sábado, 28 de setembro de 2013

Uma sentença “sui generis” (28 de setembro de 1974)


O jornal “Tribuna da Justiça”, editado em São Paulo, publicou, dia destes, um fato curioso, referente a uma sentença judicial.

Uma sentença verdadeiramente “sui generis”, proferida num processo em que figurava como ré uma senhora acusada de furto num supermercado.

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O fato, segundo a notícia divulgada pelo referido jornal, aconteceu na cidade de Trani, na Itália.

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O Dr. Antonio Belsito, juiz de direito de primeira instância da Comarca de Trani, entendeu que “não comete crime, mas apenas um ato cível ilícito, quem apanha e não paga mercadoria expostas nos supermercados”.

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O juiz acabou por absolver uma mulher, que em dezembro do último ano (1973), furtou de um supermercado de Trani, um tubo de pasta dentrifícia e dois sabonetes.

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No entender do magistrado não se pode processar criminalmente a pessoa que se apoderar de objetos ou produtos expostos ao público, nos balcões ou prateleiras de supermercados, uma vez que, em tais circunstâncias, o ato jurídico de compra se formaliza e consuma exatamente no momento em que se apanha a mercadoria e não quando se proceder o pagamento da mesma.

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Na opinião do juiz Antonio Belsito, a partir do instante em que a pessoa retirou a mercadoria da prateleira ou do balcão já efeutou o ato de compra.

Assim, se não passar pelo caixa, essa pessoa poderá, no máximo, ser acionada pelo fato de omitir-se ou esquivar-se do não pagamento de uma dívida contraída, mas nunca poderá ser processada por essa ação, que não configurou roubo.

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Tai um negócio esquisito, esse.

Inda bem que por aqui ninguém vai tentar furtar nos supermercados, esperando que o Dr. Miguel Gomes Fernandes ou o Dr. Carlos Roberto Gonçalves venham a louvar-se no mesmo pensamento e no mesmo espírito de sentenciar de seu colega italiano.

Se assim fôra, seria um deus-nos-acuda, óra.

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No comentário desta notícia não reside qualquer opinião, mesmo porque o jornalista é leigo em questões de jurisprudência.

A notícia fica comentada, no que diz respeito à sua essência natural, tal qual como foi divulgada.

O objetivo de sua citação foi apenas a curiosidade, o ineditismo, para que do fato tenham conhecimento os leitores da coluna.

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Afora aquilo que para os leigos poderia parecer “esquisitice”, a sentença tem um outro ângulo digno de ser apreciado: a capacidade extraordinária e mesmo rara desse magistrado italiano, no dissecamento da lei, na interpretação da jurisprudência, vendo no espírito dos diplomas legais a configuração das penalidades que a lei comina e também os favores que a própria lei dá e garante aos cidadãos.

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A sentença, no seu conteúdo, revelou uma inteligência impar do magistrado, um talento jurídico dos mais puros e a mais absoluta imparcialidade e independência no julgar.

Isso é o que pensei, como leigo, ao ter conhecimento da sentença aludida, publicada pelo jornal citado, sob o título: “Furto em supermercado não é crime”.


Extraído do Correio de Marília de 28 de setembro de 1974

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Luz nas trevas da ignorância (27 de setembro de 1974)


Quando se instituiu o Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL, nem toda a gente conseguiu, de imediato, exteriorizar uma confiança ilimitada, sobre os efeitos seguros e palpáveis futuros, que o mesmo viria a alcançar.

De certa forma, dois motivos poderiam justificar essa espécie de frieza popular, ou mesmo de dúvidas sobre os êxitos do MOBRAL, incógnitos na oportunidade e reais e sacramentados nos dias de hoje.

Por um lado, lembravam alguns de movimento análogo, surgido em pretérit, sob a denominação de Campanha de Educação de Adultos. Apesar da importância e mesmo da nobreza de suas finalidades, a CEA não conseguiu produzir todos os efeitos que seria de esperar.

Por outro lado, na ocasião do surgimento do MOBRAL, o país principiava a engatinhar, sob a égide do regime revolucionário – situação hoje definida, mercê de Deus e graças ao espírito de patriotismo de nossa gente e de nossas Forças Armadas.

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Hoje o MOBRAL inspira confiança e orgulha muita gente. A sigla é pronunciada com respeito, porque representa um movimento patriótico, sublime, que tem tirado das trevas do analfabetismo milhares de brasileiros.

Nestes últimos cinco anos o índice de analfabetos no Brasil apresentou uma queda bastante expressiva, provando, em consequência, os efeitos salutares e patrióticos dos objetivos e das efetividades desse organismo.

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No ano de 1973, o MOBRAL promoveu o I Seminário Latino-Americano de Alfabetização de Adultos.

Presentes estiveram técnicos da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

Agora, a UNESCO vem de dar a público as conclusões chegadas a respeito do Seminário referido e do Movimento Brasileiro de Alfabetização, reputando o MOBRAL como o maior movimento de alfabetização de adultos em todo o mundo.

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O relatório da UNESCO, embora sucinto e objetivo, é assaz longo para ser transcrito neste espaço. Uma obra-prima de fé, de confiança, de louvores, destacando e reconhecendo no MOBRAL um movimento de impressionante brasilidade.

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O início dessa manifestação oficial assim está conduzindo:

“Ao longo do presente estudo foram apresentados alguns dos problemas mais importantes da educação no Brasil, e como parte deles o analfabetismo, e fez-se uma descrição do Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), ao qual o Governo confiou a tarefa de reduzir drasticamente as taxas de analfabetismo, reveladas no censo de 1970. Informou-se sobre as bases e conceituais do Movimento, sua organização, as pessoas envolvidas no programa, as diferentes frentes de trabalho do MOBRAL e suas características técnicas, bem como sobre os resultados obtidos até o momento”.

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E parece que a UNESCO vai além, afirmando seu próprio entusiasmo pelo MOBRAL, “o maior movimento de alfabetização de adultos de todo o mundo”.

Extraído do Correio de Marília de 27 de setembro de 1974

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Ferramenta enferrujada (26 de setembro de 1974)


Todo bom artesão deve possuir, além da competência e atenção profissional, como indispensável apetrecho, boas ferramentas.

Uma ferramenta enferrujada dificulta a perfeição e o bom rendimento do trabalho, fazendo a presença de imperfeições, com resultados negativos.

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Assim é a política. Ferramentas não de trabalho, mas de ideias doutrinárias, de arte – não de artimanhas.

Política é uma verdadeira ciência, em termos de análise real e objetiva. Só pode ter lugar em terrenos democráticos, pois onde impera ditadura e regime de força, a política não se configura como ciência e sim como aglomerado imperativo que todos temem antes que respeitam. Significa a política, a releção entre o povo e Estado, arte de comandar, de dirigir as organizações que representam parcelas governamentais. É um élo de comunicação social e exige a coesão de forças e pensamentos, sob o rótulo de partidarismo.

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Em Marília, a política é ferramenta enferrujada.

Haja vista a desunião de suas próprias forças, quase todos lendo por cartilhas diferentes, falando línguas diferentes.

Esse fenômeno, no que respeito diz, à força doutrinária situacionista, está apresentando os efeitos de uma colcha de retalhos, onde as costuras interligantes não apresentam o mesmo efeito, enfraquecendo pontos e alas, gerando dissidência, fomentando separações, provocando ressentimentos e distanciando a coesão de princípios partidários.

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Referido estado de coisas, nesse aspecto, é lastimável numa cidade de fôros de cultura e tradições como Marília.

Políticos arenistas, inclusive delegados do partido da situação, desgarraram-se do grosso do rebanho, formando grupos esparsos e até solitários, depauperando o próprio partido.

Em cada cabeça mais de uma sentença, em cada atitude mais um distanciamento da união necessária, imprescindivelmente necessária à harmonia partidária.

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Até o próprio candidato à deputado pela Arena está sozinho, qual um navegador solitário num barco sem remo e sem rumo.

Os que tinham por dever doutrinário aquilo que bem poderia chamar-se solidariedade política, tomaram rumos diversos, cada qual compromisando-se e apegando-se com candidatos alienígenas, numa prova indiscutível da falta completa de uma liderança.

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Além da ferramenta enferrujada, deprecia-se o próprio artesão – em comparação grosseira, o próprio partido situacionista.

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O reverso da medalha representa-se por um negativismo dos mais censuráveis, eis que a dissidência, a desunião, a falta de coesão, os caminhos diferentes, as quizílias e os desentendimentos, aliados a apatia ou antipatia, estão produzindo efeitos outros.

Nesse reverso da medalha, nessa germinação de efeitos outros, as forças situacionistas de Marília, promovendo e advogando a disperção de votos, estão contribuindo para a sequência da orfandade mariliense no parlamento estadual.

E, além do que isso, o pior: estão dando um gigantesco caldeirão de chá ao partido oposicionista.

Extraído do Correio de Marília de 26 de setembro de 1974

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Dois lembretes (25 de setembro de 1974)


Agência Estatística, vez por outra, fazendo-nos presente de avulsos, contendo monografias de cidades diversas, espalhados por todos os quadrantes do Brasil.

Referidas publicações, editadas em litogravuras e em papel “couchê”, em cores, ilustradas com vistas panoramicas e fotográficas, enfeixam um compêndio de dados informativos e estatísticos úteis. Dão às pessoas que não conhecem as cidades monografadas via IBGE, a imagem de suas próprias pujanças, de seus poderios econômicos, sua vida social, sua força de produtividade e outras demais informações gerais e oficiais.

Agora, por exemplo, estamos recebendo as monografias das cidades de Uberaba (Minas Gerais) e São José (Santa Catarina).

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De há muitos anos que a referida sistemática vem funcionando, a julgar pelos números desses tipos de monografias que já recebeu este jornal.

Todavia, não nos consta de que a cidade de Marília tenha sido focalizada nessa espécie de divulgações, ou mesmo que esteja na “fila” para sua focalização.

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Em se tratando de um trabalho de imprensa, muito útil, válido e eminentemente promocional, aqui fica consignado nosso interesse mariliense, para que as autoridades estatísticas do IBGE possam voltar as vistas para Marília, publicando também a monografia de nossa cidade.

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Marília, considerada Capital de uma exuberante e rica região, como é a Alta Paulista, de apreciável densidade demográfica, séde de uma Região Administrativa do Estado, apresentando efervescente desenvolvimento, destacando-se no parque industrial interiorano, sendo centro educacional de respeito e elevado conceito, com mais de meia dúzia de cursos superiores em funcionamento, “caberia” perfeitamente num trabalho monográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Prefeito e Câmara Municipal poderiam interessar-se pelo assunto, após conhecer, junto à Agência de Estatística, as publicações que estamos falando.

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Nesse particular, nossa cidade tem pouca divulgação.

Os dados sobre Marília, publicados graciosa e espontaneamente nas Listas Telefônicas, são racionadíssimos e nem muito atualizados.

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Em pretérito, durante a administração Barretto Prado, o jornalista Américo Fittipaldi fêz editar avulsos mais ou menos análogos aos trabalhos de monografia qu estamos citando. Proporcionalmente de menor penetração e menos completos, se levarmos em consideração o cunho informativo oficial das monografias do IBGE. Mesmo assim, foram úteis, disputados e cobriram parcialmente seu quinhão promocional sobre a cidade.

Além disso, não nos consta de que outra medida tenha sido tomada, que pudesse surtir os efeitos e a penetração dos trabalhos estatísticos citados, que são distribuidos em todas as cidades do Brasil.

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A respeito do assunto e lembrando caso correlato, convém salientar de que está urgindo a elaboração de novo Guia de Marília.

O que atualmente existe, de caráter particular, foi editado por Octávio Ceschi, em 1968, estando, por isso mesmo, bastante superado e com sua edição totalmente esgotada.

Inda recentemente, presenciei o fato de um viajante de fora tentar localizar determinada rua da cidade e a mesma não constar do referido Guia.

Aqui ficam os dois lembretes.

Extraído do Correio de Marília de 25 de setembro de 1974

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Uma xifopagia que não é (24 de setembro de 1974)


Quando se fazem alusões sobre a vida e o dinamismo da vizinha cidade de Bauru, em relação à dimidiações pró Marília, não quer isto significar a existência de quaisquer sentimentos menos louváveis para contra aquele progressista centro.

Em contrapartida, todas e quaisquer referências desse mesmo jaez, relatando fatos e motivos sólidos e comprovados, traduz-se indisfarçavelmente em promoção justa do progresso bauruense.

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Ocorre – especialmente nestes últimos tempos – que por falta, ou ausência de liderança política de Marília – ou por outro qualquer motivo que semelhante valha – vários aspectos do progresso e de reivindicações marilienses, senão pretéritos, tem ficado em “fila” ou dependência da exuberância de Bauru.

Nos casos em tela, nenhuma culpa cabe ao bauruense, mas a verdade é que uma falsa xipofagia, parece unir as duas cidades.

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Recentemente, na Câmara Municipal, o vereador Luiz Homero Zaninoto, deu na Câmara uma clarinada de alerta: Marília continua dependendo de Bauru em tudo ou quase tudo, que se refere à rêde particular de ensino. Mesmo com a implantação em Marília, da Delegacia Regional da XI Divisão Administrativa.

Esse é um dos muitos casos.

Mas existem outros.

Alguns, por coincidência, outros por analogia.

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Outro exemplo:

Desde janeiro último (de 1974), a Viação Aérea São Paulo (VASP) vem servindo Bauru. Recorde-se que, de conformidade com os planos governamentais anunciados pelo Sr. Laudo Natel, Marília, Bauru, Araçatuba e Presidente Prudente, iriam constituir a “cabeça de ponte” dos aviões “Bandeirantes”, na zona compreendida entre as regiões sul-centro-oeste do Estado.

Marília, como sempre e para não alterar a monotonia, continuou e continua ficando de fóra.

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Bauru tem meia dúzia de viadutos interligando vários pontos periféricos da cdade sobre os trilhos da Fepasa. Representam progresso, dinamismo, enriquecimento urbano-arquitetônico da cidade.

Maríia não tem nenhum.

O único que deveria já estar concluído e que, representando intentos do ex-prefeito Barretto Prado, traduzia uma concessão governamental, foi recusado pela Câmara Municipal de nossa cidade.

Agora, vem o “Diário Oficial” do Estado de publicar edital de concorrência pública para a construção da segunda etapa do viaduto da confluência das Avenidas Nações Unidas e Duque de Caxias.

De acordo com o projeto original, o viaduto referido seria construído de um único vão livre – já edificado – e teria suas laterais formadas por grandes aterros, que viriam comprometer a região e comprometer o aspecto urbanístico da Avenida das Nações Unidas.

Quando assumiu a prefeitura bauruense, o Sr. Luiz Edmundo Coube, tratou imediatamente de modificar o plano, tendo sido construída somente a estrutura de concreto armado do vão central para que, em lugar do pretendido aterro, venham a surgir nesta segunda etapa, quatro vãos livres de concreto.

Deu trabalho, houve necessidade de modificação do projeto inicial, mas isso foi conseguido, mercê dos esforços bem bauruenses do prefeito da “cidade sem limites”.

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Prova de que Bauru tem liderança política. Aliás, sempre teve, em homens como Ernesto Monte, Nuno de Assis e Avallone Jr. – no passado – e Alcides Franciscato, Abrahin Dabus e Edmundo Coube – no presente.

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Quinze de novembro aí está.

Irá Marília, mais outra vez, continuar sua condição de órfã política e a manter a xifopagia que não é.

Extraído do Correio de Marília de 24 de setembro de 1974

sábado, 21 de setembro de 2013

Hoje, Dia da Árvore (21 de setembro de 1974)


Comemora-se neste 21 de setembro o Dia da Árvore.

Conscientizando-nos da importância da efeméride, resta-nos o contundente pezar de aceitarmos a auto-condição de sermos uma nação que mais destruímos do que plantamos árvores.

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Neste último meio século, o machado destruidor vitoriou-se de norte a sul na fabricação de desertos, destruindo, especialmente no sul do Brasil, oitenta por cento – ou mais – do grande oceano verde.

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Somente de uns anos para cá o reflorestamento parcial passou a ter presença, mas sem atingir até aqui sua plena maturidade. Mesmo apesar da sombra da Lei, destinada ao fim com a disciplinação de incentivos fiscais.

Não conseguiu a sombra da lei fazer ainda a sombra das árvores.

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O advento da Rodovia Transamazônica, levando o progresso do sul ao norte do país, torna-se também um caminho aberto para a gana destruidora de nosso potencial de martas virgens, fazendo prever um porvir funesto, que será lamentado pelas gerações futuras – a menos que escalões superiores voltem para o problema vistas no afã de impedir a presença do machado destruidor.

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O Dia da Árvore foi comemorado pela primeira vez a 21 de setembro de 1872, no Estado de Nebrasca, nos Estados Unidos da América do Norte.

Depois do povo americano, outras nações passaram também a adotar a data como respeito, importância e preservação das florestas.

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No Brasil, a primeira comemoração do Dia da Árvore aconteceu não no dia 21 de setembro, mas sim no dia 7 de julho de 1902, antes da fixação da data oficial agora adotada e que hoje se comemora.

Coube a primazia da primeira homenagem dessa data à cidade paulista de Araras. E desde aquele ano (1902), a dinâmica e progressista Araras cultua suas árvores com desvelado carinho.

Tanto isso é verdade que em Araras “em todo quintal existe pelo menos uma árvore”.

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Providencias precisam ser adotadas pelos governos no sentido de impedir a sequência desse fabrico de desertos.

Independente do panorama legal vigente do reflorestamento através de incentivos fiscais, deveria o Governo da União baixar e fazer cumprir um decreto lei que bem poderia ter a seguinte redação:

“Artigo 1º. e único – Todas as propriedades rurais do Brasil ficam obrigadas a plantar e manter em suas terras no mínimo um terço de suas áreas devidamente florestada ou reflorestada”.

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Procuremos conservar as árvores.

Árvores que dão sombras, flores, aromas e frutos. Que evitam erosões e aridês das terras. Que conservam a fertilidade do solo.

Que, no dizer da Prece da Árvore, publicada na coluna social desta edição, dão-nos a proteção para nosso ouro, o teto para nosso abrigo, a lenha para nosso calor, a mesa para nosso pão, o leito para nosso repouso, o apoio para nossos passos, o bálsamo para nossa dor, o altar para nossa oração e o caixão que nos acompanha após nossa morte!

Extraído do Correio de Marília de 21 de setembro de 1974

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

“Alea jacta est” (20 de setembro de 1974)


Menos de dois meses separam-nos do pleito eleitoral de 15 de novembro vindouro (1974). Nessa data serão levadas a efeito as eleições para deputados estadual e federal e para senadores da República.

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Não se pode negar a existência de certa camada de frieza por parte de grande massa do eleitorado geral. Parece inexistir aquele entusiasmo que cercou a antecedência dos pleitos passados.

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Tomemos para exemplo, nessa apreciação superficial, o espírito de ânimo, genericamente falando, na área mariliense.

No que diz respeito à ala situacionista, em termos locais, o entusiasmo e a vibração andam com uma temperatura polar.

Parece a consequência de uma causa: a falta de melhor hegemonia das próprias forças arenistas, que, desde o afastamento de Rangel e a morte de Cabrini, começaram a apresentar muitas fendas no próprio alicerce.

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Se não existe uma prova consubstancial dessa desarmonia doutrinária intestina, pelo menos transpira a saciedade, a deserção de uma coesão pacífica entre seus membros.

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Três fatores poderiam ser apontados como responsáveis por esse enfraquecimento local, esse estado de ausência de um entrosamento global:

Primeiro, o bandeamento de diversos arenistas, com solidariedade, trabalho e apoiamento à candidatura alienígenas.

Segundo, a tentativa de lançamento da candidatura do advogado Hélio Bambini a deputado estadual, não vista com bons olhos pela maioria arenista e que chegou a constituir-se em uma alavanca a mais, para consolidar a desunião doutrinária que já vinha vigenciando.

Terceiro, as marchas e contra-marchas na opinião política, quando da insistência do vereador Nasib em ser candidato e consequente declínio da decisão. A entrada e posterior retirada de Nasib veio reforçar ainda mais o referido estado de coisas, depauperando por completo todo o organismo da política arenista local.

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Quando se pensou em Sebastião Mônaco como medida minervana e solução mediadora, ai as coisas acabaram por enferrujar ainda mais as ferramentas.

Os arenistas não confessam, mas os de fora percebem a existência de um ar de insegurança e mesmo de incerteza.

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Todos esses fatores constituiram elos de uma corrente de delongas e protelamentos e agora os arenistas que não tem vínculos com candidatos de fora deverão marchar com Nomura e Mônaco, para as áreas federal e estadual, respectivamente.

“Alea jacta est”. A sorte está lançada.

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Enquanto isso, continua crescendo o prestígio desse moço extraordinário que é Oswaldo Doretto Campanari, que no mesmo os observadores políticos só conseguem ver um único defeito: o partido oposicionista.

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A vinculação de votos para os candidatos federal e estadual poderá ocasionar prejuízos a Doretto, mas beneficiará seu parceiro de chapa, Pacheco Chaves.

Todavia, considerando-se que o coeficiente de votos para as vagas do MDB é inferior aos necessários para a eleição de elementos da ARN, existe ai a viabilidade bem positiva do médico mariliense.

Extraído do Correio de Marília de 20 de setembro de 1974

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Uma classe humilde e ignorada (19 de setembro de 1974)


Certa feita – faz isto alguns anos já – encontrava-me num estabelecimento comercial, na Rua Cel. Galdino, quando ocorreu o fato que a seguir narrarei.

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Prestava eu, esporadicamente, à guisa de “bico”, serviços de contabilidade ao falecido contador-advogado Dr. Luiz Scaglio, no Escritório Lux.

Vizinho ao escritório existia um bar, onde se reuniam amigos e comerciantes, para os aperitivos ou o clássico “cafezinho”.

Todos conhecidos: os Grassi, os Gradim, os estudantes Solênio Giandom e Dr. Reynaldo Alves de Souza, que eram funcionários de uma filial da Tilibra, além de outros.

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Uma ocasião, quando o bar se apresentava repleto de freguesia, ali adentrou uma mocinha, que deveria ter uns 16 anos. Discretamente pintada – naquele tempo era comum o uso de baton – e bem vestida. Uma moça bonita e aparentemente muito meiga. Conversou com o proprietário do bar demoradamente e saiu levando algum dinheiro e chocolates.

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Um dos fregueses, assim que a moça saiu, perguntou ao Vergílio – o dono do bar – se era filha e o proprietário respondeu afirmativamente. O indagante deu sequência à conversa amistosa, alertando o homem do bar que “se cuidasse, pois com uma moça como aquela em casa, os ‘gaviões’ deveriam andar rondando”.

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O homem limitou-se a responder, simplesmente:
- Se o cara for trabalhador e honrado, de família direita, poderá “embarcar” com a maior facilidade. Desde que não seja vagabundo. Sendo trabalhador, poderá ser até um lixeiro.

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Hoje vem lembrar-me disso.

Do respeito desse homem por outro homem de trabalho. Do exemplo que foi citado nessa conversa sobre um homem trabalhador: o lixeiro.

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É que hoje, 19 de setembro, transcorre o Dia do Lixeiro, data que rende uma homenagem à uma classe de trabalhadores das mais humildes e até ignorada.

Classe, que, mesmo sendo humilde e ignorada, é uma das mais úteis de uma sociedade. Constituída, em grande maioria, de homens de pouca instrução, que ganham o pão honestamente, levando o trabalho a sério, mesmo sem esperar qualquer reconhecimento dos outros.

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A qualquer hora do dia ou da noite, ai estão eles varrendo nossas ruas, recolhendo o lixo defronte nossas residências, para levá-lo a locais onde não incomodem a população.

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Em Marília, o serviço de limpeza pública, as atribuições específicas dos lixeiros, apresentam também a colaboração feminina: as “violeteras”, como carinhosamente as denominou o prefeito Pedro Sola. São moças e mulheres que se dedicam com responsabilidade e atenção à limpeza de nossas ruas. Uniformizadas, aparentemente felizes, perfeitamente cônscias de suas atribuições, sabendo que o trabalho, mesmo de um lixeiro, é digno e honrado.

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Ao ensejo do registro, os parabéns à classe dos lixeiros e das “violeteras”, pela passagem de seu dia.

Porque essa classe, servindo a população, consegue realizar um paradoxo verdadeiramente maravilhoso: executar um trabalho limpo no meio da sujeira!

Extraído do Correio de Marília de 19 de setembro de 1974

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Coquetel de Notícias (18 de setembro de 1974)


Gente já principiando a habituar-se com as modificações do trânsito urbano local. Essa transformação poderá ainda sofrer outras, de acordo com observações que venham a ser feitas e constatação de necessidade para a melhoria total.

O que é certo é que a inovação de há muito vinha urgindo. Cidades como Ourinhos, Tupã, Sorocaba, Campinas, Rio Preto, Ribeirão Preto e outras, tem um trânsito regulado, sinalizado, racionalizado e funcional.

Marília, como uma das cidades que apresenta um índice verdadeiramente gigantesco de veículos motorizados – autêntico recorde em medida comparativa à sua densidade demográfica – não poderia, de forma alguma, continuar com aquele trânsito desordenado e confuso que apresentava até há pouco.

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Marília Atlético Clube, lavrando um tento louvável, ao vencer a lusa santista, nos domínios desta.

Há quem tente deslustrar essa vitória, sob a alegação de que o clube praiano está muito mal das pernas, pior mesmo do que o elenco mariliense.

Isso não vem ao caso.

Uma vitória, apertada ou não, contra time fraco ou forte, é sempre uma vitória e não tem diferença de sabor – especialmente valendo dois pontinhos em termos de certame oficializado.

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Excelente o comportamento da Câmara Municipal na noite de 2ª.-feira última. Bom senso, comedimento, discussão parlamentar à altura, caracterizou a referida reunião extraordinária.

Nota dez.

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Muito bacana o trecho da rodovia que liga Marília a Panorama, no percurso entre Pompéia e Quintana, recem construído e acrescido de mais duas faixas adicionais.

Propõem-se agora o Departamento de Estradas e Rodagens a reconstruir o trecho entre Marília e Pompéia, da mesma rodovia.

Oxalá, nesse percurso, venham a ser executados idênticos serviços aos do trecho Pompéia-Quintana – ao envés de um simples recapeamento.

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Determinado cidadão, palestrando com o jornalista, sugeriu que a Câmara e Prefeitura estudem a viabilidade de transformar a Represa Cascata, num aprazível logradouro público, com o plantio de árvores margeando o volume d’água e fazendo alí a construção de um clube náutico.

Justificou que com a adutora do Rio do Peixe e com a nova estação de tratamento, além da Vila Miranda, aquele próprio poderia ter um outro aproveitamento, que, em termos de logradouros campestres, mas viria a enriquecer o patrimônio citadino, somando-se ao Country, Marambaia, Clube dos Bancários, Yara Clube, Bosque Municipal, etc.

Ai fica o registro.

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Marília ressente-se da construção de maior número de abrigos para ônibus.

O sol e as chuvas, mesmo o vento, tem ocasionado transtornos e dificuldades aos marilienses usuários da circular.

Cidades de menor expressão representativa do que a nossa são completas nesse sentido.

Ai está mais um assunto para poder merecer as atenções dos poderes públicos marilienses.


Extraído do Correio de Marília de 18 de setembro de 1974

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Dia Mundial da Lei (17 de setembro de 1974)


Ontem (16/09/2013), a data marcou a efeméride do 41º. aniversário da instalação da Comarca de Marília, fato ocorrido no dia 16 de setembrode 1.933.

O competente registro foi feito neste jornal através de uma de suas colunas sociais.

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Este reportamento tem motivação de uma coincidência muito feliz, mesmo que deixada de ter apresentado a divulgação que lhe seria devida: ontem também transcorreu o Dia Mundial da Lei.

O Dia Mundial da Lei teve sua designação oficial através de diploma legal específico, oriundo do Centro de Paz Mundial, com sede em Genebra, na Suíça.

Quando da votação e divulgação do texto respectivo, que oficializou o Dia Mundial da Lei, o Centro de Paz Mundial preconizou sua total observância como de vitar importância dos direitos humanos, para com o estabelecimento de condições destinadas a propiciar relações mais pacíficas entre os homens e os Estados.

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A referida ênfase tem sua justificativa ao reconhecimento, do fato de que os Estados Unidos proclamaram 1968 como o Ano dos Direitos Humanos.

Na ocasião, o Centro de Paz Mundial exortou para que todas as Ordens de Advogados, todas as Faculdades de Direito, todos os grupos legais e organizações públicas e privadas encorajassem o patrocinamento de cerimonias adequadas, destacando e revelando o papel e a importância dos direitos humanos, paralelamente com outros aspectos do direito internacional, como condições indispensáveis ao perpetuamento da paz mundial.

O Centro de Paz Mundial é uma organização particular, apolítica, sem cor religiosa, sem fins comerciais ou lucrativos.

É composto e integrado por advogados, juristas e intelectuais de mais de 120 países do mundo e sua finalidade primordial é o trabalho coeso, para estudos e elaboração de leis e de instituições legais, objetivando a permanência e o aprimoramento de todos os motivos que disso dependam, para a consolidação da paz para todo o mundo.

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Essa a coincidência: o aniversário da instalação da Comarca de Marília e o transcurso do Dia Mundial da Lei.

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Ao ensejo, a consignação dos desejos de que o Centro de Paz Mundial possa de fato alcançar os objetivos nobres de existência, consolidando a paz entre os homens.

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Paralelamente, a homenagem de todos ao Dia Mundial da Lei e à Justiça mariliense pela efeméride que assinalou o 41º. Aniversário da instalação de nossa Comarca.

Na homenagem à lembrança do dr. Fernando Augusto Nogueira Cavalcante, que foi o primeiro Juiz de Direito da Comarca de Marília.

E ao dr. João Goes Ferreira, primeiro Promotor de Justiça de nossa comarca e de nossa cidade.

Extraído do Correio de Marília de 17 de setembro de 1974

sábado, 14 de setembro de 2013

Uma recordação puxa outra (14 de setembro de 1974)


Ontem (13/9/1974) pela manhã, um humilde e honesto carregador de malas de passageiros da Fepasa, lembrava-me:

- Fui eu quem carregou as malas do senhor, quando chegou a Marília, lembra?

Lembrei-me. Fôra ele, o “seo” Gumercindo, o popular “Groselha”. O apelido advira-lhe do tipo sanguíneo acentuado e da tonalidade avermelhada da pele da face.

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O carregador fêz, sem o perceber, que eu fosse remexer na gaveta do esquecimento aquilo que representa um bazar de quinquilharias do passado.

O velho motorista Jordão conduzira-me até uma casa de madeira, que existia na Rua São Paulo, próximo ao Parque Infantil “Monteiro Lobato”.

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A lembrança passou a avolumar-se em minha mente, aumentando seguidamente como gente em um comício.

Era o último trimestre no ano de 1.945 e eu mal havia dado baixa no Exército, após cumprida minha participação na II Grande Guerra Mundial, como um pracinha da gloriosa Fôrça Expedicionária Brasileira.

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De fato:

Viera visitar familiares e conhecer a cidade, sem amigos, sem dinheiro, sem emprego.

E acabou acontecendo o que jamais havia sido programado: acabei por fixar-me definitivamente em Marília.

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Faz isso cêrca de trinta anos. Aqui acabei conseguindo emprego num estabelecimento bancário. O banco transferiu-me para Campos do Jordão e como eu já sentia imenso amor por Marília, recusei a transferência e promoção e deixei o emprego. Nessa época, o redator-secretário do “Correio”, insigne jornalista Luiz Francheschini, havia deixado o cargo, para transferir-se para a Capital. Em seu lugar, fôra contratado o professor Henrique Baptista Junior, que dia após, demitiu-se do jornal.

O então diretor do “Correio”, jornalista Raul Roque Araujo, convidou-me para trabalhar no primeiro jornal da Alta Paulista. Assumi a função de redator-secretário do “Correio”, em início de 1946.

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Acabei casando em Marília, constituindo família e cada vez mais gostando da cidade.

Se não passei fome, confesso que passei muitas dificuldades e muitas privações.

Mas estas foram insignificantes  ante o holocausto do acendrado amor e gratidão pela cidade. Mesmo tendo nascido num distrito de Bauru.

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Isso fêz-me lembrar a sessão camarária de ante-ontem, quinta-feira.

Senti até asco, pelo comportamento de alguns vereadores, que aqui tendo sido acolhidos, aqui tendo conseguido criar a família, fazer nome e ganhar o feijão-com-arroz de cada dia, serem tão injustos, tão ingratos e tão inimigos desta terra!

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Lembrei-me, também, de uma filosofia cabocla, emitida por um espanhol imigrante e analfabeto, meu pai:

- Há homens que são tão ingratos como o cão faminto, que morde a mão de quem lhe deu comida!

Extraído do Correio de Marília de 14 de setembro de 1974

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Duas cartas (13 de setembro de 1974)


Geraldo Tassinari é um mariliense genuíno.

Foi no passado um dos grandes e eficientes locutores da radiofonia local. Também foi colaborador deste jornal.

Como profissional de rádio foi um valor eclético: locutor comercial, locutor de transmissões externas, narrador, rádio-repórter, apresentador de programas de auditório, locutor esportivo, etc.

Há anos transferiu-se para São Paulo, integrando o departamento de esportes da Rádio Nacional, ao lado de Wilson Brasil. Paralelamente, passou a militar na imprensa paulistana.

Hoje Tassinari deixou o rádio e o jornal para dedicar-se a publicidade.

É um “expert” nessas funções e lugar-tenente de uma das mais conceituadas empresas do gênero, a “Mac Cann – Erickson Publicidade Limitada”.

Deixou Marília mas acompanha Marília, vive Marília, transpira Marília – seu berço natal.

Tassinari escreveu-me uma carta, ontem recebida. É um documento de amor à terra, de estima ao povo mariliense, de preocupação pela sua cidade.

Vou transcrevê-la, “verbum ad verbum”, para conhecimento de meus leitores e dos amigos de Geraldo Tassinari.

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“Meu caro José Arnaldo:

Você é um cara difícil. Vem aqui, não me visita. Vou ai, não o encontro.

Leio-o diariamente. Acompanho suas lutas, que é um reforço e uma renovação de tudo aquilo que fazíamos ai, pretendendo, acima de tudo, botar Marília na crista da onda, beneficiando-a com os recursos que fossem possíveis, para torná-la cada vez maior e mais dinâmica.

Mas como tem gente contra nossa terrinha, não?

Anexo, encaminho à você, para publicação ou com destino à cesta, pequeno comentário sobre um pouco de tudo.

Se lhe interessar, de vez em quando mandarei algo escrito.

Mesmo à distância, Marília está pertinho de meu coração e não posso perder oportunidade de fazer dela a nossa bandeira.

Outro dia, já dei uma prensa no pessoal da Rádio Tupi, que anda falando mal do interior. Li um artigo do Penaforte e fiz sentir pessoalmente o drama à turma do esportes.

E o Anselmo, vai bem? Dê-lhe um grande abraço.

Ai estarei no princípio do ano e quem sabe teremos um tempinho para, em torno de um caneco geladinho, bater um papo mais longo. Um abração, etc.”

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Aqui, um bilhete-resposta:

Amigo Tassinari, sua carta trouxe-me alegria dupla: lembrar de um velho amigo e corroborar seu amor à nossa querida Marília.

O artigo será aproveitado, sim.

Vou publicá-la na edição do “Correio” do próximo domingo, dia 15.

Póde mandar outros, querendo.

Quando de minha próxima andança à Capital, irei tomar um cafezinho com você, pois agora fiquei sabendo o endereço.

Continue a querer Marília.

Extraído do Correio de Marília de 13 de setembro de 1974

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Remodelação do trânsito (12 de setembro de 1974)


Uma estória, que nem é estória, que nem é fábula, mas que tem certo verniz de filosofia, dá conta:

Um homem cavalga um burrico por determinada estrada, em viagem de propriedade rural para a cidade. Além do cavaleiro, o animal carregava sobre o dorso duas grandes bruacas, lotadas de mantimentos – que deveriam ser vendidos na cidade.

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Um certo trecho do caminho, o viandante cruzou com duas pessoas. Estas, ao cumprimentarem, observaram o homem, o animal e a carga. Quando se distranciaram das mesmas, o cavaleiro ouviu uma dizer a outra:

- Esse sujeito não tem coração… com tamanho peso sobre o burrico e ele ainda montado… parece que quer matar o animal…

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Pensando naquilo que ouvira, o cavaleiro apeou e passou a caminhar a pé, puxando pelas rédeas o burrico.

Mais adiante, voltou a cruzar cm outras pessoas.

Seguindo o caminho, teve a oportunidade de ouvir o comentário:

- Esse cara deve ser um “goiaba”… andando a pé e puxando o burro…

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Alguns metros mais adiante o homem pensou que deveria descansar o animal e assim nenhuma pessoa mais teria o que falar. Aliviou o burrico da carga, colocando as bruacas nas costas e caminhou puxando o animal e aconteceu a repetição do fato, pois ouviu uma delas dizer:

- Esse sujeito deve ser mais burro do que o próprio burro… andando a pé, ele carregado e o burro sem carga.

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O homem parou um pouco além. Recarregou o animal e aboletou-se sobre a sela, seguindo caminho, concluindo que não deveria dar ouvidos a ninguém e fazer aquilo que deveria ser o certo: o animal carregar as bruacas e o dono.

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Comparação grosseira, mas tem gente por ai dando palpites sem base, com os trabalhos que estão sendo realizados na cidade, da remodelação do trânsito urbano local.

Alguns protestando, outros achando “defeitos”.

Todas essas pessoas estão prejudicando ou analisando conveniências pessoais.

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O trânsito de Marília estava muito “bagunçado” e teria um dia que ser devidamente colocado “nos eixos”. Isto está sendo feito. Não por curiosos, mas sim por técnicos do DETRAN.

Semáforos e placas indicativas de trânsito são exigências de todas as grandes cidades. Marília não é vilarejo e teria mesmo que arcar com esse ônus, que significa melhoramento e progresso.

“Ordem e Progresso” está escrito na Bandeira do Brasil.

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Os que são contra e que vivem “metendo o pau” deveriam fazer exatamente o contrário.

Louvar na inovação. Confiar nas autoridades de trânsito. Saber que os trabalhos estão sendo executados por tecnicos e não por curiosos.

Perceber que já era tempo de Marília ter um trânsito organizado.

Porque, pensando bem, o que desejam, afinal, esses marilienses que são contra tudo o que significa progresso em nossa cidade?

Extraído do Correio de Marília de 12 de setembro de 1974

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O surto de meningite (11 de setembro de 1974)


Comentava dia outro com o jornalista, determinada leitora deste jornal, motivos sobre o surto de meningite.

No decurso da palestra, a madame afirmou, de maneira delicada – por certo para não ferir susceptibilidade – que a incidência do mal não tinha as proporções difundidas. E que, parcial responsabilidade da intranquilidade pública, recaia sobre a imprensa e rádio pela divulgação “exagerada” do assunto.

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Fiz ver à leitora de que ela estava equivocada.

Mais ainda que, no início da incidência, a imprensa ocultou até a veracidade dos fatos, com respeito ao índice de internamentos hospitalares.

Citei palestra anteriormente por mim estabelecida com um médico de São Paulo, que confidenciara-me peremptoriamente, de que as autoridades médicas não estavam fornecendo a realidade dos números, por medida de precaução e para evitar um pânico generalizado.

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Em efeito, o citado facultativo contava-me que o Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, havia até esgotado sua capacidade de leitos e que doentes estavam sendo atendidos inclusive em camas dispostas até nos corredores de muitos hospitais.

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Em outras palavras, quando a imprensa noticiava, por exemplo, “mais 15 casos”, esses “mais quinze casos” estavam representantes, em realidade, “mais de 100 casos”.

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O mal perdura ainda.

Mais de mil e quatrocentos casos de internamente registraram-se em São Paulo, conforme divulgações da imprensa paulistana de domingo último.

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Não exagerou a imprensa, conforme julgou a leitora. Nem poderia fazê-lo, mesmo porque a imprensa nada inventou sobre o mal, limitando-se a informar o acontecido.

Não pecaram as autoridades sanitárias, também, em omitir propositadamente e no início do surto, a cifra real dos casos comprovados. A medida, como ficou dito acima, teve a finalidade de evitar a intranquilidade geral.

Agora, as próprias autoridades não fazem segredo disso, pois, passado o impacto inicial da incidência do mal, o próprio público já está em condições de melhor assimilar o fato, sem o risco do desassossego que poderia gerar pânico, se noticiado abruptamente.

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Ante-ontem, estive em Sorocaba e em palestra com um médico daquela cidade fiquei sabendo de que o surto não apresentou o decréscimo que se esperava. Que, em contrário, havia registrado aumento de casos comprovados do mal.

Prova de que o número de internamente de pessoas, geralmente menores, portadores de meningite, subira de maneira impressionante no final da última semana.

Todas as providências cabíveis e possíveis haviam sido adotadas.

Revelou ainda o médico de que em muitos casos a própria classe médica e os estudantes de medicina chegavam a temer pelas ruas próprias imunidades físicas com respeito à contaminação do mal.

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Vacinação geral e em massa deverá acontecer em breves dias, com o escopo de debelar a incidência e de evitar o surgimento de novos casos.

Extraído do Correio de Marília de 11 de setembro de 1974

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Hoje é o Dia da Imprensa (10 de setembro de 1974)


Rende-se hoje (10/09/2012), uma homenagem a uma atividade social considerada que foi, por críticos e intelectuais, como o Quarto Poder de uma República.

Transcorre hoje o Dia da Imprensa.

Compete à Imprensa, preponderante e importante papel na defesa dos Direitos Humanos, uma vez que, receiosos das críticas de Imprensa, muitos prepotentes se contém, deixando de humilhar seus semelhantes, não prejudicando-os e não ferindo seus sagrados direitos.

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Foi a boa imprensa ardorosa defensora dos princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, surgidos na França, com o advento de 14 de Julho de 1879.

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O jornalista autêntico, nascido com essa vocação, expõe seus pensamentos com a mais absoluta liberdade. Quando não consegue os resultados pelos meios comuns, utiliza-se da veia histrionica, fazendo do humorismo um estilete, com o qual ferroteia o agente que lhe proíbe a liberdade de pensamentos.

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Em exemplo desse afirmado, relembre-se a ironia de Monteiro Lobato, ao tempo da ditadura, que custaram-lhe pesadas humilhações futuras, mas que fizeram vir o Brasil inteiro.

Na França, em delicada passagem de sua história, os jornalistas fizeram do humorismo, uma alavanca para romper barreiras e um açoite contra os prepotentes.
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Nos Estados Unidos, certa feita, um jornal estampou em manchete de primeira página, a dura acusação: ‘METADE DO CONGRESSO É COMPOSTO POR IMBECÍS”.

A Mesa do Parlamento, na defesa de sua honorabilidade, valendo-se de preceito da Lei de Imprensa e evocando a Constituição, moveu ação judicial contra o jornal, obrigando-o a desmentir a afirmativa, em manchete de primeira página e com o mesmo corpo de tipos, de igual modo e composição, em que o jornal havia cometido a violência crítica.

A Justiça acolheu “in totum” a denúncia e deferiu a ação, determinando ao jornal o desmentido da acusação.

E o jornal, cumprindo a decisão judicial, a sentença.

No dia imediato, em primeira página, com o mesmo corpo de tipos e no mesmo local, conforme decidira a Justiça, o jornal publicou a seguinte manchete:

“METADE DO CONGRESSO NÃO É COMPOSTA POR IMBECÍS”.

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Uma Imprensa sadia, honesta, sem vínculos políticos e sem cor religiosa, constitui-se no veículo divulgador de boas idéias, o freio necessário dentro da própria sociedade, o arauto da coletividade, apontando os males, mostrando o antídoto, propondo soluções, constituindo-se um dique aos mais afoitos e encorajando os que pretendem realizar algo de útil.

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Em nossa vida jornalística temos incentivado o bem, repudiando o mal. Por vezes temos pecado por excesso de zelo, mas nunca por desmazêlo ou omissão.

Temos, como criatura humana, também imperfeições, mas procuramos ser honestos conosco, agindo de conformidade com a pureza da consciência. Defendemos o que consideramos certo e condenamos o que refutamos errado, mesmo porque, além de nosso julgamento e além de nossa consciência, está a consciência de nossos leitores, fato que se constitui, em motivo irreversível da razão da existência deste jornal e de nossa profissão de jornalista.


Extraído do Correio de Marília de 10 de setembro de 1974

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

É o fim da picada! (06 de setembro de 1974)


Em julho último, realizou-se a Copa do Mundo (de 1974), como todos sabem. Nessa luta participou o Brasil, com sua seleção zagaleana, dando uma de concorrente da Papelamar, fazendo um grande papelão.

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Todas as atenções dos nacionais voltaram-se para a Alemanha e mesmo os que não concordavam com as escalações e as convocações de Zagalo, não deixavam de alimentar e depositar verdes esperanças em nosso selecionado.

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Futebol era conversa obrigatória e quiçá a mãe de Zagalo nunca tenha sido tão lembrada entre os brasileiros.

Numa dessas conversar que se desenvolviam num bar da cidade, marilienses emitiam opiniões diversas. No trivial da conversa abordou-se o selecionado inglês e sore o mesmo, um cidadão passou a enaltecer o sistema de conservadorismo e da fleugma inglesa, como um povo nobre e admirável.

Um dentista que participava da palestra não se conteve, contestando ao homem que louvava os inglêses. Disse na ocasião:

- Onde está a nobreza e as razões para admirar-se um povo, em que mais de 5 por cento dos casamentos são realizados entre pessoas do mesmo sexo?

O outro não teve argumento para a resposta e acabou silenciando.

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Este assunto – não o futebol – ensejou-me o focalizar um caso outro, por analogia.

É o fim da picada. Ou o fim do mundo.

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Amanhã, 7 de setembro, feriado nacional, Dia da Independência, irá acontecer um fato que representa uma afronta à própria sociedade e família brasileira.

O jornal “O Cruzeiro do Sul”, editado em Sorocaba, comentou o caso que aqui vei ser referido. Mais do que isso, publicou cliche de um convite de casamento.

Assim está impresso o convite:

“Anizio Dias e Maria de Lourdes Conceição, Oscar Machado e Jacira Machado, sentir-se-ão honrados com a presença de V. Excia., para assistirem ao enlace matrimonial de seus filhos Rosa e Roberto, a realizar-se dia 7 de setembro de 1974, às 18 horas, na Igreja Matriz de Sorocaba. Após a cerimônia, haverá recepção à rua Darci Menezes, no. 54, Vila Esperança, Tatui”.

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Dá conta ainda o convite do endereço dos pais dos nubentes: rua Paula Gomes, 110 e rua Maneco Pereira, s/n, na cidade de Tatuí.

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Acontece que esse casamento não será realizado por impossibilidade legal: os dois casadoiros são homens. A “noiva” Rosa chama-se na realidade José Dias.

Na Igreja não consta a realização do casamento, como não poderia deixar de ser.

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O repórter sorocabano descobriu a mancada toda: os dois vivem juntos há cinco anos e com o “golpe do casamento” pretendem proporcionar recepção a amigos e conhecidos, dando assim uma espécie de “oficialização” ao modo de vida de ambos, para não mais continuar despertando curiosidade pública.

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José Dias, a Rosa, estará usando vestido de noiva, segundo informou o noivo ao repórter. Aliás, a “Rosinha” só se traja como mulher há muitos anos.

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O que a reportagem não dá conta é se os pais dos “noivos” teriam autorizado ou não a confecção dos convites de casamento e se estão também de acordo com essa aberração e senvergonhice toda.

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Então a gente fica pensando:

Como seria bom se isto tivesse acontecido no tempo da austeridade de nossos avós, quando o homem tinha que ser homem mesmo.

Se isto assim fôra, em tempo como aquele, o delegado de polícia não seria delegado de polícia e sim um inspetor de quarteirão e teria sabido aplicar uma boa sova de relho “giboia” nessa “Rosinha” e outra igual no Roberto…

Extraído do Correio de Marília de 06 de setembro de 1974

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Otimismo prejudicial (05 de setembro de 1974)


Dispositivo constitucional e fruto advindo da Revolução de 64, existem em vigência legal duas correntes doutrinárias que identificam a política nacional.

Uma representada pelo partido governamentista, Aliança Renovadora Nacional – ARENA.

Outra, encarnando a ala oposicionista, o Movimento Democrático Brasileiro – MDB.

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Antes do último pleito eleitoral, o partido da oposição vinha constituindo-se de uma debilidade à toda prova. Observadores políticos não ocultavam inclusive a previsão de um depauperamento gradativo e consumador das forças contrárias ao partido do governo.

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Os próprios resultados e cifras das urnas eleitorais justificavam a feitura de pensamentos desse jaez. Em alguns casos, líderes emedebistas chegavam até a não disfarçar o enfraquecimento do partido.

No reverso, a medalha gerava uma espécie de psicose de otimismo, que dominava quase toda a cúpula arenista. Em muitos casos, parece até que os políticos da situação acomodaram-se e dormiram sob os louros e as sombras dessa situação vitoriosa, que parecia não vir jamais a sofrer solução de continuidade.

Como tudo o que se descuida ou se não conserva tende a enfraquecer, ou envelhecer, ou perder valor, essa onda de otimismo acabou por ocasionar prejuízos ao próprio fortalecimento do partido situacionista.

Se, por um lado, não chegou a significar um carunchamento da madeira arenista, o certo é que permitiu uma fermentação mais poderosa e mais fortalecedora, em diversos ângulos da facção doutrinária oposicionista.

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Cite-se, como exemplo dessa afirmativa, a situação real da Arena mariliense. O partido da situação, em Marília, é ao mesmo que uma nau sem rumo, um tonél de incompreensões.

Seus membros não sintonizam harmoniosamente. Várias reuniões convocadas pela direção máxima da Arena local foram “furadas” inexplicavelmente. Disso resultou maior configuração de desarmonia. Dessa desarmonia fomentou-se, de certa forma, grande dose de descrédito público.

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Mesmo no tocante à união e coesão de forças, para a indicação de um candidato a deputado, o partido situacionista mariliense transformou-se numa Babel, numa colcha de retalhos.

Delongou-se demasiadamente. Os protelamentos arrastaram-se por tempo exageradamente desnecessário. A desarmonia sentou praça, chegando a exigir uma tomada de posição essa que nunca aconteceu.

Ninguém conseguiu ombrear-se e a divisão de idéias tornou-se palpável.

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Como se isso não bastara, elementos da Arena aumentaram ainda mais da divisão de forças e muitos vereadores arenistas abriram suas baterias contra o prefeito pertencente à própria Arena.

Isso veio adicionar-se ao enfraquecimento da ala situacionista local. Somando-se aos prejuízos que já eram patentes, da existência de um otimismo prejudicial, esse lamentável “modus operandi” da política situacionista local ensejou maneiras de maior crescimento do partido oposicionista.

Percebe-se isso com a manifestação espontânea do zé povinho, que não esconde sua insatisfação com o estado de coisas que caracteriza a atual política mariliense.

Percebe-se, também, com muita gente dando crédito em maior escala a candidatos não pertencentes à Arena.

Dirigentes arenistas talvez não tenham a mesma facilidade em auscultar o zé povinho, como o faz, por fé de ofício, o jornalista e repórter.

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Ao não ser que se reformulem as ações da política local, com endereçamento correto, o partido da situação, aqui em Marília, virá a ser o responsável por uma degringolada e pelo desprestígio público – que não se coaduna com os princípios e o espírito da Revolução de 64.


Extraído do Correio de Marília de 05 de setembro de 1974

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

JUREMA, ordinário… marche! (04 de setembro de 1974)


Quando da época de pré-eleição municipal passada, uma circunstância surgida nas hostes doutrinárias locais, acabou provocando uma guinada de 90 graus nos rumos da política mariliense.

Felipe Elias Miguel, na época havia sido apontado em convenção arenista como candidato à Prefeitura, em substituição a Octávio Barretto Prado. Sua meta básica, independente de plataforma política e de trabalho, firmara-se num “zenith” de renovação de nomes e valores. Uma espécie de tentativa de transformação dos homens políticos atuantes, desmontando-os do cavalo, para entregar a sela a elementos mais jovens e mais entusiastas.

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Cedendo seu lugar a Pedro Sola, este acabou por merecer a maioria da preferência popular, tendo sido eleito prefeito municipal de Marília.

Não resta dúvida de que Felipe conseguiu fazer vingar, de certa forma, um quinhão do idealismo dessa luta de renovação. Tanto isso é verdade que o mesmo espírito voltou a configurar-se mais tarde, com a eleição de Luiz Rossi para presidir a Câmara Municipal.

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Em verdade, de muitos anos para cá, a expressividade majoritária de nossa força política, especialmente em termos de vereança municipal, tem apresentado as características e os sintomas do futebol varzeano: trocam-se as camisas, mas os jogadores continuam sempre sendo os mesmos.

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Se não pôde verificar e consubstanciar a pretendida renovação, em sentido mais efetivo e profundo, no que respeito diz a área da vereança, forçoso é que se reconheça, naquela época, uma ação de apatia e de omissão mesmo, por parte da nossa juventude.

Basta lembrar que Armando Biava, um dos candidatos a prefeito e Pedro Sola, o candidato vitorioso, andaram acenando para os jovens marilienses, concitando-os e convocando-os a participar do pleito eleitoral, como futuros vereadores.

Nem Biava e nem Sola conseguiram entusiasmar os valores jovens da cidade, com exceção de Eduardo Rino, que não conseguiu ser eleito, mas que teve seu valor observado pelo prefeito Pedro Sola e por este foi aproveitado, desde os primeiros dias de seu governo em Marília.

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Uma clarinda consciência vem de astalar, agora, no seio de jovens marilienses. Perceberam eles, de que é chegado o tempo de modificar o padrão do “futebol varzeano”, com a substituição de jogadores e camisas.

E surgiu a JUREMA JUVENTUDE Renovadora Mariliense.

A JUREMA vem de assumir, perante toda nossa população, enorme responsabilidade: injetar plasma novo na política local, para consumar, em definitivo, a renovação que Felipe e Sola preconizaram.

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Essa juventude deve ir desde já iniciando a construção de trincheira. Ela deverá indicar, no próximo pleito, os novos marilienses, que assumirão o leme da política local. E apontar ao público aqueles que irão ser os futuros prefeitos, os futuros vereadores e os porvindouros deputados de nossa cidade.

Eles serão os provocadores de nova era política e da metamorfose geral nesse terreno, para que Marília, nesse particular, deixe de apresentar os sintomas e as características de futebol varzeano.

JUREMA, ordinário… marche!

Extraído do Correio de Marília de 04 de setembro de 1974

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A emotividade (03 de setembro de 1974)


Deve ser isso.

Os sofrimentos normais que recaem sobre a gente, ou a consequência das contendas da própria vida, ou os percalços da subsistência, ou tudo junto.

O certo é que, a medida que os anos vão passando, a criatura humana acaba por tornar-se mais sensível, mais emotiva. Em têrmos banais e à grosso modo, mais “mole”.

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Ou pelo fato de ter desfrutado de amizade e grande afinidade com o ex-mariliense Rangel Pietraróia, ou pela razão de ter focalizado de há muito e repetidas vezes, a necessidade de construção de um Bosque Municipal em Marília, o certo é que fiquei comovido e bastante emocionado, quando da inauguração desse próprio da municipalidade, na manhã de domingo último (1º./9/1974).

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Por volta de 1952, tendo ido a Ribeirão Preto, juntamente com Bernardo Carrero, para transmitir uma peleja de futebol, entre a A. A. São Bento local e o Botafogo F. C. da “Capital do Café”, visitei, pela primeira vez, o famosíssimo Bosque Municipal daquela cidade.

Após meu regresso, através desta mesma coluna (velhinha, heim?), ensejei em motivo de sugestão, a viabilidade de estudar-se em nossa cidade, a construção também de um Bosque Municipal.

Depois dessa primeira vez, esporádicamente, voltei ao mesmo assunto, mesmo sem muita esperança de que tal idéia pudesse um dia tornar-se realidade entre nós.

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Quando da primeira administração do ex-prefeito Octávio Barretto Prado, aquele chefe do Executivo mariliense “botou o dedo” sobre o assunto, discriminando e determinando a área verde necessária para a construção do Bosque Municipal.

Foram realizados os trabalhos iniciais e o Bosque foi dado como construído, inclusive oficialmente inaugurado. A fita de inauguração foi desatada pelo falecido Sr. Raul Roque Araujo, então diretor-proprietário do “Correio”.

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Mas as providências de conclusão do mesmo não prosseguiram e o próprio disvirtuou-se em suas finalidades precipuas, tendo, inclusive, servido para fins completamente estranhos aos objetivos primordiais do mesmo.

A grande área permaneceu, durante o final da Administração Barretto Prado, durante a de Armando Biava e novamente sob a chefia de Barretto Prado, no mais completo abandono e esquecimento.

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Quando da campanha eleitoral passada, voltei a reviver o assunto, sugerindo a feitura do Bosque Municipal, como matéria a constar da plataforma de governo do prefeito que então seria eleito.

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Pedro Sola, então candidato, não hesitou em “pegar o pião na unha”, tendo prometido, em praça pública, a construção do Bosque Municipal. Com o mesmo ponto de vista, fêz côro o então candidato e hoje vereador Nadyr de Campos.

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E aí está o Bosque Municipal.

Moderno, funcional, racional. Exemplar mesmo.

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E com o nome augusto de um cidadão que sempre soube amar e dignificar Marília: Rangel Pietraróia.

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Se não for a velhice, só poderão ser estas as razões da emotividade que senti, domingo pela manhã, quando se procedeu oficialmente a inauguração do Bosque Municipal de Marília.


Extraído do Correio de Marília de 03 de setembro de 1974