sábado, 31 de julho de 2010

O novo Colégio Estadual (31 de julho de 1958)

Embarcou ontem (30 de julho de 1958) para São Paulo o prefeito Argollo Ferrão, conforme fôra noticiado. Na Capital, dentre outros assuntos a serem tratados pela Chefe do Executivo mariliense, que dizem respeito direto aos interêsses de Marília, figurará a lavratura do contrato de empréstimo entre a municipalidade e o Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, no montante total de 10 milhões de cruzeiros, para a construção do novo prédio destinado ao funcionamento do Colégio Estadual e Escola Normal de nossa cidade.

O novo edifício escolar ficará situado no Jardim Maria Isabel, em terreno próprio já doado ao Estado, através de lei votada pela edilidade local. Sua obra está orçada em Cr$ 10.600.000,00 e caberá à Prefeitura a execução da mesma, pelo sistema de sub-empreitada, de conformidade com concorrência pública já encerrada oficialmente. O início da construção dar-se-á dentro de 30 dias a contar da data da lavratura do contrato respectivo.

Sempre gostamos de destacar, desta despretensiosa coluna, tudo o que se relacione com o setor de instrução em nossa cidade. Efetivamente, tal fato significa mais um motivo de conquista grande e real para nossa mocidade estudantil, cujos benefícios se espalharão até cidades adjacentes, sem qualquer sobra da dúvida.

Um centro interiorano, traduz-se no conceito geral de um Estado, principalmente, pelo grau de sua cultura, pelos meios de educação que apresenta, pois que, uma cidade adiantada no setor cultural, atesta, antes de mais nada, que em outros diversos prismas se não está completa, pelo menos traduz apreciável grandeza geral e econômica.

Marília, por circunstâncias várias, vinha de há muito reclamando a cobertura desta lacuna. O atual edifício onde funcionam os cursos referidos, está sendo insuficiente para agasalhar o número dos jovens que necessitam haurir as luzes da ciência, no preparo para enfrentar de modo intelectual o porvir.

Com a construção do novo prédio, ao par de sanar-se a deficiência apontada, disporemos de acomodações condignas para funcionamento de outras escolas, eis que o atual prédio da Praça das Bandeirantes poderá servir para utilíssimos e futuros empreendimentos marilienses.

Caminha nossa cidade para a meta da redenção no setor educacional. Se olharmos o passado, veremos que não há muito, Marília era aquilo que dissemos em 1945, por ocasião de nosso primeiro artiguete quando da preliminar da luta pela conquista da nossa Faculdade: “Uma cidade pobre de escolas”.

Hoje não mais podemos fazer referências de igual jaez, porque o terreno palmilhado pelos bons marilienses, autoridades, estudantes e entidades de classe de nossa “urbe” representa uma caminhada bastante longa e uma progressão indiscutível.

Certo é que ninguém costuma dormir sôbre louros de vitórias e certa é também que o que já possuímos nesse sentido mais nos credenciará para prosseguimento dessa luta tão grandiosa e tão nobre.

Mais essa conquista a juntar-se às outras do pretérito, como resultado inequívoco da consequência de uma contenda bem intencionada, bastante justa e inquestionável, nos dará ainda mais, a certeza e a convicção de que continuaremos a lutar na mesma trincheira, especialmente quando contamos, como até aqui tem acontecido com o beneplácito e as boas intenções do atual Governador do Estado.

Nos congratulamos, portanto, com as autoridades de Marília, com seu povo e especialmente com nosso mundo estudantil.

Extraído do Correio de Marília de 31 de julho de 1958

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Café (30 de julho de 1958)

Cafeicultores de Marília e de outros centros, como Garça, Baurú, Piraju, Vera Cruz, Cafelândia, Lutécia, etc., reuniram-se domingo (27 de julho de 1958) em nossa cidade, sob o patrocínio da Comissão de Defesa do Café, da Associação Rural de Marília.

Em síntese, a aludida assembléia objetiva a luta pela manutenção dos preços da rubiácea que vigoraram no ano findo e pela extinção do chamado “confisco cambial”.

Igualmente, no mencionado conclave, ficaram assentados os pontos seguintes: Coordenar, com o Estado do Paraná, a “Marcha da Produção”; Manter contacto permanente do Govêrno do Estado, entidades dirigentes da lavoura cafeeira e associações rurais; promover amplo plano de esclarecimento à opinião pública; e providenciar, junto à FARESP e associações da classe ruralista, a constituição de comitês estaduais e regionais, para, juntamente com o movimento óra em vigência no Estado do Paraná, desenvolver campanha de apôio ao Governador Jânio Quadros, em face de suas atividades em pról das reivindicações da lavoura cafeeira.

Igualmente decidiram os congressistas referidos, inovar a solicitação a lavoura em geral, para uma campanha mais unida em beneficio da política cafeeira atual, e, especialmente, contrária ao atual “confisco cambial”.

Não somos conhecedores do assunto, para discuti-lo amplamente. O que pretendemos e desejamos nessa questão, é que dessas reuniões e mesmo do rearticulamento da chamada “marcha da produção”, póssam advir para todos os brasileiros, respectivamente para os pequenos e particularmente para os que engrandecem a cafeicultura nacional, trabalhando no duro, de sól a sól, melhores benefícios, mais folgadas condições de vida.

Temos em nós, a impressão de que existe outro ponto de vital importância néssa questão do café. Nos últimos anos, o mercado cafeeiro de exportação sofreu a influencia, concorrência e mesmo pressão em determinados prismas, de outros paises produtores. Nós, os brasileiros, contribuímos para esse fenômeno, cujos reflexos óra se espelham dentro da própria economia nacional. Por dois motivos: primeiro, pela negligência na seleção do produto exportável e muitas vezes má classificação da rubiacea; segundo, porque nós próprios não somos bons consumidores de café.

O dia em que o brasileiro se tornar bom consumidor de café como outros povos – o irlandês, por exemplo –, o mercado interno brasileiro será capaz de consumir mais de 50% ou até mesmo três terços da cifra da produção nacional.

Ha pouco divulgou o IBGE, que o habitante da Islândia consome 11,1 quilos do produto, representando êsse índice o maior consumo “per capita” de todo o mundo. Os suécos absorvem anualmente, por pessoa, 8 quilos e os norteamericanos e os finlandeses, 7,6 quilos “per capita”.

No Brasil, o consumo de cada pessoa adulta, por ano, segundo os mesmos dados estatísticos, é calculado em seis quilos, o que vale dizer, 500 gramas “per capita” mensalmente!

Extraído do Correio de Marília de 30 de julho de 1958

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Eleitores de Marília (29 de julho de 1958)

Apresentando um apreciável índice de compreensão e acêrto públicos, o Cartório Eleitoral local encerrou suas atividades de qualificação de eleitores. 18.900 marilienses estão áptos ao exercício do voto livre, democrático e independente, já no próximo pleito de 3 de outubro, quando serão escolhidos o sucessor do Sr. Jânio Quadros, os deputados estaduais e federais de nossa cidade e região.

Poderia ser maior essa cifra, uma vez que muita gente, em idade regular de inscrever-se eleitora, deixou de faze-lo por quaisquer motivos, bem como, inúmeras donas de casa, cuja obrigação nesse sentido é facultativa, igualmente não se qualificaram. Em todo o caso, o número é relevante e não deixa de apresentar o seu aspecto grato, pois traduz indiscutivelmente que os marilienses, em sua maioria, procuraram cumprir êsse dever cívico da obtenção desse precioso documento, dentro do prazo legal preceituado.

No ensejo, ao apresentarmos congratulações a todos os novos eleitores marilienses e aos funcionários ativos e prestativos do Cartório Eleitoral local, sob a presidência do Dr. José Gonçalves Santana, forçoso é que externemos neste artiguete, os desejos de que esses 18.900 votos sejam consignados aos candidatos de Marília, ao envés de destinados a gente de outras plagas.

Se tal fato acontecesse, realizariam os marilienses a mais cabal, e sobeja prova de verdadeiro amor por Marília e região de prestígio pela gente de nossa terra, numa demonstração de real e indestrutível patriotismo.

Não que com nossos pontos de vista e com a atitude da União Eleitoral Mariliense, seja pretendido o cerceamento da liberdade de votar de quem-quer-que seja; tal motivo já foi exteriorizado incontáveis vezes. Apenas que, néssa clarinada de alerta e esclarecimento, estamos tentando fazer ver aos que tem pontos de vista contrários, e, principalmente, aos que tem o hábito de empregar esforços em pról da eleição de candidatos alienígenas, a realidade dos fatos, de todo incontestável.

Não vai aqui, como já frizamos repetidas vezes, nesse decurso de cerca de duas décadas, desprestigio aos candidatos de fóra ou seus direitos de empenho na caça de votos em nossa cidade. Prova é que muitos desses candidatos já elogiaram a caminhada que empreendemos.

Por isso, repetimos o que dissemos acima: Marília, através de seus 18.900 novos eleitores qualificados, daria a mais bela demonstração de amôr à éstas plagas, se consignasse esses 18.900 votos aos candidatos de nossa terra.

Extraído do Correio de Marília de 29 de julho de 1958

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Um bar que poderia servir melhor (26 de julho de 1958)

Existe na Estação da Paulista, um bar moderno e bem montado, mas que poderia, indiscutivelmente servir melhor ao público viajor.

De acôrdo com o que conseguimos apurar, junto a funcionários de categoria da citada estrada de ferro, o proprietário do mencionado estabelecimento firmou documento de fé, pelo qual o bar referido deverá estar aberto por ocasião de passagens dos trens, em qualquer sentido e em qualquer horário.

Não está sendo cumprido à risca esse compromisso que representa interesses menos para os ferroviários do que para o público em geral. Um comboio que deixa São Paulo demandando à Adamantina, para por Marília por volta das 3 horas da madrugada. Essa composição desliga o carro restaurante em Bauru, lá pelas 23 horas. Muita gente que continua a viagem, sofre a grande decepção, de, quasi sempre, encontrar fechado o mencionado bar, numa hora em que muitos desejariam tomar café, comprar cigarros ou outras coisas correlatas. Quando isso sucede, o que não tem sido muito raro, os viajantes são obrigados a viajar mais cinco ou mais horas sentido a falta de um local para servirem-se no que tange a vendas de um bar.

Varias reclamações chegaram ao nosso conhecimento, principalmente de marilienses que se valem do aludido comboio e que, sem alimentação matinal em suas residências ou hotéis, deixam esse procedimento para realiza-lo no bar da Estação da Paulista.

Ainda ontem, uma pessoa deste jornal, ao ter necessidade de utilizar-se da referida composição férrea, viajou sem tomar café, porque o estabelecimento estava fechado. Como adulto, pouco foi o prejuízo sofrido pelo nosso companheiro. Entretanto, o mesmo teve o ensejo de presenciar uma onda de dissabores e reclamações, decepções mesmo, de alguns outros marilienses que se viram na mesma contingência e de gente que procedia de São Paulo com destino a cidade alem de Marília. Igualmente, senhoras com crianças, necessitando adquirir leite para filhos menores, alguns mesmo lactentes e não podendo fazê-lo.

Está errado. O bar deverá funcionar durante todos os momentos de trânsito de trens por Marília, em qualquer direções que estes sigam e em qualquer horários, do dia ou da noite. Ou o bar serve o público ou não. O fato é que servir em etapas e de acordo com determinadas conveniências não é plausível. Se o trem em apreço contasse com serviços de restaurantes, nenhuma dúvida faria o funcionamento ou não do estabelecimento citado nessa circunstância.

Ademais, existindo, como nos garantiram existir, documento de compromisso desse funcionamento, é estranhável que tal anomalia venha se verificando. São inúmeras as reclamações que a respeito nos tem chegado ao conhecimento. Como procedam, aqui ficam registradas, na certeza de que os responsáveis pelo bar em alusão póssam atender, não propriamente a nós, mas sim ao público em geral, maximé aquele que procedente de São Paulo, Baurú ou outros centros, ruma para Tupã, Adamantina, etc..

Extraído do Correio de Marília de 26 de julho de 1958

domingo, 25 de julho de 2010

Trabalha a União Eleitoral Mariliense (25 de julho de 1958)

Póde ser que não dêem os resultados que déla se espera, mas a verdade é que a União Eleitoral Mariliense, organismo fundado por um grupo de idealistas e amantes de nossa cidade está trabalhando ativamente em defesa de um nobre ideal.

Todas as terças feiras os seus membros se reunem, traçando os planos para a semana porvindoura e pondo-os imediatamente em execução. Não existem ali nomes a destacar, dos que trabalham dentro de suas fileiras. Todos, indistintamente, se empregam a fundo e procuram alertar a opinião publica, da necessidade que urge, no sentido de que o eleitorado local saiba consignar seus votos a gente da terra no próximo pleito eleitoral.

Trabalho patriótico, sem dúvida. Lutar pela defesa dos interesses de um núcleo e de um povo, merece louvores.

É preciso, no entanto, que os marilienses bem se apercebam dessa contingência, cerrando fileiras em torno desse idealismo sadio, votando nas eleições que se avisinham em nomes de nossa cidade. Procuraremos eleger, désta vez, nossos lídimos advogados aos parlamentos federal e estadual. Tentemos representar-nos legitimamente e não “ad doc”. Tenhamos nossos deputados lídimos, aos quais nos seja facultado o direito de exigir, sem mendigar.

A União Eleitoral Mariliense trava uma luta pacifica, porem sem treguas. Respeitando os direitos de todos os candidatos, direitos êsses assegurados pela propria Constituição, os membros da U. E. M. estão tambem fazendo respeitar os seus próprios.

Com palavras, conferencias, palestras, artigos, conversas pessoais e outros meios, estão conclamando a todos para que se atenham aos motivos de sua luta, para que reconheçam as razões fundamentais da contenda e o espírito patriótico e bem mariliense que a mesma encerra.

Pelo que pudemos observar, a U.E.M. conseguiu despertar a consciência de muita gente. Eleitores que, no passado, se preocupavam mais com promessas de empregos e algum dinheiro de candidatos de fóra, estão hoje compenetrados de que realizaram erros pretéritos e que ainda existem probabilidades de reparar os enganos.

Fazem bem, denotam espírito de verdadeiro amor por Marília, todos os que assim estão agindo. É hora chegada de que nossa cidade consiga tambem o “seu lugar ao sol”, nos Palácios “9 de Julho” e “Tiradentes”. Só os marilienses podem fazer isso, unindo-se nessa cruzada elogiável. Só os marilienses, pois os eleitores de outras plagas, embóra possam prestigiar algum nome de Marília, por razões diversas, não nos garantirão a efetividade de nenhuma pessoa de nossa terra.

Ao eleitorado mariliense caberá a responsabilidade de novo fracasso ou as honras déssa glória, porque, sem negar, eleger legítimos candidatos de Marília no próximo pleito será uma autêntica gloria da cidade e seu povo.

Todos sabem que os nomes inscritos de nossa cidade são íntegros, capazes, honestos e dignos de se apresentarem em qualquer parlamento como delegados de Marília. E, temos a certeza, os que forem eleitos de nossa “urbe”, terão imenso orgulho em credenciarem-se como nossos legítimos advogados.

Precisamos um ou mais deputados legítimos e não autênticos. A União Eleitoral Mariliense está trabalhando para isso. Suas fileiras engrossam-se dia a dia e suas atividades principiaram já a surtir os efeitos desejados. As flores déssa árvore frondosa de um ideal sadio e nobre, principia já a florar, antecipando a certeza de bons frutos.

Adicionemos calor a éssa árvore de ideais bem marilienses e sejamos nós próprios, os marilienses sinceros, os beneficiados.

Votemos, incondicionalmente, em candidatos de Marília nas próximas eleições. Prestigiaremos a União Eleitoral Mariliense, que estaremos prestigiando a nós próprios e defendendo nossos mais sagrados interesses.

Extraído do Correio de Marília de 25 de julho de 1958

sábado, 24 de julho de 2010

Ainda o “caso” dos “pracinhas” (24 de julho de 1958)

Ainda o “caso” dos “pracinhas” (24 de julho de 1958)

Temos recebido uma série de cartas de solidariedade de bondosa gente mariliense, acêrca do assunto que por várias vezes focalizamos e que diz respeito aos excessos cometidos pelos govêrnos e grande parte do próprio público, com alusão as manifestações de gratidão aos campeões de futebol do mundo.

Sabíamos, de antemão, que tal sucederia, porque ainda cremos na existência de gente sensata e desapaixonada, especialmente aquêles que são neutros na questão. Agradecemos aos amigos que nos tem estimulado a continuar com as “broncas” e agradecemos também as manifestações de apreço e solidariedade recebidas.

Um leitor fez-nos uma observação de que o assunto deveria ser defendido também por aquêles que não sendo “pracinhas”, não são também campeões mundiais de futebol. Informamos que a questão está sendo também advogada por diversas outras pessoas, inclusive por senadores, deputados federais e estaduais.

Não foram poucas as vozes que se levantaram nos parlamentos, pela imprensa e rádio, com referência ao assunto.

No Rio(,) cerca de dez mil ex-combatentes estão articulando uma passeata de protesto junto ao Palácio do Catete.

Um dia dêstes, quando determinada emissôra da Capital da República prestava u’a homenagem aos craques nacionais, um “pracinha” teve o suficiente topete de conduzir ao palco-auditório da mencionada estação de rádio, nada menos do que 19 viuvas de ex-combatentes desaparecidos em ação de guerra, para mostrar aos dirigentes da rádio e ao público presente, a miséria e a fome daquelas infelizes e seus filhos, como um cartão de identidade da ingratidão de um povo, para com os remanescentes daquêles que, no cumprimento do dever pátrio, não foram capazes de dar ao Brasil o sacrifício da bola nos pés, dando única e simplesmente as próprias vidas!

Será facil de imaginar, a justificada revolta íntima que deve ter dominado os íntimos daquelas mulheres e ainda mais fácil avaliar o conceito de brasilidade que habitará por certo nas mentes dos filhos dêsses “pracinhas” mortos, ante as circunstâncias do momento.

O leitor que medite um pouquinho sôbre êste particular e considere, apenas por hipótese, como um membro de sua família, uma viuva nessas condições.

O guardião Gilmar tomou posse de seu cargo de Chefe de Secção, padrão “T”, o que vale dizer, 14 mil cruzeiros mensais. Essa nomeação veio prejudicar velhos e antigos servidores, que aguardavam a oportunidade de uma vaga. Isso, por si só, é uma injustiça flagrante.

Existem por aí (inclusive em nossa cidade), “pracinhas” desajustados. No Rio, muitos dêles, mutilados e doentes, pedem esmolas, exibindo em quadros, diplomas e medalhas de guerra, ante o indiferentismo do amparo governamental e chocando frontalmente as impressões dos estrangeiros.

Quando o Sr. Adhemar de Barros era Governador do Estado, recebeu, certa ocasião, de um ex-combatente, duas medalhas conquistadas por ato de bravura, no campo de honra, como proposta de permuta por um emprego!

O sr. Jânio Quadros alegou que atendeu apêlo de Gilmar, simplesmente porque êle o solicitara. Atenção insôssa, pois antes do pedido de Gilmar existem outros milhares, formulados alguns pessoalmente ao sr. Governador e não atendidos.

A verdade indestrutível é que os “pracinhas” atualmente desempregados e ainda não integrados ao organismo da vida civil, por questões psico-analíticas, não são jovens, sadios e ricos como a maioria dos “cartazes” do futebol nacional. Inequânime é toda e qualquer medida que vise beneficiar os jogadores, em prejuizo da gratidão devida e não tributada oficialmente a milhares de “pracinhas”. Inequânime e injusta. Injusta e desumana.

Extraído do Correio de Marília de 24 de julho de 1958

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Nova guerra? Os “pracinhas” não irão... (23 de julho de 1958)

Pergunte o leitor a um “pracinha” se êle irá, espontaneamente outra vez às armas, no caso do Brasil entrar em nova guerra. Indague de algum daqui ou de fóra, para que não venha a pensar que êste artiguete foi escrito depois de convencimento com os ex-combatentes radicados em Marília.

Indague ao mesmo, que seja sincero e responda a pergunta. Depois raciocine sôbre a resposta que receber.

Temos a certeza de que nenhum dirá a você, leitor amigo, que está disposto a pegar em armas novamente para defender o Brasil. Se já, antes, por motivos de saúde, de mágua da ingratidão dos govêrnos, o mesmo não sentia mais em seu peito, aquela chama incandescente do patriotismo adquirido nos bancos escolares e nas instruções militares de pré-guerra, muito menos agora, após os excessos verificados no reconhecimento aos campeões brasileiros de futebol.

Poderá parecer falta de patriotismo, mas como se justificará essa falta se ela já foi provada sobejamente? Como compreender isso que parecerá falta de amor ao Brasil, se êsse mesmo amor já foi corroborado, com a ilustração de belíssimas páginas de sangue, conquistas e feitos gloriosos?

Do Rio partiu a clarinada de alerta aos govêrnos. Após os excessos cometidos com referência às demonstrações de apreço e reconhecimento oficial aos campeões brasileiros de futebol, decidiram os “pracinhas” que se o Brasil entrar em nova guerra êles não irão; preferirão ser desertores. Tal assertiva o autor destas linhas afirmara anteriormente (e há tempo), através desta coluna, e, na presença de várias pessoas, quando de um almoço de confraternização. Estavam presentes, dentro outras pessoas, o Prefeito Municipal, o vereador Coriolano de Carvalho, o vereador Nasib Cury, o então delegado de Polícia dr. Claudemiro de Carvalho, o popular “Amigo Silva” e outras figuras de nossa cidade. E dissemos, na ocasião, que, em face dos descasos dos govêrnos, no atendimento de direitos legais que nos assistiam, momentos existiam em que tínhamos vergonha de ser brasileiros. E arrematávamos nossa desabafo, dizendo que, por espontâneo patriotismo, jamais iríamos participar de nova guerra, se, desgraçadamente, o Brasil viesse a ser envolvido.

Nas ocasiões, pareceu que exageramos. Os fatos, o tempo, as circunstâncias, vieram provar que estávamos certos. Levanta-se na Capital da República, bem às barbas do Presidente Kubitschek, movimento coincidente.

Mais de doze mil “pracinhas”, declararam à imprensa, que, se o Brasil entrar em nova guerra e os convocar, êles desertarão, preferindo o exílio mesmo em selvas ou o cárcere como desertores, mesmo com a pecha de covardes, do que lutarem novamente, e, se regressarem, receber as recompensas que receberam até agora.

E abordaram os descasos dos poderes governamentais e os exageros dos govêrnos e mesmo de grande parte do povo brasileiro, quando do regresso dos atuais campeões de futebol do mundo.

O caldeirão no Oriente começou a ferver. O Brasil tem lá um Batalhão e quem está num salão de baile, poderá participar da festança de uma hora para outra.

Os “pracinhas” já declararam: êles não irão guerrear novamente. Nós concluímos: Para a próxima guerra, o Brasil contará com 22 campeões de futebol. Êles que partam para o “front”, porque a recompensa já lhes foi paga antecipadamente...

Extraído do Correio de Marília de 23 de julho de 1958

Atenção, eleitores! (23 de julho de 1958)

Amanhã (24 de julho de 1958), encerrar-se-á o prazo legal, para a obtenção de novos títulos eleitorais sem multa. Portanto, os que ainda não completaram éssa obrigação nacional, terão apenas dois dias para faze-lo (hoje e amanhã).

Ninguem deverá, estando em idade e condições de regularizar a sua situação de eleitor, deixar de efetivar éssa necessária medida de brasilidade. O brasileiro sem título é um homem desarmado. Para quasi todas as funções de hoje, é exigido ao cidadão a prova de eleitor e a corroboração de que votou nas eleições pretéritas.

Esse é o lado oficial, o prisma legal.

Ha ainda outro aspecto, que é o prático, o preciso, necessáriamente indispensável: a condição de cada qual de per sí armar-se devidamente para votar e escolher os seus futuros dirigentes, os legisladores do porvir.

Marília, na consecução desses serviços, está de parabens. Mais de 20 mil novos eleitores foram inscritos pelo Cartório Eleitoral local, numa prova de que os marilienses estão conscios de sua responsabilidade cívica e preparados para o próximo pleito. Mas ainda existem muitos que não solveram éssa obrigação. Devem faze-lo o quanto antes, porque o tempo agora é curto. O Cartório Eleitoral está trabalhando inclusive à noite, para dar vasão a frequência do público interessado.

Leitor amigo, se você ainda não se inscreveu ou não trocou seu título eleitoral, em resumo, se você ainda está com a situação de eleitor irregular, procure sana-la entre hoje e amanhã sem falta. Depois, você incorrerá em sanções legais e nenhum motivo de desculpas poderá apresentar, porque o prazo concedido pelas autoridades eleitorais foi longo e posteriormente dilatado.

Todo o cidadão, ao completar 18 anos, deve providenciar esse documento, sem mais demora, ou sem outro aviso. Todo o brasileiro deve estar munido de seu título eleitoral, garantia do exercício do voto livre e democrático e papél indispensável para a realização de diversas operações individuais.

Para nós, marilienses, ao par de todos os pontos citados, encaramos a necessidade como uma questão de honra, eis que se nos apresenta agora, a oportunidade de elegermos um ou mais candidatos marilienses nas próximas eleições.

Esse assunto tem sido focalizado por nós repetidas vezes. Uma das condições primordiais para o sucesso do ponto de vista por nós esposado, defendido galhardamente pela União Eleitoral Mariliense e que conta hoje com uma legião grandiosa de marilienses sensatos, é a condição de estarmos, em número suficientemente adequado, preparados para o exercício do voto, provando nas urnas, a presença de todos nós e traduzindo em efetividade o anseio antigo dos bons marilienses, com o envio de nossos legítimos advogados aos Palácios 9 de Julho e Tiradentes.

Dois dias de prazo, apenas, para a solvição da exigência eleitoral separam os que ainda estão em condição irregular, no cumprimento desse dever.

Mariliense, se você ainda não satisfez éssa necessidade, lembre-se que só poderá fazê-lo sem incorrer em multas, até o dia de amanha.

Extraído do Correio de Marília de 23 de julho de 1958

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Os “pracinhas” tem razão (22 de julho de 1958)

Tudo transborda, após um limite.

Têm razão “pracinhas” da FEB, que óra clamam publicamente contra os descasos dos govêrnos, quando está provado que êstes os relegaram a um indiferente plano secundário, no reconhecimento comum, olvidando-se de que os ex-combatentes souberam cumprir o dever pátrio.

Muitos infelizes (o têrmo mais próprio, sem nenhum pejorativismo, seria “desgraçados”), valendo-se de preceitos legais, tentaram, inutilmente, apesar de amparados por leis vigente, obter empréstimos para aquisição de casa própria; não conseguiram. O Presidente da República solicita um crédito de 22 milhões de cruzeiros, para doar uma casa a cada um dos jogadores campeões do mundo, no valor de até um milhão.

Nenhum “pracinha”, até hoje, pediu, como esmola, uma casa para morar e abrigar sua família. Os ex-combatentes não pediram favor também; pediram apenas e unicamente, o cumprimento de leis. E quem deixou de cumprir as leis a respeito foram os próprios govêrnos; melhor dizendo, foram exatamente aquêles que as assinaram e as puseram em vigor!

Agora, os “pracinhas” encontram-se no direito de exigir – não pedir –, porque a Pátria exigiu dêles o sacrifício do tributo de sangue, sem nenhum outro pedido ou consulta. E tem razão. E devem ser atendidos.

Patriotismo não se demonstra com uma bola de futebol nos pés, mas sim com um fuzil nas mãos. Não defendemos a bandeira de uma agremiação esportiva, mas sim defendemos o sacrossanto Pavilhão Verde-Amarelo!

Os verdadeiros heróis são os que, embora cristãos, em holocausto à Pátria, mataram e destruiram os inimigos da liberdade e da democracia. Os verdadeiros heróis são os que passaram mais de seis meses sem dormir sob um teto, igual tempo sem tomar banho, três meses sem rapar a barba. Os reais heróis são os que viveram momentos de pânico, sentindo o medo, a responsabilidade, a insegurança. Vendo irmãos estraçalhados por obuzes inimigos. Sentido o amargor da morte subir pela garganta e a incerteza de mais um minuto de vida pela frente. Sentindo, no intervalo da explosão de duas granadas, com a fé em Deus e a esperança de regressar à Pátria, uma réstea de luz da própria existência. Os verdadeiros heróis são os que conheceram as carnificinas de Monte Prano, Valimona, Plano Della Rocca, Monte Castello, Montese, Soprassasso e outros pontos grandiosos da história da II Grande Guerra Mundial.

Os govêrnos da França, Itália, Estados Unidos, Inglaterra, Rússia, Canadá e outros países, conhecem melhor do que os nossos, os feitos dos brasileiros em combate. Pelo menos isso é o que deduzimos, ao verificarmos o descaso com que foram tratados os nossos “pracinhas”, em relação a outros povos.

No chão frio do Cemitério de Pistoia, repousam algumas centenas de heróis. Êstes não têm valor algum. Os que têm valor são os campeões de futebol. Não o valor real, pela conquista do título. O valor de empavonamento auferido pelos próprios govêrnos.

Vale mais hoje em dia, a satisfação de u’a mãe, um pai, uma espôsa ou um irmão de um craque campeão, do que as lágrimas de u’a mãe de um “pracinha” que dorme sob a terra da península italiana!

Tudo está de acôrdo com a mentalidade geral, com os govêrnos dos povos.

Se cada um dá o que tem, o Brasil dá futebol.

Até o carnaval e a cachaça ficaram “por baixo” desta vez. Os “pracinhas” terão um grande consôlo...

Extraído do Correio de Marília de 22 de julho de 1958

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A “bronca” dos “pracinhas” (19 de julho de 1958)

Existem motivos justificados referentes à “bronca” dos “pracinhas” da FEB, acêrca da manifesta e patente indiferença dos govêrnos, com alusão aos seus serviços prestados à Pátria e às recomendações tributadas atualmente aos campeões de futebol de 1958.

Que fique bem claro: os ex-combatentes nada têm contra os craques de futebol, óra detentores do título de campeões mundiais do referido esporte. A mágua dêsses rapazes fundamenta-se no descaso dos poderes governamentais, com referência ao amparo legal que aos mesmos assiste e que não foi e nem está sendo cumprido. As leis a respeito estão sendo relegadas e esquecidas, de maneira aparentemente proposital porque um testo legal não póde ser ignorado, principalmente quando invocado diretamente à um poder constituido.

Os ex-combatentes, em sua maioria, estão desamparados, doentes, desajustados. O tempo, que sempre tem sido o melhor remédio dos males humanos, não tem feito nada para atenuar os sofrimentos dessa gente, e, pelo contrário, os tem agravado. Não é necessário ser psico-analista para compreender o fato; entretanto, aqueles que são médicos e como tal tem conhecimento de psiquiatria e psicanálise, melhor do que os demais, saberão compreender que a resistência de um ser humano tem um limite e que um organismo, por mais sadio que se apresente, sófre desgastes praticamente irrecuperáveis, depois de nove meses de combate, sem sono reparador condigno, sem alimentação regular, dentro de um clima natural nervosismo e insegurança (porque ninguem tem segurança numa guerra ativa).

O Sr. Presidente da República é médico, mas não quis aperceber-se dêsse pormenor.

Para os que ainda não aquilataram bem as razões dessas “broncas”, diremos o seguinte: os “pracinhas” ao serem examinados física e psiquicamente para a integração do corpo de combatentes, passaram por uma junta médica composta de mais de 30 facultativos, dos mais competentes e renomados imagináveis. O Serviço Médico do Exército deve ter as fichas sanitárias dos mesmos; pois os que duvidam de tudo o quanto foi afirmado, que façam passar os veteranos por idêntica examinação clínica e constatem os resultados frente ao apurado médicamente na ocasião de pré-embarque. E que, mesmo assim, considerem o desgaste natural do tempo ocorrido, em relação os físicos humanos, para que deduzam, em diagnósticos sincero, quais as causas do desajuste dos “pracinhas”.

Quando os governos se esquecem daqueles que cumpriram o dever sagrado, lutando pela Pátria em terras estranhas, em cumprimento sacros(s)anto aos tratados de segurança continental, em desafronto ao covarde ataque que vitimou centenas de brasileiros e afundou pacatos navios de nossa Marinha Mercante, em águas brasileiras, para consignar excessos de gratidão aos que envés de um fuzil na mão, mostraram peripécias com uma bola nos pés, não pode existir espécie e nem admiração pela justa exteriorização de mágua, dos que se sentiram e continuam a sentir-se injustiçados.

Ademais, poderá pensar alguem, os “pracinhas” não fizeram nada mais nada menos do que sua obrigação. Eles que se danem agora.

Exatamente. Os “pracinhas” só poderiam perder as vidas (como muitos perderam). Só pagaram ao Brasil, a mais sagrada dívida que a Pátria póde exigir de seus filhos: O TRIBUTO DO SANGUE!

Extraído do Correio de Marília de 19 de julho de 1958

sexta-feira, 16 de julho de 2010

“Craques” & “pracinhas” (16 de julho de 1958)

Voltamos ao assunto. Tornamos, porque temos o direito de comentar o fato e porque de nossas dissertações acêrca da questão óra em foco, se não surgirem quaisquer efeitos que venham colocar, no devido lugar do reconhecimento oficial, alguns milhares de ex-combatentes da FEB, pelo menos, muitos brasileiros tomarão ciência dos descasos com que os heróis brasileiros da II Grande Guerra Mundial foram tratados.

Dirigimo-nos hoje à certa parte do comércio brasileiro. Para delinear uma diferença flagrante no espírito de gratidão de muita gente para com os “pracinhas”. E afirmamos que estamos em condições de fazer prova de tudo aquilo que temos escrito, que estamos escrevendo ou que viermos ainda a comentar com referência ao descaso e as injustiças para com os “pracinhas”. Esta observação é necessária, porque em absoluto pretendemos oferecer qualquer margem a interpretações errôneas ou malévolas.

Centenas de firmas de nosso comércio e indústria, homenagearam os craques nacional da “Taça Jules Rimet”. Ofereçam aos mesmos, rádios, televisores, geladeiras, enceradeiras, móveis, dinheiro, etc.. Ninguém tem nada com isso, porque os que assim procederam fizeram-no espontaneamente e doaram aquilo que lhes pertenciam. Não somos contrário a essas homenagens. Absolutamente. Mas não podemos furtar-nos ao ensejo de dizer que tal não aconteceu com os “pracinhas” e que com êstes a situação foi diferente. Muitos comerciantes do Rio e de São Paulo, “assaltaram” os ex-combatentes logo após a sua chegada ao Brasil. Tôdas as vezes que os ex-combatentes precisaram adquirir qualquer objeto, o preço dêste foi alterado “na hora”, muitas vezes em mais de 500%! Na Rua Marechal Floriano, no Rio de Janeiro, registrou a polícia carioca na ocasião, alguns desentendimentos e mesmo brigas de ex-combatentes com comerciantes desonestos, pelo fato citado. A maioria das alfaiatarias militares do Rio e de São Paulo, de acordo com as observações do autor destas linhas e de informações obtidas na ocasião, suspenderam os preços de suas mercadorias pretendidas pelos ex-“pracinhas”, de modo o mais acintoso imaginável, de maneira verdadeiramente desumana.

A idéia fixa na ocasião era que os “pracinhas” foram “passear na Itália e ficar ricos”! Que o govêrno “dera muito dinheiro aos ex-combatentes”!

Santa ingenuidade! Onde se viu o Govêrno “dar dinheiro” à soldados?

O que houve aí, fazemos questão de explicar, é o seguinte, com referência ao “fundo de previdência” que variava entre 13 e 17 mil cruzeiros e que os “pracinhas” receberam: Dos soldos estipulados para os combatentes durante o período de permanência fora do país, procederam as autoridades competentes, uma tríplice divisão: uma parte, equivalente aos vencimentos atuais do militar, era paga à família do mesmo; outra, entregue ao combatente, na Itália, e, a terceira, depositada no Banco do Brasil, constituindo o “fundo de previdência”. Êsse foi o “dinheiro que o govêrno doou” aos ex-combatentes! Perceberam, que não existiu nenhum favor do próprio govêrno e que o “fundo de previdência” nada mais foi do que uma parte dos vencimentos legais, que por força das circunstâncias foi economizada. O autor destas linhas era um simples cabo na ocasião do embarque para a Itália. Seus vencimentos eram de 342 cruzeiros mensais (fora os descontos). Tal importância era paga a seus familiares aqui em Marília. Na Itália recebíamos 500 liras, quantia que poderia ser considerada na ocasião, aproximadamente 500 cruzeiros (baseando-se o preço fixo do dolar a 20 cruzeiros na ocasião e a lira a cerca de 20 centavos). O “fundo de previdência” correspondente à terceira parte (a maior delas), recebido pelo autor destas linhas, foi de 13 mil e poucos cruzeiros. Só num tratamento de recuperação neurótica gastamos em São Paulo, num instituto médico especializado, mais do que isso.

Quer dizer, o govêrno não fez nenhum favor aos “pracinhas” nêsse particular. Apenas foi fiel no pagamento dos soldos regulamentares!

Estão sendo processados verdadeiros excessos no tocante aos privilégios oficiais aos ex-combatentes. E tais excessos constituem flagrantes injustiças e iniqüidade de tratamento e consideração aos ex-combatentes.

Frizamos que não somos contrários as homenagens tributadas aos craques nacionais de futeból. Jamais poderiamos ignorar, desconhecer ou permanecer indiferentes aos seus feitos. E sabemos que estes não tem culpa alguma de terem recebido tantas manifestações, como, igualmente, tambem não tem culpa os “pracinhas”, por terem sido alvo de tanta indiferença, tanto escárnio governamental, tanto esquecimento de alguns brasileiros.

Só uma coisa os “pracinhas” sentem e fazem questão de perguntar ao govêrno: Onde (está) o maior heroismo: no campo de batalha ou no campo de futeból?

Extraído do Correio de Marília de 16 de julho de 1958

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ainda os “pracinhas” (15 de julho de 1958)

Verdadeiramente, o autor destas linhas pode ser considerado suspeito para comentar o fato desta crônica, como “pracinha” que é. Entretanto, para os que sabem melhor compreender a função do jornalista e interpretar suas atividades imparciais no abordar um assunto, a questão muda de figura.

Voltamos ao assunto, em virtude de termos recebido incontáveis manifestações de apreço, tanto de “pracinhas” como de suas famílias, políticos, amigos e outros marilienses. E, sem falsa modéstia, dizemos que ficamos desvanecidos com a solidariedade que nos chegou, sem termos recebido u’a única manifestação de ponto de vista contrário.

Um amigo ficou admirado, de que em nosso comentário anterior, tivéssemos afirmado que quando da chegada dos “pracinhas” nem todos receberam sequer um passe de segunda classe para retorno aos seus lares. Pois aconteceu, realmente. E é fácil averiguar, aqui mesmo em Marília, onde existem mais de 20 ex-combatentes.

Com referencia ao número de leis de amparo aos “pracinhas” da FEB, confirmamos o que dissemos: possuímos em nosso poder um livro intitulado “A Legislação dos Ex-Combatentes” e no mesmo consta um compêndio cronológico de leis e decretos da União e de diversos Estados, diplomas êsses beneficiando, em diversos pontos, os ex-combatentes. Todavia, o aludido volume está incompleto, porque se trata de uma edição de alguns anos passados e daquêle tempo para cá outras incontáveis leis foram aprovadas e ali não estão incluidas.

Já dissemos uma vez e tornamos a repetir: O presidente da República deveria assinar uma lei com a seguinte redação: (“)As leis de amparo aos ex-combatentes são leis mesmo e como tal devem ser cumpridas”. Se isto acontecesse, os “pracinhas(”) também teriam suas casas próprias (mediante empréstimos amortizáveis a longo prazo e não “na faixa” como os campeões de futebol); teriam facilidades de ingresso no funcionalismo (não favores e sim como medida indiscutivelmente legal), dentro de suas qualidades intelectuais e técnicas; radicar-se-iam a lavoura, mediante garantias, os que assim pretendessem; etc., conforme prevem inúmeras leis.

O autor desta coluna, como ex-presidente e ex-secretário da Secção local da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, viu-se na contingência de advogar direitos de vários ex-companheiros, com fundamento em dispositivos legais, junto aos Governos da União e do Estado e confessa, sem o menor pejo, de que o único caso que conseguiu foi o do ex-“pracinha” Augusto Gonzaga Moura, o conhecido “Donga” e assim mesmo sem estabilidade, sem salário família, sem direito a empréstimos, sem efetivação, sem outras inúmeras condições necessárias para garantir a sua permanência no quadro do funcionalismo efetivo. Assim mesmo, foi preciso a colaboração intensiva e desinteressada de políticos e autoridades locais, como Prefeito, Presidente da Câmara, Vereadores, diretórios políticos, etc.. Está certo isso?

Fazemos aqui uma ressalva necessária, quanto aos homens que exercem os cargos de prefeitos de Marília, como João Neves de Camargo, Adorcino de Oliveira Lyrio e Argollo Ferrão. Êstes cidadãos e marilienses, sempre se preocuparam com os “pracinhas” e procuraram, nas medidas do possível, amparar diversos dêsses heróis.

Mas como dizíamos, na qualidade de um dos diretores da secção local da Associação dos Ex-Combatentes, advogamos muitos direitos de antigos companheiros. Direitos e necessidades. E sabem os leitores quantos conseguimos traduzir em realidade? Pois pasmem: Nenhum!

E não fizemos, jamais, pedidos absurdos, pretenciosos. Solicitamos, sempre citando preceitos legais (vigentes, frise-se) e baseamos os pedidos dentro das condições e qualidades técnicas de cada pretendente; isto é, não cogitamos de conseguir um alto emprego público, de carater burocrático, por exemplo, para um semi-analfabeto. Tentamos não nos expormos ao ridículo, medindo bem e antecipadamente os fundamentos das pretensões. E, mesmo assim, ninguém nos atendeu.

Sabemos de casos de até prisões, para ex-combatentes que insistiram em que determinadas leis fossem cumpridas! Conhecemos casos de punições funcionais, a servidores que pretenderam melhoria de vida dentro do funcionalismo!

Por isso e por outras razões (que são inúmeras), é que os “pracinhas” de todo o Brasil, num movimento iniciado no Rio de Janeiro, estão se insurgindo, democraticamente e em têrmos, contra os govêrnos. Em face de uma série de excessos que se estão cometendo com respeito a grande diferença da ingratidão existente entre as honras dispensadas aos atuais campeões do mundo e aquelas que são devidas por fato e direito aos “pracinhas” da FEB.

Extraído do Correio de Marília de 15 de julho de 1958

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Depois da fritura dos óvos... (12 de julho de 1958)

Sim: vamos primeiro fritar os óvos para depois ver a gordura que sobra.

Não é de nosso feitio endeusar Pedro ou Paulo nesta coluna, como, igualmente, não combatemos ninguém em têrmos pejorativos ou de carater simplista. Quando discordamos de alguém ou de alguma ação, dizemo-lo publicamente, em têrmos. Por isso, voltamos a referir-nos ao fato de algumas eivas de demagogia barata e interêsses pessoais de apetite eleitoreiro, tão comuns na época atual.

Pessoalmente, não temos preferências ou antipatias contra nenhum dos nomes óra em foco para a disputa do páreo das eleições de 3 de outubro. Nosso ponto de vista já foi exteriorizado incontáveis vezes, através desta coluna: desejamos que Marília seja representada no Parlamento Nacional, por um homem de nossa cidade. E tivemos o topete de discriminar a diferença entre um “legítimo” representante de Marília e um “autêntico” representante de nossa cidade. Inclusive respeitando os direitos eleitorais de quem-quer-que seja e ressalvando ainda as boas intenções de gente de fóra.

Já tivemos experiências no passado: Candidatos alienígenas não têm feito favores para Marília e se alguns benefícios conseguiram apresentar, ou dêles participar, apenas retribuiram os votos aqui arrebanhados. A grita constante de que Marília órfã na Assembléia tem sido relegada em muitos prismas e em diversas ocasiões, nos dá o direito de clamarmos em torno daquilo que poderá significar uma experiência: vamos tentar eleger um candidato da terra, para ver como acontecem as coisas; já sabemos como tem sucedido, sem candidatos locais eleitos; experimentemos agora eleger um, para vermos, no futuro, os resultados.

Certa ocasião, não faz muito tempo, comentamos a apresentação do deputado Luciano Nogueira Filho, referente o projeto de lei que consigna 8 milhões de cruzeiros para a construção de uma passagem de nível ferroviário em Marília. Não escondemos nosso modo de pensar relativo às poucas possibilidades de sua aprovação em tempo hábil, porque com a aproximação das eleições de outubro, a maioria dos deputados iria empenhar-se de corpo e alma no sentido de reeleição e o Plenário 9 de Julho ficaria “às moscas”, com poucas probabilidades de que a proposição referida pudesse ser convertida em lei antes do pleito vindouro. Ainda estamos com o mesmo ponto de vista e desejaríamos, sinceramente, estar equivocados.

Verdade que o sr. Wilson Rahal prestou agora inestimável colaboração ao mencionado projeto, com um parecer favorável dos mais animadores e gratos. Mas, convenhamos, só êsse fato nos dará a garantia de sua efetivação em lei?

Enquanto isso, as simpatias ou mesmo o dinheiro vão ocorrendo por aí, e as atitudes dos dois parlamentares vão sendo interpretadas de diferentes modos. E as eleições se aproximam. E como tal, os mesmos poderão ser eleitos. E se isto suceder e a verba da passagem não sair em tempo, isto é, antes das eleições, conforme dissemos no passado, estaremos errados?

Nada melhor do que o tempo para confirmar os fatos. Em nosso calendário, estamos fazendo hoje mais uma anotação a respeito.

Não acreditamos na consecução do assunto referido antes de 3 de outubro e cremos, piamente, que muita coisa que em torno do assunto gravita, tem objetivos eleitorais.

Vamos aguardar, para depois retornarmos sôbre a questão...

Extraído do Correio de Marília de 12 de julho de 1958

domingo, 11 de julho de 2010

Os campeões e os “pracinhas” (11 de julho de 1958)

À primeira vista e para os menos avisados, o assunto de hoje poderá representar ciumeira, vulgarmente chamada de “dor de cotovelo”. Se analisarmos conscientemente e com isenção de quaisquer ânimos, verificaremos então que tal não acontece.

O Brasil acaba de sagrar-se campeão mundial de futebol. Com méritos indiscutíveis, diga-se de passagem. Em absoluto somos contrários às manifestações de simpatia e apreço que se tributaram aos jogadores do selecionado nacional de futebol. Apenas, no empavonamento publico e patenteado a todos os integrantes do “onze” brasileiro, estamos em desacordo com a flagrante injustiça óra irrefutavelmente existente, entre o reconhecimento tributado aos campeões do mundo e a gratidão dispensada oficialmente aos “pracinhas” da FEB.

No tocante às manifestações públicas, os “pracinhas” não têm queixas, porque foram recepcionados com carinho, abraços e até beijos. A queixa dêsses rapazes, cuja maioria apresenta hoje condições de desamparo, desajustamento social, alguns até psicopatas, outros neuróticos, reumaticos e mesmo tuberculosos, destina-se aos poderes públicos do país, que não souberam reconhecer o esforço de guerra de 25 mil homens, que, no campo de batalha, a única coisa que tinham a perder era a vida!

Se os leitores tivessem a oportunidade de conhecer a oportunidade a bagagem legislativa de “amparo” aos ex-combatentes, ficariam boquiabertos: existem no Brasil, mais de duas centenas de leis e decretos favorecendo em diversos sentidos, os “pracinhas” da FEB. Mas só no papel, bem entendido. Por outro lado, se os leitores pudessem conhecer, através das gavetas de diversas Secretarias de Estado, do Palácio do Catete, dos Campos Elíseos e de outros órgãos governamentais, o número de petições e pedidos (alguns até patéticos, pela humildade e simplicidade de insignificantes de empregos ou empréstimos), e, ao mesmo tempo, inteirarem-se de quantos, qual a percentagem dos acontecimentos, não acreditariam, temos a certeza, tamanho é o número de despachos de “aguarde a oportunidade”, “indeferido por falta de amparo legal” e “não há vaga”!

Os próprios benefícios previstos pelo artigo 30 das Disposições Transitórias da Constituição do Estado, regulamentados por lei (vigente), apresentam dualidade de aplicação, pois discriminam distintamente as vantagens, beneficiando uns e prejudicando outros!

Existem incontáveis leis que favorecem o ingresso no funcionalismo público dos ex-“pracinhas”. Mas tôdas as ocasiões em que êstes têm batido às portas dos govêrnos, estas têm sido fechadas. Existem provas sobejas e irrefutáveis, fique ressaltado.

Estão em vigor também diplomas legais que concedem facilidades de empréstimos para aquisição de casa própria pelos “pracinhas”. Quase todos em Marília já recorreram a êsses benefícios (expressos em Lei, fique claro), apresentando as provas e documentos necessários, submetendo-se as regulamentações próprias. Quando foram atendidos? Perguntem os leitores à Secção local da Associação dos Ex-Combatentes.

E tais providências dos “pracinhas” não foram pedidos de carater gracioso e não foram formulados a bél prazer e por iniciativas próprias. Foram, em todos os casos, em obediência à própria Lei!

Óra, considerando-se apenas êsse fato (uma vez que existe um número infindável dêles, facilmente prováveis pelos interessados), verifica-se que os próprios govêrnos permitem dois pesos e duas medidas para determinadas leis; por outro lado, significa ainda que os próprios govêrnos, ao procederem uma série de benefícios e admissões públicas dos atuais campeões do mundo, estão êles próprios, “passando por cima” de leis em vigor!

O autor déstas linhas é “pracinha” também. Voluntário e integrado ao primeiro corpo de tropa oficialmente designado para integrar a FEB. E tem recebido uma série de solicitações, para dirigir um apêlo aos Srs. Presidente da República e Governador do Estado, no sentido de que meditem mais sobre o assunto desta crônica. Ao mesmo tempo, nos colocamos também, em nome dos ex-combatentes da FEB radicados em Marília, ao dispor dos possiveis esclarecimentos que nos venham a ser solicitados.

Não existem recalques e nem complexos. O que existe no caso é o sentimento pela ingratidão que ninguem terá base ou elementos para contestar. Ademais, o sofrimento de uma guerra, numa comparação grotesca, é como a dor do parto: todas as mulheres sabem senti-la mas nenhuma tem palavras suficientes para fazer com que o próximo possa interpreta-la.

Ha recalques nisso?

Extraído do Correio de Marília de 11 de julho de 1958

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Curso Cientifico Noturno (9 de julho de 1958)

Inegavelmente, Marília vai aos poucos ganhando terreno no setor educacional e ombreando-se aos mais cultos centros interioranos. Os efeitos das lutas passadas, despertaram os olhares dos governantes, incrementaram a assiduidade das contendas e dos interesses dos locais e principiam a florescer, proporcionando simultaneamente excelentes frutos.

Nesse sentido, acaba Marília de ser aquinhoada com mais um oportunismo curso educacional, representando pelo científico noturno que funcionará anexo ao Colégio Estadual e Escola Normal de Marília, já no ano vindouro.

Inumeráveis benefícios e facilidades proporcionará o mesmo, à centenas de jovens, não só de Marília como tambem da região, que, ávidos do saber, se viram impossibilitados de continuidade de estudos, por motivos vários, sendo o principal de ordem pecuniária. Com sacrificios, é verdade, muitos jovens que necessitam trabalhar para subsistirem ou auxiliar a manutenção de suas famílias, terão agora uma belíssima chance de prosseguimento de sua educação.

Conquista brilhante, que representa uma vitória do mundo estudantil mariliense e que traduz, sem sombra de dúvidas, os interesses do Sr. Secretário da Educação, atendendo mais esse nobilíssimo apêlo de Marília.

Vai assim a cidade, colocando-se no devido lugar nesse setor, o que significa um complemento indispensável ao seu verdadeiro e irrefutável progresso, em todos os prismas analisáveis.

Nossas congratulações aos estudantes marilienses, que, com seu apêlo representado por um sincero e justo abaixo-assinado, conseguiram a realização dêsse anseio. Nossos parabens, igualmente, aos jovens de cidades da região, que aquí encontrarão mais éssa porta aberta de instrução, onde terão possibilidades de melhor prepararem-se para o futuro, eís que, na marcha do progresso vertiginoso de nosso século, a capacidade do homem só é medida com o metro dos conhecimentos que este possui.

E nós, deste cantinho, que sempre fomos favoráveis a tudo o que se relacione com escolas (inclusive “escolas de samba” e excéto as escolas do crime e da malandragem), sentimo-nos satisfeitos em congratularmos-nos com a classe estudantil mariliense, por mais esse tento lavrado, óra a enriquecer o já imenso rosário de realizações educacionais de nossa cidade.

Parabens, jovens!

Extraído do Correio de Marília de 9 de julho de 1958

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Falta de civismo (5 de julho de 1958)

Marília viveu dois dias quasi inteiro e mais de uma semana de preparativos, com respeito ao áto de exumação e trasladação dos despojos de José Vicente Ferreira, heroi mariliense do Movimento Constitucionalista de 1932.

Todas as autoridades municipais, todos os órgãos de imprensa e rádio, todos os veteranos de 32 que residem em Marília e que puderam, prestigiaram de um ou outro módo o acontecimento.

O desenrolar do fato não foi nada festivo, como jamais poderia ser. Foi uma solenidade simples, de respeito, de gratidão.

Nós, por nosso turno, demos o nosso fraco apoio ao transcorrer das solenidades e o fizemos plenos de convicção de que o áto foi nobre, porque significou um motivo de reconhecimento a uma heroi que soube, como sua própria vida, dignificar o nome de Marília, num movimento armado, embóra dentro de u’a mesma Pátria.

Não nos compéte, como pensamos que a ninguem deva interessar presentemente, analisar motivos decorrentes do acontecimento, porque na ocasião, o mesmo teve a sua razão de ser. A luta foi nobre, porque toda a contenda em defesa dos postulados de um ideal sadio, de independência e democracia, é excelsa.

Nós, particularmente, observamos o fato por um prisma algo diferente em relação a muita gente que o presenciou. Como ex-combatente (da FEB), pulsamos de satisfação em saber que ainda existem brasileiros que dispensam sob qualquer fórma, o sentimento de gratidão aos que prestaram sua colaboração armada à própria Pátria. Principalmente hoje, quando os “pracinhas” da FEB estão completamente esquecidos, apresentando uma cifra assustadora de desajustados, desempregados, alguns psicopatas, outros neuróticos e reumáticos. Nesse particular, não defendemos causa própria, porque temos nosso trabalho e dele conseguimos tirar o suficiente para viver como póbres, mas decentemente. O mesmo, infelizmente não acontece com outros.

Mas, voltemos ao assunto principal deste artiguete:

Durante as quase 20 horas em que a urna contendo o(s) despojos de Vicente Ferreira permaneceu em câmara ardente armada no plenário da edilidade, conseguimos observar que a frequência pública, embóra não tivesse sido alarmantemente ínfima, não correspondeu ao que deveria se esperar. Vimos, realmente, menor número de assistentes do que esperávamos, com exceção aos momentos que precederam e durante o transcorrer da sessão solene, levada a efeito na noite de quinta feira.

Não pretendemos dizer que desajavamos ver o recinto literalmente e ininterruptamente lotado. Mas pensamos que mais marilienses deveriam ter comparecido à Câmara, para melhor prestigiar com sua presença, êsse desenrolar.

A frequência incompleta que óra nos referimos, não deixa de denotar falta de civismo de muita gente de nossa cidade.

Ante isso, concluimos uma coisa que ninguem contestará: Tivessemos trazido para Marília o Pelé ou o Gilmar e verificariamos então, que os efetivos da 1ª. Cia. Independente da Força Pública, da Guarda Civil, da Rádio Patrulha, do Tiro de Guerra e da Polícia Mirim, seriam insuficientes, verdadeiramente “café xicrinha” para conter a multidão que afluiria onde os mesmos estivessem!

Isso é que é “patriotismo” e “amor cívico”!

Extraído do Correio de Marília de 5 de julho de 1958

domingo, 4 de julho de 2010

O perigo das passagens de niveis ferroviarios... (4 de julho de 1958)

No ról dos acontecimentos desagradáveis e trágicos registrados pela crônica policial da cidade, figuram diversos desastres ferroviários, verificados nas passagens de níveis da linha férrea, em variados pontos.

Não é de hoje que abordamos o problema referente à necessidade de providências a fim de solucionar-se essa questão, com a construção de passagens desses níveis do leito da Paulista. Os poderes municipais, igualmente, tem envidado esforços a respeito e o problema continua insoluvel, desafiando a argúcia e a execução a contento.

No dia de ontem, mais um fato desse jaez verificou-se em Marília. Desta vez, no cruzamento existente nas proximidades da Fábrica de Oleo da firma “Anderson Clayton & Cia.”. Por pouco, não teriamos que registrar a ocorrência com o desagradável dever de informarmos a perda de duas vidas, que, felizmente, conseguiram salvar-se, embóra um veículo houvesse ficado completamente inutilizado.

O ex-mariliense Sr. Ernesto Polido, atualmente residindo em Paraguaçú Paulista e um menor, foram as vítimas do acontecimento. Sucedeu a ocorrência por volta das 11,30 horas, quando se dá a partida do trem de luxo da Paulista rumo a São Paulo.

O referido cidadão, ao proceder o cruzamento da ferrovia naquele trecho das imediações da “Clayton”, aguardou a passagem da composição e quando ésta cruzou, o mesmo pôs em marcha o veículo, sem ter notado que uma locomotiva realizava manobras regulares, pelo outro leito ferroviário. O veículo foi colhido e do impacto resultou o seu arremesso numa distância aproximada de 30 metros do local, salvando-se milagrosamente o motorista e seu acompanhante.

O sr. Polido sofreu fratura numa perna e escoriações na cabeça e o menor registrou escoriações generalizadas pelo corpo, tendo ambos sido socorridos em tempo e medicados no Hospital Marília.

Este registro, talvez sirva para reforçamento das provindouras lutas que serão ainda travadas em continuação, para que Marília póssa dispor de adequadas passagens de niveis ferroviários, facilitando o próprio trânsito e oferecendo melhores garantias de vida a população e forasteiros.

Afóra isso, é bom tambem que se recorde as famosas porteiras das ruas 9 de Julho e Paraná, que apesar do zelo dos funcionários que alí exercem serviços, não deixam de constituir constantes perigos para todos nós.

Aquí fica mais um pequeno alerta, especialmente dirigido aos administradores da Cia. Paulista de Estradas de Ferro.

Extraído do Correio de Marília de 4 de julho de 1958

sábado, 3 de julho de 2010

Homenagem Postuma (3 de julho de 1958)

No ról dos acontecimentos de importância da história de Marília, em parte que tange à gratidão, respeito e reconhecimento, a cidade operará hoje (3 de julho de 1958) por sí só e por outras pessoas, uma atitude bastante significativa.

Lógo mais, na Necrópole Municipal, perante as autoridades constituídas do município, representantes da imprensa e rádio e de entidades de classe, delegados especiais da Sociedade dos Veteranos de 1932 com séde em São Paulo, do Clube Piratininga e do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito de São Paulo, serão exumados os despojos do herói mariliense da causa constitucionalista, José Vicente Ferreira.

A urna será encaminhada à edilidade local, onde permanecerá em Câmara Ardente até o dia de amanhã, quando, após a Missa que será celebrada por D. Hugo Bressane de Araujo, Arcebispo-Bispo de Marília, viajará para São Paulo, conduzida pelo cortejo, quando será depositada no Pantheon Constitucionalista do Ibirapuera.

Assim, os despojos daquele que auxiliou a levantar no Campo de Honra do Movimento Revolucionário de 1932, a bandeira de Marília, ao lado do Pavilhão de São Paulo, na luta pela constitucionalização e redemocratização do país, figurarão na galeria dos herois dessa arrancada gloriosa, que escreveu com letras de sangue, uma página de heroísmo e denodo dos mais altaneiros na história de nosso Estado.

Singelo, porém profundamente significativo deverá ser o acontecimento em referência. Grandioso em sua representação, porque perpetuará ainda mais a reverência de gratidão de todos os paulistas e colocará ao par dos nomes de um punhado de bravos que defenderam a nobre causa, o nome de Marília tambem.

Solidarizamo-nos com esse fato, prestigiando e participando déssa passagem que ficará indelevelmente marcada na história de nossa cidade.

E, no ensejo deste registro, quando atribuimos louvores à iniciativa tão elevada, não nos podemos tambem furtar a oportunidade de citarmos o acontecimento como um exemplo às nossas autoridades constituídas federais e militares, em comparação com os “pracinhas” da F.E.B., que ainda dormem sob o Cemitério de Pistoia. Providência para a trasladação dos despojos dos expedicionários já foram tomadas abundantemente. Mas nenhuma até agora tornou-se positiva, para decepção de familiares daqueles que nada deram do que a vida ou holocausto à Pátria, ao regime da tão propalada Democracia e Liberdade que nos ufanamos de usufruir e que eles, os “pracinhas” auxiliaram a mante-la e garanti-la, lutando de armas na mão, em terras estranhas, como o mais distinguido heroísmo.

Que a atuação da Sociedade dos Veteranos de 1932, nêsse pormenor, sirva, de qualquer maneira, para chamar um pouco as atenções daqueles que tem responsabilidades de proceder sôbre éssas propaladas providências, que, até agora, infelizmente, continuam “no tinteiro”.

Extraído do Correio de Marília de 3 de julho de 1958

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Uma conquista gloriosa (2 de julho de 1958)

Já para ninguém é ignorada a repercussão tão agradável que domina os marilienses e que diz respeito a éssa conquista gloriosa para nossa cidade, que é a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.

Aí está o resultado de uma luta insana, com os esforços dos seus batalhadores premiados. Aí temos também, a garantia futura da formação de novos e categorizados mestres, de Marília e região, para o preparo do mundo estudantil do futuro, com maior facilidade do que até aqui vinha acontecendo.

Prefeitura, Câmara Municipal, entidades de classe, associações de estabelecimentos educacionais e respectivas diretorias, desfraldaram, ao lado de uma plêiade de estudantes marilienses, éssa bandeira da criação e instalação da Faculdade de Filosofia. Ao lado dêsse exército, formou desde 1945, o “Correio de Marília”, sempre procurando colaborar com a contenda, divulgando os clamores dessa justa reivindicação, fazendo-se representar pessoalmente junto aos Campos Elíseos e divulgando ao público as ocorrências da aludida e nobre batalha.

Prometeram governos do passado, mas não foram capazes de cumprir. Um rosário imenso de dificuldades se antepôs aos desejos dos marilienses, tornando-se barreiras gigantescas, que só tiveram o início de sua transposição, por ocasião de uma visita do Vice-Governador (em exercício) Porfírio da Paz, à cidade de Baurú. Regressando de sua viagem a Europa, o Sr. Jânio Quadros, que, igualmente empenhara-nos idêntica promessa, continuou os passos iniciais do Sr. Porfírio, até a consumação final do acontecimento, com a sanção do respectivo diploma legal que criou o aludido curso oficial de ensino superior.

A esse respeito, ressalte-se que governos passados ensaiaram também as providências preliminares do acontecimento, mas este jamais passou de simples promessas, que, com o passar do tempo, vieram desmoronar as verdes esperanças dos marilienses e decepcionar os batalhadores dêsse grande ideal.

Hoje, já podemos nos congratular com os poderes constituidos locais, com as entidades de classe, com o mundo estudantil e com o Governo do Estado. A criação é um fato. O prédio foi adquirido e está em fase final de sua remodelação (e) adaptação específica. O diretor, nomeado; por sinal, um grande mestre, cujos interesses em pról do estabelecimento, são os mais distinguidos imagináveis. Três marilienses foram já nomeados para colaborarem na referida Escola: prof. Jô Chaia, Técnico de Administração; vereador Edmundo Lopes, Tesoureiro do estabelecimento e Sr. Antonio Pierucci, contador da Faculdade.

As competentes inscrições para a frequência dos candidatos interessados aos cursos preparatórios, já estão sendo aceitas desde ontem (1º de julho de 1958), por intermédio do prof. Jô Chaia. O início desses chamados “cursinhos” dar-se-á no próximo dia 1º de agosto (de 1958) e o funcionamento normal das secções iniciais da Faculdade, para 1959, conforme fôra anteriormente prometido.

Estão de parabens portanto, de modo geral, todos os marilienses e igualmente todos os interessados desta vasta e exuberante região da Alta Paulista.

Que os marilienses e a mocidade de Marília e de cidades adjascentes, saibam interpretar éssa gratidão, comparecendo em número maior possível à abertura das inscrições e ao funcionamento dos “cursinhos”, prestigiando o resultado déssa grande luta e consequente vitória, traduzindo nisso o agradecimento aos que labutaram néssa caminhada já vitoriosa e ao Governo do Estado que soube vir de encontro aos anseios da classe estudantil de Marília e região.

Extraído do Correio de Marília de 2 de julho de 1958

quinta-feira, 1 de julho de 2010

“Férias” dos deputados (1º de julho de 1958)

Temos visto, seguidamente, os comentários pouco lisongeiros formulados pela imprensa paulistana, acêrca do fato de, ultimamente, o Palácio 9 de Julho viver “às moscas”, com muitas sessões ordinárias não podendo ser realizadas por falta de “quorum”.

E as mesmas notícias acrescentam que a “pasmaceira” reinante no plenário da Assembléia, com o número diminuto de parlamentares que alí compareceram religiosamente origina-se do fato de muitos deputados estarem viajando pelo interior, empenhados em trabalhos de reeleição.

Certa vez, ao comentarmos o fato de que determinado deputado paulista, com assento ao Palácio Tiradentes apresentava o contundente índice de ser o mais faltoso na Câmara Federal, recebemos missiva do mesmo, justificando as suas constantes ausências como decorrentes do tratamento de suas obrigações particulares. Óra, quem tem negócios particulares de monta e que não lhe permitem exercer com assiduidade as obrigações parlamentares, por certo melhor obraria se deixasse de candidatar-se a postos eletivos.

Entendemos que os que são eleitos pela vontade soberana do povo, têm para com este inúmeras e enormes responsabilidades e não é justo que fiquem zanzando por aí ou tratando de interesses particulares, enquanto pilhas gigantescas de processos que dizem respeito diréto ao interesse geral se avolumam ou discussões e votações em tempo hábil, pela falta de números nos parlamentares.

Evitar-se-iam, assim, duas falhas atualmente verificadas: a decepção pública e maiores despesas ao herário do Estado ou União, com os pagamentos dos vencimentos fixos (embóra sofram os mesmos os descontos respectivos e referentes aos “jetons”).

Porisso, é que sempre lutamos pela eleição de marilienses à Assembléia e Câmara Federal. Para que tenhamos o direito de exigir-lhes frequência nos parlamentares, cuidado e trabalhos em todos os sentidos e pontos onde estejam em jogo os interesses coletivos (e especialmente de Marília e região) e aos quais tenhamos a faculdade de chamar as atenções e cobrar-lhes serviços atinentes à responsabilidade de seus postos e aos compromissos e obrigações para com os eleitores locais.

Estamos percebendo que atualmente, grande maioria dos deputados estaduais estão em “férias”. Não as regulares, mas “férias” individuais (que se tornam automaticamente “quasi” coletivas) e tiradas “por conta própria”, para fins alheios aos interesses da próprias população.

Jornais de São Paulo tem, inclusive, publicado diversas fótos do plenário do Palácio 9 de Julho, durante o transcorrer das sessões, bem entendidos, em que a Casa apresenta o aspecto tão vazio de gente, como em rancho de pescador a ausência de móveis.

É bom a gente ir observando tudo isso, como igualmente é bom ir tambem anotando e acompanhando os deputados em “férias”, para concluir que muitos erros do passado ainda estão em tempo de ser corrigidos.

Extraído do Correio de Marília de 1º de julho de 1958