domingo, 31 de outubro de 2010

Só dando com um gato morto... (31 de outubro de 1958)

Aborda-nos um cidadão ilustre de Marília. Depois dos cumprimentos, alguns “confetis” e palavras diversas, acaba por passar-nos uma “big” descompostura, deixando-nos a matutar sôbre suas palavras algo voluntariosas e pelo modo como defendeu um ponto de vista contrário daquilo que entendemos.

Censurou-nos êsse amigo, pelo fato de termos manifestado, em escritos anteriores, nosso ponto de vista de que o atual Presidente da República não está fazendo o govêrno que dêle esperávamos (como esperam milhares outros de brasileiros).

Sucede, porém, que discordamos da idéia de nosso leitor e amigo, discordância essa que mais se solidificou, quando solicitamos ao mesmo que nos expuzesse as razões pelas quais classifica o sr. Kubitschek como um bom govêrno. Perguntamos ainda se era a questão “Brasília” que o consagraria e quais as providências de fato e de direito palpável que poderiam ser apontadas como corroboração do dito. Não ficamos convencidos com a argumentação de nosso interlocutor, porque todas as suas palavras foram argüidas sôbre areia, sem nenhuma firmeza palpável.

Continuamos ainda, até que alguém nos prove em contrário, a ser conosco o pensamento de que o sr. Juscelino Kubitschek apresenta o pior govêrno da República, desde que o Brasil se incluiu nessa condição política.

Continuamos ainda a responsabilizar o atual Presidente, pelo cáos econômico e moral em que nos encontramos, pelos descontrôles e desgovêrnos que nos dominam.

Nada temos para elogiar o sr. JK porque nada de positivo e real, que correspondesse aos anseios do povo, vimos até agora. O homem prometeu fazer o Brasil progredir 50 em 5 anos, com tamanho descaramento, que, na ocasião, quase acreditamos. E o certo é que o país progrediu mesmo; apenas que um progresso abjeto, indesejável: progrediu no aumento do custo de vida, na senvergonhice, no setor inflacionário, no descontrôle das coisas; progrediu, enfim, exatamente naqueles campos que se não poderia progredir, deveria, pelo menos, estagnar.

A gente brasileira, hoje, encontra-se à mercê de uma situação intolerável, à margem de um precipício econômico sem precedentes na história; o viver, para a classe pobre, é um sacrifício incrível; alimentação, calçados, medicamentos, tudo, tudo enfim, são cotados da maneira que melhor consultem interêsses pessoais ou de grupos, em detrimento flagrante às necessidades da própria população, porque a própria indústria se encontra sem amparo e sem freios e o comércio, como consequência do parque manufatureiro, vê-se na contingência de ondular seus preços, mais do que o revolto Pacífico em dia de tempestade. Ninguém controla nada e dos costados do povo brasileiro continuam a sair tiras e mais tiras de couro, um couro anêmico, fraco, frágil.

Não venham, pelo amor de Deus, a pensar que somos mais brasileiros, ou revoltados. Apenas estamos relatando uma coisa que não é novidade para ninguém, que é por todos sabida: o atual Presidente da República, nesse particular, foi e está sendo a mais completa decepção que poderíamos esperar.

O homem não para no Catete. O homem vôa muito e como tal, deve forçosamente viver nas nuvens. Seus auxiliares diretos, aqueles que têm sobre os ombros, grande parcela de responsabilidade para com a nação e o povo em geral, parece que acompanham também o “dolce far niente” do cirurgião mineiro que, em má hora, ascendeu à magistratura máxima do país.

E, como “quando não está o gato folga o rato”, a situação justifica-se perfeitamente.

Discordamos de nosso amigo, repetimos. Igualmente discordamos dos que entendem ser o sr. Juscelino um bom govêrno. E discordaremos até a ocasião em que encontremos uma pessoa que nos prove o contrário, fazendo-nos compreender que estávamos errados e que de fato o homem é o tal.

Qual! Só dando com um gato morto...

Extraído do Correio de Marília de 31 de outubro de 1958

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Nova “Lei Cadilac”? (29 de outubro de 1958)

A notícia provém do Rio de Janeiro e foi divulgada por agencia noticiosa de idoneidade insuspeita. Por aí, pode-se deduzir que tenha a sua razão de ser. Alguns cafajestes e maus brasileiros (antes de mais nada), cogitam a elaboração de nova e infame “lei cadillac”, objetivando, à custa das condições de deputados federais, exercer uma sangria indelével contra a economia nacional, importando, com ágios ao cambio oficial, automóveis para uso próprio ou para comércio desonesto.

Já experimentamos éssa infâmia. Levantou-se a imprensa honesta, livre e independente de todo o país, repudiando a desfaçatez desse gesto. De nossa parte, chegamos a apontar os nomes dos desavergonhados parlamentares que defenderam e votaram o abjeto diploma legal.

E a notícia aí está, revoltando os homens de bom senso: deputados da nova “safra” articulam a feitura dessa nova lei, já para o início da próxima legislatura, visando “motorizar-se” por pouco dinheiro e em detrimento flagrante aos interesses do próprio país.

Consta até, que um deputado amazonense, para contar com o apoio de um jornal de Manaus, assumiu o compromisso de transferir ao diretor do citado órgão de imprensa, automóvel que importará após a vigência déssa famigerada lei.

Não é preciso dizer-se o grau de brasilidade dessa gente. Enquanto o Brasil se arrasta em miséria, seu passivo exterior sobe mais que rojão, os compromissos e empenhos financeiros com os Estados Unidos e outros paises avolumam-se, alguns daqueles que tem sobre os ombros a incumbência patriótica da defesa do próprio povo e dos interesses da nação, trabalham em causa de estômago e de vaidades pessoais, pouco se lhes importando que a naufrague.

Entrementes, a situação inevitável das providencias governamentais, de liberação de maior número de ágios para a importação de máquinas e implementos para a lavoura, hidrômetros e tratores para a construção e conservação de estradas, continua a marcar passo, sem acompanhar o ritmo das necessidades brasileiras.

Não precisamos ir longe, buscar argumentos para corroborar o que estamos afirmando; para citar apenas pequenos fatos, conhecidíssimos de todos, relembramos a luta de vários anos empreendida pelos poderes municipais – Câmara e Prefeitura –, no sentido de conseguir divisas para a importação de hidrômetros e motoniveladoras. A contenda referida, em que se considere os esforços de nossos dirigentes e legisladores, aos quais sempre emprestamos nossa colaboração e apoio como órgão de imprensa defensor dos interesses do povo e do município, jamais chegou a aproximar-se do desfecho satisfatório e real, pois as barreiras burocráticas são, em certas ocasiões, verdadeiramente intransponíveis.

Mesmo durante a luta referida, passou a famigerada primeira “lei cadillac” a vigorar e dela usufruíram efeitos des(a)vergonhados e impatrióticos deputados. Cogita-se agora, a articulação de nova e infame lei de igual jaez, em mais uma afronta a paquidérmica bondade da gente brasileira, num desrespeito condenável a todos nós.

Aqueles que, conscientemente, depositaram nas urnas, no último dia 3, votos em favor de certos deputados, deverão estar agora, boquiabertos ante a abusiva desfaçatez de certos candidatos que conseguiram se eleger.

Nossa esperança é que ainda, dentre o número dos deputados reeleitos e dos recém eleitos, póssa haver u’a maioria de homens de razão e bom senso, para recusar a aprovação déssa pretensa e imoral lei, dando assim, em nome do próprio povo, uma lição de moral e dignidade, aos partidários déssa segunda “lei cadillac”, verdadeira vergonha legislativa do país.

Extraído do Correio de Marília de 29 de outubro de 1958

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ainda os preços das coisas (28 de outubro de 1958)

Positivamente, é estarrecedor o clima atualmente vigente no Brasil e que diz respeito à corrida altista de todos os preços de mercadorias, especialmente dos gêneros de primeira necessidade.

Problema complexo, é verdade; suas origens são múltiplas, não há negar. Entretanto, o ponto nevrálgico dessa questão, em que pese as confessas boas intenções do Govêrno Federal, está antes de mais nada, ligado diretamente à responsabilidade do Presidente da República. Verdade é que a barragem destinada a sustar essa caótica anomalia, deve ser um trabalho de equipe, mas, nem por isso, imune o Govêrno da União do maior quinhão da responsabilidade nesse campo.

Diversas são as origens dêsse estado de coisas, tão deprimente no Brasil, colocando nosso país, num índice verdadeiramente abjeto, em relação às nações do mundo, onde o custo de vida é o mais caro.

A falta de uma fiscalização eficiente, maciça, positiva e honesta de órgãos competentes, integrados por gente que não se diga apenas, mas que de fato seja patriótica, deve ser um motivo primordial para fazer com que alguma coisa das tantas que estão erradas, principie a “entrar nos eixos”. O amparo à lavoura, em especial, com um financiamento agrícola bem coordenado e sobretudo equânime, garantindo um preço mínimo ao produtor e um preço máximo ao comércio atacadista e varejista, eliminando assim, se não totalmente, pelo menos em parte, a ação malígna dos intermediários e obstando os “pulos” gigantescos e a oscilação absurda das cotações em épocas de pré-safras, safras e post-safras, com a segurança ainda de meios suficientes de transporte e escoamento, são fatores importantes para a própria economia popular, para prestígio e respeito dos govêrnos e para a própria garantia e seguridade de um Brasil próspero.

Tais fatos, jamais deixaram de figurar, como “chapinhas” fulgurantes, nas plataformas políticas de todos ou quase todos os candidatos a postos eletivos, sem jamais terem sido postos em prática em sentido objetivo e real.

Quem mais sofre as consequências dessa incrível anormalidade, são as classes pobres e média, sendo que esta já não existe praticamente, em relação às dificuldades gerais da subsistência do nacional.

A vida torna-se um martírio para a maioria dos brasileiros, que, mesmo ganhando relativamente bem hoje em dia, pouco pode desfrutar dêsses rendimentos, tamanha é a divergência entre o ganho máximo possível e as despesas mínimas inevitáveis.

Não há o que não suba diariamente de preço; arroz, feijão, tecidos, calcados, drogas e medicamentos. Tudo, tudo.

Isso até nos faz recordar, com indisfarçável espírito de “gozação”, o caso de alguns presos de uma penitenciária mineira, que, insatisfeitos com o tratamento do cárcere, resolveram fazer a “greve da fome”. Gente feliz aquela, que para passar fome precisou fazer greve, enquanto nós outros, aqui fora, passa-se fome mesmo sem necessidade de greve!

Mas, parodiando a gíria popular, ainda resta um consôlo a muita gente: “É que isto não vai ficar assim toda a vida... vai piorar muito... óra se vai”!

Extraído do Correio de Marília de 28 de outubro de 1958

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Abusos e mais abusos (25 de outubro de 1958)

Não é necessário ser comunista e nem tampouco revoltado, para sentir náuseas de muitas coisas que acontecem à miude por êstes Brasís que Cabral e sua flotilha descobriram por mero acaso.

Mesmo os que se julgam e procuram ser ponderados na emissão de conceitos ou apreciação de fatos, chegam a desesperar-se e perder a transmontana, tamanho é o cáos moral e econômico que nos sombreia, prenunciando situações verdadeiramente desesperadoras.

De tudo o que é êrro e que existe no país, a política econômica ostenta lugar elevadíssimo. O descontrole é total, o desgovêrno, idem.

Mal anunciado e ensaiado o novo nível de salário mínimo e já os preços dos gêneros em geral subiram pirotécnicamente e sem encontrar barreiras de espécie alguma. Imaginem os leitores o que não sucederá na ocasião em que, de fato, tal processo chegar a vigorar oficialmente.

No Brasil, desgraçadamente, cada qual faz o que quer, porque aquí os ladrões grandes agem impunemente e cadeira só se faz mesmo para os pequenos larápios. Leite, feijão, arroz, calçados, tecidos, etc., etc., ultrapassaram já as próprias barreiras do som e deixaram muito aquém os próprios “sputniks”.

Organismos controladores e fiscalizadores de preços existem, mas realizam efeitos contrários, isto é, em detrimento do povo e em pról dos prepotentes monopolizadores e dos desbriados intermediários, essas espécies de “sangue-sugas” e ventosas da economia popular. COFAP, COAPS e COMAPS, são mães (dos “tubarões”) e madrastas (do povo).

Ninguém consegue deter a corrida altista de tudo o que é imprescindível à substância popular, porque o mal é de origem, porque o cancro está situado exatamente dentro do próprio Palácio do Catete, onde os exemplos mais vergonhosos abundam e proliferam. O atual Presidente da República mostrou ser completa nulidade em economia e demonstra, à sociedade, pendores indiscutíveis de facilidades para que muitos se acerquem do caldeirão da pouca vergonha e saciem como bem entendam vorazes apetites. A desvergonha é tão grande, e tamanha, que a única coisa que o sr. Juscelino Kubitschek fez, foi promover um progresso de 50 em 5 anos, sem entretanto ter pormenorizado os fatos a respeito dessa embusteira alegação. Efetivamente, o progresso se deu mesmo, tendo o Brasil progredido muitos em poucos anos, porém no setor da senvergonhice e da roubalheira.

O sucessor do atual govêrno é que se verá em palpos de aranha, quando assumir as rédeas da nação e principiarem a vencer os fabulosos empenhos atualmente efetivados junto aos Estados Unidos e outros países do exterior. De dois lados, presentemente, afronta-se e rouba-se o povo brasileiro: do lado particular, em que os grandes comerciantes e os desvergonhados intermediários comem e se lambuzam como bem entendem e do lado oficial(,) onde muito se arrecada e pouco se aplica em pról da coletividade em geral, supondo-se sem ser muito inteligente, que grande parte (senão a maioria) dos dinheiros públicos (o que sobra depois do pagamento do funcionalismo), inclusive a cota do malfadado confisco cambial, está sendo enterrada nesse absurdo que se chama Brasília, cuja construção, tal como vem sendo pretendida é uma verdadeira insensatez, ou está sendo facilitada aos estômagos de muitos cafajestes que se fantasiam de brasileiros patriotas.

Não existe coisa que não suba no Brasil, dia a dia, com exceção do nível da vergonha, que cada vez baixa mais.

Ninguém consegue dar um jeito moralizador na atual situação, porque ao que parece, o brasileiro é mesmo o protótipo do adágio contundente de “sombra e água fresca”.

Gritar não adianta, bem o sabemos. O erro é de cima e de lá deve partir o momento próprio para sanar ou atenuar a crise, que é, antes de tudo, uma crise de vergonha. Enquanto do alto (não dos céus, bem entendido) não surgirem tais providências, a situação permanecerá a mesma; a mesma, não: piorará dia a dia.

Certos govêrnos, COFAP, COAPS, COMAPS...

Bah!

Extraído do Correio de Marília de 25 de outubro de 1958

Abusos e mais abusos (25 de outubro de 1958)

Não é necessário ser comunista e nem tampouco revoltado, para sentir náuseas de muitas coisas que acontecem à miude por êstes Brasís que Cabral e sua flotilha descobriram por mero acaso.

Mesmo os que se julgam e procuram ser ponderados na emissão de conceitos ou apreciação de fatos, chegam a desesperar-se e perder a transmontana, tamanho é o cáos moral e econômico que nos sombreia, prenunciando situações verdadeiramente desesperadoras.

De tudo o que é êrro e que existe no país, a política econômica ostenta lugar elevadíssimo. O descontrole é total, o desgovêrno, idem.

Mal anunciado e ensaiado o novo nível de salário mínimo e já os preços dos gêneros em geral subiram pirotécnicamente e sem encontrar barreiras de espécie alguma. Imaginem os leitores o que não sucederá na ocasião em que, de fato, tal processo chegar a vigorar oficialmente.

No Brasil, desgraçadamente, cada qual faz o que quer, porque aquí os ladrões grandes agem impunemente e cadeira só se faz mesmo para os pequenos larápios. Leite, feijão, arroz, calçados, tecidos, etc., etc., ultrapassaram já as próprias barreiras do som e deixaram muito aquém os próprios “sputniks”.

Organismos controladores e fiscalizadores de preços existem, mas realizam efeitos contrários, isto é, em detrimento do povo e em pról dos prepotentes monopolizadores e dos desbriados intermediários, essas espécies de “sangue-sugas” e ventosas da economia popular. COFAP, COAPS e COMAPS, são mães (dos “tubarões”) e madrastas (do povo).

Ninguém consegue deter a corrida altista de tudo o que é imprescindível à substância popular, porque o mal é de origem, porque o cancro está situado exatamente dentro do próprio Palácio do Catete, onde os exemplos mais vergonhosos abundam e proliferam. O atual Presidente da República mostrou ser completa nulidade em economia e demonstra, à sociedade, pendores indiscutíveis de facilidades para que muitos se acerquem do caldeirão da pouca vergonha e saciem como bem entendam vorazes apetites. A desvergonha é tão grande, e tamanha, que a única coisa que o sr. Juscelino Kubitschek fez, foi promover um progresso de 50 em 5 anos, sem entretanto ter pormenorizado os fatos a respeito dessa embusteira alegação. Efetivamente, o progresso se deu mesmo, tendo o Brasil progredido muitos em poucos anos, porém no setor da senvergonhice e da roubalheira.

O sucessor do atual govêrno é que se verá em palpos de aranha, quando assumir as rédeas da nação e principiarem a vencer os fabulosos empenhos atualmente efetivados junto aos Estados Unidos e outros países do exterior. De dois lados, presentemente, afronta-se e rouba-se o povo brasileiro: do lado particular, em que os grandes comerciantes e os desvergonhados intermediários comem e se lambuzam como bem entendem e do lado oficial(,) onde muito se arrecada e pouco se aplica em pról da coletividade em geral, supondo-se sem ser muito inteligente, que grande parte (senão a maioria) dos dinheiros públicos (o que sobra depois do pagamento do funcionalismo), inclusive a cota do malfadado confisco cambial, está sendo enterrada nesse absurdo que se chama Brasília, cuja construção, tal como vem sendo pretendida é uma verdadeira insensatez, ou está sendo facilitada aos estômagos de muitos cafajestes que se fantasiam de brasileiros patriotas.

Não existe coisa que não suba no Brasil, dia a dia, com exceção do nível da vergonha, que cada vez baixa mais.

Ninguém consegue dar um jeito moralizador na atual situação, porque ao que parece, o brasileiro é mesmo o protótipo do adágio contundente de “sombra e água fresca”.

Gritar não adianta, bem o sabemos. O erro é de cima e de lá deve partir o momento próprio para sanar ou atenuar a crise, que é, antes de tudo, uma crise de vergonha. Enquanto do alto (não dos céus, bem entendido) não surgirem tais providências, a situação permanecerá a mesma; a mesma, não: piorará dia a dia.

Certos govêrnos, COFAP, COAPS, COMAPS...

Bah!

Extraído do Correio de Marília de 25 de outubro de 1958

domingo, 24 de outubro de 2010

Inquestionável necessidade (24 de outubro de 1958)

Marília possui um organismo de indiscutíveis méritos, pela real importância que traduz dentro do progresso hodierno, no que tange ao preparo técnico de pilotagens aéreas. É o Aero Clube local, entidade que ostenta um orgulhoso primeiro lugar no Brasil todo, como a escola dêsse jaez, que jamais interrompeu suas atividades em momento algum.

Sabido é que muitos aero clubes paralisaram suas atividades vez por outra, em decorrência de uma série de fatores e dificuldades normais algumas, imprevistas outras. O Aero Clube local é detentor ainda de outra condição que representa um autêntico recorde: a escola dêsse gênero que maior índice de aproveitamento apresenta hoje em todo o país.

Por aí, verificarão os leitores, a importância do Aero Clube local, seu significado dentro do panorama preparatório de novos pilotos brasileiros, pilotos êsses que poderão, em eventual beligerância, dignificar os céus do Brasil ou do exterior, como combatentes.

Apresenta uma lacuna tremenda, entretanto, o Aero Clube de Marília. Lacuna essa que independe mais dos dirigentes do organismo do que propriamente das autoridades municipais. O Aero Clube local, por incrível que pareça, não dispõe de uma acomodação própria ou de uso privativo, destinada a servir de sala de aulas!

Possuindo um instrutor permanente, de qualidades técnicas e pedagógicas insuspeitas e comprovadas, as instruções são ministradas, em face dessa anomalia, ao relento ou dentro do próprio hangar, prejudicadas sempre, óra por causa de chuvas, óra por causa de ventos.

Tendo em vista que se prepara a ampliação das pistas do aeroporto, capacitando a estação de pouso local para a chegada e saída de maior número de aviões, inclusive aeronaves de grande porte, e, considerando ainda que urge a reconstrução de uma estação aeroviária melhormente capaz de atender os reclamos do dinamismo de Marília e as exigências do conforto dos viajores, útil seria que os poderes municipais voltassem suas vistas para o problema em foco, mandando construir, também, no mínimo uma sala de aulas e uma secretaria, destinadas às instruções de pilotagens aéreas.

Trata-se de indiscutível necessidade, cuja efetivação, à rigor, já deveria ter sido executada há muito tempo.

Não é justo e nem lógico tampouco, que uma escola técnica do porte do Aero Clube de Marília, continue a apresentar essa irregularidade injustificável, maximé tendo-se em conta a sua grande e significativa importância dentro do próprio cenário aviatório civil nacional.

O fato está a exigir providências e atenções dos poderes públicos da cidade, que, conjugando esforços, poderão sanar com urgência essa lacuna de fundo necessário e irretorquível.

Aqui fica êste lembrete, à guisa de sugestão e colaboração, ao sr. Prefeito Argollo Ferrão e aos dignos vereadores à Câmara Municipal de Marília.

Extraído do Correio de Marília de 24 de outubro de 1958

sábado, 23 de outubro de 2010

Satisfação de ambas as partes (23 de outubro de 1958)

Com respeito às eleições passadas, existem em Marília dois grupos distintos de marilienses. A fora os neutros, os frios, cujo número é ínfimo, duas facções são distintas entre nós, a dos que foram francamente pró eleição de gente da cidade e dos que “suaram a camisa” e ganharam dinheiro (ou promessas de emprego) ao trabalharem para gente de fóra.

Ambos os grupos estarão satisfeitos agora, com tôda a certeza. Apesar de não totalmente, as duas correntes encontram-se contentes, embora uma delas esteja desfrutando aquela sensação alegre do dever cumprido e a outra, usufruindo uma felicidade falsa, com alguns pesos de quilos na consciência.

Nós nos encontramos classificados na primeira condição. Bairristas que somos, amantes intransigentes de Marília, sua gente, seus problemas e suas causas, desfrutamos agora aquela atmosfera de felicidade bem intencionada, aquela impressão consciente de termos empregado nossos esforços cívicos em pról de nossa cidade.

Elegemos um deputado estadual, quando poderíamos, muito bem, termos eleito no mínimo dois. Colocamos no lugar honroso, diga-se de passagem, um deputado federal, quando poderíamos também muito bem, termos classificado o dr. Aniz Badra em condições mais interessante para Marília, região e o próprio Estado, designando-lhe uma cadeira no Palácio Tiradentes.

Uma cifra insignificante de 500 votos, graças aos “trabalhos” de “bons” marilienses, impediram que Marília tivesse, em caráter efetivo a sua voz permanente na Câmara Federal.

Essa turma também deve estar satisfeita. Mesmo que não eleitos os seus candidatos, legítimos “amigos de Marília”, os mais marilienses (por sinal maus cabos eleitorais), embolsaram boa “gaita” e ficaram “a ver navios”, no tocante às não eventuais promessas de empregos!

De qualquer maneira, Marília não perdeu de todo a sua luta. Nós, que trabalhamos nessa trincheira desde o ido ano de 1947, sentimos agora uma satisfação indelével, só melhor aquilatada por aqueles que realmente sabem e se esforçam por cumprir um dever cívico.

O exemplo está dado e poderá ser confirmado no futuro. Está provado aquilo que dissemos em outras ocasiões, que Marília tem meios suficientes para eleger com facilidade, dois deputados estaduais e um federal.

Os marilienses em geral e os verdadeiros amigos de Marília em particular, sabem, de sobêjo, quais as pessoas que se empregaram a fundo em pról da eleição de aventureiros endinheirados.

Apanhar de vez em quando é bom e nós já apanhamos o suficiente. Chega!

O autor destas linhas, em trânsito por uma cidade distante, soube de uma votação espetacular de um candidato que se intitulou “candidato de Marília”. Perguntado se era conhecido ali, fomos informados que não e que um mariliense ali estivera, “dando dinheiro” a cabos eleitorais. Pelos cálculos superficiais ao “quantum” gasto e ao número de votos conquistados, concluímos que cada sufrágio ficou ali pela casa de quase 2 mil cruzeiros! E isso, só numa cidade!

De nossa parte, embora não totalmente felizes, estamos satisfeitos em parte. Marília tem um deputado estadual.

Aqueles que colaboraram com essa cruzada, nossos agradecimentos; àqueles que tentaram torpedeá-la (e conseguiram em parte), nossos sentimentos de profunda decepção.

Aliás, os nomes dos que trabalharam pró e contra os interêsses de Marília estão bem guardados pelo próprio povo.

No futuro haverá o “trôco” do dinheiro...

Extraído do Correio de Marília de 23 de outubro de 1958

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Alegria de pobre... (22 de outubro de 1958)

Alegria de póbre dura pouco. É o antigo brocardo que o assevera.

Assim estamos nós. Conseguimos nos ausentar uns dias de Marília, e, consequentemente, dêste jornal. Fantasiamo-nos de “turista” e rumamos lá para Serra Negra, com o fito exclusivo de descansar uma semana das lides cotidianas que nos integram, por contingências necessárias, às atribuições da vida mariliense.

Tempinho danado p’ra correr, êsse quando a gente está na “moleza”! Os dias passaram tão depressa, que mal nos apercebemos que o lapso programado expirava e que a carteira murchava mais do que folha de abóbra em dia de sol quente!

Alegria de póbre dura pouco mesmo. Os dias passaram tão depressa, que nem a gente havia ainda olvidado toda a barulheira das eleições e o dever já reclama nossa presença.

Mas, pensando bem, alguns de folga, aproveitados por aqueles que poucas oportunidades tem de dispor dessas vantagens, surtem maiores do que as férias permanentes dos que podem e as desfrutam 365 dias durante o ano.

Estivemos durante mais de uma semana na “cidade da saúde”, onde bebemos mais água do que sapo. De lá demos “um pulinho” até Amparo, onde visitamos o nosso velho colaborador João Jorge. Por sinal, o “turquinho” mostrou-de um circense especialíssimo conosco, fazendo-nos subir e descer ladeiras, para conhecermos os pontos mais interessantes e as realizações mais importantes de Amparo.

Fomos inclusive na redação de “O Município”, semanário de Jorge Filho, mano de João. Alí “batemos um papo” bastante comprido terminando por rabiscar “alguma coisa” para aquele hebdomadário.

João Jorge quiz saber de tudo aquí de Marília e particularmente da redação, tendo nos incumbido de abraçar a todos os companheiros, inclusive o “senador” Aristides. E não esqueceu também de nos solicitar que informássemos à “leitora do telefone” que ele (João Jorge), recebera a cartinha muito bem escrita e muito gentil.

Mas, como dizíamos, dura pouco mesmo a alegria de póbre. Quando a gente principia a gostar do descanço a folhinha nos alerta de que o prazo está a prescrever e que aproxima-se a hora de “levantar vôo” para o reinício das responsabilidades.

Nestes dias de ausência de Marília, não tivemos o ensejo de acompanhar o desenrolar dos acontecimentos locais nem mesmo a pretensa “marcha da produção”. Em consequência, vamos agora principiar a “tomar pé” com o andamento das coisas normais da cidade, para, gradativamente, reencetarmos a rota que vínhamos palmilhando.

E não o fazemos sem antes repetir o conceituado adágio de que, de fato, “alegria de póbre dura pouco”...

Extraído do Correio de Marília de 22 de outubro de 1958

domingo, 10 de outubro de 2010

Pio XII (10 de outubro de 1958)

Desapareceu ontem (9/10/1958) o Santo Padre.

Faleceu o Papa Pio XII, antigo padre Eugênio Paccelli. O passamento desse extraordinário sacerdote, aos 84 anos de idade abre uma lacuna irreparável no seio da família católica universal e mesmo no campo das mais elevadas intelectualidades hodiernas.

Uma vida inteira dedicada a servir a Deus e a Igreja Católica, Apostólica, Romana. Uma existência preocupada com a paz do mundo, a felicidade dos homens, o sossego espiritual da humanidade. Uma existência inteira a pregar a fraternidade entre os homens, o entendimento entre as famílias, o labor e os bons princípios entre os govêrnos.

Conhecemos pessoalmente a figura simpática do Santo Padre.

Foi em 1943, quando integrávamos a gloriosa Força Expedicionária Brasileira, exército de heróis hoje esquecidos pela ingratidão da própria Pátria.

Cerca de uma centena de soldados, compreendidos entre brasileiros, americanos, ingleses, franceses, italianos e marroquinos compuzeram o blóco que foi recebido em audiência especial por S.S. o Papa. Nesse número, incluíamo-nos.

Com uma simpatia irradiante, se nos apresentou o Santo Padre. Sorridente, bem humorado, esqueceu por momentos as múltiplas ocupações de seu elevadíssimo cargo, para oferecer-nos o calor de sua palavra amiga, o conforto espiritual de sua grande presença. Aqueles que tem fé, sabem e podem sentir melhor do que os outros, o que significa encontrar-se na presença de um grande homem como o Santo Padre. Afável, tratável, humilde apesar de sua grande e significativa importância.

O que mais nos cativou, foi ter S. Santidade se nos dirigido, pessoalmente, a cada grupo de soldados, falando fluentemente as diversas línguas-pátrias. Falou com os ingleses e os americanos num inglês impecável, perguntando e interessando-se por tudo, como um cidadão dos mais simples e comuns. O mesmo aconteceu com os franceses e marroquinos, aos quais se dirigiu em francês. Depois falou conosco, num português claríssimo, com excelente pronunciação gramatical e perfeita dicção. Interessou-se de modo especial pelo nosso grupo, em virtude do grande índice de católicos que habitam no Brasil.

Abençoou-nos, tendo se despedido de um a um dos presentes, com palavras de conforto e amisade, palavras que calaram e repercutiram de modo indelével nos corações de todos aqueles que tiveram a ventura de privar aqueles momentos de felicidade pessoal e a segurança espiritual inspirados pela presença desse extraordinário homem.

Intelectual dos mais renomados, possuidor de uma inteligência rara, poliglota e estudioso dos problemas gerais do mundo e dos povos, perde a terra a mais importante de suas figuras.

Quando deixamos o Palácio de São Pedro, pareceu-nos que tínhamos criado alma nova, sentíamos alguma coisa indescritível e confiante dentro de nós, como se a felicidade daqueles momentos fosse enorme demais para tão pouca gente, a ponto de desejarmos transmiti-la para as demais gentes, para todas as pessoas, mesmo os italianos estranhos que circulavam pelas ruas de Roma.

Perde o mundo um filho ilustre, um sacerdote infalível, uma capacidade moralizadora e espiritual de primeira e única grandeza.

Está de luto a Igreja Católica, está de luto o mundo.

Extraído do Correio de Marília de 10 de outubro de 1958

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A vontade popular é soberana (8 de outubro de 1958)

Virtualmente, estão eleitos os dirigentes e colaboradores do novo govêrno de São Paulo. O resultado das urnas, embóra não terminado oficialmente, correspondeu aos desejos da maioria e constituiu-se, sem dúvida, em motivo de decepção para os partidários do candidato Adhemar de Barros.

Nós que não temos bandeira política e que dentro das observações naturais, em nossa missão na imprensa sempre fomos neutros em nossas análises, poderemos falar de cátedra a respeito dessa autêntica reviravolta de idéias. A vontade popular é soberana e como tal deve ser respeitada. Cumpre agora ao povo em geral, quer os que esperavam a vitória do atual prefeito de São Paulo, quer os carvalhistas ou mesmo os auristas, o prestigio aos que serão dentro em breve declarados eleitos pelo voto da maioria dos eleitores do nosso Estado.

O pleito de sexta-feira passada, acarretou logicamente a preocupação e a certeza de que estamos progredindo no campo da liberdade de escolha de nossos dirigentes. A votação expressiva conquistada pelo Sr. Carvalho Pinto, que, a par de suas qualidades administrativas já comprovadas, traduziu uma esperança para milhares de bandeirantes, não deixa de ser o reflexo de um govêrno e de um homem, o Sr. Jânio Quadros. Notamos nas marchas e contra-marchar da campanha eleitoral, especialmente quando estas descambaram para o terreno do ridículo, em ataques pessoais de ambas as partes, que o nome do Sr. Carvalho Pinto foi o menos atacado, uma vez que as investidas foram dirigidas mais diretamente contra o atual governador de São Paulo.

Por outro lado, provou o transcurso da votação, que o eleitor hoje já está mais esclarecido, sufragando homens e idéias e desprezando legendas. Prova disso, foi a preferência manifestada pelo candidato de Jânio para governador, pelo indicado por Adhemar para vice-governador e pelo nome do padre Calazans para senador.

Significa o transcorrer do pleito de 3 último, u’a mutação sem precedentes na história política de nosso Estado, cujos resultados são merecedores de uma apreciação acurada pelos observadores e dirigentes políticos de nosso país. Chega a ser um prenúncio de u’a metamorfose total e radical na própria base alicerçal da conjuntura política contemporânea, dando mesmo a idéia nítida de que a política brasileira já principia a abandonar seu multiforme sistema de conjunto esdrúxulo, composto de incontáveis partidos, para firmar-se nos moldes do ponto de vista político dominante hoje na Inglaterra, com pouquíssimos partidos majoritários e decisivos. Do jeito que as coisas estão se manifestando, os pequenos partidos tendem a desaparecer, pela inutilidade que representam dentro do próprio cenário político da nação.

O constituir-se um partido político do dia para a noite, com a elaboração de um estatuto, que, em primeira análise, nada mais é do que uma cópia alterada de outro já existente, significa um grande atrazo de nossa gente, traduzindo, antes de mais nada, uma pretensão indisfarçável de dois ou três políticos egoístas.

O sr. Hugo Borghi, por exemplo, é o recordista em “fabricar” partidos políticos no Brasil, isto para melhor ilustrarmos este ponto de vista.

Não há dúvidas que da maneira que as coisas caminham, provado
esta que o eleitorado não está disposto a cingir-se a cabresto de partidos, procurando prestigiar tão somente homens e idéias. Isso(,) entendemos, é o sinal inconfundível de que já estamos conquistando aquilo que se poderá chamar de maturidade política.

É a prova irretorquível de que a vontade popular é soberana.

Extraído do Correio de Marília de 8 de outubro de 1958

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Candidatos de Marília (7 de outubro de 1958)

Por dever de ofício, incluímo-nos no ról das pessoas que obtiveram a legal autorização do Juiz Eleitoral local, para transitar pelas imediações das mesas apuradoras de votos do último pleito.

Como nós, os que observavam tais trabalhos, devem ter para com a sua realização, palavras elogiosas, tal a produtividade e o despreendimento dos funcionários incumbidos do referido mistér. Igualmente, para com o próprio responsável pela organização, ordem e lisura dos trabalhos, dr. Santana e os demais servidores do Cartório Eleitoral, que foram incansáveis e não despregaram o pé do local, enquanto os trabalhos não chegaram ao seu término.

Ao par disso, todos devem ter notado um ponto curioso durante o transcorrer do pleito: a afluência de “paqueiros” de candidatos de fóra, acompanhando ávidos o decorrer da contagem dos votos, marcando sofregamente os sufrágios consignados aos “paraquedistas” que se intitularam, na véspera da eleição, “amigos de Marília”.

Por ali vimos quantos marilienses estiveram a soldo de gente de fóra. Não só nós, como todos viram e não foram poucos os que nos chamaram as atenções para êsse particular. Como elemento de imprensa, fomos procurados durante os dois dias, de minuto a minuto, a fim de fornecermos informações acêrca do pleito. Dentre as pessoas que nos procuraram, poucas foram as que se interessaram em saber como ia a votação dos candidatos locais. A maioria queria saber quantos votos tinha fulano ou sicrano “até agora”.

Não respondemos as perguntas a êsse respeito, porque não dispúnhamos de elementos necessários e nem estávamos preocupados com tal pormenor, principalmente nós que de há muito vimos levantando a bandeira de candidatos de Marília. Ficamos simplesmente impressionados com a atitude de algumas dúzias de marilienses que assim obraram. Ficamos admirados, maximé quando presenciamos a palestra de um “cabo eleitoral”, afirmando categoricamente os preços, condições e bases acertadas para a colocação de votos de um candidato de outra cidade, cujos preços quase nos fizeram desmaiar!

De tudo isso, uma coisa nos conformou e nos serviu de consôlo. A maioria dos marilienses soube compreender os apêlos que fizemos e que posteriormente foram secundados pela União Eleitoral Mariliense, cerrando fileiras em torno dos candidatos locais.

Apesar de pequenos, as votações de Guimarães Toni e Álvaro Simões provaram que muitos eleitores reconheceram o valor da campanha e o valor de nossos homens. Por outro lado, a votação expressiva nos nomes de Fernando Mauro e Aniz Badra, nos deu a certeza de que nem tudo está perdido nesta terra, proporcionando-nos, por outro lado, a garantia de que muita gente pensa como nós, ama Marília e prestigia seus homens de projeção, respeito e trabalho.

Embora sem conhecimento oficial da manifestação do Tribunal Regional Eleitoral, podemos ter esperança de que, desta vez, conseguiremos eleger dois deputados de nossa cidade. Fernando Mauro está praticamente eleito deputado estadual, o mesmo acontecendo com Aniz Badra, quanto à deputação federal.

E, eleitos oficialmente êsses nomes, mistér se faz que Marília em peso cerre fileiras em torno dos mesmos, prestigiando-os em todos os sentidos, para que êles sintam, ao lado do natural amor por Marília, aquêle estímulo que tanto precisam os homens públicos de nossa pátria.

Extraído do Correio de Marília de 7 de outubro de 1958

sábado, 2 de outubro de 2010

A V Olimpíada (2 de outubro de 1958)

Não há negar que a realização da última Olimpíada Estudantil de Marília revestiu-se do êxito esperado. Conseguiu despertar de maneira acentuada, no espírito dos jovens estudantes, o interêsse pelo desporto amador, êsse esporte tão bonito e distanciado (graças a Deus), do mercantilismo e das “marmeladas” que tão grandemente campeiam nas rodas do profissionalismo.

Ao par da citada realização, o Yara Clube comemorou festivamente, o transcurso do 18º aniversário de sua fundação, marcando u’a e meia dúzia de anos dedicados à difusão do esporte amadorista.

Após o “Baile da Vitória” que marcou o encerramento das competições e a eleição e coroação da Rainha da Olimpíada do corrente ano, o Departamento de Esportes do Yara Clube tributou homenagem, representada por um churrasco, a todos os que colaboraram com a realização do aludido certame.

O churrasco referido teve lugar na noite da última terça-feira, no “Rancho Marília”, num ambiente dos mais alegres imagináveis.

Nossa reportagem, gentilmente convidada, conseguiu na ocasião, anotar, além do Diretor de Esportes do Yara, sr. Hidekazu Mitsui e do presidente da entidade, dr. Arquimedes De Grande, mais a presença das seguintes pessoas: srtas. Larissa Kireff, Yara Maria Vasconcelos Philomeno e Maria de Lourdes Reis, respectivamente Rainhas das Olimpíadas de 1956, 1957 e 1958; Victor Argollo Ferrão, representante do sr. Prefeito Municipal; Domingos De Léo; Vasco Belintani; Durval Damasceno Filho; Francisco Pacini Philomeno; Nelson Cabrini; Ernesto Petersen; Antônio Netto; Nilton Porchia; Bernardo Carrero e outros.

O ágape transcorreu, como dissemos, num ambiente de salutar camaradagem e esportividade, como decorreram sempre as realizações dêsse jaez promovidas ou patrocinadas pelo Yara Clube de Marília.

Extraído do Correio de Marília de 2 de outubro de 1958

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cessou a barulheira (1 de outubro de 1958)

A barulheira oriunda da propaganda eleitoral referente ao pleito que se ferirá depois de amanhã (3 de outubro de 1958), cessou desde a zero hora de hoje, na forma de preceituação da Lei Eleitoral.

Continuará até o dia 3, ainda, a propaganda escrita.

A cidade tomou ares diferentes, do azáfama dos últimos tempos. Silenciosa. Voltou à normalidade nesse particular.

De todos os discursos ouvidos, das promessas e das demagogias, dos motivos externados com sinceridade, de ataques pessoais, defesas de grupos, insinuações e oratórias desenfreadas, algumas ridículas até pelo teor elevadíssimo da paixão, está agora o eleitor mariliense em condições de recolher-se e meditar conscientemente, formando e firmando seu ponto de vista, para cumprir, daqui já dois dias, o sagrado dever do voto.

Repousam os alto-falantes volantes; descansam igualmente as trombetas dos amplificadores instalados nas sedes dos diretórios políticos. Tudo é silêncio nesse particular.

Muita gente está dando graças a Deus, pelo fato de ter prescrito o prazo fatal do encerramento das citadas atividades. O fato é que o sossego é outro e a barulheira fôra tanta nos últimos dias que a gente até está estranhando agora nos primeiros momentos.

Não existem, todavia, motivos para alegria. Vai se ver que continuadamente, os alto-falantes publicitários estarão gritando pelas ruas novamente, “preços baixos” de casas comerciais.

Tudo isso é sinal dos tempos, do dinamismo de nossa éra, da luta e da correria de nossos homens. Pensando bem, as eleições movimentam as cidades, dão um colorido e uma ondulação especial às “urbes”.

Vimos nos últimos dias, a prova disso. Entusiasmo, discussões, pontos de vista, “torcida”, e até apostas em vitórias dêste ou daquele candidato.

São coisas do modernismo, coisas da vida. São vibrações normais da éra. Pensando bem, sem essas coisas, a vida não teria graça. Andam tão difíceis as coisas hoje em dia, tantas são as atribulações do povo brasileiro, que essas mudanças do rítmo dos acontecimentos fazem bem a todo o mundo, pelo aspecto diferente que encerram. Ninguém foi capaz de queixar-se, nos últimos dias, por falta de assuntos para uma conversinha, um regular “bate papo”. Nos bares, na rua, mesmo nas residências, entre amigos ou parentes e até entre estranhos, sempre houve um motivo para vir à baila o andamento da campanha eleitoral. Alguns, por curiosidade e dever de ofício, como nós; outros, porque pulsam de fato com as ocorrências políticas; outros, por simpatia com certos candidatos; os mais céticos, apenas conscientes da obrigação de votar; o exato mesmo é que todos, de maior ou de menor maneira, partilharam também dêsse movimento extraordinário e que boliu com os nevos do povo, revolucionando as idéias e os pensamentos de tôda a gente.

A barulheira dos alto-falantes, entretanto, está superada, graças a Deus! Dois dias nos separam do prazo fatal para a decisão do pleito, quando surgirão alegrias para uns e decepções para outros. Coisas da vida. Eleições são assim mesmo.

Extraído do Correio de Marília de 1 de setembro de 1958