segunda-feira, 28 de junho de 2010

Assunto do momento (28 de junho de 1958)

É inegável que a opinião pública brasileira está voltada para o jogo de futebol que amanhã (29 de junho de 1958) se desenrolará em Estocolmo e que determinará o vencedor do certame da modalidade, apontando-o como Campeão Mundial de Futeból.

Mesmo os mais indiferentes ou céticos, não deixam de ter, interiormente, um motivo de curiosidade, de interesse. De qualquer maneira, embóra no terreno do esporte profissional, está em jogo o próprio nome do Brasil, dependendo do ponto de vista do analista do páreo.

Efetivamente, jamais o selecionado nacional (com exceção do fatídico 16 de julho de 1950), foi capaz de encontrar-se tão perto dêsse ambicionado cétro máximo da Taça “Jules Rimet”.

Ninguem esperava que a seleção nacional realizasse uma campanha tão bonita nos gramados suécos, fazendo jús ao conceito de ser a melhor equipe do presente campeonato mundial. Nós mesmos, daqui desta coluna, apreciamos o fato e chegamos a perguntar, se após um período de treinamentos como o desenvolvido pré-embarque, em Poços de Caldas, após as fabulosas despesas com o selecionado, o Brasil “fizesse feio”, quais as desculpas que poderiamos dar. Abordamos tambem o fato do interesse público demonstrado pelo prefeito de Araxa, tentando conduzir para aquela estância climatérica, sem quaisquer onus para a tesouraria da CBD, toda a delegação. E perguntamos, tendo em vista a monta das despesas referidas, se o prefeito estanciário aludido teria, para com outros problemas de assistência social, a mesma disposição de realizar semelhantes gastos por conta da comuna.

Nunca abordamos, em escrito ou através de microfones, a parte técnica da seleção (o que foi feito à larga, por antecipação, por diversos cronistas das Capitais), embóra tivessemos focalizado o sistema em vigência no Brasil, dos pagamentos de luvas, “bichos” e ordenados aos “craques”.

Porisso, podemos comentar o fato agora, sem a condição de outros comentaristas, que anteciparam os mais pessimistas prognósticos sôbre as pelejas do atual campeonato e agora se vem na contingência de desdizerem o anteriormente pronunciado, para reconhecer que a equipe auri-verde vem realizando uma campanha meritória.

Mas, como diziamos, o futeból é mesmo o assunto do momento. Pequena é a porcentagem dos
b(r)asileiros que não venha acompanhando com desusado interesse o desenrolar das porfias e que não esteja p(r)eocupada com o p(r)élio de amanhã. Até mulheres, mesmo as que nada “pescam” de futeból, não deixam de transparecer, um leve, pequenino que seja, sentimento de simpatia e de esperanças.

Os jornais de São Paulo e do Rio tem noticiado, abundantemente, inúmeras passagens tragi-cômicas e curiosas sôbre o comportamento da “torcida”, a feitura de “bolos esportivos”, as apostas, etc.. Adhemar, Juscelino, Jânio, Ministros de Estado, todos, desde as mais importantes personalidades brasileiras, até o mais humilde dos mendigos, pensam de maneira idêntica com respeito ao prélio de amanhã, entre Brasil e Suécia.

No Rio, terça feira última (24 de junho de 1958), após o gol de desempate de Didi, no embate contra a França, um cidadão ficou tão eufórico, que, em plena Praça Paris, não dispondo de foguetes para comemorar o feito, sacou de seu revolver e principiou a dar tiros. Atingiu mesmo a um funcionário público, que fazendo parte da “torcida”, precisou rumar para o Hospital.

Uma senhora, de pé, durante todo o jogo, defronte ao “Cineac”, com um têrço na mão, rezava pela vitória do Brasil. E confessou posteriormente, que havia até perdido a conta de quantas vezes desfilava o têrço.

Em São Paulo, em diversas partes da cidade, ao ser anunciado o término do encontro contra a França, com a estrondosa vitória dos brasileiros por 5 a 2, verificou-se um autêntico “carnaval” de alegria.

Amanhã (29 de junho de 1958), sem dúvida, todos estarão presos aos rádios, ouvindo as transmissões esportivas, vibrando ou “suando” durante o transcorrer da peleja. Inclusive nós, é claro.

Extraído do Correio de Marília de 28 de junho de 1958

domingo, 27 de junho de 2010

Hospital das Clínicas (27 de junho de 1958)

Por ocasião do comício político verificado em Marília na noite de domingo último(22 de junho de 1958), mais de um oradores se dirigiram ao povo da cidade e mais de um falaram sôbre a Faculdade de Filosofia e o Hospital Regional das Clínicas.

Não iríamos aqui acusar ninguém de realizar demagogia com êsses dois motivos, porque como bons marilienses, somos também daquêles que formam no exército local dos homens agradecidos pelas atenções que a respeito nos dispensou o sr. Jânio Quadros.

Entretanto, com é que se diga que a Faculdade de Filosofia, cujo prédio próprio está quase concluido em sua remodelação, é assunto praticamente consumado, não acontecendo o mesmo quando ao Hospital das Clínicas.

O terreno para a construção do referido nosocômio, cuja obra representará fatos de grande importância para o progresso e saúde pública não só de Marília como também da região, foi desapropriado pela Câmara em tempo relâmpago e sua escritura de doação ao Govêrno, para o fim específico, lavrada também em tempo hábil.

O Governador empenhou a promessa e ao isto proceder e receber o terreno respectivo e em referência, meteu-se, obrigatoriamente no compromisso de efetivar a medida. Nós não temos dúvida alguma de que o sr. Jânio Quadros não cumpra o prometido; pelo contrário, temos a mais plena e cabal confiança de que s. excia. realizará a efetivação do empenhado. Tanto assim que o Governador acaba de remeter à Assembléia, projeto dispondo sôbre a criação, como autárquica, do aludido hospital.

Agora é que nos assalta um certo receio sôbre a dificuldade e morosidade da concretização rápida dêsse ideal. Isto, porque, os senhores deputados ultimamente estão brilhando pela ausência às sessões legislativas do Palácio 9 de Julho. A maioria dêles está percorrendo o interior à cata de votos para a reeleição. A imprensa paulistana tem comentado o fato à larga, censurando os faltosos e dando a entender que os mesmo, com suas ausências, estão acarretando prejuizos à própria população, pelo fato da não apreciação e votação de centenas de projetos de lei que de perto e com urgência apresentam interêsse geral.

Óra, um dos projetos enquadrados nessas condições, é, sem nenhum negar, o da criação como entidade autárquica do Hospital das Clínicas de Marília. E, da maneira com que as coisas vem se conduzindo a êsse respeito, tememos (e com razão), que o projeto venha a “congelar-se” nas gavetas das Comissões Permanentes da Assembléia, deixando de ser vatado (a palavra correta, no caso, seria votado, mas no jornal saiu como está aqui: vatado) no ano em curso.

Por êste intermédio, fazemos um apêlo aos partidos políticos locais – e também à nossa edilidade – para que se dirijam aos líderes das bancadas no parlamento paulista e à própria Assembléia, fazendo ver aos deputados bandeirantes, da necessidade inadiável de apreciação e votação da proposição em referência.

O prefeito Argollo Ferrão, que acêrca do fato não tem descuidado um momento sequer, já remeteu à Câmara o competente relatório sôbre a projetação e construção do prédio destinado ao Hospital das Clínicas, com a remessa também de uma cópia ao próprio Governador.

Aqui finda a sugestão.

Extraído do Correio de Marília de 27 de junho de 1958

sábado, 26 de junho de 2010

Fogos juninos fazem vítimas (26 de junho de 1958)

Outro dia, ao escrevermos sôbre a inconveniência da soltura desenfreada de fogos juninos e suas poucas ou nenhuma providência de segurança geral, um cidadão nos abordou na rua, perguntando-nos “porque somos contra os comerciantes de fogos”. Absolutamente não somos contra ninguém e reconhecemos os direitos, conforme nos “lembrou” nosso amigo, daquêles que pagam seus impostos para comerciar e adquirem os produtos de firmas perfeitamente legalizadas.

Acontece que êsses pontos “são outros quinhentos cruzeiros” e nele jamais entramos. O que referimos em nosso artiguete, foi o fato da inconveniência, dos sustos e da azucrinação dos ouvidos de tôda a gente. Simplesmente isso.

Agora, entretanto, como se já não existissem os exemplos frisantes dos perigos dêsses engenhos (em Marília mesmo, temos gente que apresenta hoje dolorosos defeitos físicos por êsses mesmos motivos), estamos melhormente à cavaleiro para reforçar nosso ponto de vista anterior.

O Brasil ainda está sob o impacto do último infausto acontecimento ocorrido em Santo Amaro, na Bahia, quando uma centena de vítimas foram feitas e quando um grande número de lares baianos foi enlutado. Um acontecimento dantesco, inenarrável, que comoveu até os repórteres especializados e os policiais experimentados, mesmo os mais habituados a presenciar os quadros mais horríveis imagináveis de tragicidade e miséria humanas.

Como isso não bastasse, a crônica policial paulistana registra agora mais uma página negra, com referência ao mesmo assunto. Seis vítimas foram feitas na oportunidade e transportadas para o Hospital das Clínicas. A imprensa noticiou com pormenores o fato e todos estão perfeitamente inteirados dos mesmos.

Pensando nisso, é que continuamos a repetir que os fogos juninos utilizados por pessoas pouco cuidadosas e especialmente crianças. Os fogos de potência maior, e, consequentemente de perigo maior, deveriam ser vendidos e espoucados exclusivamente por adultos cautelosos e em lugar próprios.

A lei proibe a venda de determinados tipos de fogos. Entretanto, a mesma lei não proibe a sua fabricação e não proibindo a manufatura dos mesmos, não impede, “ipso facto”, a venda dos produtos a comerciantes estabelecidos, com impostos pagos e perfeitamente legalizados. Isto é, uma verdadeira incoerência.

De qualquer maneira, os exemplos já referidos e ultimamente ocorridos em Santo Amaro e em São Paulo, devem servir de motivos de alerta e cuidados para as demais gentes.

Extraído do Correio de Marília de 26 de junho de 1958

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Volta à Normalidade (25 de junho de 1958)

Depois das atribulações da reportagem, com vistas ao acompanhamento das providências preliminares e da recepção propriamente dita aos príncipes Mikasa, esta secção volta a sua normalidade.

Para variar, encheremos o espaço (com licença do João Jorge), com alguns pequenos “flashes” do momento:

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Adalgisa Colombo, “miss” Distrito Federal (altura, 1,70; peso, 55; cintura, 60; busto, 90; quadris, 90; coxa, 57; tornozelo, 21; cabelos e olhos castanhos), acaba de ser eleita “miss” Brasil de 1958.

Chorou duas vezes de emoção – afirmaram alguns sofisticados cronistas do “café society”.

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Os anti-comunistas de diversos partes do mundo, continuam a realizar manifestações contra a execução de Imre Naggy. Recentemente, 350 anti-“vermelhos”, em carater de amotinação, realizaram manifestações contra o “Kremlin” e depredaram o escritório da delegação russa junto às Nações Unidas.

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Em São Paulo verifica-se presentemente a maior onda de assaltos e roubos dos ultimos tempos. U’a média de 200 por semana.

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No Rio, Silvia Lourenço Fernandes, de 19 anos, casada, matou a tiros seus dois filhinhos (Antonio Carlos, de 2 anos e Celeste, de 3), disparando depois contra a própria cabeça. Ninguem sabe os motivos do gesto tresloucado. O pai e o marido da jovem alegam que não existem razões para isso e que Silvia éra completamente feliz.

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Grita a imprensa paulistana, contra os Postos Meteorológicos, que se encontram inativos, enquanto as geadas ameaçam as lavouras cafeeiras do sul do país.

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No Líbano, continuam as lutas entre as forças oficiais e os rebeldes. Milhares de libanezes já perderam as vidas nessa rebelião.

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Na Argentina, um avião “Gloster Meteor”, da Aeronautica portenha, incendiou-se, quando tentava aterrisar na base militar de Morón, a 35 quilometros de Buenos Aires. O piloto ficou ferido e o aparelho foi completamente destruido pelas chamas.

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Em São Paulo, u’a mendiga de nome, idade e residência desconhecidos, apelidada de “Marta Rocha”, foi assassinada a golpes de muletas. O criminoso é um colega da mesma “profissão”.

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Os “play boys” continuam fazendo das suas em São Paulo. Não seria o caso de modificar-se a legislação a respeito e permitir à polícia o uso da “borracha” para “endireitar” êsses cafajestes?

Extraído do Correio de Marília de 25 de junho de 1958

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Uma recepção condigna (24 de junho de 1958)

Ao ensejo da visita oficial e honrosa dos príncipes Mikasa à Marília, justo é que se diga que os representantes do Imperador do Japão tiveram em nossa cidade uma recepção das mais condignas imagináveis.

A colônia nipônica, por intermédio dos responsáveis pela Comissão Regional de Marília dos Festejos do Cinquentenário da Imigração Japonesa esteve incansável e elab(o)rou um programa digno de elogios, pela maneira com que o mesmo foi conduzido. Tudo foi previamente preparado, estudado, calculado e podemos dizer que tudo transcorreu como se esperava, à exceção apenas do horário de chegada do avião especial que aportou à Marília conduzindo Ss. Aa. Imperiais. Mesmo assim, o horário do regresso dos príncipes, rumando para a cidade de Lins, foi religiosamente respeitado.

Ressalte-se tambem que ao brilho do acontecimento, preciosa colaboração foi prestada pelas autoridades do município, cujo prestígio esteve patente em todos os sentidos e em todos os momentos. O príncipe e a princesa Mikasa foram recebidos em nossa cidade, com as devidas honras de Chefes de Estado.

Não tivemos o ensejo de palestrar com o príncipe, em função profissional, porque a barreira protocolar assim não permitiu. Tivemos esse desejo, porque gostariamos de ouvir, da viva voz do ilustre visitante, as suas impressões sôbre o Brasil, as recepções que lhe têm sido tributadas e algo acêrca do carinho com que a colônia japonesa e o povo brasileiro o tem recebido em todos os locais por onde andou.

Mesmo assim, temos a impressão de que os representantes do Império Japonês deverão sentir-se satisfeitos por tudo o quanto lhes tem sido dispensado néssas visitas aos diversos centros do território brasileiro.

Em Marília, ao que nos consta, nunca tanto público prestigiou para dar as boas vindas a um visitante. O regresso dos revolucionários em 1932, a chegada dos “pracinhas” em 1945 e o retorno do campeoníssimo Tetsuo Okamoto, quer nos parecer, perderam terreno para esse movimento de simpatias públicas e presença em toda a cidade, desde o aeroporto até a Praça Saturnino de Brito.

Policiamento eficiente, trânsito bem dirigido, muita ordem e di(s)ciplina (coisas difíceis de serem conseguidas entre grandes aglomerações), merecem destaque especial. Por outro lado, deve ser tambem mencionado o espírito de organização perfeita que norteou as providências da Comissão dos Festejos e Recepção aos príncipes, que nada deixou a desejar.

Enquanto isso, nós que sempre estamos acompanhando todos os acontecimentos da cidade, por dever profissional, ficamos certos de que a organização dos festejos referidos serviu bem de um exemplo para inúmeras festas que habitualmente se realizam entre nós.

Extraído do Correio de Marília de 24 de junho de 1958

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A festa dos bancários (21 de junho de 1958)

Movimenta-se o Clube dos Bancários de Marília, no sentido de realizar em Marília uma das mais completas festas juninas da região. O acontecimento terá lugar nos dias 28 e 29 (de junho de 1958) próximos, vésperas e dia de São Pedro.

Uma série de atrativos próprios da ocasião serão levados a efeito na aprazivel Séde Campestre da referida entidade de classe, onde um programa excepcional será levado a efeito.

Uma coleção completa de fógos de artifícios previamente preparada, será espoucada na oportunidade, cujo custo montou à casa de mais de 100 mil cruzeiros. Por aí, poderão os leitores aquilatarem a grandeza do acontecimento, que, certamente, marcará época em Marília.

Ambiente agradável, acomodações para tudo e para todos, diversões da mais próprias e variadas, quentão, quadrilhas, pipóca, amendoim torrado, churrasco, conversas ao pé do fogo, pau de sêbo, etc., etc., serão os pontos altos da aludida festividade.

Todos os marilienses conhecem, de sobejo, a Séde Campestre do Clube dos Bancários. Seu salão de festas, embora não totalmente terminado, no que diz respeito ao acabamento, está já em condições de abrigar centenas de famílias que para alí convergirão, à exemplo dos anos anteriores.

Ar puro e arejado, dêsse que faz bem a gente, principalmente aos que passam as semanas inteiras presos sob o ar viciado, na cidade enfim. Ambiente sadio, agradável, familiar. Tudo isso e mais o conforte e a garantia da passagem de horas agradáveis, terão os que rumarem para o Clube dos Bancários no Dia de São Pedro.

A diretoria da entidade está envidando os esforços máximos, para que as aludidas festividades encontrem os mesmos sucessos anteriores.

É de esperar-se a repetição dos mesmos êxitos passados, pois já é conhecida a tradição déssas festividades, a cortezia e a hospitalidade do ambiente e a perfeição com que são concatenados todos os acontecimentos dêsse desenrolar.

Espetáculo de beleza, sem dúvida alguma.

Ambiente dos mais agradáveis, onde grandes e pequenos participarão, com segurança absoluta de uma festividade alegre, bem organizada, completa, total.

Estivemos um dias destes na Séde Campestre do Clube dos Bancários e pudemos perceber a azáfama dos preparativos referidos. Tudo foi estudado convenientemente e tudo está sendo preparado de módo a não transparecer nenhuma falta de organização. São constantes as atividades da comissão incumbida de tratar desses pormenores todos. Porisso, repetimos, é de esperar-se um sucesso dos mais completos no ano em curso, o que, em primeira análise, significará a continuidade dos êxitos já conhecidos dos anos anteriores.

A gente precisa mesmo espairecer o espírito das lutas cotidianas e nem sempre e nem em todos os lugares, é possível encontrar-se um ambiente agradável e sadio como os bancários proporcionam aos frequentadores de sua séde campestre, néssas bem organizadas festas que realizam.

Extraído do Correio de Marília de 21 de junho de 1958

domingo, 20 de junho de 2010

Traques & Bombinhas (20 de junho de 1958)

Verdade é que nós também fomos crianças e como tais tivemos igualmente as nossas predições próprias da época.

Tambem gostamos de bombinhas, busca-pés, traques e tudo o mais que se chama “fógos juninos”. Acontece que a idade vai se avançando (e) a gente vive com a cabeça cheia de atribulações próprias dos dias atuais, decorrentes da labuta para ganhar o “pão nosso de cada dia” e chega a tornar-se ranzinza, impertinente, intolerante quando ao espoucar de bombinhas que a garotada queima desenfreadamente pela cidade.

São coisas da vida, bem o sabemos; mas que chateiam um bocado, que bolem com os nervos de qualquer ser humano, isso não se discute.

A polícia proibe a soltura de determinados tipos de fogos e em determinados locais, objetivando maior tranquilidade pública. Acontece que não faltam crianças ignorantes dêsses dispositivos e tambem “marmanjões” desabusados, que fazem exatamente o contrário às determinações emanadas da autoridade policial.

Enquanto isso a gente vai levando cada susto dos diabos com as tais bombinhas que explodem sempre perto de onde a gente se encontra e sempre em condições de surpresa.

Sabem lá o que é um cidadão andar por aí, preocupado com determinado negócio ou cérta obrigação, não perceber que o engenho foi riscado e atirado por onde ele vai passar e só ouvir o estouro? A gente sente um baque assim como um bagre fisgado de repente, em que as vísceras sobem à garganta. Apesar da educação, mesmo contra a vontade, a gente não consegue reprimir o pensamento de “vomitar” alguns xingos, muito embora nem sempre e nem todos o façam.

Até nas proximidades de um hospital, vimos um dia destes o referido expediente; igualmente, nas imediações do Colégio Estadual. E não venham dizer-nos neste particular, que aquilo foram “coisas de crianças”. Foram “barbados” mesmo!

Não ha muito, êsse apreciado jornalista-escritor que é Menotti Del Picchia, abordava assunto correlato. E dizia, com aquela maneira peculiar de escrever gostoso, que os “fógos juninos” deveriam ser espocados unicamente em propriedades rurais, onde não existem hospitais, escolas, escritórios, cartórios ou redações de jornais. Seria até bom para quebrar um pouco a monotonia das regiões agrícolas.

Estamos com ele, pois temos levado cada susto ultimamente, que nem é bom contar!

Outro dia, até num cinema da cidade fizeram espoucar bombinhas. Bombinhas, pensamos: entretanto, em virtude do recinto fechado, da altura do této da casa e da natural acústica, o éco foi tão grande que mais pareceram morteiros!

Só que a polícia conseguisse apanhar pelo gasganete os “engraçadinhos” que tal fizeram, eles iriam passar uma noite das mais desagradáveis sôbre o cimento “siberiano” do xadrez!

As bombinhas estão aborrecendo um pouco. Felizmente faltam poucos dias para o fim do mês e depois, salvo as manifestações políticas ou a viabilidade de alguma “sorte grande” ou inauguração de algum outro “banco corinthiano”, passaremos mais 365 dias sossegados...

Extraído do Correio de Marília de 20 de junho de 1958

sábado, 19 de junho de 2010

A Imigração Japonêsa (19 de junho de 1958)

Transcorreu ontem (18 de junho de 1958) a passagem do primeiro meio século de convivência nipo-brasileira. A 18 de junho de 1908, aportava à Santos o navio “Kasato Maru”, trazendo 51 famílias japonesas, num total de 781 pessoas.

Foram os primeiros imigrantes nipônicos a tomar contacto com os brasileiros, com a terra do Brasil e com os nacionais. Habituados num clima diverso, de costumes diferentes e hábitos equidistanciados dos nossos, tentaram amoldar-se ao nosso “modus vivendu” e em parte conseguiram-no rapidamente.

Hoje estão integrados em definitivo na coletividade brasileira. A segunda e terceira gerações desses imigrantes, usufruindo direitos e deveres idênticos aos demais brasileiros, na fórma constitucional e de acôrdo com nosso próprio regime de liberdade e democracia, em quasi nada diferem do brasileiro indígena, originário de muitas gerações perfeitamente genuínas.

Trabalham, cooperam para o engrandecimento da Pátria. Às vezes, são incompreendidos no que tange à tradicionalidade de seus costumes. Não podem ser censurados por isso, da mesma maneira que seria injusto criticar-se um brasileiro que vivesse sob outro této e alentasse ou praticasse os costumes de sua pátria original.

Acatadores das ordens emanadas do Governo brasileiro, são e sempre foram respeitadores intransigentes da legislação nacional. O “nissei” de hoje é um brasileiro nato, tanto que a maioria deles, embora bem compreenda a lingua dos pais, poucos a dominam com facilidade e poucos são os que podem ser considerados cem por cento alfabetizados no idioma oriental.

Possuimos hoje médicos, advogados, professores, contadores e uma série de outra de profissionais liberais e técnicos; agricultores eméritos, os japoneses pode-se dizer, revolucionaram o problema agrícola do Brasil nestes últimos vinte anos. Maneirosos, habituados a viver num país onde a terra é cançada e o espaço vital pequeno, exigindo uma série de recursos corretivos e reparadores do próprio sólo, souberam tirar vantagem da imensidão terrestre do Brasil.

Nas zonas de maior densidade demográfica japonesa, como é a nossa e outras várias do país, os nipônicos são praticamente os únicos responsáveis pela produção de legumes e verduras. No campo da sericicultura e outros, os japoneses ocupam papél preponderante, igualmente.

Marília muito deve à colônia japonesa. Em sua história de 30 anos de existência, inumeráveis são os feitos de progresso dispensados à cidade e incontáveis são as folhas de serviços prestados ao dinamismo désta terra.

Nós, que contamos dentre nossos assinantes e anunciantes com uma plêiade admirável de japoneses e “nisseis”, gente que sempre soube prestigiar nossas ações e sempre esteve ao nosso lado, não podemos deixar de registrar, nesta oportunidade, êsse grato acontecimento.

No ensejo, nos congratulamos com os japoneses e “nisseis” de Marília e de toda a região da Alta Paulista.

Extraído do Correio de Marília de 19 de junho de 1958

sexta-feira, 18 de junho de 2010

10 milhões que não eram 10 milhões (18 de junho de 1958)

Aconteceu há pouco em São Paulo. Assim noticiaram diversos vespertinos.

Um cidadão esqueceu, no aeroporto de Congonhas, determinado pacote, que foi recolhido à secção de bagagem. Pouco depois apareceu o cidadão referido, esbaforido, procurando o objeto olvidado. E ante a incredulidade dos funcionários do aeroporto, o mesmo teria declarado que naquêle embrulho estavam empacotados 10 milhões de cruzeiros. E que a aludida importância destinava-se a custear despesas políticas da campanha eleitoral do sr. Carvalho Pinto.

A notícia, como seria de esperar, teve uma repercussão verdadeiramente fantástica. Foi difundida à larga, com algumas piadinhas de ironia, “verve” e satirismo. Glosaram o esquecido e abordaram a questão sob ângulos disversos.

Estava nesse pé a situação, quando o proprietário do fabuloso pacote compareceu à redação do “Diário da Noite”, em São Paulo, para esclarecer a verdade. Eis as declarações do mesmo:

- “Com referência à notícia publicada por alguns órgãos de imprensa, a bem da verdade tenho a esclarecer que o pacote encontrado no aeroporto de Congonhas era de minha propriedade, mas, em absoluto, não continha dinheiro nem declarei qual o seu conteúdo. O reporter que espalhou a notícia foi insensato quando asseverou o contrário. Agricultor e comerciante, não iria transportar em espécie tão avultada importancia, quando existe meio seguro de fazê-lo”.

Prosseguindo, declarou o sr. Luís Fausto Junqueira:

- Ao investigador de polícia que efetuou a entrega, afirmei que o volume realmente continha brindes de grande valor, remetidos por um riberopretano, residente na Capital Federal, para serem oferecidos aos vencedores dos primeiros jogos abertos da Alta Mogiana, a serem realizados, em Ribeirão Preto, na primeira quinzena de julho próximo”.

“Procuraram fazer exploração política e deram uma outra interpretação ao telefonema para o Palácio dos Campos Elísios, que tinha como finalidade justificar o atraso de minha esposa a uma entrevista com a esposa do governador do Estado, para tratar de assunto de carater filantropico da cidade de Ribeirão Preto. Tudo mais constitui pura fantasia do reporter aludido. O investigador Luís Evangelista Silva agiu com correção e merece, portanto, um elogio” – encerrou, assim, as suas declarações o dono do “pacote com dez milhões”, que não passou de pura “barriga”.

De tudo isso, concluímos que de fato existiram intenções de exploração política em torno do assunto, a menos que o reporter incumbido de espalhar a “novidade” seja muito ingênuo. Em todo o caso, deve prevalecer a primeira hipótese, como mais adaptável aos tempos atuais e ao momento presente.

Isso vem provar aquilo que temos dito repetidas vezes nesta coluna: O brasileiro é obrigado a desconfiar das incontáveis modalidades da divulgação política atual. Vale tudo agora!

Extraído do Correio de Marília de 18 de junho de 1958

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Os semáforos (17 de junho de 1958)

De há muito, Câmara e Prefeitura se empenham na obtenção de mais semáforos para o trânsito motorizado local, instrumentos auxiliares de fiscalização e ordenação do trânsito em geral.

Nós próprios, tivemos o ensejo de ocupar-nos reiteradas vezes do assunto, chamando as atenções dos poderes competentes para o fato. Efetivamente, Marília, cidade moderna, grande, dinâmica, progressista, exige há tempo êsse melhoramento, do qual não pode, sob nenhum pretexto, prescindir.

Realmente, nossa cidade, possuindo um único aparelho dessa modalidade, todavia, do tipo obsoleto, manual, encontra-se desfalcada no sentido. Cidades de menor expressão demográfica e com um trânsito inquestionavelmente menor do que o nosso, especialmente o central, são dotadas dêsses utensílios preciosos ao trânsito.

Pensando nisso, o vereador Guimarães Toni, sábado último, por ocasião da visita do Diretor do Serviço do Trânsito do Estado à nossa cidade, fez chegar ao conhecimento daquela autoridade, a necessidade do atendimento dessa urgência. Tão justo foi o apêlo, que o sr. Nicolau Tuma prometeu, na oportunidade, enviar para Marília, mais três “luminosos” do tipo automático, que serão colocados nos pontos principais e de maior trânsito da “urbe”.

Se pensarmos bem, o número de três não é ainda de todo suficiente, embora proporcione já um desafogamento no que diz respeito a essa lacuna. O importante é que recebendo a cidade os primeiros três, que juntados ao já existente formarão o número de quatro, as principais junções das vias públicas centrais pa(s)sarão a contar com êsse elemento auxiliar tão indispensável. Oportunamente, providências serão tomadas, por certo, objetivando completar as faltas apresentadas.

Na oportunidade, nós que sempre gostamos de destacar neste cantinho, todos os assuntos que digam respeito à melhoria de Marília, desejamos congratularmos-nos com o dr. Toni pelo pedido verbalmente formulado ao dr. Tuma, pela atenção demonstrada na ocasião. Ao mesmo tempo, fazemos votos e simultaneamente um apêlo, para que a promessa empenhada seja cumprida com a maior brevidade possível.

A colocação dos “luminosos” referidos, conforme ficou estabelecido e de acordo com o que já dissemos acima, dar-se-á nos pontos principais da cidade. O atual sinaleiro, existente na confluência da Rua 9 de Julho com a Av. Sampaio Vidal, será certamente mudado para um ponto de menor movimento, o que já será uma grande coisa.

Marília estava mesmo reclamando tal melhoria e não foram em vão os apêlos formulados e nem as “gritas” da edilidade e as “broncas” desta secção. Muito bem!

Extraído do Correio de Marília de 17 de junho de 1958

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Tempinho Chato! (14 de junho de 1958)

Efetivamente, a gente em Marília tem que possuir uma saúde de ferro e tratá-la bem. Parece aberração o afirmar-se que precisa-se tratar bem da saúde, mas não é.

Se não fizer isso, a “dita cuja” acaba “enferrujando” em pouco tempo. E por falar em tempo, cremos que é mesmo o tempo, o motivo dêsse acontecimento. Venta, chove, faz frio, calor, garoa, etc., em lapsos intermitentes.

A gente sai à rua de roupa leve, com um sól bonito, temperatura amena, agradável. Num abrir e fechar de olhos a temperatura cambia-se rumo ao princípio do barômetro. Outra vez a gente sai com capa, guarda-chuva, galocha, chapeu e cachecól, sob um friozinho impertinente e um ventozinho mais impertinente ainda. Em pouco tempo, o tempo muda (nem que seja por pouco tempo), e a gente fica andando por aí, com “cara de tacho”, feito banana abafada, de capa, chapeu, galocha, cachecól e guarda-chuva na mão, debaixo de um sól de estalar mamona.

Marília, que naturalmente (às vezes, artificialmente também), gosta de imitar os exemplos da paulicéia, até nisso é um “papel carbono” de São Paulo. Em consequência, a gente anda de olhos lacrimejantes, temperatura elevada (às vezes nariz escorrendo) e espirrando por aí, mais do que bode selvagem em meio de urtigal.

Não é a-tôa que é comum um protesto natural dos amigos que se encontram: “Cuidado, “velho”; não bata aí, que tomei injeção”.

Também não é a-tôa que os bares aumentaram o movimento de “caipirinhas” – “remédio” que “cura” (?) mais resfriados do que ácido ascórbico!

Com o tempo assim, não há saúde que aguente. E nem bolso, pois os médicos e as farmácias só dão as receitas e os remédios em troca da “gaita”.

Gripe, resfriado, “asiática”, “japonesa”, “argentina”, e outros nomes, que resultam no mesmo: “desmontam” a saúde da gente. Fala-se agora que vem por aí uma onda de gripe do Paquistão (sai, azar!)! Será que não haverá coisas mais importantes para “virem” assim, “na faixa”?

O tempo atual é o responsável por tudo isso. O mais interessante é que o tempo “dribla” mais do que o Cláudio do Corinthians. “Dribla” até o Serviço Meteorológico, que não “acerta” uma...

De tudo isso, uma coisa é “batata”: A gente pode sair à rua, de roupa leve ou pesada, com capa ou sem ela, com galocha ou idem. Volta sempre gripado.

Extraído do Correio de Marília de 14 de junho de 1958

domingo, 13 de junho de 2010

Um projeto de lei moroso (13 de junho de 1958)

Em 1957, o Governador Jânio Quadros instituiu a Resolução nº 796, de 28 de junho, criando uma comissão especial, incumbida de elaborar um projeto de lei de grande importância para uma classe e para milhares de famílias paulistas.

A Comissão desimcumbiu-se (nota dos editores do blogue: o correto, segundo as regras da Língua Portuguesa, é escrever desincumbiu-se, com n antes do c, mas foi assim, como está, que saiu no Correio de Marília), bem do mister atribuído e apresentou ao Chefe do Executivo, dentro de hábil tempo, o fruto de estudos a respeito.

Trata-se da substituição do sistema de pagamento do pecúlio obrigatório, do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, por um processo que melhor se adapta ao interesse geral e que diz respeito à instituição do pagamento de pensão vitalícia às famílias dos funcionários falecidos.

Coisa justa, maximé tendo-se em vista que o I. P., com as contribuições referidas, nenhuma outra vantagem oferece aos seus contribuintes, a não ser o pagamento do prêmio à família, no caso do falecimento do servidor.

O projeto referido, entretanto, anda “dormindo” pelas gavetas de alguma Comissão do Palácio 9 de Julho, pelo que se percebe. Não se ouve falar nele.

Além de ser de interesse público, a promulgação da lei respectiva em nada onerará os cofres estaduais. Justa a medida e estranhável a morosidade no andamento do mesmo, como estranhável é o desinteresse dos deputados na discussão e aprovação da aludida proposição.

Congitou-se tambem em elevar-se o “quantum” do pecúlio em referência, tendo-se sabiamente concluido que tal medida não solucionaria o problema, uma vez que é humanamente impossível determinar-se ou mesmo prever-se até onde e quando estacionará expiral inflacionária, já “tradicional” entre nós.

Ontem, na Câmara, o reverendo Alvaro Simões requereu que se oficiasse aos srs. Presidente da Assembléia Legislativa e Governador do Estado, solicitando apressamento da aprovação do aludido projeto de lei. E teve ainda o ilustre edil, a lembrança em sugerir estudos, no sentido de que seja apreciada uma fórmula a ser intercalada na proposição em apreço, no sentido de estudar-se a viabilidade de transformação ainda, em casos específicos, em prêmio dotal”, isto é, ser pago o seguro, ainda em vida, ao contribuinte do Instituto.

Excelente sugestão, que deverá merecer atenções carinhosas por parte dos deputados incumbidos do manuseio desse projeto. Pensando bem, nêsse particular, o Instituto de Previdência é o organismo que a respeito apresenta uma certa equidistância ente os demais congêneres, com respeito ao número de vantagens dos seus segurados.

A conversão do prêmio do seguro, cujo limite é Cr$ 100.000,00 em pensão vitalícia, na base de pagamentos mensais de 2/3 dos vencimentos do servidor falecido, interessam melhor à classe. Exemplo: Percebe um funcionário antigo, classe média, por hipótese, 15.000 cruzeiros. Dois terços dessa importância serão 10 mil cruzeiros. Não ha negar, que para a esposa de um funcionário, na perda (d)o marido, seja mais conviniente receber, enquanto viver, 10 mil cruzeiros mensais, ao envés de 100 mil cruzeiros u’a única vez.

Esperam os funcionários públicos locais, após os ofícios que partirão da Câmara, que alguem consiga “despertar” o citado e justo projeto de lei.

Extraído do Correio de Marília de 13 de junho de 1958

sábado, 12 de junho de 2010

Nossa Edição Especial (12 de junho de 1958)

Dentro de poucos dias, estará circulando nossa prometida Edição Especial, em formato de revista.

Anualmente brindamos o público com edição semelhante. Tal habitualmente tem ocorrido por ocasião de fins de ano. No exercício presente, adiamos a aludida apresentação para abril, quando completando nosso município 29 anos e nosso jornal 30, logo em seguida, pretendemos oferecer aos nossos leitores um trabalho diferente, mais completo no sentido da apresentação do serviço de clicherie, dados estatísticos, setor informativo, etc...

Assim, podemos hoje informar que tal trabalho está em fase final de confecção e dentro de mais alguns dias principiará a circular. Será uma revista digna de figurar na bibliotéca particular de todo mariliense, pela abundancia de matéria referente aos trinta anos de Marília que encerra, com pormenores informativos.

Além do serviço de clicherie, onde serão rememorados fatos do passado, acontecimentos de antanho, a cidade em seu despertar, teremos na revista aludida uma outra parte de ilustração, que diz respeito a Marília atual, seu dinamismo, seu progresso febril.

Um retrospecto da vida mariliense foi colidido através de uma pesquisa paciente nas coleções do “Correio de Marília”, onde os leitores encontrarão fatos que despertarão curiosidades, saudades e ineditismos.

Dentro das possibilidades que se oferecem a um jornal do interior, podemos afirmar sem receio de erro, que o trabalho em apreço corresponderá as expectativas e que sua apresentação, guardadas as devidas proporções e analisado o cunho de sua originalidade, equiparar-se-á aos melhores trabalhos no gênero. Porisso, estamos satisfeitos em anunciar para poucos dias a circulação dessa Edição Especial do Correio de Marília, com a certeza prévia de que alcançaremos os objetivos que nos levaram a editar tal trabalho. Dedicamos grandes esforços na confecção referida e não poupamos meios – materiais ou humanos – para que isso fosse possível. Se não conseguirmos agradar a todos, o que não esperamos, temos em nós a confiança de que agradaremos a maioria, especialmente aquela que sempre pulsou por Marília e suas causas, que acompanhou as lutas de nosso jornal desde o seu nascedouro e que sempre esteve pronta a prestigiar-nos.

Dentro de poucos dias, portanto, estará circulando nossa Edição Especial, já conhecida como a “Revista do Correio de Marília”. Aguardem.

Extraído do Correio de Marília de 12 de junho de 1958

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Medida Providencial (7 de junho de 1958)

Acaba o sr. Homero Honório Ferreira, delegado regional de polícia de Baurú, de tomar u’a medida verdadeiramente providencial. Diz respeito a providências que serão utilizadas pelos proprietários de oficinas mecânicas de automoveis e que auxiliarão a própria polícia no serviço de identificação de veículos roubados, facilitando, por outro lado, a descoberta de quaisquer meios de falsificação de documentos relacionados com certificados de propriedade ou transferências de carros.

Para tal, a referida autoridade policial expediu aviso e instruções, endereçadas a todos os proprietários de oficinas mecânicas subordinadas à sua jurísdição policial. De tal determinação, resulta a obrigatoriedade de um registro por parte dos proprietários de oficinas, onde ficam constatados os números da licença e do motor, alem de outras características de identificação dos veículos entrados para consertos. Em tempo determinado, os livros em apreço são apresentados à competente Secção de Trânsito, para o necessário “visto” e possíveis confrontos com o arquivo policial, no que tange a veículos procurados pela polícia, por motivos especiais.

Com essas medidas, conforme esclareceu o próprio delegado Homero Honório Ferreira, objetiva a polícia, a um mesmo tempo, possuir o controle completo dos números dos motores de viaturas reparadas, e, tambem, das respectivas licenças. Em caso de roubos de veículos, de carros anotados por infrações de trânsito, abalroamentos ou atropelamentos, etc., disporá a polícia, com essas providencias, de maiores facilidades para sua localização. Todavia, de acôrdo com as instruções, todos os casos suspeitos deverão ser recusados pelas oficinas mecânicas, ficando os proprietários destas no dever de comunica-los imediatamente à autoridade.

Medida providencial, sem dúvida. E oportuníssima tambem, ressalve-se.

Terão os proprietários de oficinas mecânicas, nesse desempenho, mais um pequeno trabalho, pelas providências do registro em referência. Em consequência, maiores garantias na execução dos serviços, que apresentarão, indiretamente, um cunho de “oficial”. Alem disso, prestarão uma colaboração bastante expressiva à polícia, o que, em última análise, significa servir o próprio povo, de modo geral e diréto, por intermédio do organismo policial de trânsito.

Temos a impressão de que, se medidas semelhantes tivessem ha muito, sido postas em execução em todo o Brasil, menor seria o gigantesco índice atual de furtos de carros, de atropelamentos por veículos não identificados e mesmo de mortes ou ferimentos por carros desconhecidos, cujos culpados dificilmente chegam a responder pelos referidos átos.

Uma boa iniciativa, que encerra medidas de interesse coletivo, sem sombra de dúvidas. Seus resultados, somente serão benéficos e a idéia é oportuna.

Deveria mesmo, servir de exemplo para o serviço de trânsito de todo o país, uma vez que não temos conhecimento de providências correlatas, onde são chamados a colaborar com a ação policial, exatamente aquelas pessoas que, por decorrência das profissões, podem receber em seus estabelecimentos, veículos procurados pela polícia.

Boa medida éssa.

Extraído do Correio de Marília de 7 de junho de 1958

sábado, 5 de junho de 2010

Os festejos do Dia do Município (5 de junho de 1958)

Conforme todos sabem, as festividades comemorativas ao 29º aniversário da emancipação político-administrativa de Marília, foram transferidas de 4 de abril para o mês corrente. O motivo também é público e notório e deveu origem ao fato de ter o 4 de abril último coincidido com a passagem da Sexta Feira Santa.

Oficialmente, as comemorações referentes à citada efeméride não foram ainda realizadas, embóra nos dias 5 e 6 de abril, tivessem sido levadas a efeito, em carater particular, solenidades alusivas ao acontecimento.

Existe, nomeada pelo prefeito Argollo Ferrão, uma Comissão Especial incumbida de coordenar as providências e as programações da mencionada efeméride. Acontece, que a aludida Comissão Especial, até hoje, não tornou público o programa a ser executado, apesar de estarmos já no limiar da data marcada pelo adiamento inicial.

O público deve tomar conhecimento, com a devida antecipação, de como transcorrerão as solenidades prometidas. O comércio e a indústria, que no passado sempre prestigiaram o fato, bem como estabelecimentos educacionais e entidades de classe, por certo necessitarão saber de como o acontecimento se desenrolará.

Como hoje não haverá sessão ordinária na edilidade mariliense, devido ao feriado, por certo, na reunião de amanhã, a Câmara deverá trocar idéias e entender-se sôbre o assunto. Por sua vez, pensamos que o prefeito municipal deve já, à esta hora, ter se entendido com os membros da Comissão que irão colaborar nesse sentido.

O fato, repetimos, é que o tempo urge.

Não somos nós partidários de dispendios de dinheiro público, para empreendimentos comemorativos de carater pomposo. Entretanto, achamos que as autoridades municipais tem o dever de bem comemorar um acontecimento tão grato. No caso presente, maior ainda éssa obrigação, uma vez que extra-oficialmente, já foi executada tal solenidade.

Para ser mais francos ainda, pensamos que a Comissão está apresentando alguma morosidade na execução do assunto, maximé tendo-se em conta de que a solenidade foi adiada oficialmente.

Pelo que pudemos perceber, principalmente por ocasião da celeuma levantada quando do adiamento das solenidades e da apresentação de festividades particulares, as comemorações municipais, embóra coincidindo com as belas homenagens da colônia japonesa, por ocasião do cinquentenário da imigração, serão distintas. Entretanto, pelas providências a respeito (a menos que estejam se desenvolvendo de modo sigiloso – sem razão), nenhum passo positivo e público foi dado até agora.

O lembrete é oportuno, entendemos. E aqui estamos nós para divulgar, como sempre, o programa do mencionado acontecimento, que, por razões especiais, deve ser realizado.

Extraído do Correio de Marília de 5 de junho de 1958

Miscelânea (4 de junho de 1958)

Duas bonitas vitórias do selecionado brasileiro de futebol. Contra a Fiorentina e contra o internacional de Milano, o mesmo “carimbo” – 4 a 0!

Oxalá, domingo próximo, os integrantes do XI auri-verde se compenetrem de que o futebol austríaco é diferente do latino-americano. À êsse respeito o técnico Feóla já se manifestou: nada de “tico-tico” na área adversária; a “ordem” é “fuzilar” contra o arco contrário.

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Uma grande interrogação paira sôbre a política européia. A volta do famoso general De Gaulle fará terminar a crise na França? Ou terá inicio outra mais grave? O famoso “cabo de guerra” reformará a Constituição? Terminará o conflito argelino?

O místico tempo se incumbirá de responder.

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Notícia verdadeiramente abismadora é revelada na Capital: vinte mil processos de mandados de prisão se encontram “parados” na Delegacia de Vigilância e Capturas. Todos espedidos pela Justiça!

Fato grave, que revela, antes de tudo, ineficiência ou desaparelhamento do organismo policial.

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No Rio, verificou-se u’a ameaça de “quebra-quebra” no subúrbio da Central do Brasil.

Sempre a Central!...

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Adhemar também deu seu palpite acêrca do selecionado nacional de futebol: vai vender o campeonato do mundo!

Se os prognósticos esportivos do Prefeito de São Paulo obedecerem a mesma “tradição” de suas prévias políticas, o “onze” brasileiro “danou-se”...

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Em Aracajú, o médico Carlos Firpo, foi morto a golpes de “peixeira” pelo tenente-coronel aviador Afonso Ferreira Lima. Na história, como quase sempre, u’a mulher – a do médico.

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Em Braga, segundo as agências telegráficas, a polícia de Salazar carrega contra populares. Trinta e uma pessoas feridas.

O Govêrno Civil de Braga distribuiu comunicado à imprensa, esclarecendo os pormenores do acontecimento e explicando a reação da polícia, “em vista dos violentos ataques dos manifestantes”.

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A jovem Alena, do Floresta, de São Paulo, acaba de ser eleita “A mais bela esportista de 1958”. O concurso foi patrocinado pelos “Diários e Emissôras Associados e outras firmas comerciais. Além de taças e trofeus, Alena recebeu presentes e um “Romi-Isetta” de “contrapeso”.

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Adhemar de Barros esteve em dias passados, tentando estabelecer contacto com o Marechal Eurico Gaspar Dutra, ex-presidente da República. As notícias aparentam que nesse pretenso colóquio, o prefeito de São Paulo não cogitaria de questões políticas.

Pretenderia o lider pessepista tratar de futebol com o Marechal?

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Falou-se na elevação do nível de salário-mínimo e a vida em seu custo geral “saltou” mais do que o Adhemar Ferreira da Silva nas Olimpíadas de Helsinque.

Não seria o caso de silenciar-se sôbre o assunto?

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Expirará a 30 do mês em curso, a vigência do prazo para o alistamento obrigatório de eleitores.

Finda essa data, haverá multa para os brasileiros em idade própria, que não se tenhas alistado eleitores.

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Regressou dos Estados Unidos o tenente-coronel Plínio Rolim, comandante do Corpo de Bombeiros de São Paulo. Êsse oficial da Fôrça Pública esteve estudando na terra de Tio Sam, os mais modernos métodos de combate ao fogo e a organização dos serviços de bombeiros dos Estados Unidos. Em consequência, o C. B. de São Paulo sofrerá reorganização total.

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Foi inaugurada a Rádio Nacional de Brasília.

Bom som inicial. Agora a pergunta: os diretores irão ganhar também, à exemplo da outra, cento e tantos contos de réis por mês?

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Continua a desafiar a solução de providências satisfatórias por parte dos govêrnos, o problema da emigração dos nordestinos – pejorativamente identificados como fragelados, quando no Brasil, regra geral, todos o somos, de uma ou outra forma.

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A Comissão dos Festejos do Dia do Município adiou as comemorações do 4 de abril, para o mês em curso. Hoje é dia 4 e o público não conhece ainda o programa das solenidades dessa efeméride.

Haverá razão para maior espera nessas providências?

Extraído do Correio de Marília de 4 de junho de 1958

Doença não escolhe ideologia (3 de junho de 1958)

Divulga a “United Press”, em telegrama procedente de Washigton, o seguinte despacho:

“O Departamento de Estado anunciou que a União Sovietica acedeu a cooperar com os Estados Unidos na luta contra o câncer, às enfermidades cardíacas e outros males.

O presidente Eisenhower, em uma mensagem enviada ao Congresso há alguns meses, propôs a colaboração entre os Estados Unidos e outras nações do mundo com êsse objetivo.

A Rússia, em uma nota de 19 de maio (de 1958), respondeu que já presta sua cooperação à Organização Mundial da Saúde, mas ao mesmo tempo, propôs que os Estados Unidos e a União Soviética juntem seus esforços em vários programas, durante os anos de 1958, 1959 e 1960.

Um desses programas seria a criação de comissões russos-norte-americanas para combater o impaludismo e a varíola na América Latina e Africa.

Os Estados Unidos responderam que, a seu ver, algumas fases das propostas soviéticas devem ser estudadas e realizadas por intermédio da Organização Mundial da Saúde”.

Tal fato, em que pese a (in)tensidade de relações os dois povos, não deixa de constituir-se num motivo de alguma futura esperança de maior entendimentos entre os homens. O encarar-se com atenção e interesse, o problema dos males que afligem a humanidade, é uma demonstração dos próprios ensinamentos de Cristo.

A doença não escolhe fronteiras, não tem pátria e não tem preferência por ideologias políticas, razão pela qual, a própria ciência médica, que, igualmente não passou limites territoriais, deve ser um ponto-base de coesão entre as gentes, em pról de toda a humanidade.

Os males que são referidos na informação acima transcrita, são os que, realmente, vem desafiando o próprio progresso da medicina e a argúcia dos cientistas. Da união da força, experiencias e saber, poderão advir resultados inestimáveis para o próprio povo.

A boa compreensão e a efetivação de pesquisas médico-científicas nesse particular, atestam compreensão acurada e entendimentos profundos; significam que os homens estão raciocinando com a cabeça e não com os pés.

Não ha negar, portanto, que tal decisão óra em prática por essas duas raças de tão antagônicas idéias, traduz motivos de exemplos mútuos, dentro dum campo de ação cujos efeitos e finalidades apresentam, como dissemos, motivos de alguma futura esperança no maior e mais perfeito entendimento entre os homens.

Oxalá os propósitos inicialmente manifestados a êsse respeito, não venham, no porvir, sofrer desvirtuamento em suas finalidades.

Extraído do Correio de Marília de 3 de junho de 1958