sábado, 30 de abril de 2011

E a Casa da Cultura Artística? (30 de abril de 1959)

Para as pessoas menos avisadas ou que alimentem quaisquer sentimentos de prevenção contra os marilienses, poderá parecer que somos “chorões”.

Entretanto, se for feita u’a análise neutra sôbre os motivos dos clamores que constantemente emitimos, constatar-se-á sem nenhuma dificuldade, que nossas “broncas” são eivadas de razões e fundamentadas numa lógica indestrutível.

Pela nossa condição demográfica, pelo fato significado que traduz nossa cidade na própria balança econômica do Estado e da Federação, pelo nível cultural, cívico e religioso que ostentamos, pelos feitos galhardos dos marilienses e por uma infinidade de coisas, ganhamos direitos de reivindicações legitimas e incontestes. E lutamos por isso, porque aqueles que abandonam a luta quando é chegado o momento aprazado e difícil, nada mais são do que pusilânimes, comodistas ou mesmo covardes.

Nosso caso, hoje, é a Casa de Cultura Artística de Marília.

E perguntamos ao Sr. Governador do Estado e mesmo aos Srs. Prefeito e Vereadores municipais:

- Vai “sair” ou não?

A idéia, quando nascida, encontrou o éco necessário em todas as camadas sociais de nossa cidade. As providências surgiram um pouco tarde, mas surgiram. Lembramo-nos que nós mesmo, através desta coluna, desde 1952, “pregamos o mesmo prego” da necessidade de Marília ter o seu Teatro Municipal. Tivemos aplausos, mas os que “soltaram foguetes”, foram, como sempre, os mais insignificantes da “festa”. É o assunto ficou por muito tempo na gavêta do esquecimento.

Não existiu, no passado, uma união de idéias e providências correlatas. Apenas o desejo de alguns. Enquanto isso, Garça, a visinha cidade, continuava, mesmo com dificuldades e “aos trancos e barrancos”, levando avante as atividades de seu famoso “Leopoldo Fróes”. Teve, portanto, maiores motivos justificadores da luta. E saiu na frente de Marília, fazendo-nos despertar da letargia em que nos encontrávamos. Daí, saímos também à contenda: GETAM, Clube de Cinema e União de Treze, formaram na primeira linha da trincheira.

A Câmara entrou na dança e nos demos uma “demão” ao assunto, continuando a luta anteriormente iniciada. As providências foram realizadas verdadeiramente “a jacto”: o Govêrno contemplou Marília com uma Casa de Cultura Artística, destinando, ao mesmo tempo, a verba de três milhões para a sua construção. O município doou o terreno respectivo. A planta foi executada, aprovada. Os papeis necessários foram encaminhados. A esperança aumentou. E ficamos nisso, até hoje.

Por que?

Quer nos parecer, que por um pouquinho de inércia dos poderes públicos locais, que esqueceram o dito jocoso de u’a música popular que afirma: “cotuca por baixo...”.

Sim; é preciso “cutucar por baixo”; isto é, é necessário que a Prefeitura, a Câmara, o deputado Fernando Mauro, entidades de classe e os propugnadores e responsáveis pela idéia agora em fórma de corpo, se dirijam ao Srs. Governador do Estado, solicitando-lhe o apressamento dêsse motivo.

Não é nenhuma pretensão absurda, que represente antes de tudo um favor para Marília, porque, em primeiro lugar, significa o preenchimento de uma lacuna, reclamada com justiça pela própria cultura e desenvolvimento de uma grande cidade e sua laboriosa gente.

Vamos descruzar os braços e fazer “o bonde andar”?

Extraído do Correio de Marília de 30 de abril de 1959

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Ainda a Renovação de Valores (29 de abril de 1959)

Encontrou a repercussão esperada nosso escrito de ontem, acêrca da propalada e necessária renovação de valores, com respeito aos nomes que deverão compor o futuro corpo legislativo municipal.

A julgar pelos telefonemas recebidos e pelas manifestações pessoais que nos chegaram ao conhecimento, pudemos perceber que tocamos, de maneira pública, num ponto que vinha sendo observado e acalentado por diversos políticos e facções partidárias, sem que tivesse, até então, se escoado além dos bastidores.

Efetivamente, a idéia tem o seu timbre de verdadeiramente revolucionária; revolucionária, bem entendido, dentro do circuito elevado do pensamento sadio e bem mariliense. O desejar-se que Marília volte a reencontrar a trajetória iniciada em 1947, no tocante à constituição de uma edilidade realmente aperosa e que represente positivamente o “zero à direita”, não póde traduzir (e como tal não deve ser concebida) a cogitação de que dispuzemos nas duas últimas legislaturas (e maximé na óra findante), de homens indignos ou impuros para o exercício de cargos outorgados pela vontade do povo. Absolutamente.

A questão é que muitas vezes, homens dignos e bem intencionados, nem sempre conseguem a desincumbência cabal das responsabilidade para as quais foram legislativamente delegados. E, temos nesse particular a certezam excluindo alguns motivos de natural vaidade pessoal, ou de politicagem contumaz, que todos tentaram “descalçar a bota” da maneira mais honesta e cabal possível, embora não o tenham conseguido fazer, no sentido completo daquela longitude das grandes responsabilidade e exigências originárias dos cargos aludidos. No caso óra focalizado, que não é nosso e sim de nosso povo, surgido mais diretamente das observações dos partidos políticos mariliense, eternamente preocupados com as boas causas da cidade, o mistér é encontrar-se “the right man for the righ place”.

Não existem motivos plausíveis para menos prezo aos cidadãos que exerceram ou exercem os cargos aludidos e que venham a ser enquadrados na pouco cômoda condição que citamos, da mesma maneira que não podem vingar razões para endeusamento dos outros, que, mercê de suas atuações como legisladores, foram mais capazes comprovadamente. Ambos, temos em nós o pensar tentaram sair bem da empreitada. O fato, entretanto, é que a experiência nos autoriza a clamar pela necessidade avocada e em aprêço, para que urja mesmo essa renovação de valores.

É uma lei própria da natureza o fato de que nem todos nascem com as aptidões que se casam com os próprios desejos; assim, não é de admirar-se que alguns vereadores tenham tentado ser bons representantes do povo e não o tenham conseguido. Daí a necessidade de compreensão própria desses mesmos homens, sem quaisquer resquícios de mágua ou mesmo de complexos, em aceitar ar contingencias da situação tão clara. Pelo contrário, entendemos, a renúncia dos desejos possivelmente alimentados, por aqueles que assim estão classificados pela observações soberana e neutra do próprio povo, ao envés de acarretar-lhe o mais leve motivo de espécie pública, deverá colocar-los num pedestal de elogiável respeito e dignidade mariliense.

Como dissemos ontem, os partidos políticos são os principais responsáveis pela futura e necessária metamorfose aventada. Das ações deste e da própria contribuição e colaboração do eleitorado mariliense, dependerá o êxito dessa idéia. Não temos, repetimos, sôbre a mesma, qualquer primasia de paternidade; formamos apenas e tão somente, no ról dos que, sem intuitos de menos preço ou desconsideração aos que procuram e não conseguiram ser mais úteis à Marília, acalentando o fito de uma corrigenda dessa anomalia.

A renovação de valores integrantes do corpo legislativo mariliense é medida urgente e inegável.

Extraído do Correio de Marília de 29 de abril de 1959

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Renovação de valores (28 de abril de 1959)

Pèssoalmente, convém frizar de antemão, nada temos contra quem-quer-que seja, dentre todos os marilienses que ocuparam ou ocupam cargos de vereadores em nossa cidade. Orgulhamo-nos até, de sermos amigos de todos, indistintamente. Entretanto, mistér é que reconhecemos que nosso corpo legislativo está urgindo uma reforma radical – uma renovação de valores.

Abordamos agora o assunto, porquanto a questão já chegou ao ponto de alertar a consciência dos principais partidos políticos, existindo alguns que já levantaram a bandeira do ideal de remodelação de homens públicos, com respeito à futura constituição dos novos integrantes da edilidade mariliense. Alias, tal assunto é hoje “prato do dia”, não só nas hostes políticas, como também no conceito dos próprios observadores, especialmente por parte das pessoas que, de uma ou outras maneira, denotam algum interesse e amor por Marília.

Não vai neste comentário, nenhum motivo de melindre aos vereadores marilienses de módo geral ou particular. A verdade é conhecida de todos e sua clareza meridiana já despertou as atenções de todos nós.

A primeira legislatura mariliense ficou na história da cidade, considerada que foi, como a “Câmara de peso”, de iniciativa elogiáveis e de ações estupendas, marcadas dentro de um critério de prática, razão e objetividade ímpares. Mais de trinta nomes compuseram o primeiro corpo de vereadores da primeira Câmara de Marília, após o período de redemocratização do país.

Atos daquela edilidade foram citados como exemplo frizantes, em diversas partes do Brasil; leis daquela ocasião, serviram de molde para diversas comunas brasileiras, pela perfeição, magnificência e oportunidade irrefutáveis. Citações encomiosas, enalteceram o nome de Marília e elevaram o alto nível legislativo de nossos vereadores de então, traduzindo uma atitude invejável para o valor de nossa cidade e de nossa gente, como uma precocidade de ações e feitura de leis das mais oportunas imagináveis.

Hoje, não é mais assim. Das três legislaturas que já experimentamos, a atual tem sido a considerada mais negativa, inquestionavelmente. Não que tenhamos alguma coisa em contrário contra qualquer de nossos edís, pois dentre o referido corpo, existem alguns que procuraram e conseguiram se desobrigar dos deveres elevadíssimos do cargo, de maneira airosa mesmo. Falamos, no caso, em tése. De modo geral, a atual legislatura é a que menos correspondeu e a que menos se coadunou com os altos interesses do próprio progresso e do dinamismo de Marília.

É, pois, louvável, essa revolucionária idéia de renovação de valores, para a constituição da futura Câmara Municipal. Precisa Marília realizar, em certos casos, um autêntico expurgo em seu corpo de legisladores, abolindo os que, comprovadamente, não corresponderam aos altos desígnios da importância dos cargos. Os que fazem mais política do que trabalho, os que não a frequentam com constância, os que nada fazem, a não ser comparecer às sessões, tomar café e água e votar de acôrdo com as conveniências partidárias. E, especialmente, aqueles que só abrem a boca para dizer “presente”, à hora da chamada nominal.

A idéia, como se sabe, não é nossa, embora sôbre a mesma tenhamos já, em outras circunstâncias, emitido nosso ponto de vista. Mas está tomando corpo, porque numa cidade de gente culta, todas as iniciativas de peso encontram de ponto a necessária guarida no conceito da opinião pública.

Para sua consumação completa, duas partes terão responsabilidade diréta no caso: primeiro, os próprios partidos políticos, que deverão proceder o selecionamento de valores, que possam, de fato, casar-se com os interesses óra aventados; segundo, os próprios eleitores deverão constituir-se em vigilantes fiscais, para, no caso de ter escapado à “peneirada” dos partidos, alguns nomes que não se enquadrem dentro do ideal referido, saberem aqueles discernir a diferença dos mesmos. Temos em nós, que encarando-se os interesses da cidade e a honorabilidade de suas tradições de exemplos e trabalhos, devemos, no caso em aprêço, olvidar mesmo questões de simpatias pessoais ou motivos de amisade, para consignar votos somente àqueles que, de conformidade com nossa próprias consciências, possam corresponder ao elogiável plano da remodelação desses valores. Senão, nada feito e tornaremos a presenciar, por mais quatro anos, uma Câmara composto de elementos, que, em sua maioria, não corresponda integralmente aos anseios e desejos de nossa própria cidade.

Nesse particular, poderemos ser exigentes, com justificados motivos: poderemos pretender, tão somente, que imitimos, de maneira geral, a primeira legislatura de Marília, após o período ditatorial.

Extraído do Correio de Marília de 28 de abril de 1959

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Tripla responsabilidade moral (25 de abril de 1959)

O pleito de 4 de outubro próximo, no que se refere ao âmbito municipal, principia já a preocupar os marilienses. Não só os partidos políticos, como também o próprio eleitorado. Se bem que nem todos sejam apaixonados pelo assunto, não resta dúvida que qualquer pessoa, em qualquer circunstância ou local, volta e meia, aborda direta ou indiretamente, o problema sucessório do município.

Isso é um bom sinal, fora de dúvidas. Significa que homens sérios de Marília se preocupam com problemas sérios, muito embora algumas pessoas que alimentam razões simplistas, tentem dar à importância da questão, maior empobrecimento ou mesmo o colorido do pejorativismo.

É preciso saber entender a política real, em suas bases sólidas, como uma arte e até mesmo uma ciência. É necessário que na mentalidade geral, se aquilate o valor dos homens, o programa e as plataformas de governo dêstes mesmos homens. Separar o joio do trigo. Discriminar a política fundamental, apartando-a da politicagem e da politicalha contumaz, abjeta e desleal.

Nesse particular, alguma coisa já existiu errado em Marília; esperamos que o próximo pleito, onde se empenharão marilienses autênticos, filhos adotivos de nossa cidade, o vai-e-vem das ondulações políticas se coloquem num plano de superioridade e ombridade moral, como um exemplo sadio de nossa educação cívica.

A luta vai ser renhida; as opiniões e simpatias se dividirão em tôrno dêste ou daquêle candidato, num atestado inequívoco de verdadeira democracia, atmosfera que desfrutamos no Brasil com a graça de Deus, apesar de muitas vezes ser confundida com a anarquia.

Dois candidatos oficiais à Prefeitura, já temos em Marília. Léo e Tatá. Ambos idôneos e capazes, ambos confessadamente bem intencionados. Outros deverão surgir, uma vez que os acertos e conchavos partidários não se ultimaram em todas as facções políticas de nosso município.

Os dois candidatos conhecidos, já se encontram trabalhando, no sentido de dar a conhecer ao eleitorado mariliense, as suas intenções como candidatos e as suas convicções e certezas de operosidade, se eleitos. Em ambos os casos, as opiniões divergem, pois sabido é ser perfeitamente natural, a predileção ou não por nome ou homens.

Existe ainda a possibilidade do terceiro e também do quarto nome vir ser dado à luz. Simonato, na opinião geral, é o candidato virtual do PSD, sendo que o PDC ainda não “quebrou lança” de maneira pública e oficial. Portanto, mais dois candidatos, no mínimo, poderão emparelhar-se aos dois já existentes.

Os nomes em foco, possuem, pela sua natureza, em maior ou menor volume, o seu colegiado eleitoral, o seu círculo de simpatia. O mesmo, pelo que se percebe, existe quando aos focalizados e ainda não oficialmente lançados. Representa, fóra de negar, alguma coisa de precocidade política, uma coisa assim como a própria maturidade de nossa cidade. Quer dizer, um exemplo digno de ser observado e que implica na temeridade que a própria responsabilidade impõe aos próprios partidos políticos, aos candidatos individualmente e ao eleitorado principalmente. Responsabilidade que constitui um triângulo: a facção de uma quina, o candidato de outro vértice e os eleitores ao ângulo final.

Mistér se torna que todos nós – partidos políticos, candidatos e eleitores – coordenemos, embora sob análise diversas, um pensamento uníssono (por paradoxal que pareça), peneiremos então os prós e contras, sempre com o pensamento voltado ao bem estar de nossa gente e ao progresso de nossa cidade, para sairmos de maneira completa, cabal e airosa da empreitada referida.

Extraído do Correio de Marília de 25 de abril de 1959

domingo, 24 de abril de 2011

Miscelânia (24 de abril de 1959)

Preparam os paulistanos, carinhosa e gigantesca manifestação de carinho ao General Humberto Delgado.

O militar luso, que há pouco se exilara na Embaixada Brasileira em Lisboa, teve nome e atitude citados por toda a imprensa da América e Europa, quasi se tornando um caso de política internacional.

Ao pisar o solo brasileiro, o ilustre representante da terra de Camões teve para com nossa Pátria e nossa gente, as mais encomiosas palavras de amisade e gratidão.

Ao que se comenta, embora com contradições, o General Delgado, cuja passagem pelas fileiras do Exército Português marcaram-se por um espírito eminentemente democrático e de extraordinária cultura, adotará o Brasil como sua segunda Pátria.

Sêde benvindo, general!

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Nova greve está agora em articulação: a dos caminhões de cargas de todo o país. Motivo: a alta desenfreada dos preços dos pneus, gasolina e peças.

Enquanto isso, o Sr. Presidente da República, em seus discursos (quando não está em viagem para Brasília), continua preconizando o mito da baixa do custo de vida.

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Muitos mortes e mais de cem mil pessoas desabrigadas, é o resultado do violento temporal e inundações que assolaram recentemente a Argentina e Uruguai.

A Cruz Vermelha Argentina e sua congênere uruguaia, lançaram um angustiante apêlo à Liga das Sociedade da Cruz Vermelha, pedindo medicamentos, agasalhos, alimentos e leite em pó para as famílias vitimadas pela mencionada catástrofe. Não seria o caso da Cruz Vermelha Brasileira dar também uma “demão”?

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Notícias de Buenos Aires dão conta de que os jangadeiros brasileiros do raide Fortaleza-Buenos Aires oferecerão sua embarcação ao presidente Arturo Frondizi, como símbolo da amizade que une o Brasil e a Argentina.

O raide pelo qual os corajosos pescadores arriscaram a vida por diversas vezes, não tem outro fim senão o de uma manifestação viva dos laços de amizade que unem as duas nações.

A jangada será exposto nos próximos dias em praça pública, em plano coração de Buenos Aires.

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“O marechal Lott não pode recusar o que lhe pertence. Sua candidatura já foi adotada pelo povo da rua e ninguém tem o direito de contrariar a vontade soberana do povo” – afirmou o deputado Último de Carvalho (PSD minas), a proposito das recentes declarações do marechal Lott, nos Estados Unidos. Acrescentou o parlamentar pessedista que o fato de que o ministro da Guerra, afirmar que não é candidato, não quer dizer que ele “não está”.

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Telegrama procedente de Londres dá conta de um dos maiores absurdos dos últimos tempos, qual seja, um hino religioso, executado com o rítmo do discutido e famigerado “Rock’n Roll”. É o seguinte o seu texto: “Durante a realização de um ofício religioso, as endiabradas notas de um “rock’n roll” explodiram na igreja de Santa Barbara no bairro malfadado de Soho, em Londres. Tocava a guitarra (espécie de violão) um jovem de 17 anos, Cary Mille, o qual interpretava um hino religioso de autoria do reverendo Geoffrey Beaumont: “A idade de ouro”. De acordo com o autor, a tanto sentimento nessa musica que também Deus deve ter sua parte”.

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Em Ribeirão Preto, terça-feira última, quando a cidade festejava a vitória do Comercial F.C. sôbre o S. C. Corinthians de Presidente Prudente, três riberopretanos perderam tragicamente as vidas.

O sr. José Carvalho Guimarães, médico da Sta. Casa daquela cidade e os jovens Cid Salomão e Eugenio Carvalho Rocha, ambos estudantes, morreram num desastre automobilístico, quando regressaram à “Capital do Café”, depois de terem, no Pacaembú, torcido pelas cores do novo integrantes da 1ª divisão da Federação Paulista de Futebol.

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Não se pode negar que até agora, o Sr. Juscelino Kubtschek não se movimentou no sentido de acoroçoar todos quantos pesaram na possibilidade de sua reeleição, mediante reforma constitucional.

Mas os que privam da intimidade do chefe da Nação estão convencido de que êle vai ter grandes possibilidades de voltar à presidência. Não em 1961, é claro. Mas em 1966.

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No dia 31 de Julho vindouro, será lavrado o atestado de óbito da COFAP e suas “filhinhas” COAPS e COMAPS.

Na mesma data dar-se-á o nascimento do garotinho INA, cujo “enxoval” já está sendo preparado. Já sabemos os nomes dos pais. Resta-nos aguarda agora, para conhecermos quais serão os “padrinhos”.

E, pelo jeito, deverão ser muitos!

Extraído do Correio de Marília de 24 de abril de 1959

sábado, 23 de abril de 2011

Balela oficial (23 de abril de 1959)

É o que se póde dizer da COFAP e suas “filhas” COAPS e COMAPS. Uma balela oficial.

Agora a COFAP mudou de nome. Passará a chamar-se Instituto Nacional de Abastecimento. Na intimidade, INA.

Muito se falou sôbre a extinção desse organismo, uma vez que o mesmo não vinha cumprindo fielmente as suas precípuas finalidades, no concernente ao arbitramento justo, fiscalização eficiente e orientação sábia, que redundassem diretamente em pról dos interesses do povo, conforme seria de esperar e de acôrdo com a própria declarada origem do mencionado órgão.

A extinção não e nem poderia mesmo vir, porque se teria criado no Brasil, um problema de aspecto mais delicado e de solução mais difícil para o comodismo de algumas pessoas, do que mesmo as questões urgentes de interesse de toda uma população. É que existem dezenas de funcionários bem remunerados integrando o famigerado núcleo, hoje considerados servidores públicos de autarquia (embora não o sejam) e que não poderiam, assim, sem mais e nem menos, ganhar o olho da rua! Então se remedeia a situação, conforme já fôra feito no passado, quando da mudança do nome original para COFAP; isto é, muda-se o rótulo, permanecendo inalterável o conteúdo.

Tais organismos jamais cumpriram as suas finalidades, pois ao invés de se tornarem defensores do povo, defenderam de fato (e de direito, por que, não?) os interesses e reivindicações dos potentados e intermediários. Pelo menos, nós, o zé povinho, é assim que vemos esses organismos. As reivindicações dos grandes (que é a minoria), são prontamente atendidas pela COFAP e suas “filhinhas” (idolatradas, salve salve!) em detrimento dos pequenos (que representam a maioria). Isso ninguém poderá contestar.

Assim, pois, a COFAP nada mais representou para os interesses do povo, especialmente o interiorano, que uma autêntica baleia oficial, disvirtuada desde o início de suas patrióticas finalidades, finalidades essas que se constituíram numa esperança frustrada e decepcionante. A julgar pelos exemplos já demonstrados pela COFAP e suas “filhinhas”, é de justificar-se sem sombra de dúvidas que o zé povinho continue a descrer e duvidar de que as atenções do INA possam, de fato, encontrar a verdadeira finalidade, na defesa da intransigente dos interesses populares.

De qualquer maneira, nosso comentário nada apresenta de pejorativo; pelo contrário, consubstancia votos, para que o INA não venha a seguir as mesmas pegadas da sua antecessora, a COFAP, corpo que, nem de leve, em nosso entender, foi capaz de suprir a lacuna que justificou a sua criação.

Se a COFAP não pretendeu dar-nos esses exemplos e motivos para tal crítica, pelo menos assim agiu e isso ninguém poderá negá-lo. Muita gente ganhando muito dinheiro e pouco trabalho efetivo em pról dos interesses do povo, que é a maioria e que foi o mais diretamente prejudicado pela inércia de tal organismo, organismo que a imprensa carioca e a paulistana denominou ironicamente de “Mãe dos Tubarões”.

Nossos votos, portanto, para que o INA possa vêr-se imunes das “influências” exteriores (ou interiores) e cumprir a real finalidade de seu surgimento, no contenda dos interesses do próprio povo, sem que venha a constituir-se, como já aconteceu no passado, em inequívoca e lamentável (condenável, sobretudo) balela oficial.

Extraído do Correio de Marília de 23 de abril de 1959

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Adeus, Dermânio! (21 de abril de 1959)

Recordamo-nos de um garoto vivo, inteligente e dedicado ao esporte, que se tornou conhecido e estimado entre os marilienses, mercê de seu gênio alegre, suas maneiras lhanas de tratar com todos.

O garoto cresceu; cresceu em tamanho, cresceu em moral, cresceu na estima de todos nós. Projetou-se vertiginosamente dentro da popularidade ilimitada. Representou as cores de Marília esportiva em todos os rincões do Brasil e teve a honra de representar nosso país em competições no exterior, participando de um prova internacional no Uruguai.

Amealhou verdadeira fortuna moral, em troféus, títulos e medalhas, enriquecendo o patrimônio esportivo do nome de Marília.

O valor desse moço, não se encontrava somente no sentimento e nas grandes qualidades de esportista e sim, sobretudo, no elevado padrão moral, que o identificou sempre, apesar de sua humildade, num homem digno de Marília e amigo de todos os marilienses.

Dermânio da Silva Lima, o campeoníssimo Dermânio, é a figura que nos referimos.

Não existiu em Marília, u’a única pessoa, que não conhecesse, não soubesse dos feitos, não apreciasse o quilate e a personalidade desse jovem ou não desfrutasse de sua grande amizade.

Criou-se entre nós, tendo sído um zeloso e exemplar funcionário de Cine Marília.

Sofreu Dermânio dois rudes golpes do destino. O primeiro quando foi arrebatado o próprio pai. Os fados testaram a capacidade emotiva e de honradez do saudoso Dermânio e êste soube enfrentar a situação, constituindo-se no esteio de sua grande e homogênea família, auxiliando a extremosa mãe a criar todos os irmãos. Sua pessoa, sua figura elevada e a maneira como se portou ao enfrentar a situação, tornaram-se ainda mais estimado dos seus e de todos nós.

Ainda há pouco, antes de sofrer o segundo impacto do destino inexorável, Dermânio continuava a bizar as suas inequivocas demonstrações de amor à Marília e nossa gente. Foi depois do último aniversário de nossa “urbe”. Lá em Botucatu, onde residia ultimamente, Dermânio empunhava jornais de Marília e de São Paulo, que noticiavam os acontecimentos referentes ao 30º aniversário de nossa cidade. E alardeava publicamente, entre seus amigos de lá (cujo número se equiparava ao daquí, porque as amizades em todos de Dermânio nascem espontaneamente, como as águas cristalinas que brotam das cordilheiras), a grandeza de Marília e os feitos de nossa gente. Dentro de seus possibilidades e sem outras pretensões que não as de justificar o quanto amava Marília, Dermânio era, em Botucatu onde residia ou em qualquer parte onde passasse, o mais lídimo e desinteressado representante e propagandista de Marília, seu progresso e seu grande povo.

Dermânio desapareceu. Deixou o reino dos vivos, de maneira inesperada, dolorosa para todos nós. Na flor da idade, pode-se dizer. Sem que tivesse, pelas circunstancias que o fato ocorreu, a oportunidade de ter junto a sí, o calor de seus amigos, esposa, filhos e parentes. Acontecimento trágico, de conhecimento de todos, veio privar Marília de continuar a ser aquinhoada com a estima e o amor sincero daquele filho adotivo desta cidade, que se tornou mais do que isso, que soube tornar-se um símbolo, uma auréola de simpatia, carinho e amor, um moço que conduzia em seu grande coração, Marília e sua gente.

Morreu Dermânio da Silva Lima.

Morreu um grande amigo, um grande filho, um grande chefe de família, e, acima de tudo, um enorme mariliense.

Está de luto o desporto amador de Marília.

Está de luto a grande família mariliense, com essa perda irreparável de um de seus mais autênticos filhos.

A grandeza da alma e de caráter de Dermânio da Silva Lima, em todos os pontos que marcaram a sua vida, foram sempre insuperáveis. Um ról de exemplos, de que a simplicidade de um homem, quando imbuída de um amor verdadeiro, se equipara e ultrapassa o conteúdo dos maiores corações.

Adeus, Dermânio da Silva Lima!

Adeus, grande mariliense!

Adeus, amigo!

Extraído do Correio de Marília de 21 de abril de 1959

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Racismo na África? (15 de abril de 1959)

O assunto até parece uma piada e das boas. Na África, que o bêrco da raça negra, existe preconceito racial e em certos pontos, “guerra branca”, frontalmente aberta contra os pretos!

É difícil de acreditar, mas é a verdade. Dois “casos” foram criados contra esportistas negros, e, por coincidência, lógo com pretos brasileiros. Primeiro, foi a seleção de bola ao cêsto da Sociedade Esportiva Palmeiras, que ficou inibida de que seus craques de côr se apresentassem aos africanos. Agora, idêntifica ostensiva medida racial acaba de ser imposta ao time de futebol da Associação Atlética Portuguesa, de Santos, que teve que deixar detidos no navio, alguns de seus jogadores de côr.

O assunto parecia que iria passar desapercebido; entretanto, tornou-se público, revoltou meio mundo e acabou de chegar ao conhecimento do próprio Ministério das Relações Exteriores e mesmo à ciência do Presidente Kubitschek.

Muito se falou sôbre o assunto.

Muito se falará ainda, pois a questão é mesmo daquele molde que se chama “dar panos pra mangas”. Óra, então já se viu, lógo no país de origem da praça negra, existir êsse quasi inacreditável e sob todos os pontos de vista injustificável preconceito racial?

As duas representações brasileiras, co-participaram talvez involuntariamente desse estado de coisas. Ou porque a urgência dos compromissos previamente elaborados não o permitisse ou porque a primeira análise não chamasse as atenções dos responsáveis pela delegações referidas, da gravidade e repercussão do fato, o que é certo, é que obraram mal as equipes que se sujeitaram a tão abominável exigência. Principalmente para nós, brasileiros, onde pretos e brancos se irmanaram em todos os sentidos e onde todos tem direitos iguais, previstos pela própria Constituição Federal.

Não poderiam as pessoas responsáveis pelas delegações em referência, sob condição alguma, pactuar com tal exigência e nem dobrar as espinhas à imposição dêsse jaez.

É profundamente lamentável esse fato, que, sob certo aspecto de humanidade se constitui num verdadeiro crime. Ademais, é incrível mesmo, pelas circunstâncias originárias de local – lógo na África!

Nos próprios Estados Unidos, onde a pressão contra os negros sempre existiu e já hoje é considerada tradicional, jamais se verificou um fato de idênticas proporções. Mesmo na Alemanha e no tempo de Hitler, quando do “preparo” da “raça ariana pura”, ninguém ousaria cometer tamanha barbaridade contra pretos de outras nações, que, por quaisquer motivos, alí parassem ou por aquele país passassem.

Que o fato sirva de lição e que delegações esportivas nacionais, para o futuro, já sabedoras desses lamentáveis inconvenientes, se precavenham, encarando menos a parte das finanças do clube, do que a tradicional orientação de fraternidade brasileira, onde todos, pretos e brancos são iguais.

Poderíamos aceitar essa imposição racista de qualquer outra nação, mas nunca da África.

Éssa, não!

Extraído do Correio de Marília de 15 de abril de 1959

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A Petrobrás (14 de abril de 1959)

Se a Petrobrás não fôra aquilo que chamamos uma emprêsa estatal, por certo o índice dos lucros que apresenta, teria sido classificado como extraordinário e talvez como absurdo.

A aludida emprêsa, conforme divulgações da imprensa de São Paulo e Rio de Janeiro, apresentou, em 1958, um lucro líquido de Cr$ 5.571.000.000,00!

Óra, pensando nisso, apelando antes de pensar nisso, para aquilo que se chama patriotismo verde-amarelo, não é o caso de perguntar-se se foi mesmo para esse fim (dar lucros?) que a Petrobrás foi criada?

A Venezuela nos deu em exemplo frizante e conseguiu transformar radicalmente a vida econômica de seu povo, mercê dos sábios processos com que explora o seu petróleo.

Conosco, a questão é diversa. Estamos com os olhos fechados, porque algumas pessoas que se dizem nacionalistas e nada mais são do que pseudo-nacionalistas, fazem questão cerrada em não ver a realidade dos fatos. Aqueles que esperam ou desejam que a Petrobrás apresente menos lucro e produza mais petróleo, correm o risco de serem chamados de entreguistas e até de traidores da Pátria. No caso, então, o certo é dobrar as espinhas e dizer amém, mesmo embora, tenhamos em nós o pensamento, de que a Petrobrás, se preenchesse de fato não de direito as suas verdadeiras finalidades, conforme entendemos, não deveria apresentar um centavo de lucro, enquanto faltasse nos motores dos variados tipos de veículos, um litro de gasolina nacional.

A Petrobrás tornou-se uma emprêsa estupendamente confortável, sólida, prática e cômoda. Até o capital social foi conseguido de particulares, em sua grande maioria, compulsoriamente, dentro de operações escudadas por lei. Em situação privilegiada, compra e vende pelo preço que mais lhe convém, embora tenha meios de maior produção, produção que não se consuma, que não alcança cifra capaz de solver, pelo menos a metade dos gastos de petróleo da nação. Mas a Petrobrás dá lucro e isso é o que desejam alguns nacionalistas, que, como dissemos, não podem passar da condição de pseudo-nacionalista. Pelo menos, para o entender de muitos outros patrícios.

O advertir, criticar ou mesmo comentar, por levemente que seja, a situação desses lucros enormes e produção aquém do normal, é um assunto sério. O crítico póde correr o risco de ser tachado de mau brasileiro, de entreguista, de traidor, de outros tantos adjetivos pejorativos, quando, na verdade, a situação é bem inversa.

A Petrobrás, de acordo com os próprios dispositivos de sua constituição, foi criada para obter lucros extraordinários. O petróleo, em produção abundante e exigida pelo consumo nacional, é urgente e indiscutível, de interesse de toda u’a nação; os lucros extraordinários, não interessando a toda a Pátria, encontram-se com os interesses de meia dúzia de nacionalistas de um timbre algo ôco.

Será erro, o desejar-se que a Petrobrás produza um pouquinho mais de petróleo, embora diminua um pouquinho essa estrastoférica margem de lucros que vem apresentando?

Se isto for erro, nós estamos errados, profundamente errados. O que nos consola, é que milhares de brasileiros (não pseudo-nacionalistas) assim entendem também.

Vamos acabar com muitas balelas que existem por aí, como “o petróleo é nosso” e outras tantas baboseiras, que só servem para confundir, alimentar um falso patriotismo, fechar os olhos a realidade, pedindo aos responsáveis por êsse estado de coisas, que deixem de calcular as cifras de lucros e pensem um pouquinho mais no Brasil e nos brasileiros, colocando a Petrobrás dentro de suas verdadeiras finalidades patrióticas e nacionais.

Extraído do Correio de Marília de 14 de abril de 1959

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Armazéns de Silos (11 de abril de 1959)

Deve fazer uns dois anos aproximadamente, se nos não enganamos, quando reclamamos a necessidade do Govêrno Estadual voltar suas vistas para Marília, aquí fazendo instalar um armazém de Silos. Na ocasião, até sugerimos o aproveitamento dos barracões do antigo D.N.C., ali na saída para Vera Cruz.

A Câmara e a Prefeitura Municipal também se interessaram pelo assunto e outras entidades de classe engrossaram também o ról de providências, providências, que, pensamos, foram traduzidas em pedidos de caráter puro e simples.

Por aí, poderá se ver, facilmente, que o assunto constitui, por si só, u’a necessidade e reclamada aspiração de Marília. A localização de um armazém de Silos em nossa cidade, mercê da situação privilegiada e verdadeiramente estratégica geograficamente falando, compensará e virá de encontro aos próprios interesses do Govêrno, no que tange aos meios de reservas de genêros e cereais, especialmente durante os chamados períodos de inter-safras.

Situando-se nossa cidade numa condições de “pivot” da Alta Paulista e ramificando-se e confundindo-se por rodovias e ferrovias com centros essencialmente agrícolas, ligando-se com zonas invejáveis de produção, como a Noroeste, Alta Sorocabana e mesmo o Norte do Paraná, bem obraria a Secretaria da Agricultura se estudasse esse ponto e em Marília fizesse instalar um desses armazéns de Silos.

Como se sabe, no plano inicial dessas construções, o nome de Marília deixara de ser, inexplicavelmente, alí incluindo. Tal fato, aliado ao ponderado acima, criou, como seria de esperar, uma certa espécie entre os marilienses, especialmente entre aqueles que se preocupam com problemas de abastecimento agrícola, fatores de importância capital dentro da própria vida econômica do Estado, eis que do armazenamento suficiente dos excessos de produção, garantir-se-á a quantidade suficiente para o consumo no “intermezzo” das safras, de maneira científica, barrando-se, automaticamente, os abusos constantemente verificados com os estocamentos particulares, principalmente quando estes objetivos, antes e acima de tudo, lucros ilegais e elevadíssimo.

O deputado mariliense, Dr. Fernando Mauro, chamado a interessar-se pela questão, como legítimo advogado de nossos interesses, pôs-se à campo, solicitando do Secretário da Agricultura, Sr. José Bonifácio Coutinho Nogueira, a inclusão de Marília no mencionado ról de estudos. Simultaneamente, solicitou aos marilienses, através de sues poderes públicos e entidades de classe, que formulassem idênticas reivindicações ao Govêrno do Estado e ao próprio Secretário da Agricultura.

Tais apêlos foram de imediato dirigidos e consta-nos agora que o nome de Marília, que inicialmente estava fóra da lista referida, encontra-se já incluindo no mencionado ról, para breve atendimento.

Oxalá que a inclusão de nossa cidade nessa relação, não venha a constituir-se em méra formalidade de atendimento preliminar por gentileza, porque o que nós precisamos e queremos, é a efetivação da medida, dentro de menor prazo possível. Razões plausíveis existem muitas e todas irrefutáveis.

Aguardemos.

Extraído do Correio de Marília de 11 de abril de 1959

domingo, 10 de abril de 2011

Colcha de Retalhos (10 de abril de 1959)

Um pedreiro português falecido há 100 anos, no dia 11 de abril de 1859, está distribuído misteriosamente convites para “os festejos comemorativos do centenário do seu processamento, com inicio às 22 horas no solar da Arquitetura, avenida Pasteur, 250”.

O estranho defunto chama-se Mateu Miranda Hermenegildo e tem uma história curiosa, que os alunos da Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil inventaram para justificar e animar o grande baile macabro de calouros que promoverão amanha. Os convites foram feitos como se o próprio defunto, Mateu Miranda Hermenegildo, estivesse a frente da comemoração.

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Amanhã e depois, deveria realizar-se a Concentração Municipalista, programada em Guaratinguetá.

Em face, todavia, do passamento da genitora do Governador Carvalho Pinto, a realização dêsse conclave municipalista foi adiada “sine die”.

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Através da Associação Comercial, o comércio e a indústria do Distrito Federal vão enviar memorial ao ministro da Fazendo pedindo dilatação dos prazos para amortização do imposto de renda relativo ao ano de 1958. O recolhimento tem sido feito, até aqui, em 4 vezes e mais uma referente ao adicional. Querem agora que essas prestações sejam feitas em 10 vezes, inclusive o adicional.

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No dia 21 do corrente, será lançada oficialmente a candidatura oficialmente a candidatura Jânio Quadros à Presidência da República.

Por outro lado, tem-se como certo lançamento ao Catete, no dia 1º de Maio, do atual Vice-Presidente Sr. Jango Goulart.

Dia 22 dêste, será o lançamento do nome de Adhemar de Barros.

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A campanha pela reforma agraria será oficialmente lançada pelo P. T. B. a 1º de Maio, acreditando-se que vai voltar-se, principalmente, para o homem do campo. Por sinal que a U.D.N. também vai lançar uma campanha reformista, nesse setor, segundo já anunciou o sr. Magalhães Pinto.

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Não existem, praticamente, dúvidas quanto à volta de Marília nos próximos certames oficial de futebol, pela 2ª Divisão de Profissionais. A A. A. São Bento renasceu e renasceu robusta, defendida por desportistas denodados e trabalhadores e com o prestígio de toda a população.

Marília voltará a reviver as suas memoráveis tardes esportivas.

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O pensamento conservador comporta, agora, uma redefinição, inclusive no plano de imprensa. Conservar o que? Conservar o que é bom e sepultar o que não presta. Conservar, tonificar as idéias fecundas. E enterrar, para sempre, as idéias obsoletas, as idéias rançosas.

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Cronistas esportivos que vieram agora de Buenos Aires salientam que a Argentina, hoje em dia “é um verdadeiro vulcão político-social”. Sublinham, inclusive, que o Almirante Rojas já formulou severas advertências ao governo, tendo em vista que “as vacilações e contradições de Frondizi então, afinal, fazendo o jogo do peronismo, no país”.

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A comissão encarregada de transferir funcionários para Brasília mandou apressar a ida dos servidores que trabalham no Catete. O plano prevê a transferência até 1960, de todos os funcionários do palácio.

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A secretária do Grupo de Trabalho de Brasília, sra. Maria Helena, informou que a transferência dos funcionários do Legislativo está muito atrasada. Nem a Câmara e nem o Senado enviaram ao grupo qualquer comunicação a respeito: só o Executivo tem fornecido esses dados.

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O coronel Danilo Nunes, chefe da Divisão de Polícia Política e Social, declarou à imprensa não ter recebido ainda o documento que o presidente do IAPB, sr. Enos Sadock de Sá, declarou, em sua entrevista coletiva à imprensa, haver organizado ao Conselho de Segurança Nacional, e pelo qual – segundo afirmou – se prova a orientação comunista nas últimas greves do Brasil.

Segundo se apurou, no entanto, o documento, escrito em russo, está sendo traduzido na DPPS e deverá ser divulgado em breve. O presidente do IAPB, autor da denúncia, aponta também a interferência comunista como responsável pela campanha contra a sua pessoa, desenvolvida pela nova associação de bancários denominada CONTEC (ainda não oficializada).

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Autoridades do Itamarati declararam que continua o impasse em torno do caso do general Delgado negando a informação de que o Brasil e Portugal teriam chegado a um entendimento.

Extraído do Correio de Marília de 10 de abril de 1959

sábado, 9 de abril de 2011

Uma sugestão (9 de abril de 1959)

O Paço Municipal de Marília, óbra imponente da moderna arquitetura e patrimônio inegavelmente reclamado pelo próprio progresso de nossa cidade, está prestes a ser concluído. Até o fim do ano, segundo se informa, todas as dependências da máquina funcional, legislativa e administrativa do município, deverão estar instaladas na nova casa.

Erguido num ponto verdadeiramente estratégico, destaca-se soberbo, com a condição de primeira entre os congêneres de toda a “hinterlândia”.

Óbra de vulto, completa, belíssima. Três nomes de marilienses autênticos, apresentam a condição de timoneiros e responsáveis por essa grandiosidade, cada qual dentro de uma ação distinta. Dr. Aristóteles Garcia, quando Prefeito Municipal, adquiriu o terreno onde hoje está construído o novo Paço, para o fim especifico atualmente ocupado; por u’a “ninharia”, convenhamos. Adorcino de Oliveira Lyrio, também Prefeito muitos anos após, chamou a sí a responsabilidade da iniciativa e dos primeiros passos da idéia que hoje é realidade palpável, cabendo ao atual Chefe do Executivo, as honras do erguimento dêsse edifício municipal.

Bem, nada disso representa o ponto vital dêste escrito; o que acima delineamos, fizemo-lo mais a título ilustrativo e informativo, pois certos estamos que muita gente ignoraria que o terreno fora comprado especialmente para o fim destinado. Nosso assunto, hoje, é apresentar uma sugestão ao sr. Prefeito Argollo Ferrão. Resume-se no seguinte:

A fachada do Paço, que existe sôbre o “anfiteatro” destinando à Câmara e que se mostra para a Praça Saturnino de Brito, grande e espaçosa, deve ser ocupada, em toda a festa, para um fim especifico, em nosso entender. Caso já existam motivos análogos ou correlatos aos que vamos expor, deixaremos o dito por não dito, uma vez que nossa intenção é tão apenas colaborar com a municipalidade. Como dizíamos, aquela fronte toda de concreto, torna-se ideal para alí serem incrustados, de preferência em alto relêvo, motivos sugestivos da própria história de Marília. Café, algodão, água fluoretada, nomes de marilienses ilustres, acontecimentos preponderantes dentro da própria vida ou mesmo do nascimento da cidade, etc., dariam uma vida diferente à toda aquela parte, tornando a citada fachada ocupada de maneira bonita, histórica, artística e instrutiva ao mesmo tempo. As palavras “Paço Municipal”, se indispensáveis, poderiam ser de concreto, colocada de maneira a encimar o referido espaço, com iluminação noturna por processo indireto.

Se ficar em branco o espaço referido ou se for o mesmo ocupado com a legenda identificadora do edifício, pensamos que perderá Marília uma excelente oportunidade, para apresentar os motivos públicos e obrigatoriamente visíveis, que óra acabamos de referir.

Como se trata de uma idéia, que expendemos à guisa de colaboração, certos estamos de que o Prefeito Argollo Ferrão lhe dará a atenção devida, aceitando ou não, conforme melhor entenda, maximé tendo-se em conta de que S. S. é um ilustre engenheiro, encontrando-se, portanto, em condições de aquilatar ou não a oportunidade ou inoportunidade do alvitrado.

Pensamos assim. Técnicamente, não sabemos se estamos ou não certos; praticamente e sob o ângulo de observação de primeira análise, não havendo destino de ocupação do trecho referido, entendemos necessária essa providência.

Poderá dizer alguém que pensar é fácil, fazer é que são elas. Nós encaramos, neste particular, o outro prisma da questão: estamos pensando em alguma coisa que se nos afigura necessária, patriótica e bem mariliense.

Como a sugestão é livre (e não custa nada), aqui fica a idéia.

Extraído do Correio de Marília de 9 de abril de 1959

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Desta vez, gostamos de fato! (8 de abril de 1959)

Sim; desta vez, gostamos de fato de tudo aquilo que vimos, pertinente ao desenrolar dos festejos comemorativos do 30º aniversário de nossa cidade.

Tiveram os marilienses o ensejo de presenciar uma festa popular, sem precedentes na história de Marília. Todo o público teve as atenções voltadas para o extenso e bem cumprido programa oficial, que proporcionou ao público em geral a oportunidade de vibrar com a data magna de Marília, participando integralmente das variadas solenidades levadas a efeito, em regosijo pelo auspicioso evento.

As providências tomadas pelo Sr. Prefeito, Sr. Presidente da Câmara e Srs. Membros da Comissão de Festejos, foram completas em todos os pontos, nada tendo deixado a desejar. Realizou-se, este ano em Marília, uma festa de aniversário da cidade, da qual participaram todos os marilienses, indistintamente; grandes e pequenos, ricos e póbres, pretos e brancos.

Para sermos francos, chegamos mesmo a quebrar uma “tradição” neste sentido. No passado, quasi todas as efemérides desse porte, resumiram-se em dois pontos básicos, dos quais a maioria da população não participava: lautos banquetes para as autoridades e visitantes ilustres e sessão solene na Câmara Municipal. O povo, ou ficava “chupando o dedo”, ou tinha que contentar com a apreciação de uma parada cívica e alguma peleja de futeból. Nada mais.

No ano em curso, a questão metamorfoseou-se. A feste tornou-se popular, atingiu as suas mais variadas camadas sociais de Marília, abriu os braços ao povo em geral, propiciou esse ensejo de participar, todos os momentos, das festas que lhe pertence de fato e direito, pois na construção da grandeza de Marília, tanto trabalham os intelectuais e os administradores, como o “zé povinho” que constrói, sob qualquer fórma de trabalho ou ocupação, o dinamismo do progresso de nossa “urbe”.

Estão de parabéns todos os responsáveis pelo transcorrer dessas festividades do 30º aniversário de Marília. Está de parabéns a própria população, que teve o ensejo de participar das solenidades da data tão cara para nós, tão bonita e tão significante dentro do setor da própria existência de Marília e sua laboriosa gente.

Os membros incumbidos de concatenarem o transcorrer dos festejos, devem encontrar-se satisfeitos, pois cumpriram bem e fielmente a árdua tarefa. Os marilienses em geral, devem, por todos os prismas, mostrar-se gratos pelo que puderam presenciar, pelo que viram e do que participaram.

Atrativos sem conta tivemos, porque fizemos uma festa sem discriminação, da qual todos se irmanaram – povo e autoridades –, participando com idêntico entusiasmo, com igual alegria, com justos e identificados motivos de satisfação.

Programa longo, porém bem coordenado, variado, completo: desfile magnífico, esplêndido mesmo; exposições variadas, conclave cientifico; presença de um espetáculo inédito em Marília, propiciado pela Banda dos Fuzileiros Navais; futeból; competições esportivas belíssimas no Yara Clube; espetáculo pirotécnico maravilhoso, inteiramente popular; e tudo o que foi possível imaginar e realizar, tudo completo, tudo perfeito, tudo elogiável.

Desta vez, gostamos de fato do transcorrer dos festejos de 4 de abril. E confessamo-lo sem favor algum, porque não estamos traduzindo apenas e tão somente, um ponto de vista pessoal. Marília apresentou a mais completa e a mais perfeita e harmoniosa festa de aniversário de caráter popular de toda a sua história.

Parabéns, senhores que nos deram essa oportunidade!

Marília sempre foi digna dessas homenagens e seu povo merecedor desses acontecimentos!

Extraído do Correio de Marília de 8 de abril de 1959

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Marília, Ave! (4 de abril de 1959)

A garotinha veio ao mundo, assim como todas. Ou sua chegada foi premeditada, ou foi antes uma surprêsa. Coisas que acontecem.

Futuro? Ah, sim, o futuro incerto. Planos, desejos, mas o porvir não está reservado aos homens.

Enfim, a menina nasceu. Seus pais fizeram planos no início. Planos que ficaram sujeitos a modificações constantes, ou porque os pais não podiam dedicar todo o tempo a vigiar a filha, ou porque a garotinha nascera já incrivelmente precoce.

As atenções gerais, principalmente a concentrar-se na garotinha. Dia a dia, em plena infância, denotava um desenvolvimento invulgar, incrível.

E continuou crescendo, prosseguiu desenvolvendo-se, expandindo-se, exigindo que o próprio progresso acompanhasse seu dinamismo. Passou a fazer inveja até às suas irmãs mais velhas. Pregou um susto nos próprios pais, tanto que se projetou no cenário da exuberância, do modernismo.

Com cinco anos, já era extraordinária. Aos dez foi citada como exemplo de progresso. Quando atingiu vinte anos, viu seu nome inserto num dos maiores jornais do mundo, o “Times”, de Londres. Convenceu-se de sua importância e não parou mais. Continua a desenvolver-se, continua a crescer.

Hoje é moça, havendo alguns que a chamam ainda de menina. E ela gosta que a chamem de menina. É menina, realmente. U’a menina assim, que tem trinta anos na certidão de nascimento e mais de cem em vida e realizações.

A garotinha de hoje, não é mais a garotinha de ontem. Tornou-se bela, imponente, amadurecida em pensamento e ações. Continua a ser invejada, continua a ser cativante. Continua a ser a garotinha extraordinária.

Hoje, entretanto, é bela. Tem um porte majestoso, uma figura altaneira. Todos a admiram e todos a respeitam, como se admira e respeita u’a moça bonita e impressionante.

Ela não tem culpa, mas todos ses apaixonam por ela, assim que a conhecem. Os primeiros contactos são deliciosos e os seguintes verdadeiramente apaixonantes. Ela sabe disso. E como toda mulher, vaidosa é. E tira proveito dessa cativante simpatia que inspira, desse amor que irradia, que prende e domina. Milhares de pessoas estão apaixonadas por essa garotinha e tudo fazem para não ficarem distanciados dela. Os que a deixaram, sofrem e não conseguem esquece-la. Essa garotinha tem um feitiço invencível, um élo que prende e não solta, que amarra os corações.

Até seu nome é excelso, inspira o amor, canta o verso sublime, está ligado à própria História do Brasil, lá nos confins de Ouro Preto, lá na terra da Inconfidência Mineira.

Existem, de fato, razões sobejas para que a garotinha inspire êsse amor, essa paixão desenfreada, esse simpatia indestrutível. É bela, rica, bondosa, amiga, acolhedora e fiél. É notável éssa garotinha, êsse brinco, essa menina que todos nós consideramos uma princesinha bonita, gentil, querida.

Ninguém póde esconder o amor que sente pela garotinha e todos fazem questão de confessa-la, dizendo-o com orgulho, nos quatro cantos do mundo.

Sua graça já fez com que poetas já cantassem em versos extraordinários, verdadeiras peças da poesia contemporânea. Sua vida é apregoada por todos, cada qual com mais carinho e com mais orgulho.

E ela merece de fato. Faz tudo por merece-lo, faz tudo por ser distinguido com mais. E todos os seus apaixonados eternos, continuam a ama-la com maior efusão, com maior calor e com mais sinceridade.

Porisso a garotinha vive feliz e fez vai tornando milhares de pessoas que tanto a querem,

Hoje a garotinha está aniversariando. Está completando trinta anos e alardeia o evento com justo orgulho, pois é, ainda e sempre, uma criança. Uma criança com experiência de adulto, com vida de gente grande,

Marília, a garotinha de nossa história, aniversaria hoje,

Marília, Ave!

Extraído do Correio de Marília de 4 de abril de 1959

sábado, 2 de abril de 2011

Mentiras de 1º de abril (2 de abril de 1959)

Estranharam alguns leitores, nosso proceder de ontem, com as “Boas Notícias” de 1º de abril, o chamado “dia das mentiras”. Alguns se divertiram com o fato, achando graças e oportuna a lembrança que tivermos, ao encher o espaço que nos destina diariamente a direção do “Correio”. Outros, entretanto, não gostaram da brincadeira e houve até um leitor que nos censurou “de corpo presente”, dizendo-nos que nos secção diária conseguiu firmar-se no conceito popular como um rosário de assuntos sérios e sempre oportunos, incompatível, portanto, com uma apreciação brincalhona sob qualquer aspecto.

Pode ter ou não razão êsse nosso amigo. De qualquer maneira, nos envaideceu o conceito que o mesmo tem acêrca de nossas intenções e preocupações quando rabiscamos nossas idéias diárias. Mas nada existe de mal, nem mesmo disvirtuamente de desideratos, nu’a mentirazinha aplicada justo num dia próprio. Existem tantos políticos, tantos administradores, tantos comerciantes, tantos industriais, jogadores de futebol e mesmo escritores e jornalistas que “mentem” bastante, porque não poderíamos nós também, humildes mortais, “lascar” um embuste no dia 1º de abril?

A vida está difícil, caríssima, quasi caótica. Tudo é desprazer e dificuldades, amarguras e apêrtos. É bom, pelo menos uma vez por ano, a gente esquecer por momentos as preocupações oriundas do próprio “modus vivendu” que usufruímos compulsoriamente, para inventar qualquer coisa, para escrever algo diferente, fazendo uma brincadeira.

Se êsse nosso amigo entendeu, convém também que esclareçamos aquí, que outros tantos nos procuraram e aplaudiram a brincadeira. Como se vê, opiniões divididas, pontos de vista diversos.

Está certo êsse aspecto. Imaginem os leitores, que se tudo o que fosse falado ou escrito, obtivesse, de pronto, o dobrar de espinhas e o dizer de amém, como não seria “sem graça” a vida. A duplicidade de pontos de vista é necessária e naturalmente lógica. Muitos de nossos modestos e despretenciosos escritos, encontram opiniões divergentes, quasi diariamente. Há os que concordam com nosso ponto de vista e há os que discordam daquilo que pensamos ou escrevemos. Se existe tal estado de coisas quando procuramos escrever sôbre assuntos sérios, abordando razoes que se nos pareçam oportunas e preocupados em que tais questões se prendam, direta ou indiretamente, de preferência, sôbre Marília e seu povo, por que não poderá haver dualidade de interpretações, justo no dia em que escrevemos as mentiras de 1º de abril?

De tudo isso, uma coisa temos a certeza absoluta: Temos, graças a Deus, um apreciável número de leitores; e para quem rabisca num órgão de imprensa, principalmente da “histerlândia”, o saber que seus escritos são lidos e comentados, significa um motivo de satisfação, um fato de incentivo, uma alavanca que propulsiona as intenções do aperfeiçoamento, de maior precisão e oportunidade possíveis.

Que não se agaste nosso leitor pelo fato de termos “saído do sério” em nosso escrever anterior. Que saiba também êsse amigo, que de todas as mentiras que foram pregadas na cidade no dia de ontem, a nossa foi uma das mais inocentes, porque não causou mal a ninguém e porque tivemos o cuidado de encerrarmos a conversa, identificamos as brincadeiras. Teríamos mesmo que fazer isso, pois em nosso escrito fizemos referências à diversas pessoas da cidade. O amigo já se inteirou como fizeram outras pessoas no dia 1º de abril em Marília?

Extraído do Correio de Marília de 2 de abril de 1959

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Boas Notícias... (1 de abril de 1959)

Positivamente, nosso departamento noticioso está funcionando muito bem e hoje, mais do que nunca, temos uma série de excelentes notícias para todos os nossos leitores. São coisas assim, que acontecem uma vez por ano. Sucede que hoje conseguimos um compêndio verdadeiramente maravilhoso de boas notícias. Ei-las:

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Sebastião, competente “fígaro” que exerce as suas atividades profissionais no “Salão Avenida”, apesar de modesto entre nós, é pessoa relacionadíssima dentro da política do Estado de Minas Gerais. Assim é que êle manteve contacto recentemente com uma famosa banda de Belo Horizonte e garantiu-nos que a corporação referida, uma das melhores do Brasil, virá à nossa cidade no próximo sábado. Trata-se de um conjunto de 280 figuras, sub-divídido em orquestra sinfônica, orquestra de rítmos e banda marcial.

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Político renomado e de projeção na cidade, acaba de informar a nossa reportagem, de que foi dirigido um convite oficial ao sr. Fidel Castro, para que S. S. visite Marília no próximo dia 4. Em aditamento à essa informação, o vereador Bernardo Severiano Silva nos esclareceu de que estando o Presidente Eisenhower com uma visita marcada para o Brasil, uma comissão de vereadores deverá embarcar hoje de avião para o Rio de Janeiro, a fim de convidar o Presidente “Yankee” a vir à Marília também. Na oportunidade, será propiciado um encontro “tete a tete” entre Eisenhower e Fidel Castro, num banquete que será oferecido aos dois ilustres visitantes, no “Restaurante Marília”. Êsse acontecimento, marcará época na vida política mariliense e fará convergir até nós, a imprensa, o rádio e televisão de tôdas as partes do mundo.

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Falando em televisão, nossa reportagem recebeu na tarde de ontem, de nosso amigo Geraldo Tassinari, “cobrão” da Rádio Nacional de São Paulo, o seguinte telegrama: “Correio de Marília. Marília – SP. Próxima semana seguirão Marília oito técnicos da Rêde Associada Televisão, compreendendo canais 3, 5 e 7, início serviços montagem torre retransmissora televisão em Marília. Levarão inclusive verba 40 milhões para começo trabalhos. Material seguirão hoje quatro caminhões FNM. Abraços, Tassinari”.

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No que tange ao futebol profissional, também está tudo “cor de rosa”. Ontem mesmo ficou resolvido o retorno do profissionalismo mariliense. Com estranha facilidade, a Comissão saiu ontem às ruas e arrecadou a apreciável soma de 5 milhões de cruzeiros, fóra alguns “quebrados”. O Sr. Tomaz Alcalde aceitou a presidência e ontem à noite, por telefone, encontrou em contacto com o famoso ex-jogador Ademir, que foi contratado como técnico do São Bento.

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O Sr. Feijão, administrador da Fazendo “Sta. Ondina”, deverá para os Estados Unidos, ainda hoje, via Panair do Brasil. Leva consigo a incumbência de trazer à Marília, para o próximo sábado, destacadas personalidades cinematográficas de Hollywood, como Elvis Presley, Gina Lologrígida (que está agora nos USA), Tony Curtis, Lauren Bacal, Nat “King” Cole, Frank Sinatra e Dorothy Lamour. Por outro lado, sabemos que o vereador Shiguetoshi Nakagawa expediu cabograma ultramarino à artista japonesa Mitiko Maeda para que visite Marília na mesma ocasião.

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Verdadeira “ursada” acaba de ser praticada contra o selecionado nacional de futebol pela AFA. O jogo Brasil x Argentina, que deveria ser travado no próximo sábado, dia 4, foi antecipado para a manhã de ontem, inesperadamente. As emissoras brasileiras que lá se encontravam, não puderam transmitir o cotejo e foram impedidas de entrar no gramado, tendo a peleja se desenvolvido para um pequeno número de autoridades e convidados especiais. No início, disseram tratar-se de uma exibição de dois selecionados; porém, depois que a seleção “canarinha” perdeu o jogo por 8 a 2, os portenhos anunciaram aos gritos, a Argentina como campeã do XX Sul americano de Futeból. Apesar dos protestos de nossa delegação, nada foi possível fazer e na manhã de hoje os jogadores brasileiros deverão regressar ao Brasil, com a condição de vices! Portanto, não haverá o programado jogo Brasil x Argentina para sábado vindouro.

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A última notícia que temos deste compêndio especial que conseguimos a duras penas, dá conta do seguinte: 1959 não é ano bissexto e hoje é 1º de abril!

Extraído do Correio de Marília de 1 de abril de 1959