domingo, 25 de abril de 2010

O homem, a ciência e Deus (25 de abril de 1958)

Participávamos um dia dêstes, de uma conversa entre dois amigos. Palestra casual, da qual os assuntos vêm fluentemente à tona, mudando de rótas diferentes. De um para outro ponto, acabou por ser abordado um motivo que um dos companheiros ouvira, através de um programa radiofônico, transmitido pela B. B. C. de Londres, em língua portuguesa.

O noticiário referido, dava conhecimento de que, cientistas ingleses teriam inventado um “corpo humano artificial”, tão perfeito que apresentava condições de reprodução!

O assunto suscitou controvérsias, como seria de esperar. Dúvidas mesmo e incredulidade.

Se verdadeira a notícia, significa um atrevimento da ciência, incapaz que foi até agora, de descobrir “quem nasceu primeiro – o ovo ou a galinha?”.

Ora, a ciência dos homens é incapaz de explicar do que é feito um simples grão de areia, qual a composição exata de um grão de arroz e como o mesmo é em sua essência, produzido. São mistérios da Natureza que provam a existência de Deus, o sábio dos sábios.

Não cremos na probabilidade apregoada, da feitura de um corpo humano artificial “tão perfeito a ponto de permitir a reprodução”! A ciência está pretendendo invadir um terreno proibido: dar vida aos homens, construir essa maravilha que é o corpo humano, é privilégio unicamente de Deus, o pai de Cristo e o pai dos homens.

É verdade que a ciência avançou muito e é uma decorrência normal das gentes, cada vez mais aperfeiçoada, cada vez mais elevada. É o fruto diréto da inteligência humana, deixada por Deus aos próprios homens. É mesmo a luz divina do Criador, representando o sôpro da inteligência divina.

O homem pretendeu muito nesse particular. A ciência jamais poderá abocanhar a condição de criar um corpo humano artificial nessas condições. O próprio cérebro eletrônico que hoje existe, é um aparelho mecânico de aplicações relativas. Querer ultrapassar as barreiras do concebível é uma insensatez.

É claro que rendemos nossas homenagens à ciência moderna, processo que muito facilita a própria vida e as condições de vida dos povos em geral. É lógico que respeitamos a capacidade dos homens, seus estudos, sua profunda cultura cientifica, em pról do bem estar da humanidade. É lógico ainda que somos partidários do aperfeiçoamento, do modernismo, do conforto, do progresso. Mas não podemos convir com a afirmativa que a B. B. C. transmitiu.

O homem deve compenetrar-se disso; não que se cinja ao conformismo inativo, especialmente o homem da ciência. Mas as pretensões devem ter limite e jamais tentar azinadamente alcançar as raias do absurdo. E o homem querer construir uma espécie humana artificial “inclusive reprodutora”, é um grande absurdo!

Pasteur, o homem considerado como o maior cientista de todos os tempos, que nem farmacêutico formado éra, nem médico nem nada, é prova disso. Teve sua mente iluminada por Deus, para nos legar os benefícios científicos que hoje fazem parte integrante da vida moderna.

Conta-nos a própria história, que a maioria dos inventos hoje comuns e integrados à vida de nossos dias e de nossas gentes, foram óbras do acaso, muitas vezes, resultados do imprevisto. Ao tentar-se uma determinada experiência, constara-se um resultado diverso, posteriormente aperfeiçoado. Como poderá, então, ser aceita a idéia de que cientistas construirão um homem humano artificial, completo em todos os sentidos, inclusive no setor da reprodução da espécie?

Talvez a pergunta póssa ter uma resposta; nós, entretanto, não a encontramos.

Extraído do Correio de Marília de 25 de abril de 1958

sábado, 24 de abril de 2010

Já temos quatro candidatos (24 de abril de 1958)

Sabem os leitores que de há muito vimos nos batendo, para que Marília não apresente mais do que dois candidatos a cada posto eleitoral, para o próximo pleito de outubro.

Não porque não tenhamos gente capaz de bem representar nossa cidade, mas porque, simplesmente, vemos num número elástico de candidatos, as possibilidades menores de Marília via a alcançar os seus objetivos, de eleger um representante legitimo.

Temos já quatro candidatos oficiais – dois ao Palácio 9 de Julho e igual número ao Palácio Tiradentes.

Fernando Mauro e Guimarães Toni, concorrerão à Assembléia Legislativa e Aniz Badra e Hélio Scarabótolo à Câmara Federal. É bom que os demais partidos, especialmente os que ainda não definiram e nem tomaram posição real frente à situação em apreço, se compenetrem de que poderão prestar inequívocos e valiosos préstimos a causa em tela, se cerrarem fileiras em torno dos nomes já existentes, evitando-se, assim, a apresentação de novos nomes. Se isto acontecer, diminuirão as possibilidades daqueles já conhecidos, que, por sinal apresentam carater e condições dignas de bem representar nossa cidade, já tendo dado no passado (e continuando a fazê-lo no presente) provas sobejas de amor por Marília.

Mesmo assim, mesmo não surgindo nenhum outro candidato da terra, bom é que os próprios partidos políticos iniciem uma campanha de esclarecimento eleitoral, fazendo ver ao público da necessidade de evitar-se a dispersão de sufrágios, para centralizar os votos em torno dos nomes locais. Só assim teremos alguma possibilidade de alcançarmos um objetivo que representa uma aspiração antiga e que não foi atingida, por incúria de todos nós.

Afirmamos, não há muito, que duvidávamos pudesse existir, um diretório político estadual, que não acatasse razões apresentadas por D. M. local, onde se delineassem os propósitos de renúncia política, em pról dos interêsses de Marília – que devem, sempre, permanecer acima do interêsse partidários. Confirmou-se nossa assertiva, com a decisão do P. S. P., renunciando apetites de ordem política, para colocar em plana de relevo as exigências da cidade. E não venha ninguém dizer-nos, que o P. S. P. –, principalmente seu chefe Adhemar de Barros – não teria interêsse em carrear para sua legenda, algumas centenas de votos, mesmo não concorrendo (com) candidato próprio. Sucede que o diretório local de tal partido, foi capaz de compreender o sentido nobre da campanha pela qual de há muito nos batemos e igualmente foi capaz de bem interpretá-la aos ouvidos do lider pessepista.

Se outras facções políticas fizerem o mesmo, se procederem da mesma maneira e se o povo também, em sua maioria compreender o fundo verdadeiramente mariliense dessa finalidade, podem todos estar certos de que estaremos bem perto de atingirmos os objetivos de um antigo sonho – contar com representantes legitimamente nossos nas Casas Legislativas.

À êsse respeito, necessário se torno o povo “abrir os olhos”, compenetrando-se da importância da questão, votando unicamente em gente mariliense. É certo que o voto é secreto e livre, podendo cada eleitor utilizá-lo de conformidade com o que lhe aprouver, depositando-no em pról de nomes de fóra inclusive. Mas é também certo de que aquêles que são bons marilienses, por naturalidade, ou adoção, bem racionando, convirão conosco de que temos agora uma grande chance para a efetivação dêsse anseio.

Igualmente os partidos políticos, conforme dissemos, devem se ater a compreensão de que um número maior do que o já exi(s)tente de candidatos inscritos, só poderá acarretar dúvidas quanto ao sucesso de vitória de nossa gente.

Já temos quatro candidatos. Bom número, boa gente, homens que estão à altura de bem representar Marília. Convém a não inscrição de outros. O número é suficiente e apresenta probabilidades de sucesso, desde que se encontrem as idéias de há muito divulgadas, batidas e rebatidas.

Extraído do Correio de Marília de 24 de abril de 1958

segunda-feira, 19 de abril de 2010

“Fãs-clubes” de artistas (19 de abril de 1958)

Positivamente, não conseguimos ainda saber as finalidades ou vantagens dos chamados “Fãs-Clubes” de determinados artistas nacionais.

Só sabemos, de acôrdo com o que noticia a imprensa, que éssas “maravilhas” são, antes de tudo, um amontoado de desocupados, fanáticos ou “boas vidas”.

Mais uma prova disso, poderá ser constatada, pela leitura de um telegrama, oriundo do Rio de Janeiro, transmitido pela “Meridional”.

Eis o seu texto:

- “Dezenas de moças integrantes do Fã Clube de Cauby Peixoto (vulgarmente conhecidas como “macacas de auditório”) ameaçaram, ontem, interromper o transito na Avenida Rio Branco, próximo da Praça Mauá, quando, após acompanhar ruidosamente o cantor, a pé, postaram-se na porta de um edifício, aos gritos de “Cauby, Cauby, Cauby”, enquanto do alto do predio centenas de pessoas jogavam nas “macacas” copos de agua e papel.

“Envolvidas pelos curiosos que entraram a vaiá-las, as fãs de Cauby revidaram com bofetões atirados a esmo nos transeuntes, culminando a arruaça com a prisão do presidente do fã clube de Cauby Peixoto, Ivona e sua companheira Iracema, que declararam o sobrenome de Peixoto, tal como o do seu idolo.

“Na delegacia do 9º Distrito Policial, longe de intimidarem-se, as “macacas de auditorio” justificaram a sua violenta reação declarando que alguns transeuntes se aproveitaram do aperto para fazerem “mão boba” num verdadeiro atentado à moral.

“A maioria das fãs de Cauby Peixoto vestiam calças “blue-jeans” e camisas masculinas de cores vivas”.

É verdade que vivemos num regime de apregoada democracia, onde todo mundo “faz o que quer”, conforme costuma alguns intepretar a doutrina de Demócrates. Entretanto, quer nos parecer, êsses “Fãs-Clubes” não passam de um aglomerado de pessoas que poderiam fazer coisas mais úteis, ao envés de se exporem ao ridículo, com atitudes pouco elogiáveis. O “Fã-Clube” de Cauby Peixoto anda sempre no noticiario dos jornais e seguidamente às voltas com a policia. Uma legião de mocinhas desocupadas, com “bichos de goiaba” na cabeça, foi convenientemente treinada para “desmaiar” e propiciar “faniquitos” públicos, tão contrários aos princípios de brios da mulher brasileira.

Nos auditórios de rádio, nos palcos, onde se exibe o mencionado artista, as “atividades” do “Fã-Clube” alí se fazem sentir. Gritos histéricos, suspiros profundos, desmaios, faniquitos, num espetáculo realmente deprimente e que depõe com os fôros íntimos das atitudes e beleza femininas. A mulher é retratada pelas “cabecinhas de vento” do “Fã-Clube”, como um ser fraco, insaciável, possuidor de taras – desculpem-nos os leitores a rudeza da expressão.

Quais as utilidades que apresentam tais organismos? A de propaganda, exclusivamente. E paga. Mas por um método condenável, porque se escudam antes de mais nada, no princípio de desonestidade. Dizemos isso, porque, pensamos, honestamente, nenhuma mulher que se preze, teria o topéte de realizar em público, “demonstrações” verdadeiramente pagãs como fazem as referidas “macacas de auditório”.

Essas moças, que já demonstraram possuir tempo suficiente para realizar éssas “peregrinações” acompanhando o cantor citado, seriam muito úteis ao povo e à sí próprias, se se dedicassem a empreendimentos mais humanos, mais dignos. Poderiam participar de campanhas nobres, como a de combate ao câncer, de auxílio aos paraplégicos, lutarem contra o analfabetismo, colaborarem na campanha de socorro aos flagelados do nordeste e muitas outras.

Acontece que éssas “fãs” tem, pelo contrário, funções de “fã”...tasmas, frente aos bons empreendimentos, às boas causas.

A polícia deveria éra acabar com éssas “quadrilhas” de desocupadas; ou então, os próprios artistas, deveriam ter um pouco mais de senso, para recusarem processos dêsse jaez.

Poderá alguem dizer que nós nada temos com isso. De fato, temos sim; temos a opinião contrária à ações dessa natureza.

Extraído do Correio de Marília de 19 de abril de 1958

domingo, 18 de abril de 2010

Seleção nacional de “foot ball” (18 de abril de 1958)

“Mens sana in corpore sano” – lema latino citado e invocado como o paradigma de nosso desporto, em suas diversas modalidades.

Realmente, o esporte é necessário ao corpo, como o pão é indispensável ao organismo e a oração imprescindível à alma.

Sucede, porém, que entre nós e mesmo entre a maioria dos países “civilizados”, o futebol profissional deixou de lado o sentido intrínsico da desportividade, para tornar-se um comércio dos mais vergonhosos, regra geral. Uma alavanca indiscutível de safadezas e mesmo de inflação.

No Brasil, um bom “cartaz” de futebol ganha mais do que possa ganhar (honestamente) o próprio Presidente da República ou um Ministro de Estado. Mais do que um diplomata, detentor de curso universitário e concluinte do dificil “Curso Rio Branco”.

Ser ou não analfabeto ou semi, não importa. O que é necessário, no Brasil, é que se saiba jogar futebol. Inda, se o futebol em si, enquadrasse irrepreensivelmente os princípios da honestidade esportiva em todos os sentidos, vá lá. Hoje, futebol profissional, de modo geral, é sinônimo de manobras, compras de árbitros, brigas, “sarrafadas”, etc. e tal.

Não somos, em absoluto, contra o esporte. Principalmente o futebol. Mormente nós, que há mais de uma década, dedicamos bons momentos de nossa vida profissional a acompanhar o referido esporte.

Somos contrários – e não temos pejo em afirmá-lo –, isso sim, contra uma fileira interminável de coisas erradas e que denigrem a prática sadia dêsse esporte sensacional.

Já afirmamos, repetidas vezes, que, de futebol e política, só entendemos a sua parte verdadeira e não suas manobras escusas.

Ninguém ignora ou contradiz o que estamos afirmando, porque não estamos desvendando nenhum segrêdo, nem descobrindo nenhum “Ovo de Colombo”.

Ocorreu-nos essa idéia, ao acompanharmos os motivos da concentração do selecionado nacional de futebol, que, dentro em breve, representará o profissionalismo do Brasil na Suécia.

Vejam os leitores o contraste flagrante: Enquanto os nordestinos passam fome, fogem desolados, chegando mesmo ao dese(s)pero de assaltar prefeituras e cadeias públicas, em busca de água para beber, um contingente de desportistas vive principescamente no melhor hotel de Poços de Caldas. Comendo perús, uvas, peras, maças e pratos especiais de alimentação pré-estabelecida (e da melhor, imaginável). Visitando museus de arte, participando de recepções “very karr” – conforme diria o cobotinismo dos cronistas sociais mais famosos do Brasil.

Treinar, que é bom, “necas”. Depois de mais de uma semana, foi marcado para o dia de hoje, o primeiro ensaio coletivo da seleção.

Exames dentários dos mais rigorosos – enquanto no Brasil, o problema dos dentes é uma calamidade, a ponto de os “pracinhas” da última guerra mundial, terem causado a mais péssima impressão às autoridades médicas do Exército Norte-Americano, pelo deplorável estado da saúde dental.

Operações de amídalas – a chamada “operação granfina” –, foram praticadas em penca.

Até a inveja, a política, entrou em cena; até apetites pessoais e a propaganda comercial – dispendiosa muitas vezes.

Não é que o Prefeito de Araxá está “se mordendo” todo, pelo fato do selecionado ter preferido Póços, à Araxá? Tanto assim que fez um convite simpatico (?) à delegação brasileira de futeból: ir para aquela cidade, hospedando-se no melhor hotel araxaense, sem quaisquer despezas – a Prefeitura pagará tudo.

Seria o caso de perguntar-se ao prefeito de Araxá, que está disposto a custear essas volumosas despezas da estada dos jogadores, quando ele próprio ou a Prefeitura que dirige, já consignaram para auxiliar os nordestinos, a campanha de combate ao cancer, a luta contra o analfabetismo e muitas outras.

Os jogadores brasileiros convocados para a seleção nacional, parecem mais turistas milionários do que elementos de esporte, segundo revelam os cronistas especializados que acompanham a delegação(.)

Se depois das disputas do campeonato mundial, o Brasil “fizer feito”, quais serão as desculpas? Desde já estamos tentando encontrá-las, para no caso da repetição dos “fiascos” passados. Só que agora teremos um consôlo: os “craques” foram escolhidos com tempo, estiveram no Palace Hotel de Póços de Caldas, andaram confortavelmente vestidos e alimentados, bem escanhoados etc.

Ou será que o Brasil terá ainda a “chance” de ser “vice” mais uma vez?

Não cremos, sinceramente.

Extraído do Correio de Marília de 18 de abril de 1958

sábado, 17 de abril de 2010

Construir & Destruir (17 de abril de 1958)

Certa feita, fomos censurados, porque utilizamos de um recurso próprio do jornalismo: dissemos que não tínhamos assunto para uma crônica e com a negativa previamente confessada, terminamos por escrever nosso habitual comentário.

Usamos alguma coisa de filosofia, sem nenhum sofisma – mesmo porque o caboclo não sabe sofismar, como não sabe fingir, nem bajular.

Hoje, somos forçados a empregar o mesmo método, isto é, escrever alguma coisa para plenar o espaço que nos é reservado, filosofando (sem sofismar), sôbre uma única frase.

Ouvimos, sem participar da conversa, uma pessoa dizer à outra, referindo-se a um cidadão muito conhecido em Marília: “Admiro fulano, porque êle sempre procura construir e jamais destruir em Marília”.

O assunto nos deu a pensar, principalmente à nós, que temos a pessoa penhorada na expressão supra, como um grande amigo, dos mais comuns e sinceros. Apesar de conhecê-lo, de com êle privar quase cotidianamente, não tínhamos até então, acurado o raciocínio numa análise mais profunda e elevada; cingiamo-nos apenas a conhecê-lo como todos o conhecem: bom, trabalhador, honesto, pobre e bem intencionado, bom chefe de família e cumpridor de seus deveres.

Fomos, em pensamento, mais além. Vasculhamos, sem qualquer motivo de curiosidade malévola, numa detenção de atenções sinceras e imparciais, o caminho palmilhado por essa pessoa. Concluímos tratar-se de um cidadão de qualidades morais mais elevadas do que à primeira vista aparenta. Numa década (ou pouco mais) de residência entre nós, conseguiu escrever páginas luminosas de amor ao próximo, de bons exemplos, de trabalhos insanos e sinceros em pról de Marília da gente mariliense.

Homem popular, jamais se engrandeceu dessa condição. É humilde por índole, por natureza. É simples e amoroso conforme ensina o próprio Evangelho. Está sempre disposto a colaborar, a dedicar-se ao próximo. E o faz sem espalhafatos. Centenas de pessoas já precisaram de seus préstimos e êsse mesmo número já sentiu o calor de sua presença(,) sua palavra amiga e sua ação despretenciosa. Inimigo de publicidade, despido de vaidades pessoais, está presente sem aparecer ostensivamente e sabe fazê-lo em tôdas as circunstâncias.

De fato, essa pessoa só construiu em Marília. Jamais destruiu ou pactuou de nenhum motivo de regresso de nossa cidade ou nosso povo, nunca teve uma palavra de hostilização para quem-quer-que seja. De nome é conhecidíssimo. De ações, idem. Mas é quase anônimo, porque é humilde, porque não é fanfarrão nem vaidoso. Serve ao próximo, como sua própria família.

Não é um homem diferente, uma raridade. É apenas um homem direito, normal, cuidadoso, exemplar, honesto e trabalhador. Bom chefe de família, excelente educador dos próprios filhos.

Quem nos fez assim melhor analisar essa pessoa, foi um cidadão comum. Conhecidíssimo, também. Popularíssimo, igualmente.

E ficamos pensando então: Como seria melhor Marília, como não seria melhor o mundo, se todos ou pelo menos a maioria dos homens, pensasse mais em construir do que destruir? Êsse homem é um exemplo. Brilhante, frente a alguns outros, que, aqui vivendo, aqui tendo feito nome e estabilidade financeira, não perdem vaza em destruir, criticar, censurar, espezinhar ou ridicularizar o próximo.

Aliamos uma coisa a outra; os dois extremos da questão. Enquanto êsse homem se esfalfa em boas ações, em defender Marília, seu povo e suas causas, dando atenções ao mais humilde mendigo que encontra pelas ruas e conversando igualmente com os mais representativos homens do govêrno, outros, aqui entre nós, tudo procuram destruir, tudo procuram destruir, tudo procuram torpedear, conspurcar, confundir. Criar inimizades, separatismo, combater lutas honestas. Aumentar a confusão, ao invés de contemporizá-la, atenuá-la.

A vida é assim mesmo – dizem por aí.

Se todos pensassem do mesmo modo, o mundo não teria graça – arrematam outros.

No entanto, se todos tivessem mais nobres ideais, melhores pensamentos, mais lucidez e melhor educação, as coisas seriam diferentes.

Êsse homem que nos referimos é um exemplo. E existem outros tantos – se bem que poucos – por aí. É só procurá-los e mirar-se neles...

Marília seria bem diferente então.

Extraído do Correio de Marília de 17 de abril de 1958

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Preços dos Medicamentos (12 de abril de 1958)

Alguns órgãos da imprensa paulistana, divulgaram recentemente a grande elevação de preços sofrida nos medicamentos de origem nacional. A notícia a respeito, teve um tiquinho de “descoberta”, quando, na realidade, foi bastante extemporânea. A alta nos preços dos medicamentos não se verificou recentemente e sim vem sendo efetivada gradativa e intermitentemente.

Difícil é o produto farmacêutico, hoje em dia e de há muito tempo, que consegue manter-se durante trinta dias consecutivos dentro da mesma cotação. Aquêles que são pais de família e que andam às voltas com médicos e farmácias sabem perfeitamente disso. Sinceramente, quase não existe um medicamento – desde os mais raros até os mais comuns – que não “suba” semanalmente. Parece até exagero de nossa parte essa afirmativa, mas não o é.

Nós mesmos, desta coluna, já abordamos a questão. Nessas “broncas” não vão insinuações contra os revendedores das farmacias locais, pois êstes nada mais são do que instrumentos involuntários dos laboratórios.

O que nos causou espécie, foi o gesto dos lideres da indústria farmacêutica, distribuindo folhetos “esclarecedores” à opinião pública, como medida justificadora da atitude. Causou-nos espécie, repetimos, essa “justificação”, porque não é agora, em absoluto, a primeira vez que se verificam altas. As elevações dos preços são constantes, quase diárias, e nunca os lideres da indústria farmacêutica se preocuparam em “esclarecer o público”.

Alegam em suas razões os laboratórios, através de seus representantes, que a mão de obra sofreu altas (o que não será se o novo nível do salário-mínimo for aprovado?). que as matérias primas de importação subiram de preço. Etc. e tal.

Se fosse um caso esporádico, vá lá; mas essas altas se verificam seguidamente e nós temos provas suficientes do que estamos afirmando, porque, como todos os demais, andamos sempre às voltas com as farmácias da cidade. Temos notado que remédios dêsses chamados comuns, dêsses que qualquer pessoa “prescreve” e que todos conhecem e usam em suas casas, oscilam de preços (para maior, é claro), cada três, quatro ou cinco dias.

Ao lado dos encômios que merecem aquêles que fabricam remédios para aliviar males do povo, não podemos deixar de lavrar também nossas críticas mais severas, contra as atitudes das pessoas que “brincam” com a saúde do próprio povo, arbitrando os preços das drogas, de acôrdo com conveniências ou interêsses comerciais. Todavia, se as drogas mantivessem sempre o mesmo poder terapêutico, ainda vá lá. Acontece, porém, que os efeitos de remédios caríssimos, diminuem seguidamente. A própria penicilina, que foi considerada não há muito como a mais milagrosa das drogas farmacêuticas, já não apresenta o mesmo poder anti-biótico do passado!

Em resumo e para finalizar, a “explicação” dos laboratórios farmacêuticos não constituiu nenhuma novidade, por ter sido divulgada com grande e lamentável atraso, denotando, antes de tudo, falta absoluta de quaisquer providências em pról do já sacrificado povo brasileiro!

Extraído do Correio de Marília de 12 de abril de 1958

domingo, 11 de abril de 2010

O drama nordestino (11 de abril de 1958)

Relato-nos a imprensa o drama punjente dos nordestinos, cuja vasta região foi grandemente assolada pela sêca, criando um caos moral dos mais lamentáveis em nosso país.

Cenas dramáticas, foram delineadas pelos repórteres especializados, documentando os fatos tristíssimos.

Foram anunciadas diversas providências, mas parece que mais rapidamente foram postas em prática dizem respeito à iniciativa privada, como sempre acontece no Brasil, uma vez que as medidas de caráter oficial cavalgam sempre a passo de tartaruga.

Acontecimentos dos mais inéditos foram verificados em diversos arraiais e cidades. Assaltos de fome e de desespero, que não pouparam nem mesmo delegacias de polícia ou prefeituras municipais.

O fato, em que pese o seu lado doloroso, é mais um exemplo a vir juntar-se ao grande rosário de necessidades governamentais do Brasil Gigante. Abertura de açudes e estradas, no nordeste, reclamam ações do Govêrno Federal, sem demagogias e sem organizações de “comissões de estudos”.

As populações sofrem, muitas vezes sem culpa própria. É o caso agora verificado com o martírio dos nordestinos vitimados pela sêca cruel, que procuram assaltar e abandonar seus pagos, em busca de sobrevivência.

O brasileiro, regra geral, é aquilo que se canta no rifão: “deixa como está para ver como fica”. Passado êsse período infernal de sacrifícios dos fragelados do nordeste, principiarão a cair as “chuvas de abril”. Depois, como nos anos anteriores, a situação será em parte atenuada. Aí, se vingarem os máus exemplos pretéritos, voltaremos a ficar na mesma, para a infalibilidade da repetição dos atuais fatos, já no ano que vem.

Desde que nos conhecemos por gente, temos ouvido a mesma bazófia demagógica de homens do govêrno. Todos têm clamado por uma só boca, os problemas do nordeste, as necessidades de estradas, o incentivo e financiamento à lavoura, o apôio ao homem do campo, a luta contra o analfabetismo, a abertura de estradas, etc., etc..

E temos constatado que quase todos os eleitos têm feito a mesma coisa: nada ou quase nada.

Um quadro desolador presenciou o país nos últimos dias, com os viandantes em andrajos, assaltando e fugindo à desdita. Temos em nós, que o problema, se não pudesse ser totalmente solucionado – uma vez que é complexo e difícil –, pelo menos poderia apresentar alguma coisa traduzida em mais acêrto, no que tange às providências governamentais, com respeito ao cuidado e amparo ao problema das secas do nordeste.

Só o govêrno pode ser responsável pelo fato ou pelas suas graves consequências, como chefe executivo de tôda a nação. Obras de açudes iniciadas há longos anos, não foram concluidas até a presente data, num sinal de menosprezo patente aos irmãos do nordeste.

A situação apresenta formas gravíssimas e deve, de pronto, merecer, não só atenções e providências burocráticas, mas sim ações diretas “in loco”.

Enquanto tais medidas não forem praticadas, teremos no futuro as mesmas repetições do presente, fatos já conhecidos através de consumação passada.

Extraído do Correio de Marília de 11 de abril de 1958

sábado, 10 de abril de 2010

União Eleitoral Mariliense (10 de abril de 1958)

De acôrdo com o que noticiamos, realizou-se segunda feira última, na Sociedade Luso-Brasileira, a reunião preliminar de um grupo de pessoas de nossa cidade, ocasião em que foi fundada a União Eleitoral Mariliense.

O referido movimento, sem nenhuma côr política, religiosa, social ou filosófica, apresentará um único e distinto objetivo: batalhar entre o eleitorado local, de maneira democrática e pacifica, para esclarecer convenientemente ao público em geral, da necessidade de cerrarmos fileiras em torno de nomes de candidatos marilienses.

A União, conforme nos foi dado presenciar, através de sua primeira assembléia, saberá respeitar os direitos dos demais candidatos de fóra, sem nenhum motivo de hostilizacao ou desprestígio. Entretanto, alertará o eleitorado local, das conveniências e necessidades que Marília apresenta, em eleger, desta vez, seus legítimos representantes parlamentares.

Efetivamente, dispõe Marília de colegiado eleitoral suficiente para tal empreendimento; por outro lado, conta com nomes dignos e honrados para a desincumbência dessas funções. Se, no passado, não tivemos a efetivação dessa aspiração, que representa também uma das antigas lutas do autor destas linhas, atribuímos como motivo responsável do fato, a dispersão de votos e a consignação de sufrágios em torno de candidatos alienígenas, principalmente em prol daquêles que só lembram da existência de Marília e dos marilienses, em vésperas de eleições.

Convencemo-nos, portanto, de que os primeiros frutos da campanha em que modestamente vimos participando há muito, principiam a surgir. Primeiro, o P. S. P. local, que, conforme dissemos, teve uma atitude das mais elogiáveis, decidindo, em reunião (apesar das tentativas de torpedeamento de dois pessepistas), que emprestaria apôio a um candidato da terra, uma vez que o candidato nato do partido, dr. Adhemar de Toledo, não iria concorrer ao pleito. Posteriormente, o P. R. P., que não deixa também de ter seu colegiado eleitoral local, declarou, através da palavra de seu presidente, que não concorreria com candidato próprio no dia 5 de outubro. Embora não tivesse externado a firmeza de apoiar um candidato de Marília, é de esperar-se que o partido do sr. Plínio Salgado, em Marília, cerre fileiras em tôrno de um nome de nossa cidade.

Depois, a U. D. N.. O próprio Prefeito, simpatizando com o movimento óra referido, retirou sua candidatura a deputado federal, para prestigiar o nome já lançado, do dr. Aniz Badra. Igualmente, o sr. Leonel Pinto Pereira declinou de sua inscrição, com o objetivo de que concorresse, pela legenda udenista, ao Palácio 9 de Julho, o candidato nato da “eterna vigilância”, dr. Guimarães Toni. Não se pode negar, a existência de boa vontade inicial por parte dos próprios partidos locais. Tudo faz crêr que êste ano conseguirá Marília, justamente, eleger seus lídimos advogados parlamentares. Depende do não truncamento dos entendimentos e propósitos já delineados e – principalmente –, do próprio povo mariliense.

Araçatuba, vibrante cidade da Alta Noroeste, deu um grande exemplo nesse sentido, reunindo na Câmara todos os próceres políticos, para a escolha de um candidato único. No passado, Birigui, Ibitinga, Santa Cruz do Rio Pardo e outros centros, alguns de menor expressão política do que Marília, conseguiram eleger representantes, porque souberam unir-se. Por que, nós, não poderemos fazer o mesmo?

A União Eleitoral Mariliense está fadada a obter inteiro êxito. Seus integrantes são pessoas idôneas, antigas de Marília, insuspeitas e apolíticas, o que é uma inequívoca garantia de bons e patrióticos propósitos.

Cumpre ao povo acercar-se dêsse movimento e compenetrar-se devidamente de suas nobres e bem marilienses finalidades.

Extraído do Correio de Marília de 10 de abril de 1958

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Um comércio pouco louvável (9 de abril de 1958)

Não há negar que nos dias atuais o mundo infantil é bem mais orientado, seguro e encaminhado para o futuro do que nos tempos idos.

É um sinal dos tempos, uma evolução natural de vez que no passado, conforme nos contam nossos avós e conforme muitos de nós tivemos experiências próprias faltavam às crianças uma orientação diretiva mais sólida, mas esclarecedora.

Hoje as crianças recebem noções do caminho a seguir. São instruidas, são melhor e mais facilmente educadas. Entretanto, nem tudo ainda está feito. Muita coisa existe para completar.

Verdade é que nossas autoridades e mesmo os pais de família e os mestres escolares, não descuidam hoje, como no pretérito, daquêles que serão os homens de amanhã. No entanto, como tudo evolui, como tudo se expande e cresce espiralmente, também a mentalidade infanto-juvenil de nossos dias, apresenta maiores expansões e mais Franca elasticidade de idéias do que nos tempos idos. Portanto, proporcionalmente, o problema continua a existir.

Em Marília, bem como em diversas outras grandes cidade e capitais, existem providências superiores e de direito, coibindo a venda de revistas infantis de fundo corruptor ao espírito da meninice. Agora, está sendo movimentada e já atingindo vários pontos do interior, a “campanha de desarmamento infantil”. Medidas das mais encomiosas, fóra de dúvida. Elogiáveis.

Em nossa cidade, uma coisa está ainda a chamar as atenções do Juizado e Comissariado de Menores. É a questão da venda, trocas e empréstimos de revistinhas (algumas inocentes, outras não), movimentada por dezenas e dezenas de crianças, especialmente às portas dos cinemas, diariamente, por ocasião dos vesperais cinematográficos.

Duas pessoas nos chamaram as atenções acêrca do fato, solicitando-nos a feitura da presente crônica.

Efetivamente, tal acontece em Marília, principalmente na porto do Cine Marília. Um “comércio” de trocas, vendas (e) empréstimos dêsse tipo de leitura, campeia por ali, diariamente. Sabemos que a prática referida é feita inocentemente, mas ninguém poderá ignorar que suas consequências só poderão ser mais prejudiciais do que úteis. O aspecto, em si, não é nada agradável aos olhos, principalmente dos forasteiros. Crianças há, que ficam verdadeiramente obsecadas, por determinado tipo de leitura referida.

Uma das pessoas que nos procurou, é um professor estimado na cidade. Como bom mestre, está preocupado com o problema.

Achamos que o mesmo tem razão. Por isso, apelamos ao Comissariado de Menores da Comarca, que, dentro daquela linha elogiável de fiscalização e proteção aos menores da cidade, procure reprimir tal anomalia, orientando e instruindo os meninos, sôbre as inconveniências e consequências desagradáveis de tal comércio.

Extraído do Correio de Marília de 9 de abril de 1958

domingo, 4 de abril de 2010

Hosanas a Marília (4 de abril de 1958)

Nêste 4 de abril, data magna da emancipação municipal de nossa grande e querida cidade, aqui estamos também, para exteriorizar nossa alegria pelo ensejo do transcurso.

Estamos em festa e participamos dos acontecimentos que hoje se desenrolarão em todos os pontos da cidade, com a alegria incontida de todos os marilienses – autênticos ou genuínos –, de tôdas as que pulsam de amor por estas plagas acolhedoras, esta colméia de labor insano e profícuo, esta célula de dinamismo e arrojo, dentro do Estado líder da Federação.

Vinte e oito anos de emancipação administrativa, completa hoje nossa cidade. Pouco mais de um quarto de século e menos de trinta anos de vida municipal. Tempo relativamente curto, frente ao vulto de realizações do povo mariliense, coeso com suas autoridades, ombreado num só desiderato: engrandecer a Capital da Alta Paulista.

Justifica-se, perfeitamente, o nosso bairrismo, como fenômeno natural de todo sêr humano. Esta cidade, que escolhemos para nosso lar e que é o berço de nossos filhos, soube corresponder aos trabalhos que lhes dedicamos. Cresce dia a dia, com aquela vertigem natural dos grandes centros. Espande-se com aquela graça e beleza de uma jovem adolescente. Convergem dia a dia, para nossa cidade, as atenções dos povos de outros centros. Os que não a conhecem, pelo menos já ouviram dizer maravilhas de seu vertiginoso crescimento. Os que aqui aportaram um dia, foram espontâneos e sinceros em dispender elogios fundamentados, acerca de seu dinamismo e do trabalho de seu grande e laborioso povo.

Temos em nós, o orgulho incontido, de ter sido Marília citada com abundância de pormenores, pelo jornal “Times” de Londres, como “um verdadeiro fenômeno de crescimento e progresso”.

Hoje Marília completa seu 28º aniversário de independência municipal. A 24 de dezembro de 1928, pela Lei 2.320, nossa cidade foi elevada a Município, cuja instalação solene teve lugar no dia 4 de abril de 1929, precisamente às 10 horas, num prédio então existente no local onde hoje ergue-se o edifício próprio da Associação Comercial local. O acontecimento de 28 pretéritos foi presidido pelo sr. João Carneiro da Fonte, então Juiz de Direito da Comarca de Piratininga, tendo sido o primeiro prefeito municipal de Marília o engenheiro Durval de Menezes.

Agora, Marília é êste fenômeno de dinamismo e realizações que aqui vemos: cerca de 9.000 prédios, mais de 40.000 habitantes, um potencial de indústrias em plena ascensão, um comércio dos mais sólidos e completos, um centro bancário dos maiores do interior, uma agricultura e uma pecuária dignas de menção especial.

Por isso, apresentamos aos marilienses e aos forasteiros, nesta auspiciosa data de 4 de abril, esta nossa esicao especial do CORREIO DE MARÍLIA, o jornal que viu e acompanhou o crescimento de Marília, sempre divulgando a sua vida e os seus acontecimentos.

Neste 4 de abril, nós que aportamos no início desta cidade, quando os clarões nas matas estavam longe de prefaciar o progresso de nossos dias, o crescimento quase incrível de nossa querida cidade, congratulamo-nos com Marília e seu grande povo, suas autoridades e os verdadeiros amigos desta querida e extremecida terra.

Hasanas a Marília, neste feliz 4 de abril!

Extraído do Correio de Marília de 4 de abril de 1958

sábado, 3 de abril de 2010

Sexta Feira Santa (3 de abril de 1958)

Hoje, Endoenças, data que precede o grande Dia da Paixão de Nosso Senhor Jesús Cristo, é um dia de respeito profundo e recolhimento interior dos mais elevados.

Amanhã, Sexta Feira Santa, marcará a data maior da cristandade, dia inteiramente devotado à lembrança Daquêle que morreu na cruz para nos salvar.

Haverá uma pausa de natural respeito em todos os pontos das atividades humanas. Um respeito obrigatório, consciente, leal. A santidade do majestoso dia de amanhã assim o exige. A importância da data, no Calendário de Cristo, obriga a essa reverência meticulosa e sincera, profundamente meditativa. Seu significado é por demais grandioso, rememorando a Paixão e Morte do Filho de Deus, que se fez homem para salvar a humanidade.

Vilipendiado, sacrificado, surrado, lancetado e pregado com cravos desumanamente na cruz, Jesus Cristo não teve para com seus algozes nenhuma palavra de desaprovação, de censura, de hostilização. Humildemente, limitou-se a dizer: “Pai, perdoai-lhes, porque êles não sabem o que fazem”.

Olvidou as dores sofridas e não guardou rancores e nem iras contra seus assassinos e carrascos.

“Eu sou Filho de Deus”.

A morte de Cristo foi uma decorrência determinativa da própria vontade de Deus, em Sua grande e alta sabedoria. Todos os cristãos, no dia de amanhã, são obrigados a compenetrar-se da elevada importância dessa grande e significativa data. Tudo convida a meditar e orar, rememorando o grande sacrifício do Filho de Deus, que se fez homem para nos salvar. Devemos todos meditar sobre os grandes exemplos de abnegação, resignação, bondade e amor ao próximo, dados exuberantemente por Nosso Senhor Jesus Cristo.

A importância do dia de amanhã é obrigatoriamente digna de ser rememorada com carinho, respeito, dignidade e compenetração. A oração e o respeito ao Dia, serão o mínimo e o indispensável que nos cumpre fazer. À todos, indistintamente. Aos verdadeiros cristãos, em especial.

Devemos todos meditar sôbre as Séte Palavras de Jesús na Cruz:

“Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem”.

“Ainda hoje estará comigo no paraiso”.

“Mulher, eis aí o Teu Filho”.

“Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”

“Tenho sêde”.

“Consummatum est”.

“Pai, em Vossas mãos encomendo o meu espírito”.

Até a natureza, como sempre, compreenderá o significado excelso do dia de amanhã, convidando à reverência, dôr, respeito, oração, meditação.

Nós, cristãos por excelência, faremos tambem uma pausa em nossa faina diária, amanhã, Sexta-feira Santa. Deixaremos de focalizar nesta coluna, as misérias do mundo e as maldades dos homens.

Iremos formar tambem no grande ról dos compenetrados em holocausto ao significado da grande data, com respeito e amor profundo, participando em pensamento sobre a Vida, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Extraído do Correio de Marília de 3 de abril de 1958

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O P.S.P. dá o exemplo (2 de abril de 1958)

Estivemos segunda feira última, em missão exclusivamente jornalística e convidados que fomos pelo sr. Otávio Barreto Prado, na séde do Partido Social Progressista. Fomos apreciar os trabalhos de reestruturação do Diretório Municipal.

A Mesa foi presidida pelo delegado da legenda, dr. Adhemar de Toledo e foi reeleito para o comando social-progressista em nossa cidade, o popular Tatá, à quem, nesta oportunidade, apresentamos congratulações.

O que mais nos encantou naquela reunião, foi a atitude digna de louvores, dos pessepistas locais:

Explicou o sr. Otávio Barreto Prado, que, não tendo o P. S. P. um candidato próprio de Marília, para concorrer ao posto de deputado estadual, uma vez que o dr. Adhemar de Toledo, candidato nato do partido, não iria disputar as próximas eleições, o P. S. P. achava por bem tomar a decisão de apoiar outro candidato, mesmo de outra legenda, desde que fôsse mariliense. Esclareceu o popular Tatá a decisão, dizendo que nenhum desrespeito significaria à sua legenda, e, que pelo contrário, visita de encontro aos interêsses reais de Marília, colaborando assim com a “cidade menina”, para que esta deixasse de permanecer na eterna orfandade parlamentar que tão contundentemente a identifica.

Demonstrou o P. S. P., uma atitude das mais sensatas e dignas de encômios. Poderia ter apresentado outro nome, conforme chegou a ser sugerido na referida assembléia. Entretanto, reconheceu que mesmo carreando com isso alguns votos à mais para a legenda, iria contribuir para a repetição dos fatos anteriores, quando Marília ficou sem possibilidades de eleger um legitimo representante, em virtude da natural dispersão de votos.

O P. S. P. de Marília colocou nessa condição, os interêsses da cidade acima dos interêsses do partido e isso deve merecer simpatias de todos nós, com aprovação mesmo do próprio líder do Partido que é o sr. Adhemar de Barros. Deu um exemplo frisante, que não cabalará e nem negociará seus votos em nossa cidade, empenhando-se, pelo contrário, para a eleição de um mariliense, mesmo de outro partido. A condição essencial é que seja mariliense e que trabalhe por Marília e seu grande povo.

Nós que, modesta mas sinceramente, sempre nos preocupamos com essa questão, que já escrevemos dezenas e dezenas de artigos a respeito, ficamos bastante satisfeitos com tal atitude, que demonstrou, acima de tudo, um acendrado e indiscutível amor por Marília e pelo povo mariliense.

Não há muito, num dos nossos escritos, chamávamos mesmo as atenções dos dirigentes políticos locais da cidade, no sentido de que unissem fôrças, a fim de que Marília pudesse, desta vez, eleger seu legítimo advogado. Temos, conforme dissemos, gente capaz suficientemente para bem nos representar no Palácio 9 de Julho e no Palácio dos Tiradentes. Temos, por outro lado, eleitores capazes para tal concretização. Depende, tão sòmente, de atitudes patrióticos como essa, demonstrada pelo P. S. P., que será corroborada em breve, e, da maior consciência dos marilienses, em não dispender sufrágios em torno de candidatos de fóra, especialmente em favor dos autênticos e conhecidíssimos “caçadores de votos”.

O P. S. P. vem de encontro à nossa luta.

Devemos dar-lhe nossos parabéns, ao mesmo tempo que solicitamos aos demais partidos políticos da cidade, que sigam êsse exemplo, unindo fôrças em tôrno de um candidato de Marília.

Precisamos mostrar a todos – e a nós próprios em particular –, que temos meios suficientes para demonstrar nossas fôrças. Marília não pode prescindir de um representante nos parlamentos nacionais.

O P. S. P. acaba de dar um belíssimo exemplo.

P. S. – Os assuntos de nosso artigo de ontem, sob o epígrafe “Boas Notícias” não sairam errado, não. Sairam certos e na época certa: 1º de abril.

Extraído do Correio de Marília de 2 de abril de 1958

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Bôas Notícias... (1 de abril de 1958)

Positivamente, hoje é um dia em que compilamos uma série de boas notícias para nossos leitores. Do compêndio e da seleção que conseguimos realizar, aqui estão as boas novas:

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Em conversa telefônica ontem com o deputado Luciano Nogueira Filho, procuramos nos inteirar “em que pé” andam as providências acêrca do projeto de lei 111, de sua autoria, visando conceder verba de 8 milhões de cruzeiros para a construção de passagem de nível sôbre os trilhos da Paulista, na Rua 9 de Julho. Conversamos cêrca de meia hora com o ilustre deputado, ficando sabendo de que as Comissões Especiais da Assembléia já deram pareceres favoráveis ao projeto e que existe trabalho harmonioso para a aprovação da mencionada proposição.

Por outro lado, informou-nos o deputado Luciano Nogueira Filho, da existência de u’a emenda da Comissão de Finanças, elevando de 8 para 13 milhões o “quantum” da verba respectiva, visando assim, a construção de “escadas rolantes” laterais, para pedestres. A firma interessada “Shaw & Thompson, Inc.”, dos Estados Unidos, mandará hoje à nossa cidade, um engenheiro técnico para conhecer o local da passagem e apresentar seu relatório. Trata-se do sr. Mário de Moraes Vendrahil, que deverá chegar pelo avião de carreira da VASP. Tais trabalhos foram instruidos pela Comissão de Engenharia do Palácio 9 de Julho. Portanto, notícia alvissareira, conforme dissemos acima.

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Outro assunto importante: O MAC foi registrado para disputar o campeonato da segunda divisão. Acabamos de receber, de nosso amigo Geraldo Tassinari, represente do alvirrubro junto à F. P. F., o seguinte telegrama:

“Vitória estupenda os marilienses pt Conseguido registro MAC próximo campeonato pt Falei pessoalmente Cláudio e Feóla sentido empréstimo onze jogadores aspirantes pt Ficaram escolher elementos e avisar-me para providenciar passagens São Paulo a Marília pt Abraços Tassinari”.

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A reviravolta nos meios políticos de São Paulo nos últimos dias foi das mais inéditas na história da política bandeirante. Estourou como um bomba, a palavra do sr. Adhemar de Barros, anunciando o acôrdo com o PDC, retirando sua candidatura aos Campos Elíseos, para apoiar o candidato do sr. Jânio Quadros, prof. Carvalho Pinto. Três Secretárias de Estado serão confiadas ao PSP, cujos titulares serão indicados pessoalmente pelo sr. Adhemar de Barros. Ontem discamos para o líder pessepista na Rua Albuquerque Lins, tendo o mesmo nos confirmado a notícia em tela. Instado por nossa reportagem para que declinasse os nomes dos Secretários referidos, disse-nos o Sr. Adhemar de Barros que apensa um está escolhido e que deverá dentro de 15 dias, substituir o Sr. Carvalho Pinto, para que êste dê início à campanha eleitoral. Quizemos saber o nome do futuro Secretário da Fazenda e quasi desmaiamos, quando o Dr. Adhemar de Barros declarou: “Óra, meu patrício, você não percebeu lógo que o Secretário da Fazenda vai ser o meu compadre Nasib Cury?”

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Reuniu-se ontem à tarde no Gabinete do Sr. Prefeito Municipal, a Comissão dos Festejos do Município. Estiveram presentes, além do prefeito, os vereadores rev. Álvaro Simões, Edmundo Lopes, Leonél Pinto Pereira, Armando Mascaro, Nasib Cury, Shiguetoshi Nakagawa e Bernardo Severiano da Silva. Foram discutidos novamente assunto acêrca das comemorações do Dia do Município, que, conforme sabem todos, foram adiadas de 4 de abril para 18 de junho. Todavia, tendo em vista que serão realizadas homenagens extra-oficiais nos dias 5 e 6 e que em junho teremos grandes festividades promovidas pela colônia japonesa, achou por bem a Comissão referida adiar as homenagens em apreço, de 18 de junho, para 22 de setembro do ano em curso.

Extraído do Correio de Marília de 1 de abril de 1958