sábado, 31 de dezembro de 2011

“Ciao”, ano velho! (31 de dezembro de 1959)

“Ciao” mesmo, 1.959. Você foi bom para alguns, que foi ruim para outros, “ao revoir”.

As gentes são assim mesmo; costumam enjoar, aborrecer-se logo de tudo. Inda no começo de janeiro último, todos estavam eufóricos, satisfeitos, desejando-se reciprocamente um “Feliz Ano Novo”. Todos estavam satisfeitos com você, 1.959. Agora, todos estão desejando que você acabe de uma vez, para recepcionar da mesma maneira que você foi recepcionado, o Ano Novo.

Você morrerá no calendário do presente, lá isso é verdade. Mas imitará o ex-Presidente Getúlio Vargas – passará para a história. Seu nome vai ser lembrado indefinidamente. Você será citado, sempre rememorado. “Em tal dia de 1959, nasceu em tal cidade, o cidadão tal”; “em 1959, faleceu o beltrano”, “em 1959, aconteceu isto, sucedeu aquilo”, nascimentos, casamentos, riquezas, misérias, bons negócios, maus negócios, derrotas do São Bento em sua própria casa, etc., etc., e tal, serão muitos dos motivos que colocarão em evidência seu nome, 1959.

Mas a gente tem que se despedir, ora essa. Despedida, dizem, é sempre triste. Dizem, mas não é. Quantas vezes a gente se despede de alguém, saturado, dando intimamente graças a Deus pela oportunidade? A gente finge, nessas ocasiões, lá isso é. Com você ninguém finge, não. Todos estão satisfeitos pela sua morte que hoje ocorrerá. Verdade mesmo. Já é alguma coisa essa tal de franqueza, não é?

O fato, é que você já está praticamente “fóra de circulação”. Seu caixão está devidamente encomendado. Sua sepultura, no próprio rosário dos dias da vida, já está preparada. E você irá mesmo. Sem “broncas”, sem esperneios. Para gáudio de muita gente. Ninguém sentirá a sua morte, 1959. Ninguém, pode crer. Mesmo os que “se deram bem” com você. Porque você não vai deixar saudades, não. Aqueles que “se deram bem” com você não ficarão saudosos, porque esperam de 1960, alguma coisa melhor. Os outros, os “que não se deram bem”, então nem se fala.

Sabe que você não será chorado, só por isso? Pode crer.

Sabe que muita gente ficará satisfeita, indisfarçavelmente satisfeita com a sua morte? Sabe mesmo?

Você (como seus irmãos anteriores) sempre foi fatalista ao extremo. Sabe você, toda a gente é fatalista, mas não gosta de sê-lo, não quer afirma-lo. Ou o nega, ou dá uma pincelada nesse tal de fatalismo com uma cor diferente, de outra afirmativa. Daí, essa coisa difícil de compreender, essa incoerência: ficar satisfeito agora, só porque você vai morrer hoje. Gente besta, não é?

Mas o fato é que você vai mesmo. E vai sem velas e sem choro, meu caro. Só aí já está caracterizado êsse discutido fatalismo, não tá? Os entendidos dão outro nome aos bois, lá isso é verdade.

Porém, você vai mesmo. Se vai. Vai direto. Não vai atrasar e nem adiantar um segundo sequer. Nisso todos gostam de você: a pontualidade.

E você será diferente dos homens, que depois que morrem, todos passam a ser bonzinhos, grandes sujeitos. De você nem todas as gente dirão que você foi bom, foi isto, foi aquilo, foi “formidável”. Muita gente há de “meter o pau” em você, pode estar certo. Muita gente dizer “cobras e lagartos” de você, 1959. Se vai. Pena é que você, como todo o cadáver que se respeita,, não vai “dar bolas” pra ninguém. Se fosse bem... mas não vai. Muita gente vai se referir a você com uma única expressão que vai dizer tudo o ruim contra a sua memória, 1959. Muita gente vai dizer de você, tão sòmente:

- Êta aninho ruim, êsse 59!

Extraído do Correio de Marília de 31 de dezembro de 1959

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O comércio com a Rússia (23 de dezembro de 1959)

Não, pensem os leitores que iremos analisar nêste artiguete, as vantagens ou não, conveniências ou não, do restabelecimento de relações comerciais com a União Soviética. Absolutamente. Vamos nos referir, apenas e tão sòmente, a Missão Comercial Brasileira que recentemente regressou de Moscou.

Pois, é: sabemos agora, pelo noticiário de um órgão da imprensa paulistana, que o custo das despesas da tal comissão (comissão, ou começão?), custou ao Brasil cêrca de quarenta milhões de cruzeiros (quarenta mil contos de réis). Fóra os preços das passagens, que fique bem claro.

Os estudos foram longos; análises, démarches, conversações. Não sabemos se entrou no programa a tal de “conversa mole” também, mas deve ter-se feito presente. Ignoramos se os russos se interessaram mais pelo café ou pelo outro produto nacional que é o Pelé (muito conhecido na Rússia, diga-se de passagem). Não fomos informados se dêstes estudos se concretizarão os negócios “café x petróleo”, “café x caviar”, “café x vodka” ou “café x comunismo”.

O que está claro, claríssimo como uma luz fluorescente nova e devidamente acesa, é que o Brasil desembolsou 40 milhões com as despesas de “comes e bebes” dos “comerciantes” brasileiros, fóra, repita-se, os custos das passagens da comitiva.

Se pensarmos bem sôbre o caso, se analisarmos que o feijão esteve até há pouco a 80 “alumínios” o quilo, se nos detivermos nos acontecimentos de Aragarças, de Curitiba, no preço da carne, etc., etc., e tal, respondamos sensatamente: não teria sido melhor que ao invés da tal Missão ter ido a Moscou, que aqui tivesse vindo uma comissão russa para o mesmo fim? Pelo menos o Brasil teria economizado uma regular soma (que poderia, por exemplo, ter sido destinada ao consumo de gasolina do “Viscount” presidencial!) e ainda por cima, alguns “rublos” teriam ficado na praça do Rio de Janeiro. Essa economia seria imprescindível, maximé nos tempos atuais, quando o “zé cruzeirinho” anda bastante anêmico. Por outro lado, talvez a economia não tivesse sido feita no caso em aprêço, pois é possível que fossem prestadas homenagens extravagantes aos visitantes, com banquetes opíparos e caros, do tipo “enche-barriga da cupinchada”, passeios a Brasília, etc. e o negócio ficaria na mesma; isto é, o Brasil gastaria milhares e milhares de cruzeiros. Pensando bem, nada há para lamentar, pois o cruzeiro, no Brasil, não vale nada mesmo.

Apenas a notícia do “quantum” das despesas omitiu o montante do custo das passagens. A julgar pelos preços “baixíssimos” do transporte hoje em dia e considerando a “pequena” divergência de cotação existente entre o “mister dólar” e o “zé cruzeiro”, é bem possível que tenham sido gastos outros 40 milhões, ficando assim tudo “acertado” como um montante total e bem contabilizado de 80 milhões de cruzeiros!

Depois da permanência de perto de 15 dias em Moscou, os membros da Missão referida tiveram permissão para “descansar” cinco dias em Paris. Os leitores, como nós, fazem um juizo aproximado do “descanso” dessa turma (champagne, casinos, mulheres, pois não?).

E para terminar com estas considerações, queremos afiançar aos leitores que já anteciparam o “veneno” sôbre êste escriba, que, de fato, êles acertaram: estamos falando isso porque não fomos convidados a participar dessa “boa boca”. Mas retrucamos aos leitores nessas condições: Vocês recusariam essa “mamata”?

Extraído do Correio de Marília de 23 de dezembro de 1959

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Notícias em retalhos (22 de dezembro de 1959)

Notícias de Washington expedidas por um funcionário do organismo federal do espaço, prognosticou que os Estados Unidos promoverão a viagem de ida e volta de um homem à Lua, “dentro de uns 10 anos mais ou menos”. Prognosticou também “uma expedição humana a Marte, na década de 1970”, como parte do Programa Mercúrio.

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No último dia 12 (de dezembro de 1959), realizou o Partido Social Democrático a sua convenção nacional, quando foi escolhido, unanimemente, o nome do marechal Teixeira Lott, como candidato do partido à sucessão do sr. Juscelino Kubitschek. Assistiram o encerramento dos trabalhos da primeira parte da citada convenção, o Ministro da Guerra e o Presidente da República.

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Foi normalizado o serviço aéreo em São Paulo, com o acôrdo do reajuste dos salários dos aeroviários, na base de 35% de aumento.

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Na cidade de Boqueirão, Ceará, próximo a Fortaleza, três bombas de alto poder explosivo provocaram pânico na cidade. Os petardos destruíram parcialmente uma repartição da Secretaria da Fazenda daquele Estado, não havendo, entretanto, vítimas pessoais.

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Suicidou-se no Rio de Janeiro, o médico Mauricio Gudin, irmão do ex-ministro da Fazenda, sr. Eugênio Gudin.

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Em Itapetininga, o prefeito municipal Darci Vieira, face aos protestos do funcionalismo por falta de pagamentos normais, afastou-se do cargo, tendo assumido a Prefeitura o presidente da Câmara, sr. Humberto Pellegrini.

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A 15 último, ocorreu o transcurso do 128º aniversário de fundação da Força Pública do Estado. A milícia paulista foi criada pela Lei Imperial do Conselho da Província, em 15 de dezembro de 1931, diploma assinado pelo Brigadeiro Raphael Tobias de Aguiar.

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A Guarda Civil de Marília atendeu uma sugestão feita pelo “Correio” e fechou o trânsito durante a noite de domingo último, nas imediações da Praça Saturnino de Brito. Boa medida, que mereceu aplausos.

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Há vários meses está a Polícia de Sorocaba empenhada na captura de indivíduos desclassificados e inescrupulosos, que penetram nos diversos cemitérios da cidade com o fim de furtar objetos que normalmente são encontrados nos túmulos. Não obstante o trabalho desenvolvido pelos policiais, não se conseguiu identificar na época quem eram êsses indivíduos.

Na tarde de sábado último, todavia, milicianos de serviço na guarnição da RP 1, lograram deter o indivíduo José Alves, residente à rua Francisco Otaviano, 332, que, entrando no Cemitério da Consolação furtivamente, através do muro, furtou os seguintes objetos: um cadeado, um véu e uma miniatura de igreja de matéria plástica. O meliante ainda possuía os objetos do furto da ocasião da prisão, os quais foram encaminhados ao contrôle da RP, para os devidos fins.

Para bem elucidar o caso, foi intimado a comparecer à Regional de Polícia, o administrador do Cemitério da Consolação sr. Arnaldo Fazano.

Extraído do Correio de Marília de 22 de dezembro de 1959

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O que é que a Câmara pensa? (19 de dezembro de 1959)

Sim, é a pergunta que formulamos, na certeza de que algum senhor vereador mariliense nos responda honestamente: o que é que a Câmara pensa?

A indagação vem a propósito da inércia da edilidade, traduzida em não realização de oito sessões consecutivas, inclusive a última sessão periódica do ano, pela primeira vez nos doze anos de funcionamento da edilidade local, após o período de redemocratização do país.

Vereador em Marília não é remunerado, mas seus serviços são considerados relevantes e de interêsse público. Ninguém é obrigado a ser candidato a vereador, mas isto acontece e o mesmo é eleito, tem responsabilidades para com o público, da mesma maneira que os que são assalariados.

A Câmara Municipal de Marília, nos últimos tempos, apresentou uma inatividade a toda prova. Os edis teimaram, em sua maioria (uma vez que não havendo maioria, não foram realizadas as reuniões), a negligênciar suas obrigações para com o público e isto fizeram. Política? Displicência? Mede de responsabilidade?

Se política é o móvel dêsse estado de coisas, não tenham dúvida do que só pode tratar-se de política abjeta, destrutiva, de quilate aquém de um julgamento normal.

Se displicência, merece condenação do eleitorado mariliense, êsse eleitorado que aceitou e acatou as promessas “solenes” do servir Marília e seu povo.

Se medo de responsabilidade, o caminho a seguir é um só: renúncia.

Os vereadores que não completaram o coeficiente regimental para dar número às sessões não realizadas, têm sôbre os ombros uma responsabilidade grandiosa. Prejudicadamente a própria população, ao deixarem de apreciar, discutir e votar três importantes projetos de lei: o que trata da constituição da Comissão de Arte e Cultura de Marília; o que diz respeito à doação do imóvel da Faculdade de Filosofia, para a construção de um pavilhão para o funcionamento do curso de história natural; o que alude a suplementação de verba especifica, para que a Prefeitura pudesse efetuar o pagamento de dezembro (antes do Natal), ao funcionalismo municipal.

O primeiro projeto diz respeito direto aos marilienses em geral, pois visa a criar um órgão que se constituirá numa peça da engrenagem artística do próprio Govêrno Estadual.

O segundo, importantíssimo também, relaciona-se com uma providência de caráter urgente e ligada ao setor educacional da cidade.

O terceiro tem o seu fundo humano; os servidores públicos municipais, desde o mais categorizado da Prefeitura até o mais humilde dos operários, ficarão certamente ficarão certamente privados do recebimento em tempo hábil de seus vencimentos ou salários de dezembro, a fim de poder passar um Natal um pouquinho mais ameno.

Isso sem contar-se com outros assuntos importantes, pautados na Ordem do Dia e sem considerar-se alguma outra providência de última hora, que poderia ser deliberada pela Câmara e traduzir-se em benefícios ou consultar os interêsses dos marilienses.

Não gostamos, francamente, dêsse desleixo de nossa Câmara. Fazemos a ressalva aos edis que procuraram comparecer às sessões, com o desejo de trabalhar e que não têm culpa no caso. Não perdoamos os que executaram êsse relaxamento, em detrimento dos interêsses do público.

A proposito, nesse “negócio” até parece existir um “dedinho político” com uma intenção abjeta, que, para gâudio de seus “idealizadores” e para prejuízo do povo, parece que “deu certo”...

Extraído do Correio de Marília de 19 de dezembro de 1959

domingo, 18 de dezembro de 2011

“O Glesvidal” (18 de dezembro de 1959)

Gentilmente recebemos um exemplar do primeiro número de “O Glesvidal”, interessante revista de publicação anual, editada pelo Grêmio Literário e Esportivo “Sampaio Vidal”, do Instituto de Educação de Marília.

A remessa nos foi feita pessoalmente, com os cumprimentos dos dirigentes do citado órgão, deferência que agradecemos.

Apreciamos, de ponta a ponta, o conteúdo da revista. Gostamos de sua confecção, da variedade de assuntos ali contidos. Vimos claramente, a exteriorização do espírito jovem, dinâmico e empreendedor. Um compêncio agradável de multiformes inserções. Humorismo sadio, bem dosado, salpicando as suas páginas. Artigos bem postos, bem escritos, escolhidos, selecionados.

Vimos uma revista estudantil diferente. Diferente e agradável. Do ponto de vista técnico, “O Glesvidal” está completo. Da apreciação jornalística, idem.

Duas coisas nos impressionaram na feitura e apresentação do aludido órgão: primeiro, a idéia feliz de seus organizadores, conseguindo colunas em circulação um trabalho bem feito, graficamente falando; segundo, aquilo que se poderá chamar de “linha” – personalidade do próprio organismo.

Uma revista diversa de muitas outras que existem. Um compêndio de boas idéias e boa coisa, numa apresentação excepcional, que traduz, antes de mais nada, um espírito de iniciativa louvável, bem organizado e já vitorioso.

Os rapazes de “O Glesvidal”, após o alcance dessa primeira vitória jornalístico-literária, estão de parabéns. E saberão agora quão difícil é o escrever-se para o público e fazer que as idéias colidem com os interêsses e agrados dêsse mesmo público.

A exuberância da mocidade, sem o exagero ou as desmedidas, está patente nesse trabalho. Fazendo despontar o valor indômito do saber fecundo. Externando o calor do saber, armazenando anos após anos. Dando uma demonstração de cultura, bom gosto e idéias sólidas. Revelando um exemplo de sapiência, interesses pelas letras e pela escola. Prespontando a certeza de que a cultura será o cartão de identidade dos marilienses de amanhã.

Foram felicíssimos os jovens do Instituto de Educação, ao idealizar e fazer vir à luz o mencionado periódico.

De nossa parte, agradecendo a deferência da remessa, temos apenas uma restrição a fazer ao “O Glesvidal”: seu período de circulação é demasiado longo, se convirmos que os rapazes possuem capacidades inatas para mantê-lo e fazê-lo circular mais amiudamente. Bi-mensalmente ou tri-mestralmente, por exemplo.

Bonita, bem feitinha e de leitura gostosa a citada revista. Digna de engrandecer ainda mais, o rosário de boas iniciativas já partidas dos estudantes do I. E. M..

Continuem, pois, jovens do “O Glesvidal”. E continuem a imprimir a mesma linha de conduta que a apreciada revista apresentou em seu primeiro número. Porque a verdade é que é fácil de fazer um jornal ou uma revista, quando os que se propõem a isto executar, são, antes de mais nada, capazes intelectualmente e capazes moralmente.

Não há incoerência na afirmativa de que é difícil fazer um órgão de imprensa, sendo fácil fazê-lo quando existe capacidade. A dificuldade, acima de tudo, existe na incompetência, pois as dificuldades originárias da organização e feitura propriamente ditas, são facilmente superadas pelos espíritos tácitos e empreendedores.

A revista está boa, em todos os sentidos. Continuem, pois, jovens do “O Glesvidal”.

Extraído do Correio de Marília de 18 de dezembro de 1959

sábado, 17 de dezembro de 2011

Notícias em Pílulas (17 de dezembro de 1959)

Os aficionados do futebol profissional em Marília estão ainda com um espinho atravessado na garganta, face à derrota sofrida pelo São Bento domingo último, frente ao Corinthians de Presidente Prudente. Acontece que êles têm razão...

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Continua duvidosa a situação política no Paraguai. Continua algo insustentável a posição do ditador Stroessner. Temos, pelo visto, a repetição dos fatos ocorridos na Argentina e em Cuba. Positivamente, êsses latinos gostam mesmo de derrubar govêrnos...

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Desatenciosa foi a Câmara Municipal para com a Associação Comercial de Marília, nem sequer dando uma satisfação ao conteúdo de um oficio dirigido por aquela entidade ao Legislativo, solicitando dêste providências com respeito à ornamentação da cidade por ocasião das festas natalinas.

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Um leitor dêste jornal, que, pelo visto, dever ser político, nos escreveu uma carta para opinar sôbre a constituição da nova Mesa da Câmara Municipal. Pediu-nos a divulgação. Embora a carta esteja assinada e identificada, não podemos publicá-la porque seu conteúdo é impublicável. Entretanto, a coluna “secção livre” estará franqueada.

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Positivamente, o comércio das chamadas Cestas de Natal deve ser grandemente rendoso. Senão, como justificar os rios de dinheiro gastos em publicidade, os fabulosos prêmios anunciados e as centenas de vendedores do produto, a chatear a gente dia inteiro?

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Domingo vindouro o São Bento preliará ante a equipe do Estrela da Saúde F. C., da Capital. Agora, a pergunta: Pagará o Estrêla pelo que não fez, sofrendo impiedoso revez frente ao São Bento, ou o alvi-rubro voltará a decepcionar?

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Há em Marília os que acreditam que a viagem frustrada à nossa cidade domingo passado, pelo sr. Secretário da Educação, tenha como justificativa, motivos outros que não os alegados, ou seja, a greve aeroviária. Será?

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Está a cidade novamente infestada de pedintes. Dia e noite, um exército de mendigos (falsos ou verdadeiros?) perambulam pelas ruas centrais, estendendo a mão. Já nem falam em “pelo amor de Deus” ou outras “chapinhas” conhecidas. Simplesmente estendem a mão. Parece que até elementos de cidades vizinhas aqui estão aportando para fazer as “colheitas”. Na madrugada de ontem, cêrca das duas horas da manhã, u’a mulher continuava pedindo nos bares da cidade, pessoa que estava fazendo aquele “trecho” desde o começo do dia. Não será abuso a mesma pessoa pedir, nos mesmos locais, catorze horas seguidas?

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Um lembrete aos organizadores da distribuição de presentes de Natal aos pobres. Façam o trabalho de maneira rápida, a fim de ser evitados os espetáculos do ano passado, com filas demorando três ou mais horas para o atendimento e gente desmaiando de fome nas próprias “bichas”.

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Entendemos como urgente a interferência da COMAP no setor dos preços de ovos, aves e frutas, agora por ocasião do Natal. Se tal não ocorrer, os marilienses serão “assaltados” de maneira abusiva e os preços serão cobrados conforme “a cara do freguês”.

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A Guarda Civil poderia solicitar aos dirigentes de veículos, principalmente os de porte pesado, que evitassem de parar na Rua São Luiz, à noite, durante a permanência do comércio aberto no período noturno.

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Fala-se em novos aumentos das tarifas ferroviárias da Companhia Paulista. Positivamente essa Paulista é mesmo de uma ascensão notável... bi que diz respeito à elevação de seus preços.

Extraído do Correio de Marília de 17 de dezembro de 1959

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Morar em S. Paulo... (16 de dezembro de 1959)

Existe gente atarefada em todos os lugares, não há dúvida. E, em Marília, idem. Inclusive nós, que às vezes sentimos dificuldades até em solver certos compromissos, maximé quando os horários dos mesmos coincidem ou se aproximam demasiadamente.

Às vezes, êsse borborinho todo, faz com que o cidadão olvide uma coisa a realizar e pode dar-se o caso de que essa coisa tenha um caráter urgente. Hoje em dia, poucas são as pessoas que não vivem submersas nesse mar de atropelos. Dizem que é o sinal dos tempos. Sinal indesejável êsse.

Os homens encurtam a vida, hoje em dia, nesse “dinamismo” todo, nessa labuta moderna. Alguns não podem evita-lo mesmo, pois uma série de fatores assim o exige.

A contingência da própria vida demanda, em muitas circunstância, êsse desdobramento de atividades. Não raro, o cidadão, principalmente se é chefe de família numerosa, tem que se desdobrar, tem que “se virar” e precisa mesmo arrumar algum “biquinho” extra-salário fixo e mensal. Principalmente nas Capitais. Maximé em São Paulo, a cidade da febre, das correrias e da exploração.

Existe gente que vive na Capital, em circunstâncias verdadeiramente sacrificiosas, pelo simples fato de “morar em São Paulo”. Conhecemos alguns antigos marilienses, que no passado trabalhavam entre nós e viviam “assim como Deus é servido”, mas viviam. Hoje estão em São Paulo e não vivem: vegetam, estão antecipando a hora da morte.

Sabemos de um cidadão que vive num bairro longínquo do centro da paulicéia, apesar de trabalhar no coração de São Paulo. Conforme os dias, o percurso de sua residência até o centro, demanda até duas horas ou mais. Condução difícil, congestionamento de trânsito, chuvas, etc., isso fazem resultar.

O rapaz “mora em São Paulo” e volta e meia “dá as caras” por aqui, todo empombado, belo e formoso, como se fôra um sobrinho de Nelson Rockefeller. Acontece que nós tivemos o ensejo de conhecer o seu “modus vivendu” paulistano. Resume-se no seguinte: Para entrar em serviço às 8 horas, levanta-se às 5, toma um cafezinho rápido e anda a pé, cerca de dois quilômetros para tomar a primeira condução (necessita de duas, para chegar ao centro). Chefa ao local de trabalho quase em cima da hora. Dispõe de duas hora para o almoço, tempo insuficiente para retornar à casa. Almoça, então, na cidade. Ou procura aqueles restaurantes de baixa categoria, onde adquire “vales” para refeições, ou se contenta com algum sanduiche. Às 18 horas deixa o emprego e se dirige ao ponto da primeira condução. Um mar de gente a formar filas intermináveis, um empurra-empurra, uma demora tremenda, as habituais “broncas” dos mesmos companheiros de infortúnio, etc.. Quase sempre, só consegue tomar o primeiro ônibus, lá por volta das 19 horas e normalmente chega em sua “residência” pela altura das 21 horas, às vezes até mais tarde. Janta algo frio, porque ninguém em casa, diariamente, faz o jantar tarde da noite. Depois estira o corpo cansado na velha cama e reenceta o “rodízio” de “levanta às cinco deita às onze ou meia noite”.

Dizem que gosto não se discute e o rapaz gosta disso.

O pior, entretanto, é o bairro onde o mesmo reside. Sem luz nas ruas, ermo, sem conforto, sem assistência médica ou hospitalar para um caso de emergência. Algumas vezes, desejando essa pessoa assistir um prélio de futebol durante a noite, não tem podido regressar, pois iria chegar em casa lá pelas três horas, para alçar-se às 5 e assim, prefere ficar na cidade, sem dormir.

Cada qual é dono do seu nariz e pensa conforme bem entende, é lógico. Nós nada temos a ver com o fato, mas como achamos ser uma estupidez uma vida semelhante à citada, referimo-la por simples curiosidade.

Extraído do Correio de Marília de 16 de dezembro de 1959

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A mudança do “footing” (15 de dezembro de 1959)

Naturalmente, assim como o rio que aos poucos vai se desviando do leito original, o “footing” da cidade está se desviando ou repartindo.

De uns tempos para cá, o aglomerado de jovens que sempre realiza o “footing” na Avenida do Fundador, aos domingos à noite, está se repartindo e convergindo em maioria para a Praça Saturnino de Brito. O referido logradouro público, habitualmente já vinha comportando regular afluência de gentes, todas as noites domingueiras, face à presença da Corporação Musical Mariliense e a execução de suas retretas. Pais de família ali comparecem nessas ocasiões, levando seus filhos “para ver a banda”.

Êsse movimento, essa afluência pública, agora sofreram aumento considerável. Temos a impressão que o chamarisco principal para justificar a elevação do índice da afluência pública naquele local foi a inauguração da fonte luminosa do novo Paço Municipal. O certo é que a aglomeração pública, especialmente nas ocasiões referidas, é acentuadíssima. E com isso, criou-se um problema em Marília, que deve ser solucionado. Surgiu o problema de trânsito naquele ponto. Urge, portanto, providências de isolamento do local, em determinadas horas das noites dos domingos, evitando-se o trânsito motorizado naquela parte, onde famílias inúmeras e centenas de crianças apreciam a Banca Municipal e correm de um lado para outro lado, apreciando também a fonte luminosa.

Isso se faz mistér, pois não é plausível que os veículos continuem a rodar em volta da pequenina praça apinhada de gente e especialmente crianças, com dificuldades para os dirigentes das conduções e com perigo para o público. Já que essas concentrações nasceram espontaneamente, mistér é que sejam prestigiadas, com as providências referidas, oferecendo aos habituês daquele local e aos frequentadores daquele “footing”, melhores facilidades, sem a preocupação das correrias e atropelos de crianças, para “limpar” as ruas a fim de que passem os automóveis e caminhões.

Pensando bem, a necessidade é imprescindível. Deve merecer estudos, maximé considerando-se que Marília, nesse particular, não dispõe, como outros centros, de lugares mais adequados para essas concentrações e passeios públicos.

Diversas foram as pessoas que nos solicitaram que abordássemos êsse pormenor, o que ora estamos fazendo. Deixamos, portanto, a palavra final no caso, para quem de direito.

Extraído do Correio de Marília de 15 de dezembro de 1959

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A ornamentação da cidade (12 de dezembro de 1959)

Êste jornal sempre foi partidário de todas as medidas econômicas municipais e sempre censurou gastos supérfluos, desnecessários, especialmente os facilmente dispensáveis. Todas as providências de compressão de despesas da municipalidade, com motivos plausíveis, tiveram em nossa Folha, uma referência especial, um parágrafo encomioso.

Nem por isso, entretanto, deixamos de expender nosso ponto de vista favorável a alguns pequenos gastos de necessidade premente, de carência lógica. É o que entendemos, nessa questão da necessidade de Marília, através de seus poderes constituídos providenciar a ornamentação da cidade, maximé na parte central.

No ano passado, passamos pelo dissabor de termos visto a Câmara Municipal aprovar uma verba específica “em cima da hora”, deixando o Prefeito com a “batata quente na mão”. Este ano, pelo visto, sucederá o mesmo. Será lamentável, pois para termos a repetição daquilo que ocorreu em 1958, preferível será nada fazer-se, deixando tão sòmente que os comerciantes enfeitem seus estabelecimentos da maneira que puderem e como melhor lhes aprouver. Sim, pois repetir o que fizemos no ano passado, com a instalação de uma curiosa “barraquinha” na Avenida e a presença de um “artista” para dizer “piadinhas” salpicadas de motivos pornográficos aos marilienses, preferível o nada fazer.

O tempo caminha inexoravelmente o mesmo iniciando hoje tais providências, o estaremos fazendo com regular atraso!

Tupã, Presidente Prudente e Lins, para citarmos sòmente algumas cidades vizinhas, já executaram êsses trabalhos, proporcionando aos seus munícipes e especialmente aos forasteiros, um ambiente mais alegre, próprio da felicidade geral que normalmente invade todos os seres, nesta época de fim de ano, nesta ocasião das festas natalinas.

Os marilienses merecem essa consideração, fora de dúvidas. Com o comércio aberto durante as noites, registrando movimento desusado (ultimamente prejudicado face ao tempo chuvoso), justo seria que aqueles que trabalham de manhã à noite, contribuindo com seu quinhão para a grandeza de Marília, também, pelo menos alguns dias, uma impressão mais agradável, um ambiente mais gostoso de apreciar, ao circular pelo centro da “urbe”, percebendo melhor e mais diretamente que a data magna da Cristandade convida à alegria, à satisfação.

Poderá algum leitor indagar-nos se com a vida difícil e cara dos tempos presentes, os pobres terão algum prazer em apreciar essa beleza artificial, uma vez que pouco ou nada poderão adquirir no comércio, em virtude das cotações elevadíssimas das utilidades e das futilidades. Responderemos, no caso, que a situação, pelo menos nesta época, recomenda êsses motivos ilusórios, essa alegria preparada; pelo menos, por momentos, as agruras da vida serão olvidadas e as mentes poderão se concentrar nas razões dos dias que precedem o evento do Natal, o que já será uma fórmula bastante boa para o espírito daqueles que sofrem na vida mais do que os outros.

Ademais, não irá falir a Prefeitura, ao empregar alguns milhares de cruzeiros nessa providência.

Os forasteiros, especialmente os que transitam por diversos centros da “hinterlândia”, terão também o ensejo de ver,, na concretização dessa idéia, que em Marília se trabalha em todos os sentidos e que seu povo sabe festejar as auspiciosas festas natalinas.

A questão, no caso, é querer. Querer, tão sòmente.

Existem meios fáceis e pouco dispendiosos de ornamentar o centro da cidade, reforçando a iluminação, salpicando as ruas com pequenas lâmpadas multicores (Tupã já fez isso) e impregnando em pontos variados, motivos alegóricos ao grande Dia. Além disso, o comércio mariliense, como sempre, realiza também a sua contribuição, cujos efeitos se adicionam automaticamente às providências que vierem a ser tomadas a respeito, pelos poderes públicos.

Valerá a pena tentar?

Extraído do Correio de Marília de 12 de dezembro de 1959

sábado, 10 de dezembro de 2011

Fragmentos de notícias (10 de dezembro de 1959)

Até a hora em que rabiscávamos êste compêndio, permanecia no mesmo “ponto morto” a questão do julgamento pela Justiça Comum, do mandato de segurança impetrado pela Associação Prudentina de Esportes Atléticos. E, como isso, nenhuma manifestação oficial da Federação Paulista de Futebol, para sabermos se o São Bento lutará ou não domingo vindouro contra o Corinthians de Prudente, adentrando assim, oficialmente, no Torneio dos Campeões na segunda divisão de profissionais, cujo lugar fôra conquistado por fato e por direito, de maneira até galharda pelo alvi-rubro mariliense.

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Findou-se o V Congresso Brasileiro de Municípios, realizado em Recife, Pernambuco. Estão sendo aguardados na cidade, em regresso a êsse conclave, os vereadores dr. José Guimarães Toni, dr. Durval Sproesser, Nasib Cury e o jornalista dr. José Cunha de Oliveira.

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Hoje já é dia 10. Até agora, nem a Câmara e nem a Prefeitura, realizaram qualquer providência no sentido de ser ornamentada a cidade, maximé na parte central, com motivos alusórios às tradicionais festas natalinas. A respeito, vimos em Tupã, a cidade ornamentada. Ornamentação simples e barata, diga-se de passagem; singela mesmo, dando o exemplo porém, que, a municipalidade tupãense não olvidou essa necessidade.

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É pensamento do Governador Carvalho Pinto, solver de uma vez, até o final do ano vindouro, o tormentoso problema dos menores em nosso Estado. Os planos completos, elaborados por uma comissão de técnicos, já foram elaborados. Providência louvável essa, pois, não há dúvida, em São Paulo, o problema dos menores e um dos maiores...

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Sábado próximo, na Avenida Sampaio Vidal, teremos a realização da III Preliminar da Corrida Internacional de “São Silvestre”. Trata-se de um certame para escolher o representante oficial de pedestrianismo em Marília, que, no próximo dia 20, disputará a grande eliminatória dos Estados, concorrendo assim a possibilidade de participar da sensacional prova mundial, ao lado dos mais categorizados atletas de fundo do mundo.

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Boas chuvas caíram sôbre a região nos últimos dias, prenunciando excelentes perspectivas para a lavoura em geral, trazendo-nos mesmo a certeza de que dificilmente iremos pagar, no próximo ano, 80 “pratas” por um quilo de feijão.

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Continuam aceleradas as obras finais do edifício destinado ao Paço Municipal de Marília. O serviço de envidraçamento continua ativo, sendo certo de que dentro de pouco tempo o grande prédio estará concluído, em condições portanto de acomodar as dependências da Prefeitura, Câmara e outros órgãos congêneres, subordinados ao poder municipal.

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Grandes festividades marcaram domingo último, a inauguração oficial do Climático Hotel de Campos Novos. Personalidades diversas, cotistas e convidados especiais estiveram presentes ao fausto acontecimento.

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Sábado próximo estará em Marília o dr. Teófilo Ribeiro de Andrade, presidente do Conselho Administrativo da Caixa Econômica do Estado de São Paulo. S. S. presidirá uma reunião dos agentes da CEESP compreendendo a 14ª região, desde Gália até Paulicéia, ou sejam, 22 cidades. Na oportunidade, os funcionários da autarquia oferecerão um almoço ao mencionado homem público, que terá lugar no Restaurante Marília.

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Significativa homenagem será prestada pela diretoria e alunos do Ginásio S. Bento, ao prof. Antônio Queiroz Filho, secretário da Educação e ao deputado mariliense dr. Fernando Mauro Pires Rocha. Êsse acontecimento está marcado para o próximo sábado.

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No dia do Natal, o “Correio” circulará em edição especial, ampliado e variado, aumentado em seu número de páginas, artigos e colaborações e com vasto serviço de “clicherie”. Aguardem.

Extraído do Correio de Marília de 10 de dezembro de 1959

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ainda as máximas alheias (8 de dezembro de 1959)

Em nosso artigo de sábado, fizemos a transcrição de diversas máximas e pensamentos. Conforme dissemos, são de autoria do jornalista Fuco G. Gómez e foram extraídas do jornal “El Sol”, editado na cidade de Alajuela, Cuba.

Prometemos inserir mais alguns dêsses escritos filosóficos para que os nossos leitores possam apreciar as máximas e pensamentos alheios.

Vejamos:

“A humanidade lucraria muito mais, quando nenhuma malversão contra os poderes públicos ficasse impune.

As más manobras e os negócios escusos de todas as classes, deveriam estar previstos nas leis escritas e por estas condenados, sempre e quando o pêso destas se fizesse cair sôbre todos e por igual.

A mínima pena estabelecida nas leis, para o caluniador, deveria ser o impedimento perpétuo do individuo, para desempenhar negócios alheios ou para executar quaisquer outros cargos de grande responsabilidade.

Tanto para os que percebem soldos ou salários, como os que dispõem de outros meios de vida, devem apresentar o máximo interêsse coletivo, em procurar que se proporcione trabalho a todos os desocupados, desde que êstes desejem desempenhar alguma função útil, com bons propósitos.

Não sendo por imprescindível medida de economia, devem ser considerados ilícitos os desempregos de trabalhadores honrados e decorosos, que sempre souberam cumprir com suas obrigações e deveres.

Quando a sociedade e os governantes encontram-se igualmente animados nos mesmos propósitos das mais sãs intenções, nenhum esforço pessoal ou coletivo em pról do bem comum resulta baldio.

As mais raras e honrosas exceções, constituem-nas as pessoas de mente sã e alma pura.

Quem nunca obrou mal intencionadamente, nada tem a temer e nenhum motivo para envergonhar-se.

Sentir satisfação quando se dá a conhecer ou se divulga alguma coisa que a pessoa fez ou disse no passado, é o melhor sinal de que se possui a segurança de que sempre se soube conduzir e pensar com a melhor das intenções”.

Os parágrafos supras, bem como os que divulgamos sábado, não são novos – repetimos. A sua transcrição ocasionou-se face ao belo que encerram, dentro de um sentido de sábia observação, espírito objetivo e grande filosofia.

Grandes verdades encerram os mesmos, conforme constataram os leitores. Algumas, até algo pesadas, que denotam, mesmo de leve, um espírito com alguns resquícios de uma certa revolta. E, com certeza, alguns leitores já devem ter pensado o mesmo. É possível que tal fato seja concreto, pois o jornalista em aprêço é lá da “terrinha” de Fidel Castro. De nossa parte, vimos a questão apenas do lado jornalístico e apreciamos os pensamentos e as máximas, exclusivamente pela lado da arguicidade.

Extraído do Correio de Marília de 8 de dezembro de 1959

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Máximas alheias (5 de dezembro de 1959)

Temos em mãos um exemplar do jornal “El Sol”, editado na cidade de Alajuela, Cuba. Percorrendo as suas notícia, quase tôdas de caráter local e fecundo em comentários e observações políticas, deparamos, na última página, sob o título “Reflexiones”, assinado por Fuco G. Gómez, uma verdadeira obra prima em máximas e pensamentos.

Pensamentos de curtos parágrafos e extensas sabedorias, convém frisar. Bonitos, lógicos, filosóficos, bem medidos e bastante objetivos. Ao termos gostado de tal inserção, julgamos que nossos leitores também sentiriam prazer em conhecer êsse rosário de pensamentos magníficos que bem nos impressionou. Ante isso, vamos transcrevê-los, depois de traduzidos, para ciência de nossos leitores.

Ei-los:

“Os elementos oportunistas de sempre, são os primeiros a dependurarem-se no carro do vencedor, em atribuírem-se a si próprios, os méritos que não possuem e os sacrifícios que não realizaram e a acurarem falsamente os outros, justamente daquilo que mais os podem comprometer.

Lançar injustamente calúnias contra alguma pessoa, empresa ou coletividade, no momento de maior perigo para elas, denota que os que tais coisas fazem, são os tipos da mais ínfima e deformada compleição moral.

Pelo menos, noventa por cento das pessoas repete e dá por certo e inegável o que ouviu dizer, sobretudo se se tratar de alguma mentira.

Aos que se possa provar terem roubado ou caluniado pela terceira vez, de maneira voluntária, deveriam sofrer a condenação de se lhes imprimir u’a minúscula tatuagem numa parte visível do corpo.

Ninguém demonstrará ser melhor que aqueles a quem censura e acusa de algo que também tenha feito no passado ou chegue a realizar no futuro, ao encontrar-se em iguais ou parecidas circunstâncias que rodeiam aos que são objetos de seus ataques.

As falsas denúncias devem ser severamente castigadas , através de indagar-se e dar-se a conhecer a atuação de seus autores no passado.

Tratar de obter algo à custa da honra alheia, só pode ser obra de quem carece de honra.

Ninguém tem o direito de queixar-se, porque seja obrigado a passar hoje, por tudo aquilo que pretendeu fazer alguém passar, ontem, sem ter motivo justo para tal.

Conspirar contra a estabilidade econômica do país e atual deslealmente contra a própria Pátria.

Como perceberam os leitores, são máximas e pensamentos de um sentido real e filosófico maravilhoso. Terça-feira (8/12/1959), em nosso artigo diário, voltaremos a transcrever mais alguns tópicos da inserção em referência.

Extraído do Correio de Marília de 5 de dezembro de 1959

domingo, 4 de dezembro de 2011

Ainda as profecias (4 de dezembro de 1959)

Fizemos ontem referências acêrca das profecias do Professor Saturno, profeta pernambucano residente no Recife. Comentamos os onze itens de sua profecia, não só para conhecimento de nossos leitores, como, igualmente, pelos motivos de curiosidade que a mesma encerra.

Prometemos comentar as divagações proféticas do Professor Saturno, a nosso modo, em nosso entender. Vejamos, pois, o que dizem os itens da citada profecia, ontem focalizados nesta coluna:

a) – Existe lógica na afirmativa de que o sr. Jânio Quadros vencerá as eleições (se for candidato, pois não?). Para o observador neutro, desapaixonado e apolítico, o ex-governador de São Paulo, pela sua excepcional conduta de líder como chefe do mais adiantado Estado da Federação, passou a constituir-se numa grande esperança de “colocar nos eixos” muita coisa errada que existe nestes brasis.
b) – Também Jango e Juscelino poderão romper as relações políticas. Aliás, já houve um reconhecimento. Duas razoes poderão implicar nisso: O PSD negar o apoio a Jango como candidato à sucessão presidencial (Jango quer ser Presidente, não tenham dúvida) ou o Juscelino autorizar a intervenção no mercado da carne (conforme já pensou)!
c) – Lacerda já escapou da morte outras vezes. Não há dúvida de que existe ainda gente “com sede” de “fazer-lhe a barba”. Abril marcará, inevitavelmente, a época propicia das decisões dos partidos políticos na luta sucessória, quando Carlos Lacerda tomará a sua posição. Vai daí...
d) – Lott poderá ser derrotado nas eleições de 60, o adjetivo “fragoroso” é que parece estar um pouco exagerado.
e) – É possível que Jânio não chegue ao final de seu govêrno, se eleito Presidente da República. No Brasil nem todos apreciarão a conduta do ex-governador paulista e muita gente não gostará de ver-se inibida da aproximação fácil da “panela-mamata” nacional. Que sucedeu a Lincoln?
f) – Não há profecia e nem segrêdo e muito menos mistério no fato da afirmativa de que a situação político-financeira do Brasil piorará!
g) – A revolução nacional poderá espoucar. Temos exemplos bastantes por aí. Depende das providências preventivas. Poderia o movimento ter estourado na madrugada de ante-ontem, não fôra as providências governamentais e policiais.
h) – Não existe segrêdo na afirmativa de que a “estrela” de Adhemar de Barros se apagou. Todos sabem disso, inclusive êle próprio.
i) – Esta não sabemos analisar. Entendemos pouco de geografia. Entretanto, estando Recife à beira-mar, qualquer maremoto fará transbordar o Atlântico em determinado ponto e a água invadirá a cidade.
j) – Cientistas e técnicos de todo o mundo vêm afirmando (existem até obras escritas) de que os discos-voadores vêm de Marte. Daí, nenhuma profecia do Professor Saturno existe na questão.
k) – Também não é profecia. Os Estados Unidos e a Rússia anunciaram que o homem atingirá a Lua no ano que vem. Estão até lutando para ver quem conquista essa primazia.

Dissemos ontem, não somos muito dados a essas crendices de profecias. No passado, os profetas que se manifestaram sôbre diversos assuntos (vitória de Juarez, vitória de Adhemar, vitória de Prestes Maia, fim do mundo, etc.), em passado não muito distante, frisemos, só “deram fóra”. Êsses profetas estão bastante desmoralizados hoje em dia...

Extraído do Correio de Marília de 4 de dezembro de 1959

sábado, 3 de dezembro de 2011

Profecias (3 de dezembro de 1959)

Um profeta pernambucano, conhecido como Professor Saturno, vem de divulgar uma série de profecias sôbre o Brasil e os brasileiros.

Não somos muito dados à crendice dessas coisas, mas como o assunto poderá interessar a muita gente e como faz “revelações” extraordinárias, será por nós focalizado.

O citado profeta alardeou que em matéria de previsões políticas sempre acertou em suas profecias, invocou mesmo o testemunho da própria imprensa pernambucana. Afiançou, segundo a notícia, ter previsto com antecipação o suicídio do Presidente Getúlio Vargas, a queda do ditador Juan Domingos Peron e a morte de Eva Peron.

Os assuntos que podem interessar aos brasileiros, com relação à política nacional, profetizados pelo Professor Saturno, são estes:

a) – O sr. Jânio Quadros vencerá as eleições presidenciais.
b) – Jango e Juscelino romperão as relações políticas.
c) – Carlos Lacerda morrerá em abril próximo.
d) – A derrota do Marechal Lott nas eleições vindouras será “fragorosa”.
e) – Jânio não chegará ao final de seu govêrno, morrendo dois anos depois de ser empossado.
f) – A situação econômico-financeira do país continuará, por algum tempo, a pior possível.
g) – Espocará uma revolução nacional antes do término do govêrno JK, cujo início será em São Paulo, contando com o apoio dos demais Estados, inclusive o nordeste, ante as secas que se tornarão mais acirradas. A revolução, entretanto, não terá êxito, saindo-se bem o Presidente dessa empreitada.
h) – A “estrela” de Adhemar de Barros se apagou e o chefe pessepista jamais voltará a governar os destinos do Brasil.
i) – Em 1960 o mar inundará a cidade do Recife e o governo Cid Sampaio será a paz e a tranquilidade.
j) – Os discos-voadores vêm mesmo do planeta Marte.
k) – O homem terreno atingirá a Lua em 1960.

Comenta ainda o despacho telegráfico que o Professor Saturno realizará, ainda nesta semana, sôbre a capital pernambucana uma aventura: saltará de um avião a dois mil metros de altura para realizar evoluções de vôos sôbre Recife, utilizando-se de um par de asas que lhe serão adaptadas!

Como se vê, o cidadão profeta não é nada modesto em suas considerações e já na primeira “bomba” que soltou, deixou claro uma série de futuros acontecimentos que dão o que pensar. É o inverso dos outros profetas, que, invariavelmente, têm deixado escapar uma ou duas profecias apenas... e errado, é claro.

É possível que o Professor Saturno utilize o sistema do “jogador de bicho”, isto é, “cerque” por todos os lados, na esperança de “acertar” em parte. Nada menos do que onze tópicos de diferentes profecias foram externados pelo mencionado profeta, conforme ficou explanado acima.

Em nosso escrito de amanhã (4/12/1959), iremos comentar, a nosso modo e em nosso entender, todos os onze itens da profecia do Professor Saturno.

Extraído do Correio de Marília de 3 de dezembro de 1959

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Notícias em estilhaços (2 de dezembro de 1959)

Aproximamo-nos do Natal, a data magna da Cristandade. Data que trará, como nos anos anteriores, um misto de contrastes. Para algumas famílias, alegrias, mesas fartas, felicidade. Para outras, dificuldades, miséria, doenças e constrangimento pelas contingências tão díspares dêsse ser desvairado que se chama Destino, que aplica golpes impiedosamente nos homens.

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O São Bento, provado está, constituiu-se no “bode expiatório” da Federação Paulista de Futebol. Quem não tem nada a ver com o “caso Prudentina” está sendo a maior vítima. Está expiando pecados alheios, servindo de “tábua de bater roupa”, “bancando o holandês”.

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Variadíssima e insuportável vem se manifestando a temperatura em Marília nos tempos. De um momento para outro, os barômetros apresentam mutações quasi incríveis. Faz frio num instante para fazer calor infernal lógo depois. Chove de repente e de repente deixa de chover. Porisso, certamente porisso, que muita gente e especialmente crianças, andam por aí com a saúde completamente “enferrujada.

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Um “pracinha” e sua família em completa miséria, acabam de ser socorridos. Três classes vieram ao encontro do antigo herói da última guerra: a Associação dos Ex-Combatentes (que financeiramente vive aos trancos e barrancos), o “Lions Club” e o Rotary Club. Os “pracinhas” arrumaram a importância da entrada para a compra de u’a máquina de costura, destinada à esposa do mencionado ex-combatente. O “Lions” e o Rotary se cotizaram e completaram o “quantum” para concluir a liquidação do citado apetrecho. Em parte, foi amenizada a dificuldade de mais uma pessoa, que, sabendo cumprir o dever pátrio, não foi alvo da gratidão dos govêrnos.

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A COFAP acaba de demonstrar mais uma das suas “luminosas” idéias: ditou o tabelamento dos brinquedos para Natal. Não é u’a maravilha, o tabelamento de bonecas e carrinhos, quando a carne, os óvos, os frangos, os arroz, feijão, calçados e tantas outras coisas são vendidos pelos preços que dançam mais do que uma crise de epilepsia?

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A retirada do nome do Sr. Jânio Quadros, do “paréo” da sucessão presidencial, desencontrou idéias. Há os que consideram questão superada essa decisão; há os que, por outro lado, interpretam a atitude do Sr. Quadros, como simples “manobra” política.

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A Câmara, a Prefeitura, entidades de classe e autoridades devem dirigir apêlo ao “ditador” Mendonça Falcão, da Federação Paulista de Futebol, no sentido de que tenha um ponto final éssa “onda” e essa perseguição contra Marília. Somos, no caso, completamente inocentes e verdadeira vítima. O São Bento deve jogar já domingo, pelo Torneio dos Campeões, pois o seu lugar foi conquistado por fato e direito, dentro do gramado, com a bóla e não com “bólas”.

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O feijão baixou de preços. As manobras escusas continuam e o produto ainda está escasso na praça. A COFAP, como sempre, continua pusilânime. Não haverá um jeitinho de se aplicar uma injeção de óleo canforado no coração desse organismo controlador e fiscalizador de preços?

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Por falar em preços, será que a COFAP percebeu a disparidade das cotações das feiras livres? De uma para outra banca, com a diferença de às vezes apenas um metro de distância, os preços são de alguns cruzeiros para um mesmo produto. Isto aqui até parece “terra de ninguém”.

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A secção local da Associação dos Ex-Combatentes recebeu o honroso convite para patrocinar a VIII Convenção Nacional dos Ex-Combatentes, no último trimestre do ano vindouro (1960). Motivos de diversas origens, entretanto, fizeram com que os “pracinhas” marilienses agradecessem a distinção e declinassem do honroso convite. Assim, a VIII Convenção deverá ser em Manaus, Amazonas.

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Os engraçadinhos do cinema precisam é mesmo “cana”. Não há lugar para complacências, para com aqueles que não sabem se comportar em recintos públicos, faltando com o respeito à família e à sociedade.

Extraído do Correio de Marília de 2 de dezembro de 1959

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

COFAP Futebol Clube (1 de dezembro de 1959)

Órgão desvirtuado por excelência desde a sua origem, essa tal de Comissão Federal de Abastecimento e Preços, vulgarmente apelidado de COFAP.

Enquadra-se perfeitamente na letra do folclore popular de que “pau que nasce tôrto, não tem jeito, morre tôrto”.

Seu desaparecimento se impõem, uma vez que segue rota adversa às suas finalidades precípuas. COFAP é o mesmo que uma vaca leiteira holandesa, de grandes e grossas têtas, as quais sempre se dependuraram diversas personalidades, uma autêntica sócia de safados.

Não tem autoridade, não tem personalidade, não tem ação em pról do povo êsse famigerado organismo descontrolador de preços. Quando o Presidente Juscelino Kubitschek anunciou aquela “maior piada de 1958”, ou seja, o “congelamento dos preços”, foi que os brasileiros tiveram a oportunidade de perceber o qual inútil é a COFAP. O Chefe da Nação anunciou o malfadado e embusteiro “congelamento” e a COFAP, desautorando o magistrado máximo do país, reunia-se semanalmente e semanalmente liberava determinadas cotações de determinados produtos, quando não curvava as espinhas dizendo “amém” às imposições dos magnatas, “tubarões” ou intermediários.

Órgão que parece um cavalo duro de boca, que não obedece o freio. Ninguém consegue sustentar-se em sua presidência. Parece um braseiro o posto de presidente dêsse desvirtuado e desmoralizado corpo.

A imprensa noticiou com alardes a posse do general Uraruhy Magalhães, mas seu mando foi rápido. Aguentou poucos “pinotes” e limpou a sela. O sr. Guilherme Romano, por sua vez, passou tal qual um cometa pela sala da presidência da COFAP F. C., pois com poucas semanas “pediu água”, exonerando-se em caráter irrevogável.

Parece que só o Fidel Castro ou o Tenório Cavalcanti seriam os indicados para tentar aguentar êsse “baralhado”!

A melhor, então, foi a do Romano, que ao deixar a poltrona da presidência da COFAP, falando à imprensa carioca assim se manifestou: “Não quero saber mais de COFAP, já pedi demissão e espero que o Govêrno atenda o meu pedido com a maior brevidade possível. Sei que vai demorar, pois encontrar alguém que aceite o cargo é difícil. A COFAP é uma inutilidade. Em vinte dias de administração não sei o que é dormir direito”.

E declarou ainda o sr. Guilherme Romano: “Os açougues estão ou não abastecidos? Estão, não é mesmo? Pois aí está o problema resolvido. E com isso eu me despeço da COFAP”.

A verdade, porém, não declarada pelo sr. Romano e sabida por todos, é que o homem tentou bolir em “caixas de maribondos”; isto é, tentou intervir no mercado da carne. Tentou esgaravatar uma ferida “braba” no duro. Foi o mesmo que assinar o atestado de óbito. Mexer com uma classe que se considera (e é, desgraçadamente) intocável é a “pior viagem” que pode fazer um presidente da COFAP. Mesmo bem intencionado, o homem estará sozinho, pois dentre os membros que integram o referido organismo existe pessoas que ganham de terceiros, para advogar as causas dêstes. Isto já foi provado, conforme todos sabem e não é segrêdo para ninguém, exceto, supomos, para o presidente Juscelino Kubitschek, que, ou não enxerga ou não quer enxergar mesmo.

Enquanto isso, o povo... bem, o povo que se dane, que vá para o inferno!

Extraído do Correio de Marília de 1 de dezembro de 1959