sábado, 28 de fevereiro de 2009

Voluntariado Para a Coréia (28 de fevereiro de 1953)


José Padilla Bravos
(2º Srgt. Res. Da F.E.B.)

Inúmeras pessôas têm-me pedido a opinião, sobre a remessa de tropas brasileiras para a Coreia, constituindo um novo Corpo Expedicionário Brasileiro, que, deveria lutar ao lado das tropas das Nações Unidas.

É um assunto deveras difícil de ser analisado, maximé por pessôa isenta de responsabilidade ou autoridade para abordá-lo; no entanto, como nos ufanamos de usufruir um clima de democracia, onde se vê expressa nas Constituições que nos regem, a inteira liberdade de pensamento, aqui delinearei, a respeito, o que me é dado pensar sobre o palpitante caso.

O assunto, em si só, deverá ser dividido, para fins de estudos, em duas fases distintas: Primeiro, a legalidade desse voluntariado, que não existe. Sabemos que assunto de tal jaez é da alçada exclusiva do sr. Presidente da República, e, que, oficialmente, não foi firmado diploma legal que instituísse, até o momento, o já conhecido “voluntariado”. O que existe, isso sim, é uma precipitação de acontecimentos, oriunda, já se vê, do espírito de patriotismo ou de sensacionalismo, dado à luz pela imprensa das capitais bandeirante e carioca.

Mesmo existindo um tratado militar aliado, como existe, em que, por suas diversas cláusulas, está o nosso País no dever de contribuir com tropas militares para as Nações Unidas, a abertura de um voluntariado, ou de decreto de u’a mobilização geral e mesmo a constituição de tal corpo expedicionário, são de competencia do mais alto magistrado da Nação. Pela precipitação existente, pela correria já conhecida e afluencia de voluntarios candidatos, afirmo ser contrário a tal movimento.

A segunda fase da questão é inquestionavelmente mais complexa e delicada. Infelizmente, não me é dado conhecer, como sóe poderia ser, os termos do tratado militar referido; mas não será preciso puxar muito pelo raciocinio e bom senso, para concluir que todos os paises do continente ocidental são membros das Nações Unidas, e, que, de todos eles, somente a Bolívia forneceu um pequenino contingente de soldados para a Coreia; “ipso-facto”, os deveres e obrigações de todos os paises filiados à O. N. U. são idênticos e da mesma plana de responsabilidade.

A tropa da Bolivia, enviada à Coreia, composta de 1.200 homens, em que me pese o desagrado de afirmar isto, acredito não haver completado siquer uma parte de seu desiderato, pois, é notorio que o estado geral de tecnica militar e adextramento especializado vigente naquele Exercito, está muito aquem das exigencias de uma guerra moderna. Poderei afirmar isso, com conhecimento de causa, pois, o Exercito Brasileiro, que, pela modificação de sistema e uso de armas modernas introduzidas em seus serviços, chega quase a equiparar-se, hoje, ao Exercito de Tio Sam. Pois bem: a Força Expedicionaria Brasileira, passando por um periodo de preparação especial, inclusive exercicios com balas reais, um treinamento especializado e ininterrupto de educação fisica e tatica moderna, com permanente contacto e uso das armas mais recentes, teve que passar por um outro periodo de instruções pré-combate na Italia. E, mau grado à vontade de nossos superiores militares, responsaveis pela constituição da F. E. B., em grande parte – isso é doloroso confessar – causamos verdadeiros transtornos ao Alto Comando Norte-Americano, tal o estado de saúde, dos dentes especialmente, apresentado pela grande maioria dos expedicionarios.

Podemos, facilmente, aquilatar o que de fato produziu e o que realmente deverá ter feito o pequeno contingente boliviano na Coréia.

Os nossos poderes constituidos, têm, de sobra, experiência. A formação da F. E. B. e a sua remessa ao exterior, mercê do espirito combativo de nossos soldados, que não deslustraram o nome de nosso Exercito, constituiram, sem duvida alguma, um capitulo de experiência impar a nossa historia militar. O selecionamento de pessoal especializado e devidamente adextrado, é coisa que demanda tempo, não facilmente analisavel. Não poderiamos incorrer no erro já cometido, e, se isso, acontecesse, reincidenciariamos.

Como bom brasileiro e como patriota que sou – fui voluntario para a F. E. B. – só me caberia a obrigação de apoiar tal remessa de tropas, porém dentro dos termos legais e após cumpridas as exigencias e formalidades superficialmente aludidas. E, para isso, teriamos que esperar ainda muito tempo.

Existe outro lado da questão, que, a titulo de curiosidade, desejo esplanar aqui. É o excesso de patriotismo, oriundo do entusiasmo proprio da idade moça. Muitos desses jovens que se apresentaram como “voluntarios” o fizeram, apenas inflamados pelo patriotismo adquirido em bancos escolares e através do manuseio de paginas da historia do Brasil. Na realidade, poucos desses moços sabem o que de fato representa uma guerra armada, uma guerra moderna. Eu, de sã consciencia e sem a minima covardia, declaro que não me apresentarei como “voluntario” para a Coréia. E o faço convicto, porque já ganhei experiencia uma vez, já tive oportunidade de saber o que é realmente uma guerra, louvo aos céus e a Deus por haver regressado, se bem que sem a saúde de outrora. Porém, como a maioria do povo brasileiro, espalhou e acreditou que os ex-“pracinhas” da F. E. B., haviam ido à Italia para passear e para ficar ricos, é possivel que essa mesma maioria pense o mesmo no caso do “voluntariado” da Coréia, inclusive os que agora se apresentam apressadamente.

Extraído do Correio de Marília de 28 de fevereiro de 1953

Rosas e espinhos (28 de fevereiro de 1957)

Por força das circunstâncias decorrentes do próprio cargo, o jornalista “tarimbeiro” do interior vem a ser uma espécie daquilo que se chama de “pau para tôda obra”. Focaliza os assuntos da cidade sob os múltiplos aspectos, analisando os acontecimentos e os fatos sob poliformes significados.

Tal não acontece nas grandes cidades e nas capitais, onde a pessoa que escreve para um órgão noticioso, é especializado em determinado setor. O que escreve sôbre política, nada “pesca” de esporte. O redator social não escreve sôbre polícia e assim por diante.

Na imprensa pobre e sacrificada do interior, nem sempre bem compreendida, a questão é diferente. A mesma pessoa é obrigada a escrever sôbre sociedade, esportes, política, polícia, administração, finanças, diversões, etc..

Isso acontece com todos aquêles que militam na imprensa cabocla. É por isso que temos muitas ocasiões, que abordar um ponto de vista sôbre o qual não somos especialistas. Isso, no entanto, não significa que escrevamos de todo leigamente. A missão e noção da responsabilidade que é a nossa bandeira, obriga-nos a estudar, mesmo que superficialmente, o assunto a ser focalizado. E o fazemos com honestidade, critério e atenção. Se alguma falha apresenta, podem crês os que nos lêem, será de todo involuntária, uma vez que predomina em espíritos de rabiscadores de fatos, as melhores das intenções.

Aí é que está o valor de quem escreve na imprensa interiorana. O moldar-se as circunstâncias, o escrever sôbre tudo. Não é sopa, confessamos. Para muita gente de fora, é coisa mais banal do mundo. Principalmente para aquêles que bem não interpretam o verdadeiro sacerdócio da imprensa, que entendem ser a missão do jornalista derrotar e fazer sensacionalismo.

É por isso, que às vezes, desgostamos alguns e recebemos flores de outros. Uma coisa, no entanto, é certa: Mesmo desagradando algumas pessoas ou autoridades, não o fazemos com o objetivo pessoal; apenas analisamos aquilo que é digno de análise ou de divulgação, como órgão de imprensa que somos. Jamais, em nossa vida jornalística, patrocinamos campanha torpe ou difamatória contra quem-quer-que-seja. Jamais promovemos caminhada inglória.

A êsse respeito, fomos procurados ainda ontem, por um cidadão grandemente responsável em nossa cidade. Uma pessoa que ocupa um cargo passível de críticas das mais variadas. Cidadão que inúmeras vezes foi citado nesta coluna ou em outras do “Correio”. E o mesmo trocando idéias acerca de nosso dever, felicitou-nos efusivamente. E temos a certeza de que o fez sem hipocrisia. Até animou-nos a continuar nossa missão, mesmo referindo-nos acerca de sua pessoa e de seus atos.

Fatos como êsse, confortam todos aquêles que são “tarimbeiros” da imprensa e que estão imbuidos do melhor desejo em servir uma coletividade, esforçando-se para tal.

Significa, que além dos espinhos da profissão, de vez em quando colhemos também as nossas rosas.

Extraído do Correio de Marília de 28 de fevereiro de 1957

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Será possível? (27 de fevereiro de 1957)

Inúmeras ocasiões, temos manifestado através desta coluna, nosso pensamento acerca do elevadíssimo custo de vida no país. Em verdade, o índice inflacionário dos últimos tempos, constitui-se num irretorquível recorde, dentro da vida brasileira.

E o que temos escrito, não é nenhum mistério, nenhum segredo. Todos nós estamos sentindo no lombo as consequências dêsse estado de coisas, verdadeiro desmando, incrível e autêntico desgovêrno. Não sabemos bem de que é a culpa pela situação, embora saibamos que a parcela maior da responsabilidade acerca do fato, recai, indubitavelmente, sôbre os costados do próprio Presidente da República.

Até aí, nada de mais. O fato é notório. A situação está mesmo cada vez mais insustentável. O que deixa qualquer cristão falando sozinho, são as constantes declarações do sr. Juscelino Kubitschek, de que o custo de vida “está baixando” ou “está estabilizado”!

Vejamos, por exemplo, êste trecho de um telegrama divulgado pela imprensa, quando da reunião do Presidente com uma equipe de assessores técnicos, que participa da elaboração da mensagem presidencial ao Congresso Nacional:

“Sôbre a questão do custo de vida, salientou o chefe do Executivo nacional que já estão surtindo efeito as medidas anti-inflacionárias tomadas pelo govêrno. Já se regist(r)a uma tendência para a estabilização dos preços de gêneros alimentícios, nos últimos meses. Revelou, aliás, o Presidente que recebe informações semanais sôbre a oscilação dos preços e que toma tôdas as medidas adequadas para conte-los”.

É mesmo verdadeiramente incrivel! Ou será que éssa estabilização de preços, sendo utopia para todos os brasileiros, só é milagrosa ao conhecimento do Chefe da nação, através de relatórios ou dados estatísticos mentirosos?

Das duas, uma: ou o sr. Kubitschek está sendo enganado em sua boa fé, sendo por demais ingênuo, ou então – o que é mais provavel –, está sendo vítima de quadros demonstrativos fantasticos e irreais. De outra maneira, são inconcebíveis as constantes declarações do Presidente da República, sempre afirmando que a vida melhorou no Brasil. A menos que o autor destas linhas já esteja meio “biruta”...

Será possível?

Extraído do Correio de Marília de 27 de fevereiro de 1957

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Ainda a TV Marília (26 de fevereiro de 1957)

Duas vezes nos ocupamos, nesta coluna, em escrever sobre a propalada futura instalação da TV Marília. Como não poderia deixar de ser, o fato encontrou éco e grande repercussão, por parte de grande público local. Muita gente têm procurado o autor destas linhas, para inteirar-se pormenorizadamente acordo da questão que, sem dúvida, foi recebida com júbilo pelos marilienses. O que divulgamos, teve um ponto originário. Não foi fruto de nenhuma imaginação, conforme especificamos em escritos anteriores.

O que sabemos a respeito já foi externado, inclusive com a citação das fontes de origens, posteriormente confirmadas, na própria Capital.

O que sabemos, além daquilo que já noticiamos, é que já existe “uma peninha” no assunto. Uma outra cidade vizinha, estaria pleiteando, para si, o privilégio referido. Entretanto, parece que a preferência continua pró Marília e é bom que se ressalte, que, até agora, só uma pessoa está defendendo éssa reivindicação para nossa cidade. Essa pessoa é o próprio Geraldo Tassinari, mariliense de coração que todos conhecem.

Bom seria que aqueles que dispõem de meios representativos entre nós, ou mesmo os poderes constituidos da cidade, se interessassem pela questão, diretamente com o sr. Victor Costa. Em se tratando de um novo marco de progresso para a “cidade menina”, entendemos, não poderiamos ficar indiferentes ao caso. Se tal fizermos, estaremos dando cabal prova de descuido para com as coisas de nossa própria terra.

E teriamos muito a lamentar, no futuro, se a propalada TV Marília viesse de fato a ser transferida, antes de sua instalação, para outra cidade vizinha, como se propala.

Informamos o público a respeito, achamos de bom aviso que aqueles que são verdadeiros marilienses e que tem sob os ombros uma parcela de responsabilidade, viessem a interessar-se em saber os motivos de verdade existentes néssa notícia, bem como fazem alguma coisa para que Marília póssa ser distinguida com esse importante e notavel melhoramento do século.

O que nos cabe saber a respeito, nós o fizemos, como o estamos fazendo.

Extraído do Correio de Marília de 26 de fevereiro de 1957

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Televisão em Marilia (23 de fevereiro de 1957)

Não há muito, escrevemos aqui, alguma coisa acerca de uma informação que chegara ao nosso conhecimento, com respeito à TV Marília. A notícia, conforme dissemos na ocasião, veio numa carta que Geraldo Tassinari escreveu a Bernardo Carrero, sem pormenorizar fatos. Agora, em São Paulo, procuramos ouvir do próprio Tassinari o que de verdade existe acerca da questão.

Efetivamente, a Organização Victor Costa, pretende instalar a TV Marília, ainda êste ano. Não será propriamente uma sub-estação de televisão, pois além da torre receptora, para captar as imagens transmitidas pela TV Paulista, Canal 5, fará também a sua transmissão própria, daqui de nossa cidade.

A TV Marília, fará parte da “Rebratél” (Rêde Brasileira de Televisão), cujas cidades integrantes serão as seguintes: Santos (já instalada), Campinas, Ribeirão Preto, Londrina, Presidente Prudente e Marília.

A notícia é auspiciosa. Tassinari asseverou-nos que será traduzida em realidade até o final do ano em curso.

Não resta dúvida, de que Marília marcará mais uma grande época em seu vertiginoso progresso se tal acontecimento vier de fato a efetivar-se. Não será de todo impossível, uma vez que a televisão que possuimos foi importada e hoje em dia, tão perfeita como as dos mais adiantados centros europeus e norte-americanos. Na Europa e nos Estados Unidos, tôdas as grandes cidades, por mais distantes que estejam das capitais, possuem hoje suas televisões próprias, ou suas sub-estações, conforme o caso.

A TV, que é a maior concorrente do rádio, proporciona imensas vantagens ao povo, tanto no setor informativo como divertivo. Quase todos os interioranos conhecem já essa verdadeira maravilha da moderna eletrônica. Assim sendo, os marilienses terão dentro em breve, se fundadas as informações que obtivemos, mais êsse importante melhoramento.

Oxalá tudo possa ser realizado, com Marília integrando essa rêde, fazendo parte dêsse cometimento. Oxalá não venha a ser nossa cidade preterida por outros centros, de menor importância.

Em nosso comentário anterior, acerca dêste mesmo assunto, prometemos informar melhor nossos leitores sôbre a questão.

Aí estão as informações que colhemos, pessoalmente, na Rádio Nacional de São Paulo, quinta-feira última. Tem fundamento e razoa de ser. Tassinari está bem enfronhado com as atividades da Organização Victor Costa, como um de seus eficientes colaboradores. Como bom mariliense que é, está exultante com a notícia e certo de que a mesma será em breve uma realidade para a gente de Marília.

É por isso que nos antecipamos em divulgar a novidade; como bons marilienses que somos, ficamos alegres em conhecer o assunto, embora sabendo que a efetivação dêsse empreendimento é alguma coisa de dificil e dispendioso. No entanto, garantiu-nos Tassinari que Marília terá sua TV.

Extraído do Correio de Marília de 23 de fevereiro de 1957

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Candidato único (20 de fevereiro de 1957)

Escreve-nos um leitor, comentando alguma coisa acerca daquilo que aqui temos escrito, sôbre a necessidade de Marília ter o seu representante próprio no Palácio 9 de Julho.

A carta não veio assinada, apenas identificada pelo pseudônimo de “udenista”. Êsse nosso amigo, que por sinal demonstra profundos conhecimentos de política atual, deixa claro, também o seu ponto de vista que vem a casar-se com o nosso, manifestado em escritos anteriores.

Estamos com você, amigo, no que diz respeito à questão de que Marília não pode prescindir, nas próximas eleições, de ter seu representante na Assembléia. Sôbre outros pontos citados, lamentamos não endossá-los, embora respeitemos o pensamento e a argumentação do missivista.

Uma coisa é certa e continuamos a repetí-la: Se Marília concorrer ao próximo pleito, com mais de dois candidatos à deputação estadual, correrá o risco de não eleger nenhum. Os votos que serão, fatalmente repartidos entre os candidatos locais, contando-se ainda os que serão consignados a candidatos de fora, não serão suficientes para eleger-se um representante de Marília. É por isso que nos batemos pela possibilidade de um candidato único ; ou se isto não fôr possível, o número nunca superior a dois. Se isto não acontecer, podem estar certos os marilienses, que repetiremos os êrros anteriores. É por isso que chamamos as atenções dos nossos leitores, no sentido de que uma demonstração irrefutável de amor por Marília, votando em candidatos da terra, ao invés de consignar os sufrágios em pról daquêles que só se lembram da nossa cidade em vésperas de eleições.

Tem razão a pessoa que nos escreve, citando como exemplo, meia dúzia de nomes dignos e capazes para representar Marília. Urge agora saber se as diversas correntes políticas de nossa cidade pensam da mesma forma que nós.

Extraído do Correio de Marília de 20 de fevereiro de 1957

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Ladrões da saúde do povo (19 de fevereiro de 1957)

Não conseguimos encontrar outra denominação, que não a que se serve de epigrafe para êste comentário, para “mimosear” aquêles, que, como proprietários de laboratórios farmacêuticos, cometem verdadeiros crimes contra o próprio povo, vendendo medicamentos adulterados ou com drogas diversas e inferiores das que constam na fórmula original previamente analisada e registrada.

Êsses falsificadores contumazes, são merecedores de corretivos enérgicos por parte das próprias autoridades policiais, pois o que estão fazendo, traduz-se num autêntico crime. Em boa hora, as autoridades sanitárias, que sempre foram lentas em atitudes concernentes à própria alçada de seus atribuições, estão agora dispostas a agarrar pelo gasganete, muitos daquêles magnatas da falsificação de medicamentos e alimentação públicas, adulterados e plenos de ingredientes nocivos à saúde do povo.

O governador Jânio Quadros precisou, é fato, interferir na questão, para coibir-se êsses abusos que de há muito se praticam contra a saúde pública. Transcrevemos, abaixo, o que a respeito comenta um jornal da paulicéia:

“Digna do maior aplauso, a deliberação do governador do Estado, ordenando ao Instituto Adolfo Lutz o envio imediato, à Secretaria da Segurança Pública, dos laudos acerca de remédios e alimentos suspeitos. São produtos inquinados de falsificação ou de adulteração que o exame de laboratório deve ter esclarecido. E a autoridade policial vai evocar o caso, a fim de se apurarem as responsabilidades dos autores dêsse crime contra a saúde do povo e contra a economia.

“No que tange aos medicamentos, a alteração prejudica os necessitados, bem como uma das indústrias de maior prosperidade, em São Paulo. Produtos farmacêuticos daqui obtiveram pleno sucesso até no exterior, sendo recomendados pelo escrúpulo e pelo rigor da manipulação. Entretanto, alguns fabricantes sem consciência os lanças em discordância com a fórmula, em detrimento do consumidor e do conceito da nossa indústria farmacêutica.

“Relativamente aos artigos alimentícios, a fraude é espantosa. Há fornecedores que não tergiversam em impingir ao consumo certos produtos condenados. Nesta hipótese, os prejuízos também atingem à saúde de quem os usa e à economia, porque desmoraliza a indústria alimentar. Os “comandos” sanitários já trouxeram à baila muita coisa, neste sentido, impondo-se que os culpados sejam processados e punidos conforme prescreve a lei.

“Em ambos os setores, a obra dos falsificadores e dos adulteradores coloca em perigo a vida de quem adquire remédios e alimentos em tais condições. Réus dêsses crimes não podem merecer complacência nem escusa, devendo-se-lhes cominar a pena de máxima severidade. A infração afigura-se ainda mais revoltante, quando pensamos no trabalho que têm êles, executar tamanha crueldade. Oferecem maiores gravames da premeditação calculada e fria.

“Louvamos o ato governamental. Que as autoridades sejam intransigentes e enérgicas a respeito, é o que desejamos, por ser de justiça”.

Extraído do Correio de Marília de 19 de fevereiro de 1957

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Televisão em Marília? (15 de fevereiro de 1957)

Geraldo Tassinari, mariliense vinculado à radiofonia paulistana, escreveu há dias uma carta cordial ao locutor Bernardo Carrero. Carta de amigo, para amigo. Como na mesma estava contido um recado para o autor destas linhas, a carta foi por nós lida também. Dentre uma infinidade de assuntos, dos mais variados possíveis, uma vez que o missivista abordou abundantemente u’a multiformidade de fatos, lá está uma pergunta mais ou menos lacônica: “como receberam vocês aí a notícia da TV Marília?”

Nada sabíamos, até então, a respeito da sensacional informação. Só a pergunta, que serviu para aguçar-nos a curiosidade, interessando-nos pelo assunto.

Mais tarde, ou mais precisamente, anteontem, tivemos uma outra notícia, que ligamos automaticamente à pergunta do Tassinari. É que, segundo noticiou um órgão de imprensa da paulicéia, uma firma de capitais mistos brasileiro e estrangeiro, especializada na construção de aparelhamentos rádio-eletrônicos, possui já, prontas para instalação, diversas sub-estações para retransmissão de programas de televisão, recebidas da Capital do Estado. A mencionada empresa pretende instalar uma rede de sub-estações em cidades centralizadores de zonas, no interior de São Paulo, propiciando assim aos interioranos, a oportunidade de captar as imagens de TV, com a maior perfeição possível, a exemplo do que vem acontecendo nos Estados e na maior parte da Europa.

Daí, o deduzirmos de que Marília possa estar incluida na lista mencionada a respeito, para aqui ser instalada uma sub-estação televisora.

Se verdade existe no fato, bom seria que fossem os marilienses melhor informados acerca da realidade dêsse importante cometimento, com o processamento de entendimentos, estudos ou informações acerca da questão. Seria, sem dúvida, uma agradável satisfação para nós, o podermos, em futuro breve, contar com êsse moderníssimo e útil sistema de entretenimento.

Infelizmente, o autor destas linhas nada mais saber acerca da notícia em tela, sôbre a TV Marilia. No entanto, já na próxima semana, procuraremos colher outros pormenores acerca dessa importante notícia, saber seus reais fundamentos e possibilidades concretas, para informar nossos leitores.

Extraído do Correio de Marília de 15 de fevereiro de 1957

sábado, 14 de fevereiro de 2009

O “Dia do Município” (14 de fevereiro de 1957)

Menos de vinte dias nos separam da magna data da emancipação político-municipal mariliense. 4 de abril marcará mais um aniversario da instalação do município de Marília.

Uma data grata para todos nós, que vivemos nésta querida terra e por suas plagas pulsamos. As autoridades municipais dos dois poderes, ao que nos consta, já se movimentam no sentido de que Marília comemore condignamente éssa efeméride.

No ano passado, aqui tivemos a Banda “Pietro Mascagni”, da cidade de Jaboticabal, vencedora do concurso instituido em 1954, pela Comissão dos Festejos do IV Centenário de São Paulo. Além disso, outras manifestações cívicas, bem como desfiles estudantis, tiveram lugar em Marília. A Câmara Municipal realizou sessão solene, quando vários vereadores fizeram uso da palavra, discorrendo sobre o significado da data.

Agora, cogita-se em trazer para Marília, a famosa Banda dos Fuzileiros Navais, corporação de tradição do Brasil Imperial. Mesmo aqueles que jamais tiveram o ensejo de apreciar a exibição da Banda dos Fuzileiros Navais, sabem, de sobejo, que a apresentação do aludido núcleo é um espetáculo deveras grandioso.

O autor dessas linhas, que tivera anteriormente a oportunidade de ver em ação a aludida corporação musical, presenciou-a novamente ha poucos meses, quando a aludida Banda esteve na cidade de Mogi das Cruzes, prestigiando a VI Convenção Nacional dos Ex-Combatentes do Brasil.

Lins e Baurú já desfrutaram dêsse privilégio. Agora, deverá chegar a vez de Marília. Realmente, a corporação oferece um espetáculo indescritível. Oxalá seja possível a concretização dessa exibição em Marília. Para tal, o Dr. Badra, Presidente da Câmara Municipal e Presidente da Associação Paulista de Municípios, já entrou em entendimentos com o Dr. Ulysses Guimarães, Presidente da Câmara Federal.

Oxalá seja isso possível, pois não é fácil a consecução desse intento. A corporação, embora especial e independente, é militar. A distância do Rio à Marília é grande. O alojamento para trezentos e tantos soldados será um problema também, que, temos a certeza, será contornado. Acontece, entretanto, que “paga a pena”, conforme diz o caboclo, fazer toda éssa força, para termos em Marília, no “Dia do Município”, a Banda dos Fuzileiros Navais. Vamos agora aguardar o pronunciamento do Dr. Ulysses Guimarães, que, como um grande amigo de Marília, que sempre foi, procurará atender o pedido do Dr. Badra, que represente, sem dúvida, a solicitação dos marilienses.

Extraído do Correio de Marília de 14 de fevereiro de 1957

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O deputado mariliense (13 de fevereiro de 1957)

Vamos aqui, “bancar” o mineiro, ao qual se atribui o conceito de “não perder o trem”, por chegar sempre muito antes da hora aprazada.

E temos motivos sobejos para agir assim, uma vez que vamos relembrar aos marilienses, a necessidade que teremos nas próximas eleições, de mandar ao Palácio 9 de Julho, e, se possível ao Palácio Tiradentes, um representante de nossa cidade. No passado, preocupamo-nos em demasia com tal problema; no entanto, a dispersão de votos, consignada a candidatos de fora, dêsses que se fantasiam como “amigos de Marilia” e que aqui aportam em vésperas do pleito, foi um fato inconteste: Não conseguimos “fazer” sequer um deputado mariliense, enquanto ajudamos muitos outros a conquistar as fofas e macias poltronas vermelhas da Assembléia. E nossa cidade, com cerca de vinte mil eleitores, continuou órfã no parlamento estadual e federal.

É verdade que alguns deputados (poucos, sinceramente) têm procurado defender os interêsses de Marilia; mas é verdade que outros têm tirado proveito eleitoreiro da situação e nada de efetivo conseguiram trazer para a (“)cidade menina”.

Continuamos assim na mesma situação que tantas e tantas vezes referimos no passado: Se quisermos alguma coisa, mesmo que nos seja devida por direito líquido e certo, teremos que pedir de chapéu na mão, pois não temos um representante legítimo, ao qual se nos assista o direito de exigir.

Que continuem atentando todos os eleitores marilienses para a necessidade e o dever cívico que temos pela frente, no próximo pleito eleitoral. Dizemos isso porque já temos percebido na cidade, políticos profissionais e “caçadores de votos”, imiscuídos entre nós, com uma antecedência de pasmar. Pode dar-se o caso de que tais políticos tenham chegado à Marilia com outros objetivos; mas estejam certos os leitores que nenhum dêles “dá ponto sem nó”...

Cidades de menor expressão eleitoral, contam com seus representantes próprios, numa demonstração de união de idéias e de coesão em torno de nomes dos mesmos centros.

No pleito passado, tivemos três candidatos marilienses à deputação estadual; no entanto, consignamos votos esparsos entre todos e dispensamos esplêndida votação aos aventureiros de fora. O resultado aí está. Temos que pedir, mesmo aquilo que o direito de outorga.

Vamos ver se não incorremos desta vez, nos êrros do passado. Temos ainda muito tempo pela frente, para formar um raciocínio lógico, bem mariliense.

Não poderá haver justificação, se repetimos o que a respeito fizemos anteriormente!

Extraído do Correio de Marília de 13 de fevereiro de 1957

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O “Rock and Roll” (12 de fevereiro de 1957)

Elvis Preley, ex-motorista de caminhão etadunidense, revolucionou a mocidade norte-americana, com a “criação” de uma nova modalidade de dansa, denominada “Rock and Roll”.

O povo “yankee”, que tem uma índole diversa do brasileiro, encarou o novo “sucesso” com simpatia, sem ter percebido a verdadeira aberração que tal modalidade de diversão representa para o espírito sensual de um povo. Não será preciso citar-se aqui, a divergência de idéias e de espírito dos nacionais, em comparação aos norte-americanos. O “modus vivendi” dos americanos do norte e dos brasileiro tem a mesma diferença que a água e o azeite. O nosso patrício é mais impulsivo, mais brioso, mais ciumento, menos confiado. Em questões de liberdade, costuma exceder; não é como o americano, que vê a vida por um prisma diferente, em muitas ocasiões pouco ligando para questões que aqui entre nós causariam, inevitavelmente, morte e prisões.

Pode ser que isso seja democracia; para nós, no entanto, representa exatamente o contrário, êsse particular.

Agora, essa dansa louca, tipicamente pagã, sensual, imoral até certo ponto, foi trazida para o Brasil. Em São Paulo, principiou a tornar-se um verdadeiro “sarampo”, até que foi proibida para menores de 18 anos, na medida verdadeiramente salutar e indiscutivelmente moralizadora.

Tal proibição é uma consequência das medidas adotadas pelo sr. Aldo de Assis Dias, juiz de Direito da Vara Privativa de Menores, que irá solicitar do govêrno do Estado e às autoridades policiais, providências nesse sentido.

Pensam as autoridades do juizado de menores que o fato do Rock and Roll em questão ser dançado por adultos em lugares públicos e, portanto de acesso aos menores, atenta evidentemente contra a formação mental e moral da adolescência mormente em se levando na devida consideração os trejeitos e atitudes escandalosas dos que dançam o “Rock and Roll”. Outra proibição levada a efeito pelo juizado de menores, é o uso de fantasias que deixem à mostra partes íntimas do corpo pelos menores de dezoito anos. A parte dos maiores caberá a fiscalização às autoridades policiais.

Não resta dúvida, que se as autoridades responsáveis pela manutenção da boa ordem educativa de nosso povo se opõem à prática dessa “diversão”, é porque a coisa é ainda mais grave do que parece à primeira vista.

Fazem bem as autoridades que assim agem, tentando salvar nossa mocidade, nossas filhas e irmãs, de consequências funestas e lamentáveis, decorrentes dessa perigosa e louca dança “moderna”.

Extraído do Correio de Marília de 12 de fevereiro de 1957

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Se assim fosse... (9 de fevereiro de 1957)

O jornalista – do interior ou das capitais –, quer seja aquele que conduz, com orgulho, um pergaminho debaixo do braço, que seja o outro – o “tarimbeiro” –, não é bem aquilo que muitos pretendem que seja.

Escrever para o público é tão ou mais difícil do que representar num palco. É dificílimo agradar, ao mesmo tempo, à Pedro e a Paulo. Os gostos e às preferências diferem. Se elogiamos uma autoridade – merecidamente, bem entendido –, ganhamos a estima da mesma, bem como daquela parcela que é partidária desta; simultaneamente, caimos na antipatia dos adversários da pessôa referida.

Se afirmamos que a chuva destes dias veio em bôa hora, trazendo para nossa lavoura de arroz, benefícios inumeráveis, somos contraditos imediatamente por aquele que arrancou o amendoim, empilhou-o na lavoura e não teve tempo para transporta-lo à u’a máquina ou armazem.

Se dissermos que a chuva está sendo muita, por certo seremos bombardeados.

Dizem os grafólogos, que ao jornalista e o escritor, deixam de antever nas entrelinhas de seus escritos, a formação de um carater. Assim sendo, somos já demasiadamente conhecidos, por todos aqueles que nos acompanham através das colunas do “Correio”, ha tantos anos.

Como em todas as profissões, temos tambem os nossos “óssos do ofício”. Se não somos infalíveis, somos, graças a Deus, bem intencionados e francos. E como francos apreciamos a sinceridade de todos. Gostamos daqueles que abordam conosco os pontos de vista por nós externados, apoiando os nossos pensamentos ou contradizendo nossas idéias. Sentimo-nos satisfeitos quando isso acontece.

No entanto, embora sem dar muita importância ao fato, condenamos aqueles que se utilizam do covarde anonimato, para aprontar “gozações” baratas sobre os que trabalham com vontade de servir bem, fazendo, por outro lado, jús ao pagamento dos serviços prestados.

Nosso companheiro Anselmo, publicou ôntem um bilhete anônimo que lhe foi enviado por um cafajeste, acompanhado de um(a) cruz de madeira. Acontece que o rapaz já está “na pista” do atrevido, bem como do “autor intelectual” da brincadeira de mau gosto. E o pior, é que se forem confirmadas as suspeitas, estourará uma verdadeira “bomba”, envolvendo nomes de dois cafajestes tidos como “gente bem” entre nós!

É o tal negócio: Quem não tem “rabo de palha” não tem medo(.) E quem anda “bolindo” com o “Correio” ultimamente, pelo que apuramos, ostentam algum...

Mas a vida é assim mesmo e quem escreve para o público não póde realmente agradar a gregos e troianos... e muito menos a invejosos.

Se assim fôsse...

Extraído do Correio de Marília de 09 de fevereiro de 1957

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Um “slogan” para Marília (8 de fevereiro de 1957)

Após o encerramento do concurso que está sendo promovido pela Rádio Dirceu de Marília, para escolher-se o “Mariliense do Ano de 1956”, a aludida emissora, em colaboração com nosso jornal, iniciará um novo movimento de interesse geral, para determinar-se um “slogan” curto e bem sugestivo, que sirva de identidade a ser usada com o nome de Marília.

Sabem todos, que denominamos, com justo orgulho, aliás, nossa querida Marília de “Cidade Menina”, “Cidade Moça” e “Capital da Alta Paulista”. Pensando bem, Marília só poderá ser considerada “menina” ou “moça”, em relação às cidades centenárias. No entanto, existem inúmeras outras cidades, cuja denominação de “menina” calham melhor do que à Marília, por serem mais novas. Entendemos nós, que Marília é a “Capital da Alta Paulista”. Não sabemos se pensam da mesma forma os munícipes de outros centros adiantadas e progressista de nossa região.

Os “slogan” que atualmente usamos, são de todo honrosos. No entanto, a Rádio Dirceu e o “Correio”, vão lançar um concurso público, com o desejo de ouvir a opinião de todos os marilienses, a fim de escolher-se, por uma comissão a ser designada antecipadamente, dentre as sugestões que forem apresentadas, o “slogan” que melhor condizer e que mais propriamente expressar a beleza e a pujança da cidade.

Amparo, por exemplo, é a “Flôr da Montanha”; Lins, a “Princesa da Noroeste”; Araçatuba, a “Cidade do Asfalto” (deixou de ser a “cidade do adolescente”); Ribeirão Preto, a “Capital do Café”; Baurú, a “Cidade sem limites” (deixou de ser a “Capital da terra branca”); Campinas, a “Cidade das andorinhas”; e assim por diante.

Será, sem dúvida, mais uma interessante iniciativa da Dirceu, que contará com o apoio do CORREIO DE MARÍLIA.

Todos os marilienses ficarão com direito de opinar, enviando as sugestões acerca do novo “slogan” para Marília. O vencedor, será recompensado.

Assim, portanto, todos os marilienses deverão já ir estudando denominações que melhor entendam seja apropriadas para servir de “slogan” a cidade que surpreendeu, com seu progresso vertiginoso, seu próprio fundador.

Oportunamente, voltaremos a tecer considerações sobre o assunto e informaremos mais detalhadamente nossos amaveis leitores.

Extraído do Correio de Marília de 08 de fevereiro de 1957

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Aproxima-se o Carnaval (7 de fevereiro de 1957)

Avizinha-se o tríduo momesco. Os lares já se inundam com as músicas carnavalescas, difundidas em discos. Os rádios divulgam os sucessos musicais do carnaval. O povo principia a arregimentar-se, formando os “blocos”, “ranchos” e “cordões”. As orquestras preparam-se para a “largada” dos grandes bailes dêsses dias.

Carnaval é festa de rico e de póbre. Todo mundo se diverte. Uns tomam uísque, outros “enchem a cara” de cachaça. Outros distraem-se apenas vendo o movimento louco dos foliões.

Os folguedos são mesmo u’a necessidade do povo. Especialmente do sacrificado povo brasileiro de nossos dias, asfixiado ante tantas dificuldades. Não somos contra o carnaval, embora jamais tivessemos participado ativamente do mesmo. entendemos ser uma distração, um direito de todo o mundo. Somos contrários, isto sim, aos abusos que comumente se processam por ocasião do tríduo carnavalesco, sob desculpas de que “carnaval é assim mesmo”.

Conta-nos a experiência oriunda de nossos mistéres de imprensa, que muitos casos lamentáveis têm acontecido durante os folguedos carnavalescos, muitos excessos e muitos dissabores. E, como sempre, o arrependimento sempre vem tarde.

É porisso que abordamos hoje ésta questão. Como temos feito das vezes anteriores. Com o único objetivo de alertar inocentes ovelhas que poderão ser vítimas de lobos famintos.

Uma brincadeira sadia, bem intencionada, dentro dos princípios morais e de respeito é um coisa; excessos de liberdades, abusos contra a dignidade de menores e famílias, “são outros quinhentos”.

Comumente, após o carnaval, a crônica policial têm registrado fatos dolorosos. Acontecimentos até certo ponto compreensíveis, têm sido precipitados, colocando em vexames famílias brasileiras. Até crianças tem sido lançadas na rua da amargura, durante os folguedos momescos.

Não temos a pretensão de moralizadores e nem de conselheiros. Abordamos o fato do ponto de vista jornalístico. E, sob êsse aspecto, falamos com a experiência citada, aliada ao nosso dever de alertas os marilienses. Aqueles que veem no carnaval, motivos de expansão para procedimentos merecedores de censura, que atentem para as consequências que advirão de tais átos.

O que é certo, é que alguns momentos de livre alegria e atitudes desmedidas, poderão ser objeto de aborrecimentos e desgostos para o resto da vida!

Aqueles que pouco ou nada brincam o carnaval, por certo divertem-se em apreciar os demais participantes ativos da folia carnavalesca. Por isso, ficarão tranqüilos, vendo a festa tradicional decorrer num ambiente de alegria e sinceridade, de respeito, sobretudo.

O povo tem mesmo o direito de divertir-se, de pular o carnaval. Cada qual, de conformidade com suas pósses financeiras (eis que, na maioria das vezes, para divertir-se no carnaval é necessário dinheiro). Que se divirta, então. Que olvide por momentos, as responsabilidades da vida, o sacrifício de ganhar a própria subsistência. Que pule, cante, danse à vontade. Mas que tenha o cuidado de portar-se como gente civilizada.

Êsses são os votos que auguramos aos foliões marilienses, para o carnaval que se aproxima.

Extraído do Correio de Marília de 07 de fevereiro de 1957

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Legisladores... (6 de fevereiro de 1957)

Clama toda gente, com razão aliás, sobre a insustentável condição de vida que atualmente se nos depara. Efetivamente, a situação econômica da nação, do ponto de vista popular, é das piores que se conhece.

Dizem nossos avós, que nem a famosa crise de 1929 ofereceu ao povo brasileiro tantos motivos de dificuldades e apreensões como agora.

O fenômeno, já se vê, é de aspecto grave e aparentemente insolúvel. De quem (é) a culpa pela caótica situação? Certamente que do próprio Governo. Mas é bom que se distribua a responsabilidade do fato, também ao próprio povo, para má escolha de vários de seus representantes. Se exceções há, honrosas sobretudo, mistér se faz lembrar ao povo de que a maioria de nossos legisladores advogam em causa própria. O parlamentar que “defende” o café, pódem os leitores estar certos de que é um abastado cafeicultor; o que “defende” o gado, é, sem dúvida, o grande pecuarista; o que “defende” o açúcar, é, indiscutivelmente, o poderoso usineiro.

Isto está mais do que provado e não é segredo para ninguém.

Afóra isso, existem os conchavos políticos, os acertos doutrinários, a gana e a vaidade no aparecer como grandes legisladores.

Aqueles que acompanham as atividades parlamentares do país, sabem perfeitamente que um número bem pequeno correspondeu à confiança do eleitorado. Sabem igualmente, dos inúmeros escândalos aprontados por aqueles que gozam de imunidades parlamentares. Conhecem ainda, manobras sórdidas de um grande número, como o malfadado “projeto Santamaria”, o “projeto cadilaque”, etc., além de outras “cositas” que não chegam ao conhecimento do público.

De tudo isso, apenas um proveito póde ser tirado: consertar o erro nas próximas eleições, mandando às favas os políticos profissionais e caçadores de votos.

Nas eleições passadas, ao par de nossa luta por éssa autentica moralização política (se é que podemos usar tal têrmo), muito nos batemos pela eleição de um candidato mariliense.

Não conseguimos o intento, tamanha foi a dispersão de votos do município, milhares deles carreados para nomes estranhos aos interesses da cidade.

Já principiou Marília a receber visitas de políticos de fóra. Certamente, “reconhecendo o terreno”, para o golpe futuro.

Convém, pois, a gente ir pondo “a barba de molho”.

Extraído do Correio de Marília de 06 de fevereiro de 1957

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O “Mariliense do ano” (5 de fevereiro de 1957)

Positivamente, a idéia de escolher e apontar a “mariliense do ano”, preconizada pela Rádio Dirceu, com a colaboração dêste jornal, encontrou excelente guarida no seio da opinião pública da cidade. Isto prova, que os marilienses sentiram a oportunidade do movimento e do mesmo participaram desde o início, com desejos de ressaltar aquele que mais se ressaltar aquele que mais se tenha destacado entre nós, em realizações que de uma ou outra fórma representem progresso para Marília e bem estar para o povo da “cidade menina”.

Dos 26 cidadãos escolhidos para votar o “mariliense do ano”, representando, por isso mesmo o pensamento de todos nós, o sr. Hermógenes Santos foi o primeiro a fazer a entrega de seu voto, indicando para a honraria o cidadão Miguel Granito Neto.

Justificou perfeitamente bem seu pensamento e sua escolha o vereador H. Santos(.) Delineou com precisão os motivos da votação, citando as qualidades pessoais do sr. Granito Netto e pondo em destaque a sua inegavel contribuição dentro do progresso de Marília.

Foi, como dissemos, o primeiro dos 26 votos que serão recebidos pela Rádio Dirceu. Outros irão surgindo, até o dia 8 do corrente, de conformidade com o que estabelece o regulamento do certame. Não há dúvida de que a pessoa votada será um candidato dos mais fortes, ao título em referência. O Sr. Granito Netto tornou-se mesmo merecedor da estima e gratidão do povo mariliense, pelo muito que já realizou em nossa cidade. É verdade que existem outras pessoas tambem em evidência. Também é verdade que a própria comissão de votantes encontrará, nesse sentido, algumas dificuldades, para determinar aquele que tenha traduzido em ações, um trabalho despretensioso e um amor acendrado por Marília e seu povo.

Até agora, pelo que percebemos, dois nomes estão em evidência, para receber o título referido. Um, o sr. Granito Netto, já conta com um voto certo; o outro, o comendador Dr. Cristiano Altenfelder Silva, segundo pudemos sentir, tambem está centralizando justas manifestações de simpatia.

Por aí, perceberão os leitores, a comissão votante terá algumas dificuldades; isto sem contar-se outros nomes que possivelmente venham a surgir. Poderá dar-se o caso que mesmo um dos 26 nomes escolhidos para votar venha a ser o “cidadão mariliense de 1956”.

Referindo-nos ao voto do sr. Hermógenes Santos, consignado ao Sr. Miguel Granito Netto, cumpre salientar ter sido excelente e feliz a escolha. Todos conhecem, sobejamente, o que êsse cidadão já conseguiu realizar em Marília, construindo em nossa cidade o primeiro “arranhacéu” da Alta Paulista. O sr. Granito Netto póde-se apontar como um dos únicos, senão o único dos marilienses autênticos, que aquí fez fortuna e aquí empatou o que ganhou, sem ter ido aplicar seus lucros em terras no Paraná, por exemplo.

Por cento, aqueles que têm a incumbência de votar o “mariliense do ano”, estarão fazendo estudos meticulosos para opinar conscientemente. Por aí, avaliar-se-á, que éssas pessoas terão imensa responsabilidade. O que é certo, no entanto, é que saberão indicar um homem que de fato represente para nós, a pessoa que em 1956 mais fez por Marília e seu grande povo.

Extraído do Correio de Marília de 05 de fevereiro de 1957

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O “Mariliense do ano(”) (3 de fevereiro de 1957)

Marília, cidade moderna, dinâmica, progressista, acompanha “pari passu” todos os empreendimentos dos grandes centros, quando não tem suas iniciativas próprias. Uma bela coisa, não o imitar, porém prosseguir em iniciativas elogiáveis e modernas.

Têm repercutido, fóra de nossas fronteiras, os gestos dos marilienses, dando móstras constantes de suas preocupações em tudo e por tudo que venha traduzir-se em destaque ou relevo, merecendo a divulgação, sendo digno de menção pública.

Várias cidades interioranas, bem como a paulicéia, elegeram o cidadão que mais se destacou durante o ano pretérito. Um concurso público, bem organizado, bem orientado, visando determinar a pessoa que mais se tenha destacado na vida da cidade, em variados prismas.

Assim, Marília tambemm irá determinar a pessoa que tenha acumulado maior número de credenciais como cidadão operoso, dinâmico, afeito ao progresso da cidade e de seu povo, contribuindo, diretamente, em qualquer sentido, para o dinamismo da “cidade menina”. A Rádio Dirceu, em colaboração com o CORREIO DE MARÍLIA, irá promover, no próximo dia 11, às 21 horas, no palco-auditório daquela emissora, a escolha do “mariliense de 1956”, conforme tivemos o ensejo de divulgar em nossa edição de anteontem.

Não porque estejamos nós advogando a questão: a verdade, no entanto, é que o assunto é digno de merecer encômios e apoio público, uma vez que iremos apontar o cidadão mariliense que tenha, de modo objetivo, se destacado como um verdadeiro pioneiro do trabalho e do progresso de nossa cidade. O único objetivo da questão, é render uma homenagem à pessoa, que, de acordo com o parecer da comissão votante, será merecedora dêsse conceito.

Escolhemos, dentre os marilienses, 26 cidadãos diretamente ligados à vida da cidade, em variados setores, para que éstas pessoas determinem o “mariliense de 1956”.

Aquí está, leitores, a relação dos votantes escolhidos pela Rádio Dirceu e pelo “Correio”, para a dificil desincumbência dêsse mister:

Dr. Miguel Argollo Ferrão, Prefeito Municipal; Dr. Aniz Badra, Presidente da Câmara Municipal e da Associação Paulista de Municípios; Dr. José Guimarães Toni; Dr. Helio Negreiros Penteado, Delegado Regional de Polícia; Sr. Manoel Pereira, Vice-Cônsul de Portugal; Leonel Pinto Pereira, da Associação Rural de Marília; Dr. José Gonçalves Santana, MM. Juiz de Direito da Comarca; Dr. José Coriolano de Carvalho, vereador; Dr. Fernando Mauro, vereador; Prof. Glycério Povoas; Dr. Arquimedes De Grande; Raul Roque Araujo, jornalista e comerciante; Irigino Camargo, jornalista; Sebastião Mônaco, vereador; Rangel Pietraróia, industriário; Dr. Idreno Sylvio Cavallari, Presidente do Yara Clube; Miguel Granito Neto, comerciante; Lineu Teixeira, comerciante; Amadeu Conforti, inspetor dos “Diários Associados”; Venâncio de Souza, farmacêutico; Dra. Lucí de Carvalho, advogada; Hermógenes Santos, comerciante; José Cunha de Oliveira, funcionário municipal; Antonio Augusto Neto, comerciante; Dr. Adhemar de Toledo, médico; e Antonio Pereira da Silva, o popular “Amigo Silva”, comerciante.

Por aí, poderão nossos leitores, averiguar a personalidade e a integridade acima de qualquer suspeita, dos membros escolhidos para eleger o “mariliense de 1956”.

Extraído do Correio de Marília de 03 de fevereiro de 1957

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Carteiras de Identidade (1 de fevereiro de 1957)

Mesmo que não fosse consequência de um instrumento legal, por certo, ninguém duvidaria que é um dever social e de interêsse da própria pessoa, todo cidadão possuir, hoje em dia, a sua carteira de identidade.

Até há poucos anos, “tirar” uma carteira de identidade era um verdadeiro martírio, um inferno de demora e um rio de despesas. Agora, antes da nova lei, não. Pelo menos no interior, cujas delegacias regionais de polícia fornecem tais documentos, desde 1.951. Nessas repartições interioranas, o próprio interessado pode tratar do assunto diretamente, prescindindo de despachantes ou escritórios especializados.

No início, o serviço foi bastante moroso, por vezes deficiente. Agora processa de modo normal, especialmente para aquêles que além de apresentar todos os documentos em ordem, fornecem ainda outros elementos que auxiliam a própria polícia na elaboração das carteira(s), tais como o número de registro geral anterior, etc..

Há pouco, um tabelião paulistano, assoprou nos ouvidos do sr. Governador, que as carteiras (do tipo “carteira”) seriam passíveis de falsificação, enquanto que as outras (do tipo “cédula”) não.

O sr. Jânio Quadros, sempre preocupado com tudo o que é certo e que deve “andar nos eixos”, baixou imediatamente um decreto, instituindo a obrigatoriedade de substituição das carteiras de identidade antigas, pelas do tipo “cédulas”. Decorrido o prazo estabelecido pelo diploma legal referido, as carteiras aludidas perderão seu valor. Em consequência, a substituição dos mencionados documentos e os acréscimos de taxas das novas expedições dos mesmos, irão carrear para os cofres estaduais, apreciável renda extra-orçamentária.

Muita gente protestou quanto à obrigatoriedade da troca dos documentos referidos. Diversas ponderações foram externadas a respeito. Existe até ameaça de impetramento de mando de segurança contra o ato do sr. Governador, julgado inconstitucional por entendidos.

Não discutimos o assunto, porque somos leigos na matéria. No entanto, gostaríamos que o sr. Jânio Quadros, que tanto se preocupou com êsse particular, pensasse antes, que as atuais carteiras de motorista e motociclista representam alguma coisa de desleixo: um simples cartão com uma fotografia, que o motorista dobra como quer e põe no bolso. Êsse, sim, é um documento passível de falsificação, com maior facilidade do que as carteiras de identidade. Fragil. Exposto ao sol e chuva, nos bolsos dos motorista(s). De pouca durabilidade, um documento de tamanha importância e responsabilidade.

Antigamente, as cartas de motorista e motociclista eram em formato de carteiras. Tinham maiores possibilidades de resguardo contra chuva e suor, maior durabilidade e menores probabilidades de adulteração. Hoje, não; hoje tais documentos são representados por uma cartolina que não é de primeira categoria e que se dilacera à medida que é dobrada. Portanto, um documento precioso, imporante, representado por um retângulo de papel que rasga-se e suja-se facilmente.

O tabelião que assoprou o caso das carteiras de identidade ao sr. Jânio Quadros, deveria também lembrar a questão das carteiras de motorista, sugerindo ao Governador a troca das mesmas, sem no entanto, sacrificar os interessados. Isto, no entanto, talvez êle não faça!

Extraído do Correio de Marília de 01 de fevereiro de 1957