sexta-feira, 31 de julho de 2009

Mestres, uni-vos (31 de julho de 1957)

Em nossa edição de amanhã, transcreveremos do Diário Oficial do Estado, os planos e a estrutura da instalação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília, recentemente criada em nossa cidade.

Pela íntegra da mencionada transcrição, que é de interêsse vital e deve ser conhecida por todos os marilienses, perceberemos o fiel desejo do diretor dr. José Quirino, aliado às promessas do próprio Governador, em auscultar a opinião pública, para saber as preferências e as especialidades dos diversos cursos que integram uma Faculdade de Filosofia.

Dissemos, num dos nossos artigos anteriores, que o próprio diretor da escola, em conversa com nossa reportagem, solicitara-nos fôssemos seu porta-voz, interpelando os marilienses acerca de suas preferências. Na ocasião, transmitimos aos nossos amáveis leitores, a certeza de que os estudos para a consulta a opinião dos marilienses estavam sendo elaborados e seriam oportunamente divulgados. Já o foram, através do órgão da imprensa oficial do Estado, que amanhã transcreveremos para o conhecimento geral, uma vez que nem todos os marilienses manuseiam o mencionado diário público.

Ao par das manifestações mencionadas, existe a necessidade de que seja realizada uma reunião de diretores de escolas, presidentes de grêmios literários, mestres em geral, alunos e pais de alunos. Assim, pensamos, serão discutidas as conveniências mais palpáveis para a escolha dos cursos, de maneiras que não tenhamos amanhã, nenhum motivo de aborrecimento, em virtude de não termos apresentado manifestações e estudos em tempo habil.

Assim, através desta coluna, fazemos uma sugestão aos senhores mestres, especialmente diretores de escolas, presidentes de grêmios literários, interessados em geral e mesmo pais de alunos, para que se reunam o mais breve possível, a fim de discutir a questão, apresentando as sugestões e preferências por escrito, conforme solicita o teôr da publicação referida, que amanhã será transcrita por nosso jornal.

Entendemos imprescindível uma reunião dêsse porte, para que sejam trocadas idéias, especialmente por aquêles que mais diretamente conhecem o “metier” do ensino superior, bem como sejam as manifestações solicitadas, encaminhadas com base e fundamento, dentro do prazo estipulado na citada publicação, ou seja, até o próximo dia 15 de agosto (de 1957).

Mestres, uni-vos, porque essa união e reunião, com conhecimento de causa e troca de pontos de vista, trará benefícios a Marília, uma vez que objetiva escolher as especialidades científicas a serem ministradas por êsse curso oficial de ensino superior da cidade.

À parte, um(a) pequena observação: deveremos ser gratos ao diretor da Faculdade, que está cumprindo à risca, as promessas empenhadas aos marilienses. Pelo conteudo da publicação que amanhã sairá à luz, transcrito do órgão (o)ficial do Govêrno do Estado, verificarão os leitores que a Faculdade, oficialmente, é dada como instalada. Saibamos nós, marilienses, corresponder totalmente ao gesto e interêsse daquêles que vieram ao encontro de nossos desejos, traduzidos por mais de uma dezena de anos de árduas e nobres lutas em pról de nossa mocidade estudantil.

Extraído do Correio de Marília de 31 de julho de 1957

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Corresponderá a construção de Brasília? (30 de julho de 1957)

Para o leitor menos avisado, poderá parecer antipatriotismo de nossa parte a utilização de um epígrafe como o que escolhemos para a nossa crônica dêste espaço diário. Pelo contrário, tal vem a representar uma grande preocupação pelas coisas de nossa terra e de nossa gente.

Data de muito, a preocupação de antigos govêrnos do Brasil, em mudar para o centro do país, a nossa capital. A “marcha para o oeste”, preconizada pelo então presidente Getúlio Vargas, jamais passou de alguns trechos de discursos dirigidos aos brasileiros por ocasião de passagens do Dia do Trabalho.

O atual govêrno do Brasil, entendeu de operar a mudança da Capital Federal, num abrir e fechar de olhos. A idéia, conforme dissemos em outra ocasião, é louvável e essa mudança poderá mesmo significar uma completa metamorfose no desenvolvimento do país, que apresenta hoje mais de duas terças partes do território, praticamente alheias ao progresso de nossos dias. O que não está correspondendo, é o processo pelo qual se está objetivando tal mudança. Não conhecemos, repetimos, a nova Capital. Beseamo-nos apenas no que temos lido e ouvido a respeito, por um lado; na lógica que representa desparalelo, em relação ao vulto do empreendimento e ao espaço-tempo com que o mesmo está sendo providenciado.

Conversamos ontem, com um cidadão que chegara de Brasília. O conceito emitido por nós, através desta coluna, há pouco tempo, foi confirmado: Brasília está sendo um foco de inflação nacional, um amontoado de casas de madeira, perdido no centro da nação, com meios de transportes deficientíssimos e escassos meios de subsistência. Por outro lado, objeto de exploração de alguns “sabidos” sôbre u’a minoria bem intencionada e algumas vezes aventureira.

Um campo de aviação rudimentar, é praticamente, quase o único que representa progresso. A região, vastíssima, quase nada produz, uma vez que é diminuta a agricultura, sendo procedente de longinquos pontos os gêneros necessários ao consumo público. A cidade, pelo que nos informou a pessoa com a qual conversamos, existe apenas um traçado oficial. As construções são caríssimas, uma vez que até a madeira procede de São Paulo e Paraná; até a areia! Acrescente-se ainda, o “disque-disque” corrente de que nem todos os funcionários da Fundação Brasília têm o mesmo sentido de patriotismo e compenetração, constando que alguns dispõem de meios para enriquecer de maneira pouco recomendável.

Achamos um erro, o querer se mudar a Capital Federal dum dia para outro; embora sejamos leigos nessa questão, sabemos, por observação própria, que mesmo um loteamento urbano aqui no interior, exige, antes de ser posto à venda, uma série de providências atinentes ao progresso e conforto. Em Brasília, nada disso é feito. Antes de mais nada, apenas elaborado o traçado de cunho oficial, principiaram a surgir algumas casas de taboa, que, ao cont(á)rio de bem traduzir a vida de uma capital, representará, pelo contrário, um verdadeiro contraste. Alguem poderá pensar que sejamos apologistas de uma cidade suntuosa, mirabolante; nada disso. Apenas, pensamos, deveremos ter a Capital Federal, simplesmente condigna.

Araçatuba e São José do Rio Preto, progressistas cidades de nossa hinterlandia, dão exuberante exemplo a esse respeito: dois novos loteamentos surgidos nessas cidades, tiveram suas ruas asfaltadas, iluminadas, ligadas as rede de água e esgoto, antes de terem seus lotes colocados à venda.

Em igual tempo, temos a certeza, o progresso desses mencionados loteamentos poderá ultrapassar aquilo que seria de esperar de Brasília.

Extraído do Correio de Marília de 30 de julho de 1957

segunda-feira, 27 de julho de 2009

“Batendo no mesmo prégo...” (27 de julho de 1957)

Perdoem-nos os amáveis leitores, pela insistência com que repetimos o fato: precisamos e não podemos deixar de eleger, no próximo pleito eleitoral, o l(e)gítimo deputado mariliense. Partidos políticos de várias cidades interioranas, já elaboraram estudos inclusive para os futuros candidatos a prefeitos e vice-prefeitos; nomes já foram dados ao conhecimento público.

Enquanto isso, em Marília, os partidos políticos ainda estão bastante frios. Sabemos que existem trocas de idéias partidárias, entre as próprias correntes políticas locais, sem nenhum resultado concludente a presente data. Ha, ao que parece, ao lado do natural receio de fracasso, a dificuldade de nomes, uma vez que tudo faz crêr, que, as diversas correntes políticas locais estão propensas a apoiar um candidato único, “desde que seja do próprio partido”. Ficam mudos os mentores políticos locais, quando percebem interesse do reporter. Uns, “nada sabem”; outros alegam que “só o diretório poderá dar a palavra oficial”.

A verdade, é que o caso assemelha-se, ao que parece, com a história (já repetida por nós) do caboclo, que chamando a filha, disse-lhe: “Maria, você está em idade de casar; seu pai não porá obstáculos ao seu gosto; você póde casar-se com quem quiser, desde que seja com o Dito, filho do compadre Felisbino”.

Não poderá Marília escolher mais do que dois candidatos. Será um áto de verdadeira insensatês, porque teremos a mesma consequência de erros do passado, permanecendo órfãos na Assembléia Estadual. Daquí, désta coluna, combateremos tal acontecimento, baseados nos exemplos pretéritos.

Igualmente, continuaremos apelando para a consciência do eleitorado mariliense, para que não desperdice votos aos políticos profissionais, que só se lembram de Marília em épocas de vésperas de eleições. À propósito, já conhecemos alguns “cabos eleitorais marilienses”, dispostos a trabalhar para um candidato de fóra, que, diga-se de passagem, jamais fez alguma coisa por Marília; pelo contrário, tentou, no passado, prejudicar nossa cidade, apresentando projeto de criação da Faculdade para outro centro, colidindo com a luta sagrada desfraldada pelos marilienses. Lógo, tal candidato aquí estará. Sabemos até da recepção que está sendo organizada e dos estardalhaços que serão processados. Sabemos, por outro lado, que alguns políticos locais, não receberão com bons olhos esta nossa observação. No entanto, como bons marilienses, soldados dessa mesma luta que realizamos ha mais de dois lutros, não calaremos. Temos armazenados alguns “cartuchos” que serão queimados na hora oportuna.

Talvez “preguemos no deserto”. Mesmo assim, pregaremos.

Os marilienses não pódem deixar de votar num candidato local, para consignar sufrágios à gente de fóra. De fórma nenhuma. Os candidatos de outras paragens, que construam eles próprios o seu cabedal de simpatias junto aos marilienses, com trabalhos em pról deste grande povo e não à custa de gente de nossa cidade (bem intencionada, ou que alimente por êsses nomes, simpatias pessoais ou interesses partidários).

Não descansaremos, continuamos a repetir. Sabemos, pelas manifestações que têm chegado ao nosso poder, que a maioria dos marilienses fórma em nossa trincheira. Poderemos perder a batalha, como no passado, mas lutaremos até o final.

Se os partidos políticos não se manifestarem dentro de mais algum tempo, nós próprios sairemos à rua, indicando nomes. Nomes marilienses, bem entendido. Poderemos mesmo criar um “comitê local pró deputado mariliense”. Entretanto, não pretendemos tomar éssa iniciativa. Porisso, aguardaremos mais algum tempo.

Nésta coluna, nenhum candidato de fóra terá guarida, e, pelo contrário, em têrmos e respeitando os direitos de qualquer cidadão, continuaremos a combater “paraquedistas” e “caçadores de votos”, em pról da eleição do deputado mariliense.

Disso pódem todos estar certos. “Bateremos no mesmo prégo”, sem esmorecimentos.

Extraído do Correio de Marília de 27 de julho de 1957

domingo, 26 de julho de 2009

Prezado E-Leitor de José Arnaldo/De Antena e Binóculo

Você que lê os textos históricos escritos por José Arnaldo em De Antena e Binóculo, faça-nos um grande favor: comunique os possíveis erros e ou incorreções que notar nas crônicas que blogamos praticamente todo dia.

Gratos,

Sueli e Cláudio Amaral, editores.
clamaral@uol.com.br
26/7/2009 09:27:06

Plano para baixar o custo de vida (26 de julho de 1957)

Um telegrama procedente do Rio de Janeiro, dá ciência de que a Associação Rural de Goiás fará a entrega ao Presidente da República, de um memorial contendo uma fórmula destinada a baixar o custo de vida no Brasil.

Conforme se depreende do corpo do aludido despacho, a baixa do custo de vida será possivel, através de financiamento aos produtores brasileiros pela própria COFAP, que além disso adquirirá a produção total, para entrega-la posteriormente ao consumo público, por intermédio de armazens populares, ou de comerciantes honestos, que se limitem a um lucro apenas razoavel.

Tal esquema, ao que anuncia, prevê ainda uma série de outras providencias, entre elas a criação e instalação nas capitais dos Estados e municípios de grande projeção no campo agro-pecuário, de patrulhas motomecanizadas, destinadas ao destocamente e aração das terras destinadas à agricultura.

A notícia, assaz otimista, antevê mesmo que o aludido plano virá provocar séria reação por parte daqueles que são intermediários ganaciosos, habituadssimos à exploração do público consumidor, ganhando rios de dinheiro facilmente e às custas do sacrificado povo brasileiro.

Não ha (como) negar que a idéia é digna de aplausos e seria uma grande coisa se executada efetivamente conforme é proposta.

Entretanto, temos nós algumas dúvidas acerca da viabilidade dessas providências e dos benefícios efetivos que poderão advir ao público consumidor. Até parece que estamos vendo um fato curioso: centenas de inexcdrupulosos intermediários perdendo a “chance” de aumentar do dia para a noite suas fabulosas fortunas, para dar lugar a out(r)as centenas de desonestos funcionários que nada mais serão do que apaniguados políticos, que igualmente enriquecerão a custa da miséria do mesmo povo brasileiro.

Não ha exagero de pessimismo nesse modo de pensar. Todos sabem que muitos “patriótas” que atualmente emprestam seus serviços a famigerada COFAP, ganham mais do que deputados, senadores e o próprio Presidente da República. Nesses ganhos, incluem-se os vencimentos polpudos chamados honestos e as incontáveis “mordidas” e pactuação nas inúmeras “marmeladas” que imperam a rodo nésta terra que Cabral descobriu por motivo da paralização dos ventos nas costas da África.

À propósito, não ha muito, o redator déstas linhas ficou conhecendo no Rio de Janeiro, um membro da citada COFAP. O cidadão mencionado, que não éra lá um “grandão” dentro do órgão, fazia jus aos vencimentos mensais de 15 mil cruzeiros, para reunir-se, no muito, uma vez por mês! E, desbriadamente, confessava-nos que recebia muitos “presentes”, para contornar situações pelas grandes classes, para votar favoravelmente a pretensões de aumento de determinadas mercadorias ou gêneros! Esse homem, que não sabemos se ainda continua na diretoria da organização que tornou-se hoje um desprestígio público, uma vez que desvirtuou por completa suas altas e nobres finalidades, não éra nenhum “cabeça” do organismo. Imaginem os leitores se o fôra!

Em todo o caso, o que vale aquí, é a intenção dos dirigentes da Associação Rural de Goiás. Se os resultados não forem aqueles colimados pela citada entidade, não terá a referida sociedade a culpa do insucesso. Existem outras pessoas diretamente responsáveis por isso e muitas coisas mais. E os nossos leitores sabem, de antemão, quem são.

Extraído do Correio de Marília de 26 de julho de 1957

sábado, 25 de julho de 2009

Açucar a Cr$ 7,00 o quilo (25 de julho de 1957)

Comentavamos ainda a pouco, a divergência do preço do açucar na cidade, fazendo menção de que em Marília, o mesmo produto estava sendo vendido num estabelecimento comercial à razão de 55 cruzeiros e em outras casas, a 68 e 70 cruzeiros.

Dissemos, na ocasião, que o fato nada mais éra do que o reflexo inconteste do atual estado de desgoverno em que vivemos. Não dissemos nenhuma novidade, entretanto.

Agora, novamente, torna a impor-se ao nosso dever, comentar a situação do açucar. O Brasil está exportando tal produto de primeira necessidade, a preços que representam a metade dos colocados no mercado varejista atual. Além do mais, está prenunciando a ameaça de ser o custo do produto aumentado ainda mais. Estamos, enquanto isso, exportando o açucar de primeira, à 7 cruzeiros o quilo!

O aumento pretendido, virá por certo, como costumam “vir” todas as coisas que objetivam arrancar mais algumas tiras de couro dos costados do sacrificado povo brasileiro. Os trabalhadores da industria açucareira nacional estão pleiteando aumento de salários, na base de 50%. Os usineiros espernearão, por certo, concederão um aumentozinho aos seus trabalhadores e o órgão competente não titubeará em autorizar a majoração pretendida, embora o desnivel das cifras entre o aumento dos preços da venda do produto e o acréscimo das despesas com o aumento de salários venha a ser patente e conhecido de todos, como até aquí tem acontecido. Exemplificando, a taxa das despesas com os aumentos dos salários, ficarão aquém dos lucros com o aumento dos preços, trazendo maiores benefícios para os cofres da própria industria. Isto, para não quebrar-se a “tradição” da ladroagem que por aí campeia impunemente.

Até o mais leigo em matéria de comércio sabe perfeitamente que só existe açucar exportável ao preço de 7 cruzeiros por unidade de quilo, enquanto no varejo o mesmo produto é pago a 13 e 14 cruzeiros, manda a lógica da oferta e procura, que seja barateado o produto, atendendo, pelo menos em parte as necessidades do consumo interno nacional.

Acontece que o Brasil precisa de divisas e tem que propugnar pelo incentivo do comércio de exportação. As divisas são extremamente necessárias, pois sem isso, não poderiam os senhores (fantasiados de deputados e senadores), importar seus “cadilacs” ao preço do dólar oficial, mercê de uma vergonhosa e imoral lei existente entre nós, cujo fundo é o mais impatriótico possivel.

Não conseguimos nos convencer, que não existam meios para uma baixa do açucar, uma vez que o produto exportável sai do país a 7 cruzeiros o quilo. O existe aí então? “Trabalhos de sapa”, para favorecer alguns em detrimento de milhares.

Deixando de lado a pretensão dos trabalhadores das industrias açucareiras, cumpre ainda fazer uma pequena revelação a respeito: a lista de tais operários dá conta de que (se) existe classe trabalhadora que ainda ganha relativamente bem no Brasil, é essa. Os que menos ganham, percebem 5.200 cruzeiros, pleiteando agora 7.800 cruzeiros mensais. Ha ainda os que ganham 22 mil cruzeiros, que desejam um aumento de mais 15%.

Portanto, os absurdos no terreno déssa questão, são de ordem numérica. Exportamos a 7 cruzeiros, pagando no varejo a 13 e 14, com as probabilidades de novas elevações, ameaças mesmo, em consequência das pretensões da classe, que talves pudessem ser atendidas de outra maneira.

De tudo isso, uma coisa é certa: preparemo-nos para mais escorcha, porque nesta terra onde tudo é desgoverno, onde o próprio Presidente da República vive viajando, nada ha para admirar-se.

Extraído do Correio de Marília de 25 de julho de 1957

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Friozinho impertinente... (24 de julho de 1957)

Nós, aqui da região, pouco habituados às baixas temperaturas não estamos lá mui satisfeitos com o friozinho impertinente que ultimamente domina tudo. Na madrugada de domingo (21/7/1957), os barômetros acusaram a temperatura de um grau abaixo de zero, logo pela manhã. Foi realmente uma onda de frio bastante rude aqui para a nossa zona, melhor sentida por aquêles que residem em casas de táboas, dessas em que o vento penetra pelo telhado, pelo assoalho, pelas frestas de janelas e portas, por tôda a casa, enfim.

É vento da famosa “esquina dos ventos uivantes”? Tem cortado mais do que navalhas de aço sueco!

Os que possuem agasalhos suficientes, tiveram oportunidade de utilizá-los nos últimos dias. Os outros, que estão em “deficit” nesse setor, sofreram mais do que camelhos nas nevadas da Groelândia.

Domingo passado, nas proximidades do Mercado Municipal, um trator com um reboque conduziam alguns cacarecos, que representavam u’a mudança de um de nossos caboclos da lavoura. Alguns colchões em misero estado, umas cadeiras velhas e outros apetrechos que constituiam, por certo, o patrimônio de uma pobre família. Para não fugir à tradição, cinco ou seis crianças, sujas e esfarrapadas, tiritando de frio, sob a carroceria do veiculo. Um quadro verdadeiramente contristador, o ver-se a mulher magra procurando agasalhar sòmente com o calor do corpo, uma criancinha que não teria mais do que um ano, enquanto as outras, sem quaisquer agasalhos, tremiam de frio, com os labiozinhos côr de amora “passadas”!

Todos os que passavam pelo local, ficavam penalizados com o quadro e o autor destas linhas lamentava intimamente não dispor de possibilidades para amenizar, por pouco que fosse o frio sofrido pelas criancinhas referidas. Nisto, passou um cidadão de regular obesidade, vestindo um confortável sobretudo de grossa lã amarelada, luvas, cachecol e chapéu. Olhou durante alguns momentos para o desolador quadro tão brasileiro que tinha ante os olhos e não se conteve: adentrou o Mercado, de lá voltando pouco depois, com alguns agasalhos novos, malha de algodão, dêsses que se vendem nos bazares populares. Distribuiu a cada criança um daquêles objetos, que se não chegasse a completar inteiramente as necessidades ante a rudeza do frio, pelo menos trouxeram um pouco de calor físico e espiritual à inditosa família.

Não sabemos e nem procuramos saber quem foi o referido cidadão, nem quanto gastou com êsse generoso ato, procedido anonimanente. O que nos encheu de satisfação, foi o espírito altruístico dêsse cavalheiro, que foi capaz de tomar uma iniciativa tão bela e tão humana.

Esta crônica, por certo, fazendo menção a um fato tão nobre e digno, melhor ficaria se fosse narrada pela pena de nosso colaborador reverendo Álvaro Simões, que com tanta fluência e facilidade aborda questões dessa natureza. Talvez por egoismo, quisemos nós próprios trazê-lá a conhecimento público. Isto porque representou o ato dêsse homem, um gesto da verdadeira caridade, sem alardes ou propaganda, praticando-a como deve ser praticada. Porque ficamos comovidos com a atitude dêsse homem, que, mesmo estando bem vestido e bem resguardado do frio intenso e impertinente que dominava nossa cidade na manhã de domingo último, foi capaz de perceber a necessidade alheia, dando um pouco daquilo que possuia, àquêles que se encontravam na iminência de morrer de frio.

Oxalá o gesto tenha calado na consciência daquêles que, como o reporter, presenciaram tão magnífico e humanitário gesto.

Extraído do Correio de Marília de 24 de julho de 1957

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Abusos e mais abusos (23 de julho de 1957)

Inúmeras vezes temos reclamado através dêstes nossos despretenciosos comentários, a necessidade da reorganização da COMAP. Isto temos feito, porque, em boa fé, entendemos que tal organismo bem orientado e integrado por elementos que de fato desejem trabalhar nos diversos setores de fiscalização e controle de preços de gêneros e utilidades essenciais ao consumo público, só poderá trazer benefícios gerais à população mariliense.

Nossos pontos de vista a respeito, trouxeram até nossa redação, inúmeras manifestações; umas pró, outras contra. Não sabemos quais as que maiores razões têm. Continuamos pensando que a COMAP poderá ser uma autêntica canja de galinha – se bem não fizer, mal não poderá fazer.

Ninguém ignora a existência de impostos e certas taxas municipais aos que comerciam com frangos, frutas, etc., a fim de que possam servir a população em melhores condições. No entanto, tais preços em nossa cidade, equipara-se perfeitamente aos preços dos mais elevados centros, inclusive, em muitos casos, às próprias capitais. No Mercado Municipal e nas Feiras Livres, temos bem a prova disso. Nas ruas, pelos vendedores ambulantes, igualmente. Até por um simples mamão, paga-se em Marília a importância de 10 cruzeiros! Um pinto, mal empenado, custa em nossa cidade, de 65 cruzeiros em diante! E muitas outras coisas são assim, desnecessárias de serem enumeradas, porque todos os chefes de família sabem disso.

Como dizíamos, temos recebido manifestações divergentes acerca do assunto. Uns entendem como necessária a reorganização da COMAP. Outros pensam que tal organismo em nada beneficiará os marilienses, que, de certo modo, estão à mercê daquêles que estipulam os preços como melhor entendem, sempre, é lógico, objetivando a elevação de lucros.

De qualquer maneira, uma coisa é certa e inegável: aqui em Marília, no setor dos preços verificamos abusos e mais abusos. Ninguém até agora teve o “peito” de tomar qualquer iniciativa em pról do povo.

Uma firma comercial, por exemplo, está vendendo açúcar “União” à razão de 55 cruzeiros o pacote de 5 quilos. Se tal estabelecimento vende o produto nessas bases, ninguém venha a dizer-nos que a firma não tem a sua margem de lucros, por pequena que seja. Entretanto, o mesmo produto, em outros estabelecimentos, está sendo vendido a 68 e 70 cruzeiros, isto é, com uma diferença de 11 a 13 cruzeiros por pacote, o que equivale dizer, mais de 2 cruzeiros por unidade de quilo!

O que será isso? Milagre de um comerciante ou descontrole geral no tabelamento de preços? Poderá afirmar-se que tal firma, sendo atacadista, poderia ter adquirido o produto em grande quantidade com preços especiais. Concordamos com isso. Com o que não concordamos, nesse caso, é com a divergência de mais de 10 cruzeiros no preço do mesmo produto, em diversas casas comerciais da cidade. Mesmo considerando-se a astúcia da propaganda do comércio, mesmo tendo-se em conta as vantagens que desfrutam os atacadistas comprando em grandes quantidades por preços mais em conta, ainda assim, pensamos, a diferença está muito elevada. E isto, pelo que entendemos, é descontrole de preços. Não que desejamos que aquêle produto que está sendo vendido à razão de 55 cruzeiros, seja aumentado; mas sim que o mesmo, ao preço de 68 e 70 cruzeiros, diminua um pouco, uma vez que a desproporção está sendo imensurável e representando além de descontrole, um inegável contra-senso.

Em 1946, através dêste mesmo órgão, dissemos que Marília era “um paraiso de explorações” e quase nos fuzilaram em plena via pública, porque muitos comerciantes correram lépidos e apanharam a “carapuça”. Estaremos errados?

Extraído do Correio de Marília de 23 de julho de 1957

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Hospital de Clínicas (20 de julho de 1957)

Inegavelmente, nossa cidade jamais teve no passado, tantas atenções governamentais voltadas para si, como agora, na gestão do sr. Jânio Quadros. Não é segredo para ninguém, que tudo isto que se chama “Marília”, foi construido em menos de 30 anos, pela operosidade e pelo espírito de trabalho do laborioso povo mariliense.

As iniciativas de ordem privada, deixaram “na poeira” o bafejo de ordem oficial, representando pelas atenções dos poderes do passado, guardada a natural relatividade entre as exigências do progresso da “urbe” e a realidade da presença do “dedo oficial”.

Já, agora, tal não podemos dizer. Em que se destaque os nossos reconhecimentos ao que já foi feito no passado, temos, forçosamente, que ser algo inconformados, quando vemos outras cidades-irmãs, grandemente melhor obsequiadas por auxílios oficiais dos dois prismas – federal e estadual. É que no passado, Marília teve que crescer e fazer-se por si própria, a despeito das exigências de sua voragem de expansão extraordinária.

Felizmente, o atual Govêrno (em) seu plano de voltar as vistas para o interior, veio de encontro, de conformidade com as possibilidades das medidas e estudos preconizados, em muitas aspirações antigas de Marília e seu grande povo. Citemos, por exemplo, a rodovia Marília-Echaporã, que parecia uma novela inacabada; o asfaltamento da estrada Bauru-Marília; a construção do 2º Grupo Escolar; a Faculdade de Filosofia; a Delegacia Regional de Agricultura; e outras coisas.

Agora, teremos o Hospital de Clínicas, velha aspiração dos marilienses e mesmo do povo da região, que sra diretamente o beneficiado. Perceberam o pensaram os leitores, o surto de progresso que representará para Marília, a criação e a instalação dêsse importante nosocômio oficial? Os meios e as facilidades que estarão “à mão” de nossa gente, uma vez que os interioranos viviam, até há pouco, quase que abandonados e enfrentando um mundão de dificuldades, especialmente nesse setor, quando precisava locomover-se à Capital.

Tudo vai caminhando muito bem. O terreno foi desapropriado pela municipalidade e oferecido em doação ao Estado. as comissões especiais da Assembléia Legislativa deram pareceres favoráveis. As verbas próprias virão a seguir, conforme é desejo do Governador Jânio Quadros.

Contaremos, então, se Deus quiser, com mais êsse marco de progresso e dinamismo na cidade. Não só os marilienses serão os beneficiados. Tôda a região da Alta Paulista, Alta Sorocabana e mesmo Noroeste e Norte do Paraná. Que os nossos deputados atentem bem para isso e não olvidem dos serviços que prestarão ao povo de vastas e exuberantes regiões, votando, em tempo habil, as verbas respectivas e necessárias ao ato mencionado. Que o sr. Governador Jânio Quadros possa continuar a cumprir tudo aquilo que prometeu aos marilienses, são os nossos desejos.

No futuro, teremos que ser imensamente gratos a êsse Chefe de Estado, que, mais do que ninguém, muito fez por Marília.

Extraído do Correio de Marília de 20 de julho de 1957

(Nota dos editores Sueli e Cláudio Amaral, escrita em 20/7/2009: para saber mais a respeito do Hospital de Clínicas de Marília, clique aqui
http://www.famema.br/hc)

domingo, 19 de julho de 2009

Clube Universitário de Marília (19 de julho de 1957)

Em boa hora, diversos estudantes marilienses que atualmente cursam variadas faculdades de ensino em São Paulo, Paraná, Ribeirão Preto, Araraquara, Baurú e Marília, cogitaram da fundação em nossa cidade, de um Clube Universitário.

Terá a novel agremiação, funções culturais, científicas, sociais, esportivas e recreativas e servirá de um élo de arregimentação e amisade entre a classe, unindo a todos para facilitar a todos.

Servirá tambem a entidade, para orientar técnica e profissionalmente os novos candidatos ao ingresso em diversas faculdades.

Não ha dúvida de que tal empreendimento representa um grande passo dentro do setor estudantil superior de nossa mocidade, que, com isso, dá provas sobejas de um espírito lúcido de harmonia e compreensão comuns dentro da grande classe, cuja iniciativa trará, por certo, no futuro, facilidades inúmeras, no sentido de orientar e manter mais únicos os moços que se interessam em haurir as luzes da ciência, cursando hoje, em diversos pontos do país, cursos vários do ensino superior.

Um belo gesto, indiscutivelmente, da mocidade estudantil da cidade que é um “símbolo de amor e liberdade”.

Hoje, às 15 horas, na Associação Comercial, deverão reunir-se os estudantes interessados, a fim de entabolarem as conversações preliminares e os estudos iniciais à concretização do acontecimento, que traduz sem sombra de dúvida, a preocupação da classe em manter-se cada vez mais unida, mais coesa. Precisa mesmo Marília ser engrandecida com mais esse melhoramento, pois tal fato representa um melhoramento, de vez que traduz sinal indiscutível de adiantamento progressista, encabeçado pela própria classe que tudo faz para manter-se unida e cada vez mais sólida.

Nossos votos sinceros que seja o referido clube, uma verdadeira “casa do estudante universitário mariliense”, onde aqueles que estudam ciências superiores e aqueles que se preparam para ingressar em universidades ou faculdades isoladas, constituam uma família de irmãos e marilienses sinceros, com o lema de “um por todos e todos por um”. Que as dificuldades e os impecilhos normais e naturais que se antepõem aos grandes empreendimentos não venham a arrefecer os ânimos desses jovens entusiastas, que representarão a continuidade da gente culta de nossa grande e querida Marília.

Todos sabemos que na maioria das sociedades, apenas um pequeno número de participantes torna-se abnegado e trabalhador, enquanto u’a maioria logo se desgarra da iniciativa, esfriando o estado de ânimo. Oxalá tal não aconteça, nesse caso, que é, sob todos os prismas, um grande empreendimento. Que os demais estudantes mantenham sempre contacto com o clube, informando e orientando o andamento de tudo o que se relaciona com os diversos cursos e faculdades, a fim de que a organização esteja sempre em condições de poder atender a todos seus associados com a prestação de informes acerca da própria vida estudantil universitária. Que o intercâmbio seja patente e sólido, como patente e sólida está manifestada a boa vontade dessa iniciativa.

Enfim, que a efetivação da medida seja rápida e que de fato venha a significar um élo indestrutivel da amisade necessária e imprescindível da classe estudantil universitária mariliense, numa prova irretorquivel, que até a mocidade local se preocupa com a união de idéias e de ações de todos os marilienses, em todos os sentidos e campos, como unidos são os marilienses de nossos dias, em todas as circunstâncias que aludem ao povo, à cidade e ao seu vertiginoso progresso.

Extraído do Correio de Marília de 19 de julho de 1957

sábado, 18 de julho de 2009

Não descansaremos... (18 de julho de 1957)

Temos recebido aplausos, pelo ideal que continuamente defendemos através de nossas despretenciosas colunas, acerca da necessidade, inconteste que têm os marilienses, em eleger no próximo pleito eleitoral, seus legítimos e insuspeitos representantes.

Cartas, telefonemas, conversas pessoais, dão-nos a certeza e a confiança de que desta vez, os marilienses estão melhor interpretando os motivos dessa contenda, que, em hipótese alguma é nossa, porque é, antes e acima de tudo, de Marília e seu próprio povo. A lembrança está ficando cada vez mais arraigada na mente e no sendo de todos os eleitores desta cidade, especialmente daqueles que de fato pulsam por éstas plagas, amando verdadeiramente a cidade “símbolo de amôr e liberdade”.

Algumas pessoas continuam a insistir conosco, para, em sequência à esta serie de assuntos de idêntico teôr que estamos abordando, sejamos mais objetivos, apontando nomes de marilienses e analisando suas possibilidades como candidatos de nossa cidade aos cargos de deputado federal e estadual e mesmo de prefeito e vice-prefeito. Não são poucos os que nos solicitaram iguais manifestações; desde pessoas simples até figuras de grande projeção na política local, instam-nos a apontar nomes, para uma apreciação da reação pública. Entendem muitos desses amigos, que os nomes trazidos à luz, darão motivos a apreciação geral e auxiliarão o eleitorado a ir desde já formando um juizo seguro para a designação do sagrado voto na ocasião oportuna. Repetimos o que antes dissemos, embora respeitando e agradecendo as provas de confiança que temos recebido a respeito: continuamos aguardando a manifestação dos partidos políticos da cidade, com o apontamento de nomes. Reprizamos ainda o apêlo anteriormente formulado aos diretórios políticos da cidade, para que cerrem fileiras, unidos (como sempre, quando se têm abordado assuntos de interesse de Marília), para o processamento de estudos acerca dos nomes locais que maiores credencia(i)s reunam para concorrer aos mencionados postos eletivos. Reforçamos ainda nosso apêlo, para que as diversas correntes políticas locais, tomem a iniciativa democrática, liberal e bem mariliense, de entenderem-se com os respectivos diretórios estaduais e centrais, expondo aos mesmos o desejo de apoiarem ou indicarem candidatos locais, sem quaisquer possibilidades de consignar votos a elementos de fóra, que pretendam auferir sufrágios de apoio por nossa cidade. É um dever intransigente e bem mariliense, que pesa sobre os ombros dos diretórios políticos locais, êsse de indicar ou apoiar candidato da terra, ao envés de cerrar fileiras em torno de gente de outras plagas, por mais íntegros e honrados que póssam ser os aludidos nomes.

Que reflitam sobre isso, os nossos dirigentes partidários. Que haja a mesma harmonia de idéias, que sempre foi patente entre nós, mesmo através das diversas correntes políticas, quando se trata de questões de interesse de nossa terra e de nossa gente.

O ideal, já repetido por nós, será a apresentação de um candidato único para a deputação federal e igualmente um candidato único para ocupar uma cadeira no Palácio 9 de Julho. Se no âmbito, estadual tal não for possível, jamais deveremos apresentar mais de dois nomes, porque assim repetiriamos os erros do passados e voltariamos a continuar “órfãos” na Assembléia Legislativa.

Uma coisa é importante para a mencionada observação: os candidatos que venham a ser apresentados, pertençam a qual facção política pertencerem, devem, antes de tudo, ser verdadeiramente marilienses; de preferência, seus nomes e projeções políticas deverão ultrapassar as nossas fronteiras, porque será mais benéfico para nós próprios, a eleição de nomes que, além do prestígio político local, tenham tambem repercussão e estima públicas em outros pontos, especialmente nos âmbitos estadual e federal. Isso é importante. O eleger-se um elemento que goze de simpatias populares entre nós, mas que tenha pouca projeção fóra de nossas fronteiras, não é o suficiente. O necessário, é aliar-se as duas condições para nossos melhores futuros proveitos. Que atentem para isso o público e os dirigentes políticos de Marília.

Os diversos partidos políticos da cidade, sempre devem provas sobejas de coesão e democracia, quando se trata dos interesses da cidade. Tais provas já mereceram citações através da imprensa de vários pontos do país. Agora, mais uma vez, os interesses da cidade estão a exigir iguais compreensões e coesões a respeito.

Embora pareça ainda um pouco cedo, entendemos que já é tempo das realizações de “demarches” dessa natureza.

Continuaremos na luta. Se Marília não eleger desta vez seu próprio e lídimo representante, nós estaremos com a consciência bastante tranquila. Como dissemos anteriormente, combateremos o lançamento de mais de dois candidatos à deputação estadual pela cidade.

Não descansaremos.

Extraído do Correio de Marília de 18 de julho de 1957

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Marília precisa de silos (17 de julho de 1957)

Sem dúvida alguma, Marília ostenta situação-chave na Alta Paulista, servindo ainda de entroncamento das zonas sorocabana e proporcionando ensejos de escoamento de gêneros e cereais de norte do Paraná. De há muito, está a cidade e região, reclamando a construção de silos, não só para servir a lavoura local, como também para atender as necessidades de diversos outros pontos adjacentes.

Faz parte de plano governamental do sr. Jânio Quadros, a instalação dêsses empreendimentos em diversos grandes centros do interior, conforme é do conhecimento de todos. Por outro lado, sabe-se também que tais melhoramentos exigem dispêndio fabuloso de verbas, o que até certo modo torna difícil o atendimento de tôdas as regiões que estão a reclamar dito cometimento.

Nossa cidade precisa, com urgência, ser dotada de silos, para servir não só a Marília, como também inúmeras outras cidades da grande e exuberante região da Alta Paulista.

Temos entre nós, gigantescos armazens pertencentes ao D. N. C., completamente abandonados. Representa uma obra gigantesca, descuradamente ao abandono pelo órgão federal. Uma vez que existe, como é sabido e confesso, intenções do poder central em melhor atender as reivindicações do interior, seria aí o caso da I. B. C., que deve ser o sucessor do D. N. C., ceder ao Govêrno de São Paulo, para o referido uso, tais armazens.

Seria a prestação de um serviço inestimável ao povo da região e indiscutivelmente, o vir de encontro aos anseios do Govêrno do sr. Jânio Quadros. A verdade é que dá lástima, o ver-se abandonado aquêle grande recinto, num autêntico ato de desleixo governamental. Tudo o que é abandonado, acaba por estragar e desgastar em tempo superior ao que seria de esperar-se naturalmente. Um capital verdadeiramente grandioso, ali se encontra, na entrada da cidade, inteiramente entregue “às traças”.

E isto não é de hoje. De há muito, a situação é a mesma, com os referidos armazens, inexplicavelmente abandonados, quando poderiam ser ocupados para um fim especifico e de interêsse geral, como é o caso dos Silos em Marília.

Se o próprio Governador em exercício sr. Porfírio da Paz, interceder junto ao I. B. C., por certo, poderá Marília ser aquinhoada com essa necessidade há muito reclamada. Temos a impressão de que nenhuma desculpa convincente poderá ser apresentada, uma vez que o estado de abandono total e completo em que se encontra a citada construção, será do agrado de nossa gente. Tudo aí, pensamos, depende de boa vontade e de entendimentos. Apenas. Será preferível servir-se a região tôda com êsse empreendimento, do que caturrar no abandono dos aludidos armazens.

Aqui fica a sugestão, para que dela procurem tirar proveito, em nome de Marília e da região, as pessoas que melhor têm interêsses pelo progresso e necessidade de Marília. O estado de abandono dos referidos armazens, ao lado da urgência dêsse empreendimento reclamado por Marília e região, é alguma coisa que pode revestir-se de um verdadeiro contrasenso. É mais do que isso: é um verdadeiro pecado!

Extraído do Correio de Marília de 17 de julho de 1957

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A Fazenda Sta. Helena (16 de julho de 1957)

Já é do domínio público, o interesse manifestado pelos pequenos lavradores do município, residentes nas imediações da ex-Fazenda Revoredo, no sentido de que a aludida, propriedade, pertencente ao Estado, seja dividia em pequenos lotes e arrendada aos agricultores, com facilidade e financiamento.

O assunto dominou todo o mundo, chegou a envolver questões políticas, ocasionou invasão da propriedade, ação policial, tendo culminado com a manifestação governamental de que a pretensão seria atendida. Uma caravana de mais de 30 agricultores, chefiada pelo vereador Bernardo Severiano Silva, esteve nos Campos Elíseos, sendo recebida pelo Governador do Estado, que se prontificou a atender os anseios dos pequenos lavradores, tendo mesmo enviado ao Sr. Secretário da Agricultura, sr. Jayme de Almeida Pinto, determinação a respeito, traduzida nos já famosos e clássicos “bilhetinhos” do Sr. Jânio Quadros.

Foi bem recebida pela parte interessada, a manifestação do Governador do Estado, principalmente existindo, anteriormente, memorial subscrito e entregue ao Chefe do Governo, por quase todas as autoridades de Marília, representações de classe, órgãos da imprensa e rádio, etc.

Agora, depara-se com uma “peninha” de ordem legal, que por ninguem póde ser contradita: O Governador do Estado não póde conceder tal arrendamento em pequenos lotes, aos lavradores interessados, sem que seja votada lei especial, uma vez que a aquisição da aludida propriedade, para outros fins específicos, fôra consequência de lei votada pela Assembléia. O decreto do Governo, transferiu a administração para a alçada da Secretaria da Agricultura. No entanto, parece-nos que tal transferência, de carater administrativo, não anula as finalidades legais expressas no áto que encampou a mencionada gleba. Daí, o deduzir-se que sem a manifestação da Assembléia Estadual, discutindo e votando outra lei, que revogue em parte a primitiva, nada poderá ser feito a respeito.

A propósito, a comissão designada para proceder os estudos atinentes à questão, em sua segunda reunião de estudos, houve por bem atentar para o fato que óra estarmos referindo. Nessas condições, a aludida comissão elaborou um ante-projeto de lei, que submeterá ao Governador, para estudos e posterior encaminhamento da Assembléia Legislativa.

Portanto, achamos correto o caminho. Se a gleba fosse já dividida e distribuida aos lavradores interessados, sem a existência de lei que alterasse a inicial, o próprio Governo estaria trilhando um caminho errado, que, possivelmente, viria a ocasionar-lhe depois inúmeras “dores de cabeça”.

No próximo dia 18, estará entre nós, com o fim especial de ver “in loco” a propriedade referida, o Sr. Jayme de Almeida Pinto, Secretário da Agricultura. Será uma excelente oportunidade para que a parte interessada procure conhecer os motivos óra abordados neste comentário.

Extraído do Correio de Marília de 16 de julho de 1957

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A Faculdade e o seu Diretor (13 de julho de 1957)

Tivemos a satisfação de conversar com o Prof. Dr. José Quirino Ribeiro, recentemente nomeado pelo Sr. Governador do Estado, para dirigir a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília. Homem simples e accessível, apesar de seu alto cargo público. Modesto, sobretudo.

O prof. Quirino, pelo que nos afirmou, levou de Marília e sua gente, as melhores das impressões. Foi capaz de bem interpretar o contentamento de todos os marilienses, pelo atendimento governamental déssa antiga aspiração de nossa gente. Percebeu, de inicio, as possibilidades de Marília e a justeza da luta mariliense, em dotar nossa cidade desse marco de ensinamento.

Foi cercado de todo o carinho pelo Sr. Prefeito Municipal, pelo Presidente da Câmara, por inúmeras outras pessoas, como autoridades, mestres, alunos e vereadores.

Por nosso lado, gostamos tambem das qualidades pessoais e lhaneza de trato demonstradas pelo ilustre Diretor da Faculdade de Filosofia. Gostamos, sobretudo, de sua modéstia e simplicidade em atender-nos e conosco discutir assuntos relacionados com a instalação desse curso oficial de ensino superior óra criado em Marília.

Solicitou-nos o Prof. Quirino, fossemos seu porta voz, no sentido de auscultar o povo mariliense, em especial a classe estudantil, acerca das maiores tendências ou preferências dos diversos cursos da mencionada Faculdade. Não estamos fazendo tal, neste momento, porque os estudos a respeito, para que a parte interessada se manifeste, virão à luz oportunamente. Néssa ocasião, o povo, não só de Marília, como tambem de toda a região, agora beneficiada com a criação da Faculdade de Filosofia, fará chegar até o mesmo, os motivos dos cursos preferenciais. Isso, segundo nos asseverou o ilustre catedrático, irá representar importância capital pára o funcionamento da escola. Enquanto tal medida não vem a conhecimento público, propiciando a manifestação solicitada, a parte interessada poderá, desde já, ir raciocinando sobre a questão.

Eis a relação dos catorze cursos que comporão a nossa Faculdade de Filosofia: Filosofia, Línguas neo-latinas, Clássicos, Línguas anglo-germânicas, Matemática, Física, Química, História Natural, Pedagogia, Ciências Naturais, Psicologia, Didática, Geografia e História.

A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília, como todas as do gênero, apresentará um tríplo objetivo: formação de pesquisadores, formação de magistério médio e formação de mestres em cultura desinteressada.

Em tempo hábil, conforme dissemos, serão oferecidos ao público, os meios próprios para o recebimento das manifestações de preferências preliminares e mais acentuadas a respeito.

Na ocasião, tornaremos ao assunto.

Extraído do Correio de Marília de 13 de julho de 1957

domingo, 12 de julho de 2009

Um empreendimento de vulto (12 de julho de 1957)

Na última terça-feira, após as solenidades cívicas levadas a efeito ao pé do Monumento dos Ex-Combatentes, fomos visitar, a convite do prefeito Argolo Ferrão, as obras do Paço Municipal.

Confessamos que tivemos uma impressão das mais agradáveis, acerca da majestosidade da obra, sem favor algum um empreendimento de grande vulto e o complemento de uma lacuna há muito verificada em Marília. Percorremos, juntamente com o dr. Argolo, dr. Badra, diversos vereadores e convidados especiais, demoradamente, as obras referidas. O sr. Prefeito, transformado num autêntico “cicerone”, explicou-nos pormenorizadamente, o andamento da realização, suas dependências diversas, altura, custo, metragem quadrada etc..

Os que transitam pelas imediações dêsse colosso arquitetônico, não poderão fazer um juizo aproximado de sua grandeza interior e da magnífica distribuição de suas dependências internas. Trata-se, como dissemos no epígrafe, de um empreendimento de vulto.

Sete milhões de cruzeiros já foram aplicados no edifício referido, que virá a ser, sem dúvida, o melhor prédio público da Alta Paulista.

Tudo ali foi carinhosamente estudado, para bem justificar a grandeza do empreendimento, os esforços e interêsses do Poder Municipal. Por dois motivos, estava Marília exigindo êsse melhoramento: primeiro, pela necessidade de acomodar-se condignamente as diversas dependências da municipalidade, há muito apertadas num edifício já deficiente para as finalidades administrativas dos serviços burocráticos municipais; segundo, porque o progresso e a extraordinária expansão da cidade, em todos os âmbitos, reclamava uma obra dêsse jaez.

O projeto é do engenheiro arquiteto Miguel Badra Júnior, irmão do atual presidente da nossa Câmara Municipal, dr. Aniz Badra. É um estudo arquitetônico, que, guardadas as devidas proporções, assemelha-se ao aspectos urbanísticos do prédio das Nações Unidas em Nova Iorque. A construção está sob a responsabilidade da firma local “Construtora Marília Ltda”..

Até o fim do ano vindouro, deverá estar concluida a citada obra, que servirá de um justo motivo de orgulho para os marilienses e os verdadeiros amigos de Marília.

A realização referida é digna de ser vista, inclusive por autoridades de outros municípios, que cogitam realizar empreendimentos dêsse porte. Após concluido o edifício, estará Marília dotada de mais um grandioso marco corrobatório de seu indiscutível dinamismo, que representará, por outro lado, vitória da capacidade administrativa de seus governantes.

Nossos parabéns.

Extraído do Correio de Marília de 12 de julho de 1957

sábado, 11 de julho de 2009

O 9 de Julho que passou (11 de julho de 1957)

Quer nos parecer, jamais São Paulo comemorou tão magnificamente a passagem da efeméride de 9 de Julho. Nós, aqui do interior, acompanhamos o desenrolar dos acontecimentos, através da imprensa e dos noticiários radiofônicos da paulicéia.

Verdadeiramente, a programação elaborada e organizada pela Associação das Emissôras de São Paulo, da qual participaram tôdas as autoridades, tôdas as entidades representativas e todos os paulistanos, atingiu o “clímax” esperado. São Paulo vibrou como nunca, nas comemorações do 25º aniversario do movimento revolucionário de 1932, movimento êsse que foi o marco inicial do período do reconstitucionalização do país.

Espetáculos inéditos foram levados a efeito, inclusive para a petizada paulistana, que “teve a sua vez” também, participando dos festejos da efeméride.

Lavrou, sem dúvida, o sr. Edmundo Monteiro, presidente da Associação das Emissôras de São Paulo, um belíssimo tento de civismo. Nem todos, ao que parece, estão interpretando bem êsse movimento. Não cremos em nenhuma possibilidade de menosprezo a outros Estados do Brasil, com tais manifestações, conforme chegam algumas pessoas a afirmar. Pelo contrário, é uma demonstração inequívoca, de que São Paulo é essencialmente democrático, que vive pelo respeito e manutenção do regime constitucional, o primordial motivo da luta armada de 25 anos passados. É justo, portanto, que se levem a efeito as homenagens como as que aconteceram agora. Não percebemos nenhum motivo de independência a não ser de idéias sadias e democráticas, no feitío déssas belíssimas homenagens, as quais se associaram os irmãos de outros Estados e tambem o Sr. Presidente da República.

Em todos os municípios paulistas, por simples que fossem, as homenagens a respeito foram registradas. Em Marília, por exemplo, vivemos anteontem, belíssimas demonstrações de contentamento cívico. Nos mausoléos de Nelson Spielmann e Vicente Ferreira, mártires marilienses de 1932, as autoridades mais representativas do município depositaram coroas de flores naturais, reverenciando a memória dos mortos de 32. No Monumento dos Ex-Combatentes igualmente, demonstrações, insofismáveis de tributo ao transcurso da data foram levadas a efeito. As entidades de classe e estabelecimentos educacionais, além das três emissoras da cidade, realizaram programações especiais homenageativas ao acontecimento.

São Paulo, pelo que sabemos através das ondas hertezianas e pelos noticiários da imprensa, vivem espetáculos memoráveis. Os paulistanos entrelaçaram-se por um único ideal, tributando a gratidão, o reconhecimento e a saudade aos que participaram do redentor movimento revolucionário.

Daquí, congratulamo-nos com os p(a)ulistas todos, na pessoa do organizador déssas manifestações, Sr. Edmundo Monteiro, Presidente da Associação das Emissoras de São Paulo.

Extraído do Correio de Marília de 11 de julho de 1957

quinta-feira, 9 de julho de 2009

9 de Julho (9 de julho de 1957)

Marca a data de hoje, o transcurso de um quarto de século do Movimento Revolucionário Constitucionalista de 1932. Assinala o levante patriótico dos paulistas, intrinsecamente democráticos, contra uma cifra de outros irmãos brasileiros, em holocausto à chama da constituição e da liberdade. A princípio, as fundamentações da contenda, não puderam ser convenientemente bem interpretadas. Julgou-se o movimento como um “bairrismo” exagerado do povo paulista, como um motivo de independência separatista.

O tempo, místico e inexorável, incumbiu-se no entanto, de provar o contrário. Encarregou-se de incutir na compreensão de todos, o verdadeiro sentimento dos paulistas, na expansão extrema de uma união dos homens de todo o Estado, na defesa dessa batalha verdadeiramente sacrossanta.

Hoje, já não se encara o movimento Constitucionalista de 1932, como demonstração de condenável insubordinação, como um áto de levante contra um poder federal democraticamente constituido. Em nossos dias, de todos os quadrantes do Brasil, analisa-se tal acontecimento como um movimento de redenção, na luta inicial pela restauração do regime constitucional, que hoje, mercê de Deus e da luta dos paulistas, temos o orgulho de desfrutar.

Levantou-se S. Paulo, praticamente contra o Brasil todo, porque levantou-se contra o próprio Governo ditatorial, que desrespeitara, na ocasião, os preceitos democráticos, que tão bem se casam com a índole, o princípio e o espírito dos brasileiros. Lutas armadas travaram-se em diversos pontos do Estado, dizimando centenas de patriotas, que acudiram ao apêlo da Honra e correram ao campo de luta, em defesa dos postulados democráticos.

Marília, que na ocasião não tinha mais do que um lustro de idade, demonstrou tambem o seu acendrado amôr pela causa, enviando ao campo de luta seus filhos autênticos. Daquí partiu o “Batalhão de Marília(”), levando ao lado da bandeira das treze listas, a bandeira mariliense. Carlos de Moraes Barros, Adorcino de Oliveira Lyrio, Rubens Pedrosa, Vicente Ferreira, Saturnino de Brito, Nelson Spielmann e muitos outros, foram e são os nomes de marilienses, que ajudaram escrever, com letras de sangue e de ouro, mais éssa página brilhante da própria história da democracia brasileira. Alguns tombaram no Campo da Honra. Outros regressaram. Os que cumpriram seu dever, integraram-se depois no organismo da vida comum, satisfeitos pela cóta de sacrifício dispensada à própria Pátria. Saturnino de Brito e Vicente Ferreira caíram em combate e não mais se levantaram, embora seus nomes continuem a ser para nós, marilienses, uma bandeira de glórias. Nelson Spielmann, repousa hoje na necrópole municipal. Seu túmulo é um monumento; não no sentido material, mas dentro do espírito irrefutável e orgulhoso de que sua morte não foi em vão, constituindo-se numa chama permanentemente acesa de liberdade, constituição e democracia.

O dia 9 de Julho, hoje, já não se apresenta como um sinal incompreendido de uma luta comum; hoje a data é cara e saudosa, testemunho inconteste do denodo, glória e honra, na intransigente defesa de uma causa nobilíssima e acima de tudo patrióta.

Ao ensejo désta efeméride, permitimo-nos apresentar os nossos sentimentos de congratulações aos paulistas que foram capazes de ir à luta, em desagravo à afronta que se cometia ao próprio espírito da democracia em sua real essência. Em particular, rendemos tambem a homenagem e o nosso tributo de gratidão e apreço, aos revolucionários constitucionalistas que representaram Marília néssa caminhada de sacrifício e glórias. Em separado, ainda, a nossa prece àqueles que tombaram no cumprimento do dever, banhando com seu sangue o sólo paulista!

Extraído do Correio de Marília de 9 de julho de 1957

(Nota dos editores Sueli e Cláudio Amaral, escrita em 9/7/2009: para saber mais a respeito da Revolução Constitucionalista de 1932 http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Constitucionalista_de_1932
)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Consagrada pintora em Marília (6 de julho de 1957)

Pelo avião de carreira da VASP, chegará hoje à nossa cidade, a consagrada pintora patrícia Colette Pujól. A renomada artista que é professôra da Escola de Belas Artes de São Paulo e também da Escola das Irmãs Marcelinas, detentora de um honroso prêmio do Salão de Belas Artes de Paris e de dois prêmios do Salão de Belas Artes de São Paulo, visitará nossa “urbe” a convite de um grupo de marilienses amante das belas artes.

Trata-se, sem dúvida, de uma honrosa visita. A renomada artista permanecerá alguns dias em Marília, onde focalizará através de seu famoso e artístico pincél, aspectos da cidade, estudando, simultaneamente, as possibilidades de fundar em nossa cidade, uma Escola de Belas Artes. Para tal, há necessidade de arregimentação de um grupo de trinta marilienses interessados, no mínimo. Assim, Colette Pujól estará entre nós, ministrando os conhecimentos de sua apreciada arte, pelo menos uma vez por mês.

Aí está uma iniciativa de bom alvitre e que por certo deverá merecer a simpatia e o apôio de muita gente. Marília bem que é digna de contar no seu grande edifício de progresso e dinamismo, mais essa “pedrinha”. Campinas e outras grandes e importantes cidades interioranas, sem falar-se nas capitais, dedicam carinho especial a todos os empreendimentos de cultura artística, estando o povo campineiro classificado como um dos “primus inter pares” cultuadores da arte na “hinterlândia” bandeirante.

A consagrada artista, cujo nome é de projeção internacional, será recepcionada no aeroporto, por um grupo de amigos e artistas locais, que procurarão cerca-lá do mais profundo carinho e amizade, demonstrando gratidão pelo aceitamento do convite formulado e gentilmente atendido.

Pelo entusiasmo reinante a respeito do acontecimento, é de esperar-se a viabilidade da concretização do anseio dêsse grupo de pessoas que convidou Colette Pujól para visitar Marília. É de esperar-se, portanto, a efetivação do anseio, objetivando fundar uma Escola de Belas Artes em Marília.

A propósito, cumpre ressaltar aqui, a tramitação pelas Comissões Especiais da Câmara Municipal, de um oportuno projeto de lei, de autoria do vereador dr. Aniz Badra, criando o Salão de Belas Artes de Marília. Será de tal medida instituição oficial, uma vez que de cunho particular, já tivemos, anteriormente, outras mostras do gênero, promovidas principalmente pela simpática União dos Treze.

Positivada a conversão em Lei do projeto referido e instituida agora a Escola de Belas Artes, conforme se pensa e deseja, dará nossa cidade importante passo na cultura e divulgação das artes, equiparando-se aos mais adiantados centros do país.

Idéias como essa, devem merecer inclusive as atenções dos poderes públicos e o apôio das entidades de classe, especialmente as dedicadas aos problemas culturais, sob os seus diferentes e variados aspectos. Por isso, entendemos, que a visita que ora realizará Colette Pujól a Marília, ultrapasse o sentido de cordialidade e convite particular, para alcançar ainda as raias do âmbito oficial, como , por exemplo, com a realização de uma conferência pública, que conte com a presença de nossas autoridades municipais e educacionais.

No ensejo de saudarmos a consagrada artista patrícia, tomamos a liberdade de fazer a presente sugestão, que, por certo, encontrará o mais profundo éco por parte de todos os marilienses.

Extraído do Correio de Marília de 6 de julho de 1957

(Nota dos editores Sueli e Cláudio Amaral, escrita em 6/7/2009: para saber mais a respeito de Colette Pujól, clique aqui
http://pt.wikipedia.org/wiki/Colette_Pujol)

domingo, 5 de julho de 2009

O candidato mariliense (5 de julho de 1957)

Temos sido abordados por pessoas de representação em nossa cidade, especialmente nos círculos políticos marilienses, acerca dos escritos de nossa lavra, com referência à necessidade de elegermos no mínimo um deputado estadual nas próximas eleições. Sinal de que a idéia está desta vez, encontrando melhor repercussão de que no passado.

Algumas pessoas insistem em que deveremos “matar a cobra e mostrar o pau”, isto é, apontar ao público, os nomes dos marilienses que maiores e melhores credenciais reunem para o cargo mencionado. Alegam que da citação de nomes, poderemos observar o efeito da aceitação pública, para melhor argumentarmos em apreciações futuras.

Mesmo que cedo não fôsse para tal, pensamos que não caberia a nós êsse direito. O problema é da alçada exclusiva dos partidos políticos e nós confiamos de que os dirigentes partidários em nossa cidade, ao par das normas traçadas pelas aludidas agremiações políticas, são, acima de tudo, bons marilienses. Nessas condições, baseando-se êsses mesmos dirigentes políticos, nas experiências e nas decepções do pretérito, é de esperar-se, para o futuro, a possibilidade de entendimentos que sem prejuizo das diretrizes partidárias das diversas correntes, possa surgir uma fórmula satisfatória e de cunho patriótico bem mariliense.

Nosso ponto de vista, continua sendo o mesmo: temos meios e elementos para “fazer” no mínimo um deputado estadual e outro federal. O número de eleitores inscritos no município, em relação ao coeficiente de participantes das eleições, é suficientemente bom para tal, desde que não se verifique a dispersão de votos que aconteceu no passado.

Por outro lado, entendemos como o ideal, as confabulações dos diretórios políticos locais, para estudar-se a possibilidade de duas candidaturas únicas – no âmbito estadual e federal. De todo, caso não seja viável tal acontecimento, nunca deveremos apresentar, para os citados postos eletivos, mais de dois candidatos, especialmente à deputação do Estado. Se isto acontecer, sentir-nos-emos na necessidade de reprovar o ato e combater a efetivação da medida, pelos inconvenientes que apresentará, com as probabilidades inequívocas da repetição dos fatos anteriores.

Não temos nós, um ponto de vista próprio ou uma preferência pessoal acerca do caso. Temos procurado analisar as possibilidades daquêles que maiores simpatias públicas reunem no momento, observando as suas probabilidades de ações nos parlamentos. Não temos predileção por “A” ou “B”. O que nos interessa que “A” ou “B” sejam de Marília e consigam ser eleitos, aos quais tenhamos o direito de exigir trabalhos em pról de nossa cidade e de seu povo, ao invés de continuarmos como até aqui tem acontecido, a solicitar favores a deputados de outras zonas.

É claro que procuramos apreciar, do ponto de vista de projeção e trabalhos, da influência e nome político, das maneiras e prestígio geral, aquêle ou aquêles que melhor possam enquadrar-se na questão. Isto, como fator importante, deve também ser objeto de apreciação por parte dos políticos locais. Os marilienses que ostentam possibilidades de condidatar-se, são conhecidos de todos nós. Ao lado disso, é interessante que êsse conhecimento e essa projeção tenham raios de ação além de nossas fronteiras, e, de preferência nas camadas políticas das Capitais.

Se não se verificar o desperdício de votos que anteriormente tem ocorrido, podem estar certos os marilienses que elegeremos nossos deputados. Temos para tal, “a faca e o queijo na mão”. Isso ninguém poderá negar.

Oportunamente, quando conhecermos oficialmente os nomes, aqui estaremos para apreciá-los publicamente, analisando suas qualidades, pró ou contra, sem que isso venha a significar que estejamos personificando o caso ou manifestando preferência própria. Procuraremos, com isso, interpretar a opinião pública e avaliar dos melhores efeitos dos diversos nomes que porventura sejam focalizados. Faremos isso sinceramente, como sempre temos feito. Sem intuitos de combates ou apoiar. Tentaremos apreciar as futuras ações nos parlamentos, daquêles que tiverem seus nomes indicados. Com o único objetivo de servir Marília e os marilienses, colaborando também com os próprios partidos políticos. Aí, então, “mataremos a cobra e mostraremos o pau”.

Extraído do Correio de Marília de 5 de julho de 1957

sábado, 4 de julho de 2009

Uma “boa bôca” ” (4 de julho de 1957)

Desde há muito, que se diz por aí, que o mundo é dos sabidos. Cada vez mais nos convencemos da verdade dessa assertiva.

Certa ocasião apareceu em Marília um cidadão que se apresentou através da Rádio Clube, como sendo de nacionalidade Argentina, médico, cantor, artista de rádio e TV, automobilista, ex-deputado federal portenho, jornalista e mais uma outra infinidade de coisas. Seu nome é dr. Juan Caruso. Muito conversador, bom cantor, por sinal; impressionante em suas palestras, etc. Tornou-se logo popular, uma vez que seguidamente dava o ar de sua graça por estas paragens. Certa ocasião concedeu-nos uma entrevista algo fabulosa, onde colocou (e)m destaque a missão da imprensa, como um dos marcos imprescindíveis ao progresso do mundo de nossos dias.

Mas o homem é mesmo irriqueto e bom palrador.

Contou-nos ter contraido matrimônio em Marília, em cujo município é também fazendeiro.

Quando da visita do sr. Brasílio Machado Neto para proceder o lançamento da pedra fundamental do edifício SESC-SENAC, foi realizado um banquete no Restaurante Marília. Ali compareceu o nosso amigo Caruso, com u’a máquina fotográfica, tendo “batido” mais de 50 chapas sem trocar o filme!

Por ocasião da realização da Convenção Ruralista de Assis, quando verificou-se o “reencontro de conciliação” entre e o Presidente da República e o Governador do Estado, ali fomos encontrar Juan Caruso, com u’a máquina fenomenal: “filmando” e “fotografando” tudo. O homem “furou” Jorge Ferreira, do “Cruzeiro”, Amaury Vieira, da “Piratininga”, Carlos Spera, da “Difusora”, o próprio Chateaubriand e centenas de outros repórteres das Capitais e do interior. Na aludida convenção ruralista, o dr. Juan Caruso chegou a ponto de “furar” a “barreira” de autoridades e policiais que cercava o Presidente Kubitschek, para bater amigavelmente no ombro do sr. Juscelino, a fim de apresentar ao Chefe de Estado um cidadão mariliense, que desejava conversar com Sua Excia.! O homem é mesmo “peitudo”.

Certa vez, circulou pela cidade a notícia da existência de um mandato de prisão contra o mesmo, procedente da polícia paranaense.

Agora, através do “Diário da Noite”, edição de 1º do corrente, ficamos inteirados da notícia a seguir transcrita:

“Um sensacional “raid” automobilístico será iniciado, na primeira quinzena do próximo mês de agosto, por Juan Caruso, médico, artista da televisão de São Paulo e consagrado “às” do volante. Caruso, que já realizou numerosas provas dêsse gênero, entre as quais se destaca o circuito Rio – Uruguai – Argentina-Rio, coberto em 39 dias, 7 horas e 27 minutos, pretende coroar sua carreira com excursão que obedecerá ao seguinte itinerário: Partida desta capital, em cujas ruas centrais fará uma volta olímpica, com paradas à porta da redação de cada jornal paulistano; rumo ao Rio, de onde, depois de prestar homenagens ao presidente da República, no Palácio do Cadete, embarcará em navio para a Europa, percorrendo os seguintes países; Portugal, Espanha, França, Itália: viagem por mar, rumo aos Estados Unidos, para cobrir a distancia entre Nova York e o Canadá com retorno àquela cidade, seguindo, pela Estrada Panamericana, para o Texas, México, Guatemala, Cuba, Nicaragua, Venezuela, Colômbia, Panamá, Equador(,) Peru, Chile, Bolivia, Paraguai, Argentina, Uruguai, sul do Brasil, São Paulo e Rio, com chegada na Capital Federal, em frente ao Palácio do Catete.

PROPAGANDA DO BRASIL

Juan Caruso é de nacionalidade argentina, mas se encontra radicado há anos no Brasil, onde constituiu família. Numa demonstração de apego ao país em que vive e onde nasceram seus filhos, ele aproveitará a realização da prova para fazer propaganda do nosso café e das atrações turísticas do Brasil. Para isso, seu carro ostentará distícos, tais como: “Beba café brasileiro e beberá o melhor café do mundo!”; “Faça turismo, conhecendo o Brasil, a maravilha do turista!”.

HOMENAGEM ÀS AUTORIDADES

Além do presidente Juscelino Kubitschek, Caruso homenageará os chefes dos governos de todos os países que percorrer, oferecendo-lhes um troféu da “Irmandade dos Amigos do Brasil”. O primeiro a recebe-lo será o general Craveiro Lopes, pois que, em Portugal, terá inicio a parte do “raid” a ser realizado no exterior. A proposito, esclareceu o consagrado automobilista: “Em cada país oferecerei ao respectivo chefe de governo um troféu, no qual figuram as bandeiras do Brasil e a Olímpica, como homenagem que, em nome desse querido país, quero prestar às nações que visitar”.

APÊLO À INDUSTRIA

Ponderou Juan Caruso que encontrará dificuldades na realização da prova, principalmente de ordem financeira, motivo pelo qual, tendo em vista a propaganda que, para o Brasil seu principal produto de exportação, ela fará, espera que o Instituto Nacional do Café e os órgãos relacionados com as atividades turísticas o auxiliem.

Por nosso intermédio, Caruso faz um apêlo aos dirigentes das industriais automobilisticas DKW, Vemag, Wolkswagen e Willys Overland, pois que – afirmou – muito prazer teria em realizar a prova num carro de fabricação nacional, com o qual, aliás poderia fazer excelente propaganda de nossa industria automobilistica.”

Até aí, nada de mais. Acontece que com uma “bôa boca” déssas (auxílio oficial e particular, automóvel novo “na faixa”, etc)., até nós, que somos mais bobos, “toparemos a parada” de fazer tal “raid” automobilístico e propaganda do café do Brasil!

Extraído do Correio de Marília de 4 de julho de 1957

sexta-feira, 3 de julho de 2009

“Da discussão nasce a luz” (3 de julho de 1957)

O adágio que nos serve de epígrafe, aplicou-se inteiramente e com excelentes resultados, no plenário da Câmara Municipal, por ocasião da sessão extraordinária da última segunda-feira.

O legislativo discutiu e votou o projeto de lei n. 900, de autoria do Executivo, abrindo crédito especial de um milhão de cruzeiros, destinado a ocorrer às despesas de locação do imóvel destinado à instalação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de nossa cidade.

Antes da abertura dos trabalhos, um clima de dúvidas pairou sôbre a Câmara, dando a impressão de que num tudo “estava côr de rosa”. Verificamos mesmo uma certa inquietação que chegou a pairar sôbre muita gente – vereadores ou não. O assunto, de vital importância para todos os munícipes, aparentava uma “peninha”. Isto porque, um dos membros da Comissão de Justiça, o esforçado dr. Durval Sproesser, em seu parecer profundamente justificado, encontrara um “que” de ilegalidade da aplicação da referida ante-lei, em face a um dispositivo da Lei do Inquilinato vigente.

Realmente, bem justificou o ilustre edil o seu pensamento, argumentando-o com a sua perícia de causídico estudioso, tendo, no final, uma atitude bastante simpática e que bem repercutiu entre os presentes e entre aquêles que assistiam, na platéia ou em suas casas, através das irradiações radiofônicas: embora defendendo aquêle ponto de vista, ante o dispositivo legal citado que colidia com as finalidades do projeto, o vereador pessepista votaria pró aprovação do mesmo, em consideração ao seu elevado significado.

O dr. Geraldino Furtado de Medeiros, por solicitação do presidente da Comissão de Justiça, dr. Fernando Mauro, defendeu o parecer dêste, em que se faziam citações ao impasse ocasionado pela Lei do Inquilinato, perfeitamente derrubado por outros inúmeros preceitos legais. Gostamos da perícia e conhecimento de causa com que o vereador Geraldino manuseou a questão, explanando com propriedade e abundância de pormenores a questão da Faculdade, o seu significado, as lutas do povo mariliense, através de suas autoridades, suas entidades de classe, estudantes, imprensa e o povo, enfim. O citado edil, entrou depois no mérito jurídico da questão. Referindo-se carinhosamente ao ponto de vista defendido pelo seu colega Durval Sproesser ser, dizendo claramente da não existência de motivos de orgulho ou desprestigio para nenhum dos dois vereadores, vencesse quem vencesse. Alegou que de maneira nehuma seria diminuido o voto vencido, tendo ilustrado seu ponto de vista com inúmeras referências, onde casos idênticos oferecem mais de um pareceres divergentes, embora vasados em têrmos aparentemente corretos. A essa, o orador já deixava transparecer a sua certeza profunda em que seu parecer iria predominar, derrubando, em consequência, o conceito emitido pelo seu colega. De fato, tal aconteceu. A discussão processou-se de maneira bonita, democrática e bem esplanada. O dr. Geraldino, sempre dispensando um respeito e uma consideração admiráveis ao modo de entender do dr. Durval, avocou com clareza e perfeição, com uma facilidade e simplicidade extraordinárias, a questão da interpretação do espírito da lei. Disse que na interpretação das leis reside o maior mérito e a maior dificuldade dos juristas, pois nem sempre o preceito legal exprime aquilo que se lê à primeira vista; se assim fosse – prosseguia o orador –, qualquer pessoa poderia interpretar e aplicar as leis, sem a necessidade de juizes. E aclarou completamente as dúvidas que existiam no plenário, surgidas e melhor arraigadas após o parecer do dr. Durval, com a seguinte explicação: De fato, o dispositivo avocado pelo dr. Sproesser, proibia, taxativamente, a cobrança de alugueis em bases superiores a um mês: mas em condições algumas impedia o recebimento, quando a outra parte – a locadora – se propunha a efetuá-lo antecipadamente. Discorreu ainda mais sôbre a Lei do Inquilinato, cuja aplicação primordial diz respeito aos prédios residenciais, comerciais e industriais, sendo omissa, em parte, as finalidades assistenciais, educacionais ou beneficentes.

Gostamos, sinceramente, da atitude dêsses dois vereadores. O dr. Durval Sproesser, pela atitude demonstrada em votar favoravelmente ao projeto, embora tivesse exarado o parecer contrário, teve uma atitude digna, principalmente concordando posteriormente com as argumentações do dr. Geraldino. Êste, pela palavra sensata e ponderada com que abordou a questão, tendo em primeiro lugar, respeitado o ponto de vista do colega, embora discordando juridicamente.

Imaginem os nossos leitores, se no caso de uma vitória como essa, do dr. Geraldino Meteiros, esclarecendo o plenário sôbre um grande e verdadeiro “impasse”, fôsse o mesmo possuido de um espírito inferior, teria, logicamente, tirado proveito da situação, para desmerecer o parecer de seu companheiro. No entanto, fez o contrário: procurou destacar a atuação do edil pessepista, com muita consideração e dignidade.

Nossos parabéns, portanto, ao dr. Geraldino e também ao dr. Sproesser. Nossos parabéns à Câmara que tão bem soube portar-se diante de um problema de magna importância. Nossas congratulações aos marilienses, por mais essa vitória.

Êsse fato, para os que sabem refletir, é bem um exemplo dignificante da edilidade mariliense. Casos como êsse, em nosso entender, são vasados de todo o intrínseco espírito de democracia.

Extraído do Correio de Marília de 3 de julho de 1957

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A TV em Marília (2 de julho de 1957)

As notícias por nós divulgadas há pouco tempo, acerca das informações que nos foram prestadas em São Paulo pelo radialista Geraldo Tassinari, repercutiram bem no seio da opinião pública, a ponto de muita gente nos procurar para saber pormenores do fato.

Agora surge nova questão, acerca das possibilidades da TV em Marília. É que, independente das possibilidades da Organização Victor Costa construir, como se propalou, uma torre receptora das imagens do Canal 5 em nossa cidade, vem à tona a iniciativa do sr. Jorge Elias, diretor das Indústrias de Rádios “Memphis” de nossa cidade, que objetiva a construção de uma torre para recepcionar as imagens transmitidas pela torre receptora a ser instalada em Baurú. Além dessa torre receptora, disporá a organização “Memphis”, de uma antena divulgadora de âmbito local, para melhor receptividades dos televisores que a cidade venha a possuir, num canal local próprio. Tal providência, conforme depreendemos das palavras do sr. Jorge Elias, em entrevista concedida ao microfone da Rádio Dirceu, evitaria dificuldades e dispêndio de quantias fabulosas nas antenas domiciliares altíssimas.

Um ponto interessante a ser observado na entrevista concedida pelo sr. Jorge Elias, sem favor algum um grande entusiasta e estudioso do terreno eletrônico em nossa cidade, um industrial dos mais co(m)pletos no setor de fabricação de aparelhos de rádio, é que os televisores “Memphis”, que já estão sendo construídos em Marília, especialmente para a cidade, custarão aos marilienses praticamente menos do que um rádio, isto é, uma base aproximada de quinze mil cruzeiros!

O assunto, pela sua natureza ligada diretamente ao progresso de nossos dias, meio de divertimento, informação e orientação moderna, vinculado à vida, dos povos das grandes cidades e das grandes capitais, deve merecer a atenção e os interesses de todos nós. Se efetivados os planos das Indústrias de Radio “Memphis”, com a dotação da TV em Marília, não restará dúvida de que o sr. Jorge Elias prestará à cidade e aos marilienses, uma grande colaboração, no que diz respeito ao quilate de progresso encetado por Marília.

Pensamos que até os poderes constituidos locais, bem como as entidades de classe, deveriam interessar-se junto ao Sr. Jorge Elias, para conhecer com abundância de pormenores a sensacional notícia, acerca das possibilidades de instalação da torre receptora de TV, pelas Indústrias de Rádios “Memphis”.

Com éssa sugestão, aqui deixamos nossos sinceros votos para que a medida óra abordada póssa ser tornada em realidade entre nós. Marília, realmente, pelo seu vertiginoso dinamismo, pelo seu progresso ímpar, pelo trabalho construtor de seu grande povo, é digna, sem dúvida, de merecer mais esse passo dentro de seu invejável progresso, não só na Alta Paulista, como tambem dentro do Estado líder da federação e do próprio Brasil.

Voltaremos ao assunto.

Extraído do Correio de Marília de 2 de julho de 1957