sábado, 31 de janeiro de 2009

O Presidente e o custo de vida (31 de janeiro de 1957)

Não é de nosso feitio o “meter o pau”, processo de tanto agrado de muita gente. Temos nos ocupado de censurar aquilo que se nos assemelha errado ou defeituoso e isso temos feito sem paixões, procurando apenas, dentro das faculdades que desfrutamos, contribuir para a orientação de alguns, objetivando apenas a sincera e integral desincumbência de nossos mistéres para com o jornal.

Sabem todos, não temos cor política e se a tivessemos, por certo deveria ésta ficar à margem, quando tivessemos que abordar questão dêsse jaez. Assim exige a bandeira da neutralidade e da imparcialidade que é o apanágio da boa imprensa, especialmente a sacrificada imprensa cabocla.

Repetidas vezes temos nos ocupado acerca do vertiginoso e descontrolado custo de vida, que sobe qual um rojão pirotécnico. E temos emitido nossas opiniões sinceras, procurando imprimir às mesmas o maior critério possivel e o mais abalizado ponto de vista.

Em verdade, o custo de vida de nossos dias, desafia a argúcia e a capacidade de trabalho de nossos governantes. Maximé, quando o atual Presidente da República, por ocasião de sua campanha eleitoral, fez discursos pomposos, prometendo fazer o Brasil progredir “cinco anos em cinco meses” e baixar o nivel de preços das utilidades de primeira necessidade. Tal, não aconteceu. É lógico que o sr. Juscelino Kubitschek fez alguma coisa. No entanto, deveria ter feito mais, em comparação com tudo aquilo que disse que faria, e, tendo-se em vista ainda, o apoio que o povo lhe dá, através de suas casas legislativas.

O chefe do Govêrno já demonstrou que não tem pulso para consertar o país, especialmente nêsse sentido. Até aí, nada de mais. O que algumas vezes faz com que a gente dê “tratos à bola”, são as afirmativas do próprio Govêrno, quando afirma, em sucessivos discursos, por todos os quadrantes do território nacional, que “as coisas vão indo as mil maravilhas”!

Toda a gente sabe que tal não está acontecendo. Todos nós, estamos sentindo no pescoço, a corda das dificuldades, que dia a dia mais aperta o nó.

Na noite de 31 de dezembro último, em sua mensagem ao povo brasileiro, o sr. Kubitschek anunciou que conseguira baixar o custo de vida!

Nosso Govêrno é francamente das viagens e inaugurações. Milhares de quilômetros são percorridos mensalmente pelo Presidente da República. Até o carioca, com aquêle seu espírito crítico, já “arrumou” uma curiosa denominação ao sr. Presidente da República. Agora não mais é J. K. Agora é J. Lá. Isto, porque o homem não para no Cadete.

Em verdade, até agora, não temos motivos para elogiar o govêrno do sr. Juscelino Kubitschek. Oxalá os tenhamos no futuro. No presente, só temos razões para censurar o atual Chefe do Govêrno, porque, até o momento, não pudemos perceber nenhuma providencia de s. excia., que, de um ou outro modo, viesse traduzir-se em beneficio direto do povo brasileiro.

Extraído do Correio de Marília de 31 de janeiro de 1957

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Mestres em Filosofia (30 de janeiro de 1957)

Sancionou o Governador do Estado, o projeto de lei aprovado pela Assembléia Legislativa paulista, criando a Faculdade de Filosofia para Marília.

Sabem todos, que a concretização oficial dêsse empreendimento representa a recompensa de vários anos de lutas do povo mariliense, através de seus poderes constituídos, de sua imprensa e de suas entidades de classe. É, pois, um motivo de justo orgulho, a criação dêsse curso superior oficial em nossa cidade. Nossas lutas a respeito, que datam de anos, não foram em vão. E, tampouco representaram uma pretensão desmedida de nossa parte. Marília, com mais de 100 mil almas, desfrutando de privilegiada situação topográfica e representativa na região, sendo, justamente a “capital” da Alta Paulista, não só completará uma grande necessidade própria, preenchendo enorme lacuna, como também irá beneficiar centenas de jovens de inúmeras zonas circunvizinhas.

Propalou-se há pouco, que iríamos encontrar dificuldades inúmeras, para manter a Faculdade de Filosofia, especialmente tendo-se em conta a deficiência (é lamentável confessa-lo) de professores especializados para formar novos mestres. Citou-se exemplos frisantes a respeito, com a menção mesmo de outros centros estudantís de grande importância e relevante tradição no Estado.

Pequena preocupação, passou a habitar em nós, com referência a êsse particular. Não o chamado pessimismo, mas sim o reconhecimento de que alguma coisa de verdadeiro vinha acontecendo nesse sentido. Não somos autoridade no assunto e nem mesmo estudiosos a respeito, mas, vez por outra, líamos alguma coisa acerca da questão fôra abordada por especialistas.

Agora, termos conhecimento da Circular nº 35, da Cúria Diocesa de Marília, publicada em nossa edição de ôntem, abandonamos aquela preocupação que pesava sôbre nós, com referência às prováveis e possíveis dificuldades que depararíamos, para conseguir professores especializados em filosofia para a nossa Faculdade que deverá funcionar, se Deus quiser, já no próximo ano.

Em fins de fevereiro vindouro, conforme se depreende do mencionado aviso, aqui aportarão os srs. Padres dr. Afonso Martinez e dr. Jaime Espinosa, formados respectivamente em Direito Canônico e Medicina. São mestres do Instituto Secular “Opus Dei”, que ministram ensinamentos espirituais e científicos.

Até maio, ainda conforme a circular citada, estarão em Marília, mais dois membros dêsse instituto, formados em filosofia.

Eis aí, o porque de termos abandonado aquêles resquícios de preocupação que tínhamos entre nós, perfeitamente justificada. Êsses dois sacerdotes-mestres, irão trazer para Marília, e, especialmente para os jovens ávidos de haurir as luzes da ciência filosófica, vantagens enumeráveis. Por aí, poderão os marilienses estar certos, de que não teremos nós, o problema que parecia um fantasma, das dificuldades em contratar mestres capazes, de idoneidade moral, de renome.

Elementos do “Opus Dei” sòmente encontram-se em escolas de renome invulgar e de tradição. Marília, por isso mesmo, será uma cidade privilegiada. Êsses padres-professores, serão uma intocável garantia para o nome intelectual de Marília e de sua Faculdade de Filosofia.

Podem os marilienses ficar descansados a respeito. Poderão ser outros os problemas para o funcionamento da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de nossa cidade; jamais, conforme agora sabemos, o fator “deficiência de mestres”.

Extraído do Correio de Marília de 30 de janeiro de 1957

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Imigrantes (29 de janeiro de 1957)

Inúmeras ocasiões, temos nos ocupado nesta coluna, de mencionar êrros clamorosos praticados pelo serviço especializado de selecionamento de imigrantes europeus para o Brasil.

Temos citado exemplos frisantes e feito comparações com os imigrantes do passado e do presente. Com aquêles que aqui vinham para trabalhar e engrandecer o Brasil e com êstes, que vêm vender casimiras e bujigangas, trabalhar em teatros e alguns, tem sido julgados até invertidos sexuais.

Aquêles que nos acompanham, estão melhor aquilatados para perceber o nosso ponto de vista. Para confirmar aquilo que vimos dizendo há anos, transcrevemos abaixo o seguinte telegrama:

“RIO (Argus-Press) – Procedente de Gênova, chegou o “Anna C”, com numerosos imigrantes para o Brasil. Verificou a reportagem que muitos dêles são da classe de imigrantes espontâneos, isto é, mandados vir pelos parentes que aqui residem. Mas outros viajaram graças ao trabalho de seleção que fazemos nos portos de origem em colaboração com o CIME. Têm passagem e estadas pagas e sua colocação no Brasil fica a cargo das nossas autoridades.

Naturalmente, os leitores pensam logo que estamos diante de nova e util remessa de operários especializados. Mas, vejamos alguns dêsses imigrantes que o Instituto Nacional de Imigração quer colocar.

QUE IMIGRANTES!

Vicenzo Calagrese, de 24 anos, é italiano, decorador de profissão. Ao reporter, disse ser marceneiro, mas na sua ficha esta “ceramista-decorador”. Gaetano Arc, de 44 anos, veio de Roma e é alfaiate. Savatore Figucci veio de Nápoles, tem 35 anos e é motorista-naval. Zissis Georg Arvanitis, grego, de 26 anos, é cortador de roupa. Alfredo Torrisi é soldador, não se sabe de que. Gunther Friederich Hoffman, de 22 anos, veio da Suiça, e é tipógrafo. De Alexandria vieram Aldo Piccolo, de 30 anos, mestre, de obra, e Vicenzo Cavallere, de 47 anos, tratador de cavalos, fugiram ou foram expulsos do Egito.

Não faltou à lista um apátida. Trata-se do sr. Varouvr Archeg Kurkdjan, de 45 anos, diverciado, turista. Veio com duas filhas e vai residir na rua Artur Bernardes, 49, ap. 403. Procede do Cairo, tem mil dólares para passar três meses no Brasil, com “visto” temporário. Sendo apátrida, para onde irá, terminados o dinheiro e o prazo?”

Por aí, verificarão os leitores que tínhamos as nossas razoes, quando censuramos as deficiências dêsses trabalhos e a inépcia e imperfeição dos funcionários brasileiros, que recebem dos cofres públicos, polpudos vencimentos, para desservir o Brasil.

Extraído do Correio de Marília de 29 de janeiro de 1957

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Fernando de Noronha (26 de janeiro de 1957)

A ilha nordestina esteve muito tempo abandonada; serviu no passado de verdadeiro paraiso de cóbras, causando medo em muita gente, pela enorme variedade de ofídios venenosos que alí proliferavam.

Depois, principiou a ser habitada. O sr. Getulio Vargas aproveitou a região para transformar a ilha em presídio político. Muita gente alí cumpriu penas processuais e não processuais.

Hoje em dia, Fernando de Noronha deixou de ser um Butantã extra-oficial e deixou tambem de ser um presídio. Muita gente vive na ilha; algumas pessoas que alí cumpriram penas, decidiram viver em Fernando de Noronha, quando tinham condições de radicar-se em outros pontos da Pátria. Isso só, poderá dar uma idéia de que a ilha oferece as suas vantagens para alí viver-se.

Não ha muito, uma revista especializada, procedeu ampla reportagem acerca de Fernando de Noronha, sua vida e sua gente. Abordou a extinção das prisões e focalizou a vida dos ex-convictos e suas famílias. Ilustrou a reportagem com vistas pitorescas e as pescas abundantes de Fernando de Noronha.

Quando tudo parecia normal, a ilha volta novamente ao cartaz. Sua situação estratégica interessou aos norte-americanos, como um provavel posto de foguetes teleguiados.

A notícia surgiu como uma verdadeira “bomba” no seio da maioria dos brasileiros. Opiniões das mais desencontradas, especialmente entre o “zé povinho”, vieram à baila. Disseram tantas e tantas coisas, que a maioria dos nacionais não foi capaz de formar, conjuntamente, uma opinião correta e confiante.

Estaria certo ou errado o Brasil? Aqueles que achavam que o govêrno Kubitschek deveria concordar, não dispunham de elementos para corroborar o ponto de vista; outros, que manifestavam-se contrários ao acontecimento, igualmente não éram capazes de apresentar argumentações irrefutáveis.

Realizaram-se conchavos, estudos, demarches. E o Governo brasileiro cedeu. Não houve imposição dos norte-americanos. Apenas solicitação. A ilha não foi doada aos Estados Unidos, o que é principal.

Se, no passado, cedemos em Natal, terrenos próprios para que os americanos construíssem a maior base aérea até então existente em território brasileiro, por que não poderíamos permitir agora, a instalação desse posto de foguetes teleguiados? Não houve uma excessão anterior? E na primeira oportunidade as circunstancias éram outras; estavamos no estado de guerra e não tínhamos provas concretas da fidelidade norte-americana. Agora já temos a experiência. Se os governos, as autoridades militares e os legisladores, que têm maior responsabilidade do que nós, que tem, mais do que nós, a obrigação de estudar a questão com fundamento e base e que já conhecem o passado, de certa forma idêntico, por que, nós, os do interior, iremos manifestar opiniões contrárias a respeito?

Sòmente para aquêles que ainda não estão bem esclarecidos: o Governo brasileiro não doou a ilha a ninguem e não foi obrigado a cede-la; apenas atendeu a uma solicitação, encarando, acima de tudo, temos a certeza, os interesses nacionais.

Extraído do Correio de Marília de 26 de janeiro de 1957

domingo, 25 de janeiro de 2009

A Festa do Jornaleiro (25 de janeiro de 1957)

Merece encômios a idéia da Rádio Dirceu, que hoje será levada a efeito, com a propalada Festa do Jornaleiro. Será prestada homenagem significativa, a êsses heróis anônimos, que ao sol ou chuva, frio ou calor, vão de casa em casa entregar aos marilienses seus jornais prediletos.

A humilde classe, que leva aos lares da gente de Marília, como de todos os centros civilizados, as notícias de todo o mundo, a própria vida e de tôdas suas pulsações, traduzidas em letras de forma, será lembrada pelos marilienses, mercê da idéia da “emissora do seu lar”.

Tão nobre é a iniciativa, que encontrou de imediato guarida no coração de todos os marilienses. O “Correio” aderiu de imediato ao movimento. Porque viu nisso um gesto digno, elogiável. Porque achou excelente a oportunidade, de render-se uma homenagem à classe dos jornaleiros. Porque, por outro lado, quase todos nós, que militamos na pobre e sacrificada imprensa interiorana, iniciamos nossos trabalhos no passado, entregando jornais.

O vereador Nasib Cury interessou-se pela manifestação e emprestou inestimável colaboração para que a Festa do Jornaleiro transcorra dentro de invulgar brilho. O mesmo aconteceu com o sr. Prefeito Municipal, que aderiu integralmente ao movimento. O dr. Argolo irá distribuir capas de matéria plástica para os jornaleiros, a fim de que os mesmos se resguardem da chuva, quando nas funções de seus humildes misteres. Não para todos os jornaleiros, porque na cidade não conseguiu adquirir o número suficiente dessas vestimentas, tendo mesmo esgotado o estoque de várias casas comerciais.

O Marília Tenis Clube, vai colaborar objetivamente, cedendo seus salões e seu serviço de bar. O Bar Marrocos, ofereceu os salgadinhos. As indústrias de bebidas “Gatti”, “Sael” e “Bavária”, deram os refrigerantes. As indústrias “Ailiram” balas e doces. Outras firmas comerciais ofereceram outros prêmios, além de particulares, que doaram vários objetos para serem distribuídos aos jornaleiros.

A Festa do Jornaleiro terá lugar hoje, às 13 horas, no Marília Tênis Clube. Os jornaleiros poderão levar suas famílias, para melhor completarem a alegria.

O “cast” artístico da Rádio Dirceu oferecerá à humilde e digna classe, momentos de lazer, com músicas e alegria.

Não só o sr. Prefeito Municipal e outras autoridades aderiram ao movimento, que é, sem sobra de dúvida, dos mais dignos; d. Hugo Bressane de Araujo, arcebispo-bispo de Marília, convidado pela Rádio Dirceu, aquiesceu em comparecer e prestigiar a festa referida, reconhecendo o valor da homenagem.

Anselmo Scarano, gerente dêste jornal, que foi primeiro jornaleiro de Marília, quando a “cidade menina” era um amontoado de casas toscas dentro do mar verde da região, discursará na ocasião, em nome dos jornaleiros de Marília, para agradecer a homenagem prestada à classe. Outras pessoas, por certo, farão uso da palavra, discorrendo sôbre a classe homenageada e sôbre o significado do preito.

E nós, desta coluna e nesta oportunidade, aproveitamos o ensejo para estender a mão aos jornaleiros de Marília, apresentando a todos, indistintamente, o nosso abraço amigo, participando também da homenagem que aos mesmo será tributada.

Extraído do Correio de Marília de 25 de janeiro de 1957

sábado, 24 de janeiro de 2009

Otimismo? (24 de janeiro de 1957)

A gente não deve ser demasiadamente pessimista e nem tampouco exageradamente otimista. O brasileiro, regra geral impulsivo, costuma pender para o exagero, quando não muda como um paravento. Deve ser consequência de seu sentimentalismo natural, seu amor pelas coisas de sua gente e de sua Pátria.

Referimo-nos aos momentos em que temos que nos fazer representar em quaisquer certames internacionais. Pecamos em excesso.

No futeból, foi assim. Antes da Copa do Mundo de 1950, já nos endeusávamos e estufávamos o peito, chegando mesmo a jactar-nos de virtuais campeões. Subestimamos os uruguaios e os mesmos levaram para sua terra a Taça “Jules Rimet”, quando ésta, na opinião da maioria, já “estava no papo” de Flávio Costa. Em 54, aconteceu o mesmo, só que a decepção antecipou-se muito.

Nas últimas olimpíadas, se não fosse o Adhemar (não o de Barros, o Ferreira da Silva), teria nossa representação feito um fiasco total.

Marta Rocha, representou condignamente o Brasil no certame das beldades mundiais, quando nosso país foi vítima de verdadeira injustiça. Os americanos pódem conhecer aviões à jacto, foguetes teleguiados, cinema, “chiclets”, coca-cola e outras coisas mais; em matéria de apreciar o valor plástico da mulher são uma negação. Desprezaram Marta Rocha, exatamente inapreciando seu verdadeiro valor: as duas famosas polegadas do “equador”.

Maria José Cardoso, outro fracasso. Foi endeusada. Foi apontada, nas exibições anti-prova, como “candidata favorita”. Depois, não pegou “nem resfriado”.

Agora, mandamos a Colombia, a moreninha Clélia Honain, de Araraquara. Bom “material”, pelo que se percebe, através das fotografias publicadas pela imprensa. Os “Diários Associados” mandaram à Manizales, local onde será ferido o certame internacional, para “descobrir” a “Senhorita Mundial do Café”, a cronista Margarida Izar e mais um fotógrafo. Já principiaram a surgir as primeiras reportagens a respeito das beldades. Viram touradas, brigas de galos, etc. Participaram de recepções, homenagens, visitas. Estão “abafando”, segundo Margarida publica.

O franco favoritismo está distribuído entre Cleia e Glória Aristizabal, da Colombia, uma loura espetacular. E nem poderia ser de outro modo. Não ficaria bem a predileção entre Cléia e outra representante, que não fosse a do país promotor do certame.

Já vimos, ao que parece, o mesmo otimismo exagerado por parte da cronista. Cléia está criando calor em Manizales, com seu palminho de rosto e com seu corpo escultural. Oxalá éssa predileção venha a traduzir-se em realidade.

Entendemos, que mesmo que a simpatia geral seja concreta, aparentemente, a reporter Margarida deveria dizer que a moça estava sendo admirada e encarada com simpatia. Porque o “negócio” com a população é uma coisa e com os juizes é outra. Se Cléia vier a conquistar o cetro do concurso, Margarida “sairá bem”. Se, ao contrário, nossa candidata ficar preterida, só restará à reporterr, incriminar e injustiçar a comissão julgadora, para justificar seus próprios ditos.

Vamos aguardar, portanto, o certame que terá lugar no próximo sábado. E vamos “torcer” para que os colombianos não sejam como os americanos que julgaram Marta Rocha...

Extraído do Correio de Marília de 24 de janeiro de 1957

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O “eixo” policial (23 de janeiro de 1957)

O dr. José Edgard P. de Moraes, delegado regional de polícia em Botucatu, está preconizando um “eixo” policial Bauru-Botucatu-Marília, com permanente “batidas”, visando “limpar” o triângulo formado pelos três centros, dos malandros e desocupados, dos indesejáveis, enfim.

Ótima idéia.

Ainda em nossa edição de ôntem, transcrevemos uma notícia a respeito, divulgada pelo jornal “Correio da Noroeste”, da cidade de Bauru. Na oportunidade, referiu-se o colunista aos trabalhos da regional local, acerca das “batidas” diárias nos trens da Paulista, tendo noticiado, inclusive, as últimas prisões realizadas pela polícia mariliense.

Um trabalho articulado, das três regionais, virá beneficiar bastante a nossa população, pois desarticulará, certamente, planos e ações de muitos ladrões que acorrem a essas promissoras e exuberantes zonas do Estado.

Será, portanto, “um cinturão defensivo”, que virá beneficiar imensa população.

O delegado regional de polícia de Bauru, sr. Everaldo Tanganelli, através da imprensa bauruense já manifestou seu ponto de vista favorável ao citado “eixo”, tendo declarado que irá entrar em entendimento com seus colegas de Botucatu e Marília, para traçar os planos iniciais da ofensiva.

Ao leitor menos avisado, principalmente o leitor de fóra, poderá parecer, tal comentário, que Marília, Bauru ou Botucatu, sejam cidades despoliciadas e à mercê de ladrões ou criminosos. Nada disso. Verificam-se delitos e roubos, como todos os centros de grande movimento. Apenas, as autoridades policiais referidas estão empenhadas em diminuir ou acabar por completo êsses registros.

Isso significa, que o poder policial está procurando desincumbir-se cada vez melhor da enorme responsabilidade que as atribuições normais de suas obrigações acarretam, frente ao sossego público e resguardo à integridade pessoal do cidadão, bem como a garantia e a segurança da propriedade e da família.

Nossos votos, para que o propalado “eixo” policial Botucatu-Bauru-Marília consiga obter os resultados que do mesmo se espera.

Extraído do Correio de Marília de 23 de janeiro de 1957

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

As comissões da Camara Municipal (22 de janeiro de 1957)

Na próxima quinta-feira, realizará a Câmara Municipal de Marília, a sua primeira reunião ordinária do presente exercício. Como sabem todos, nessa sessão, serão eleitas as comissões especiais do legislativo mariliense.

Embora não pareço, a sessão referida revestir-se-á de importância capital, pois da perfeita escolha dos membros das comissões permanentes, dependerão os próprios êxitos do plenário. Como sempre, nossa reportagem andou “baratinando” alguns vereadores, com o objetivo de saber se existem opiniões já formadas para a constituição das aludidas comissões. O que soubemos a respeito, não nos trouxe nenhuma alegria. Confessamo-lo, embora não tenhamos a mínima pretensão de imiscuir-nos nos serviços do legislativo mariliense. É que, pelo que pudemos entender, as comissões especiais – se autênticas as informações que nos prestaram –, serão formadas à base de entendimentos políticos. Causou-nos espécie a informação embora nenhuma admiração. No entanto, pensamos que as comissões especiais da Câmara Municipal devem ser formadas em bases técnicas dos conhecimentos dos próprios vereadores, já que suas missões são espinhosas e representam a própria circulação do sangue dos trabalhos legislativos.

Assim, seria um contrasenso, um leigo em questões de direito fazer parte da Comissão de Justiça ou um desconhecedor de finanças figurar no aludido núcleo, e, assim por diante.

Deverão os senhores edís atentar para êsse fato, deixando de lado conchavos e acertos políticos. Os elementos das Comissões deverão ser aproveitados dentro de suas qualidades técnicas especiais; e quando o número não puder ser completo nesse particular, lançar-se-á mão daquêles que maiores qualidades revelam para as especialidades das mesmas comissões.

Aí está um assunto a exigir, por certo, as atenções do presidente Badra e dos próprios líderes das diversas bancadas políticas com assento à Câmara Municipal.

Nossas observações, bem intencionadas, objetivam unicamente colaborar com os senhores edís, embora possam ser, como aconteceu outras vezes, mal interpretadas.

Os trabalhos de um parlamentar, dependem do bom andamento e da eficiência das comissões permanentes. Até o próprio Executivo chega a depender das aludidas comissões, pois os dois poderes – Executivo e Legislativo – são harmônicos e, embora trilhando caminhos diferentes, encontram-se no final da jornada – servindo os marilienses e engrandecendo a cidade.

Quinta-feira, como dissemos, teremos a escolha dos membros que integrarão as comissões especiais da Câmara Municipal. Oxalá nada aconteça semelhante aquilo que nos informaram há dias.

Extraído do Correio de Marília de 22 de janeiro de 1957

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Carros brancos, vermelhos, beije e verde-oliva (19 de janeiro de 1957)

Ao que se sabe, vários preceitos legais, constando de exigências e proibições previstas pelo Código Nacional de Trânsito, serão postos em prática, já agora, por ocasião do licenciamento de veículos para 1957.

Por exemplo, segundo noticia a imprensa bauruense, na “cidade sem limites” a Delegacia Regional de Polícia, através de uma Secção de Trânsito, está notificando aos interessados, instruindo-os convenientemente, acerca do cumprimento de tais exigências.

De acordo com as instruções a respeito, nenhum carro será vistoriado ou lacrado, sem que seu motorista não esteja com exame médico dentro da validade de 5 anos, bem como em ordem o imposto sindical e regularizada a taxa exigida pelo IAPETEC e a matrícula revalidada para o corrente exercício.

Na vistoria prévia a que estão sujeitos os veículos a motor, serão examinados os freios de pé e de mão, direção, iluminação, limpador de parabrisas, busina, espelho retrovisor, setas indicativas de direção e “olhos de gato”, além do silencioso de descarga, parachoques, paratrisas, pintura, etc.

As proibições previstas pelo C. N. T. e que serão observadas, conforme esclarece a informação referida, são as seguintes: businas musicadas ou estridentes, luzes coloridas (com exceção da vermelha), placas em mau estado, enfeites que prejudicam a direção e visibilidade, e, principalmente, o uso de escudos ou dísticos que possam provocar confusão entre carros particulares e viaturas oficiais.

Terminantemente, são proibidas as pinturas de veículos, nas cores branca, vermelha, verde-oliva e beje. A côr branca destina-se identificar as ambulâncias; a vermelha os carros do corpo de bombeiros; a verde-oliva e a beje, respectivamente as viaturas do Exercito e Aeronáutica.

Extraído do Correio de Marília de 19 de janeiro de 1957

domingo, 18 de janeiro de 2009

O Climático Hotel (18 de janeiro de 1957)

Temos noticiado constantemente o fato que representa o grandioso empreendimento de um grupo de marilienses, já na sua fase final, na estação climática de Campos Novos Paulistas: o Climático Hotel.

Realmente, nenhum exagero ou outro interesse existe de nossa parte, senão o focalizar um acontecimento que tem muito mais importância do que possa parecer à primeira vista.

O mariliense, para repouso ou tratamento de saúde, até aquí, viu-se obrigado a rumar para estações de águas caríssimas e famosas, longe de Marília. Isso, de modo geral, não mais vai ser necessário, uma vez que, já para o último trimestre do ano em curso, deverá ser oficialmente inaugurado o Climático Hotel Campos Novos Paulista, realização que veio preencher imensa lacuna, não só em Marília, como em toda a Alta Paulista, Alta Sorocabana, Norte do Paraná, e, à rigor, no próprio Estado.

Não mais precisarão os marilienses, de agora em diante, abandonar seus compromissos e suas famílias, para realizar necessários tratamentos em “estações de água”. Alí está o Climático Hotel, perto de Marília, ligado por boas estradas, propiciando mesmo o ensejo de passar semanas naquelas paragens inteirados de seus negocios.

O clima é excelente. A água salubérrima. Frutas que reconhecidamente só vingam em climas frios e especiais da Europa, ali crescem com facilidade, produzindo excelentes produtos.

Tudo foi convenientemente estudado pelos timoneiros da idéia. Folguedos, lugares para espairecer o espírito, alimentação, conforto, vida ao ar livre, esportes, natação, tudo, enfim.

Nas proximidades, encontra-se u’a verdadeira maravilha da natureza: uma fonte, conhecida pelo nome de “Fonte dos Euricos”, cujas propriedades medicinais de suas águas, já devidamente comprovadas pela ciência médica, principiam de modo vertiginoso a atrair turistas. São incontáveis os efeitos do liquido dessa fonte, para diversas espécies de males físicos do homem.

Aqueles que já conhecem Campos Novos Paulistas e que já viram “in loco” as majestosas óbras do Climático Hotel, entendem perfeitamente que estamos apregoando um fáto digno de merecer as mais encomiosas referências.

Aqueles outros, que, por motivos diversos, ainda não tiveram o ensejo de visita o referido empreendimento, estão no dever de conhece-lo, para aquilatar o que de alto valor significará dentro das próprias necessidades da saúde e do repouso de nossa gente.

Até ha pouco, “fazer uma estação de água” era privilégio de ricos. Hoje, não; hoje, até os mais modestos financeiramente, são cotistas do Climático Hotel Campos Novos Paulistas. Imaginem os leitores, o bem estar e o conforto físico e salutar que essa gente proporcionará às suas famílias.

Vale a pena, repetimos, conhecer o Climático Hotel Campos Novos Paulista.

Extraído do Correio de Marília de 18 de janeiro de 1957

sábado, 17 de janeiro de 2009

Deputados e deputados (17 de janeiro de 1957)

Não se pode censurar o brasileiro, especialmente o caboclo do interior, quando desacredita dos políticos dos nossos dias. Salvo raras exceções, ser político, no Brasil, é carregar sobre os ômbros a balda de uma série de defeitos, compreendidos desde acôrdos escusos até a desonestidade.

O povo brasileiro, semi-analfabeto em sua maioria não poderia mesmo pensar de outro módo, tantos são os exemplos contundentes e de baixa estirpe moral que presenciamos continuadamente. Muita gente acredita, que ser político e ocupar um cargo eletivo, é ser especialista em dizer desaforos. Não podem ser condenados aqueles que assim pensam. Não podem e não devem. São tantos e tão marcantes os exemplos que vemos a êsse respeito, que até nós, que, embora não sendo lá muito cultos e nem tampouco semi-analfabetos, somos forçados, muitas vezes a pender para o lado da maioria das opiniões.

Acaba a Assembléia Legislativa de dar mais u’a mostra daquilo que acontece à miude nos parlamentos nacionais: no último dia 10, engalfinharam-se deputados paulistas, em plena sessão, como moleques de rua! Trocaram sopapos a valer. Como sempre, a turma do “deixa disso” entrou tarde. Como sempre, a repercussão no seio da opinião pública foi das piores, das mais desfavoráveis.

Deputados eleitos pelo povo, vencendo polpudas somas mensais, faboulosos “jetons”, grandemente engrossados nas sessões extraordinárias, fazem seguidamente demagogia barata e discutem histericamente, enquanto o povo está quase passando fome.

Demagogia, demagogia, demagogia. É só o que sabe fazer a maioria dos deputados paulistas.

As tradições augustas da assembléia bandeirante vivem atualmente enlameadas. Os que lançam tanta lama no parlamento, foram exatamente aqueles que ludibriaram a boa fé pública, desde o início de suas campanhas políticas.

Tudo já aconteceu na Assembléia Estadual. Tudo. Conchavos de conveniências; acertos políticos dos mais sórdidos; demonstração patente de saciamento de apetites políticos e pessoais; votação de projetos inconstitucionais; recebimento de propinas para votar leis de benefício de grupos, em detrimento da maioria; corpo a corpo; manobras das piores espécies; difamações; desunião de partidos; votações “à lá Zatopeck” de aumentos dos próprios subsídios; oposições aos governos, quando deveriam estes ser auxiliados; defesa dos governos, quando deveriam ser combatidos; gritos; insultos; desavergonhadas brigas e engalfinhamentos; demagogias e mais demagogias, antes de tudo e sobretudo; apadrinhamentos; empreguismo; protecionismo; filhotismo político; inquéritos administrativos dentro da própria Casa; solicitações periódicas da Justiça para processar parlamentares; e muitas coisas mais, verdadeiramente vergonhosas, incrivelmente baixas!

Existem exceções, repetimos. Poucas, desgraçadamente.

Extraído do Correio de Marília de 17 de janeiro de 1957

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Faculdade de Filosofia (16 de janeiro de 1957)

Podemos já considerar uma realidade a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília. Podemos já ter a certeza de que não foram em vão as lutas empreendidas pelo povo mariliense, através de suas autoridades de classe, sua imprensa – escrita e falada – e a família mariliense em geral.

A criação e instalação dêsse curso oficial superior, jamais representou para nós, uma pretensão descabida; pelo contrário, foi o fruto de um direito, de uma necessidade indiscutível e irrefutável. Pela localização de Marília, pelo que representa topograficamente na Alta Paulista, pela sua centralização na vasta e exuberante região, pelo seu progresso, pelo seu dinamismo, pelo número de almas estudantís, tínhamos o direito de pleitear, lutar, aspirar a referida Faculdade.

E foi criada. Com justiça. Sem favor, podemos dizer. Sem significar um egoísmo regionalista, porque irá beneficiar a inúmeros jovens de tôda a região, facilitando-lhes o ensejo de aprimorar conhecimentos. Será a contribuição de Marília ao próprio ensino do Brasil, atualmente não acompanhando no mesmo ritmo, as necessidades crescentes do número de jovens em idade de estudos superiores.

Anteontem, o Prefeito Municipal, acompanhado do presidente da Câmara e de vários vereadores, fez a entrega ao sr. Governador do Estado, dos planos de adaptação de prédio para o funcionamento da Faculdade. Isto quer dizer, que não nos limitamos sòmente a pedir a criação legal da Faculdade. Nem esta acabara de ser convertida em Lei, e Marília, por intermédio de seus legítimos representantes, já batia as portas do Palácio dos Campos Elíseos, oferecendo os meios ao próprio Govêrno, para a sua instalação.

Estão ainda em São Paulo, os drs. Aniz Badra e Argolo Ferrão. Tratando do assunto. Importante assunto, frise-se.

Mais uma vitória para Marília, conquistada pelo seu próprio povo.

Estado de parabéns os jovens estudantes de Marília e de tôda a região. Está de parabéns o próprio povo de tôda a Alta Paulista, que será o beneficiado direto.

Extraído do Correio de Marília de 16 de janeiro de 1957

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

“Pingue-pongue” de processos... (15 de janeiro de 1957)

Os acontecimentos verificados há dias, na cidade de Franca, com respeito ao caso do leite, que culminaram em mortos e feridos, tomou um aspecto novo, inesperado. Desavieram-se os srs. Governador Jânio Quadros e o prefeito francano, Onofre Gosuen.

O Chefe do Executivo bandeirante, teria incriminado telefonicamente ao Prefeito de Franca, responsabilizando-o, de certo modo, pelos lamentáveis acontecimentos ocorridos naquela cidade paulista. Posteriormente, em declarações à imprensa, o sr. Gosuen teria externado criticas à atual administração do sr. Jânio Quadros, consideradas ofensivas e desmoralizadoras pelo Governador do Estado.

Em consequência, o Chefe do Govêrno paulista ordenou ao titular da pasta da Justiça, a instauração de processo-crime contra o Prefeito Municipal de Franca. O texto do oficio a respeito , conforme já divulgamos, é o seguinte: “Venho solicitar a V. Excia., determine ao Procurador Geral da Justiça, promova a responsabilidade criminal do sr. Onofre Gosuen, prefeito municipal de Franca, em virtude de suas caluniosas declarações, publicadas na segunda edição de hoje, ao “Diário da Noite”, primeira e terceiras páginas. Aproveito o ensejo para apresentar a V. Excia. os meus protestos de elevada consideração e apreço. (as.) Jânio Quadros, Governador do Estado”.

Nós, que somos de fora, como órgão de imprensa que somos, não poderíamos mesmo opinar sôbre razões de uma ou outra parte, como não o fizemos.

O caso agora, tomou nova forma, com um autêntico “pingue-pongue” de processos. O sr. Jânio Quadros, conforme é sabido, está processando o prefeito de Franca, sr. Onofre Gosuen. Êste, vai processar o Governador do Estado.

A respeito, o jornal “Comércio da Franca”, edição de 11 do corrente, noticiando a decisão do prefeito francano, assim se manifesta:

“Conforme divulgamos ontem, estiveram nesta cidade os deputados federais Emilio Carlos, presidente do Diretório Nacional do Partido Trabalhista Nacional, e Benedito Rocha, alto prócer daquela agremiação, a fim de tratarem da defesa do prefeito Onofre Gosuen ao inquérito policial instaurado para apuração dos fatos que culminaram com o assalto popular à Usina Jussara, ocorrido na noite de 6 do atual.

Nesta cidade, os próceres petenistas participaram, anteontem, à noite, de uma reunião realizada no gabinete do chefe do govêrno municipal, com o objetivo de estudar as providências a serem tomadas, em consequência dos acontecimentos do último domingo.

O PREFEITO PROCESSARIA O GOVERNADOR

Os deputados Emílio Carlos e Benedito Rocha, após rápida permanência em Franca, regressaram ontem, pela manhã, pelo avião de carreira da Vasp.

Referindo-se à chegada dos próceres petenistas, a Rádio Cultura, em programa das 11,30 horas de ontem, reproduziu suas declarações de que “a situação em Franca continuava tensa”.

Segundo difundiu ainda a emissôra paulistana, seria pensamento do Prefeito Municipal de Franca processar criminalmente o Governador do Estado, por crime de calúnia e difamação, conforme lhe teriam adiantado os srs. Emílio Carlos e Benedito Rocha, momentos antes chegados de Franca”.

Extraído do Correio de Marília de 15 de janeiro de 1957

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A “blitz” contra o custo de vida (12 de janeiro de 1957)

Anunciou o Sr. Presidente da República, seus intentos de desencadear em todo o território nacional, uma verdadeira “blitz” contra o atual custo de vida, forçando, senão a baixa dos preços das coisas de primeira necessidade, pelo menos estagnar as constantes altas.

O propósito, segundo já tivemos oportunidade de comentar anteriormente, póde ser considerado dos mais nobres. No entanto, conforme nos manifestamos ha pouco, temos as nossas dúvidas na consumação dessas propaladas providências. Esse descontrole econômico, certamente importado, tornou-se entre nós um “bicho de sete cabeças”, com fôlego de sete gatos. Urgiria um ataque em massa sobre todas as cabeças do indesejável, para poder obter-se algum resultado que pudesse beneficiar o sacrificado povo brasileiro.

Até aqui, a “blitz” tem procurado atacar apenas alguns setores, e , isso mesmo, depois de uma propaganda prévia e estrepitosa, que faculta meios de “auto defesa” aos interessados, que se preparam para amortecer os choques e enfrentar as providencias a respeito. O resultado, aí está. A vida cada dia mais difícil se torna, chegando a fazer com que os proprios governos caiam no descrédito público, tal a pusalinimidade que, neste setor, até agora têm apresentado.

O cancro, chamado “intermediarismo”, deve ser estirpado. É, ao par das inépcias dos governos nesse sentido, o principal responsavel pelo que estamos vendo e sentindo.

Anunciam os governos do momento, grandes planos de desenvolvimento. Grandes campanhas, grandes iniciativas(,) grandes realizações engrandecedoras. Bom seria que os dirigentes, das órbitas nacional e estaduais, voltassem um pouco mais suas vistas para o povo interiorano, que sofre hoje como nunca desde que o Brasil foi descoberto por Cabral.

O povo interiorano é um povo esquecido. Em tudo e por tudo. Regra geral quase tudo o que apresenta e realiza, é consequência de trabalhos próprios, de esforços pessoais. Progride em inúmeros setores, mas sucumbe ante a realidade de sua impotência para deter o custo de vida, que ameaça asfixiá-lo. Não dispõe de armas, a não ser o direito de expernear e gritar. Mas isto, provado está, nada adianta. Os govêrnos não ouvem e mesmo que desejem ouvir o gripo angustiante do brasileiro sacrificado do sertão, nada podem fazer, porque os inimigos, traduzidos em classes interessadas e, muitas vezes em autênticos soldados do progresso nacional, tem nas mãos trunfos poderosos e meios suficientes para inutilizar qualquer boa intenção dos governantes.

Os dirigentes precisam voltar suas vistas para o interior. Precisam fazer alguma coisa nesse sentido. Precisam salvar o Brasil, impedindo que o próprio nacional pereça de inanição.

Será difícil citar fatos exemplificadores, tantos e tantas são. Vejamos, por exemplo, o atual preço do arroz – alimento básico do (povo) nacional. Em pouco meses, subiu de 13 para 27 cruzeiros. Cento e pouco por cento!

E muitas outras coisas, desnecessárias de citação, porque todos as sentem na própria carne.

Por nosso lado, sabemos sobejamente, não só porque sofremos como parte do povo brasileiro, mas porque ainda, a experiência já nos ensinou, de nada adiantam os nossos gritos. Mas continuaremos gritando. Continuaremos clamando, porque é o nosso dever.

Gostem ou não aquêles que são inimigos do povo.

Extraído do Correio de Marília de 12 de janeiro de 1957

domingo, 11 de janeiro de 2009

O prédio para a Faculdade (11 de janeiro de 1957)

Nos tivemos a possibilidade de inteirar-nos acerca de como andam as providências do sr. Prefeito Municipal, com respeito ao prédio que se destinará a servir para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, recentemente criada em nossa cidade.

Conforme noticiamos, existiam estudos e mesmo entendimentos, no sentido de ser aproveitado o prédio existente na Avenida Vicente Ferreira, próximo à Santa Casa de Misericórdia, onde até há pouco funcionava a Fiação Mariliense Ltda. Também informamos em tempo, que por ocasião de uma sessão ordinária da edilidade, o vereador Reinaldo Alves de Sousa, apresentara à Mesa da Câmara Municipal, um documento em cujo teôr a diretoria do Educandário “Dr. Bezerra de Menezes” se propunha a ceder o prédio em construção, para o funcionamento do novo curso oficial superior de nossa cidade.

Quer dizer, já existem dois locais prováveis para a instalação. Tudo depende agora, dos últimos entendimentos, das derradeiras providências a respeito.

Extraoficialmente, estamos inteirados de que no próximo dia 25, o sr. Governador viera à Marília, quando fará a entrega ao público mariliense, do novo prédio do Grupo Escolar “Gabriel Monteiro da Silva”.

Aí estará a oportunidade, para que mostremos ao Chefe do Executivo bandeirante, o prédio que destinaremos ao funcionamento da Faculdade, fruto de tantos e tantos anos de lutas dos marilienses. Vamos procurar fazer o Sr. Janio Quadros conhecer o local e interessar-se para que a escola referida póssa funcionar ainda em 1957, mesmo que nem todas as classes e mesmo com algumas deficiências materiais. Vamos, então, fazer mais um pouco de força, a fim de que não passemos mais um ano sem esse importantíssimo curso de ensino superior.

O mais difícil já está feito – foi transposta a burocracia, as lutas de alguns deputados “caçadores de votos” e inimigos de Marília. Contamos com a colaboração de outros parlamentares sinceros, que souberam bem interpretar os clamores e as necessidades da vida estudantil mariliense, dando-nos o apoio e aprovando a lei referida. Somos gratos ao atual Governo, que cumpriu uma promessa empenhada ao público mariliense, pelo Vice-Governador Porphyrio da Paz, quando em exercício do alto cargo.

Vamos, agora, rapidamente, “tocar o bonde”. Façamos o que falta com urgência e completemos a contenda patriótica que vimos empreendendo ha muito tempo.

Se vier de fato o Sr. Governador do Estado, façamos com que o mesmo perceba a nossa boa vontade em completar o que falta para o funcionamento da Faculdade de Filosofia. Se demorarmos, embora as providencias desse jaez sejam de fato morosas, o curso citado não funcionará este ano.

Extraído do Correio de Marília de 11 de janeiro de 1957

sábado, 10 de janeiro de 2009

A lei e a alta de preços (10 de janeiro de 1957)

Em nosso artigo de ôntem, fizemos alusões e transcrevemos algumas declarações do ministro da Fazenda, sr. José Maria Alkimim, com referencia aos abusos que estão se verificando, à sobra da nova Lei do Imposto de Consumo.

Notícia a imprensa paulistana, que vários industriais e comerciantes estão condenando as expressões do ministro da Fazenda, argumentando em outras palavras que a interpretação do referido homem público está sendo errada. Admiramo-nos até, da reportagem a respeito. Admiramo-nos, é bom que se frise, porque entendemos que o ministro da Fazenda tem autoridade suficiente para manifestar-se acerca da questão, enquanto que, por outro lado, pesa-lhe sôbre os ômbros imensa responsabilidade na interpretação do texto legal. Daí, o pendermos para as declarações do aludido ministro, refutando as ponderações externas por aquêles que são interessados diretos na defesa do aumento de preços de diversos gêneros de consumo obrigatório pelo povo brasilieiro.

Foi claro e suscinto o sr. Alkimim, em sua alocução proferida ao microfone da Agência Nacional, no programa “A voz do Brasil”: sòmente sôbre joias, bebidas alcoólicas, automóveis e outras mercadorias consideradas de luxo ou supérfluas, incide o aumento – e relativamente pequeno. Cigarros, calçados, etc., não se enquadram no referido diploma legal, não se justificando, por isso mesmo, as elevações dos preços que estão se verificando.

Por outro lado, a proporção das elevações registradas, mesmo nos objetivos atingidos pela nova lei, não estão obedecendo um critério de senso, e, pelo contrário, estão dando margens a motivos de verdadeira exploração pública.

A lei foi sancionada e está em vigência. Que seja cumprida. Que arque o povo brasileiro com as suas consequências. Mas, por outro lado, que o próprio Govêrno trate de fiscalizar os abusos que estão se processando à margem do citado diploma legal.

Mercadorias que tiveram um acréscimo, por exemplo, de menos de dois cruzeiros em unidade, estão sendo apresentadas ao público, com um aumento de quatro e mais; as que tiveram um aumento de 10, são vendidas por 20 a mais do que deveriam ser, honestamente.

No setor de calçados e cigarros, quer nos parecer, existe o maior abuso por parte dos fabricantes paulistas. Algumas marcas de cigarros, tiveram o referido imposto aumentado em apenas dois décimos (de 4,8%, para 5%), não se justificando, em absoluto, as elevações que estão sendo apresentadas.

O povo é que não pode ser sacrificado diretamente, além daquilo que a própria lei determina. Cabe ao Govêrno punir os responsáveis diretos pela alta de preços, tôdas as vezes que os aumentos sejam comprovadamente injustificáveis.

Extraído do Correio de Marília de 10 de janeiro de 1957

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Preços, aumentos e abusos (9 de janeiro de 1957)

Em sã consciência, nem sempre pode-se culpar o pequeno comerciante, aquêle que tem pouco capital e pouco estoque, pelos absurdos e constantes aumentos do custo de diversas mercadorias. O abuso, a exploração, a corrente altista dos preços de todos os produtos de primeira necessidade, são oriundos, na maioria das vezes, daquêles que menos participam da produção nacional, mas que, na realidade, são os que mais proveito tiram, à custa das dificuldades dos pequenos comerciantes e à custa principalmente, das misérias do próprio povo brasileiro: os intermediários.

Como se já não bastassem os exemplos vivos que temos, sentidos na própria carne, vêm agora, a declaração do sr. Alkimim, confirmar tudo aquilo que sempre pensamos e que aqui tem sido externado: impera no comércio brasileiro, uma verdadeira bandalheira!

Peremptoriamente, declarou o ministro da Fazenda, que “não pode ser responsabilizada por qualquer elevação do custo de vida a nova lei do imposto de consumo”.

No entanto, tal não está acontecendo. A nova lei, está sendo pretexto para uma serie de sangrias contra a economia popular. Verdadeiros e criminosos assaltos estão se processando contra o povo, sob a pretensa sombra da lei em apreço.

Dentre outras palavras, disse o ministro da Fazenda:

“A nova lei do imposto de consumo não pode ser responsabilizada por qualquer elevação do custo de vida. Nenhum produto essencial, nenhuma mercadoria obrigatória no consumo do povo, terá suas taxas majoradas. Sôbre produtos de alimentação, produtos farmacêuticos e muitos outros artigos essenciais, não houve qualquer aumento de imposto de consumo e, para que o publico fique devidamente esclarecido, precisamos informar ainda que houve em muitos casos até redução de impostos, a exemplo do que ocorre com a tributação sobre calcado, artigos de higiene como sabonete e outros produtos.

“Outro exemplo que devemos citar é o do cigarro, que não sofreu qualquer aumento de imposto e, em certos casos, houve mesmo redução. No entanto, já se propala que todos esses artigos estão sofrendo majoração de preço por causa da nova lei do imposto de consumo.

“As pequenas elevações de taxas que se verificaram tiveram como objetivo somente consolidar, com ligeiros reajustamentos, os adicionais que já estavam sendo cobrados desde o ano passado. Assim, varios produtos que estavam sendo gravados com taxas de 4 por cento mais 8 decimos de adicionais, portanto, 4,8 por cento, passaram a ser cobrados na base de 5 por cento.

“Alguns aumentos mais significativos incidiram sobre produtos não essenciais – como bebidas alcoolicas, artigos de peletoria, baralhos, automoveis, joias etc., – que não fazem parte obrigatoriamente do consumo do povo especialmente da(s) classes menos favorecidas.

“Pelo contrario, esses aumentos vem exatamente em defesa dessas classes. Os recursos financeiros, proporcionados pela nova lei possibilitarão uma s(u)bstancial redução do deficit orçamentario de 1957. Menor deficit significa menor apelo a emissões de papel moeda, e, consequentemente, combate à inflação.

“É, pois, com este proposito que o governo porcura novos recursos financeiros.

“E todo o povo sabe que sem o severo combate à inflação não haverá possibilidade de obter a redução dos preços.”

Em vista das palavras acima e frente a realidade do momento, o que se vê é que existe muita coisa nestes Brasís que só a polícia poderia resolver. A polícia e a fiscalização, porque muita coisa, que, legalmente não teve o imposto de consumo alterado, já subiu de preço, assustadoramente. Isto é, sem dúvida, um verdadeiro abuso à paquidérmica bondade do brasileiro!

Extraído do Correio de Marília de 09 de janeiro de 1957

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Um teatro para Marília (8 de janeiro de 1957)

Marília, apesar de nova, é hoje uma cidade das mais modernas, sempre crescendo, sempre expandindo-se. Em vista disso, passa a exigir uma série de melhoramentos, condizentes com seu próprio e veloz dinamismo.

É uma consequência natural do desenvolvimento de qualquer grande centro.

Não ha muito, escrevemos algo acerca da necessidade de Marília possuir um teatro. Até ha pouco, contavamos com os serviços a respeito, dos dois cinemas da cidade, cujos palcos prestavam-se, perfeitamente aos preenchimento dêssa lacuna. Agora, com as instalações das telas panorâmicas das mencionadas casas, tornou-se impossível as representações teatrais em nossa cidade, com exceção aos teatros particulares ou de algumas entidades sociais.

E(m) resumo, não temos lugar em Marília, onde receber uma companhia teatral ou onde póssa realizar-se um espetáculo público de grandes proporções.

Na ocasião, recebemos inúmeras cartas de marilienses, louvando nossa idéia, aplaudindo o que disseramos.

Realmente, um teatro é u’a necessidade em Marília. Desde as épocas imemoriais dos gregos e romanos, foram a arte e a cultura a consolidação do desenvolvimento da própria humanidade e a tradução viva do adiantamento dos povos. O progresso dos povos está por isso mesmo, na razão indiscutível do grau de sua cultura.

A encenação das óbras primas da literatura nacional e internacional, ou os imortais da musica clássica, bem como representações teatrais de outra natureza, são uma obrigação de todo e qualquer centro civilizado.

Embora tenham os poderes públicos, a obrigação de dar o apoio a realizações como a que estamos citando, tornamos a repetir aquilo que antes dissemos: não iriamos apelar através desta secção, para que a municipalidade construisse um teatro, principalmente néstaa época em que muitos melhoramentos estão a reclamar providencias urgentes. No entanto, usa-se agora, nas capitais e mesmo em algumas cidades do interior, os conhecidos “teatros de alumínio”. Desmontáveis, cujos preços são perfeitamente accessíveis, têm ainda a vantagem de poder ser transferidos de local, além de oferecer ao público as mesmas facilidades dos teatros modernos e especialmente construidos.

Agora, na cidade de Sorocaba, um edil apresentou um projeto de lei, destinado a construção do “teatro de alumínio” na “Manchester Paulista”. Será o mesmo montado em terreno da municipalidade ou em outro que seja doado ou desapropriado pelo Prefeitura daquela cidade. A sua construção obedecerá, como não poderia deixar de ser, o critério da concorrencia pública, cujas despesas de execução do mesmo, correrão por conta do excesso da arrecadação municipal.

Aí está a idéia, que tal vez possa merecer as atenções dos poderes públicos marilienses.

Extraído do Correio de Marília de 08 de janeiro de 1957

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O discurso do Presidente (5 de janeiro de 1957)

O sr. Juscelino Kubitschek, presidente da República, dirigiu-se ao povo brasileiro, por ocasião das festas de fim de ano. Proferiu a sua saudação de boas festas. E foi além: disse muita coisa que os brasileiros gostaram, embora muita gente ande descrente hoje em dia, acerca das possibilidades de melhoria, dentro do atual nível de vida em que nos encontramos.

É nosso dever louvar e prestigiar os atos de governantes, quando vêm diretamente de encontro aos anseios do público. No entanto, bom é que se analise a situação econômica do país sem paixão simplista. As coisas, em verdade, não andam boas. A despeito do que se fez no atual govêrno do sr. Kubitschek, o nível de dificuldades aumentou também. E, cremos, numa ascencão mais veloz ainda. Isto quer dizer que a situação piorou. Não é segredo para ninguém, o que estamos asseverando.

O presidente da República falou bem. Principiou a demonstrar que está bem intencionado, embora para nós, honestamente, ainda não possamos tecer-lhe elogios acerca de sua administração.

O “projeto-cadillac”, vetado, foi, nada mais nada menos, do que uma imposição de consciência. Se o presidente não apusesse o veto, depois dos gritos do público, traduzidos nos clamores da imprensa de todo o Brasil, que mostrou ao povo, o timbre desbriado de vários parlamentares, então, estaria tudo perdido.

Calma e canja de galinha, segundo se afirma, não faz mal a ninguém. É por isso que não nos entusiasmamos muito com o discurso do sr. Juscelino. Principalmente nós, que ainda recordamos muito bem, das fabulosas promessas (não cumpridas) do sr. Kubitschek, quando s. excia. promovia a sua campanha eleitoral.

Extraido do Correio de Marília de 5 de janeiro de 1957

sábado, 3 de janeiro de 2009

Menores Abandonados (3 de janeiro de 1957)

Cria corpo, mais do que nunca, presentemente, o problema de auxílio público e particular, ao menor abandonado no Brasil. Em todos os quadrantes da Pátria, principalmente nas grandes cidades e grandes capitais, procura-se incrementar êsse humano movimento.

Em Marília, tal problema já pode ser praticamente considerado contornado, graças às instituições “Lar da Criança” e “Associação Filantrópica de Marília” . A primeira acolhe às orfãzinhas e a segunda abriga os órfãos.

Com o intuito de colaborar com a questão especialmente para aquêles que nesta hora se dispõem a solver tão angustiante problema nacional, transcrevemos abaixo, o artigo “ Menores Abandonados, Capital Perdido” , de autoria do dr. Dutra Oliveira, da Academia Nacional de Medicina:

“Podemos considerar a Nação como uma sociedade adstrita à sua população; valerá em função de seus habitantes. E, daí a cautela no sentido de uma escolha científica de elementos trazidos pelas correntes imigratórias ou na proteção às crianças, constituindo-se uma população com elementos próprios. Não é outra a orientação daquêles que procuram constituir rebanhos; esta prática é notória e essencial. Mas, se um criador deixasse de estabelecer certos cuidados ver-se-ia arruinado, pois que, subordinar-se-ia a uma alta mortalidade ou à degeneração da raça. Já vimos a alta percentagem da mortalidade infantil entre nós, desfazendo o alto coeficiente de nascimentos. Ora, a Nação constitue seu capital à custa dos elementos humanos. Já houve tempo que se atribuía a uma criança recém-nascida o valor de 16 mil cruzeiros; êste valor cresce com o seu desenvolvimento pois que, ela representa uma elemento de produção, um capital. Sendo isto verdade, poderemos ajuizar o prejuízo anual do Brasil. Em certo período sabíamos que perderíamos, até aos 15 anos, seca de 50 por cento dos que nasciam vivos; isto significaria um prejuízo de 10 biliões de cruzeiros. Não é de espantar quando sabemos que nos Estados Unidos, são dados os seguintes valores: crianças de 0 a 2 anos, 23 mil cruzeiros; de 2 a 15, até 86 mil cruzeiros. Não nos espantemos, pois que, mesmo entre nós, valores enormes foram dados por bezerros zebus ainda por nascer. Mas se os criadores perdessem seus produtos na proporção em que perdemos nossas crianças, só lhes restariam o caminho da falência. Há um fato grave em relação à connstituição de nossa população, que representa um lastro de nossa evolução. Sendo grande o coeficiente de natalidade, o que significa composição de um capital, o alto coeficiente de mortalidade significará prejuízo. E não só isto. A mortalidade continua alta até aos 16 anos, possivelmente como resultado de condições alimentares viciadas e que conduzem à má constituição orgânica, à falta de defesa. Resulta, afinal, ser a vida média variável; assim é ela de 43 anos no Rio, de 49 em São Paulo, de 61 nos Estados Unidos e de 69 na Holanda. Fácil é se compreender o desfalque sofrido por nós, uma vez que nos vemos privados de elementos justamente quando deveriam produzir. Tudo aquilo que se gastou para a criação, manutenção, estudos, e etc., tudo isto desaparece, com grave dano para as famílias e pra o Estado. Quando devêssemos ter uma magnífica floração, uma época econômico-produtiva, sobrevêm o caos, o esfacelamento. E corremos, então, em busca da colonização estrangeira, que tanto nos custa. Já alguém perguntou a razão desta preferência, pois que deixamos de cuidar daquêles que nascem aqui. É êste um problema que vem sendo posto aos nossos estatistas e que, em verdade, tem merecido certa atenção. Os dados atuais dão disso testemunho; mas há muito que fazer, justificando a necessidade de se proteger as crianças que nascem e as que crescem”.

Extraído do Correio de Marília de 3 de janeiro de 1957

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Feliz Ano Novo, Leitores! (1 de janeiro de 1957)

Arrancando mais uma aparentemente insignificante página da folhinha de 1956, entramos hoje em um ano novo. No ensejo deste marco inicial de mais 365 dias de atividades jornalísticas, por Marília e para Marília, desejamos apresentar nossos votos de congratulações com todos os marilienses – público e autoridades –, pela oportunidade désta grata efeméride.

Vencemos mais uma etapa. Muitas lutas, muito sacrifícios, muitas glórias, que não são nossas – são da grande e harmoniosa família mariliense.

Procuramos entrar “com o pé direito” em 1957. Com a graça de Deus e com o apôio de todos, aliados à nossa inconfundivel boa vontade de servir a causa da imprensa mariliense, haveremos de vencer mais este ano.

Desejando, nésta oportunidade, as melhores venturas a todos os nossos leitores, assinantes, amigos e anunciantes – e ao público mariliense em geral –, fazemos votos para que o ano que hoje se inicia, seja melhor do que 1956 e pior do que 1958.

Que Deus, na sua imensa e infinita bondade e sabedoria, continui a inspirar-nos para que possamos prosseguir em nossa caminhada bem intencionada de servir a coletividade, informando, noticiando e orientando. Que os céus derramem sobre todos, especialmente sobre os que tem incumbência de dirigir os destinos de nossa cidade, de nosso Estado e de nossa grande e estremecida Pátria, as bênçãos mais copiosas e a iluminação celestial, para que todos, dirigentes e dirigidos, póssam melhor entender-se e melhor viver, mormente nésta hora de dificuldades infindas.

Que a natureza colabore conosco, oferecendo-nos condições especiais para a lavoura e afastando de nossas cabeças os perigos das guerras e revoluções. Que os homens sejam mais humanos e alicercem a cada dia que passa, mais e mais, aquela corrente de verdadeiro sentimento do cristianismo e do amor ao próximo.

Adeus, 1956!

Benvindo, 1957!

Oxalá o Ano Novo que hoje principia, traga em seu todo aqueles clarões da verde esperança dos vastos horizontes que lobrigamos em nossas vidas, com o respeito ao próximo, a bonança, a fartura e a felicidade de todos. Sem doenças, sem crises, sem dificuldades. Sem dissabores e sem guerras.

Neste ensejo, aquí deixamos registrados os nossos mais sinceros e entusiásticos votos de um Ano Novo venturoso, repleto de felicidades, pleno de alegria, e paz nos corações de todos os brasileiros, e, em separado, de todos os marilienses.

Feliz Ano Novo, leitores do CORREIO DE MARÍLIA.

Extraído do Correio de Marília de 1 de janeiro de 1957