia 30 de abril de 1954. Há vinte anos, portanto.

Prova de uma campanha antiga, de um idealismo sadio e bem mariliense. Prova, também, da oportunidade da época presente, em que a Arena mariliense continua, nesse particular, dormindo no bêrço da pusilanimidade.

Extraído do Correio de Marília de 08 de maio de 1974

terça-feira, 7 de maio de 2013

Verdade. Tem disso aí (07 de maio de 1974)



O assunto que aqui está focalizado quiçá nenhum interesse venha a trazer a muitos dos leitores.

Todavia, passa a encontrar uma justificativa para sua inserção. Esse motivo assenta-se naquilo que se convencionou chamar de “correria dos homens e dos tempos”.

“Correria” decorrente e exigida pela necessidade do ganha-pão cotidiano.

Nas cidades grandes. Em São Paulo, principalmente.

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Poucos são os paulistanos que levam vida sedentária.

Mesmo os que, trabalhando em escritórios, fábricas e oficinas, inclusive com horário comercial, vivem correndo.

A metrópole paulistana chega a ser uma cidade desumana, exigindo de seus habitantes um meio de vida ativo, incessante, sem pausas, num corre-corre diário e interminável.

É o ônus de trabalhar e viver numa cidade grande.

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Um de meus filhos reside em São Paulo. É profissional autônomo, o que vale dizer presta serviços para várias empresas.

A cidade é grande, muito grande. O próprio sistema de locomoção é difícil e nem sempre se consegue a localização fácil de uma pessoa.

Daí, no caso do rapaz, por vezes encontrando-se num ponto da Capital, precisar ser localizado imediatamente por uma outra firma para a qual trabalha.

Pensando bem, um caso difícil.

Suponhamos que o mesmo esteja no bairro da Lapa e uma firma do centro ou da Penha, ou do Jabaquara, precise localizá-lo. Ele não deixa roteiro de onde pssa ser encontrado. Nem tem telefone domiciliar. Nem tem ponto fixo de parada.

Mas o problema foi resolvido. É localizado onde estiver, a qualquer hora do dia, dentro da vasta área metropolitana da Capital. Na mesma hora.

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Parece uma coisa impossível, mas não. Em contrário, uma medida operacional até certo ponto simplicissima.

Uma prova do avanço da ciência eletrônica de nossa era.

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O garoto conduz consigo, preso à cinta, um pequeno receptor, locado com contrato, de uma firma comercial de serviços de rádio-chamada.

Qualquer uma das firmas que pretenda sua localização, à qualquer hora do dia, comunica-se com a empresa, através de um dos quatro telefones da mesma. A firma imediatamente faz o chamado em ondas curtas, não em fonia, mas sim numa espécie de sinal morse, que o aparelho portátil acusa com insistência.

A pessoa chamada dirige-se ao telefone mais próximo para saber quem deseja falar com ela. De lá, a firma orienta que tal pessoa de tal endereço, de tal local, reclama sua presença, ou seu contato. E isso é feito.
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Trata-se, evidentemente, de um sistema eficientíssimo de comunicação.

Se não fôra isso, difícil seria a sua localização de imediato, numa cidade tão grande como São Paulo.

Um serviço utilíssimo, rápido, prático e eficiente e que dá uma tranquilidade ímpar, tanto ao seu utilizador, como às pessoas ou firmas que dependam do mesmo.

Achei muito bacana o sistema.

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Para curiosidade, transcrevo a seguir o cartão que o garoto entrega às firmas ou pessoas que podem depender do mesmo ou necessitar em horários não previstos ou não marcados, sua presença imediata, ou seu contacto urgente:

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“Urgente: em caso de necessidade urgente, poderei ser localizado de imediato, em qualquer lugar que me encontrar, na área metropolitana, através de meu receptor de bolso do Serviço de Rádio-Chamada “Ondaforne”. Para isto, queira ligar para os telefones (cita os números), deixando recado pelo código de meu receptor, cujo número é (citado). Em seguida, o nome do rapaz”.

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Um serviço perfeito, cuja eficiência eu próprio constatei dia outro.

As firmas que o mesmo serve ficam tranquilas e o chamam no momento necessário e o mesmo anda de “cuca fresca”, sabendo que será chamado e localizado, esteja onde estiver.

Muito bacana, mesmo.

Extraído do Correio de Marília de 07 de maio de 1974

sábado, 4 de maio de 2013

A Empresa Circular (04 de maio de 1974)



Em todos os setores das atividades de pessoas, grupos ou gentes, quando se configura a demanda de procura, de preferência de serviços, é um bom sinal.

É o que está presentemente acontecendo com a nossa Empresa Circular Cidade de Marília.

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Waldemar Benz foi o introdutor do sistema de transporte coletivo urbano na cidade, inaugurando uma linha de ônibus urbano, ligando o centro à Vila de São Miguel.

O ponto de partida era na rua 9 de Julho, local onde hoje está a Mobiliadora S. José, se não me falha a memória.

O preço da passagem era 500 réis.

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Parece que os planos do sr. Waldemar Benz não conseguiram o êxito esperado e a “linha de ônibus” não chegou a ter duração longa.

Pedro Sola e José Louzano, homens de visão, viram alí um bom negócio. E fundaram a Empresa Circular de Marília. Essa que aí está.

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Mais tarde, já com a firma organizada, com a cidade servida por várias linhas de ônibus urbanos, os dois irmãos venderam a empresa para o Dr. Ferreirinha, atual proprietário-presidente da ECCM.

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De início, a Circular, sob nova direção, deparou-se com uma série de dificuldades. Nessa altura, (deu-se) a implantação de novas linhas.

O Dr. Ferreirinha sentiu um verdadeiro oceano de reclamações da população. A impresa mesmo não poupava críticas aos serviços iniciais da Circular.

Mas o tempo foi passando, novos ônibus foram sendo adquiridos, a prática foi sendo aperfeiçoada e a Circular acabou ganhando a confiança do público e a preferência de toda uma população.

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Hoje a Circular dispõe de uma excelente frota de veículos, escritório bem montado e organizado, oficinas mecânicas especializadas e bem aparelhadas e os necessários carros-reservas.

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Mas a cidade cresceu muito nestes últimos anos. A sua densidade demográfica aumentou consideravelmente. Elevou-se o número de construções residenciais. Surgiram novos bairros no município. O progresso extendeu suas raízes, tomando proporções desmedidas.

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Isso passou a exigir a implantação e prolongamento de várias linhas da Circular.

E continua a exigir.

E não vai parar, não.

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O dr. Ferreirinha deve estar sentindo isso.

A utilização de sua empresa, mesmo com o elevado aumento de veículos particulares da cidade, vem aumentando dia a dia.

A demanda da utilização dos veículos da Circular está apresentando um índice nunca mais visto. Os ônibus que ligam o centro aos bairros, estão sempre lotados, fazendo com que se providenciem mais horários.

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O povo está reclamando. Não contra os serviços, mas contra o excesso de passageiros nos coletivos.

É bom sinal.

Mas o dr. Ferreirinha precisa, com urgência, aumentar o número de coletivos e de novos horários.

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E ir também esquentando a cuca, porque logo logo a Av. Santo Antonio e a Sampaio Vidal, estarão “rasgadas” de ponta a ponta.

Vão ser necessárias novas linhas.

Certo, dr. Ferreirinha.

Extraído do Correio de Marília de 04 de maio de 1974

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Candidato, ainda (03 de maio de 1974)



Há um trinômio, que se pode comparar a um conjunto étnico, a justificar o ról imenso de escritos que tenho publicado, sobre a urgência inevitável de Marília eleger um seu representante legítimo à Assembléia Legislativa.

De um lado, a fé de ofício, de outro o idealismo jornalístico, e, de outro ainda, o amor por Marília.

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Esse proceder já gerou-me o manifesto direto e indireto de duas correntes: uma pró e outra contra.

Não o “pró” e o “contra” em termos frontais e objetivos, diga-se. O referido “pró” é representado por aqueles que me procuram para incentivar-me e estimular-me para prosseguir nessa contenda, na convicção de que a prestação de servição de que a prestação de serviços a respeito tem seu lado bom, seu lado útil, seu lado bem intencionado. O “contra”, neste caso, é representado por outros leitores e amigos, que confirmam-me estar eu perdendo tempo, sem nada lucrar com isso, concluindo por aconselhar o “deixa disso”, porque nada de positivo vai resultar.

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Sou grato às duas facções opinativas.

Mas prossigo, como venho fazendo, nesse campo político, desde 1947.

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Contradigo ainda os que pensam ou afirmam de que Marília não tem elementos próprios capazes de bem se desincumbirem de uma função legislativa estadual.

Temos muitos, embora nem todos tenham, por parte do colegiado eleitoral da cidade, uma penetração mais profunda.

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Já fiz referências à mais de uma dezena de nomes marilienses dignos e capazes, embora alguns não tenham aquilo que se poderia classificar com o rótulo de “popularidade eleitoral”.

Sempre citei homens sérios, marilienses autênticos, de ilibada personalidade, mesmo que alguns deles não sejam do gosto das hostes diretivas da política municipal. Mas citei nomes de peso e de valor.

E continuarei citando, em lembrança colaborativa, à guisa de subsídios.

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Nada lucro, mas também nada perco com isso. Antes, desobrigo-me conscientemente de função especifica, jornalisticamente falando.

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Há outro nome que póde servir de observação e análise para a Arena: Kalil Haddad.

O presidente da Associação Comercial de Marília vem realizando uma administração e um comando dinâmico e operoso na referida entidade. É moço, idealista, trabalhador e não é político.

Teria a simpatia da classe comerciante e comerciária de Marília. Poderia ser sondado, convidado.

Dos muitos nomes aventados, poderia entre as próprias hotes políticas, surgir um futuro candidato arenista mariliense, para disputar uma poltrona vermelha do Palácio 9 de Julho.

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Gente capaz em Marília há.

Parece o que não há é uma unificação de intentos, uma coesão de pensamentos, um interesse mais urgente e mais objetivo no caso.

Isso, sim.

Extraído do Correio de Marília de 03 de maio de 1974