segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Rádio Patrulha (31 de maio de 1958)

Marília acaba de ser incluida no ról de melhoramentos policiais condizentes com o seu progresso, seu dinamismo e suas exigências.

A inauguração oficial, ontem, ocorrida, dos serviços da Rádio Patrulha, atestam a presente afirmativa.

Três viaturas especiais, sendo uma “perua” e dois “jeeps”, compõem a parte motorizada dêsse melhoramento. O próprio Secretário da Segurança Pública, sr. José Ataliba Leonel, em rápida palestra mantida conosco, afirmou sua admiração pelo fato de Marília não ter completado essa lacuna no passado. Significa tal asseveração, que o titular da referida Pasta de Estado, soube bem interpretar as necessidades da família mariliense nesse particular.

De fato, o público deve estar grato e reconhecido pela deferência com que acaba de ser aquinhoado, que representa, sem nenhum negar, ao par de u’a necessária obrigação do Poder Estadual, uma atenção também para Marília e os marilienses.

O Serviço de Rádio Patrulha ligará de imediato, todos os pontos da cidade, através das comunicações radiofônicas em frequência modulada. Facilitando as próprias atividades do policiamento preventivo e repreensivo, constituindo acima de tudo, num motivo de maior segurança pública. É sabido, que até aqui, o policiamento vinha sendo feito, pelo processo que poderia ser chamado de rudimentar, exigindo um desdobramento profundo do organismo policial; apresentando, por vezes algumas falhas facilmente justificáveis, porém dificilmente aceitáveis para certa camada pública, habituada a não considerar fatos e nem perdoar aquilo que, pela sua razão ou pela sua origem, é possível de perdão.

Dispondo presentemente a polícia local, dêsse elemento auxiliar e imprescindível ao próprio organismo, inavaliáveis serão os benefícios que o próprio público auferirá. Ademais, acrescente-se a êsse fato, o tirocínio policial-administrativo daquêles que estão imbuídos da responsabilidade dêsses trabalhos.

Os dois “jeeps” – R. P. 1 e R. P. 2 –, são dotados de rádios, receptores e transmissores. A “perua”, remodelada, além de auxiliar nos serviços de patrulha e policiamento, apresenta duas outras finalidades, quais sejam: servir para diligências e fazer as vezes de carro de presos, o famoso “tintureiro”. Afirmou também o sr. Ataliba Leonel, que a referida viatura contará também, em breve, com aparelhagem de rádio.

Um acontecimento marcante na própria vida de Marília, cidade que apesar de nova apresenta invejável índice de crescimento e progresso. A Rádio Patrulha é um complemento imprescindível do próprio progresso de um núcleo.

Na oportunidade dêste rápido registro, desejamos nos congratular com o Governador do Estado, que soube atender aos reclamos da vida da cidade, com o Secretário da Segurança Pública que soube compreendê-los, com a polícia local, que dispõe agora dêsse elemento, e, em especial, com a própria família mariliense, que acaba de ganhar mais um motivo de segurança e tranqüilidade.

Extraído do Correio de Marília de 31 de maio de 1958

domingo, 30 de maio de 2010

Apreciação feminina (30 de maio de 1958)

Escrevemos ha pouco (22/5/1958) um artiguete, apreciando êsse absurdo que se convencionou chamar de “móda saco” e que falta do que fazer de alguns pouco ocupados e da falta de trabalho e dinheiro sobrando para o mundo feminino.

Pois não é que “quasi o mundo veio abaixo”?

Não faltaram opiniões manifestadas (publicamente, através de cartas e de telefonemas anônimos) acêrca do motivo. Recebemos pareceres (?) diversos. Xingaram-nos, elogiaram-nos, disseram-nos “cóbras e lagartas”. Diz o ditado que “o que vem de baixo não atinge”. Conosco, o caso é diferente: nem o que vem “de cima” nos atinge. Porque sabemos “onde temos o nariz”, graças a Deus.

Não ha pretensão nisso, não. É que apesar de tudo, abordamos somente aquilo que conhecemos e previamente estudamos. E quem estuda antecipadamente um assunto, conhecendo-o seus mínimos detalhes, está em condições de aprecia-lo e mesmo discuti-lo.

A “móda saco” é um “abacaxi”. Uma demonstração patente de máu gosto. De ignorância. Para sermos mais francos de burrice.

Mas vamos aos assuntos de alguns pareceres que nos chegaram ao conhecimento:

Uma leitora que, ao telefone, disse chamar-se “Lôlô” perguntou-nos “porque não gostamos de mulheres” e se somos “inimigos das mulheres”. Absolutamente.

Outra nos inquére se sômos infelizes no matrimônio. Tambem não. E podemos prova-lo.

Outra, não quiz declinar o nome. Pela voz, meia idade. Pela palavra, senso, conhecimentos, experiencia, vida. Pela conversa, cultura. Está ao nosso lado. Entende em que obramos bem ao abordar o assunto da “móda saco”, uma indecência. Muito obrigado, pela solidariedade – solidariedade que não é bem um apôio, porque traduz o ponto de vista desapaixonado e manifestado exatamente por quem têm autoridade (mais do que nós) para pronunciar-se sôbre o assunto.

E tem tambem o caso da outra, cujas iniciais na carta são “R. R.” e que disse que desejará ver “nossa cara” quando a “móda saco” “pegar” (“e não vai demorar” – afirmou). Filhinha, recomendamos novamente a leitura de nosso artigo a respeito, porque alí nós próprios dissemos que a gente se acostuma a tudo e até nós poderiamos nos habituar ao tal sistema.

E para aquela que nos chamou de “sem gôsto”, “sem predileção”, sem “poder intuitivo de apreciação”, dizemos que exatamente por termos gosto, predileção e poder intuitivo de apreciação é que somos contrários ao absurdo que se chama “móda saco”. Disse-nos essa missivista que tem 17 anos e que usará dentro em breve a “móda saco”, sem que tenhamos nós a insolência (?) de critica-la. Filhinha, a crítica já foi feita. O impedimento não nos compete (graças a Deus). Pelo menos, você terá um grande consôlo: Se ficar “titia”, poderá recordar com saudade, no futuro, o tempo em que usou a “móda saco”, causando-lhe uma sensação diferente...

O nosso artigo anterior, que criou toda ésta “celêuma”, foi um simples escrito diário. Um ponto de vista. U’a manifestação de pensamento. Não significa nenhuma proibição ao uso da famigerada “móda saco”. Você, “R. R.”, póde sair na Avenida sem receio de nossa parte. Garantimos que não assobiaremos, não atiraremos pedras e nem a denunciaremos à polícia. Para isso, vivemos numa democracia, não é?

Não podemos abordar todas as opiniões que nos chegaram ao conhecimento. Só uma coisa, temos certeza. Mexemos com a vaidade de muita gente de saia. O intuito não foi bem esse. Acontece que as coisas ficaram nêsse pé e nós não somos gatos – isto é, não costumamos “pular para traz”.

Extraído do Correio de Marília de 30 de maio de 1958

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Preço do Selecionado Brasileiro (28 de maio de 1958)

Não, pelo amor de Deus, não nos considerem inimigos do futebol. Somos amigos até demais e já dedicamos mais de uma dezena de bons anos, acompanhando “pari passu” o desenrolar dêsse esporte. Quando crianças, também não fugimos à regra e disputamos as nossas “peladas” (com brigas e tudo).

Entretanto, o futebol profissional de nossos dias, deixou de há muito de ser aquêle esporte sadio – na concepção integral do vocábulo –, para tornar-se um motivo de pouca vergonha, de cambalachos, de negócios escusos. De modo geral.

Referimo-nos, não há muito, acêrca da concentração de Poços de Caldas e da ciumeira despertada em Araxá, onde o próprio prefeito estanciário “entrou na dança”, reivindicando para suas águas a delegação, oferecendo a estada e tudo o mais inteiramente gratuita. Dissemos ainda das volumosas cifras em cruzeiros, dispendidas pela Confederação Brasileira de Desportos, para fazer face às despesas do selecionado em sua fase preparatória. E, na ocasião, comentamos a possibilidade de um “fiasco” do “onze” canarinho, sem razões aparentes de ser.

Cremos que o Brasil, se não é o único, é um dos primeiros a possuir profissionalismo de futebol, onde os “craques” não fazem outra coisa. Os uruguaios, que nos “roubaram” (assim disseram os cronistas na ocasião) a “Taça Jules Rimet” em 1950, são uma prova disso. Lá vimos sapateiros, alfaiates, pedreiros, e advogados lutando pelas cores do país oriental. Homens de dupla personalidade (não no sentido pejorativo): esportistas dentro do gramado e pessoas úteis dentro de suas funções ou mistéres fóra do rampo.

No Brasil, não. Ser futebolista, significa, em tése, não fazer mais nada. Quer se ganhe muito ou pouco, o profissional, de módo geral, vive só com o “cartaz” de esportista. Temos visto e conhecemos casos em que até mulheres e filhos são esquecidos!

Isso precisa acabar entre nós. O chamado profissionalismo tem que ser um “meio têrmo” e nunca uma válvula de vagabundices ou meios fáceis de enriquecimento em poucos anos. Poderíamos, no caso, permitir o “enriquecimento fácil” entre aqueles que ostentando qualidades, ganhassem tambem “por fóra” em trabalho honrado, dignificante. Infelizmente êsse número é pequeno!

Mas, voltemos ao assunto principal dêsse escrito, falemos do preço do selecionado brasileiro de futeból que já se encontra na Itália e que representará o Brasil na “VI Cópa do Mundo.” Imaginam os leitores que não acompanham de pérto o futeból, quanto custará a referida seleção? Pois diremos: 8 milhões e meio de cruzeiros. Oito mil e quinhentos contos de réis!

Se o Brasil conquistar o cétro do certame, sagrando-se campeão, ainda assim, será discutivel (o) de mais de oito milhões pelo mesmo. E se não conseguir “um lugar ao sól”, qual a desculpa viável e aceitável para o fato? O sentido intrínsico da desportividade? A defesa do lema “Mens Sana In Corpore Sano”? A cultuação do áto que desenvolve o corpo e a espaira a mente? Não sabemos bem. Sinceramente, não temos a menor idéia.

Antes do embarque, o selecionado já consumiu três milhões de cruzeiros!

Cada jogador ganhará durante o tempo em que estiver integrando a seleção, u’a média de 40 mil cruzeiros mensais! Mais do que muitos magistrados e Secretários de Estado. Mais de que muitos Governadores!

Póde parecer recalques, despeito ou inveja êste escrito, mas não é. Achamos errada a fórmula adotada dos prêmios, ordenados, “bichos” etc. em vóga no Brasil. O privilégio de ser escolhido e ter a “chance” de “representar o país” e viajar para o exterior, já paga muito bem outras vantagens. Não que o futebolista vá “na faixa” para um país estranho, deixando sua família e (alguns) seus negócios, mas assim, tambem é demais!

Somos favoráveis ao esporte. Gostamos do esporte e já não mais o praticamos, porque estamos “passados” para tal. Mas o esporte (futeból profissional) no Brasil já é um comércio, uma bandalheira, uma senvergonhice sem nome.

Oito milhões e quinhentos mil cruzeiros para um selecionado vi(a)jar ao Velho Mundo e que só Deus sabe se fará “bonito” ou não. Enquanto isso, no Brasil, vivemos morrendo de fóme (inclusive famílias de muitos famosos jogadores), faltando leite, pão, carne, arroz (não pela ausência no mercado, mas pela ostentação absurda dos preços que enriquecem os intermediários desalmados), morrem de fome os nordestinos e de inanição os doentes!

Nós somos favoráveis ao esporte e gostamos imensamente do futeból. Acontece que o futeból de hoje em dia é dinheiro, “compra” de juizes, negócios com a Federação e até política. Dá nojo, francamente... Querem um exemplo? MAC.

Extraído do Correio de Marília de 28 de maio de 1958

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Parabens, Doutor Santana! (27 de maio de 1958)

“EGO PROMITTO ME, SEMPER PRINCIPIUS HONESTATIS INHAERENTEM, MEI GRADUS MUNERIBUS, PERFUNCTURUM ATQUE OPERAM MEAM IN JURE PATROCINANDO, JUSTITIA EXEQUENDA ET BONIS MORIBUS PRAECIPIENDIS, MUNQUAM CAUSAE HUMANITATIS DEFUTURUM.”

A data de hoje assinala o terceiro aniversário em que o doutor José Gonçalves Santana se encontra à frente dos destinos do Juizado de nossa Comarca.

Juiz de Direito, Eleitoral, de Menores de Feitos Trabalhistas, o dinâmico Dr. Santana desenvolve todas as atividades judiciárias – múltiplas, diga-se de passagem –, dentro de um critério de justiça, humanidade, direito, razão e sensatez admiráveis, qualidades inequívocas que se constituem no apanágio identificador dos magistrados e que no caso de nosso Juiz de Direito, representam a certeza e a garantia de que possuimos “the right man in the right place”.

Apesar do volume de processos que os diversos feitos em suas multiformes variações carreiam à apreciação e julgamento do doutor Santana, vem o mesmo se desdobrando sem esmorecimentos, para desenvolver suas nobres atividades judiciárias, realizando sozinho aquilo que, no mínimo, dois juizes encontrariam dificuldades, em decorrência da torrente de processos que lhe compéte examinar e julgar, proferindo suas sábias decisões.

Como cidadão, o doutor Santana é um receptáculo de atenções e respeito, não só pela sua lhaneza de trato, pela sua consideração para com as gentes, mas como tambem pelo espírito democrático tão marcante. Como magistrado, é merecedor do mais profundo respeito, estima e simpatia, tendo dado exuberantes mostras de u’a mentalidade arejada, lúcida, imparcial, neutra e democrática, como são e como devem ser aqueles que tem sôbre os ombros, a missão sacrossanta de julgar o próximo, dentro dos princípios emanados do próprio Direito, outorgado, pelo feliz regime democrático em que vivemos.

A vontade humana se esforça por realizar, quando integrada no poder e na liberdade. O Estado traduz a liberdade porque nela se repousa, fazendo respeitar e cumprir desde o mais ínfimo até o mais elevado e essencial direito da pessoa humana. Assim, o Estado é um Direito, porque o Direito forma a base da organização estatal.

Em Marília, o Direito é representado pelo Dr. Santana, que, em síntese, representa o próprio Estado e com êste, o regime, a liberdade, a justiça e a democracia.

Dizer do Justo, aplicar o Direito, distribuir a Justiça – eis a função precípua do Juiz de Direito. Eis a identidade irretorquível do Dr. José Gonçalves Santana, Juiz de Direito da Comarca de Marília. Arbitragem, sem arbítrio. Autoridade, sem arbitrariedade. Direito com o Direito e pelo Direito. Justiça com a Justiça e pela Justiça.

Pesquisar a verdade inequívoca e substancial do Direito, no problema total de sua regulamentação e aplicação é uma coisa muito mais nobre e dificil que póssa parecer à primeira vista. Um verdadeiro trabalho de doutrina, uma função nobilíssima, por vezes ingrata, onde o coração não póde entrar ou participar, porque a justiça e o espírito da Lei são cultuados e aplicados indistintamente pelo Juiz, a todos os casos, para todas as pessoas.

Para ninguem constitue segredo a atuação marcante do ilustre Dr. Santan(a), à frente dos destinos da Comarca de Marília. Soube impor-se ao respeito de todos os cidadãos, mercê de sua conduta insuspeita e digna, merecendo sob todos os prismas, éssa calorosa onde de simpatia e respeito que o cérca.

Três anos de atividades entre nós, bem dizem da importância do homem e do desempenho do cargo.

Por certo, o Dr. Santana receberá um rosário de cumprimentos e felicitações no ensejo désta efeméride. Espontâneamente, juntamos tambem nossos parabens pelo trancurso, formulando votos para que o extraordinário Juiz de Direito de nossa Comarca póssa continuar a servir-nos como até aquí tem feito, por muitos anos além.

Parabéns, Doutor Santana!

Extraído do Correio de Marília de 27 de maio de 1958

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Uma atitude digna (24 de maio de 1958)

Prometemos, em nossa edição de ontem (23/5/1958), comentar a carta do vereador Dr. Guimarães Toni, dirigida ao autor déstas linhas, em vista de nosso comentário da última terça feira.

Em sí, a carta prescinde de resposta: não por falta de merecimento de contestação ou apreciação, mas pelo módo que se conduziram a respeito, os assuntos que se serviram de móvel à mesma. Entretanto, contornando o ponto vital do conteúdo da aludida missiva, ontem transcrita nésta secção, tornamos ao assunto.

Nosso comentário, sem personificação, focalizou em tése a atitude da Câmara Municipal. O Dr. Toni, como autor de um dos requerimentos que motivaram a celêuma em torno da possivel exiquidade das dependências do Novo Paço, a serem brevemente ocupadas pela edilidade, teve a gentileza de nos dar uma satisfação, acêrca de sua atitude.

Os acontecimentos, em seu desenrolar, provaram que nós jamais tivemos intúitos de atacar ou defender quem-quer-que seja; apenas focalizamos a questão, dentro da função observatória de nossa profissão. Por outro lado, provaram que estavamos com razão.

O assunto em seu todo, não merece ser comentado à larga, porque em definitivo está encerrado. Com um desfecho, que, embóra pareça aos espíritos mais apaixonados ou menos esclarecidos, de módo algo contundente, na realidade, de maneira nobre e digna.

Gostamos da atitude assumida pelos vereadores Guimarães e Fernando Mauro, na sessão da última quinta feira de nossa edilidade. Penitenciando-se de um engano cometido, não diminuíram, em nada, suas personalidades marcantes; pelo contrário, demonstraram, sobejamente, uma altivez de carater digno, sobretudo democrático.

Souberam reconhecer os motivos de uma apreciação precipitada e foram capazes de reconhecer o áto impensado, a interpretação errada, dando as mãos à palmatória.

Gesto nobre, digno, honrado. Gesto elegante, de ombridade.

Retiraram as expressões assacadas anteriormente, reconhecendo um erro e o fizeram com a mesma ardorosidade e do mesmo local e para o mesmo público que assistiu, anteriormente, a exteriorização de um ponto de vista diferente.

Ficou claro que os edís referidos souberam demonstrar publicamente um arrependimento compreendido. Isso, entendemos, não diminui ninguem, mas pelo contrário, dignifica. Diminuiria os cidadãos referidos, se se obstinassem em suas diretrizes, após ouvirem a palavra dos técnicos, após terem-lhe sido provadas argumentações em contrário.

Desejamos, tão somente, fazer uma pequena observação ao Dr. Guimarães Toni: S. Sa., ao ocupar a tribuna, disse, de módo geral, que os reporteres ou correspondentes de jornais da Capital deturparam ou interpretaram a seus módos a verdade dos fatos. Não discutimos, em absoluto, tal pormenor. Apenas lembramos, reafirmando, que, de nossa parte, tal não aconteceu. Divulgamos o acontecimento como a realidade o apresentou o comentamo-lo dentro do critério da razão e da base de seus motivos originários. Só isso.

Extraído do Correio de Marília de 24 de maio de 1958

domingo, 23 de maio de 2010

O novo Paço Municipal (23 de maio de 1958)

Acêrca de nosso escrito de terça feira última (20/5/1958), sob o mesmo epígrafe supra, recebemos, do ilustre vereador Dr. J. Guimarães Toni, a seguinte missiva:

“Marília, 20 de Maio de 1958

“Meu caro amigo José Arnaldo.

“Li hoje o seu artigo no “Correio de Marília”, a proposito do “caso” (como está sendo classificado) das instalações da Câmara Municipal, no novo predio do Paço Municipal.

“Entende você, em sua apreciação, que está havendo contra-senso e incoerência por parte dos que acham ser pequeno o recinto destinado à Camara. Ora, não ha tal nessa atitude, nem essa opinião envolve qualquer julgamento do projéto que está sendo executado, realmente grandioso.

“Da mesma forma, não fiz acusações injustas ao engenheiro autor do projéto e nem acho que esse fato possa atingir os engenheiros construtores. Ha uma grande falha na interpretação de nossa atitude nesse caso, assim como está em duvida a verdadeira intenção com que agimos.

“Não fizemos acusações ao projetista do predio e nem poderiamos fazê-lo, porque não ha motivo para acusações. O fato de alguem entender, em sua ignorancia tecnica, de ser um recinto destinado a algum fim, pequeno e improprio ao seu destino, não ofende ninguem, nem constitue injusta acusação. Quando muito poderá ser uma opinião errada e não verdadeira. Do mesmo modo, não atinge essa ideia, nem clara, nem “disfarçadamente” aos construtores da obra. Estes executam um projéto, que não lhes cabe modificar, ou transformar. Alem disso, o simples fato de se achar pequeno o recinto e improprio ao seu destino, não poria em jogo a idoneidade de qualquer profissional. Vê você como está sendo mal interpretada a opinião e desviada de seu verdadeiro sentido.

“Admito que a opinião tivesse sido manifestada com certo ardor e veemencia. Mas, dai ao ponto de paixão vai um longo passo.

“Esclareço a você, ainda, que não discutimos questões tecnicas. Nem nos seria possível essa discussão, pois bem sabe você como temos sido cuidadosos em nossa(s) atitudes e pronunciamentos em questões que escapam ao nosso conhecimento geral. O que vimos e observamos, sem duvida, foi um recinto que nos parece pequeno e improprio, apenas isto, sem todavia, apreciarmos questões tecnicas. Nisso não vai implícita a acusação de ter havido erro. As dimensões do reci(n)to podem ter parecido suficientes ao arquiteto e a nós, em nossa inexperiencia nessas coisas, pequeno. Apenas isto, sem outras apreciações.

“Alias, falando com o Dr. Arquimedes De Grande, com o Dr. Argôlo e com varias outras pessôas, fui informado que o recinto comporta mais do que o numero atual de vereadores, com todas as suas instalações, mesas, cadeiras, etc., e ainda sobra espaço. Ora, não posso deixar de acatar essas opiniões, para mim dignas de todo credito e merecedoras da fé, pois são pessôas de alta reputação profissional.

“Assim, estou começando a acreditar que o errado fui eu, levado por uma falsa impressão de dimensões muito comum a quem não tem pratica dessas coisas, principalmente, pela falta de um salão que pudesse acomodar um relativo numero de pessôas, nas sessões solenes e festividades da Camara. Não acho que o salão nobre da Prefeitura sirva para isso, pois sou favoravel (sempre fui) a completa independencia entre os dois, por razões facilmente imaginaveis e que não precisam ser declaradas.

“Não vejo, portanto, razão de sua parte, em achar que ficaremos em ridiculo, se isso fôr provado matematicamente, ou seja, que o recinto achado pequeno, comporta grande numero de pessôas, entenderemos a mão à palmatoria, sem nenhum constrangimento e sem ridiculo, porque errar é humano, persistir no erro é estupidez.

“Pediria a você retificasse os seus conceitos sobre o assunto, pois não vejo mal algum em se pensar, mesmo erradamente, que determinado recinto não está em condições de conforto e amplidão, necessários ao funcionamento normal de uma corporação numerosa, com auxiliares, presença de imprensa, rádios, assistentes, tribuna, etc. Se estivermos enganados, quando muito poderemos ser acusados de precipitação, mas nunca de termos sido movidos por outras intenções inconfessáveis.

“Esta a verdade dos fatos.

“Muito cordialmente,

as.) José Guimarães Toni”.

--:.:--

Em nossa edição de amanhã, abordaremos a gentil carta acima transcrita.

Extraído do Correio de Marília de 23 de maio de 1958

sábado, 22 de maio de 2010

A “Moda Saco” (22 de maio de 1958)

Principiou já a surgir a espontaneidade de opiniões dos entendidos (ou pretensos entendidos), acêrca do “new look” feminino, importado e originário de algum cérebro metido à besta, convencionalmente chamado de “móda saco”.

Uns são visceralmente contrários, outros francamente favoráveis, outros apaticamente neutros (não é redundância, não), com relação a êsse exagero de “simplicidade complicada” que se tachou de “móda saco”. Em verdade, semelhança não lhe falta.

Verdade tambem, é que a gente não está acostumada a ver éssas coisas e parece que não vai ser muito fácil os olhos e os gostos aceitarem de bom grado “isso”, que, sem sombra de dúvida, representa uma aberração, uma estupidez, um resultado de alguem, que, não tendo o que fazer e tendo abundância de bichos de goiaba na cabeça, teve a “grande” idéia de inventar essa “maravilha”. Dizem que com o decorrer do tempo a gente se acostuma a tudo. Citam-se mesmo os exemplos do passado, quando o sistema de cabelos cortados “à la garçone” foi introduzido, em que mulher que cortasse o cabelo chegava a ser considerada “à tôa”.

De tudo isso, concluímos uma coisa: Dois pontos primordiais influem néssas variações da moda feminina. Um é o comércio franco, por vezes atrevido, de marmanjões que melhor fariam se ao invés de serem “modistas”, trabalhassem em picaretas, fábricas, comércio ou escritórios. Outro é a consequência diréta (e irrefutável) da vaidade feminina. Nêsse particular (perdoem-nos as leitoras) as mulheres são verdadeiramente ridículas e por vezes ignorantes. Tentam tudo o que for possível (e impossível, tambem), para se apresentarem mais belas, mais atraentes. Basta um “seu Abóbora” de París, Itália, Nova Iorque ou mesmo da Conchichina anunciar que um pedaço de tijolo amarrado num barbante e dependurado ao pescoço é “móda” e que um cronista social sofiscicado e “boa vida” confirme que é “very karr”, “shangai”, “chic”, etc e tal, para que o café soçaite feminino, em que pêse, ande por aí com pedaços de tijolos amarrados em barbante e dependurados aos finos e alvos pescocinhos.

Nêsse particular, nós, homens, temos que louvar a Natureza, que foi mais prodigiosa e exuberante para conosco, no que diz respeito à beleza física. A mulher se pinta, usa vestidos de multiformes tecidos, incontáveis coloridos, inenarráveis modêlos, de enfeites variados, diversos padrões, para parecer mais bonita.

O homem usa ternos mais ou menos idênticos, gravatas quase sempre iguais, corta o cabelo com poucas variações, usa ou não bigode(,) não “escarlateia” as unhas e é sempre o mesmo homem. A mulher de hoje é uma incógnita: A gente não sabe se a mulher que levanta cedo, sem escovar os dentes, sem pentear os cabelos, sem pinturas ou “maquillage”, sem sapatos altos, sem determinadas “pecinhas” que mostram por fóra o que não existe por dentro, se joias (algumas sem dentaduras) é aquela mesma “coisa louca” que foi vista na noite anterior na Avenida, no cinema, no Tenis ou na festa de aniversário!

Pestanas, sombrancelhas, lábios e mesmo olhos e nariz, regra geral, o homem apresenta com mais fortuna natural do que a mulher.

Os leitores já imaginaram se as mulheres, como os homens, usassem um só corte de cabelo, um só tipo de roupas, não se pintassem, não empregassem outros diversos estratagemas, cosméticos, massagens, etc., como não seriam diferentes?

Por isso, pensamos, justificam-se as constantes (e por vêzes absurdas) variações da móda feminina. Vestido curto, vestido comprido, “rabo de peixe”, “papo de perú”, decotado, não decotado, justo, folgado, cintura alta, cintura baixa, etc. & cia.. Recursos. Só recursos.

E, ao lado dos recursos (femininos), os recursos financeiros (masculinos), traduzidos numa profissão que deveria acabar e seus ocupantes barbados “agarrar um batente” de homens mesmo. No duro.

A “móda saco” vem aí. Se “péga”, não sabemos. Mas como existem tantas burrices escondidas debaixo de finíssimos e extravagantes penteados femininos, é possível que “pégue”. E é possível que nós próprios nos acostumemos ao fato.

Uma coisa é c(e)rta. É bom os homens principiarem já a preparar os bolsos. Sim, pois se as mulheres inovam modas, nós é que temos de abrir as carteiras...

Extraído do Correio de Marília de 22 de maio de 1958

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ciências e Filmes (21 de maio de 1958)

Verdade que Marília possui duas casas de espetáculos cinematográficos que pódem e devem ser consideradas boas. Mas o número é insuficiente para atender os reclamos da população local, sem qualquer contestação.

Ademais, o sistema de distribuição de filmes, realizado pelo circuito Pedutti, não satisfaz inteiramente a avidez dos apreciadores da “sétima arte”. Isto é, um filme só exibido nos dois cinemas ou então mostrado numa casa e em seguida na outra, privando ao público a oportunidade de uma variação mais constante.

Além disso, Marília, com mais de 50 mil habitantes na séde, comporta bem quatro ou mais casas do gênero, sem citar-se os bairros populosos, como São Miguel e Palmital, que bem merecem o seu “cinemazinho”.

Em relação às cidades de vulto e de expressão em todos os sentidos, daquelas servidas pela Empresa Pedutti, quer nos parecer que só duas se encontram néssa condição de esquecimento: Marília e Araçatuba.

Não vamos advogar reivindicações de Araçatuba, por falta de direitos e porque lá existem pessoas além de capazes para tanto; mas no que diz respeito à nossa cidade, é justo que o assunto seja focalizado. Nesse particular, está sendo re-focalizado.

O Sr. Pedutti, que tanto declaradamente tem se mostrado amigo de Marília, deveria atentar com mais carinho para o fato. E deveria convencer-se, como experimentado comerciante e observador que é, que existem fundamentos nas inúmeras queixas que lhe tem sido levada ao conhecimento.

Dois únicos cinemas, numa cidade como Marília, é um número ínfimo em relação às suas carências.

O Sr. Pedutti, que goza de um privilégio (porque é privilégio o monopólio dos cinemas em quasi todo o interior), bem que poderia atender os apelos dos marilienses, formulados mesmo através da própria Câmara Municipal. Alias, a edilidade nada mais fez do que cobrar uma promessa do próprio sr. Pedutti em nossa cidade. Mas nesse particular, o sr. Emílio Pedutti agiu como um político consumado: soube prometer e deixar o povo às moscas.

Não cremos que o diretor-proprietário da Empresa Teatral Pedutti, tenha, para com os marilienses, idéias de ludibriação. Mas prometeu e até agora não esboçou nenhuma ação de pretender cumprir o empenhado.

Marília comporta, sem exagero, mais um ou dois cinemas centrais, afóra, é lógico, os bairros Palmital e São Miguel.

Outra coisa que pretendemos lembrar ao Sr. Pedutti, é a necessidade de encarar com mais atenção o setor de distribuição dos filmes destinados à nossa cidade. Ultimamente temos sido vitimas (o têrmo é bem êste) de uma série de películas de péssima qualidade, verdadeiras “bombas”, amputadas e quasí mais velhas do que a própria República. E tem acontecido o inevitável: O mariliense tem procurado o cinema (mesmo porque em Marília não existem outras diversões e divertimento de póbre é cinema), para amainar um pouco o espírito cansado das fainas diárias, para esquecer por momentos os atropêlos da vida, as contas, os encargos de família etc., resultando disso um efeito inverso – sai do recinto enfezado, neurastênico, xingando todo o mundo, revoltado consigo mesmo. E ele tem razão a maioria das vezes. Temos visto filmes que são verdadeiras tormentas para os objetivos daqueles que se dirigem aos cinemas da cidade.

O mariliense, nesse setor, deveria ser melhor servido pelo sr. Pedutti, que diabo!

Sabemos que os gerentes dos cinemas locais não têm culpa alguma do sucedido, porque o plano da apresentação das películas em todo o circuito Pedutti é formado e executado por um departamento especializado. Da mesma fórma, o Sr. Pedutti não iria ficar inteiramente devotado a escolher os celulóides que devem ser exibidos em Marília, porque tem outras coisas que fazer. Mas que déve inteirar-se “às quantas” anda tal departamento, isso déve. Afinal, o mariliense não é obrigado a “engolir”, quasí seguidamente, pedaços de filmes de péssima qualidade e da pior condição, por descuido (ou prevenção?) do tal departamento distribuidor de Botucatú.

Esperamos que, com êste apêlo (que não é o primeiro e talvez não seja o último), o sr. Emílio Pedutti consiga por a mão na consciência e convencer-se de que temos razão. Se duvidar, aquí vai uma sugestão: ordene aos seus gerentes que façam um “plebiscito” sôbre o fato ou que venha ele mesmo manter contacto com o público local, para aquilatar a verdade.

Nós sabemos disso, porque, sendo uma tenda de jornal o receptáculo de todas as reclamações, aspirações e reivindicações de um povo, estamos já cansados de receber queixas. E justas, frize-se.

Extraído do Correio de Marília de 21 de maio de 1958

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O Novo Paço Municipal (20 de maio de 1958)

Não estamos aquí para fazer defesas do prefeito, do engenheiro Badra ou da Câmara, na questão da celêuma levantada na última reunião da edilidade mariliense.

Igualmente, nem para condenar a atitude de quem-quer-que seja, no atinente aos “panos para manga” alí surgidos.

Abordamos, dentro de nosso critério e imparcialidade, os pontos dêsse motivo, sem que isto póssa desprestigiar poderes ou reforçar direitos. Simplesmente como trabalho jornalístico rotineiro.

Vemos que ainda existe contra-senso em Marília. Incoerências, mesmo.

Os marilienses muito se orgulharam do novo prédio e suas magníficas linhas arquitetônicas, pelo aspecto inédito que apresenta aos olhos do mundo, como um dos mais completos e perfeitos do interior. Jornalistas paulistanos aquí estiveram, colocando em relevo a importância da óbra (importância que ninguem poderá negar). O próprio plenário da Câmara, repetidas vezes abordou o assunto e muitos edís não pouparam elogios rasgados ao pioneirismo do empreendimento.

E o prédio foi “subindo”. Na sua essência material e no conceito e orgulho de todos os marilienses e forasteiros, tão grande foi a repercussão obtida, através do noticiário de órgãos da imprensa paulistana, de penetração em todo o Estado e circulação em Estados limítrofes.

Agora, após a finalização de sua estrutura de concreto, criou-se o “caso”, com a observação de que a parte destinada à Câmara não atenderá as necessidades reais de suas exigências precípuas.

Temos em vista de que foram feitas até acusações injustas ao engenheiro projetista (cujo projeto, caríssimo, nada custou a municipalidade). A responsabilidade, indiretamente veio inclusive e disfarçadamente comprometer a idoneidade e capacidade profissionais de ilustres engenheiros de nossa cidade, que, se reais as anomalias apontadas, demonstraram inépcia na execução da planta, não localizando os erros iniciais e não os trazendo ao conhecimento das autoridades competentes – Prefeitura e Câmara.

O erro maior de todas as discussões, foi a paixão e o alteamento alí verificado na ocasião. O segundo erro, foi a apreciação de assuntos técnicos por pessoas que não estão imbuídos da especialidade.

O caminho mais correto no caso, pensamos, seria convidar o engenheiro Badra, para, comparecendo à nossa cidade, elucidar as dúvidas sôbre o caso, ou reconhecendo o seu erro, dar a mão à palmatória e assumir as consequências. Tal não aconteceu.

Agora, sabe-se que o convite foi formulado e que o ilustre técnico (conhecidamente tido como um nome de grande prestígio no setor da engenharia moderna), para que esclareça a questão.

O que acontecerá, então, se o responsável pelo assunto provar, matematicamente, que os cento e poucos metros quadrados destinados ao recinto da Câmara são suficientes para atender suas exigências? Acontecerá o inevitável. Os que ferrenhamente combateram a óbra e discutiram aspectos técnicos se sujeitarão a um certo ridículo, sem o desejarem.

Sinceramente, para nós, que sempre gostamos de apregoar a grandeza da cidade e as realizações dos marilienses, o causou espécie.

Extraído do Correio de Marília de 20 de maio de 1958

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Publicações Imorais (17 de maio de 1958)

Dos mais entusiásticos vem sendo o apôio publicamente manifestado ao áto do Juiz de Menores da Capital, Sr. Aldo de Assis Dias, acêrca da proibição de publicações imorais e corruptoras à mentalidade infanto-juvenil.

Não se póde negar, que éssa luta, em boa hora encetada, apresenta a condição de uma campanha nobre, cujo fundo é de grande interesse para o próprio futuro do país.

Defender a formação moral da juventude brasileira é assegurar o porvir da própria nação; obrigação intrínsica dos homens de hoje, em relação aos homens de amanhã.

Não é fácil de compreender-se, como possam os interesses de lucro fácil e por meios pouco plausíveis de algumas pessoas, sobrepor-se à segurança da constituição moral de uma juventude. Lucros fáceis e pouco trabalho, barganhados pela corrupção, representados pelas publicações imorais e obcenas, que constituem caminho certo à senda do crime e da desdita social.

Nossos aplausos ao dinâmico Juiz de Menores da paulicéia. Que suas atitudes sejam imitadas por outras autoridades congêneres, sempre zelosas e de atalaia na salvaguarda do futuro das gerações de amanhã.

Os editores interessados, correram a Justiça, impetrando madado de segurança contra o áto do Dr. Aldo de Assis Dias, decisão éssa que deverá ser denegada, certamente, pelo Tribunal de Justiça.

A formação moral de nossa criançada déve ser motivo de consubstancial importância nas pessoas dos responsáveis pela vida pública da nação e disso acaba de dar exuberante exemplo o Dr. Aldo de Assis.

Ninguém ignóra que as publicações licenciosas calam profundamente nos espíritos em formação, espíritos em formação, espíritos jovens, pouco sólidos, eivados de fáceis fantasias próprias da idade tenra e não curada devidamente para as intempéries da vida. Cumprem aos homens responsáveis pela proteção e fiscalização dêsse campo, a defesa do patrimônio moral do Brasil de amanhã.

A guerra, óra declarada, contra os meios de corrupção da juventude e da infância brasileira, deve merecer os aplausos gerais e as colaborações integrais. Aqueles que se dedicaram até aquí aos processos óra combatidos de divulgar licenciosidades e imoralidades em forma de revistecas, devem empregar melhor suas capacidades literárias ou editoras, apresentando um trabalho mais digno, mais honrado, mais louvável e, sobretudo, mais patriótico.

Estamos com o Dr. Aldo de Assis e daquí, désta modesta coluna, enviamos-lhe nossos parabens, cercados de votos de estímulo, para que prossiga néssa caminhada encomiosa, na defesa intransigente do porvir de nossa infância e juventude.

Extraído do Correio de Marília de 17 de maio de 1958

sábado, 15 de maio de 2010

Juventude Católica de Marília (15 de maio de 1958)

Indiscutivelmente, a Juventude Católica de Marília é a representação viva de uma das grandes e beneméritas óbras de Monsenhor Luiz Otávio Bicuda de Almeida.

Ha doze anos existe e pelo mesmo lapso de tempo vem prestando serviços inestimáveis aos menos favorecidos da sorte, no setor de ensino primário e jardim da infância. E, tudo, gratuitamente, inclusive com o fornecimento de sopa escolar, uniformes e material de ensino.

Sua séde passou ha pouco por uma remodelação completa e o índice de matrículas naquele estabelecimento de fundo social, moral e educacional, é bastante expressivo. Duzentos e trinta e séte alunos estão alí matriculados, haurindo os conhecimentos iniciais das luzes da ciência, sem o dispêndio de um níquel.

Tratamento dos mais fidalgos e compreensivos é dispensado às criaturinhas alí matriculadas.

Estivemos ha pouco naquela dependência, conhecendo “in loco” as óbras de remodelação e ampliação da J.C.M. e do Colégio São Bento.

Como todas as instituições de caridade, luta tambem a J. C. M. com uma série de dificuldades, sendo a maior, como não poderia deixar de ser, de fundo financeiro. A diretoria da Juventude Católica de Marília, sempre ativa, sempre diligente, desdobra-se em labores e esforços, para conseguir seguidamente meios suficientes, a fim de que as crianças que alí estão matriculadas, tenham, de fato, em todos os sentidos, a assistência completa. Uniformes, material escolar e sopa escolar para 237 alunos, como é fácil de constatar, consomem verbas consideráveis. Verdade é que usufrui a J.C.M. de auxílio oficial, porém insuficiente frente ao vulto das despesas forçadas que tem pela frente, para fazer face aos compromissos assumidos, e, que vêm, galharda e altruísticamente sendo desenvolvidos.

Dá gosto conhecer óbras assim em Marília. Proporciona à gente, uma sensação de alegria interior, o saber-se que existem grupos de pessoas que se interessam pelos homens de amanhã, extendendo-lhes as mãos e dando-lhes apôio moral, material e intelectual. Merecem louvores os dirigentes da J. C. M., pela óbra que vêm realizando, sem alardes e sem soltar foguetes. A caridade se faz assim: sincera e despretenciosamente, conforme manda o próprio Evangelho.

É porisso que dissemos, em outra ocasião, que os marilienses devem, de modo geral, acercarem-se mais ainda déssa instituição, conhece-la melhor e apoia-la sempre que possível. Esse apôio servirá de maior estímulo para os que alí mourejam e propiciará meios para maior número de crianças póbres póssam, naquela Casa, ensaiar os primeiros passos contra o analfabetismo, preparando-se para serem mais úteis à família, à sociedade e à própria Pátria, nos dias de amanhã.

Se Marília é detentora de invejáveis concretizações nêste campo, a Juventude Católica de Marília e suas realizações ocupa(m), nêsse rosário de elogiáveis iniciativas sociais e assistenciais, uma plana de relêvo.

Nós, que sempre nos preocupamos com as boas causas da cidade, que sempre gostamos de divulgar os bons empreendimentos e as realizações majestosas, não pudemos furtar-nos ao ensejo dêste registro.

Nossos votos, portanto, para que os dirigentes da J.C.M. continuem a apresentar o mesmo espírito de lutas até agora manifestado e que continuem a encontrar o apôio público para prosseguir com sucésso éssa belíssima caminhada.

Extraído do Correio de Marília de 15 de maio de 1958

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ainda os Preços dos Medicamentos (14 de maio de 1958)

Temos nos insurgido, inúmeras vezes, através desta coluna, acêrca do absurdo que representa entre nós, a constante marcha elevatória dos preços das drogas farmacêuticas, sem nenhuma providência palpável das autoridades responsáveis.

Efetivamente, um dos maiores abusos contra a economia popular no Brasil (do grande rosário existente), traduz-se no assalto “motocontinuizado” dos laboratórios farmacêuticos nacionais e dos intermediários importadores dos produtos déssa natureza.

Tal acontecimento representa aquilo que se poderá chamar, sem medo de errar, em “caso de polícia”, porque o roubo, o assalto, é crime e como crime é combatido pela polícia.

Até a Câmara Municipal “entrou na dança”, aprovando um oportuno requerimento do sr. Hermógenes Santos, protestando veementemente contra tal estado de coisas, aparentemente injustificável.

Mas, como dissemos, o mal é de carater nacional – ou melhor, “nacionalizado”. Vejam os leitores, o teôr de um telegrama procedente de Pôrto Alegre e divulgado pela Agência Meridional:

“- O arcebispo metropolitano D. Vicente Scherer, em declarações à imprensa, teve oportunidade de se manifestar contra o absurdo dos preços atuais dos medicamentos industrializados.

- “Tive ensejo de verificar, por intermedio de elementos que me foram apresentados, o verdadeiro disparate dos preços atuais dos remedios” – disse, inicialmente, para continuar:

- “Esses preços, conforme se vê, são inteiramente desproporcionais às despesas de sua produção. São exagerados os lucros dos produtores. São mesmo desonestos” – ajuntou o ilustre prelado.

Depois de referir que os preços de alguns remedios, correspondem, não raro, ao salario de dois a três dias de um operario trabalhador, o arcebispo declarou:

- “Isso evidencia a manifestação do “capitalismo desalmado”, de que tive ensejo de falar no dia 1º de maio. Esses são fatos que causam a justa revolta das classes menos favorecidas da sociedade e que tem levado muitos, mercê de recursos que não dispõem, ao desespero e – por que não dizer? – tem feito que muitos demandem às fileiras comunistas e agitadoras”.

Finalizando, disse o arcebispo D. Vicente Scherer:

- “Há que se fazer algo. Os nossos governos não podem cruzar os braços e deixar que a situação caminhe para dias piores”.

Estamos com o arcebispo metropolitano de Pôrto Alegre. Pena que as autoridades constituidas não tenham ainda pensado sôbre o caso e tomado algumas providências a respeito déssa calamidade.

Extraído do Correio de Marília de 14 de maio de 1958

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Mater (10 de maio de 1958)

Amanhã, segundo domingo do mês de maio – o Mês de Maria, o mês das flores –, marcará a comemoração do Dia das Mães (de 1958).

Estávamos no meio de um escrito para esta coluna, quando um telefonema feminino, de leitora assídua de nosso jornal, nos solicitou que escrevessemos alguma coisa “sôbre a personalidade da mãe em seu real e profundo sentido”. Como, habitualmente, esta coluna não circula aos domingos, vamos tentar rabiscar alguma coisa sobre a Rainha do Lar, em substituição àquilo que inicialmente ensaiáramos.

Mas, escrever o que? Como delinear êsse poço de bondade, sacrifício e abnegação que se chama Mãe? Como conseguir expressões gramaticais, capazes de convencer, de provar a majestade excelsa daquela a quem Deus deu o poder de gerar, conduzir nove meses dentro de si e colocar a gente no mundo? Nêsse mundo maluco, de correrias, de ganâncias, ingratidões e podridão moral?

Tudo o que se escrever a respeito do amor sublime das Mães, mesmo que da lavra das maiores intelectualidades imagináveis, não conseguirá traduzir, integralmente, a valiosidade inalcançável da grandeza moral do amor de u’a Mãe.

Mãe é, antes de tudo, uma criatura abençoada pelo próprio Criador, à quem confiou missão sublime e elevada. Designada pela vontade do Pai, nasceu para sofrer com um sorriso nos lábios. Chefia de fé, complacente, humana, alimenta-nos com o seu sangue no próprio ventre, sofre sorrindo quando nascemos e nos dá a seiva da vida através dos próprios seios. Sofre conosco nas adversidades, permanecendo desvelada ao nosso lado na doença. Tem sempre um cuidado extremoso e um desassossego indisfarçável pelas nossas vidas. E o faz do modo mais natural do mundo, como só a Mãe sabe fazê-lo.

Rí com nossas travessuras e não consegue conter lagrimas de contentamento quando iniciamos os primeiros passos ou pronunciamos as primeiras palavras. Sente-se inundada pela felicidade quando balbuciamos as primeiras letras do alfabeto.

Não vive para sí, vive para os filhos. Não pensa em sí unicamente, para pensar exclusivamente naquêles que gerou e que dêles se orgulha.

As Mães cuidam mais de nós, do que nós próprios. Mãe é aquilo que se pode chamar de Anjo da Guarda terrestre. Só elas sabem perdoar realmente, porque só as mães têm coração capaz dessa grande virtude.

Muito se tem escrito a respeito do amor de Mãe. Muito ainda será feito nesse mesmo sentido, sem que ninguém jamais possa conseguir atingir a perfeição, quando tentar descrever a grandeza do coração de u’a Mãe.

Criaturas abençoadas, que não sentem fome quando não comemos, que participam como só elas sabem participar de nossas menores preocupações. São capazes de permanecer indefinidamente à nossa cabeceira quando nos recolhemos ao leito, sem o menor esmorecimento. Suas preces nos salvam e são ouvidas por Deus, porque só a oração sincera, verdadeira e de coração, agrada ao Pai.

Os que têm Mãe, são sem dúvida os mortais mais felizes do universo. Terão, no dia de amanhã, um motivo justo de render um preito de respeito e gratidão àquelas criaturas abençoadas. E, quem não tem a ventura de ter Mãe viva? A êstes só restará o consôlo e o dever inquestionável da rememoração da idéia, da recomposição de um quadro saudoso, do reavivamento da saudade eterna pela lembrança daqueles que lhes deram as vidas.

Amanhã, domingo, é o Dia das Mães. Saibamos, dentro de nossas possibilidades de filhos amantíssimos, interpretar a grandeza dêsse magno dia.

As Mães merecem nosso respeito, nossa reverência, nossa estima. As Mães merecem muito mais, alguma coisa que nós sentimos, sabemos o que é, e temo-la dentro de nós, mas não sabemos explicá-la em todos os sentidos – o amor sublime, filial. O amor dos filhos pelo amor das Mães.

Às Mães de todo o mundo, através das Mães de Marília, nessa data gloriosa de amanhã, nós nos curvamos humildemente, rendendo nosso respeito e admiração.

Deus vos abençôe, Mãe de todo mundo, de todas as gentes.

Extraído do Correio de Marília de 10 de maio de 1958

domingo, 9 de maio de 2010

Desfazendo dúvidas (9 de maio de 1958)

Êste esclarecimento, embora sem endereço certo e quase desnecessário para a maioria dos marilienses, e, em especial, para nossos leitores, tem a sua razão de ser.

Um leitor do “Correio”, abordou-nos ontem na Avenida, para indagar-nos se na série de artigos que vimos escrevendo, acêrca da necessidade da eleição de um candidato de Marília, no próximo pleito eleitoral, consubstancia-se a opinião do jornal, em todos os sentidos.

Absolutamente.

Os escritos subordinados aos epígrafes diários desta coluna, são, como sempre foram, de responsabilidade total de seu autor. O jornal, pela sua direção e tradicional linha de conduta, sem vínculos ou compromissos políticos à qualquer facção partidária, é, antes e acima de tudo, um órgão de imprensa – livre, democrática e independente, graças a Deus.

Como um órgão de divulgação perfe(i)tamente legalizado e sem laços idealistas – no setor político-partidário –, acolhe em suas colunas idéias de variados prismas; têm os braços e portas abertas para todos. Como veículo publicitário, dá guarida à publicidade em geral. Esta a razão que nosso interpelante pergunta-nos se “fazendo campanha de candidatos locais, não estaríamos combatendo sistematicamente os candidatos de fóra”. Os pontos de vista da coluna “De Antena e Binóculo”, embora possa representar o jornal, não são o espelho fiél do pensamento da direção do órgão. Tanto assim, que o jornal aceita e divulga propaganda política de qualquer candidato, de Marília ou não, como qualquer órgão de imprensa e rádio. Aí entra a parte comercial, sustentáculo da imprensa – mesmo porque assinaturas anuais não chegam a pagar sequer o papel das edições normais.

Ademais, a campanha empreendida por esta secção, é mais de esclarecimento e apêlo públicos. Jamais combatemos os direitos dos candidatos de outras plagas (e nossos escritos estão aí, para corroborar a afirmativa), direitos êsses outorgados pela própria Constituição Federal. Pelo contrário, sempre respeitamos êsses direitos, ao utilizarmos os nossos próprios.

O que combatemos (e combateremos, não tenham dúvidas), são os trabalhos desenvolvidos por marilienses aqui radicados, que, como “cabos eleitorais” remunerados sob qualquer forma, dedicam-se a cabalar botos para candidatos estranhos.

É um ponto de vista pessoal – irredutível, diga-se de passagem – que nada tem a ver com o andamento da parte comercial e publicitária do jornal, não impedindo, em absoluto – e nem representando nenhum contra-senso – a aceitação de propaganda política de quem-quer-que seja, conforme vem acontecendo.

É fácil compreender o referido, que é decorrencia natural da vida de qualquer jornal (ou rádio-emissora, para reforçar a afirmativa).

A campanha subordinada a coluna presente, conforme já dissemos inúmeras vezes, é de integral responsabilidade de seu autor. E, cá p’ra nós, já é bem velhinha.

No passado a mesma existiu, sem que isto tivesse sido motivo do jornal divulgar publicidade de diversos candidatos. Pelo contrário, muitos candidatos fizeram questão cerrada de preferir nosso jornal, em decorrência do espírito democrático de sua orientação e preferência pública.

Ademais, a campanha désta coluna não impéde, não cerceia, não coage. Nós próprios já cançamos de repetir que o vóto é livre e cada qual tem o direito de fazer dele o uso que entender. Procuramos, apenas, alertar a consciência daqueles que reputamos como bons marilienses. E, repetimos, combatemos os que mercantilizem votos.

Extraído do Correio de Marília de 9 de maio de 1958

sábado, 8 de maio de 2010

Marília, políticos e candidatos (8 de maio de 1958)

Sabem todos os nossos leitores, que, de ha muito, vimos nos preocupando honestamente, com respeito a eleição de candidatos marilienses no pleito de outubro.

Igualmente, ninguem deve ignorar, que essa contenda nenhum outro sentido ou interesse representa de nossa parte, que não o desejo de vermos Marília perder de uma vez por todas, a sua indesejável e abjeta condição de órfã permanente nas Casas Legislativas do Estado e Federação.

E nós podemos apregoar essa luta, por duas razões primordiais: primeira, porque amamos a cidade e seu laborioso povo, em cujo meio sempre encontramos incentivo, crédito moral e amistoso, além de estima e respeito comuns, fatores preliminares para a cativação de qualquer cidadão bem intencionado e que busca meios para ganhar seu pão honestamente. Segunda, porque somos intrinsicamente apolíticos, não temos compromissos para com ninguém (politicamente falando) e tãopouco pretendemos favores políticos ou aspiramos nomeações de cargos públicos para algum parente ou amigo.

Isto posto, melhor nos encontramos para comentar a questão de que o eleitorado mariliense tem a necessidade inadiável de ser honesto consigo mesmo, com a cidade e seu grande povo.

Desprezar nomes da terra, capazes, honrados, honestos e de atitudes irrepreensíveis como políticos e como marilienses –, é cometer ingratidão aos destinos futuros de Marília.

Carrear votos para candidatos alienígenas, embora insuspeitos, capazes e provavelmente bem intencionados, representará um trabalho flagrantemente contrário aos nossos próprios interesses.

Cabalar votos para candidatos de fóra, fazendo trabalhos de “cabo eleitoral” de gentes de outras paragens, à troca de dinheiro, conviniências pessoais ou promessas de empregos públicos, significa atitude passível de repúdio, denotando, antes e acima de tudo, falta absoluta daquilo que se chama amor por Marília.

Não titubearemos em apontar, publicamente, como igualmente fará a União Eleitoral Mariliense, os nomes dos políticos locais que se valerem dêsse expediente de estômago, bolso ou conviniências pessoais.

A propósito, registramos a incoerência de dois conhecidos políticos locais, com assento à Câmara Municipal. De ha bastante tempo, vem os mesmos nos procurando seguidamente, elogiando “de corpo presente” nossa campanha e incentivando-nos a continuar na caminhada.

Pois não é que êsses dois vereadores, de uns dias para cá, principiaram a pôr “as manguinhas de fóra”, trabalhando pouco veladamente para candidatos alienígenas?

Muita gente, sabemos, já está de posse de material de propaganda política de candidatos de fóra, material êsse, que, certamente, deve ter sido acompanhado de outro “material”. Sonante, bem entendido.

Mas, voltando ao caso dêsses dois políticos, cumpre-nos dizer que os mesmos ocuparam seguidas vezes a tribuna da Câmara, bradando (e as vezes alteadamente), da necessidade mariliense de eleger seus próprios candidatos. Para nós, isso prova dupla personalidade, ou, no dizer vulgar do “zé povinho”, “duas caras”: Uma para a Câmara e outra – a verdadeira –, a do “Ego”, de conviniencias e apetites pessoais.

É realmente lamentável, mas é verdade.

Porisso repetimos sempre: O povo deve atentar para êsses fatos, não deve deixar-se arrastar pelo engodo eleitoreiro dos candidatos de fóra, deve repudiar os maus marilienses que mercadeiam a consciência, trabalhando contra os interesses de Marília e dos marilienses, como “cabos eleitorais”, servos remunerados de “doutores promessas” de outras plagas.

Temos em Marília, quatro candidatos, que reputamos enquadrados na condição de “candidatos marilienses”: Hélio Scarabotôlo e Aniz Badra, para a Câmara Federal; Guimarães Toni e Fernando Mauro para a Assembléia Estadual.

O resto é...

Extraído do Correio de Marília de 8 de maio de 1958

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Uma campanha louvavel (7 de maio de 1958)

O dr. Francisco Severino Duarte, diligente delegado adjunto da Regional de Polícia local, já o dissemos e é por todos sabido, deu mostras sobejas de um espírito atinado e trabalhador, em pról do bem estar público, no combate e repreensão ao crime sob suas diversas formas.

Autoridade de escól, é também um cidadão democrático por excelência. Um verdadeiro abnegado dentro de suas responsáveis funções, dedicando-se integralmente ao desempenho do espinhoso cargo.

Não que Marília tivesse ensejos para registrar, em sua história, a passagem por aqui, de delegados de Polícia ineptos ou detentores de qualidades pouco louváveis; nesse particular, a família mariliense sempre foi felizarda. Acontece que o atual delegado de Polícia, apresenta ainda uma atuação mais destacada entre nós, cujos atos são marcados por um rosário de iniciativas encomiosas, pela tranquilidade e bem estar públicos que oferecem.

Exemplo disso, temos mais uma vez, ao conhecermos nobilíssima campanha de esclarecimento e prevenção, encetada pela Polícia, com respeito à criançada mariliense. Primeiro, criando a Polícia Mirim, organismo auxiliar do trânsito e da polícia civil, que procura oferecer meios de trabalho digno à menores, ensinando-lhes forma útil de servir causa nobre. Segundo, chamando as atenções dos pais e responsáveis pela garotada mariliense, com o fito de um necessário controle de todos os afastamentos infantis dos respectivos lares.

Vejam os leitores, a publicação à respeito, divulgada pela polícia em jornais e rádios da cidade, dentro do noticiário especializado da própria polícia:

“ATENÇÃO, SENHORES PAIS E MÃES!”

“Quando seus filhos saírem, procurem saber onde foram, onde estiveram, a que horas saíram de casa, quando regressaram.

“As más companhias corrompem!

“Controlem as cadernetas de frequência escolar. Procurem de quando em vez, os mestres de seus filhos para saberem do seu (a)proveitamento e comportamento.

“São pequenas medidas preventivas, que evitarão futuros aborrecimentos.

“Pais e mestres, combatam por todos os meios as leituras perniciosas!

“O amanhã desta grande terra está nas mãos das crianças de hoje e o amanhã dessas crianças, está nas nossas mãos. Cumpre-nos dar ao menor, proteção e amparo que o leve a ser feliz e útil à sociedade”.

O apêlo acima, traduz uma grandeza inequívoca de boas intenções.

É necessário que reconheçamos nisso, uma campanha policial das mais louváveis.

Poucas vezes vemos exemplos dessa natureza, em que pese a polícia toma medidas preventivas e justas para evitar-se resvalos de ações das nossas crianças.

Poucos tópicos contém tudo, dentro do apêlo da polícia, com respeito à segurança e o andamento pelo bom caminho da criança mariliense, os homens que guiarão Marília nos dias de amanhã.

Cooperar e atender essas sugestões, só representarão bons frutos, uma vez que a idéia é nobre, humana e louvável, sobretudo, necessária e bem intencionada.

Nossos parabéns.

Extraído do Correio de Marília de 7 de maio de 1958

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O caldeirão vai principiar a ferver (6 de maio de 1958)

Não será “sopa” mesmo, embora nessa fervura entrem diversos “ingredientes”.

Refiro-me ao caldeirão da política nacional, especialmente nesta época de pré-eleições. Varias alterações sofreu nos últimos dias a política do país com vistas ao próximo pleito eleitoral. Está se verificando aquilo que há pouco tempo atrás poderia ser considerado impossível: harmonia de forças políticas das mais antagônicas possíveis e imagináveis. Objetivando, como é lógico, mais positivos resultantes, valendo-se, por outro lado, de exemplos do passado, com fundamento em derrotas, de modo especial. Uma espécie de “cooperativismo político”.

De tudo isso que estamos vendo (amplamente divulgado e comentado), uma coisa é certa: os dirigentes políticos do país estão se convencendo de que o eleitorado brasileiro, regra geral (em que pese a sua condição de maioria semi-analfabeta), está conquistando a “maioria política”. O eleitor de hoje, em sua maioria e com exceção de certo número intransigente e algo obsecado, está abandonando a condição do cabresto que o retinha, erradamente, preso à determinadas correntes partidárias. Hoje o voto é mais consciente do que se propalou sempre. A maioria abandona legendas para confiar em homens e ações, certa de que acertará no futuro. E faz muito bem.

E deve prosseguir assim mesmo. Para tirar melhor proveito futuro em pról das defezas do próprio povo, prestigiando homens de ação e bem intencionados, ao envés de servir de instrumento inocente de carreamento de votos e fortalecimento de legendas, em torno de homens que já deram exuberantes provas de inépcia, incapacidade legislativa ou administrativa e amor pelo povo que se elegeram.

Todas as conquistas são frutos de lutas, como todas as vitórias completas são consequência do aperfeiçoamento de erros passados. É porisso que sempre nos batemos para que os marilienses sejam convinientemente esclarecidos e possam compenetrarem-se de que só a situação da condução de gente às Casas Legislativas, poderá modificar o crônico estado de orfandade parlamentar de Marília.

A União Eleitoral Mariliense, movimento apartidário, no qual se notam marilienses insuspeitamente apolíticos e irretorquivelmente bem intencionados, luta no presente, pela consecução dêsse ideal, cujo fundo é, indiscutivelmente, de grande envergadura patriótica. Prova disso está nas adesões espontâneas com que a U. E. M. vêm sendo cercada e prestigiada.

Movimento de idêntico jaez estão surgindo por diversos outros rincões de nosso Estado, traduzindo, sem sobra de dúvidas, uma contenda política das mais sadias e democráticas, cujo fundo é diretamente municipalista.

Está principiando a ferver o caldeirão da política nacional. Acertos, conchavos, entendimentos, acôrdos e estudos políticos, travam-se à miude.

Nêsse setor, repetimos, Marília deu um apreciável exemplo, com a união PSP-UDN. Exemplo que poderia ser seguido por outras correntes e que deve contar com a colaboração e compreensão do próprio eleitorado local.

Já é tempo de Marília eleger os seus próprios deputados.

Extraído do Correio de Marília de 6 de maio de 1958

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Conformismo, mêdo ou falta de vontade? (3 de maio de 1958)

Pela condição normal dos acontecimentos diversos, que cotidianamente se verificam entre os homens, em suas variadas fases e diversas espécies, o conformismo ocupou, entre muita gente, um lugar de destaque.

É certo que o conformismo, certas ocasiões, é sinal de previdência, compreensão, daquilo que se chama “não querer briga”. Na maioria dos casos, porém, conformismo, especialmente o acomodado, calmo, paquidérmico, bondoso, de chapéu na mão, sem ponderações, sem protestos, sem esperneias, sem nada, representa medo – medo de responsabilidade, medo de trabalho, medo de consequências, medo do próprio medo.

Isto nos ocorreu agora, ao pensarmos na vida do Marília Atlético Clube, o alvirrubro mariliense, o quadro de futebol profissional que tão dignamente foi capaz de continuar a caminhada da antiga A. A. São Bento.

O MAC morreu. Todos se conformaram. Todos menos os verdadeiros desportistas, aqueles que não participaram de diretorias, mas que foram capazes de sentir nas carnes as vibrações das contendas esportivas, porque acompanharam o alvirrubro, dentro e fóra da cidade, pulsaram com suas vitórias ou amargaram com suas derrotas.

Os que podem, devem e tem obrigação, permanecem de braços cruzados, como os conformistas acomodados, medrosos, pusilânimes.

Muita gente que aquí fez fortunas, que aquí progrediu e viu sua condição de vida prosperar, deixou que o MAC perecesse, por falta absoluta de providências, de boas ações, de trabalhos. Por medo de responsabilidade, por preguiça esportiva – se é que se póde empregar esse têrmo.

Garça deu um exemplo. Araçatuba, Tupã, Aparecida e até Monte Aprazível.

Marília, com 110 mil habitantes, vai ficar alijada dos certames oficiais de futebol profissional, por absoluta incúria, por indisfarçável e indesculpável preguiça de operosidade de muita gente.

Como passar os domingos agora?

Os que têm fazendas e automóveis, vão para suas propriedades, desfrutam do conforto salutar da zona rural; os que têm dinheiro vão para Santos e ficam de barriga para cima, estendidos nas praias. Outros vão para o Rio de Janeiro. Há até os que vão para a Argentina. Mas e o pobre mariliense, o operário, aquele que viveu com o futebol, que trabalha de sól a sól durante a semana e que espera uma oportunidade para aplaudir a representação da cidade?

Êsse terá mesmo que conformar-se com as irradiações de futebol das capitais, porque em Marília não existem homens capazes de tocar um clube de futebol profissional, por modesto que seja. Todos falam, todos apregoam “boa vontade”, mas todos “afinam” quando é chegada a “hora da onça beber água”.

É triste. O esporte bretão é o único, até agora, que domina, que está no coração das massas. E as massas têm direito a um divertimento. O futebol é necessário, é preciso, da mesma maneira que o pão é para o estômago e a oração para a alma.

Ainda há tempo. Só querer.

Só um homem pode resolver o caso do MAC: Alfredo Inácio Trindade. Entretanto, êsse homem não é adivinho e não sabe que milhares de marilienses esperam, decepcionados, providências de comodistas e falsos esportistas da cidade.

O MAC morre, mas não por falta de apoio público. É uma infâmia declarar-se isso, quando o público não foi consultado, não foi chamado a colaborar. Não foi chamado, porque os “grandões” do futebol mariliense fizeram muitas encenações e não foram capazes de realizar nada de positivo.

Não se culpe a “torcida” pelo desaparecimento do MAC. Culpem-se os “falsos esportistas” marilienses... que temos em abundância entre nós.

Infelizmente.

Extraído do Correio de Marília de 3 de maio de 1958