segunda-feira, 30 de março de 2009

O SAMDU em Marília (30 de março de 1957)

Na última sessão da Câmara Municipal, aprovou a edilidade mariliense um requerimento de autoria do vereador Bernardo Severiano Silva, no qual foi solicitada a instalação de um posto do SAMDÚ em nossa cidade.

Oportuníssima iniciativa, sem dúvida alguma. O SAMDÚ (Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência), tem sido, até aqui, um organismo que vem prestando serviços inestimáveis à população de vários centros interioranos em especial.

Eis a íntegra do aludido requerimento, aprovado pelo legislativo mariliense:

“Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Marília.

Requeiro, ouvido o plenário e em regime de urgência, que se oficie à direção do Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência (SAMDÚ), solicitando-lhe, se possível, a instalação de um posto em nossa cidade.

Requeiro também, que igual mensagem seja endereçada ao exmo. sr. Presidente da República, solicitando-lhe os bons ofícios no sentido de Marília ser dotada dêsse valioso empreendimento, que tantos e excelentes serviços vem prestando às comunas bandeirantes, não só nas cidades como na zona rural, dirigido que é pelo dinâmico Delegado do SAMDÚ em São Paulo, dr. Ney Coutinho.

S. S., em 28 de março de 1.957.

Ass. BERNARDO SEVERIANO DA SILVA”.

De há muito, estava Marília necessitando dêsse melhoramento, embora esteja esplendidamente servida na questão médico-hospitalar. Na parte de socorros urgentes, nada possuimos, infelizmente. Se tornada realidade a medida pleiteada, através do requerimento referido, teremos completada uma lacuna que há tempos vinha reclamando providências, especialmente numa cidade grande, progressista e movimentada como é Marília.

Não só a cidade, mas também a zona rural poderá receber efetivos e rápidos benefícios prestados pelo SAMDÚ. A medida e a iniciativa do vereador Severiano, devidamente acatada pela Câmara, tendo, inclusive, o sr. Presidente subscrito também o requerimento, são dignas de elogios.
Oxalá isso não venha a ficar apenas em aspiração, como tantas e tantas coisas têm ficado. Bom seria que outras pessoas e entidades de classe, reforçassem a solicitação aludida, dirigindo-se ao Delegado do SAMDÚ em São Paulo, dr. Ney Coutinho, a fim de que possa o povo mariliense contar com os serviços dêsse organismo assistencial.

Marília realmente, necessita dêsse melhoramento. Não há necessidade de maiores dissertações acerca dos benefícios que o mesmo presta ao povo em geral, em ocasiões difíceis e urgentes.

Vamos, por óra, aguardar os resultados de como será recebido êsse apelo dos marilienses, pelas autoridades citadas, responsáveis pela existência e trabalhos dêsse serviço de socorros urgentes e domiciliares.

Mais tarde voltaremos ao assunto.

Extraído do Correio de Marília de 30 de março de 1957

domingo, 29 de março de 2009

Festividades de 4 de abril (29 de março de 1957)

Somos daquêles que entendem que a municipalidade não deve mesmo dispender fabulosas quantias de seus cofres, para fins de festividades supérfluas. No entanto, pensamos que o Dia do Município de Marília, o próximo 4 de abril, deverá ser comemorado condignamente pelos marilienses, como a data magna de nossa emancipação municipal. E, nesse particular, são necessárias algumas despesas inadiáveis e indispensáveis.

Não pode e não deve passar de todo despercebido ao espírito do mariliense, o ensejo do transcurso dessa data. Sabemos todos que a municipalidade não poderá patrocinar festividades faustosas e extraordinárias, excessivamente dispendiosas. Pessoalmente, nós próprios somos apologistas de coisas simples; acontece, no caso, que o fato exige uma exceção, pela importância que encerra. Festividades simples, são uma coisa: festividades além de simples, são “outros quinhentos”.

Pensamos que a passagem do Dia de Marília não deve restringir-se apenas a um desfile cívico e a uma sessão solene na Câmara Municipal. Entendemos que outros fatos deverão ser introduzidos na programação que deve ser elaborada a respeito.

Com referência à questão, temos a impressão de que a comissão especial, designada pela Câmara Municipal, anda um tanto morosa em seus trabalhos. Ao que parece mesmo, talvez o programa não tinha sido concluido em definitivo. Pelo menos, a esta data, cinco dias precedentes ao 4 de abril, acreditamos que o programa dos acontecimentos já deveria ter sido dado à publicidade.

A propósito, o “Diário de São Paulo” de anteontem noticia a passagem do 31º aniversário do município de Cafelândia. Um bonito programa, se encararmos a questão pelo lado economia. A municipalidade referida quase nada dispenderá de seus cofres; no entanto, a comemoração terá a duração de mais de uma semana, da qual constam diversas competições esportivas, diurnas e noturnas, tais como bola ao cesto, beisebol, natação, demonstração de judô, futebol, pedestrianismo, ciclismo, etc.. Da mesma incluem-se sessões solenes na Câmara Municipal, reuniões e palestras em clubes, exibições de películas especiais, cedidas pelo D. E. E. S. P., etc..

Quer dizer, os cafelandenses comemorarão a passagem da data magna daquêle município, condignamente, sem dispêndio inútil e fabuloso dos cofres públicos.

Aqui, pelo visto, tal não acontecerá. O comércio e a indústria locais, na realidade, andam assoberbadas com incontáveis dificuldades na presente época, impedidas de colaborar com direta e efetivamente com a comissão. No entanto, é preciso que se diga, que êsse comércio e essa indústria, em regular parte, já deram sua colaboração a jornais de fora, que aqui aportaram para fazer reportagens acerca do acontecimento, em detrimento, também, da imprensa mariliense.

Nosso comentário nada visa contra a comissão. Apenas demonstra estranheza pela morosidade de seus trabalhos, principalmente tendo em vista a urgência do tempo (curtíssimo diga-se de passagem), em relação a aproximação do Dia de Marília.

Extraído do Correio de Marília de 29 de março de 1957

sábado, 28 de março de 2009

Prédios desalugados (28 de março de 1957)

Conhecemos um cidadão de fóra que costuma vir periodicamente à Marília. O homem têm negócios particulares por estes lados e acabou tornando-se um autêntico apaixonado de nossa cidade. Conversando conosco outro dia, declarou-nos seu encantamento pela Av. Sampaio Vidal. Ampla, bonita, com duas mãos de trânsito, bem movimentada, a avenida do fundador tornou-se para esse cidadão, um local agradável. E o homem confessou-nos ainda, que sente um prazer indiscritivel, em dirigir seu carro particular pela citada artéria, seguidamente, de um a outro extremo.

Em realidade, a Av. Sampaio Vidal representa mesmo o cartão de visita de nossa urbe. Não ha forasteiro que não tenha exclamações de admiração e encômios para o explendor de nossa principal artéria. E, realmente, essa admiração é perfeitamente justificável. Poucos são os centros interioranos que ostentam uma via pública tão bela e tão bem traçada como a Av. Sampaio Vidal, apresentando um movimento incomum e ondulante.

Uma coisa, no entanto, presentemente, está a enfeiar a Av. Sampaio Vidal: é o número grandioso de prédios fechados, aparentemente desalugados, na mencionada via. U’a meia dúzia, sem exagero!

Causa má impressão, indiscutivelmente. Ao par de estabelecimentos movimentados e bem instalados, inúmeros locais com portas fechadas, dando a idéia de uma cidade que marcha para o abandono progressista. Quais serão os motivos? Preços exorbitantes dos al(u)guéis? Desinteresse dos locatários em refazer habitar tais prédios? Falta de providências de quem de direito, solicitando os senhorios a locarem os mesmos?

O fato é que Marília, em determinados trechos de sua principal avenida, lembra as cidades européias por onde passou a guerra, no período de após beligerância, quando o povo principia a retornar e começa a dar vida, aos poucos, a citadas cidades.

Durante a noite, ainda não se nota tanto; mas durante o dia, inúmeros prédios centrais fechados, significa alguma coisa de exquisito.

Ainda, para completar mais êsse acontecimento de ar um tanto tétrico, o edifício da Raia, parece que só ficará pronto lá para o ano de 2.000 quando está previsto o fim do mundo.

Urge uma providência a respeito. Se o caso depende da autoridade municipal, é de esperar-se a intercessão déssa mesma autoridade, junto aos proprietários dos aludidos imóveis, especialmente se as causas são originárias de elevados preços de alugueis. Se não, necessário se torna fazer daquí um apelo aos donos dos mesmos, no sentido de que procurem emprestar sua colaboração á cidade, impedindo a continuidade dessa anomalia. Vejam os leitores de que não são um ou dois prédios, apenas que estão fechados em pleno centro, oferecendo esse desagradável espetáculo. São muitos, bem localizados.

Extraído do Correio de Marília de 28 de março de 1957

sexta-feira, 27 de março de 2009

O Prefeito Adhemar (27 de março de 1957)

Virtualmente, está eleito Prefeito de São Paulo, o sr. Adhemar de Barros, lider nacional do Partido Social Progeessista. E conseguiu-o por inesperada margem de votos, frente ao sr. Prestes Maia, que, ao que parece, apesar dos pesares, contou com a “mancação” dos comunistas. Isto é o que deduzimos, frente ao fabuloso índice de votos “em branco” verificado no pleito de domingo último.

Para nós, simples observadores, acompanhando a marca política de pré-eleições apenas pelo noticiário da imprensa, acreditavamos que o páreo iria ser “duro” entre as duas forças – janistas e adhemaristas -, apontando o vencedor de eleição, por pequena maioria, frente ao segundo colocado. Tal, não aconteceu. O sr. Adhemar de Barros venceu e venceu bem.

O Governador do Estado, que apoiou incondicionalmente o Sr. Prestes Maia nesse pleito, acaba de demonstrar que a força de seu prestígio político reside no interior e mesmo em outros Estados. Entendem alguns, que o Governador Jânio Quadros, perdendo as eleições através do Sr. Prestes Maia, perderá fatalmente enorme percentagem de seu prestígio político. Talvês não; talvês até venha a lucrar no futuro, uma vez que o Sr. Adhemar de Barros ostenta grandes indícios para não fazer bom governo municipal na palicéia.

As finanças da municipalidade bandeirante, não andam boas das pernas. Uma infinidade de problemas municipais estão a desafiar a argúcia, a capacidade administrativa e os trabalhos insanos do novo prefeito paulistano. Mesmo que o Sr. Adhemar de Barros venha a contar com a maioria na Câmara Municipal, temos a impressão de que éssa maioria jamais será vitalícia. Por outro lado, o Governo do Estado, certamente, tomará posição contra o Prefeito, sem apoia-lo ou aplaudi-lo. Na Assembléia, o Governador dispõe da maioria.

Pensando bem, a Prefeitura da Capital, para o Sr. Adhemar de Barros, vai transformar-se num autêntico “presente de grego”. Sem dinheiro, com a CMTC deficitária em todos os sentidos, com milhares de problemas reclamando soluções urgentes, sem aquele entrosamento com o poder central, o Sr. Adhemar de Barros terá que ser mesmo “de circo”, para sair-se airosamente da empreitada. O líder pessepista prometeu muita e muita coisa boa e necessária para os paulistanos. Muita coisa que vai exigir pulso e muita fibra. E, sobretudo, muito dinheiro.

Em realidade, o Sr. Adhemar de Barros tem explêndidas qualidades de administrador. Infelizmente, imita o ex-presidente Vargas num idêntico pormenor: num todos os que o cercam são dignos de sua confiança. Nem todos são bem intencionados. Outro ponto fraco do Sr. Adhemar de Barros num govêrno são os “cabides políticos”: Muita gente já está praticamente “arrumada”, pois as promessas de empregos públicos foram incontáveis. Sabemos, por exemplo, que daquí de Marília partirão três pessoas para ricos empregos na Prefeitura paulista. Por enquanto sabemos apenas de três nomes. E vejam os leitores, que nós nem indiretamente participamos do pleito bandeirante do último domingo. Imaginem agora, na própria São Paulo, como não será o “negócio”.

Por sua vez, o Sr. Jânio Quadros, que com tanto entusiasmo apoiou o “eterno candidato” Prestes Maia, sente-se agora no dever de voltar as vistas de seu govêrno com mais frequência para o povo interiorano. Uma vez que perdeu as eleições na Capital, o Governador sente-se premido a voltar-se para o interior, dedicando aquele carinho que não será distribuido à paulicéia, para o caboclo interiorano.

Se isto não fizer, ocasionará fatal decréscimo no seu prestígio político para com os interioranos, onde seu nome continua a ser, para uma grande maioria uma verdadeira bandeira.

Por outro lado, o Sr. Adhemar de Barros joga agora com a maior cartada política de sua vida. De sua estada na Prefeitura de São Paulo, dependerá, óbviamente, o sucesso total ou a queda completa de sua vida político brasileiro.

Vamos então, aguardar o desenrolar do místico e inexoravel tempo para voltarmos ao assunto.

Extraído do Correio de Marília de 27 de março de 1957

quinta-feira, 26 de março de 2009

Jornalismo Interiorano (26 de março de 1957)

Por inúmeras vezes, temos nos ocupado nestas colunas, de esclarecer aos menos avisados, a precípua missão da imprensa sadia e bem orientada, bem intencionada sobretudo, especialmente a pobre e sacrificada imprensa interiorana. Temos então, delineado a função da imprensa em relação do dever sagrado de informar, divulgar e orientar, criticando construtivamente; em resumo, servindo o público em geral.

Deparamos agora, no jornal “A Gazeta de Lins”, de 23 último (23/3/1957), assinado pelo competente colunista Ubirajara Martins, em seu artigo “Um fato em foco”, uma coincidente identidade de pontos de vista com aquilo que algumas vezes temos escrito. Assim, passando a transcrever êsse magnífico e sensato artigo, estamos reforçando nosso próprio entender. Eis a sua íntegra:

“Dôa a quem doer. Esbravejem-se os que se julgarem atingidos! Somos muito homens para aguentar as consequências! Não hesitaremos: os nomes serão apontados! Cadeia prá eles! O povo ficará conhecendo os ladrões! Os culpados prestarão contas à Justiça!

“Palavras formidáveis! Não há quem não há quem não se torne curioso, emocionado, mesmo, ao ler fráses bombásticas, sensacionalistas como essas... e não haverá quem deixe de afirmar: “jornal peitudo! Isso é que é falar!...”

“Muito bonito, para alguns, induvitavelmente.

“Imprensa amarela, geralmente, a que se utiliza de títulos e sub-títulos, desse naipe, para notícias, comentários, reportagens(.) Articulistas violentos, polemistas, na maioria, os que escrevem, continuadamente, fraseados assim cheios de arrombo, de valentia.

“Nós - pobres de nós, jornalistas humildes e despretenciosos da hinterlancia ! - não negaremos que às vezes, tal como acontece com D. Quixote, ao investir contra moinhos, nos passa pela mente desejos de usar duma valentia que, se estéril, pelo menos nos colocaria como “peitudos”, frente à uma ínfima minoria... Pobres de nós, repetimos... Gente a quem acusar, aliás, não falta. Assuntos, mais ou menos escabrosos (depende do gosto do freguês) também não seria difícil de encontrar.

“Mas, convenhamos, só para bancar o valente, só para ser “peitudo” e encantar aquela massa semi-analfabética de leitores ávidos por sensacionalismo, porque alvoroçar, porque tumultuar um ambiente pacato, uma comunidade irmanada?

“Inventar coisas é contraproducente: o autor das invencionices, não pode provar certamente, vai parar na cadeia...

“Sujeiras - e elas existem, aos montes por esses brasis afóra, devem ser apontadas sabendo-se que há garantias para quem acusar, pois às vezes os culpados são detentores de armas poderosas para represálias...

“Então, amigos, o remedio é este: vamos ver tudo côr de rosa! Laranjada não faz mal a ninguem. É até saudável. Aliás, somos dos que julgam, numa prateleira de livraria, obras menos perniciosas aquelas que integram as coloções “das moças”... Seus conteúdos assucarados, rosáceos, alaranjados, divertem, emocionam, entusiasmam, e não fazem mal a ninguém... Muitos autores de livros de sucésso, violentos, fantasticamente sensacionalistas, não puderam nunca mais voltar à sua terra, devido ao que lá os esperava, em represália...

“Covardia? não. Sentido de alta preservação pura e simplesmente.

“Eis porque, a vocês amigos, que às vezes, com arzinho ironico, debochante, caçoam dos escritos da gente, considerando-se muito “água com assúcar”, aqui ficam as palavras acima, à guiza de explicação, não uma desculpa porém.

“Sejam francos - honestos! conosco e respondam: - Vocês gostariam de que o jornalista se tomasse de inveja pelos “colegas” sensacionalistas das cidades grandes e começasse, por estas bandas, tão gostosa de se viver, tão repleta de amigos e bons conhecidos - a escrever artigos, notas e comentários sensacionalistas? Vocês gostariam da imprensa “amarela”? Não. Ninguem apreciaria.

“Paciência, pois, e perdoem-nos pelo alaranjado e dulcíssimo conteúdo da maior parte do nosso humilde trabalho... Ser diferente é não continuar a ser...”

Extraído do Correio de Marília de 26 de março de 1957

segunda-feira, 23 de março de 2009

Uma luta bem mariliense (23 de março de 1957)

Afóra as pessoas que nos cercam na rua, para fazer alusões sôbre diversos artigos de nossa modesta lavra, aqui publicados, sôbre a necessidade de eleição de um deputado de Marília, recebemos ontem duas interessantes e antagônicas cartas.

Uma, congratulando-se com o autor destas linhas, pelo movimento que abordamos, alertando o eleitorado mariliense, para que fique de atalaia e prontidão, quando chegar a hora de eleger os deputados estaduais, pensando um pouco mais em nós próprios, encaminhando ao Palácio 9 de Julho, um digno e lídimo representante de Marília. Simultaneamente, fazendo alusões e elogios aos nossos trabalhos a respeito, no passado, já desde o ido ano de 1946.

Outra, franca, desassombrada mesmo, atirando de frente: concitando-nos a desistir da marcha, “porque é perder tempo”. O missivista chama-nos de “ingênuo”, alegando: “Deixe disso meu amigo; o povo mariliense é algo de ingrato e irresponsável em sua maioria. Se hoje tem idéia de votar no Toni, no Badra ou em outra qualquer pessoa de Marília, amanhã muda de idéia, quando aparecer aqui um Lucianinho, um Ulisses ou outro, desde que exista (como é infalível), a promessa de um emprego para o interessado ou para sua irmã, noiva, espôsa ou cunhada”.

Aí está, leitores, a confirmação do que dissemos em nosso artigo de ontem. A impersonalidade. A inconstância. A falta de amor por Marília, essa cidade que é o berço dos filhos de muitos eleitores, que enriqueceu muita gente que aqui aportou pobre, movida unicamente pelo espírito de aventura.

Aquêle que votar num candidato aventureiro(,) de fóra, um caçador de votos, um “zé promessa”, praticará um abominável ato de injustiça para com a cidade e seu povo. Principalmente dispondo de Marília de homens capazes de bem representá-la em qualquer parlamento. Estará provando de modo irretorquível o que dissemos ontem: aspirando “Zenith” da compensação.

Para o primeiro missivista, nossa gratidão pelas palavras de estímulo e conforto, que vieram aumentar o ânimo de nossa luta. Para o segundo signatário da correspondência aludida, a exteriorização de que continuaremos, até o final, a lembrar do povo mariliense de que temos número suficiente de eleitores para elegermos mais de um deputado, aos quais tenhamos o direito de exigir trabalhos em pról de Marília e seu grande povo, ao invés de implorarmos de chapéu na mão, mendigando aquilo, que, na maioria das vezes, nos cabe por direito líquido e certo.

Nossa luta é bem mariliense. E não é de hoje. Data de há muito, conforme sabem aquêles que nos acompanham há uma dezena de anos.

Não desistiremos de nosso objetivo, porque o consideramos verdadeiramente patriótico. Se o povo mariliense incorrer nos erros passados, nós não teremos a culpa. E, se, no futuro, houver lamentações pelo fato, seremos nós os primeiros a assentar as baterias contra aquêles que não foram capazes de bem demonstrar o verdadeiro amor por Marília.

Se êsse amigo que nos escreve, solicitando-nos a mudança de rota, dignar-se pensar com mais senso, por certo há de convir conosco. A menos que não seja o “mariliense verdadeiro” que confessor ser.

Ainda muito tempo nos separa da época das eleições. As nossas palavras não serão “levadas pelo vento”, conforme afirmou êsse missivista. Pelo menos para os que têm a cabeça onde a deveria ter...

Extraído do Correio de Marília de 23 de março de 1957

domingo, 22 de março de 2009

A Política Nacional (22 de março de 1957)

Já seria tempo para que interpretassemos a política nacional como um elo indispensável e precioso da corrente das diversas facções da própria vida brasileira. Seria tambem o momento para que o brasileiro em geral, tivesse pela política do país, um juizo diferente, um respeito mais acentuado, consequência, logicamente, de uma soma de ações diretamente coordenadas em beneficio da população, inspirando maior dose de confiança tradicional, resultado das lutas de idéias diversas, que convergissem sobre um mesmo vértice: o nacionalismo elogiável, sadio, digno, honrado.

No entanto, tal não acontece no Brasil. Política, entre nós, desgraçadamente, traduz luta sórdida de modo geral; significa contendas pessoais ou de grupos, objetivando domínio de idéias, imposição de simpatias, forçando condições e acôrdos, colimando o prevalecimento de pontos de vista, de saciamento de apetites pessoais, de conquistas, de “maiorias”, de subjugações.

Nas escolas, os adolescentes aprendem coisa muito diversa da realidade acerca da política. Concebem a doutrina política de maneira honesta, honrada, em função elevada diante da própria vida da Pátria. Com o passar do tempo, percebem a diferença e submergem num dilema dantesco: ou os métodos de ensino são mentirosos, ou os políticos atuais, em sua maioria, são desleais, embusteiros, falsos, hipócritas e anti-patriótas.

O disvirtuamento é completo, total. As camadas políticas de nossos dias, já não possuem a ombridade suficiente para uma luta aberta, franca e leal. A corrupção, os desentendimentos, as quizílias, já não só se manifestam entre as correntes adversárias. Residem mesmo dentro de um só partido. Forma-se “alas” diversas. Uma está com “seu” abóbora, outro com o Pirolito. Outra diverge das duas e tenta arrebanhar novo grupo. Uma apóia, outra contraria.

Hoje um partido está favorável à determinado govêrno e já amanhã, volta-se com todas as armas, contra a mesma pessôa.

Nas épocas de eleições, é que vemos com mais frequência, quão baixo é o nivel do espírito político de inúmeros políticos de nossa atualidade. Quantas baixezas, quantas torpezas, quantas infâmias são externadas!

Cargos, postos, posições, ganancias, “cartaz”, é o que, regra geral, prevalece e orienta o espírito póbre e desprezível de muitos políticos de nossos dias. Até os que apóiam os nossos políticos, hoje em dia, não o fazem senão com a idéia e o “Zenith” da compensação: um emprego público, um empréstimo, um apôio político, etc.

Como está pôdre a política nacional!

Como estão corroidos certos políticos carcomidos de nosso país!

O que temos presenciado nos últimos tempos, os conchavos, os acertos, as conversações, as confabulações, as denúncias, as sujeiras, as hipocrisias, a sordidez, a corrupção moral, a indignidade, a infâmia, a deslealdade, a baixeza, a falta de vergonha, os cambalachos, o empreguismo, o filhotismo político, a safadeza, a sencerimônia, a senvergonhice, etc., etc., fazem corar e morrer de vergonha qualquer cidadão que ainda pensa em p(r)eocupar-se com os destinos do Brasil e com a vida política da nação.

É claro que existem políticos honestos, bem intencionados, dignos. Lamentavelmente, num número tão ínfimo, que quase não são notados.

Depois, criticam o caboclo paulista, quando, na sua sinceridade natural, manifesta seu modo de pensar, dizendo que “político bom é aquele que é profissional, malandro, embrulhão e especialista em falar mal da vida alheia”.

O fato é que todos sabem muito bem de tudo isso e não estamos descobrindo nenhum “Ovo de Colombo”. Logo teremos as eleições para a deputação estadual. Aquí aportarão muitos políticos característicos como os que acima apontamos. Todos serão “amigos de Marília”, caçando votos. Ainda não ficaram cicatrizadas as feridas dos erros anteriores. Percebem os leitores, onde queremos chegar?

Extraído do Correio de Marília de 22 de março de 1957

sábado, 21 de março de 2009

O Dia do Município (21 de março de 1957)

Com vistas às necessárias festividades que deverão ser levadas a efeito no próximo dia 4 de abril, a data magna da emancipação municipal de Marília, estiveram reunidos anteontem, no gabinete do sr. Prefeito, juntamente com o Chefe do Executivo local, o dr. Aniz Badra, presidente da Câmara e os vereadores Raul Pimazoni, Guentelo Tamashiro e José Brambilla, tendo deixado de comparecer o outro membro da comissão incumbida, sr. Edmundo Lopes.

O “Correio” fez-se presente ao ato, na pessoa do sr. José Cunha de Oliveira, tendo o sr. Miguel Neto representado a Rádio Dirceu. Compareceu também o fotógrafo Sebastião Carvalho Leme.

Decorreram bem os trabalhos do primeiro contacto dessas pessoas, incumbidas da elaboração do problemas das festividades do Dia do Município.

Ficou o dr. Aniz Badra de ultimar as conversações com o deputado Ulisses Guimarães, para termos uma solução definitiva da vinda ou não dos fuzileiros navais à nossa cidade, por ocasião dessa magna data. Da questão, surgiu a preocupação do alojamento da banda aludida, uma vez que a mesma é composta em seu total de mais de 300 figuras, sendo que nas excursões pelos diversos pontos do país, o conjunto costuma reduzir-se para pouco mais de 100 elementos.

A Câmara Municipal realizará sessão solene, quando inaugurará os retratos em plenário, de s. excia. revdma. d. Hugo Brassane de Araujo, o arcebispo-bispo de Marília, do general Juarez Távora, ex-candidato à Presidência da República e do comendador dr. Cristiano Altenfelder Silva, o “mariliense do anos de 1.956”.

Serão convidados especiais, contando o povo com as suas presenças, os srs. Governador do Estado e Secretário da Educação, além de prefeitos e vereadores de vários pontos da região.

Um belíssimo concurso de vitrinas será instituido no ensejo, com a colaboração da Associação Comercial de Marília, no qual serão apresentados, pelas vitrines das casas comerciais da cidade, dísticos e motivos alusivos à data e à cidade.

Também um concurso de saudação escolar será instituido, para determinar a melhor dissertação estudantil sôbre o acontecimento. O vencedor fará jús a uma bolsa de estudos.

A “tocha olímpica”, conduzida por atletas do Yara Clube será a costumeira atração do dia 4 de abril.

As autoridades visitantes deverão percorrer em caravana, os pontos pitorescos da cidade, às obras municipais e os atrativos de Marília.

Aí está um resumo dos primeiros entendimentos havidos entre o sr. Prefeito Municipal e a Comissão incumbida da organização dos festejos do próximo aniversário de Marília.

Extraído do Correio de Marília de 21 de março de 1957

sexta-feira, 20 de março de 2009

O prédio para a Faculdade (20 de março de 1957)

Muitas batalhas empreendeu Marília, para conseguir a criação oficial de sua pretendida Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.

Os estudantes, as entidades de classe e representativas da cidade, a imprensa falada e escrita, enfim, todos os que dispuseram de um meio qualquer para fazer prevalecer o imperativo do direito de Marília, dêle souberam fazer uso com galhardia e perseverança, levando até as mais altas esferas governamentais, o clamor da mocidade estudantil, não só de nossa cidade, como de tôda a nossa vastíssima região da Alta Paulista.

E a Faculdade foi criada.

O general Porfírio da Paz, no exercício do cargo de Governador do Estado, prometeu ao povo mariliense, através da Rádio Clube de Marília, que a Faculdade de Filosofia em nossa cidade seria criada. E foi mesmo. Não pelo general trabalhista, mas pelo atual governador, sr. Jânio Quadros. Apesar da obstrução sistemática de inúmeros deputados paulistas, inclusive um que se diz amigo de Marília, que aqui tem muitos eleitores e que pretendeu a sua transferência para a vizinha cidade de Tupã.

No decreto de criação da mencionada Faculdade, existe um dispositivo em que condiciona a instalação da mesma, no prédio atualmente em construção, do Educandário “Dr. Bezerra de Menezes”.

A respeito, cumpre-nos dizer, que merece os maiores encômios, a atitude da diretoria do aludido Educandário, que, mostrando a melhor boa vontade para colaborar com o ensino de nossa cidade e com a criação dessa escola oficial de nível superior, ofereceu o aludido prédio.

Uma coisa, no entanto, é certa: Se o município ultimar o prédio em construção, para a instalação do curso, dêle fazendo uso durante 10 anos, conforme estabelecem as condições existentes, o problema apresentará duas despesas ao invés de uma. Isto, porque, o município terá que concluir agora a obra referida. No final do tempo estabelecido, deverá forçosamente, entregar o prédio em condições de uso e deparará novamente outro problema, que é exatamente o que vemos agora à nossa frente: a localização e uso de um novo prédio.

Óra, se agora já temos um problema dêsse jaez, porque não solucioná-lo de maneiras a termos um prédio definitivo para Marília e para a sua Faculdade?

Por que, então, haveremos, reconhecidamente, de enfrentar dois problemas distintos (e dispendiosos), quando poderemos solucionar, com dificuldades, apenas um?

Se tal acontecer, daqui a dez anos, além da entrega do prédio completamente reformado, necessitaremos dispender importância fabulosa para conseguir outro local.

Por que, então, haveremos de dispender dinheiro para a conclusão de um prédio, que, depois de 10 anos de uso terá de ser devolvido inteiramente reformado, quando, com mais um pouco poderemos fazer uma só e permanente despesa e possuir um prédio definitivo?

Entendemos que urge a necessidade de quem de direito, no sentido de estudar o fato, providenciando junto à Assembléia Legislativa, a revogação do dispositivo aludido, para que o município faça uma só despesa, invés de duas.

O assunto, segundo nos consta, está parado. E é de lamentar-se. O resultado de muitos anos de lutas, assim na “folga”. A Prefeitura, a Câmara e demais interessados, devem interessar-se mais rapidamente pelo cometimento, resolvendo com mais pressa e efetividade a questão. Isto é, acertando em definitivo a instalação da Faculdade no Educandário citado, ou, então, seguindo outro caminho, a nosso ver, mais acertado.

Nosso ponto de vista, que é um modo de pensar do redator destas linhas, é contrário à utilização do Educandário “Dr. Bezerra de Menezes”, para que o funcionamento da Faculdade de Filosofia. A menos, frisamos, que as obras em construção sejam adquiridas em caratar definitivo, para o fim específico dessa utilização.

Pensamos, ainda, que a diretoria do Educandário deve receber um “oito ou oitenta”.

Extraído do Correio de Marília de 20 de março de 1957

quinta-feira, 19 de março de 2009

Conferencias... (19 de março de 1957)

O público mariliense e as classes representativas em geral, têm apreciado, nos últimos tempos, diversas conferências especiais, proferidas por gente capacitada, que aquí têm comparecido, regra geral, a convite das partes interessadas.

Não ha (como) negar que tudo o que se pronuncia entre nós, espceialmente por técnicos em determinados assuntos, é bastante interessante. Se, por um lado não trazem resultados ou consequências efetivas e reais, pelo menos servem como um sinal de alerta, acerca de inúmeras falhas que se verificam entre nós, e, ainda, de sugestões sobre os meios mais precisos de serem éssas mesmas falhas corrigidas, embora, na maioria das vezes, por uma decorrência que é um verdadeiro fenômeno, éssa corrigenda jamais tenha sido tornada realidade. O que é certo, é que muitas das conferências que temos ouvido ultimamente, são aquilo que podem chamar-se verdadeiras aulas educativas e de alerta.

Sábado último, por exemplo, esteve entre nós o deputado federal por São Paulo, Sr. Carmelo D’Agostinho, sem favor algum, uma das maiores autoridades brasileiras em ciências econômicas. S.S. proferiu importante conferência no salão nobre da Associação Comercial de Marília, presenciada por centenas de marilienses e ouvida por milhares de pessoas, através das ondas das Rádios Dirceu e Vera Cruz. Foi uma verdadeira aula de finanças, onde o conferencista, com raro brilhantismo e perfeito domínio da questão, abordou a situação financeira do país, sob diversos e variados aspectos. Ficamos realmente encantados com a capacidade de esplanação de motivos financeiros, apresentada pelo ilustre deputado federal. Gostamos do modo com que o conferencista abordou as questões econômicas do país, os pontos-base citados, os exemplos evocados, os quadros comparativos tecidos para o público que ouviu atentamente éssa magnífica conferência.

Apenas duas restrições temos a fazer, com referência ao assunto: A primeira, referente à extraordinária capacidade desse deputado, pouco aproveitada na Câmara Federal, onde o mesmo têm, ultimamente, registrado um dos maiores índices de faltas nas sessões; a segunda, que não tenhamos na Câmara Alta um representante genuinaménte mariliense, de igual capacidade de conhecimentos como êsse grande economista patrício.

Daí, a nossa necessidade de falar novamente sobre o imperativo irrefutável de nossa parte, em atenções e maior senso no votar, por ocasião das próximas eleições.

Todos os que aquí têm proferido conferências, sobre os mais variados temas e sobre os mais diversos assuntos, souberam demonstrar qualidades e conhecimentos sobre as questões abordadas. Acontece que todos os que nessas condições têm se apresentado aos marilienses, são políticos conhecidos. Indiretamente, as conferências veiculam propaganda eleitoral, sem nenhum negar.

Nada temos contra éssas pessoas, que, de bôa vontade, aquiescem aos convites formados por gente de nossa terra, aquí, pronunciando conferências como as que estamos referindo. No entanto, bom é que se atente para a necessidade imperiosa que temos, dever mesmo, de sabermos escolher com mais acerto, no próximo pleito eleitoral, nossos legítimos representantes.

Não somos contra as pretensões daqueles que aquí aportam, procurando votos. O que acontece é que somos verdadeiros amantes de Marília e não podemos calar ante uma realidade tão palpável.

Extraído do Correio de Marília de 19 de março de 1957

segunda-feira, 16 de março de 2009

Caixas Postais... (16 de março de 1957)

Não indagamos do sr. Agente do Correio local, qual o número de desistências de assinaturas de caixas postais verificado em Marília, como consequência da verdadeiramente absurda elevação dos preços de aluguéis das mencionadas caixas.

No interior, conforme percebe-se pelo noticiário da imprensa de diversos pontos do país e especialmente de nosso Estado, a cifra dêsse decréscimo tem sido bastante acentuada. Cidades há em que verificou-se até cinquenta por cento de deserção de antigos assinantes de caixas postais.

Até o ano passado, o preço de uma assinatura era de 48 cruzeiros; convenhamos que era baratíssimo mesmo e que justificaria um pequeno acréscimo. No entanto, o “pulo” foi gigantesco; de início, para 960 cruzeiros, para depois de ter sido reduzido pela metade, isto é, “parado” em 480 cruzeiros. De 48 para 480, a diferença é apenas um zero à direita!

Nesse particular, o DCT está desservindo a população. Isto porque, com a desistência de muitos assinantes de caixas postais, sobrecarregaram-se os trabalhos da distribuição domiciliar de correspondência. No entanto, o número de carteiros, em geral, não foi aumentado. Quem ficou prejudicado, foi o público, sem nenhuma dúvida.

Entendemos que as caixas postais deveriam até ser gratuitas e não cobradas. Facilitariam os trabalhos dos próprios correios e as entregas domiciliares, em menor percentagem, poderiam ser mais perfeitas e muitíssimo mais rápidas. Quem elaborou o formidável aumento das tarifas postais, por certo não atentou para isso, que, no entanto, é irretorquível.

Cada assinante de caixa postal existente entre nós, é um colaborador direto do DCT, evitando a um sem número de funcionários, inúmeros trabalhos de entrega de correspondência. O interessado vai pessoalmente ao correio, buscar as suas cartas e os seus jornais. Eis aí porque consideramos verdadeiramente absurda a elevação dos aluguéis das caixas postais. Principalmente nas estratosféricas bases com que foi feita.

É claro que nada adianta gritar agora. Nada adianta gritar, porque a medida decorre de um autêntico reflexo da inoperância governamental. O aumento foi uma válvula de escape para corrigir um erro laborado pelos próprios poderes, uma vez que faltou tirocínio para um perfeito equilíbrio financeiro do país. Ora, se a máquina funcional é indispensavel e desta depende o próprio andamento da vida burocrática nacional, o assunto é de muito mais importância do que parece, exigindo, por isso mesmo, estudos muito mais acurados e mais sensatos do que os que foram procedidos. A porcentagem do aumento das tarifas postais, nos moldes com que foi elaborada, é uma autentica prova de desgovêrno.

Não estamos contra o aumento dessas tarifas, para atender as despesas oriundas com a elevação dos salários dos funcionários públicos. Estamos contra o descabido e incrivel “salto” dado pelas mesmas, numa porcentagem das mais abismadoras. Em especial, contra o injustificado aumento das caixas postais.

Extraído do Correio de Marília de 16 de março de 1957

domingo, 15 de março de 2009

Cães vadios (15 de março de 1957)

Marília está virando mesmo uma terra de cães vadios. É tão grande o número de “vira latas” sem dono que perambulam dia e noite pelas ruas da cidade, que os forasteiros devem levar daquí uma impressão das mais péssimas quando as providências de quem de direito a respeito.

Esses animais, de rápida proliferação, infestam assustadoramente nossa cidade, no centro e nos bairros; verdadeiras matilhas de caninos provocam admiração de todos, pois não sabemos bem de onde surgiram, ultimamente, tantos cachorros sem dono na cidade.

A famosa “carrocinha” de ha muito não dá o ar de sua graça. O mariliense é obrigado a correr o risco de ser mordido por um cachorro, ao tropeçar neste ou pisar-lhe descuidadamente a cauda. O trânsito, domingo último, pela altura das 10 horas, chegou a ficar interrompido! Quem isto não notou, que pergunte ao guarda civil que estava de serviço no “luminoso” da Avenida e ao próprio sargento Lisboa, da Guarda Civil.

Ao par disso tudo, o mariliense é obrigado a presenciar, seguidamente, cenas deprimentes em plena via pública. A barulheira é infernal. A noite, principalmente nos bairros, já quase ninguem consegue dormir sossegado, tamanho é o barulho dos latidos dos “vira latas”.

Alguma coisa, dentro do sentido de humanidade para com esses animais, deve ser feito. A cidade precisa de uma autentica “profilaxia canina”. Indiscutivelmente.

O “pé de bóde”, adaptado especialmente para a caca aos cães vadios, prestou serviços a população, nesse setor. Depois “desapareceu” o carro aludido e em seu lugar apareceu a “carrocinha”. Está, no entanto, faz muito tempo está com suas atividades paralisadas. Enquanto isso, o número de “vira latas” continua crescendo, de modo assustador.

Não estamos exagerando nestas linhas. Todos os marilienses sabem muito bem disso e todos estão de acordo, pelo que percebemos e pelo que manda a razão, em que os poderes municipais devem fazer alguma coisa a respeito.

Do jeito que estão as coisas, dentro em pouco, teremos que nos referir aos cachorros vadios da cidade, com muita solenidade!

Não haverá alguma solução ou providência para o caso?

Extraído do Correio de Marília de 15 de março de 1957

sábado, 14 de março de 2009

O “Rock and Roll” (14 de março de 1957)

Fomos um dos primeiros se não o primeiro em Marilia, a emitir conceitos acerca da dança maluca denominada “Rock and Roll”, a “coqueluche” dos Estados Unidos, que ameaça dominar todo o mundo. Fizemos nossas considerações, conforme explicamos, com fundamento em determinações judiciais, divulgadas pela imprensa paulistana e carioca.

A música e dança aludidas, estão proibidas em diversos pontos do país, condenados por autoridades competentes, que têm a preocupação e a missão de salvaguardar a moral e a dignidade da mocidade e a da família brasileiras.

Em Marília, está sendo exibido o filme “Ao Balanço das Horas”, que é a demonstração inequívoca da mencionada dança, idealizada por um motorista de caminhão, que tem a “tara” bastante masculinisada” de colecionar bonecas! Trata-se de Elvis Presley, rapaz que vimos não há muito, num filme chamado “natural”, apresentando um “show” público em Nova Iorque. No palco, Elvis é um verdadeiro caso de polícia, pelos gestos que executa, atentando flagrantemente à moral e aos bons costumes.

Como dizíamos, fomos ver “Ao Balanço das Horas”. Os “Comets”, principal atração da película, representam sem dúvida um bom conjunto musical. O estilo nada tem de extraordinário; pelo contrário, muito tem de condenável, pòis o tal “Rock and Roll”, em nosso ver, nada mais é do que a música do “jazz” completamente deturpada. Não existe justificativa, pensamos, para o exagero de movimentos no dançar tal música. O que existe aí, é a influencia tipicamente sensual de Elvis Presley, um rapaz pouco rapaz, segundo se percebe pelas suas ações.

A dança é completamente doida, boliçosa, insinuante, imoral. Temos as nossas dúvidas de que se qualquer moça que se prese, irá submeter-se em público, a dançar tal processo. Pelo menos, não compreendemos que um pai ou u’a mãe de família, de princípios cristãos, póssa permitir que sua filha exiba, publicamente, as formas do corpo e fique de pernas para o ar, num salão de baile!

O ritmo, especialmente para os que apreciam o “jazz”, é gostoso, embora, repetimos, seja um disvirtuamento do próprio “jazz”. Mas, em situação alguma, justifica o estilo da dança òra conhecida como “Rock and Roll”. O nosso frevo, produto brasileiro, não perde em nada, em rítmo alegre e veloz, para tal modalidade de música; no entanto, o estilo de dançar-se o frevo é bonito e mexe, aigualmente, com o espírito musical de qualquer um, sem, entretanto, descambar para a imoralidade.

O filme referido mostrou isso. Aqueles que viram, não ha muito, no próprio Cine São Luiz, a película “natural” que acima citamos, tambem sabem disso.

Estas são as nossas impressões, acerca do “Rock and Roll” e do filme “Ao Balanço das Horas”, atendendo solicitações de alguns de nossos leitores.

Extraído do Correio de Marília de 14 de março de 1957

sexta-feira, 13 de março de 2009

Propaganda eleitoral? (13 de março de 1957)

Não somos reformistas e nem tampouco temos as pretensões de arvorarmo-nos em conselheiros ou moralizadores da política nacional e suas diversas formas de propaganda eleitoral. No entanto, a verdade seja dita, os diversos processos empregados pela maioria dos departamentos de propaganda de inúmeros partidos, em favor de uns e contra outros candidatos políticos, está a chamar as atenções do bom senso e da decência em nosso país.

Estamos vendo cada coisa de arrepiar os cabelos; aliás, a continuidade de processos torpes do passado. Uma verdadeira luta “valetudo”, onde são utilizados os mais abomináveis métodos de desmoralização pessoal ou de grupos.

Hoje em dia, raríssimos são os homens que aspiram um cargo eletivo, que conseguem manter-se numa linha de conduta digna de respeito ao próximo, fazendo, por isso mesmo, convergir para seus nomes e suas ações, a simpatia do público. Fazer propaganda eleitoral (eleitoreira, deveria ser o melhor têrmo), é, hoje em dia, regra geral, uma verdadeira maratona de xingações e desmoralizações. O imiscuir-se inclusive na vida privada de determinadas pessoas, e qualidade essencial daquêles que se julgam no direito de ludibriar a boa fé pública. Esgaravatar feridas morais, mentir, endeusar, prometer e prometer sempre tem sido entre nós, o salvo-conduto dos mais políticos, dos politiqueiros profissionais, desgraçadamente num número cada vez mais crescente.

Isto não é de hoje. Data de ha muito tempo. Todos estão recordados, no passado, aqui mesmo em Marilia e em diversos outros centros interioranos, o que foi verificado nas eleições municipais e estaduais. A mesquinhez de espírito dos nossos políticos, em sua maioria, é um verdadeiro caso de polícia. O senso de responsabilidade, de ha muito deixou de habitar no conceito e nas ações de incontáveis candidatos no Brasil.

Depois querem inspirar a confiança do povo. De que jeito? Dizendo desaforos e palavrões, desmoralizando, depreciando, apontando defeitos tantos, sem que ninguem seja capaz de “atirar a primeira pedra”?

Bom seria se pudessemos conduzir em nossa Pátria, a propaganda política dentro dos moldes da sinceridade e da delicadeza pessoais, apreciando valores próprios e respeitando as qualidades dos adversários políticos. Assim, teria o próprio povo, melhor sistema de orientação e maiores facilidades para votar de conformidade com a própria consciência e em atenção à própria vontade dos eleitores. Atualmente, tal não acontece. A barafunda, é tanta, a confusão é tão marcante, que os próprios ideais do eleitorado oscilam mais do que as cotações da bolsa, tamanha é a onda e contra-onda que faz em torno dos nomes dos candidatos.

Logo teremos as eleições para a deputação estadual. Aí é que veremos então, quão alto é o nivel de torpeza e infâmia de muita gente que se diz brasileira, que confessa respeitar o próximo e que declara “saber perder”.

Vamos aguardar.

Extraído do Correio de Marília de 13 de março de 1957

quinta-feira, 12 de março de 2009

Marília e a COMAP (12 de março de 1957)

Segundo informações que dispomos e conforme já divulgamos através dêste jornal, o sr. Prefeito Municipal irá submeter à aprovação da COAP, para a lavratura do respectivo nomeativo, a lista dos nomes que irão integrar a COMAP local.

Assim, pois, dentro em breve, teremos revivida a COMAP local, cujas finalidades, se bem cumpridas, só poderão trazer benefícios à economia do povo. Não significa isto, que a COMAP venha a constituir-se num órgão contrário aos interêsses dos comerciantes e industriais; pelo contrário, num organismo controlador e fiscalizador da dança dos preços, tão banal nos dias de hoje, que serve de motivos escusos para algumas pessoas.

Quando nos batemos pela reorganização da COMAP, tivemos em mente unicamente cooperar com todos – Comissão e comerciantes – porque a experiência nos autoriza a dizer, que da mesma maneira que existem comerciantes sensatos, existem outros cujo espírito de ganância é mais solto e ainda, pelo que sabemos, através das COMAPS existentes por todo o interior, estamos também inteirados de que dentro das mesmas militam pessoas que procuram desincumbir-se bem trilhando as finalidades do organismo, enquanto outras servem de trampolim para os interessados continuarem os movimentos altistas.

Aí, então, poderemos fazer uma comparação um tanto grosseira, no que diz respeito à interpretação do espírito da lei, com a própria lei que criou no Brasil inúmeros institutos de aposentadorias. Êstes, dentro do aspecto claríssimo do diploma legal, são completos e perfeitos; no entanto, na vida prática, todos sabem o verdadeiro oceano de êrros e imperfeições que apresentam para o público interessado.

O mesmo, pensamos da COMAP. Poderá ser uma útil e imprescindível organização de benefícios do público consumidor. Se mal manejada ou mal orientada, terá efeitos contrários. Dêsse nosso modo de pensar, tivemos também duas correntes distintas. Algumas pessoas entenderam que nossa luta tinha razoes de ser e estava sendo justa; outras pensaram que estávamos patrocinando uma causa inútil.

A verdade é que se a COMAP souber desempenhar sua missão, o povo será bastante aliviado em sua bolsa, pois abusos imperam por aí, a três por quatro.

Nesta oportunidade, aqui deixamos nossos votos para que os nomes que foram coligidos pelo sr. Prefeito Municipal, estejam de fato dispostos a fazer alguma coisa em beneficio do público mariliense e que não venham a autorizar amiudadamente novos aumentos, após o recebimento de “consubistanciados” e “convincentes” relatórios apresentados por aqueles que pleiteiam novas autorizações para constantes aumentos de coisas.

Extraído do Correio de Marília de 12 de março de 1957

segunda-feira, 9 de março de 2009

Marília precisa de semáforos (9 de março de 1957)

No passado, já tivemos o ensejo de ocuparmo-nos sôbre a questão da necessidade dos semáforos para Marília. Efetivamente, a cidade sempre crescendo e apresentando um trânsito – motorizado e de pedestres – cada vez mais acentuado, tem necessidade de no mínimo mais u’a meia dúzia de “luminosos”, em determinados trechos das vias públicas.

Não se trata apenas, no caso, de “querer, por querer”. Trata-se, indiscutivelmente, de imperiosa necessidade, que ninguém pode contestar. Ali na confluência da Avenida Rio Branco com as praças da Bandeira e Saturnino de Brito, por exemplo, urge a colocação de um luminoso duplo. Trata-se de uma entrada e saida da cidade, ligando ao mesmo tempo a mais bela avenida residencial de Marília e apresentando um movimento incomum de pedestres, principalmente estudantes. Na Rua São Luiz, precisam no mínimo três sinaleiros automáticos, nas esquinas da Cel. Galdino, 9 de Julho, Prudente de Morais e na junção com a Avenida, já no começo da avenida Castro Alves. Na 9 de Julho no mínimo mais dois; um na esquina da Nelson Spielmann com a Praça Maria Isabel e outro no cruzamento da Carlos Gomes.

A própria Câmara Municipal já esteve a ocupar-se do assunto, em ocasiões passadas. Depois, não sabemos bem o que houve e a questão foi relegada ao esquecimento, pelo que se percebe. Isso já faz mais de um ano. Se a própria Diretoria do Trânsito em São Paulo fabrica hoje tais objetos, vendendo-os aos municípios interessados, entendemos que houve incúria de nosso município, deixando para o amanhã o referido problema; isto porque, é fácil de perceber-se que se a compra dêsses necessários utensílios de trânsito tivessem sido adquiridos há um ano atrás, o município já teria economizado muitos cruzeiros, em relação aos preços atuais.

Falou-se de convidar o sr. Nicolau Tuma, diretor do Serviço do Trânsito do Estado, para uma conferência em nossa cidade, ocasião em que deveria ser abordada a questão. Pensamos que só para êsse fim, não seria preciso patrocinar a vinda da aludida autoridade a Marília. O problema é mais simples ainda: trata-se de uma compra de objetos imprescindíveis, que à medida que fôr sendo adiada, mais onerará os cofres públicos. A necessidade está comprovada. Dinheiro existe. Daí, entendemos, é só querer.

Ao escrevermos êsse comentário, ficamos aguardando alguns esclarecimentos a respeito da questão, por parte dos senhores vereadores que, anteriormente, estiveram tratando dêsse mesmo assunto. Precisamos de tais informes, para esclarecer aquêles que de há muito nos pedem para patrocinar a “campanha de mais sinaleiros” para Marília, inclusive alguns guarda-civis da cidade.

Extraído do Correio de Marília de 09 de março de 1957

domingo, 8 de março de 2009

As prévias eleitorais (8 de março de 1957)

A imprensa paulistana anda atarefada presentemente, com o pleito eleitoral que terá lugar em São Paulo, no próximo dia 24, para a escolha do prefeito da paulicéia.

Um órgão de imprensa tem mesmo que noticiar, informar, orientar. As prévias eleitorais óra em vigência, no entanto, estão deixando muito a desejar. Os resultados e os pareceres, em confronto entre si, mesmo em idênticos bairros, têm sido apresentados de maneira diferente. Por que? Por dois motivos: Ou o público consultado é inconstante e insincero na demonstração de seu ponto de vista a respeito, votando óra num e óra noutro candidato, ou essas prévias, em sua maioria não passam de u’a mal orientada publicidade indireta em torno de algum ou alguns candidatos.

Como é possível, que o jornal do Pedro ausculte a opinião da feira do bairro da Penha e obtenha uma votação diversa daquela que o periódico do Paulo conseguiu, no mesmo local e no mesmo momento?

Nas eleições passadas, já vimos que apenas uma emissôra tem apresentado o resulto dessa consulta à opinião pública com maior perfeição e mais aproximação da realidade. As demais, deram autênticos “fóras”. Todos recordam muito bem, que por ocasião das últimas eleições estaduais, o público, principalmente do interior, ficou submergido num dilema dos diabos, sem um serviço informativo completo, digno de confiança. Cada órgão de publicidade divulgava, simultaneamente, um resultado diverso, e, com uma diferença incrível! Quer dizer, ao invés do público ficar informado, o que aconteceu foi ficar completamente desorientado.

E a maioria das emissôras e dos jornais paulistanos, que apontaram até o final da contenda eleitoral o nome de um candidato com a “vantagem” de cerca de 25 mil votos na dianteira, ludibriaram o público, especialmente o do interior. Todos estão recordados ainda, que, mesmo quando a contagem final dos votos já era uma realidade e antes da palavra oficial do Tribunal Eleitoral bandeirante, ainda certos órgãos de imprensa, especialmente a falada, insistiam em criar a confusão no espírito público, divulgando mentiras deslavadas.

Agora, as prévias eleitorais estão, ao que parece, no mesmo caminho. Já principiamos a notar as diferenças das divulgações. Estávamos vendo, ainda há pouco, na redação dêste jornal, os motivos desta crônica: No mesmo dia, no mesmo bairro e no mesmo horário (portanto, o mesmo público opinante), uma diferença extraordinária entre a preferência para os nomes de Adhemar de Barros e de Prestes Maia. Por isso, repetimos: ou aquêle público que foi consultado não foi sincero em sua manifestação, ou, por outro lado, um dêsses órgãos não está sendo honesto na divulgação da verdade e está fazendo espalhafato, com propaganda mentirosa. E isto fazendo, estará ludibriando o público por duas vezes seguidas: Aquêle público que votou na prévia e aquela outra parte que acompanha a publicação, acreditando no noticiário a respeito.

As prévias eleitorais já começaram na capital do Estado. e com o mesmo sistema do passado. Agora, o público que acompanhou de perto o desenrolar das “perfeitas informações” do pretérito e que viu depois como a maioria errou, que tire as suas conclusões. Pelo jeito, está repetindo-se o acontecimento e nós entendemos que nem todos os que estão cuidando dessas prévias eleitorais estão sendo honestos para com o público.

Extraído do Correio de Marília de 08 de março de 1957

sábado, 7 de março de 2009

Tópicos carnavalescos (7 de março de 1957)

Pela segunda vez, leitores, ocuparemos nossa coluna dêste órgão, para falarmos sôbre o carnaval que passou, com estas pílulas acerca do reinado de Momo.

Está mesmo desaparecendo o carnaval de rua em Marília. Definha ano a ano. Em 57, de carnaval, só vimos um desfile de veículo pela principal artéria da cidade e alguns grupos de pessoas tentando dar aos folguedos carnavalescos uma vida que realmente não existiu.

Nenhuma fantasia caríssima ou digna de nota especial, conseguiu nossa reportagem ver, quer nas ruas, quer nos clubes onde se realizaram bailes carnavalescos.

O pessoal da polícia e da imprensa, tiveram, durante o carnaval, uma particularidade bastante comum: um trabalho de mais de vinte horas diárias, durante quatro dias seguidos.

Nem todos os clubes tiveram a mesma animação dos anos anteriores. O “Kai-Kan”, por exemplo, embora com muita vida, não alcançou o mesmo sucesso do passado. A Associação dos Alfaiates apresentou os bailes com menor afluência pública, embora dentro de um excelente ambiente social. O Tenis e o Yara deram a nota alta neste carnaval, arregimentando a maioria das preferências populares.

Repetiu-se neste carnaval aquilo que aconteceu no ano passado: Com a venda de bebidas alcoólicas liberada, verificou-se menos casos típicos de embriaguez. Isto é, o povo abusou menos da bebida com a inteira liberdade de venda, do que quando a mesma fôra proibida pela polícia.

Em conversa com a autoridade policial da cidade, dr. Walter de Castro, delegado adjunto, soube nossa reportagem que nenhuma ocorrência lamentável registrou-se em Marília durante os folguedos carnavalescos. As ocorrências verificadas foram as habituais, e, mesmo assim, em número relativamente pequeno.

Dentro dêsse pequeno número, incluem-se alguns “sururus” no Tenis Clube e algumas “garrafadas” no “Kai-Kan”.

Verificou-se também o furto de um jipe, tendo a polícia conseguido apreender o veículo roubado e agarrado em tempo o ladrão.

Os verperais infantis decorreram bastante animados, nos clubes da cidade, quando a reportagem conseguiu notar o maior número de fantasias carnavalescas.

Pouquíssimo lança-perfume foi gasto neste carnaval. Tôda gente alegou como motivo dessa nota, a falta de dinheiro e a alta dos preços do produto.

Como sempre, a reportagem do “Correio” foi fidalgamente recepcionada em todos os pontos onde se realizaram bailes carnavalescos, quando os diretores dos clubes facilitaram em tudo e por todos os modos, os nossos trabalhos de observação.

Pessoa residente em Catanduva, entrevistada pela Rádio Dirceu na noite de terça-feira, declarou que êste ano transformou-se num verdadeiro mito o carnaval daquela cidade, considerado sempre como o melhor do interior. Declarou mais, que o carnaval de rua de Marília foi superior ao de Catanduva.

Êste ano, como sempre, vimos inúmeros “marmanjões” bolindo com senhoras e senhoritas que apreciavam na Avenida, o carnaval de rua que não existiu.

Num dos clubes da cidade, um cidadão tentou pular sem camisa, tendo sido impedido de fazê-lo.

Nos Alfaiates, o rapaz que deu a nota divertidíssima dentro do salão, foi Tomaz Mascaro. Divertiu-se sozinho durante as quatro noites, “desconjuntando-se” todo.

Foi desvirtuado o uso das bisnagas de matéria plástica, quando muita gente utilizou ditos apetrechos com liquidos suspeitos. Mesmo apesar da proibição da polícia, muita gente continuou esguichando água e outras coisas nas pessoas descuidadas.

O “Duo Estrela D’Alva”, Biguá e o compositor Zacarias Mourão, da Rádio Bandeirantes, de São Paulo, vieram passar o carnaval em Marília. Estiveram hospedados na residência de Brabo Ferro Velho, tendo participado do carnaval de rua e ainda realizado exibições na Rádio Dirceu.

Sensível aumento percebemos, de homens vestidos de mulheres nas ruas de Marília, por ocasião dos folguedos carnavalescos.

Vimos alguns foliões brincarem duas vezes por; durante o dia, foram crianças e durante a noite transformaram-se em adultos.

Num resumo e em pequenos tópicos, aí está o compêndio do que conseguimos ver no carnaval que passou.

Extraído do Correio de Marília de 07 de março de 1957

Pílulas Carnavalescas (5 de março de 1957)

Desculpem-nos os leitores, pelo fato de mudarmos hoje, excepcionalmente, o estilo désta crônica diária. Vamos ocupar o espaço que nos é reservado pela direção do “Correio”, para narrar, alguns flagrantes acerca do tríduo carnavalesco, em pílulas, conforme estabelece a epígrafe. Vejamos:

Não tivemos, praticamente, o carnaval de rua em Marília este ano nas noites anteriores, e, dificilmente, pelo que parece, o veremos hoje. Nenhum “rancho”, nenhum préstilo, nenhum “cordão”, nenhum bloco convenientemente organizado.

Embora estejamos de acôrdo em que não deve o município subvencionar os folguedos carnavalescos, empregando para tal fim o dinheiro público, entendemos que pelo menos na iluminação central deveria ter sido procedida durante o carnaval.

Outra coisa que a Prefeitura olvidou, foi a instalação do palanque oficial na Avenida, como sempre fora feito nos anos anteriores. Tal realização, que nenhuma despesa efetiva acarretaria aos cofres públicos, mesmo que não servisse para acomodar as autoridades que iriam apreciar o carnaval, pelo menos teria em muito facilitado os trabalhos das emissoras locais, que irradiaram o acontecimento.

Nos clubes, os bailes das primeiras noites não tiveram o mesmo brilho do passado. Embora com bastante afluência pública, quer nos parecer que o espírito alegre arrefeceu um pouco durante este ano.

A rigor, quase não tivemos fantasias dignas de nota nos bailes carnavalescos. Poucos lança-perfume, em relação aos anos anteriores. Até os movimentos dos bares dos clubes recreativos parece que foi menor este ano. Causas? Aparentemente, só uma: falta de dinheiro.

Uma coisa é certa: imperou a disciplina, de modo geral, nestes primeiros dias de carnaval em Marília. Não vimos casos típicos de embriaguez na mesma proporção dos anos anteriores. Não vimos tambem excessos na aspiração de éter, como no carnaval pretérito. A esse respeito, pouco ou nenhum trabalho teve a polícia.

Consuelo Castilho, o conhecido “C.C.”, continua sendo o mais esforçado animador de carnaval de rua. O rapaz faz o que póde. Brinca quase que inocentemente. Este ano saiu com uma gigantesca borboleta e com o tradicional boi.

Muita afluência registrou o Yara Clube. A causa deve ser motivada pela cobrança ascessivel de ingressos e pelo grande espaço de seus salões.

Nas primeiras noites, os bailes mais desanimados deste ano, foram os da Associação dos Alfaiates e do “Kai Kan”.

Democraticamente, o Dr. Helio Negreiros Penteado, Delegado Regional de Polícia, identificou-se entre os foliões que pularam nos bailes do Tenis Clube.

Rapazes do Cordão “IV Centenário”, reclamam contra uma escola de samba que saiu pelas ruas da cidade, dizendo-se tal. Alegam que este ano o “IV Centenário” não saiu a rua...

Excelente e completo, tem sido o policiamento da cidade neste carnaval. Nas ruas, a atividade preventiva policial tem sido notada. Nos bailes, a Guarda Civil, investigadores e comissários de menores tem exercido suas atividades de modo satisfatório. Para tal, diga-se, o povo mariliense tem sabido colaborar, até aqui, sabendo comportar-se e respeitar.

A polícia proibiu o emprego de bisnagas de matéria plástica nos folguedes carnavalescos. É que ao par do uso de agua pura, que viria a ser uma brincadeira inocente, vários “marmanjões” estavam servindo-se dos ditos objetos para o disvirtuamento das finalidades.

Nos bailes infantis, vimos muitos adultos “rasgando a fantasia”. Não está certo. os marmanjos que brinquem durante a noite deixem as “matinés” para as brincadeiras inocentes das crianças.

Pirituba, o famoso baterista paulistano, esteve emprestando inestimavel concurso ao conjunto de ritmos do Marília Tenis Clube. O rapaz sabe brincar com o instrumento. Tem oferecido um verdadeiro “show” aos foliões. Muita gente tem ficado mais interessada em apreciar a arte do rapaz do que propriamente o carnaval de salão.

Outro elemento da paulicéia que tambem está colaborando com o conjunto carnavalesco do Teniss Clube é Joaquim “Sabonetão” Dias, da Rádio Nacional de São Paulo. Tanto “Sabonetão” como Pirituba vieram a Marília visitar seus familiares. E estão seguindo a risca o ditado de “enquanto descança carrega pedra”.

Extraído do Correio de Marília de 05 de março de 1957

segunda-feira, 2 de março de 2009

Carnaval (2 de março de 1957)

Oficialmente, as festas momescas serão iniciadas amanhã; tradicionalmente, a folia carnavalesca começa hoje. Muita gente aguardou com ansiedade êstes momentos; muita gente vê com maus olhos o carnaval e suas brincadeiras.

Em ocasiões passadas, já tivemos o ensejo de manifestar o nosso ponto de vista acerca do carnaval. Não pertencemos nem aos do contra e nem aos que são francamente do reinado de Momo. Somos neutros na questão, respeitando a predileção de todos. Somos até pelas brincadeiras sadias e bem intencionadas, porque pensamos que sendo o carnaval uma festa tradicional do povo brasileiro, considerada mesmo a maior festa popular do país, é justo que dela participem os que a apreciam. O povo brasileiro, que vive sobremaneira sacrificado com as agruras da vida de nossos dias, deve divertir-se quando pode e como pode. Dentro dos postulados da decência e do respeito comum, é lógico.

Apenas não concordamos, com inúmeros abusos e liberdades, que à miude são praticadas por aquêles que são fracos de espírito e levianos de atitudes, sob o infundado pretexto de que “carnaval é assim mesmo”.

No mais, aqui deixamos consignados nossos votos de bons divertimentos àqueles que irão “pular o carnaval”.

Por falar em carnaval, a COAP acaba de baixar duas portarias “ad referendum”, tabelando em São Paulo – Capital e interior –, tôdas as bebidas e sanduíches, por ocasião dos folguedos carnavalescos. A medida é mesmo oportuna, pois sabem todos, que ao par da existência de comerciantes sensatos, existem muitos que abusam das prerrogativas da exploração, especialmente nas ocasiões dessas oportunidades.

Outra coisa que êste ano deverá ser observada, é a questão do excesso das liberdades e o uso de roupas atentatórias à mora pública. Com referência ao segundo fato, podemos afirmar que o povo mariliense sempre soube portar-se condignamente. Aludindo-nos à primeira questão, o mesmo tem sempre acontecido; se algumas exceções verificamos no passado, foram mínimas e consequência de embriaguez visível.

A polícia êste ano, mais do que nos anteriores, exercerá severa fiscalização acerca do assunto, para que os folguedos carnavalescos decorram num ambiente perfeitamente presenciável por todos. Até o vício da aspiração de éter, será observado com rigidez, de conformidade com a determinação do sr. Secretário da Segurança Pública, em atenção a despacho do Governador do Estado.

Os clubes estão preparados para proporcionar aos seus associados e simpatizantes, um belo carnaval. Nossos votos para que tal possa acontecer.

Na rua, como sempre, o carnaval talvez não seja dos melhores, pois nos últimos anos vem definhando visivelmente nesse sentido. Teremos êste ano a ausência do “Cordão IV Centenário”, por motivos alheios aos seus próprios integrantes.

Consuelo Castilho, o popular “C. C.”, como sempre, promete uma brincadeira sadia aos presentes, nas ruas da cidade. Segundo informa-se, o “C. C.” está preparando uma “geringonsa” para exibí-la na Avenida do Fundador.

Oficialmente, o carnaval inicia-se hoje.

Àquêles que são verdadeiros foliões, os nossos votos para que divirtam-se bastante.

Extraído do Correio de Marília de 02 de março de 1957

domingo, 1 de março de 2009

Nacionalização da industria automobilistica (1º de março de 1957)

O Presidente da República acaba de promulgar um decreto, pela qual será nacionalizada a indústria automobilística no Brasil. Prevê o aludido diploma legal, até 1960, a fabricação de carros de passeio, com 95% das peças genuinamente nacionais.

Por volta de mil novecentos e trinta e pouco, quando ainda frequentávamos o Grupo Escolar, ali na vizinha cidade de Cafelândia, perguntamos certa ocasião, ao “seu” Batista, nosso professor, por que o Brasil, sendo tão grande e tão rico, não fabricava seus automóveis, caminhões, tratores e aviões. O mestre-escola vira-se, cremos, em palpos de aranha, para explicar de modo perfeitamente compreensível a pergunta. Não que não estivesse em condições para tal, absolutamente; é que a explanação teve que ser feita de modos a ser interpretada por um cérebro infantil, distante da perfeita aceitação dos fatos consumados. Não aceitamos de todo a explicação do bondoso professor, replicando o esclarecimento, com as naturais argumentações infantis, que, embora muitas vezes eivadas de absurdos, encerram, outras ocasiões, questões que são autênticos “nós górdios”.

E lançamos à argúcia do bom e paciente professor, o nosso “fogo contra bateria”: “Se o Brasil tiver que ficar eternamente à mercê dos países estrangeiros, para a compra de máquinas tão úteis e necessárias ao seu povo e seu progresso, como fará no futuro nossa Pátria, em caso de uma eventual guerra? Êsses países irão vender-nos máquinas, armas e aviões, para com êstes utensílios combatermos êsses mesmos países?”

O professor ainda está vivo e talvez possa recordar-se do fato, apesar do tempo passado. Na ocasião, não teve o mesmo meio de justificar ou combater, ou mesmo contemporizar a pergunta que fizéramos. Teria o incidente passado desapercebido, não tivesse um servente do estabelecimento comentado a questão num bar da cidade. É por isso que de vez em quando nos recordamos do acontecimento.

Isso, sabemos, nada tem a ver com a nacionalização da indústria automobilística do país, óra preconizada legalmente pelo sr. Juscelino Kubitschek. No entanto, parece que tal nacionalização já está com um atraso de uma centena de anos.

Atentemos leitores, para a lógica e o significado daquele pensamento infantil, de vinte anos passados.

Oxalá tudo dê certo desta vez. E oxalá também, dentro em breve, possamos ter uma verdadeira indústria nacional de aviões. Ninguém sabe o que poderá acontecer com o futuro do país.

Por outro lado, tomara que não venha a acontecer o que até aqui tem acontecido com quase tôdas as emprêsas que foram nacionalizadas: Quando nas mãos de estrangeiros, servem bem, dando lucros fabulosos; depois de “oficializadas”, regra geral, têm servido de “cabides” para empregados de categoria, apaniguados políticos em maior parte, e, o que é pior, tem arrastado o país a fabulosos “deficts” que aumentam de ano para ano!

Extraído do Correio de Marília de 1º de março de 1957

Os “Gostosões” do Mercado (1º de março de 1953)


Escreveu: José Arnaldo

É sabido que o nosso Mercado Municipal apresenta uma serie de problemas que estão a merecer as atenções de nossas autoridades. Por exemplo, o seu espaço, que era suficientemente grande há anos atrás, apresenta-se agora acanhado, deficiente para as exigencias e necessidades de nossa “urbs”; a precariedade de suas instalações sanitarias, por outro lado, estão a exigir providencias completas; quanto a reparos e pinturas, então nem se fala; os preços das frutas e verduras subiram como foguetes, desafiando a fiscalização e as providencias de controle de abastecimento.

Como se isso já não bastasse, surgiu agora, mais acentuadamente nos ultimos tempos, uma verdadeira “praga” de desassossego para as senhoras e senhoritas que convergem àquele local, para fazer as compras que necessitam. São os desocupados e destituidos de educação, metidos a “gostosoes”, que ali ficam plantados, especialmente nos domingos de manhã quando é mais intenso o movimento, aos grupos, distribuindo gracejos e dizendo piadinhas e “belezuras” às mulheres, indistintamente. E, segundo pudemos observar, não escolhem ou titubeiam a quem dirigir suas piadas, quer seja uma senhora respeitavel, uma senhorita ou uma simples criada, como se aqueles que se dirigem àquela tenda, tenham obrigação de ouvir gracejos, muitas vezes picantes e insinuosos, algumas vezes mesclados de obscenidade.

Por certo, o sr. Delegado de Policia não teve conhecimento, ainda, de tais fatos, e, temos a certeza, ao sabê-lo, porá um termino a esse estado de coisas, incompativel com a cultura e a descencia de nossa cidade.

Sabemos, tambemm, que nem todos que ali permanecem por tempo indefinido, usam esse expediente; afinal, o Mercado é publico e ninguem poderia impedir a quem-quer-que-seja fosse, de ali ir. Mas, dirigir-se àquele local para faltar com o respeito às senhoras e senhoritas, como já varias vezes presenciamos, é que não pode ser. Certamente o leitor faz uma ideia do que seja uma esposa ou filha sofrer o vexame de ouvir maledicenciass de desvergonhados e desocupados. E, sem trabalho, deduz tambem o que aconteceria, se, no momento, estivesse perto um pai ou um marido de uma senhorita ou senhora ofendida...

Extraído do Correio de Marília de 1º de março de 1953