terça-feira, 30 de abril de 2013

Candidatos, dois (30 de abril de 1974)



Continuo à cavaleiro da situação para emitir conceitos sobre a necessidade de eleição de um deputado mariliense.

Antes da Câmara, antes da coesão das forças vigentes do município, a referida bandeira já era levantada por esta mesma coluna, que, na ocasião, antes de ser batisada com o nome de “De Antena e Binóculo”, tinha a denominação de “Mensagem do Observatório”. Isto em 1946, após a queda de Getúlio e no início do chamado período de redemocratização do Brasil.

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Acredito daqui ter saído uma parcela, pequena que seja, mas que acabou elegendo Fernando Mauro, Diogo Nomura e Aniz Badra.

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Tenho batido no mesmo prego vezes inúmeras. E continuarei a fazê-lo.

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Abordo hoje, em questão mesma, dois nomes de cidadãos marilienses, com respeito ainda ao “descobrimento” de um elemento que possa vir a representar o candidato único da Arena mariliense.

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Felipe, primeiro.

Teve seu nome focalizado. Encontrou ressonância de certa forma expressiva. Foi ele o “pai da renovação” (parcial) de nossa política interna vigente.

É um cidadão probo, economicamente realizado, o que vale dizer não se prevaleceria de política para locupletação pessoal.

Mas Felipe não partirá desta vez.

Eu conheço mui pessoalmente o gerente do Expresso de Prata. Chego até a saber o que pensa.

O tempo é escasso, no entender de Felipe.

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Para Felipe, essa luta não consulta seus interesses pelo fato de que virá inevitavelmente ocasionar transtornos aos seus afazeres particulares.

É que Felipe, além de gerente do Expresso de Prata, tem estabelecimentos comerciais, participa de empreendimentos outros e continua sendo uma espécie de supervisor e conselheiro com relação à atividades de familiares.

Creio assim que Felipe estará fora de cogitação e conjecturas, embora creia também que o mesmo poderia ser vitorioso nas urnas e ser um bom representante de Marília.

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Agora, outro:

Temos outro candidato que reúne todos os quesitos neessários para ser um bom deputado por Marília.

Além de probo e culto, é mariliense genuíno, de bons princípios, de vida insuspeita, ponderado, batalhador, tendo inclusive a seu favor uma boa folha de serviços prestados a Marília.

É arenista militante e atuante. É político também, mas político de respeito, que tem sabido e demonstrado ser detentor de qualidades políticas elevadas e insuspeitas.

Refiro-me ao vereador Luiz Rossi, atual presidente da Câmara Municipal.

Luiz Rossi poderá vir a ser o azimute solucionador da política arenista mariliense.

Tem gabarito profissional. Idoneidade moral. Capacidade. Ponderação. Senso de ridículo. Noção de grande responsabilidade e de amor à Marília. Moral elevado e isento de qualquer suspeita.

Luiz Rossi poderá, assim, vir constituir-se na fórmula para o encontro da normalidade da família arenista mariliense, aceitando a indicação de seu nome para Deputado Estadual.

Extraído do Correio de Marília de 30 de abril de 1974

sábado, 27 de abril de 2013

O negócio é ir à montanha (27 de abril de 1974)



“Já que a montanha não vem a Maomé, Maomé vai à montanha”.

Tempo, inexorável e místico, passando seguidamente. Segundos, minutos, horas, dias e noites, formando semanas, semanas que se transformam em meses, meses que somam anos.

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Política municipal, em termos de partido situacionista, no marco zero, fria como um “iceberg”, indefinida como uma equação algébrica. Pior, sem perspectivas animadoras, em que pese interesses confessos, de alguns dos muitos arenistas marilienses.

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Há puslianimidade no caso.

Negá-lo é afirmar a existência da faca sem cabo e sem lâmina.

Por certo, muitos estariam dispostos a entrar no páreo, faltando-lhes, provavelmente, convicção de penetração e permanência no seio do colegiado eleitoral.

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Então, vamos à montanha.

Vamos a Brasília buscar o homem que tem condições, possibilidades, competência, gabarito e lastro político-eleitoral suficiente para ser deputado estadual por nossa cidade.

Busquemos o mariliense Aniz Badra.

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Nomura para federal e Badra para estadual, eis aí a “dobradinha” que poderá indiscutivelmente ser vitoriosa.

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Badra, consultado, mostrou-se arredio.

Mas, se novamente convocado, não deixará de atender o apêlo de Marília.

Como jamais deixou de atender as reivindicações da cidade que adotou como sua.

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Badra é um político, em termos de política-arte, não de política politicalha.

Foi deputado federal, “derrubado” por volta de 1935, por ocasião do Governo Getúlio Vargas.

Foi vereador e presidente da Câmara Municipal de Marília.

Foi presidente da Associação Paulista de Municípios.

Foi e continua sendo um líder municipalista e aos seus trabalhos e ideais devem muito as comunas de hoje em dia.

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Foi suplente de deputado federal e foi mais tarde eleito deputado federal, chegando a galgar a terceira secretaria da Câmara dos Deputados.

É cidadão-honorário de vários municípios do Estado e do Brasil, em reconhecimento ao muito que fêz pelas comunas interioranas.

É pessoa de prestígio em todas as hostes políticas e administrativas dos Governos Central e Estadual, sendo representante deste, inclusive, junto ao governo do General Geisel.

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Badra muito fez por Marília.

Sempre foi um cidadão simples. Sobretudo honesto, jamais tirando prooveito próprio de circunstâncias políticas.

Tanto isso é verdade que militando há mais de 40 anos na política, Aniz Badra é um cidadão pobre.

Badra tem sua casa própria em Marília, adquirida que foi através de financiamento do IPESP. Em Brasília, paga aluguel. Não tem fazendas, casas de veraneio, automóvel de último tipo.

Sempre foi mariliense.

Mariliense simples, leal, humano, sincero.

Por que se não vai à montanha?

Extraído do Correio de Marília de 27 de abril de 1974

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Seria uma fórmula válida? (26 de abril de 1974)



Não estou muito “por dentro” das diretrizes, amplitudes e restrições legais e estatutárias das duas facções doutrinárias de vigente política nacional.

Por esta razão, a hipótese que irei aventar fica “à priori" condicionada à legislação, ou mesmo conveniência dos referidos partidos políticos, cingindo-se, em especial, à faixa mariliense.

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Após o chamado período de redemocratização do país, com a queda de Getúlio Vargas e antes da eleição de Gaspar Dutra, foi elaborada a Constituição do Brasil, isto em 1946.

No ano seguinte, era elaborada a Constituição do Estado de São Paulo. Tanto a primeira como a segunda Cartas Magnas, perderam a plenitude, modificadas e substituídas que foram por diplomas legais posteriores.

Na época foi também promulgada a Lei Eleitoral, cujo número, se não me falha a memória, deveria ser 2.250. Elástica, a mencionada Lei permitia o funcionamento de vários partidos políticos e mesmo tendo sido regularmente emendada, vinha vivenciando e só perdendo seu valor, após a Revolução de março de 64, que, disciplinando a matéria, extinguiu o rosário de facções doutrinárias, com a criação e oficialização de duas únicas legendas – situação e oposição.

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Após esta espécie de intróito, chegarei onde pretendo chegar.

Naquela época, mesmo inexistindo aquilo que se chama de coalizão, via-se em vários pontos do Estado e do próprio país, os chamados “apoios políticos”, que resultavam, em muitos municípios e capitais, a coligação de partidos em torno de determinados candidatos.

Assim, por exemplo, um candidato do PTB poderia ter, em determinadas áreas eleitorais, o apôio do PSD, como um candidato da UDN poderia contar, em casos especiais, com a adesão do PRP, PSP, etc.

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Lembrando esse pormenor, ocorreu-me a idéia de que se condensa neste escrito.

Sem saber ao certo, conforme assevero no início, se a circunstância doutrinária atual permite ou não essas fusões, adesões ou apôio de um partido para outro ou de dois partidos em torno de um mesmo candidato, aqui vou consignar a idéia.

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Está o partido situacionista, senão “no mato sem cachorro”, encontrando dificuldades sérias, para identificação e escolha de um nome que venha a ser eleito deputado por Marília.

Enquanto isso, o partido da oposição já definiu-se em favor do nome de Oswaldo Doretto Campanari.

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No pleito passado, advoguei a viabilidade de “comprar-se o passe” de Doretto pela Arena, saindo dali uma “dobradinha” que seria vitoriosa com toda a certeza: Badra-Doretto, respectivamente para a Câmara Federal e Assembléia Legislativa.

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Aqui, então, a indagação:

Haveria possibilidade de a Arena apoiar também Doretto, como candidato único por Marília?

Se isto viável for, já se poderá prever o resultado positivo de “macuco no bornal”.

Se inviável, abordarei amanhã um outro nome.

Até lá.

Extraído do Correio de Marília de 26 de abril de 1974

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Coisas que não dão para entender (25 de abril de 1974)



O jornal “Diário de São Paulo” publicou, há poucos dias, informação de que o gás liquefeito subiu em nosso Estado “apenas 11%”.

Confesso que não sou lá grande coisa em matemática, mas sei que não há muito um bujão de gás custava Cr$ 14,60 e hoje está custando “apenas Cr$ 28,00”.

Por mais que procure esquentar o bestunto, não consigo entender onde é que foi encontrada a cifra percentual.

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Tem muita gente por estas Marílias que receberam um aumentozinho de salários, em janeiro de 1973 e estão aguardando o próximo mês de maio para mais um “achegozinho”.

Tudo vem subindo de preços nestes últimos tempos, havendo gêneros que elevaram-se com mais rapides do que um foguete pirotécnico, mas de vez em quando uma tal de Fundação Getúlio Vargas faz divulgar estatísticas pela imprensa, dizendo que o custo de vida em tal mês subiu no Brasil “somente 1,3%”.

Cada vez convenço-me mais de que sou muito “grosso” em matemática, pois não consigo encontrar essa cifra oficial e nem sou capaz de solucionar essa questão matemática.

Uma coisa eu sei:

Nenhum comerciante ou supermercado vai querer vender-me as suas mercadorias com “apenas 1,3%” que a Fundação referida divulgou.

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Vocês viram só o “pulinho” que deram essas simples e despretenciosas cenourinhas, tuberculo rico em vitaminas e que os pediatras receitam para a alimentação das crianças?

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O ex-Ministro da Fazenda, Toninho Delfim Netto, gostava de dar entrevistas para a imprensa, plenas de otimismo, com relação às finanças nacionais e à vida dos nacionais.

Otimista, afirmava sempre que o custo de vida estaria para ser estacionado e que o índice inflacionário oficial, preconizado pelo ex-presidente Médici, seria válido e respeitado.

Também nunca consegui entender isso.

Mas penso que o ex-Ministro tinha carradas de razões. Sendo rico e com polpudas verbas de representação pessoal, pouco sabia quando lhe cobravam os bons hotéis e restaurantes e sendo solteiro, nunca havia tido a obrigação de tirar dinheiro do bolso, para pagar armazém, farmácia, aluguel, supermercado, nada.

Pronto: está matada a charada.

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Outra coisa que não consegui entender ainda, mas que continuo “fazendo força” para tal:

O dr. Mario Henrique Simonsen, Ministro da Fazenda substituto do economista Toninho Delfin Netto, afirmou, não há muito, que “a época dos preços subirem passou”.

Nesse particular, acredito que os comerciantes são todos analfabetos e nunca leram esta afirmativa.

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Quem guardou as notas fiscais referentes às compras de livros e cadernos do ano passado e confrontá-las com as do ano em curso, por certo será capaz de ter algum problema cardiológico.

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Para não fugir a regra, a gasolina continua sendo o bóde expiatório de todos os aumentos.

Sóbe o preço da gasolina e derivados de petróleo e lá vem correndo, com a língua de fora, o aumento geral de tudo o que a criatura humana precisa para comer e viver.

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Tem muitas coisas mais que não dão para entender…

Extraído do Correio de Marília de 25 de abril de 1974

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Faca sem cabo e sem lâmina (24 de abril de 1974)



Não existe, mesmo, uma faca sem cabo e sem lâmina.

Como igualmente se não póde admitir a existência de um guarda-chuva sem cabo, sem pano e sem varêtas.

Nem um colete com mangas.

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As expressões acima servem para afirmar, em têrmos de ironização, a existência de um fato que por sua própria natureza deveria ser concreto.

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Aproximamo-nos já do final do quarto mês do ano.

Em novembro próximo teremos a realização das eleições para a deputação estadual e federal.

Mas até agora Inês é morta.

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Em se falando sobre a circunstância de coesão de unidade política em Marília não se pode configurar a hernenêutica necessária e reclamada com insistência pelos próprios interesses do município e dos municípes.

Nesse particular, nós, marilienses, sabemos que de fato existe a faca sem cabo e sem lâmina. E o guarda-chuva sem cabo, sem pano e sem vâretas. E o colête sem mangas.

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Meu amigo Sebastião Mônaco, detentor de um caráter de honestidade e de personalidade inatacável como cidadão, não foi até aqui capaz de bem movimentar os cordéis que definem, dirigem e orientam a harmonia das forças políticas arenistas da cidade.

Em que pese seu alto gabarito, sua lhaneza de trato, fina educação e alta competência, Mônaco ainda encontra-se tal qual o domador sobre a séla, sem muita confiança na doma completa da própria montaria.

Prova isso as quizilhas política-doutrinárias de que todos conhecem de sobejo.

Parece existir um certo desalento ou quiçá até interesse pálido nas hostes internas do próprio partido situacionista, fazendo perdurar, até o momente presente a situação do chove-mas-não-molha.

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Por outro lado, parece vingar, à par de um vaidosismo indisfarçado de alguns, uma espécie de não aderência ao presidente arenista, vez que, apesar de sua diplomacia e maneiras, Mônaco não foi capaz de fazer-se cercado por uma unidade de total das próprias forças políticas do partido que preside.

Não se póde afirmar a existência de unilaterarismo no diretório local da Arena, pois isso seria de arrepiar a verdade dos fatos.

Está faltando melhor coesão, melhor uniformidade de compreensão, em termos de armonização completa e total. Embora alguns políticos a isso se propornham negar.

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Urge a localização do denominador  comum, o encontro de uma fórmula suassória com todos os arenistas falando a mesma língua.

Para o próprio bem do partido. Para que sejam devidamente consultados os interesses da cidade. Para que venha a ser conjurada a situação vexatória da antiga orfandade de Marília junto ao Palácio 9 de Julho.

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Há, no caso, uma grande dose de responsabilidade que no final acabará sendo repartida, em proporções equênimes, entre os próprios delegados arenistas.

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É chegada a hora dessa união partidária, porque a sua efetivação atende, antes dos próprios políticos, os legítimos interesses marilienses.

Só após isso as forças políticas poderão localizar, identificar, apontar e solicitar aos bons marilienses, que estes venham igualmente a formar correlatamente com eles, elegendo o futuro deputado estadual mariliense.

Extraído do Correio de Marília de 24 de abril de 1974

terça-feira, 23 de abril de 2013

Problemas Mirins (23 de abril de 1974)



O homem, quer pelo seu raciocínio natural ou pelo bom senso ou quer pelas experiências decorrentes das necessidades do mundo hodierno, que nada a repetição continua dos atos de nossos avós, preocupa-se sempre com os seus problemas – os grandes problemas.

Quase seguidamente relega à plano de somenos importância os problemas pequenos, os problemas mirins.

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No entanto, a existência humana é de igual módo ocupada tanto pelos grandes problemas, como pelos problemas mirins, embora estes, aparentemente, não sejam dignos de uma grande preocupação. Muitas pessoas são de opinião de que as preocupações encurtam a vida e só se aborrecem quando assuntos de grande responsabilidade prende-lhes as atenções. É um erro tal proceder.

Esses pequenos problemas são pequenas coisas que giram em torno do homem, assim como os satélites em volta do sol. E nem sempre o homem procura aperceber-se de tal.

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Pequenas coisinhas, originárias das próprias atividades cotidianas, vão formando aquele conjunto étnico do gosto doce ou amargo de uma existência. Como um bazar de quinquilharias, as miudezas de desventuras, fracassos, felicidades, amores, desgostos, etc., vão se acumulando, fazendo crescer o estoque, que, devidamente contrabalançando, vem apresentar, não os problemas mirins, mas sim os grandes problemas de cada indivíduo de nossos dias.

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Então, urge a necessidade sensata, de transformar-se os problemas mirins em êxito. Mas isso não é lá muito fácil. É realmente difícil contornar-los;  a não ser que exista uma dose de fé e otimismo, de força de vontade, e, às vezes, até de resignação, esses problemas mirins irão aumentar o armazenamento das quinquilharias já acondicionadas.

Para a solvição imediata para evitar-se que venham, logo mais, a tornarem-se adultos, a constituirem-se em grandes problemas, é mister solvê-los logo. Então é o caso de contradizer o mode de pensar de muitos, quando afirmam que “as preocupações encurtam a vida”.

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Isso, no entanto, só será possível com o esforço e a boa vontade, da sensatês e de átos comedidos. Senão, nada feito.

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Então, os homens que se preocuparem com esses pequenos problemas, esses problemas mirins, se tiverem forças suficiente para contorná-los, para resolvê-los sábia e eficientemente, por certo desfrutarão de uma existência melhor, e, a despeito do paradoxo das necessárias preocupações que tais problemas lhe advirão, viverão mais sossegados e mais felizes.

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PS – Este artigo foi publicado nesta mesma secção, neste mesmo jornal no dia 8 de abril de 1954, tiragem número 6.854, numa quinta-feira.

Tem vinte anos, portanto, esta publicação.

Sua reprodução calha-se com as atitudes de algumas pessoas locais e daí a razão de sua lembrança.

Extraído do Correio de Marília de 23 de abril de 1974

sábado, 20 de abril de 2013

Três fatos de uma guerra (20 de abril de 1974)



Aconteceu:

Não há muito, deram conta os jornais do caso de um sargento do Exécito Japonês, que se encontrava perdido nas selvas, desde 1944, sem saber que a II Grande Guerra Mundial havia terminado em 1945.

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Não que seja inveridica a notícia e nem falso o militar nipônico, mas, para mim, o informe tem algo de esquisitice.

O que me faz estranhar é que um combatente não tenha “faro” suficiente para perceber, desconfiar ou assimilar, mesmo à distância, o término de uma sangrenta beligerância, com bombardeios seguidos, aviões militares cruzando os céus e os efeitos dos combates, que se irradiam numa área de muitos quilômetros. Sem guerra, todo o ambiente é uma coisa. Com guerra, tudo muda.

Não consigo entender muito bem isso ai.

Eu participei dessa guerra e se fôra minha a desdita, por certo, nesse tempo todo eu teria atinado de que a guerra teria findado.

Bem, isso não interessa.

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Tem outro mais recente ainda:

Fronsinone é um lugarejo da Itália. A “signora” Luisa Giamondi, tida como viúva há trinta anos, estava reunida à mesa com os três filhos, domingo passado, saboreando uma deliciosa “pasta seiuta” (macarronada), comemorando a passagem da Páscoa.

Os filhos de dona Luisa, todos adultos, não tinham a mínima recordação do pai, o “signore” Domênico Gismondi, pois esta partira para a guerra em 1944.

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A alegria era geral e os quatro atacavam felizes a macarronada e iam aos poucos esvaziando a “botiglia” de vinho tinto que estava sobre a mesa.

Repentinamente a mulher deu um grito de susto e caiu pálida, sendo acudida pelos três filhos e por um homem que havia ali entrado inesperadamente.

Passado o susto, as coisas aclararam-se.

O homem que havia assustado a “signora” Luisa, nada mais era do que o próprio marido, Domênico Gismondi, do qual a mulher não tinha mais notícias há 30 anos e considerava morto em combate.

Domênico explicou, então, o que se havia passado: caira prisioneiro na Albania e somente agora havia conseguido deixar aquele país, com visto de turista, para visitar a Itália.

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Para felicidade de Domênico, a mulher não havia casado e levou até aqui sua vida conformada de uma “viúva” honesta.

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Certa feita, durante a II Grande Guerra, após o primeiro ataque da FEB a Monte Castelo, em fins de 1944, consegui um dia de folga. Encontrava-me na cidade de Porretta Therme e dirigi-me à Pistoia, com mais alguns companheiros: Cabos Simões e Raposo e soldados Silveira e Bruno.

Os combatentes eram proibidos de comer em locais destinados à população civil e porisso todos nós passamos o dia bebendo e perambulando pelas ruas, desfrutando um ambiente gostoso e diferente do “modus operandi” dos combates.

Nessa “peregrinação” por bares de Pistoia travei conhecimento com um cabo do Exército Americano e esse encontro amistoso foi muito bem “bebemorado”. Palestramos muito e trocamos fotografias e endereços.

Eu perdi o endereço e a foto do “yankee”.

Dia destes fui surpreendido com a chegada de uma carta procedente dos Estados Unidos.

Era do cabo John Houtte, que escrevia-me, mostrando grande receio e ansiedade (os americanos não falam ansiedade e sim “excitação”) em saber se eu estava ou não vivo. Contava-me haver casado ao término da guerra, e informava-me que, com 52 anos, já é bisavô, sendo proprietário de uma “fazendinha”.

Não há dúvida de que o John progrediu mais do que eu nesses dois aspectos. Eu não tenho “fazendinha” e ainda não consegui ser bisavô.

Extraído do Correio de Marília de 20 de abril de 1974

sexta-feira, 19 de abril de 2013

É hora de colaborar (19 de abril de 1974)



Existe um refrão bastante antigo, de expressão aparentemente sem muita importância, mas que enfeixa uma filosofia e uma verdade muito profundas.

É aquele que diz: “Muito ajuda quem não atrapalha”.

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Há muita gente inconformada com a presença do Sr. Pedro Sola, na chefia do Executivo mariliense.

Gente egocentrista.

O prefeito foi eleito pela preferência popular em maioria, traduzida através da lisura de um pleito livre.

Dai, a necessidade de que a minoria incorformada sinta o necessário “estalo” da cuca para perceber que a vontade da maioria deve ser respeitada e reconhecer, paralelamente, de que tanto os que votaram como os que não votaram no atual alcaide devem, senão prestigía-lo, pelo menos não atrapalhar.

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Os que se colocam em trincheira escusa, contra o prefeito, enganam a si próprios, porque, em verdade, estão contra Marília, contra os interesses do próprio progresso mariliense.

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O prefeito e a Câmara precisam de colaboração dos marilienses e não de trabalhos de sapa, de disque-disque, de malediscências, de torpedeamentos, de diminuições de valores e de desprestígio e descrédito a seus dirigentes lídimos e legais.

Mas há uma corrente inconformada, caturra, que vive dando provas sem conta de um egocentrismo lastimável – mais do que isso, de desamor as coisas de Marília.

Gente que “torce”, mas torce mesmo, para que toda a sorte de insucessos venha a depositar-se sobre as ações do prefeito mariliense.

Essa gente não está torcendo contra o prefeito. Está torcendo contra Marília.

Se me dispuzesse a citar os nomes que pessoalmente conheço, ações que já assisti, pelas suas manifestações diatônicas, por certo iria ocupar um grande espaço deste jornal.

Mas sei quem são.

Sei o que fazem. Sei também que os que mais ferrenhamente combatem a atual administração, nada fizeram, até aqui, pelo progresso de Marília ou mesmo para ajudar alguém que não tenha sido eles próprios.

E poderei, inclusive, provar o que escrevo.

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Quando da inauguração da Usina de Asfalto da Codemar, fiquei chocado com o comportamento de dois marilienses. Dois marilienses que foram convidados pelo prefeito para assistir o ato dessa inauguração. Dois línguas ferinas, que pelas suas vontades nada deveria dar certo. Por um ceticismo doentio, deixavam transparecer muita mesquinhes de espírito e muita maldade nos próprios corações, muito desamor por Marília, traduzidos em antipatia, ogeriza e disfarçada colera contra a pessoa física do prefeito.

Lendo este artigo, os dois maus marilienses, mas inimigos figadais do prefeito, saberão de que outros também sabem e conhecem seus intentos e seus “ideais”.

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E hora de colaborar. E hora de ajudar, não de atrapalhar, não de criticar. Especialmente por parte daqueles que nada fizeram em favor da cidade.

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Quando da campanha do Engenheiro Armando Biava foi formado um conjunto de homens de bem, igualmente bem-intencionados, todos capazes, todos íntegros, que se convencionou chamar de “Grupo dos Trinta”.

Depois surgiu outro grupo. E está vivinho, atrapalhando, criticando, desejando mal e até “rogando pragas”.

Esse grupo eu já encontrei a denominação adequada: “grupo das tetas”. Bem… isso já é outro assunto…

Extraído do Correio de Marília de 19 de abril de 1974

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Do profissional e da profissão (18 de abril de 1974)


O jornalista é um termômetro, que, por natureza e fé própria do ofício, mede a intensidade da opinião pública.

Ele chega a perceber, melhor do que muitos outros, detalhes aparentemente insignificantes mas de efeitos muitas vezes completamente diversos daquilo que podem parecer.

Não que seja por isso, excepcional ou diferente. Apenas que, por decorrência da própria profissão, consegue com o decorrer do tempo de atividades, ganhar essa condição de perspicácia observativa.

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É uma coisa natural, plausível, perfeitamente justificável e aceitável. Ocorre com as demais profissões, também.

O motorista profissional, por exemplo, depois de muitos anos de lutas, sempre deparando-se com momentos e circunstâncias imprevistas, acaba demonstrando a conquista de uma presença de espírito e de reflexos práticos e rápidos, muitas vezes considerados incríveis, mas que demonstram os frutos e os resultados da praticabilidade operacional duradoura e constante, no exercício da profissão.

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O médico, qualquer que seja a sua especialidade profissional, clínica ou cirúrgica, vai ganhando com o decorrer de suas atividades da profissão, mais e maior competência médica, como fruto e decorrência das atividades efetivas, que reforçam e consolidam os conhecimentos teóricos dos bancos escolares e as experiências estudantis exercidas nos laboratórios e nas salas de cirúrgia.

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Daí, a razão, muitas vezes nem sempre bem compreendida, do jornalistas “enxergar” fatos e coisas que outros, leigaços no confronto com uma atividade especial ou específica, não conseguem “ver”.

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Daí, também, a motivação do velho e tarimbado motorista profissional, que mesmo estando fóra do serviço, aparentemente alheiado às suas atividades profissionais, observar de pronto e até sem o desejar, uma simples “barbeiragem” cometida por um outro motorista qualquer, que muitos outros, mesmo próximo, não conseguem perceber.

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Ou do médico, que, mesmo em folga, que distanciado até de seu consultório, hospital ou ambulatório, “ver” de imediato, num transeunte ou num estranhom, sem a realização de qualquer exame clínico, que o sujeito tem sintomas de hepatite ou de sub-nutrição, ou chega a ser aparentemente portador de uma lesão sifilitica.

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Representa isso, além da competência profissional, o pôder observatório especializado, uma força natural e perfeitamente humana. Esse força arraiga-se nas criaturas, tomando formas maiores com o decorrer do próprio tempo.

Não há, portanto, nada de diferente ou de excepcional no exercício de qualquer profissão definida e exercida.

Em contrário, se esse fenômeno não for sentido e nem verificado, um profissional, qualquer que seja a sua especialidade, técnico, letrado ou não, aí então estará residindo a incompetência, ou o desisteresse, mas mais consubstancialmente a incompetência.

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P.S. – Este escrito encarna uma espécie de prefácio, para melhor arrazoar e justificar, o artigo que escreverei e publicarei na edição de amanhã (19.4.1974).

Extraído do Correio de Marília de 18 de abril de 1974

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A vez das ferrovias (17 de abril de 1974)



O sistema ferroviário do Brasil, passada a sua fase áurea, acontecida há mais de meio século passado, sofreu uma queda perpendicular, de uns trinta anos até esta época.

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Até por volta de 1930, o transporte ferroviário era praticamente o único e o mais eficiente meio que se dispunha.

Para cargas, para encomendas e para passageiros, o volume máximo da preferência das gentes pendia para o sistema ferroviário.

A rigor, constituia-se praticamente no único processo prático e eficiente, embora, de modo geral, apresentasse quase sem solução a insegurança de espaço-tempo e a impontualidade de horários acentuada e expressiva.

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Com o advento das rodovias asfaltadas, cortando o país todo e especialmente os Estados do Sul, enriquecido pela importação e pelo fabrico de caminhões nacionais, favorecido ainda com os sistemas de financiamentos para aquisição de veículos de transporte, as ferrovias passaram a sentir uma boa dose de inferença em suas preferências de até então.

O prestígio, o uso e a utitização das ferrovias decresceu com o passar dos anos.

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Se estatisticas tivessem sido feitas, demonstrando em cifras o índice desse decréscimo de preferências, veríamos um coeficiente assustador, acontecido depois de fins de 1945.

Passaram-se os tempos, carreados de fenômenos imprevisíveis e de circunstâncias multiformes.

Movimentos grevistas, de descaso, de melhor atendimento público, vieram contribuir também para maior descrédito do sistema ferroviário nacional.

Lutas por encampações, política confusionista, agitações entre a classe ferroviária, reclamações por parte do próprio público, quizilias e questões trabalhistas, quiçá até sórdidas sabotagens por parte de estranhos, foram aumentando esse descrédito, proporcionando volumosos déficits, redundando num desprestígio quase coletivo.

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Mas, como formaram-se imprevistos fenômenos de circunstâncias multiformes, estes fatores adicionais à providências administrativas e urgentemente necessárias, resultaram numa reversão de fatores e valores, iniciando-se a recolocação das ferrovias, no mesmo anterior conceito público.

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Essa recondução à sistemática preferencial anterior, ensejou-se com a remodelação de frotas de combios e máquinas, com a modernização de equipamentos, com o nivelamento de técnicas utilizadas pelos países bastante adiantados em transporte e comunicações.

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Chegou, portanto, a vez das ferrovias.

A crise mundial do petróleo, com a agravante de aumento da própria insuficiência, em decorrência da demanda incontrolável da própria consumação, está fazendo com que as vistas voltem a concentrar-se no sistema ferroviário, como elemento útil de valor, para acompanhar e satisfazer as necessidades do transporte geral.

Por outro lado, o avanço da ciência eletrônica e as reservas do potencial energético nacional, irão proporcionar ensejos e meios para que, em futuro bem próximo, o sistema ferroviário do país passe a ocupar seu verdadeiro lugar, ocupando e recuperando sua simpatia e confiança no passado.

É a vez das ferrovias.

Extraído do Correio de Marília de 17 de abril de 1974

terça-feira, 16 de abril de 2013

Outro velho companheiro (16 de abril de 1974)



Em um escrito anterior, “A lembrança de um homem” (veiculado em 10 de abril de 1974), focalizei a pessoa de um velho companheiro já falecido: o sr. Raul Roque Araujo, co-fundador e ex-diretor-proprietário deste jornal.

Hoje vou focalizar a personalidade de um outro velho companheiro, bem vivo e gozando excelente saúde.

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Quando comecei a trabalhar no “Correio”, em 1.946, travei conhecimento com um tipógrafo jovem, magro, muito atencioso, muito educado e profissionalmente muito competente.

Ele havia ingressado no jornal alguns anos antes, o que vale dizer, está já contando mais ou menos 32 anos “de casa”.

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Um empregado que permanece no mesmo serviço, durante mais de 30 anos consecutivos, sem falhas, sem sofrer penas disciplinares, sem necessitar de que os chefes o observem ou o admoestem, ou o chamem a atenção – não resta dúvida – é um funcionário excelente e exemplar.

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Ele é amigo de todos aqui no jornal. Não é homem de disque-disque. Não se mete com a vida de nenhum colega. Sabe respeitar e considerar todos os companheiros de trabalho, desde o gerente, os funcionários de redação, até os simples e humildes jornaleiros.

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Entende de artes gráficas e é zeloso e interessado em suas obrigações, sempre preocupado em fazer o melhor, da mais eficiente maneira. Sabe compor matérias tipográficas, sabe fazer fôrmas de anúncios, sabe imprimir jornal, conhece e entende tudo o que se refira à uma tipografia. Ainda “quebra o galho”, quando necessário, como revisor e até como linotipista.

É tão humilde que vive e transpira nosso jornal.

Tão simples, que havendo necessidade, ele não tem o mínimo acanhamento de apanhar uma vassoura e varrer as oficinas.

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Trata-se, evidentemente, de um companheiro muito leal e muito bacana.

Além do mais, popularíssimo em toda Marília.

E dezenas de cidades outras, também.

Ele é uma força de comunicação.

Esse velho companheiro, é o Sr. Waldemar Moreira, o inconfundível Nhô Constâncio.

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Dublê de gráfico e radialista, Nhô Constâncio atua na Rádio Verinha e tem uma legiãoo de ouvintes das mais expressivas da cidade. É o Nhô Constâncio um elo de ligação, entre a cidade e os habitantes da zona rural, especialmente nossos humildes, sinceros e laboriosos lavradores.

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Até as autoridades sabem disso:

Não existe mais fácil e mais efetivo meio de comunicação entre a população rural e a cidade do que Nhô Constâncio.

Isso já foi muitas vezes provado e comprovado.

Quando se precisa esclarecer a população rural, sobre a necessidade de presença no Mobral; da conveniência da vacinação das crianças; do dever eleitoral; da obrigação informativa aos censos demográficos – meio mais efetivo para essa comunicação é o Nhô Constâncio.

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Nossos sertanejos têm verdadeiro respeito e adoração por esse velho companheiro.

Entre nossos caboclos da roça, o que o Nhô Constâncio disser é o que mesmo que uma Lei.

Nhô Constâncio continua sendo a fôrça radiofônica mais ouvida do município. Seu poder de comunicação é simplesmente extraordinário e fóra de série, um dos maiores IBOPE da Alta Paulista.

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Seu linguajar acaboclado nada tem de imitativo ou de forçado. É naturalíssimo, próprio da cidade e região em que nasceu. Próprio dos bons brasileiros, pois Nhô Constâncio é natural de Bragança Paulista, embora tenha nascido no Dia de Marília, 4 de abril.

Extraído do Correio de Marília de 16 de abril de 1974

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A lembrança de um homem (10 de abril de 1974)



Decorria o ano de 1944.

Encontrava-me na Itália. Era eu um dos 25.000 soldados de nosso Exército, que integrava a gloriosa Força Expedicionária Brasileira, na luta armada e sem tréguas da II Grande Guerra Mundial.

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Haviam-me esvaido, quase que completamente, as esperanças de sobrevivência. O bombardeio ensurdecedor, nos momentos alucinantes dos combates, frangalhava os nervos, conturbava as mentes. O medo teimava muitas vezes em antepor-se à razão e até ao próprio instinto de conservação, condição nata das criaturas humanas. Obuses e estilhaços faziam vítimas, seccionando membros, dilacerando corpos. O espectro da morte abria um manto, tentando sempre aumentar o seu reino.

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Foi após um desses duros combates que recebi uma carta. De Marília. Portadora de esperança, de conforto, de notícias familiares. Conduzia também um pedido: que eu escrevesse, sempre que possível fôra, algumas crônicas ou matérias de observação, sobre a guerra, sobre os pracinhas brasileiros. A solicitação, dizia-me o missivistam, meu querido mano Alcindo (Braos Padilha), partira do diretor do jornal “Correio de Marília”, senhor Raul Roque Araujo.

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Manuscritas, em pedaços de papel inadequedo, rabisquei alguns trabalhos jornalísticos, que foram posteriormente publicados por este jornal.

Findou-se a guerra. Com as mercês de Deus, com a saúde abalada, trazendo comigo a herança maldita da psicose de guerra, vim ter a Marília.

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João Neves Camargo era o prefeito. Venâncio de Souza, presidente da Sociedade Amigos de Marília. Basileu de Assis Moraes, presidente da Comissão de Recepção aos pracinhas marilienses.

E Marília recebeu, condignamente, seus heróis de guerra. Como também o Brasil todo. Embora hoje eles não passem de cidadãos simples, valentes defensores da Liberdade e Democracia, aos quais a Pátria, ao envés de ser Mãe, tornou-se madrasta.

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Findas as homenagens que o povo de Marília tributou aos seus pracinhas, fiz em nossa cidade minha primeira visita: ao sr. Raul Roque Araujo, diretor do CORREIO DE MARÍLIA.

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Foi um colóquio gostoso, foi o nascimento de uma amizade e de uma simpatia recíproca. Foi o recontacto com a redação de um jornal e o cheiro acre das tintas tipográficas. Quando me despedi, saí convencido de que havia encontrado um amigo.

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Algum tempo depois, o grande e saudoso jornalista Luiz Franceschini deixava o jornal para transferir-se para São Paulo. Henrique Baptista Júnior substituira Franceschini, mas por pouco tempo.

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Já era o ano de 1946.

Eu havia ingressado como funcionário do Banco Mercantil de São Paulo S.A., quando Raul Roque Araujo mandou chamar-me:

- Quero que você saia do Banco para assumir a secretaria de redação do jornal – foi o que falou.

Sai do Banco. Entrei no “Correio de Marília”.

Aqui estou.

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Hoje, 10 de abril, fazem 10 anos que o sr. Raul Roque Araujo faleceu.

Foi a razão dessa lembrança.

A lembrança de um homem.

Extraído do Correio de Marília de 10 de abril de 1974

terça-feira, 9 de abril de 2013

Vamos partir para o candidato? (09 de abril de 1974)



Festividades do transcurso do município, findaram-se. Programação iniciada no último dia 31 de março, teve seu encerramento na noite de domingo último, quando do fecho da Exposição Nacional de Orquídeas.

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A Comissão incumbida da programação oficial das festividades, teve bons intentos, apresentand também algumas falhas, o que é, de certa forma perdoável e comum nas grandes empreitadas.

As falhas verificadas, por certo, devem ter sido convenientemente anotadas, para que se não dizem no próximo ano.

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Findos os festejos, portanto, voltemos ao trabalho construtor, o labor que continua a engrandecer e enriquecer Marília.

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Como parte desse labor, devem voltar-se as vistas para um setor aparentemente sem muita importância, mas, na realidade, exigível e urgente para a própria cidade.

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Diz respeito ao restabelecimento das demarches políticas, com vistas à sucessão da deputação estadual, que acontecerá em novembro próximo (de 1974).

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A desistência do vereador Nasib Cury, em concorrer ao referido cargo, veio traduzir-se num clareamento do horizonte político da cidade. Por outro lado, enseja a faculdade da mais absoluta independência aos líderes arenistas locais, para uma escolha livre e acertada, na designação de um outro nome, nome que de preferência venha a ser candidato único de Marília.

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Todavia, pensam alguns e concordam parcialmente muitos observadores, inclusive o colunista, que existe ainda, senão um impecilho, pelo menos uma motivação, que, sob certo aspecto e total liberdade da decisão intestina da própria Arena.

Esse pormenor reside na manutenção do nome do bacharel Hélio Bambini, que em pretérito fôra indicado como candidato preferencial do próprio prefeito.

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Entende-se que a liberdade completa e ilimitada da Arena, ficaria mais consolidada, se o dr. Hélio Bambini, a exemplo de Nasib, retirasse também seu nome como candidato.

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Que se não precipitem julgamentos ou juízes: o mariliense Hélio Bambini reune todos os quesitos necessários. O que resta saber, é se a maioria do eleitorado estaria conforme. Assim, havendo a possibilidade do próprio dr. Bambini sair da luta que ainda não teve início, o diretório da Arena ficará mais livre do que uma andorinha e poderá, então, decidir com mais acerto e melhor senso prático.

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O que não se pode admitir, considada essa viabilidade, especialmente agora com a desistência do sr. Nasib Cury, é a continuidade dessa duradora delonga e desse protelamento, que vai agora deixando de ter sua razão de ser.

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Que se pense nisso.

Que se pense em Marília.

Extraído do Correio de Marília de 09 de abril de 1974

domingo, 7 de abril de 2013

JOSÉ ARNALDO: 91 ANOS

Se vivo estivesse, o Jornalista José Arnaldo estaria completando nesta data 91 anos. Ele nasceu no dia 7 de abril de 1922, em Avaí, município próximo a Bauru (SP), mas adotou Marília como sua cidade. E viveu na Cidade Símbolo de Amor e Liberdade até o dia 15 de agosto de 1999. Viveu intensamente. Amou Marília como poucos. Defendeu a Pátria na Segunda Guerra Mundial, combatendo como Pracinha e integrante da FEB (Força Expedicionária Brasileira) na Itália.

sábado, 6 de abril de 2013

Roubos e trânsito (06 de abril de 1974)



Crônica policial, ultimamente, muito fértil em dois tipos de notícias: roubos e trânsito.

Pequenos roubos acontecem na cidade, diária e diuturnamente. Mas o número não é real. Fica aquém das cifras positivas.

Fica porque muitas vítimas preferem amargar com ira interior e arcar com os prejuízos sofridos do que apresentar queixas à polícia.

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Acidentes, também, multiformes de pequenas ou grandes proporções. Com ferimentos, fraturas, escoriações e prejuízos materiais.

Fora as pequenas colisões, que os protagonistas acertam entre si, sem interferência ou providências da polícia.

Fora, ainda, as pancadas que muitos veículos sofrem, mesmo estacionados e que os seus proprietários não ficam sabendo como sucederam e nem quem foram os autores.

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Trânsito em Marília, aumentando diariamente, vem sendo agravado por uma boa dose de imprudência. Especialmente às noites de sábados e domingos, quando muitos motoristas transformam as vias públicas em pistas de corridas.

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A Avenida Santo Antônio, por exemplo, é um perigo, ali naquela baixada que termina na Rua Araraquara. Fittipaldis ali são muitos. De carros e de motocas. Dá até medo.

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Avenida Rio Branco, em quase toda a sua extensão e especialmente ali nas proximidades do Tênis Clube, chega a causar calafrios aos motoristas prudentes.

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A “esquina dos milagres” desenhou a apresentação de uma melhoria, depois do serviço especializado ter escrito o “pare” garrafal na Vicente Ferreira, ao chegar à Rua 9 de Julho. Mas foi somente uma tênue esperança. Aquilo já “avacalhou” outra vez e de cada 20 carros que por aquele trecho circulam, em direção Santa Casa-Yara, 17 ou 18 deles, cruzam a movimentada 9 de Julho, “de rabo erguido”. Os que sobem ou descem a mencionada artéria, que se cuidem.

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Nada custa ligar a seta de sinalização, quando se converge para a direita ou esquerda, mas poucos fazem isso.

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É proibido a formação de filas duplas em vias de dois sentidos de direção, mas existem folgados que param no meio da rua, para “bater papo” com outros amigos que se encontram no volante de outros veículos.

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Tem até um carro fúnebre que o motorista liga a seta direcional e “esquece”, confundindo todo mundo.

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Por vezes, um cidadão está dirigindo na cidade, sem correr, porque o limite máximo legal não permite que se ultrapasse a velocidade de 30 quilômetros no centro do perímetro urbano, quando este cidadão é alertado por veículo que vem atrás, com um businar insistente.

Quase sempre, quem está “pedindo” passagem, ou é motorista de táxi, ou é uma “chaufese”.

Como as mulheres gostam de businar carros. Papagaio!

Extraído do Correio de Marília de 06 de abril de 1974

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Diabo não é tão feio como se pinta (05 de abril de 1974)



Reconheço que o epígrafe da croniqueta de hoje é “meio besta”. Reconheço mais, que o leitor, provavelmente, possa ter ficado algo encabulado com o mesmo.

Mas apropria-se e tem encaixe por aqui.

Sua expressão afirmativa, óbvio é, tem um sentido figurado.

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Não sei se o tal de diabo tem chifres, pés com bi-casco, cavalhaque, rabo, orelhas ponteagudas para o alto e fede a enxofre.

E nem quero saber.

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Meu assunto, aqui, é outro.

Meu assunto é Marília. Melhor grifando, a atual política mariliense. Frisando ainda, nossos dois Poderes Municipais: Prefeitura e Câmara.

Quando se fala em Prefeitura, subentende-se o senhor Prefeito. Quando se menciona Câmara, subentende-se os senhores Vereadores.

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Toda Marília tem conhecimento das turras caracterizadas e generalizadas, que se tornaram públicas, envolvendo Prefeitura e Câmara. Gastos intempestivos vieram à baila, inclusive com citações nominais.

Os efeitos, como não poderiam deixar de ser, dividindo opiniões, formaram dois lastros, reforçando um lado e enfraquecendo outro e vice-versa.

Os resultados, outros não poderiam ter sido gerados, senão envolucrar de negativismo a própria engrenagem do progresso e da continuidade normal do trabalho mariliense, agravados, ainda, com repercussões de mais de uma interpretações, fora das fronteiras do município.

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Se tivesse prosseguimento o referido proceder, de bi-lateral aspecto, com a mesma intensidade que se projetou há pouco tempo, só o lamentar deveria ser o medicamento dos marilienses, especialmente dos marilienses autênticos, que de fato gostam, amam e pulsam por esta cidade.

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Mas, segundo se pode perceber, a clarinada da razão e do bom senso, conseguiu, pelo menos aparentemente, fazer éco nos consensos das duas alas desses mesmos citados Poderes.

Esboça-se uma reunião secreta para ter lugar na Câmara Municipal, na qual deverá ser estabelecido um diálogo em termos francos, respeitosos e elevados, entre o Prefeito e os senhores vereadores.

Isso já é um bom sinal.

Um sinal de que o diabo não é tão feio quant o pintam.

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Que se realize, pois, essa reunião.

Sem retaliamentos pessoais, tendo como azimute, unicamente o bem e o porvir de Marília.

Da parte de quem provado ficar existir erro, que venha a existir a suficiente ombridade de seu reconhecimento.

O reconhecer a impulsividade de erro ou atitude impensada, em nada diminui o homem. Antes, pelo contrário, eleva-o e dignifica-o.

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Que se pense, antes e acima de tudo, em Marília.

O egoismo pessoal deve ser alijado desse conclave. A harmonização da linguagem dos dois Poderes é um imperativo do próprio interesse da cidade e de toda a família mariliense.

A sequência da desarmonia política entre os dois Poderes continuará provando caturrices individuais e constituindo-se em razões fortes (e condenáveis), de frutois e efeitos contrários aos próprios interesses da cidade.

É bom que nisso se pense.

É bom que mais se pense em Marília e no seu laborioso povo. Porque, se não vingar em resultados esperados essa reunião, inevitavelmente serão adicionadas mais achas de lenha na fogueira dos desentendimentos e disso só advirão porvindouros e desastrosos resultados para a própria cidade.

Por outro lado, prevalecendo o bom senso, os bons intentos e a prova irreversível de amor para com as coisas e as causas da cidade, todos nós estaremos lucrando, porque os benefícios diretos e indestrutíveis, serão de Marília.

E isso é tudo o que pretendem os bons marilienses.

Câmara e Prefeitura estão, portanto, na obrigação de provar que o diabo não é tão feio quanto é pintado.

Extraído do Correio de Marília de 05 de abril de 1974

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Bom dia, balzaqueana adorável (04 de abril de 1974)



Bom dia, Marília.

Bom dia, minha balzaqueana adorável.

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Todos nós, todos, sem exceção, estamos muito felizes. É que hoje é o dia de teu aniversário, Marília.

Quarenta e cinco anos de vida municipal. Quase meio século de trabalho diuturno, honrado, exemplar, conduzindo qual célula viva, a chama acesa do próprio progresso deste colosso que é nosso Estado.

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Sabe, Marília, nosso Estado orgulha-se muito de você. Também nossas irmãs, as cidades da Alta Paulista.

É que você é bacana mesmo.

Muito bacana.

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E os seus exemplos, Marília?

Grandes exemplos.

Você é um sonho permanente, um milagre realizado.

Recorda-se do passado?

Recorda?

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Eram matas virgens, que a natureza havia plantado num solo exuberante e fértil. Terra boa, com aquele cheiro acre de sua qualidade, que mesclava-se com o odor das florestas. Onde os animais selvagens tinham seu “habitat” e os índios caingangs eram os donos da região.

O céu era muito bonito. Tão bonito como ainda é hoje, só que naquela época era completamente virgem, sem nenhuma poluição. Os pássaros formavam orquestras agradáveis e barulhentas.

Era assim, Marília.

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Um dia começou a chegar a civilização.

Foram abertos clarões no grande tapete verde. Começaram a surgir os primeiros ranchos de madeira. Lançaram-se no ventre da terra as primeiras sementes.

Num rápido lapso de tempo, principiou-se a delinear o arraial, depois o prenúncio de uma cidade.

Lembra-se, Marília?

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E o crescimento?

Como foi rápido, Marília!

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Escolas, hospitais, guias de sarjetas, calçamento, estabelecimentos comerciais, as exigências mínimas do progresso. Progresso que não parou. Que continua, sempre.

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Esse teu progresso foi citado pelo maior jornal do mundo, o “Time”, de Londres. Quando você só tinha 10 anos de idade.

Você lembra, Marília?

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E os exemplos? Todos eles. De amor à terra. De trabalho. De independência. De civismo. De lutas. De patriotismo. De cultura. Tantos, tantos, Marília.

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Você foi a primeira cidade do Estado a formar um Batalhão Militar com seus filhos. Foi em 1932, lembra? O “Batalhão Marília” partiu daqui diretamente para o “front”. Lá esteve tua bandeira, teu nome, teus filhos.

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Em 1944, teus filhos também partiram para a Itália.

Iriam enfrentar, como enfrentaram, numa guerra armanda, inimigos temíveis, terríveis e experimentados na arte de matar!

Você tem orgulho disso tudo, não tem?

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Mas você é muito feliz, Marília.

Mais feliz ainda porque você sabe fazer com que todos seus filhos, autênticos ou genuínos, sejam também muito felizes.

Felizes e orgulhosos.

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Bom dia, minha balzaqueana adorável!

Extraído do Correio de Marília de 04 de abril de 1974

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Lá, como cá… (03 de abril de 1974)



Lá como cá, más fadas há.

É um refrão antigo, que procura, em análise afirmativa, cimentar a tese de que, defeitos, virtudes, vantagens, desvantagens, gente boa, gente ruim, existem em toda a parte.

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Tornou-se muito comum o atribuir-se ao povo norte-americano a condição do inusitadismo, do ineditismo, do esdruxulismo e do impossível.

Em verdade, não é bem isso.

A veracidade dos fatos é bem outra, muito embora nem todos tenham ainda conseguido atinar com toda a profundidade, a extensão do alcance.

A verdade é que os norte-americanos costumam ser muito realistas e muito francos. E, como tal, não ocultam – em contrário, propalam – tudo o que se lhes diz respeito.

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Muita gente lembra que os próprios filmes naturais americanos mostraram, repetidas vezes, todos os fracassos que a própria Nação experimentou, quando das tentativas de lançamentos de seus foguetes espaciais.

Além disso, as agências noticiosas de origem do próprio país davam divulgação completa, total, sem cortes, sem desculpas, com uma lealdade impressionante.

Já o mesmo não sucedia com outras nações, que sempre procuravam ocultar seus insucessos. Com isso, cometiam dois embustes: enganavam-se a si próprias, mentindo às demais.

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Citem-se aqui, fora o acima, dois casos típicos da franqueza dos “yankees”, aos quais eles próprios impregnaram a verve espontânea, no estravazamento do humorismo natural e pessoal.

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Um.

A declaração e o recolhimento do imposto de renda nos Estados Unidos é uma coisa seríssima. A omissão, a sonegação ou o desrespeito à lei dá cadeia no duro.

Consta que um cidadão, tempos após fazer a entrega de sua declaração, recebeu notificação do órgão arrecadador apontando erros de cálculo e convidando-o a recolher mais determinada importância.

O homem atendeu.

Meses depois, novo convite, para novo recolhimento.

Atendeu novamente.

Mais algum tempo, outro convite semelhante: recolher certa diferença.

O homem remeteu o cheque com a diferença solicitada, pelo correio. Juntamente com o cheque, velas, com a seguinte observação:

“Tipo RH ‘O’ positivo, mas noa posso dar mais”.

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Determinado Juíz de Direito de um Condado do Estado da Califórnia, recebeu certa feita um requerimento vasado mais ou menos nos seguintes termos:

“Meretíssimo Juiz:

Requeiro a Vossência permissão para andar armado.

Justificativa: sou cidadão americano, quites com o Serviço Militar e o Imposto de Renda e no perfeito gozo da condição eleitoral, perfeitamente dentro dos direito políticos. Nas últimas eleições fui candidato a deputado estudual pelo meu Condado e no final da apuração verifiquei que só obtive um voto (o meu). Senhor Juíz: uma pessoa que reside há 40 anos numa cidade de 50 mil habitantes e que não recebeu um voto eleitoral a não ser o dele, é uma pessoa que tem cinquenta mil inimigos e é justo que um cidadão com 50.000 inimigos deva andar armado”.

Extraído do Correio de Marília de 03 de abril de 1974

terça-feira, 2 de abril de 2013

Os futriqueiros (02 de abril de 1974)



Partindo da normal premissa de que toda regra tem sua exceção, não poderia existir exceção, sem regra originária.

Uma coletividade constitui-se de muitos conjuntos. No caso dos homens, de grupos, de uma sociedade.

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Em Marília, sua coletividade reveste-se, por natureza da própria formação demográfica, numa espécie de semi-cosmopolitismo, se formos buscar originalidade, autenticidades e ainda o humano espírito de aventureirismo próprio dos homens.

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Como sóe acontecer, numa coletividade, existe sem mescla, mas com naturalidade indiscutível, diversificação e divergência de pensar e entender. E de agir.

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Num rebanho de animais nota-se logo que o boi preto pasta ao lado de outro boi preto.

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Temos em Marília, dentro da coletividade toda, gentes de sentimentos vis, de mentalidade tacanhas ou doentias.

São os futriqueiros.

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Sigmund Freud, em seu método especial do estudo e da exploração da ciência do subconsciente, por certo deveria ter concluído, de que a pessoa futriqueira é uma irmã siamesa da criatura sádica.

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E como existem futriqueiros em Marília?

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Temos entre nós gente futriqueiras às tantas.

Gente que se delicia, que se sente bem, que torne pelo insucesso e desgraça dos semelhantes. Que costuma imitar o macada da fábula, tirando a castanha da chapa quente com a mão do gato.

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Gente que nada faz, senão atrapalhar.

Atrapalha tudo: os homens, suas ações, suas intenções, seu trabalho. Em alguns casos, até administradores.

Temos isso aqui.

Até políticos.

Até funcionários públicos.

Até gente que se considera importante.

Até “joãos-ninguém”.

Temos.

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Marília não prescinde desses futriqueiros. Em contrário, deve abominá-los, já que não pode baní-los de seu seio.

Urge que se trabalhe mais e se futrique menos.

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Por qualquer “dá-cá-aquela-palha”, está formado o futrico. Os futriqueiros são como chacais: aguardando a primeira oportunidade para atacar. E atacam. Parece que em outra coisa não pensam.

Só em futricar. Em complicar. Em destruir.

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Se esses futriqueiros tivessem um ensejo de sentir, ao menos uma vez, uma clarinada de razão e de consciência, deixariam de ser futriqueiros.

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“Se o velhaco soubesse o quanto é bom ser honesto, seria honesto, mesmo por velhacaria”.

Extraído do Correio de Marília de 02 de abril de 1974