sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Um grande administrador (14 de outubro de 1959)

O tempo é, indiscutivelmente, o meio que apresenta o melhor testemunho do acompanhamento das ações dos homens. O que se faz, bem ou mal, acaba por aparecer e tornar-se público, dia mais, dia menos.

Com respeito a atuação do atual prefeito municipal, à frente do Executivo mariliense, agora, quase expirado o período governamental, pode-se melhor aquilatar os efeitos e as qualidades dessa administração. Sem nenhuma justificativa para qualquer eventual precipitação de juízos.

Não só nós, méros críticos e bem intencionados observadores, como todo e qualquer mariliensem desde que não seja demasiadamente apaixonado. Nós, em particular, independentes como sempre fomos, sem quaisquer vínculos ou compromissos com o Prefeito Argollo Ferrão, poderemos aquilatar a grandeza de sua fecunda administração, reconhecendo na pessoa de Miguel Argollo Ferrão, um grande administrador, um cidadão íntegro, um homem de capacidade e pulso. Ninguém poderá contesta-lo.

Os inúmeros metros de extensão das rêdes de água e esgoto, por se encontrarem sob a terra, são ignorados por muitos, enquanto, alguns buracos nas ruas da periferia, por estarem visíveis, são logo notados por todos. Pelos buracos das ruas são se pode julgar um prefeito e sim pelas realizações efetivadas, principalmente se se tiver o cuidado de analisar os trabalhos dispendidos dentro do paralelo comparativo das possibilidades financeiras do erário público. Isto é o que muitos deveriam ter feito, como nós tivemos o cuidado de fazer, para escrever agora este ponto de vista.

Sentimos ainda maior ânimo para referir a personalidade marcante do Eng. Argollo Ferrão, aos termos conhecimento de várias bandalheiras praticadas por diversos de outras cidades, fatos verdadeiramente vergonhosos, alguns objeto de inquéritos administrativos e até polícias.

Marília teve um grande administrador, cujas qualidades de técnico e de homem capaz, serão ainda melhor aquilatadas posteriormente. O Prefeito Argollo Ferrão foi um homem de pulso firme e de idéias lúcidas, realizador de um trabalho admirável e digno de encômios por parte de todos os marilienses.

Ao ensejo do ocaso de sua profícua gestão à frente do Executivo mariliense, felicitamos efusivamente o ilustre engenheiro que por duas legislaturas foi Prefeito Municipal de Marília. E o foi com orgulho e competência irretorquíveis.

Extraído do Correio de Marília de 14 de outubro de 1959

domingo, 9 de outubro de 2011

A nova Câmara Municipal (9 de outubro de 1959)

Muitos de nossos leitores estarão recordados do fato. Não há muito, nos ocupamos por diversas vezes, acerca da necessidade que se impunha aos marilienses, de uma radical remodelação da Câmara de vereadores. E sôbre o fato, tentamos alertas a consciência patriótica e o dever cívico de todos, com o objetivo de que os benefícios advindos de tal medida, repercutissem diretamente sôbre a vida geral da cidade e de nosso povo.

Frisamos, repetidas vezes, que pessoalmente nada tínhamos contra quem-quer-que seja dos vereadores atuais. Mas não escondemos nosso desapontamento, em face das resoluções e iniciativas da edilidade, tomadas ou executadas pela representação daquilo que se discrimina como “maioria”. E tecemos um paralelo comparativo, dos trabalhos do corpo de vereadores cujo mandado esta a expirar e as constituições das Camaras passadas, notadamente a que teve inicio em 1947.

Aproveitamos o ensejo então, para concitar a todos, no sentido de que, no pleito que se avisinhava (transcorrido domingo último), fosse atentado para esse pormenor e que os efeitos marilienses soubessem melhor escolher, porque, falando em tese, a Câmara atual não vinha se portando à altura de sua responsabilidade e de sua representação para com dinamismo de nosso município.

As eleições do último domingo, determinaram a escolha dos novos edís, em cuja cifra, um têrco constituiu-se em reeleição. Por felicidade, por coincidência daquele ponto de vista que expendemos ou porque o eleitorado mariliense ficou melhor amadurecido, podemos afirmar agora, que, a julgar pelos nomes escolhidos, pelas suas capacidades de trabalho e pelas intenções confessas antecipadamente exteriorizadas, acertamos na escolha. Acertamos na escolha, convenhamos, não porque tenhamos conseguir colocar no Legislativo mariliense à totalidade do número dos melhores candidatos, mas sim porque conseguimos, assim mesmo, eleger a “maioria” dos melhores entre os melhores.

O fato referido, analisado sob o ponto de vista bem mariliense e sem qualquer resquíscio de paixão política, mas com o pensamento no futuro de nossa “urbe”, é realmente confortador e antecipa a certeza de que estávamos com razão ao emitirmos as nossas críticas passadas, crícitas essas que nem por todos foram bem recebidas, porque, como sabem todos, a verdade dói tanto quando a chibata, principalmente para os espíritos pouco sólidos de razão.

Estamos, portanto, todos nós marilienses autênticos ou genuínos, de congratulações pelo acontecimento, que, embora não tenha sido bem estudado por muita gente, representa um motivo de indiscutível jactância. Traduz, por outro lado, a convicção de que os esclarecimentos que tentamos alertar ai próprio povo, encontrou seus efeitos colimados, pois veio provar que a massa eleitoral, desta vez, soube melhor escolher do que em 1955 e em 1951!

A verdade é irrefutável. Na oportunidade de esmiúça-la, desejamos aquí formular os nossos votos sinceros aos novos vereadores de Marília, para que estes tenham forças suficientes, no sentido de bem cumprir as promessas empenhadas para com o publico, em pról da defesa dos interesses de Marília e da sua grande e laboriosa gente.

Extraído do Correio de Marília de 9 de outubro de 1959

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Pílulas Eleitorais (7 de outubro de 1959)

O mariliense, mais uma vez deu mostras de sua compreensão cívica, ao comparecer às urnas domingo último, para escolher seus dirigentes e legisladores do próximo período administradores municipal. Nenhuma ocorrência de maior vulto foi registrada pelo crônica, que, direta ou indiretamente pudesse empanar o brilho do civismo da gente local, que, em situações semelhantes, sempre soube se conduzir de maneira elogiável.

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Nossa reportagem percorreu, durante todo o dia, as cinquenta e quatro secções eleitorais da cidade, tendo acompanhado, por isso mesmo, a marcha dos trabalhos de votação, onde tudo correu bem, diga-se de passagem. Pequenos acontecimentos foram verificados, de conhecimento de nossos repórteres. Ei-los:

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Numa fila de votação, um cidadão desmaiou, causando ligeira, causando ligeira confusão na “bicha”, sanada momentos após e sem nenhuma consequência. Foi mais o susto dos eleitores visinhos do que tudo...

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A urna da 50ª Secção Eleitoral, não pode ser aberta na hora aprazada, em virtude de não ter funcionado a fechadura. O fato foi comunicado ao MM. Juiz Eleitoral, tendo a urna sido substituída imediatamente. Verificou-se então um atrazo de 30 minutos no início da votação.

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Algumas pessoas votaram sem muita espera, porque “cavaram” um jeitinho de ficarem “batendo papo” com amigos e dalí se infiltraram nas proximidades da testa da “bicha”. Na terceira secção, onde votou um repórter do “Correio”, tal fato foi repetido três vezes e o seria mais, se não se tivesse verificado uma “bronca” do jornalista.

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À última hora, o Sr. Osório Pacheco Alves, um dos presidentes de Junta Apuradora, teve que ser substituído pelo MM. Juiz Eleitoral. Motivo: faleceu, o genitor do Sr. Osório. O substituto indicado foi o médico Paulo Calheiros Bomfim.

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Lavraram um bonito tento as pessoas que, sob a direção pessoal do Dr. José Gonçalves Santana, realizaram os trabalhos de apuração e contagem de votos, desobrigando-se da responsabilidade e concluindo os trabalhos em apenas oito horas, prazo que póde ser considerado tempo recorde.

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Eficiente esteve o serviço de policiamento durante todo o transcorrer das eleições em Marília. De parabéns a Guarda Civil, Força Pública e Investigadores de Polícia. De parabéns igualmente o público mariliense, que soube, como sempre, se conduzir à altura de sua educação social e cívica.

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Numa secção eleitoral, um eleitor do sítio saiu da cabine indevassável e perguntou: “Donde é que se bóta a cruiz no Simonaio?”.

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Em diversas secções, os componentes das mesas confiaram nos candidatos e partidos políticos, no que diz respeito à alimentação. Resultado: passaram fome!

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Em Quintana, numa das urnas, apareceu um vóto datilografado com a seguinte legenda: “Para Prefeito, Jânio Quadros”.

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Há o caso de um funcionário da Justiça Eleitoral, que, atarefadíssimo em suas funções, quasi se esqueceu de levar a própria esposa a votar!

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Nossos agradecimentos ao Sr. Orlando Righetti e seus auxiliares, pela facilidade com que prestaram todos os informes e forneceram os dados do pleito aos elementos da crônica mariliense.

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Há também o caso de um eleitor, que, ao depositar a cédula única na urna, se conteve e disse: “Entra aí, Tatá”!

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Dois menores estavam distribuindo cédulas dentro das delimitações legais que isolam os locais de votação. Advertido por um guarda civil, alegaram ser menores e impuníveis!

“Nem tá na cara” que foram instruídos para tal! Acontece que um comissário de menores, chamado pelo guarda, “acabou com a alegria” dos garotos, afastando-os para além da faixa demarcadora.

Extraído do Correio de Marília de 7 de outubro de 1959

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Eleitores às urnas (4 de outubro de 1959)

Cessada a barulheira da campanha política, silenciados os discursos dos candidatos e a voz dos alto-falantes, deve a esta hora, o eleitorado mariliense, encontrar-se em condições de votar.

Hoje é o grande dia. Data de expectativa e ansiedade, embora disfarçável para alguns. A voz soberana do povo, traduzida pela sua vontade no exercício dêsse dever cívico (uma das mais belas coisas que nos legou a Democracia), se fará sentir, como a sentença de um Juiz.

Temos em nós que todos os marilienses já estão com seus juízos perfeitamente formados e sabedores em quais nomes consignarão as suas preferências. Que o façam, pois, com a consciência tranquila, de maneira serena e exemplar como sempre aconteceu em Marília.

Nossos votos, nesta oportunidade, para que Deus, o Todo Poderoso, bem inspire o eleitorado mariliense, a fim de que êste acerte na escolha de seus futuros legisladores, elegendo os melhores, os mais bem intencionados, os mais capazes e os que melhor possam e consigam desobrigar-se dos deveres inerentes aos cargos disputados. Nossos auguros para que se vote nos melhores, para não eleger os piores.

E que os que forem eleitos, tenham forças suficientes e sinceridade necessária, para o cumprimento da torrente de promessas empenhadas publicamente com todos nós. Nossos auguros ainda, para que aquêles que forem determinados vencedores do pleito, sejam os nomes e homens que forem, sejam também inspirados pela fôrça soberana do Pai de todos, para a desenvoltura de um plano de trabalhos sincero e leal, em beneficio de Marília e em pról dos interêsses de nossa coletividade.

Afirma antigo e sábio brocardo, que “cada povo tem o govêrno que merece”. Nós nos consideramos merecedores de um bom govêrno. O voto arma secreta, confere ao povo, o privilégio de determinar seus dirigentes. Que saiba manejar e empregar essa faculdade tão honrosa.

Nossos desejos ainda, para que a consciência de todos os eleitores seja pura e cristalina, como a água que jorra das cachoeiras. Que a consignação dos sufrágios seja feita para o bem de Marília e de sua gente, sem a interferência de atendimento a pedidos de amigos e sem o empenho de condições de esperança de um emprego, um favor ou o vil dinheiro. Que o voto tenha um único objetivo: o bem de Marilia, a felicidade de seu povo.

Por outro lado, nosso apêlo para que todos compareçam às urnas, a fim de exercer o dever do voto.

Eleitores, às urnas!

Eleitores, meditem bem e aquilatem igualmente bem, a enorme responsabilidade dêsse dever cívico. Da atitude impensada ou da má escolha, redundarão decepções para a cidade e seu povo. De escolha acertada, advirão os benefícios desejados e aguardados a felicidade geral e a continuidade do dinamismo mariliense!

Extraído do Correio de Marília de 4 de outubro de 1959

domingo, 2 de outubro de 2011

Hospital para cavalos (2 de outubro de 1959)

Vimos há poucos dias, num filme “natural” projetado no Cine São Luiz, a demonstração do Hospital Veterinário do Jôquei Clube Brasileiro. Uma coisa realmente extraordinária, moderníssima, completa. Um hospital para cavalos, mais aperfeiçoado e mais adequado do que muitos nosocômios destinados ao tratamento de seres humanos!

Ficamos “matutando” sôbre o fato. Ficamos pensando quanto teria custado a excepcional obra, uma vez que nada ficou olvidado na sua execução. Arquitetonicamente, completa e ampla. Com as dependências totais destinadas ao seu uso. Salas de assepsia, de curativos, de cirurgia, de tratamentos demorados. Aparelhos cirúrgicos-veterinários dos mais custosos e modernos. Enfim, uma coisa efetivamente extraordinária e admirável.

Vimos nessa iniciativa, um contraste flagrante: Os brasileiros indigentes morrem nas ruas das cidades nacionais, por falta de leitos em hospitais. Leprosos andam nas ruas e comungam com todos indistintamente, o mesmo acontecendo com milhares de tuberculosos, por falta de acomodações em nosocômios. Psicopatas necessitados de tratamento adequado, vagam por todas as ruas o Hospitais mantidos pelos govêrnos são insuficientes para atender o número de candidatos e necessitados. Enquanto isso, os magnatas do turfe, constroem um hospital veterinário moderníssimo e caro, destinado exclusivamente aos seus cavalos milionários, animais da “high society” cavalar e “gente bem” do reino da cavalaria! Cavalos que de há muito vêm sendo tratados com avelas, vitaminas especiais e leite em pó importando e que possuem tratadores particulares à guisa de “babás”, inclusive para os banhos. Suspeitamos até que os banhos de classe dêsses animais são realizados com finíssimos sais perfumados, de igual tipo ao utilizado pelas estrelas do cinema francês!

O fato, pelo seu lado de humanidade, representa uma vergonha. Não que os cavalos, pelo simples motivo de serem irracionais, não mereçam tratamento veterinário quando urgido; absolutamente. Acontece, apenas, no caso, que o exagero chega a ser afrontoso. Os mesmos cavalos “papa milhões”, desfrutam agora de hospital melhor e mais completo do que os comerciários, industriários e funcionários públicos, porque êstes estão condicionados ao “amparo” de serviços hospitalares dos mais falhos e vagos, mantidos pelos institutos de previdência social ou de aposentadorias, cujas finalidades jamais chegaram a completar-se!

No caso, vale a pena ser cavalo “papa milhões”, óra se vale. Cavalos que além disso, até “corbeilles” de flores recebem por ocasião das vitórias em “marmeladas” que se convencionou chamar de “grandes prêmios”. Enquanto o brasileiro, de modo geral, passa fome, enquanto falta o feijão entre nós, num dos motivos mais vergonhosos do Brasil, os magnatas do Jóquei Clube dotaram aquêle antro de exibição de vestidos e chapéus femininos, com esse fabuloso hospital veterinário, melhor do que muitos hospitais propriamente ditos e melhor do que muitas maternidade brasileiras, resguardadas a distância da comparação!

É de estarrecer!

Daqui há algum tempo, êsses cavalos “filhinhos de papai” terão também suas piscinas particulares e até televisão. E enquanto isso, o povo... bem, o povo que se dane!

Extraído do Correio de Marília de 2 de outubro de 1959