sábado, 30 de maio de 2009

O desarmamento universal (30 de maio de 1957)

Publicou há dias a imprensa paulistana, um telegrama procedente de Washington, acerca do desarmamento universal, partindo inicialmente pelos Estados Unidos e Moscou.

Limos com bastante ceticismo o teôr do aludido despacho e no momento passou-nos pela mente aquela anedota do velho cabelo que chamou a filha “às falas”, quando percebeu que a moça, já bem formada, alimentava idéias de casamento. Dissera-lhe então o pai: “Minha fia, vancê já tá na idade de casá. Vancê deve sabê qui seu pai é home bão i num vai impedi seu casamento cum ninguém. Vancê pode casá cum quem quisé, desde qui seja cum u Belarmino, fio du cumpadre Bastião”...

Moscou e USA, armados até os dentes, aperfeiçoando dia a dia os mais terríveis engenhos de guerra, vez por outra externam planos de desarmamento universal, um defendendo o fato para diminuir a tensão do mundo, outro lutando “pela paz”.

Como dois garotinhos que pretende “varar” o circo, tendo medo de serem apanhados pelo “guarda do lado de dentro”, um fica convencendo ao outro que aquêle deve ser o primeiro. Andrei Gromiko, ministro das relações exteriores da Rússia, apresentou ao Presidente Eisenhower uma proposta “sui generis”: Que os Estados Unidos dessem o primeiro passou e aceitassem a inspeção soviética a respeito, na base de quilômetro por quilômetro. Ike “pulou na parede” ante a proposta, como não poderia deixar de ser, rechaçando a idéia “pró paz” defendida, nessas condições, pelo intempestivo Gromiko. E lançou a contra-proposta americana, invertendo os papéis. Quem “afinou” desta vez, fugindo à parada, foram os vermelhos.

Já confessamos repetidas vezes, que nada entendemos de política, especialmente a universal, no sentido como a mesma vem sendo praticada. Mas nem por isso, deixamos de tirar nossas conclusões, quando conhecemos alguns pormenores relacionados com tais manobras. Foi por isso que ficamos verdadeiramente admirados e incrédulos, quanto às possibilidades dêsse acôrdo bi-lareral de desarmamento russo-americano.

Entendemos que não será possível, porque a desconfiança é tão grande entre as duas nações e porque a situação, conforme se encontra, não se casa com a idéia. Quem garantirá aos Estados Unidos que a Rússia procederá em definitivo o seu desarmamento, respeitando fielmente as clausulas e condições do possível tratado nesse sentido? Por outro lado, quais as garantias que os EE. UU. oferecerão aos russos, caso êstes viessem “a atirar a primeira pedra”?

Para sermos franco, achamos não só inviável, como até infantil a idéia do desarmamento universal, começando por essas duas nações. E se a medida puder vir a ser efetivada, como é o desejo da maioria dos povos, que vivem angustiados sob a tensão de nova e perigosa guerra mundial, não creremos na sinceridade do acontecimento, que, de uma ou outra maneira, visa demonstrar falta e futuramente, que o acordo não fôra cumprido. Não acreditamos que nenhum dêsses dois países, do jeito que caminham as coisas atualmente, possam confiar entre si, a ponto de um ser o primeiro a desarmar-se para dar o exemplo. E, se isto acontecer, mesmo assim não creremos; haverá “gato na tuba”, inegavelmente.

Extraído do Correio de Marília de 30 de maio de 1957

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Um banco bem mariliense (29 de maio de 1957)

Transcorre hoje a data do 15º aniversário da fundação do Cooperativa Banco de Marilia Limitada, sem favor algum, um dos grandes empreendimentos que formam o rosário das grandes iniciativas da gente mariliense.

Criado pelo decreto federal nº 10.780, o Cooperativa Banco de Marilia Ltda. éra instalado nesta data, no ido ano de 1942. De início, a junção de idéias de um grupo de cidadãos, que pretendia dar à Marilia um estabelecimento de crédito à altura de suas necessidades, especializado no setor de cooperativismo bancário. A idéia, se bem que explêndidamente recebida, de início tornou-se, como é lógico, um poço de dificuldades. Os idealizadores da empreitada, no entanto, alimentando o propósito firme, lançaram-se à luta, conquistando a recompensa trazida pela vitória do sonhos e das lutas, tornada em realidade.

Hoje, o “Copeban” é aquilo que traduz a grandeza da iniciativa privada, formando no ról dos grandes empreendimentos que enriquecem o progresso de Marilia. Com séde própria, à Rua 9 de Julho,1284 e departamentos nos distritos de Ocaucú, Avencas, Lupércio e Nova Colômbia, possuindo mais de 40 funcionários especializados e que sabem tratar o público com urbanidade e presteza, o Cooperativa Banco de Marilia Ltda. é um verdadeiro patrimonio da grandeza da cidade. Conta seu quadro associativo com mais de 1.500 pessoas, de diversas condições sociais. Destaca-se, no auxilio a lavoura, prestando aos lavradores auxílios pecuniários e financiando empreendimentos rurícolas. Possui um bem montado Departamento de Análises de Terras, sob os cuidados de competente engenheiro agrônomo, que presta inestimáveis serviços aos interessados na policultura. Tal órgão, que serve mesmo de exemplo à outros estabelecimentos congêneres, está instalado no “Edifício Ouro Verde”, 6º andar, Salas 602 e 603, onde recorrem aqueles que desejam conhecer, de antemão, as qualidades das terras para culturas várias. Isto só, recomenda o “Copeban”, como um propugnador diréto do desenvolvimento de cultura em nossa região, colocando o lavrador de hoje, ao lado dos agricultores dos mais adiantados paises do mundo.

O Cooperativa Banco de Marilia Ltda., não parou aí. Seus diretores, dinâmicos e operosos, procuram expandir as atividades do estabelecimento, levando a outros centros agrícolas, os benefícios e as facilidades do cooperativismo bancário. Assim é que dentro em breve, o “Copeban” estará inaugurando seus departamentos nas cidades de Guaimbé e Vera Cruz. Futuramente, outras cidades da região receberão tambem os benefícios e os serviços desse importante estabelecimento de crédito cooperativo, à exemplo de Marilia, Ocaucú, Lupercio, Nova Colômbia e Avencas.

Como gostamos de registrar nesta coluna, os acontecimentos que de perto dizem respeito à Marilia e às iniciativas de sua gente, desejamos neste ensejo, apresentar aos timoneiros, diretores e funcionários desse banco bem mariliense, as nossas congratulações pela importância desta data. À esses votos, aliamos os nossos desejos de que o “Copeban” prossiga néssa caminhada salutar de servir a gente da região, especialmente àqueles que controem, de sól a sól, na zona rural, a grandeza do Brasil.

Parabens, Cooperativa Banco de Marília Ltda!

Extraído do Correio de Marília de 29 de maio de 1957

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A instalação da Faculdade (28 de maio de 1957)

O diploma legal criando a Faculdade de Filosofia Ciencias e Letras em nossa cidade, já é uma realidade, como todos sabem. Os primeiros passos foram dados, premiando dois lustros de luta dos marilienses, que, por todos os meios e com todas as suas forças vinham defendendo tal reivindicação justa e necessária ao próprio povo, não só de Marilia, como tambem da própria região.

A lei condicionou a instalação, no edifício em construção do Educandário “Dr. Bezerra de Menezes” de nossa cidade. Posteriormente, segundo sabemos, existiu um manifesto interesse para que tal curso oficial superior fosse instalado no prédio da Av. Vicente Ferreira, onde ha tempos funcionou a Fiação de Seda do Comendador Cristiano Altenfelder Silva.

Quer nos parecer que a situação ainda está no mesmo pé, apesar de que já estamos no meio do ano e a Faculdade deverá funcionar em 1958.

Tivemos a oportunidade de manifestar, a respeito, o nosso ponto de vista: Não somos contra a instalação da Faculdade no “Bezerra de Menezes”. Somos contra o processo pelo qual será efetivada a medida, uma vez que o problema será contornado e não solucionado, já que decorrido um certo período de tempo, terão as autoridades responsáveis que ver-se à braços com um problema mais sério: a compra do prédio ou a compra de outro local. Ora, se temos que fazer a despesa obrigatória, por que não faze-la de uma só vez agora? Por que atenuar o assunto, para deparar-se com o mesmo problema no futuro? Mais claramente: Se a Faculdade foi instalada no Educandário, mediante cesão das salas por determinado número de anos, expirado o compromisso, terá a municipalidade que entregar os cômodos (reformados, é lógico) e iniciar novamente (a) luta de agora – a localização de outro ponto.

Assim, em nosso entender, ou o prédio deverá ser adquirido em definitivo, ou deverão consumar-se os entendimentos já existentes de ha muito com o Comendador Cristiano, tendo, nesse caso, que ser procedida emenda à lei que criou a referida escola e que estabeleceu condição precípua de sua instalação.

No entanto, o principal motivo dessa crônica não é bem a questão do local da instalação da Faculdade de Filosofia e sim o de saber em que pé estão as providencias a respeito. Quer nos parecer que a questão, apesar de toda a sua importância, continua meio “crúa”. O tempo para a realização déssa monta, é relativamente curto e se deixarmos “ficar como está”, teremos que clamar mais tarde.

Gostaríamos que a Comissão incumbida desse empreendimento esclarecess(e) ao público, principalmente aos estudantes e aqueles que sempre se interessaram pela consumação da medida, os pormenores das providências que a respeito foram tomadas.

Extraído do Correio de Marília de 28 de maio de 1957

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Preços de medicamentos (25 de maio de 1957)

Há algum tempo, conversando com certos amigos num bar da Avenida, entre os quais se encontrava um colega de imprensa, estava êste sendo “gozado” por uma terceira pessoa, que dizia que o citado jornalista só escrevia sôbre a alta do custo de vida, quando a proprietária do hotel que habitava, elevava o preço da mensalidade da pensão.

E o rapaz confessou, na ocasião, dizendo que de fato tal era verdade, pois costumava escrever aquilo que conhecia e sentia. Tal lembrança ocorreu-nos agora, depois de termos passado, ainda ontem, por uma “escalpelada” tremenda, quando tivemos necessidade de recorrer a uma farmácia. Ficamos boquiabertos, não pela alto dos preços, que já faz parte de nossa vida atual em todos os setores, mas sim, pela proporção incrível como vem se verificando ultimamente. O farmacêutico nos esclarecia então, que as variações das drogas e medicamentos, registradas nos últimos tempos, têm batido um verdadeiro “record” em velocidade, não cabendo culpa às farmácias, que mantêm, como é óbvio, a sua natural margem de lucros. O êrro “vem de baixo”, explicou-nos o homem. Acontece, pensamos, que o êrro não vem de baixo e sim “de cima”. O descontrole tão acentuado como atualmente se verifica nas marchas aceleradas dos preços de drogas e medicamentos é uma decorrência normal de desgoverno. Um remédio corriqueiro, obrigatoriamente necessário em qualquer lar, desde o mais pobre até o mais abastado, “sobe” quase que semanalmente.

O interessante é que até aqui ninguém se lembrou em ver “in loco” essa anomalia que é uma das mais degradantes. Os preços dos medicamentos, atualmente, não acompanham aquela correria da alta de tudo o mais. As elevações do custo das drogas são procedidas “à lá Zatopeck”, num verdadeiro absurdo.

Perguntamos ao rapaz, que por sinal é nosso amigo, se existia u’a média percentual de “subidas” de preços e o nosso interlocutor, apesar de ser um bom matemático, não foi capaz de responder, tão grandes e constantes são as variações. Apenas para dar-nos o exemplo daquilo que pretendíamos conhecer, declarou que o livro de preços é alterado diariamente e com muita constância para nos ficar atrazado!

Em verdade, o assunto está a exigir as atenções de quem de direito, pois a êsse respeito a situação é insustentável. Nós podemos pagar, como muitos outros, de 600 a 1.000 cruzeiros por uma simples receita que prescreva três ou mais drogas; mas, e os que percebem o salário mínimo e têm três ou quatro filhos para sustentar, como farão?

Muito se tem escrito, por aí, que o povo brasileiro é sub-alimentado e repleto de verminoses e que é preciso construir um povo forte, para termos o Brasil forte. Como? A alimentação é um problema tremendo, hoje, não só para os pobres, como também para a classe média. O tratamento médico-hospitalar é aquilo que “come a gente por uma perna”, como nos dizia um outro amigo, que, um dia dêstes, teve que submeter a espôsa a uma intervenção cirúrgica. O médico operador cobrara 6 mil cruzeiros, fóra o anestesista e o assistente e fóra ainda as despesas do hospital. Trocando tudo em miudos, o rapaz gastou 15 mil e poucos cruzeiros, ganhando, como chefe de família, três mil cruzeiros por mês.

Isso, no entanto, é outro caso. O que está a exigir atenções, em pról do próprio povo, são os preços verdadeiramente absurdos de determinadas drogas e medicamentos, que, muitas vezes, não dão os resultados rápidos e positivos para os males que são prescritos. As farmácias, principalmente as varejistas, nenhuma culpa têm. Por isso é que repetimos. O êrro não vem de baixo. Vem de cima.

Extraído do Correio de Marília de 25 de maio de 1957

sábado, 23 de maio de 2009

Candidato de Marília (23 de maio de 1957)

De uma pessoa que se assinou Maria Martha, recebemos ha dias uma atenciosa missiva, congratulando-se conosco pelos modestos artigos diários que aqui publicamos, e, no mesmo tempo, inquerindo-nos das razões “por que a campanha pró candidato de Marília foi interrompida”.

Preliminarmente, nossos agradecimentos aos conceitos emitidos acerca de nossos despretensiosos escritos, uma vez que a correspondente foi excessivamente gentil em elogios; quanto a campanha referida, foi a mesma lançada prematuramente, por necessidade imperiosa aos próprios interesses do povo mariliense. Concordamos em parte com os dizeres da missivista, em que nem todos darão a devida atenção ou analisarão com verdadeiro amor por Marília, os motivos preconizados por nós, da necessidade imperiosa que temos em “fazer” um ou dois (no mínimo) deputados, nas próximas eleições. Sabemos disso, por experiência própria, uma vez que não é esta a primeira vez que participamos desse jogo, perdendo sempre. Em todo o caso, o que prevalece aí, são as boas intenções e o desejo de servir Marília, lembrando sempre aqueles que os entusiasmam por candidatos de fóra, cometendo injustiças com os locais e para com nós próprios. E continuaremos sempre a “bater na cangalha”, como diria o bom e desconfiado mineiro.

O que é certo e incontestável, é que Marília possue homens capazes de representa-lá em qualquer parlamento, com sinceridade e amôr, sem outros compromissos que não os de advogar os interesses da cidade e seu grande povo. Até aquí, embora tenhamos contando com atenções esporádicas de um ou outro político com assento na Assembléia ou na Câmara Alta, o que é certo, ficamos devendo favores, e, de certo modo, comprometidos para as eleições futuras, em relação àqueles que algum obséquio nos tenham dispensado.

Se tivessemos o nosso ou os nossos representantes próprios, tal não aconteceria; teríamos o direito de exigir trabalhos, sem dever favores e por outro lado, os nossos advogados nesse sentido, teriam a obrigação precípua de servir Marília, em pagamento da confiança que antecipadamente lhe depositamos.

Uma outra pergunta intercala a carta referida, assinada por Maria Martha: quer ela saber, quais os nomes que o autor déstas linhas indicaria para o cargo de deputado estadual por Marília. Respondemos a nossa gentil missivista, que não temos preferencia e nem pretendemos personalizar a questão. Nossos intuitos, são os da maioria dos marilienses: ter no parlamento, um ou mais legítimos representantes de nossa cidade. Temos vários nomes capazes déssa incumbência, como todos sabemos. Temos mesmo, elementos de maior projeção e de maior capacidade e mais bem intencionados do que os atuais deputados em exercício. Nossa preocupação, a esse respeito, já foi externada em outras ocasiões e vamos repeti-la: tentaremos lutar e chamar as atenções das correntes políticas locais, para que se faça um verdadeiro “acordo pró interesses de Marília”, no sentido de que não apresentemos mais do que dois ou três candidatos ao pleito futuro, a fim da que as possibilidades de centralização de votos seja maior e possamos, de fato, eleger um lídimo representante mariliense no mínimo.

Isso faremos em ocasião oportuna.

Extraído do Correio de Marília de 23 de maio de 1957

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Mesa Redonda Municipalista (22 de maio de 1957)

Depois de amanhã, sexta-feira, às 21 horas, no palco auditório da Rádio Dirceu, terá lugar importante “mesa redonda”, quando os representantes marilienses ao IV Congresso Brasileiro de Municípios recentemente realizado no Rio de Janeiro, terão o ensejo de conversar com o público mariliense, prestando contas dos trabalhos da delegação de Marília ao referido conclave nacional.

Será, sem dúvida, um acontecimento democrático de grande repercussão, onde a referida emissora franqueará seu microfone aos municipalistas locais para esclarecimentos ao público e onde os nossos delegados terão a oportunidade de relatar com abundância de pormenores, as ações da representação mariliense ao aludido certame municipalista.

A propósito, recordamos, que não ha muito, fizemos alusões ao aludido congresso dos municípios, tendo manifestado nosso ponto de vista de que em efetividade e reais resultados, o IV Congresso Brasileiro de Municípios, havia, em parte, constituído-se num autêntico fracasso. As ponderações por nós emitidas, foram, em têrmos, contestadas em parte pelo vereador Dr. J. Coriolano de Carvalho, numa das últimas sessões da Câmara Municipal. Conversando com o Dr. Aniz Badra, o mariliense que foi acometido de mal subito em serviço do congresso, em consequência de excesso de trabalhos e preocupações, fomos informados de que existem alguns pontos que são desconhecidos dos marilienses e que teriam ocasionado motivos para o conceito por nós externado. Ante isso, entendemos que seria interessante u’a “mesa redonda” com o objetivo de esclarecer os marilienses em geral, acerca da verdade dos fatos. Isto foi, em definitivo, acertado. Assim, na próxima sexta-feira, depois de amanhã, terá lugar na Rádio Dirceu, cujo microfone foi franqueado para tal fim, a aludida “mesa redonda”.

Convidamos, pois, os edis marilienses que se fizeram presentes ao IV Congresso Brasileiro dos Municípios (Drs. Aniz Badra, J. Coriolano de Carvalho, Durval Sproesser e Fernando Mauro), bom como os demais vereadores, autoridades em geral e público interessado, para comparecer e prestigiar a aludida “mesa redonda”, onde aqueles que representaram Marília prestarão constas ao público e elucidarão alguns pormenores que apresentam dúvidas, em relação à efetividade e resultados diretos dos trabalhos desenvolvidos nesse conclave.

Será, sem dúvida, uma iniciativa de grande vulto e que deverá merecer a simpatia e o prestígio dos marilienses em geral, pois, além de ouvirem a prestação de contas daqueles que foram ao aludido conclave levar a bandeira de Marília, terão tambem o ensejo de consultar nossos delegados, sobre alguns pontos que não tiveram a devida e necessária propagação e divulgação por parte da imprensa.

E(s)pera o autor déstas linhas, contar com o comparecimentos dos senhores vereadores e demais autoridades, uma vez que já têm conhecimento de que a iniciativa encontrou guarida no seio daqueles edis marilienses, que, embuidos da melhor boa vontade, representaram Marília nesse IV Congresso Municipalista, apresentando nada menos do que onze importantes e capitais téses em pról da campanha em vigência, para a ressurreição e emancipação completa da batalha municipalista.

Portanto, na próxima sexta-feira, às 21 horas, pela Rádio Dirceu, será apresentada a “mesa redonda municipalista”, quando o povo mariliense terá o ensejo de conhecer pormenorizadamente as ações e os resultados do aludido conclave realizado no Rio, bem como saber, de viva voz, quais os trabalhos consumados pela delegação mariliense.

Extraído do Correio de Marília de 22 de maio de 1957

quinta-feira, 21 de maio de 2009

No passado, tanto como no presente... (21 de maio de 1957)

Conversamos outro dia com um companheiro de trabalho e ao par de uma série de assuntos normais e naturais da palestra, veio à baila, aquilo que vez por outra comentamos nésta coluna e que é tambem objeto de apreciação por inúmeros cronistas, não só da Capital como do interior: as dificuldades e alta dos preços.

E nosso companheiro nos asseverava, que, desde que principiou a conhecer-se por gente, sempre ouviu as mesmas reclamações acerca de que “tudo está caro”, “tudo está difícil”.

A propósito, citava-nos o caso de um médico mariliense, que, não ha muito, numa viagem pelo velho mundo, visitou o museu egípcio em Londres. Naquele estabelecimento histórico, o esculápio viu uma carta escrita 2.000 anos Antes de Cristo, em cujo conteúdo, ao par de assuntos corriqueiros e de família, o missivista reclamava que “tudo estava caro, que a vida estava difícil e que a mulher lhe éra fiel”. O tradutor do precioso documento, acrescentara um adendo ao mesmo, que o seguinte comentário: “Naqueles tempos os problemas eram os mesmos de hoje...”.

Deante de uma prova tão cabal, ficamos a “matutar” se efetivamente teriamos razões, quando abordamos o assunto, uma vez que, ante tal pormenor, não estariamos nós, nem os que iguais questões abordam, descobrindo nenhum “ovo de Colombo”. Nestas condições, a grita generalizou-se, tornando-se parte integrante da própria vida. E se é parte integrante da própria vida, logicamente haverá razões para que continue a caminhada.

Só que agora, as coisas parecem que mudaram um pouco. No passado, os poderosos “choravam” por vicio e tradição. Hoje, até aqueles que são considerados ricos, reclamam mais que os próprios póbres. E não são lamúrias e nem “choros”. São reclamações, mesmo.

Isto quer dizer, que embora no passado milenar já tivessemos problemas idênticos, nesse particular tambem progredimos um pouco: Hoje quase não existem os chamados “chorões” e sim os verdadeiramente reclamadores. E quando existem reclamações, forçoso é que se reconheça que alguns motivos de origem devem imperar.

Só que ha uma coisa: pelo menos, agora, temos um grande consolo, ao saber que 2.000 anos Antes de Cristo, outros já se queixavam do custo de vida e das dificuldades de viver. Não ha dúvida que somos os continuadores das “broncas”, principalmente hoje, quando temos governos que se dizem democráticos e quando ava(n)çamos muito naquilo que se chama cultura e civilização.

Extraído do Correio de Marília de 21 de maio de 1957

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Ainda a COMAP local (18 de maio de 1957)

Por intermédio de algumas dezenas de jornais de diversos pontos do Estado, ficamos inteirados de que não são poucas as cidades que estão em franca luta pela reorganização das respectivas COMAPS. Se tal está acontecendo, sinal é que a maioria do povo interiorano, saturado com o angustiante desnível de custo de vida, alimenta ainda uma quase ilimitada confiança e mesmo esperança, num controle perfeito e numa fiscalização bem orientada, dos preços das utilidades e gêneros de consumo.

Efetivamente, pensamos que uma COMAP bem orientada e dedicada, só poderá trazer benefícios, porque, embora contendo entre nós um grande número de comerciantes sensatos, não há (como) negar que existem outros, indiscutivelmente, algo mais gana(n)ciosos e desmedidos.

Por outro lado, os trabalhos de tal organismo não irão prender-se unicamente ao serviço de fiscalizar os preços de venda, mas também de compra, ou os “bicos” de certos intermediários, alem de servir de legitima advogada dos interêsses gerais, frente aos órgãos de instância superior, inclusive a Prefeitura e mesmo outras esferas mais elevadas nas Capitais.

Algumas vezes, anteriormente, temos nos ocupado do assunto. A COMAP, em Marília, positivamente, jamais conseguiu plenar tudo aquilo que da mesma se esperava. Não sabemos os motivos exatos, mas continuamos com o nosso ponto de vista de que a citada Comissão, se integrada pelos nomes indicados pelo sr. Prefeito e já divulgados por nós, querendo, poderá muito fazer em beneficio de todos os marilienses.

Acontece, que mesmo tendo os nomes sido submetidos a aprovação devida, a situação entre nós está ainda no marco zero. É de lamentar-se e até certo ponto de estranhar-se a morosidade da ultimamente do fato, que, sem dúvida alguma, significa interêsse geral.

Procuramos ouvir pessoa cujo nome foi indicado para membro da COMAP e fomos informados que a situação está “na mesma”, isto é, o organismo não foi oficialmente organizado e nem seus membros empossados.

O sr. Prefeito Municipal, por certo, apesar das múltiplas ocupações e preocupações decorrentes de seu alto cargo, irá novamente interessar-se pela questão, apressando a satisfação da medida. Pelo menos, isto esperamos.

Extraído do Correio de Marília de 18 de maio de 1957

domingo, 17 de maio de 2009

Instituto “Adolfo Lutz” (17 de maio de 1957)

Se Marília não possui muitas coisas mais, destinadas ao seu progresso e seu espantoso desenvolvimento, não será porque não necessite de interêsse público, como não será também por falta de empenho de seu povo.

Repetidas vezes, temos dito através desta coluna, que a maior parte das realizações que hoje nos orgulhamos possuir e seus benefícios diretos ou indiretos desfrutar, são consequências do labor dos próprios marilienses, uma vez que o bafejo oficial tem sido pouco sentido entre nós.

O ânimo daquêles que pulsam por estas plagas, não arrefece, entretanto; dentre as várias lutas verdadeiramente titânicas que pudemos demonstrar, figura a contenda inegavelmente gloriosa que de há muito vinha sendo empreendido, para a criação oficial de uma Faculdade para a família estudantil mariliense e da região. Assim é que os marilienses, por todos os meios possíveis, sempre têm procurado dotar a cidade de tudo aquilo que seu dinamismo e a condição geral de sua gente exige em nossos tempos.

Se não temos conseguido muitas outras providências necessárias não só para Marília, como também para a própria região, não será jamais descuido ou negligência de um bom punhado de progresso da “urbe” e no conforto e felicidade do povo.

Outro exemplo acaba de será dado, quando, na última sessão da Câmara Municipal, o vereador Gumercindo Muniz Sampaio solicitou ao órgão competente, a instalação em nossa cidade, de uma secção do Instituto “Adolfo Lutz”, como já existe em Bauru e como acaba de ser criada em Botucatu.

Trata-se, sem dúvida, de um empreendimento digno de merecer as atenções de quem de direito, pois não só viria a servir Marília, como também tôda a grande e exuberante região da Alta Paulista.

Seguidamente necessitamos recorrer ao “Adolfo Lutz” da Capital, sem dúvida um dos mais completos institutos do gênero, para uma série de análises de interêsse público. Se criada e instalada a secção local dêsse órgão, teríamos meios práticos e rápidos para sanar essa lacuna, servindo, ao mesmo tempo, inúmeras outras cidades e, desafogando, simultaneamente, a avalanche de obrigações do organismo paulistano, um dos maiores e mais completos da própria América do Sul.

Que a solicitação do edil Muniz Sampaio não fique apenas no aguardo da apreciação do pedido. Que outras fôrças da cidade intercedam também, reforçando o pleiteado, uma vez que o assunto é de magna importância para nós e para a própria região da Alta Paulista.

Extraído do Correio de Marília de 17 de maio de 1957

sábado, 16 de maio de 2009

O problema da mendicância (16 de maio de 1957)

Não ha muito, desfechou a autoridade policial local, uma oportuníssima campanha acerca da mendicância da cidade. Foi u’a medida salutar e necessária e não teve o intúito de “abrir fogo” frontalmente contra os que entendem a mão à caridade pública. O Dr. Helio Negreiros Penteado, delegado regional de polícia de Marília, por seus auxiliares e algumas vezes pessoalmente, esteve abordando os mendigos que afluem à nossa cidade a aqueles que fazem “ponto” em determinados locais.

Constatou a autoridade policial, na ocasião, que muitos pedintes são originários de outras cidades e que aquí comparecem para fazer a “ronda”, que, certamente, oferecerá bons resultados. Da campanha, as medidas foram elogiáveis: expulsão dos pedintes de fóra que aquí aportam e estudos de condições daqueles que aquí residindo, empregam-se ao mistér de pedir, impedindo, por outro lado, o prosseguimento daqueles que pedem por vício ou vagabundagem e encaminhando a instituições assistenciais, os que mendigam por necessidade irremediável.

Deu bons frutos a campanha deferida, sendo de lamentar-se agora, tenha a mesma esfriado um pouco. Isto pensamos, em virtude da invasão de mendigos nas ruas da cidade. Crianças, homens e mulheres, circulam pelas vias públicas, cercando todo o mundo, pedindo, pedindo sempre.

Gostaríamos que o movimento referido fosse avivado novamente, pois as providências anteriormente tomadas a respeito, trouxeram, sem dúvida, bons resultados.

Nós mesmo noticiamos, inúmeras vezes, o andamento da campanha, quando divulgamos inclusive, nomes de gente de outras cidades, que aquí compareciam, utilizando-se dos mais variados meios de transporte, para fazer a “féria” e regressar à noite. Informamos tambem, o encaminhamento de alguns pedintes a instituições assistenciais, por intermédio da Delegacia de Polícia e da Legião Brasileira de Assistência.

Ultimamente a mendicância voltou com maior ímpeto em Marília. Principalmente mulheres e crianças, que inundam as ruas, cercando toda a gente e pedindo continuamente.

Não somos contra êsse verdadeiro exército de miseráveis, principalmente quanto as pessoas, que, verdadeiramente infortunadas, vêm-se na contingência de entender a mão à caridade pública. O que reprovamos, é aquilo notoriamente conhecido: o grande número de mendigos que péde por vício e por preguiça de trabalhar.

Um dia dêstes, um nosso companheiro de redação, ao ser abordado por u’a mulher que pediu um “ajutório”, respondeu que não tinha trocado. A mulher não perdeu vasa e retrucou imediatamente: “Não faz mal, eu tróco”.

Tambem um outro conhecido nosso, ao ser interpelado por um mendigo e dizer o clássico “agora não tenho miudo”, recebeu a resposta malcriada da pedinte: “Tomara que nunca tenha”! ... ...

O reínicio dêsse movimento, sem dúvida, está se tornando necessário.

Extraído do Correio de Marília de 16 de maio de 1957

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Três assuntos para crônica (14 de maio de 1957)

No último sábado, teve lugar no prédio novo do Marília Tenis Clube, à Avenida Rio Branco, o anunciado desfile de modelos femininos, com a participação de oito manequins vivos, vindos da paulicéia. Essas moças, modelos profissionais, estiveram recentemente se exibindo no Uruguai, onde arrancaram aplausos sem conta da sociedade uruguaia.

A vinda das mesmas à nossa cidade, foi patrocinada pela firma “Tecidos Carone”, que emprestou sua colaboração ao espetáculo, que teve fundo beneficente, uma vez que a renda líquida apurada foi destinada aos cofres da Associação Filantrópica de Marília.

Não temos muita autoridade para abordar o assunto, uma vez que não temos nenhuma pretensão “a là” Sued ou Thormes; no entanto, entendemos que a exibição foi magnífica, os modelos apresentados muito bem confeccionados e as mocas souberam desfilar com arte e graça.

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Domingo, das 11 às 12 horas, no palco-auditório da Rádio Dirceu, teve lugar a homenagem às mães, que foi tributada pelas firmas “Loja Frigidaire”, “A Nova América” e a citada difusora. Ao par do programa para tal elaborado, foi profundamente tocante e comovente, o espetáculo da entrega dos prêmios às vencedoras do certame, especialmente o momento em que o titular da “A Nova América”, sr. Higygino Muzzi Filho concedeu o cheque de cinco mil cruzeiros à d. Ana Maria Silveira, com 102 anos, 12 filhos, 46 netos 131 bisnetos e 41 tataranetos.

A emoção da macróbia foi tamanha, que contagiou a todos quanto assistiram o espetáculo, tendo muita gente chorado comovida.

Foi sem dúvida um espetáculo profundamente tocante e profundamente humano.

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Falou ao povo mariliense o sr. Carlos Lacerda, o mais discutido homem do Brasil no presente momento. O irrequieto parlamentar udenista, que veio prestigiar a Concentração Regional da União Democrática Nacional, realizou um comício público, quando falaram diversos oradores.

Temos a impressão de que a alocução do sr. Carlos Lacerda não foi aquilo que muita gente esperava: uma verberação intempestiva aos poderes governamentais e em especial ao vice-presidente Jango Goulart.

O deputado Lacerda procurou trazer a público uma sintetização de suas atividades parlamentares como elemento político da oposição, justificando os motivos pelos quais pesam-lhe sôbre os ombros oito processos. Colocou-se na condição de réu, tendo classificado o próprio povo como os juizes para julgá-lo, no momento em que esplanava os motivos daquilo que chamou sua própria defesa.

Abordou o líder da U. D. N. na Câmara Federal, os casos da chamada “carta Brandi” e dos telegramas 293 e 295.

Muita gente gostou da palavra do sr. Carlos Lacerda. Outros, que esperavam violências verbais contra os poderes constituidos, por certo, ficaram decepcionados.

Extraído do Correio de Marília de 14 de maio de 1957

terça-feira, 12 de maio de 2009

Dia das Mães (12 de maio de 1957)

Hoje, segundo domingo do mês de maio, comemoramos condignamente o transcurso do Dia das Mães.

Das incontáveis e justas homenagens, que habitualmente procuramos tributar a alguma pessoa, é, sem dúvida, o preito de gratidão que rendemos à Rainha do Lar, o de maior expressão, o de maior sentimento de ternura, amor e reconhecimento.

Render uma homenagem sincera e merecida àquelas que tiveram a ventura de legar-nos a própria existência, é o mínimo que poderíamos fazer, para provar o nosso real amor e a nossa imorredoura gratidão.

Curvamo-nos, neste momento, ante a realidade dos fatos: sentimos dificuldades imensas para delinear sentimentos tão excelsos e tão sublimes. Achamos difícil traduzir em letras de fôrma, tudo aquilo que domina nossos corações, fazendo transbordar a ternura que nos cobre a alma, para exteriorizar alguma coisa que sabemos sentir e não podemos explicar claramente. Não sabemos explicar nitidamente, porque não existem meios possíveis para que consigamos externar, em verdade, quão grande é o nosso carinho, o nosso amor, o nosso tributo de estima e ternura, por aquelas que, dentro da simplicidade de sua alta missão na terra, continuam sendo pequenas a despeito de sua grandeza espiritual.

Zaratustra, o grande Zaratustra, conseguiu expressar-se de maneira mais ou menos aproximada da grandeza daquelas que são mães, dizendo: “Um pai vale mil filhos e u’a mãe vale mil pais”.

É imensurável a grandeza e a majestade do coração de u’a mãe. Não pode ser medido e nem pesado, o amor daquelas que acalentaram-nos em seus ventres, amamentaram-nos em seus seios, trataram-nos com desvelo, carinho, amor, dedicação e despreendimento ímpares, para as quais, nossas idades ou nossas condições de vida, não influem nem arrefecem um átomo sequer do verdadeiro amor sentido desde a hora em que viemos ao mundo.

Sacrifícios sem conta, noite de vigília, esforços até sobre-humanos, desfazem-se das mentes das mães, com um simples sorriso de um filho. Ela não sente canseiras e nem desfalecimentos, quando o filho está doente. Ela não sente sono e são capazes de permanecer indefinidamente à cabeceira do filho enfermo. Suas vidas estão sempre voltadas para aquêles que foram oriundos de suas próprias entranhas.

A sociedade pode relegar o filho, a justiça pode puni-lo, a guerra pode tragá-lo em sua fome voraz de homens loucos. Todos podem vilipendiá-lo, espezinhá-lo, difamá-lo, combatê-lo. Todos podem renegá-lo, incompreendê-lo. Todos, menos a mãe. O amor de mãe não tem fronteiras, não tem limites. É alguma coisa de sagrado.

Nunca aquêles que têm a ventura de possuir a mãe viva, estarão sozinhos. Sempre haverá algum a seus lados, sejam quais forem as situações, sejam quais forem as dificuldades ou os perigos. Só os corações das mães possuem essa grandeza indestrutível da solidariedade.

Só as mães sabem compreender a sensibilidade humana, porque só elas foram predestinadas por Deus a dar vida ao homem.

É por isso, repetimos, que nos curvamos ante a realidade, confessando nossa insignificância para relatar com minúcias e pormenores, a grandeza de alma daquelas sublimes criaturas, cujo desvelo e amor são ilimitados. É por isso que nos curvamos diante da majestosidade verdadeiramente celestial daquelas que são mães.

Ao comemorar-se hoje o Dia das Mães, desejamos associar-nos com tôdas as manifestações de carinho e apreço que serão tributadas à Rainha do Lar, rendendo também o nosso preito de admiração e amor sacrossanto às mães de todo o mundo, nas pessoas das mães marilienses.

Extraído do Correio de Marília de 12 de maio de 1957

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Tipos curiosos (11 de maio de 1957)

Focalizou nosso colaborador Lauro Vargas, num de seus artigos, a variedade de tipo de leitores que ocorrem ao jornalista, buscando informações diversas, às vezes até estapafúrdias.

Realmente, isso sucede à miude. Ou por cartas, ou por telefone, ou pessoalmente, somos procurados pelos nossos poucos leitores, para dar solução a problemas que escapam por completo a nossa alçada e tambem às nossas modestas pretensões.

Ainda ontem, um cidadão que por sinal pertence a um Diretório político local, fazia tremenda pressão para que dessemos nosso ponto de vista pessoal, acerca da pessoa (ou personalidade) do Deputado Carlos Lacerda, que amanhã estará em Marília.

Um outro convidou-nos para uma festa de aniversario tentand “jogar-nos na fogueira”, num discurso proferido perante eminente político local.

Há tambem os que gostariam que dissessemos algumas “verdades” ao Sr. Prefeito Municipal ou ao Presidente do MAC.

Muita gente desse tipo deixa-nos “matutando” se realmente seria essa a nossa missão, ou se estamos errados em nossa trajetória. É mais provável que estejamos certos, pois se fossemos aquiescer a pedidos extravagantes como esses, indiscutivelmente de interesses pessoais, por certo estaríamos fazendo papel de “táboas de bater roupa”.

A verdade é que nos apraz ouvir lamúrias e “sugestões” dessa natureza, porque, de um ou outro modo, se não significar chacótas sobre nós, representam que desfrutamos de um “poder” por nós desconhecido.

É claro, que ao par dessas passagens, muita gente tróca idéias sólidas conosco, discutindo democraticamente e com bases muitas questões de interesse geral. Gostamos que isso continue a acontecer, pois às vezes, muitas de nossas crônicas inspiram-se na tróca de idéias com nossos amigos e leitores.

Existem, realmente, os tipos curiosos citados na crônica do Lauro Vargas. Isso sem contar com alguns que jamais foram nossos verdadeiros e comprovados amigos, mas que são capazes de cercar-nos na rua, para solicitar “endosso” em algum “papagaio”. E quando nos falam em “papagaio” não esperamos mais nada: tratamos imediatamente de “voar” (para longe, é lógico!).

Extraído do Correio de Marília de 11 de maio de 1957

domingo, 10 de maio de 2009

Edifícios para a Caixa Econômica do Estado (10 de maio de 1957)

Em despacho dirigido ao dr. Ruy de Mello Junqueira, presidente do Conselho de Administração da Caixa Econômica do Estado, o governador Jânio Quadros acaba de autorizar a construção de edifícios próprios para a aludida autarquia, em seis cidades interioranas.

Botucatu, Presidente Prudente, São Carlos, Taquaritinga, Taubaté e São José do Rio Pardo, são as urbes aquinhoadas com essa deferência governamental, em virtude de que em tais cidades, a CEESP já possuia terrenos próprios, destinados ao fim em apreço.

Marília, cidade moderna, com mais de 110 mil habitantes, que consta com sua Agência da Caixa Econômica instaladas desde 1.937, com um grande saldo de depósitos, não foi lembrada nessa determinação governamental, possivelmente porque não dispunha de terreno próprio para o fim citado.

A propósito, lembramo-nos que por volta do ano de 1950, a Agência local da Caixa Econômica do Estado, esteve em entendimentos para a aquisição do magnífico terreno sito na Av. Sampaio Vidal, esquina com a Rua Dr. Armando Sales de Oliveira, onde atualmente ergue-se o “Edifício Raia”. A transacao não chegou a bom têrmo, apesar de aqui terem vindo engenheiros da Secretaria da Fazenda, para estudar a questão, em virtude da indesejável político do momento. Naquele tempo, a Caixa Econômica Estadual não éra autarquia e sim um departamento da Secretaria da Fazenda (Departamento das Caixas Econômicas). As Agências de determinadas classes, possuíam um Conselho Administrativo (local), composto de três membros. Infelizmente, os ocupantes dêsses cargos, éram políticos e leigos deante dos serviços ou da própria vida da Caixa Econômica. Devido a isso, não conseguiu a Agência de Marília ultimar a negociação de compra do terreno citado. Era Presidente do Conselho de Administração local na ocasião, o falecido Sr. Luiz Laraya, que não soube usar da própria autoridade, para que a Agência de Marília comprasse o terreno referido.

Passou-se o tempo e as consequências agora se apresentam: As seis cidades antes citadas, vão ter seus edifícios próprios construídos por éssa importante autarquia estadual, enquanto Marília ficou à margem dêsse acontecimento, que, sem dúvida, viria a representar mais um sinal de progresso em nossa cidade.

Em todo o caso, a questão não é irremediável. A CEESP pelo que percebe-se através do balanço da CEESP dado à publicidade pelo “Diário Oficial”, poderá construir em Marília, mesmo sem dispor de terreno no momento, um edifício próprio, dependendo, apenas, das atenções do Sr. Governador e do Sr. Presidente do Conselho Administrativo déssa modelar autarquia.

O assunto bem que mereceria melhores estudos por parte dessas autoridades principalmente sendo ambas tão amigas de Marília. Focalizando a questão, fazemos aquí um apêlo ao Sr. Governador, para que se interesse por êste pedido de interesse de nossa cidade e de interesse da própria Caixa Econômica Estadual.

Extraído do Correio de Marília de 10 de maio de 1957

sábado, 9 de maio de 2009

A Declaração Municipalista (9 de maio de 1957)

Como caboclos do interior, temos acompanhado com bastante carinho, a luta municipalista desenvolvida por uma centena de bons brasileiros. E o que temos feito e continuaremos a faze-lo, movidos exclusivamente por uma questão de princípios, sem outro qualquer interesse que não a emancipação plena e total das comunas brasileiras.

Embora jamais tivéssemos participado ativamente da luta, temos procurado acompanhar os passos dêsse exército de batalhadores, observando com atenção e simpatia o desfladar dêssa verdadeira bandeira da ressurreição municipal.

Tivemos ciência da “Declaração Municipalista do Rio de Janeiro”, através da imprensa carioca. Gostamos dos princípios fundamentados, com excessão de um tópico, que julgamos em desacordo com a própria luta, porque choca-se frontalmente com uma outra contenda, tambem sagrada, atualmente em curso em nosso país: a luta contra o analfabetismo.

Para sermos francos, estranhamos mesmo que se municipalistas, no item V da “disposição de propungnar”, opinem “pela concessão do direito de voto aos analfabetos”!

O preceito contido nesse item, a nosso ver, deveria objetivar o acirramento da luta pela extinção do analfabetismo e não estimular o mal, concedendo direito de votos àqueles que não despertaram ainda para a alfabetização!

Permitir que o analfabeto vóte, é, de modo direto, favorecer o encruamento de um grande mal, esfriando, conseqüentemente, a campanha em vigência, que objetiva extinguir por completo, a grande porcentagem de analfabetos no Brasil.

Não apreciamos e desaprovamos mesmo, êsse dispositivo, que consideramos errado, dentro dessa grande luta do municipalismo nacional. Entendemo-lo como o ponto negativo de todas as boas lutar contidas néssa “Declaração Municipalista do Rio de Janeiro”. Por mais que refletissemos sobre o caso, não conseguimos encontrar uma justificativa para a sua efetivação, porque, em verdade, representaria uma luta inglória, ao lado de tantas e tantas batalhas dignas de louvores e de admiração.

É o único e grave “senão” que deparamos na mencionada declaração de princípios.

Pensamos ainda, que a concessão de direito de vóto aos analfabetos, especialmente agora, quando em todos os pontos da Pátria luta-se extenuantemente pela extinção do analfabetismo, é alguma coisa mais do que um contrasenso, uma atitude que poderá repercutir fóra de nossas fronteiras, como um exemplo de car(á)ter pejorativo das iniciativas do próprio povo brasileiro. Principalmente entre nós, onde o verdadeiro sentido daquilo que poderia ser chamado “honestidade política”, chega a ser, em muitas ocasiões, verdadeiros átos de desrespeito e descrédito público.

Que nos desculpem os grandes municipalistas, especialmente os marilienses, (mas) não podemos concordar, sensatamente, com o patrocínio déssa idéia, por parte daqueles que são verdadeiros municipalistas, porque pensamos, que, nêsse particular, a luta foi investida.

Extraído do Correio de Marília de 9 de maio de 1957

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Um congresso fracassado (8 de maio de 1957)

Confessamos que não estivemos acompanhando o andamento dos trabalhos desenvolvidos pelos participantes do IV Congresso Brasileiro de Municípios, recentemente realizado na Capital Federal. Não acompanhamos o desenrolar desses trabalhos, pelos seguintes motivos: primeiro, porque nossa cidade fôra explêndidamente representada nesse conclave, pelos vereadores marilienses de maior expressão na luta municipalista, aos quais, como toda a gente de nossa terra, depositamos toda a confiança e certeza de bom desempenho desse mistér; segundo, porque a própria imprensa – falada e escrita do Rio e São Paulo –, foi algo restrita, para não falarmos incompleta, na divulgação dos fatos alusivos à essência dos trabalhos em curso; e, finalmente, porque tínhamos poucas esperanças nos resultados positivos e efetivos dessa assembléia, uma vez que ainda vibravam em nossa memória, os ecos negativos do Congresso de São Lourenço.

No entanto, através de uma entrevista concedida pelo Dr. Fernando Mauro, ante-ontem, ao microfone da Rádio Dirceu, ficamos inteirados de que nosso ponto de vista tinha razão de ser, no que diz respeito ao autêntico fracasso do Congresso, em consequência do dedo político, que se fez sentir nesse conclave.

E não se verificou esse autêntico fracasso, por incompetência ou falta de bôa vontade daqueles interioranos que ali se fizeram presentes. Por exemplo, das 200 teses aprovadas, 90 pertenceram a São Paulo, das quais 11 foram de Marília.

O que estragou tudo, foi a injunção política que se fez sentir, com uma série interminável de conferência, objetivando fins eleitoreiros, com as vistas voltadas para a sucessão presidencial!

Na essencia, foi disvirtuado flagrantemente o objetivo glorioso do certame. O povo do interior, os municípios em geral, que são as células vivas do próprio desenvolvimento e progresso do país, continuarão na mesma, lutando por sí próprios, como até agora tem acontecido.

É realmente de lamentar-se, principalmente conhecendo-se as lutas desse verdadeiro exército de municipalistas, que até aqui têm lutado com todas as forças, para colocar o município na sua real condição, dando-lhe o que por direito lhe é devido.

Porisso, inúmeras vezes, temos nos referido à pobresa da política nacional e a sua podridão inconteste.

Foi uma pena.

A situação desse congresso, para nós, atingiu o clímax da desilusão, porque decepcionou os nossos próprios delegados, que, embuidos do desejo de servir a causa, viram-se tolhidos nessas intenções, porque, nem todos os que compareceram ou participaram dos trabalhos diretivos do IV Congresso Brasileiro de Municípios, foram, na verdade, municipalistas!

Aos nossos representantes, a nossa solidariedade com referência à decepção sofrida, pela qual os mesmos não têm nenhuma culpa.

Aos políticos profissionais, caçadores de votos, que deturparam as finalidades precípuas do movimento, em detrimento do povo interiorano, a nossa repulsa.

Extraído do Correio de Marília de 8 de maio de 1957

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Educação e Civismo (4 de maio de 1957)

Não somos e nem pretendemos tornar-nos reformadores ou conselheiros, especialmente para aqueles que não tomaram em criança, o chá da educação. Acontece que certas ocasiões, temos urgência em registrar fatos verdadeiramente degradantes, como alguns que presenciamos na última terça-feira, quando da ocasião do desfile varzeano pela principal artéria da cidade.

Algumas pessoas, numa demonstração inconteste de falta de educação e de civismo, tiveram procedimentos censuráveis, quando vaiaram, riram e assobiaram para algumas das respresentações esportivas que pela Av. Sampaio Vidal estavam desfilando.

Não deveriam, jamais, ter assim procedido. Aqueles que não gostaram do desfile, deveriam, honestamente, abandonar o local, ao invés de agir dessa maneira. Afinal, os rapazes e as mocas e mesmo as crianças que estavam colaborando com a Liga Municipal de Futebol e desfilando na véspera da realização do torneio início varzeano, são verdadeiros desportistas, amantes das causas do desporto da cidade, e, não, em nenhuma hipótese, artistas de circo (para não dizermos palhaços, conforme alguns malcriados chegaram a confundir tais pessoas.

Foi um espetáculo chocante, que talvez tenha passado despercebido pela maioria da multidão que se postou ao longo da Av. Sampaio Vidal. Foi u’a minoria, graças a Deus. Alguns molecótes mal educados – alguns cafajestes, seria o melhor têrmo.

Riram de muitos que estavam desfilando, confundindo, como seria de esperar-se, os participantes déssa parada. Arrancaram protestos muito naturais, daqueles que têm em realidade educação e civismo.

Foi uma pena, tal acontecimento. Foi uma pena, porque devem ter ficado muitíssimo mal impressionadas, algumas pessoas de fora que porventura se encontravam na principal artéria, presenciando o desfile.

Afinal, os trabalhos dos desportistas que dirigem a Liga Municipal de Futeból, são de maior monta e de maior responsabilidade do que póssam pensar aqueles que são menos avisados. Tambem os que desfilaram, temos a certeza, o fizeram obedecendo os princípios de esportes e de colaboração ao acontecimento de todos os anos.

Criancinhas que se prestaram como “balizas”, serviram de mófa para um pequeno número de maus marilienses, numa demonstração desagradável, por parte de determinados grupinhos de gente malcriada.

Tudo isso é natural, poderão dizer os leitores. Concordamos, que seja natural, para os que não têm educação esportiva e nem educação cívica.

Não iríamos protestar desta maneira, se não tivessemos ficado revoltados com um fato ocorrido a respeito: Algumas bandeiras de clubes foram vaiadas; e ao lado déssas bandeiras, figurava, altaneiramente, o Pavilhão Verde e Amarelo!

Extraído do Correio de Marília de 4 de maio de 1957