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A maioria não (22 de maio de 1983)

Deus fez o mundo em seis dias. No sétimo, descansou, após concluída a grande tarefa. Hoje é domingo, dia de descanso. Para a maioria. Há os que não descansam, que estão no batente, por questões obvias e atinentes de deveres próprios. A maioria, não. A maioria não agarra hoje. Não trampa, como dizem os giriomaniacos. Mas há uma outra maioria. Essa, a que consegue descansar de segunda a domingo, de janeiro a dezembro, ininterruptamente. Esse só engana que trabalha. E que, indiscutivelmente, vive melhor, bem melhor, do que os que trabalham no duro, de sol a sol, de segunda a domingo, de janeiro a dezembro. Como é dia descanso, coluna descansa do rotineiro, de sua linha habitual, de sua conduta normal. Nada de citar-se as altas de preços, as elevações do custo da gasolina. Nada de comentar as teorias do Ministro Delfim Neto, sua numerologia equacional, aquela que sem solução equacionatória para o zé povinho. Zé povinho vai assistir futebol hoje. Santos e Mengo, doi...

Pensamento temerário (18 de maio de 1983)

Este pensamento é até algo temerário. Mas, como tem sido invariavelmente acertado, aqui à lume. Matéria esta foi escrita ontem (17/5/1983) , no período matutino. Todo mundo sabia que o Ministro Delfim Neto iria ainda, no mesmo dia de ontem, entrevistar-se com os ocupantes das macias poltronas vermelhas do Senado Federal. Para uma exposição de motivos – o jeito inofensivo e elegante de justificação. O palpite deste pensamento: vai ficar tudo na mesma. Com absoluta certeza, o Ministro chapiscará golfadas de otimismo, pintará tudo cor de rosa e os Senadores, como sempre, ficarão satisfeitos com as explicações – engolindo a isca, o anzol e a chumbada. Só que, cá em baixo, o zé povinho, este não ficará satisfeito. Apenas porque ele, o zé povinho, tem o péssimo defeito de não comer cifras, números, teorias e explicações que lhe não enchem a barriga. Se, em contrário, o resultado for outro, ou, então, inverso, aqui vai a propositura de desculpa em tempo hábil e tempestiva...