sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Hoje a comida é diferente (31 de agosto de 1973)



Já foi o tempo em que existia um organismo denominado Guarda Nacional, integrado por políticos, na maioria semi-analfabetos, que o grosso do próprio povo empavonava e respeitava por simples temor.

Naquele tempo, o cidadão que tivesse muitos mil pés de cafeeiros, ou muitos alqueires de pastagens com milhares de cabeças de gado, era conclamado “chefe político”.

E como tal, recebia um título de mãos beijadas.

Daí, a razão da existência dos “capitães” e “coronéis”, muitos dos quais insubmissos do Exército, ou simplesmente reservistas de terceira categoria.

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A situação criou um mito, que se estendeu por muitos anos, num período em que o próprio país, mercê dessa burrice toda, cingia-se a uma sistemática política, das mais carcomidas e sórdidas, entravada, firmada num alicerce de prepotência e de imbecilidade.

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As eleições foram transformadas em verdadeiras farsas, com um eleitorado de cabresto, que comia e bebia à rodo nos dias de pleito, para votar bitoladamente, à gosto dos “coronéis”.

Em alguns lugarejos, capatazes de “coronéis” de rabo-de-tatu em punho, determinavam o sufrágio “na marra”.

Autênticos “testas-de-ferro” faziam mudar o resultado das urnas, constando votos dados até por eleitores falecidos.

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Era a época que o defunto votava.

Hoje a comida é diferente.

Embora alguns ainda não se tenham apercebido disso, e, por caminhos diferentes imitem à distancia fatos pretéritos, auto-acolhendo uma autoridade desmedida ou mesmo falsa.

Acontece, sim.

Até em Marília.

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A imprensa teve um papel preponderante na mutação do mencionado e abjeto “regime”.

Mas não foi fácil.

Jornalistas lutaram idealística e patrioticamente contra essa série de desmandos. O direito da força venceu muitas vezes a força do direito.

A mando de “coronéis”, jornalistas foram espancados e “providencias” foram tomadas para silenciar jornais que se opunham ao processamento de tamanha imoralidade nacional.

E a razão acabou por vencer.

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A política hoje, em alguns casos ou alguns políticos, parece ter um leve arraigamento do passado. Sob outras formas.

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Prova disso, a “psicose de processamento”, que ainda se verifica em muitos de nossos políticos.

Os maus políticos têm sido, sempre, criticados e agulhados pela imprensa. Seus átos têm sido dissecados impiedosamente. Não com o escopo de ridicularizar, mas sim o objetivo de mostrar-lhes o chamamento à razão e a diferenciação do ridículo e dos maus serviços.

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E a “psicose de processamentos” acabou vigenciando.

Já “largaram” dezenas de pretendidos processos-crimes contra Carlos Lacerda. Contra Assis Chateaubriand. Contra David Nasser. Contra Júlio Mesquita. Até Ruy Barbosa. E muitos outros.

Nenhum “pegou”, mesmo porque a Lei de Imprensa comina três crimes graves. E jornalista que é jornalista, não incorre em nenhum deles.

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Mesmo nesta era atômica e espacial desde século XX.

Mesmo atualmente.

Mesmo em Marília.

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Tem políticos alimentando ainda a “psicose de processamento”.

Em substituição a um trabalho em pról da cidade, trabalho que muitos deles não têm a suficiente competência de desobrigar, propalam a idéia de “processar” jornais e jornalistas marilienses.

Só porque os jornais e os jornalistas, como lídimos porta-vozes da opinião pública, relatam o que todo mundo sabe e vê.

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A imprensa mariliense não se atemoriza nem um tinquinho.

O povo está ao seu lado, contra as más causas, empossadas pelos maus políticos.

Também a lei.

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De nossa parte, iremos em frente.

Marília representa para nós, muito mais do que os maus políticos.

Hoje as comidas são diferentes.

Extraído do Correio de Marília de 31 de agosto de 1973

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Velhos e novos (30 de agosto de 1973)



Não é válida, a afirmativa, de que toda a pessoa velha seja decrépita, gasta, quadrada, ultrapassada e obsoleta.

Igualmente, validez não tem a afirmação de que todo jovem é lutador, detentor de idéias claras e invejável espírito de luta sem esmorecimento.

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

Existem velhos de espírito jovem, como existem jovens prematuramente decrépitos.

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No dia 16 de julho de 1950, um velho sapateiro, que tinha na ocasião 33 anos, exercendo uma atividade considerada física e biologicamente imprópria para sua idade, “acabou” sozinho com a seleção brasileira de futebol, em pleno Maracanã, levando para o Uruguai a Taça “Jules Rimet”, que pertenceria ao Brasil, que na ocasião disputava o último prélio, jogando apenas por um empate.

O nome desse “velho” era Obdúlio Varella.

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No último pleito eleitoral, os nossos dois candidatos à Prefeitura, Armando Biava e Pedro Sola, buscaram com lanternas, jovens da cidade, para adentrarem à luta política, como candidatos à vereança municipal.

A intenção, embora velada, era a injetar “sangue novo” no Legislativo municipal. Os jovens procurados omitiram-se todos, com exceção de Eduardo Rino.

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A primeira Câmara Municipal de Marília, após o chamado período de redemocratização do país, foi constituída em maioria absoluta por “velhos”.

E figurou em atividades e atuações, como uma das mais invejáveis do Estado. Tinha em seu seio “velhos” de estirpe, de idéias patrióticas e comprovado amor por Marília, dotados de inteligência impar e de ações inováveis.

Dentre outros, Nelson de Carvalho, Alcebiades Ferreira Bueno, Reynaldo Machado, J. Coriolano de Carvalho, Edmundo Lopes, Aniz Badra, Francisco de Barros Pires, Álvaro Simões e outros.

As Câmaras posteriores e (desculpem) inclusive a presente, são incomparáveis em relação e proporção à citada.

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Hoje em dia, verdade seja dita, não está existindo por parte dos jovens, o mesmo interesse que ainda é alentado e alimentado pelos velhos e a dedicação e a experiência destes, continua, em vários setores e prismas da própria vida nacional.

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Experiência é um fato e não uma virtude.

A experiência decorre do contacto permanente de ações com a provação de sucessos e fracassos, que se constituem em autentica escola, forjando caracteres, com a fixação de exemplos, evitados ou seguidos por todos aqueles que já trilharam os referidos caminhos. Essas pessoas, por força do fator tempo e lógica, são os velhos.

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É tempo já, portanto, dos jovens dizerem presente, para substituírem os velhos.

Mas devem, forçosamente, mirar-se nos espelhos de exemplos e de trabalho daqueles, adotando, por outro lado, idéias diferentes e práticas de um trabalho consciente e ativo.

Senão, nada feito. Inês continuará morta.

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Estranha fauna, classifica ainda os velhos como ultrapassados. Mas estes são os que de fato continuam dando o duro em ações de trabalho, garantindo certeza e confiança de suas ações denodadas, firmes, plausíveis e objetivas.

E não é de hoje.

A própria história nos comprova a rigidez desses velhos e até a idade em que trabalharam.

Por exemplo:

Heródoto (88 anos), Arquimedes (80), Winston Churchill (91), Charles Chaplin (84), Graham Bell (78), Gen. Mark Clark (80), Picasso (91), Pablo Casals (97), Ruy Barbosa (74), Darwin (74), Toscanini (80), Demócrito (90), Mme. Curie (70), Pasteur (73), Catão (85), Platão (81), Watt (82), Scheweltzer (90), Duque de Caxias (77), Gago Coutinho (89), etc.

Daí então deduz-se que esse negócio de “velho já era” não era, não...

Extraído do Correio de Marília de 30 de agosto de 1973

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Outro supermercado (29 de agosto de 1973)



Deve estar fazendo uns doze anos, mais ou menos.

Através desta mesma coluna, descobri pela primeira vez a tela da necessidade de adotar-se em Marília, o sistema de comércio de supermercados.

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Certa feita, há muito tempo, tive a chance de visitar o recém-inaugurado supermercado Vem-Cá, na cidade de Sorocaba. Sito num bairro distante do centro.

Como bom mariliense, sabendo que Marília deveria contar e não contava com um estabelecimento desse gênero, senti “inveja” e discriminei, ao meu regresso, o pensamento dessa carência.

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O comerciante Júlio Giaxa dispunha-se na região a vender o Bar Sta. Isabel e montar um novo estabelecimento, que hoje é o Bar Yara.

Sugeri ao Julinho, que ao invés de bar, ele utilizasse o prédio da Rua 9 de Julho, na Cascata, para instalar um supermercado, que seria o primeiro da cidade.

Julinho achou ótima idéia, mas alegou que já havia iniciado a reforma e que, inclusive, uma parte do imóvel deveria ser locado para a instalação da agência da Caixa Econômica Estadual, que até hoje não foi criado no Bairro Cascata.

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Mais tarde, sugeri a formação de um grupo associativo entre capitalistas da cidade, para a instalação de um supermercado no prédio onde hoje está instalada a Padaria Xereta.

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Depois, ainda voltei a tocar no assunto, indicando o prédio que pertenceu à Sambra, na Avenida, “pegando” também a Rua 4 de Abril.

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O Sesi parece que tomou a iniciativa.

Pastorinho acabou por instalar um excelente supermercado, agora em fase de reforma total, que tomará dois lados de um quarteirão.

Surgiram o São João, o Brasil e o Pereira, enriquecendo e modernizando o comércio varejista mariliense.

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Há mais de três anos, destaquei desta coluna, com a mais absoluta prioridade, que as Indústrias Matarazzo iriam montar, na populosa Vila São Miguel, um moderno, funcional e amplo supermercado.

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E aí está a confirmação da notícia, que tive o ensejo de ser o primeiro a divulgar.

Na próxima sexta-feira, dia 31, vai ser inaugurado em Marília o Hipermercado Superbon, de propriedade do Matarazzo.

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Para quem gosta de Marília, para quem se interessa pelo desenvolvimento da cidade, para quem se orgulha do progresso, do dinamismo da Capital da Alta Paulista, a notícia é alvissareira. Mais do que isso, prova eloquente e irreversível da pujança do comércio mariliense.

Uma demonstração, por outro lado, que as Indústrias Reunidas F. Matarazzo confiam em Marília e no seu progresso.

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Da mesma maneira que parabenizo o Pastorinho, São João, Brasil, Pereira e Sesi, além do correlato Santa Fé, estou consignando parabéns, confiança e estímulo aos dirigentes do Superbon, que a partir da próxima sexta-feira estará com suas portas abertas, servindo o grande público mariliense.

É o comércio de Marília em alastramento progressivo.

É a cidade crescendo, esnobando a pujança de engrandecimento, que, a exemplo do próprio Brasil, não pode parar.

Extraído do Correio de Marília de 29 de agosto de 1973

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O humor dos outros (28 de agosto de 1973)



Os médicos explicam e eles devem ter suas razões para isso: existem dois tipos de morte, a morte física e a morte clínica.

Talvez isso justifique o fato, já acontecido em muitas partes do mundo e inclusive em Marília, de pessoas dadas como mortas, acabarem “ressuscitando” algumas horas após declaradas mortas.

Consta, que lá pelas plagas onde o rei Farouk era o “gerente geral”, a turma “inventou” uma muda diferente, para certificar-se da morte real ou não dos homens.

Quando o distinto é dado como morto, o pessoal bota o dito cujo sobre uma mesa e mandam vir vinte bailarinas lindíssimas, para dançar junto a mesa, completamente nuinhas, isto é, sem nenhum dos séte véus.

Se depois de vinte minutos de dança o cara não despertar é porque está morto mesmo.

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Um advogado, em palestra com um médico, dizia que ficava bastante aborrecido, quando os amigos, em reuniões sociais, à guisa de palestras casuais, acabavam “arrancando-lhe” conselhos que eram verdadeiras consultas, sem pagar um níquel.

E indagou do outro, se com ele, como médico, também não acontecei isso, de dar consultas de graça.

Respondeu o discípulo de Hipócrates:

- Primeiro, acontecia isso. Depois adotei uma formula que me imuniza de dar consultas “no peito”. Quando um cara ou uma matrona inicia a pergunta para conseguir a consulta de graça, vou dizendo logo: “dispa-se”. E o papo termina.

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Caipira, dirigindo-se ao empregado da ferrovia:

- Moço, o trem das 11 e 10 já passou?

- Sim, já passou.

- E o de meio dia?

- Também já passou.

- E o que vai até Bauru?

- Passou.

- E o que vem de São Paulo?

- Também já. Diga-me o trem que vai tomar que eu explico logo...

- Não vou pegar trem nenhum... eu quero é atravessar a linha.

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Também tem o caso do lusitano que pretendeu fazer um interurbano para São Paulo. Quando a telefonista atendeu, recomendou:

- Espere na linha.

O cara largou o telefone e foi esperar na linha. O trem “pegou” ele...
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Uma estrada antiga, cidade antiga, restaurante de beira de estrada bem antigo e os proprietários da casa de pastos mais antigos ainda.

Um casal, em lua de mel, estaciona o “1800” no local, adentra o recinto, para um almoço tranquilo.

No meio da refeição, o jovem marido dirige-se ao garção dizendo:

- Gostei desse local... é magnifico. Este prédio parece até histórico e deve ter sido construído há muito tempo...

O garção ficou satisfeito com a observação do freguês e “destampou” o falatório:

- Este local é um dos mais antigos do Estado. Tem vários séculos de existência e está vinculado à própria vida nacional. Quer que lhe conte a história?

E o freguês, em seguida:

- Quero, sim. Comece narrando a fabulosa lenda sobre a origem deste bife que acabou de trazer e que não consigo comer...

Extraído do Correio de Marília de 28 de agosto de 1973

domingo, 26 de agosto de 2012

Política de caçadores de pardais (26 de agosto de 1973)



É logica decorrente de regra sem exceção:

O bom caçador, dá-se ao capricho de ser possuidor de apetrechos escolhidos, de boas e reputadas marcas, que inspirem confiança e segurança. O “hobby” de caçar representa um esporte-idealista, que se configura em arte.

As armas não são tudo, mas parte importante. À elas somam-se os cães amestrados, a boa qualidade da munição e o tirocínio experimentado do caçador.

Caçador de onça, de anta ou de capivara, que diverte-se em matar pardais, deixa de ser caçador.

Não é mera coincidência

O preâmbulo, inapresentando a correlação analógica, não é mera coincidência.

Ele se fez necessário.

Referimo-nos à nossa Câmara Municipal. Sem macular-lhe a soberania e a dignidade, mesmo porque éssa mácula, outros, antes de nós, já se incumbiram, numa demonstração pública de dúbios procederes.

Falamos em Câmara porque citamos elementos seus, de opiniões isoladas, que, por razões impensadas e atitudes comprovadas, chegam a envolver o referido Poder, criando no seio da opinião pública, uma série de pensamentos duvidosos e desairosos sobre a lídima cédula legislativa de nosso município.

De estarrecer

Por certo, alguns vereadores não se ativeram ainda que tomaram posição numa trincheira de ativa ação, que está estarrecendo a população toda.

Por certo, também, eles não sabem e não ouvem e igualmente jamais atinaram o que o povo mariliense está pensando de suas figuras legisladoras, de seus procedimentos dotilóquios e de suas tomadas de posições, presentemente no caso do escorraçamento de ladrões e vagabundos que constituíam um verdadeiro exército e que infestavam as ruas da cidade.

Mais do que isso, que intranquilizava a população toda, com invasões de quintais e até de lares, roubando roupas e objetos domésticos, à plena luz do dia.

Colocam-se, esses edis, fazendo uma falsa média, não contra uma autoridade, mas sim contra uma população toda.

Não sabem esses vereadores, que mais de 100 mil almas marilienses estão agradecidas à polícia pela sua ação, apanhando pelo gasganete, os vadios e desocupados que intranquilizavam nossa gente, mas que, maliciosamente, os referidos vereadores teimam em chamar de “mendigos”.

Eles estão contra Marília, porque Marília está a favor da ordem pública, do sossego, da tranquilidade e a família mariliense não concorda com essa “defesa” dos chamados “mendigos”, que não passam de pinguços e ladroes.

Marília não quer pedintes, ladrões e vagabundos nas suas ruas. Quem está parecendo desejá-los são os vereadores, que se insurgem contra uma medida salutar, necessária, imprescindível, urgente, inegável, que em tão boa hora foi posta em prática pelas nossas autoridades policiais.

Não é a primeira vez

Não é a primeira vez que acontecem fatos mais ou menos idênticos. O povo está observando e acompanhando. E a imprensa também.

A Câmara, mercê de alguns de seus membros, já prestou um grande e lamentável desserviço à população mariliense e diretamente à cidade.

Foi quando não autorizou o ex-prefeito Octavio Barretto Prado a firmar convênio com o Estado, para a construção de uma passagem superior de nível, na Rua 9 de Julho.

Além de boicotar uma administração municipal, interessada em acelerar o progresso mariliense, atiraram a população e a cidade contra a antipatia do próprio Governo do Estado!

Quiçá uma dezena de marilienses solidarizou-se na ocasião com a decisão da edilidade local. Mas uma dezena de pessoas não representa uma população de 100 mil habitantes.

Os interesses da maioria devem antepor-se aos desejos da minoria.

Agora, repete-se o fato:

A maioria (absoluta) dos marilienses está satisfeita com a medida policial, que alijou de Marília um ról imenso de ladrões, vagabundos e pinguços.

Só os vereadores é que parecem que não. Mas o que eles estão fazendo nada mais é do que caçar pardais. As antas, onças e capivaras estão sendo caçadas pela maioria da população.

Contra ou a favor de Marília?

A Câmara impediu a construção do Viaduto.

A Câmara lamenta e condena a ação policial de limpeza de vadios e ladrões na cidade.

Não irá a mesma Câmara impedir também que Marília venha a ter a maior fiação de seda da América Latina?

Afinal, estarão alguns vereadores (que representam parcialmente a Câmara) a favor ou contra Marília?

O povo sabe a resposta.

Extraído do Correio de Marília de 26 de agosto de 1973

sábado, 25 de agosto de 2012

Caxias, Soldado Pacifista (25 de agosto de 1973)




No dia 25 de agosto de 1803, na antiga Freguesia de Estrela, município fluminense de Nova Iguaçú, nascia um menino, que era batizado com o nome de Luiz – o Santo protetor dos estudantes.

Luiz Alves de Lima e Silva, seu nome todo.

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Descendente de militares, teria que seguir as pegadas de seus ancestrais. Desde muito cedo, demonstrava sua vocação pelos assuntos militares e aprendia a adorar uniformes e admirar soldados em desfiles.

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Em 25 de agosto de 1817, aquele que viria a ser o futuro Patrono do Exército, completando seus catorze anos de vida, festejava seu aniversario, prestando seu solene compromisso à Bandeira Nacional.

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Desde cedo, mostrou-se intransigente defensor da autoridade constituída, forjando seu caráter e personalidade, nos moldes da disciplina e patriotismo conscientes.

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Cinco anos mais tarde, em 1823, Luiz Alves de Lima e Silva era encontrado na Bahia, ocupando o posto de primeiro tenente e prestando serviços ao Novo Império, como ajudante de ordens de seu tio, o Coronel Joaquim de Lima e Silva.

Sessa fase de sua vida. Caxias contribuiu pessoal e decisivamente para a realidade da independência política Nacional, ocasião em que, no dia 2 de julho daquele mesmo ano, consumava-se a expulsão das tropas portuguesas, que agiam sob o comando do General Madeira.

Foi nessa ocasião, em que dava-se o “batismo de fogo” do Tenente Luiz Alves de Lima e Silva, onde ficara provado seu espírito de luta, bravura, conduta impar e exemplar no campo de luta.

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Veio a seguir, a campanha de Cisplatina e nessa altura Lima e Silva já era Capitão com o peito ornamentado pela medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul, integrando na ocasião o Batalhão do Imperador.

Como capitão, conseguiu demonstrar outra face de sua extraordinária personalidade, irradiando simpatia e exteriorizando um raciocínio administrativo incomum, a ponto de fazer dos soldados vencidos, seus fiéis admiradores e amigos.

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No período de 1840 a 1845, sua carreira militar foi mesclada de atos que mais lhe aumentavam o valor de brasileiro e soldado, dominando os paulistas rebeldes, pacificando a balaiada do Maranhão e acomodando as irreverenciais dos mineiros e sulistas.

Conseguiu provar e demonstrar um elevado amor às instituições e à unidade do país.

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Ao atingir a idade de 38 anos, Caxias atingiu o generalato e foi convidado às lides políticas do Brasil. Como Conde de Caxias, exerceu durante seis anos, as funções de Senador do Império.

Quando surgiu a quizilia Argentina-Uruguai contra o Brasil, Caxias invadiu e submeteu o Uruguai de Oribe ao mesmo tempo que vencia a Argentina de Rosas.

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Em 1852, já é Marquês do Império e a Pátria o chama novamente às atividades políticas, desempenhando com galhardia os cargos de Conselheiro de Estado, Ministro da Guerra, Presidente do Conselho de Ministros e Conselheiro da Guerra, cujas funções desincumbiu com brilhantismo e sem máculas.

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Em 1866, o Brasil estava em guerra com o Paraguai e no dia 5 de janeiro de 1869, as tropas brasileiras, sob o comando de Caxias, entraram em Assunção, conjurando o estado de guerra entre os dois países.

Extraído do Correio de Marília de 25 de agosto de 1973

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O valor de nossas indústrias (24 de agosto de 1973)



Tem gente que ainda não sabe.

Indústria mariliense ostenta lugar de grande destaque, no próprio parque industrial do Estado.

Produtos industrializados aqui, além de cobrir praticamente todo o Brasil, já entenderam raízes através de outras nações sui americanas e até além-mar.

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Em Quebec, no Canadá, o mariliense Aniz Badra viu o óleo comestível de algodão, marca “Zillo”.

Em Missiones, na Argentina, eu vi macarrão fabricado pelo Pastifício Marília.

Agricultores do Paraguai, da Bolivia e da Venezuela, utilizam implementos fabricados pelas Indústrias Sassazaki.

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Verissimo, Zillo e Novaes exportam para a Europa e Japão, tortas de algodão, produzidas em Marília.

Na Venezuela, na Bolívia, no Paraguai e na Argentina, tem gente saboreando balas e doces marilienses, fabricados pela Ailiram.

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Dos recentes intercâmbios estudantis, entre marilienses e norte-americanos, tem gente lá nos “States”, utilizando sandálias de couro com solado pneumático, fabricadas em Marília.

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Ailiram está mandando balas “Banda” para a outra banda do continente, ou melhor, para a China.

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Embalagens de papelão, fabricadas pela Papelamar, estão acondicionando palmitos e óleos lubrificantes, fabricados no Brasil e exportáveis para os Estados Unidos, Inglaterra e Europa.

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Pintainhos, produzidos por incubadoras marilienses, estão sendo remetidos para a Bolívia e Uruguai e transportados por peruas Kombi de nossa cidade.

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Gente dos Estados Unidos, da Itália e de Portugal, costuma receber como presente, de marilienses locais, garrafas contendo pinga fabricada pelos Doretto.

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Em Pedro Juan Caballero, um viajante da Ailiram já viu um vendedor ambulante, em plena praça pública, apregoando “limones de Marília”.

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Carrocerias de ônibus, fabricadas pelas indústrias Saes e Modelo, percorrem linhas coletivas normais de auto ônibus de diversos países sul americanos.

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Até há pouco, pessoa aqui radicada, remetia para parentes na Itália, café “Vencedor” e couro adquirido no Sampieri, dentro de um acordo que estabelecia tais remessas como presentes.

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Em todas as capitais e cidades grandes de todos os Estados do Brasil, consomem-se produtos Ailiram e marcarrão Rainieri e Marilan. Eu mesmo vi isso em Maceió, Manaus, Recife, Salvador, etc.

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Caixas de papelão da Papelamar, especialmente fabricadas, acondionam conteúdo de 36 latas de um quilo de peso, fazendo levar o produto exportado, para a Inglaterra e Suíça.

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Bolsas feitas à mão, pelo Artesanato Bi Ba Bô de Marília, vão ser enviadas por terceiros, como presentes pessoais, à estudantes dos Estados Unidos.

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Isso ainda é o começo.

Logo, a seda.

E a seguir, muito mais, assim que for criado em Marília o seu Distrito Industrial.

Extraído do Correio de Marília de 24 de agosto de 1973

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Faltam técnicos nacionais (23 de agosto de 1973)



Ficaram “mordidos” nossos irmãos argentinos, quando de recente pronunciamento do presidente Nixon, ocasião em que o norte-americano declarou que o Brasil será, em breve, o país líder da América do Sul.

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Nixon disse uma verdade, mas deveria tê-la completado:

Se, em 1930, Getúlio Vargas, nosso presidente daquela época, tivesse sido um Médice atual, o Brasil não só estaria liderando a América do Sul, mas também a América Latina toda.

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Está sendo verdadeiramente assombroso o surto de nosso progresso. O dinamismo irrefreável que se verifica em todos os setores da economia nacional está surpreendendo o mundo todo, como surpreendeu o Japão após as explosões das bombas atômicas sobre Nagasaki e Hiroshima.

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Técnicos e sociólogos nacionais, presentemente não conseguem encontrar uma explicação para justificar o extraordinário surto de progresso que vem ultrapassando todas as previsões e expectativas.

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O presidente Médici, não oculta sua preocupação com o vertiginoso dinamismo nacional, cuja expansão está gerando problemas sociais e econômicos jamais imaginados.

A produção nacional, em todos os sentidos e setores, mesmo com sua elasticidade palpável e aumentos gradativos e produtividade, está sendo de certa forma insuficiente para o consumo interno e prenunciando dificuldades porvindouras.

Um fenômeno que representa o próprio encargo do progresso e que está a preocupar o próprio Governo na adoção de providencias e medidas previsionais, para suprir as necessidades nacionais, daqui a alguns anos futuros.

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Um dos problemas sérios que se abatem sobre esse atual ritmo de desenvolvimento, só agora melhor sentido, é a carência de técnicos, profissionais e cientistas.

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A descentralização dos profissionais-técnicos atualmente existentes, está sendo reclamada com insistência e urgência. Mas mesmo sendo viável essa descentralização e consequente interiorização, o número de faltas e escassez, é por demais gigantesco.

O Brasil apresenta centenas de cidades sem um médico.

Faltam-nos vários milhares de engenheiros agrônomos.

Não dispomos de engenheiros-eletricistas, em número suficiente para as necessidades de nossas usinas hidrelétricas.

Ressente-se o país de mais de 5.000 médicos-veterinários.

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O próprio Governo está em vias de praticalizar um patriótico e custoso plano educacional, que visa antes de tudo a formação de técnicos nacional com o colimado claro de evitar-se a importação de profissionais estrangeiros.

Quarenta mil bolsas de estudos, para a formação de agrônomos, veterinários, engenheiros eletricistas, engenheiros de minas, engenheiros petrolíferos, etc., serão custeadas pelo Poder Central. Os alunos terão os cursos gratuitos, uniformes e alimentação igualmente custeados pelo Governo, mas terão a obrigatoriedade de firmar documento escrito, sob o qual contribuirão com a própria economia nacional.

Essa obrigação consiste em que os alunos nessas condições executem estágios em determinadas fases dos cursos, junto à indústrias particulares e departamentos oficiais do Governo, para onde serão encaminhados e fixados, após o término dos ensinamentos técnicos e científicos.

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Uma medida governamental que é bem a prova de uma preocupação nacional, bem interpretada pelo atual Chefe do Governo, com vistas ao futuro próximo.

Sente-se a preocupação da formação de técnicos para a própria economia nacional, em número suficiente para impedir a importação de técnicos e especialistas estrangeiros, como até aqui tem acontecido.

Extraído do Correio de Marília de 23 de agosto de 1973

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Um pensamento agourento (22 de agosto de 1973)



Um cidadão natural do Estado de Sergipe, criado e vivido na Guanabara, domiciliado hoje em Brasília, esteve em Marília pela primeira vez.

Como ex-pracinha, esteve em minha casa.

Orgulhoso de Marília, fui mostrar-lhe minha cidade.

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Rodei rapidamente com o mesmo, percorrendo diversos pontos marilienses e explicando ao visitante ex-combatente, tudo o que possível foi na oportunidade.

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Esse amigo confessou ter gostado imensamente de Marília.

Nessa rápida peregrinação, por coincidência ou azar dele ou meu, paramos quatro vezes consecutivas exatamente nos momentos em que as famigeradas cancelas da Fepasa estavam fechadas para o público.

Para mim, a espera enfadonha, mas já conhecida, tida como inevitável e irremediável.

Para o forasteiro, motivo de admiração. Mais do que isso: estranhou o pracinha que uma cidade como Marília, de dinamismo impar e encantador, pudesse ainda apresentar um trambolho a entravar seu progresso.

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Ele tinha razão.

Contei-lhe a odisseia do “caso das porteiras” e o boicote que a Câmara Municipal operou no passado, ao antigo prefeito Barretto Prado e ao atual Governador Laudo Natel.

Não se conteve o visitante:

- Mas em Marília existe ainda politicalha dessa espécie?

Afiancei-lhe que se não existe, já existiu e uma das provas era aquela que o mesmo presenciava.

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Esse simples pormenor, que me foi revivido ocasionalmente pelo visitante referido, chegou a causar-me um arrepio de medo.

Ensejou-me o lembrar um aspecto importantíssimo da própria vida mariliense, bem atual. Que representa um passo gigantesco em nosso progresso, uma razão emancipadora sem precedentes, uma deferência impar. Também empenhos de gentes onde figuram marilienses da gema e bem intencionados, onde está o dedo do atual prefeito e onde está o interesse e a assinatura do Governador Laudo Natel.

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Expulsei de imediato esse pensamento agourento.

Mas a preocupação ficou, pairando no ar, perturbando até meu subconsciente.

Lembrei-me do caso das porteiras e fiquei temeroso.

Com medo de uma repetição de fatos, que seria de todo abominável.

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Pensei:

Está tudo devidamente cronometrado, para que tenhamos em breve a maior fiação de seda da América Latina.

Essa instalação apresentará como condição “sine qua non” a doação de áreas municipais ao grupo nipônico que vai montar a almejada empresa.

Todo mundo sabe disso.

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Meu receio fixou-se num ponto:

A Câmara Municipal. Sem a aquiescência da mesma, o prefeito não poderá fazer a doação da área. Sem a doação da área, não teremos fiação. Não tendo fiação, os efeitos e prejuízos morais, serão imediveis para Marília, para seu porvir, para sua gente.

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Depois, procurei eu próprio auto-consolar-me.

A Câmara jamais poderia bisar a atitude feita com relação ao caso das porteiras.

Seria um crime de lesa-Marília.

Seria uma infâmia.

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Consegui divorciar-me em definitivo desse mau pensamento.

Afinal, a Câmara é a própria Marília e como tal jamais iria trabalhar contra Marília, cercear o progresso mariliense.

Com esse pensamento, consegui olvidar o assunto e sossegar a cuca.

Extraído do Correio de Marília de 22 de agosto de 1973

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Um oportuno projeto de lei (21 de agosto de 1973)



Apesar de não ter eu contactado com o documento original vou consignar aqui uma nota dez ao vereador Abdo Haddad Filho.

Refiro-me a um projeto de lei de sua lavra, que visa a coibir demolições de prédios em perímetro central, sem que os proprietários não tenham apresentado e a Engenharia Municipal tenha previamente aprovado as plantas para a construção de novos edifícios no local das objetivas demolições.

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O referido projeto de lei capeia um interesse dos mais zelosos, pela feitura arquitetônica da cidade.

Além disso, virá impedir o aumento de áreas desertas, previamente arquitetadas, com o escopo indisfarçável de aguardo de valorização comercial, como existem casos já fáceis de registrar.

Por outro lado, cerceará a proliferação de estacionamentos, que figuram como os analgésicos: fazem bem de um lado, ocasionando prejuízos de outro, entravando o progresso urbanístico central.

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O projeto pelo que me foi dado saber, discrimina um espaço-tempo, para início de construção nova no local do prédio demolido, estabelecimento muitas pesadas pela inobservância ou descumprimento da lei.

Representa uma elaboração muito válida, para forçar um período de erguimento de novas e modernas edificações no centro da cidade.

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Convém incluir, onde couber, um artigo especifico, que proíba, terminantemente, em trecho central a ser discriminado, toda e qualquer reforma de fachada, nos prédios existentes, de um pavimento ou apenas do pavimento térreo.

Essa medida virá constituir-se num dique aos abusos até aqui verificados, onde alguns proprietários de imóveis centrais têm feito “reformas” esdrúxulas, constituídas de modificações de fachadas nunca em termos de colaboração ao progresso urbanístico mariliense, mas somente em obediência de interesses próprios e conveniências comerciais.

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O projeto, vejo-o como encarnado um interesse bem mariliense, uma contribuição do próprio poder político à cidade, como uma alavanca que forçará para um porvir próximo, um surto de progresso arquitetônico, de há muito exigido em Marília.

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Eu posso falar sobre isso porque representa uma trincheira na qual sempre batalhei.

No passado, sugeri à Câmara Municipal feitura de projeto de lei que impedisse a construção de novos prédios de menos de quatro andares na Avenida.

Também no passado, “gritei” quando da construção do prédio do Banco Brasileiro de Descontos, que permiti-me declarar como um descaso à cidade e ao seu progresso.

“Berrei” quando da construção do atual edifício do Banco América do Sul.

“Briguei” na ocasião em que o falecido Sr. Manna construiu seus edifícios na Avenida, quase criando um “caso” contra mim próprio, quando os determinei como um “barracão”, em sentido comparativo ao ponto de local.

Não vingaram meus clamores, mas o tempo que é inexorável e místico, veio provar que eu tinha razões.


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O projeto em tela é oportuno. Deve merecer o apoio e a aprovação da Câmara e a sansão do Sr. Prefeito.

Falei.

Extraído do Correio de Marília de 21 de agosto de 1973

sábado, 18 de agosto de 2012

Culpa eu não tenho... (18 de agosto de 1973)



“Enquanto Adão estava sozinho, tinha a vida calma e o orçamento equilibrado. Não precisava de comprar maçãs, nem frutas outras, mais ou menos indigestas e de caroço grande.

Passeava pelas áreas do paraíso, cantando com os pássaros e disputando recordes de velocidade com as lebres e com as raposas. Dormia tranquilo e acordava para fazer a sua merenda habitual, quando o sol ia alto.

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Foi só vir a mulher e começaram as intrigas. Eva entrou a dar com a língua e a meter-se com a vida das serpentes. Andava sempre às voltas com o que fazia o leão e com o que deixava de fazer a zebra.

Como ainda não existia a violão e o samba, divertia-se arrancando o rabinho das lagartixas e atirando pedras à corcova dos camelos. Afinal, arranjou um escândalo por causa de uma questão de frutas e Adão perdeu seu emprego vitalício por ter desgostado o Criador.

A primeira casa de família que existiu na terra acabou, como se vê, muito mal.

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Deixando o paraíso com sua trouxa de roupas, digo, de folhas, debaixo do braço, Adão tinha uma só preocupação: “que dirá disso a vizinhança?”. Enquanto isso, Eva não tinha preocupação nenhuma. Limitava-se a perguntar, de tempos em tempos: “Adão, a maçã já acabou?”.

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Os livros sagrados dizem que a mulher foi feita durante o sono de Adão.

Desde aí, os homens ficaram com medo de dormir.

Cronologicamente, a mulher foi o primeiro pesadelo que o homem teve, na terra.

E nunca mais deixou de ter pesadelos.

Adão não era escritor. Consta, entretanto, que deixou gravados, no tronco de uma árvore paradisíaca, pensamentos profundos sôbre “a delícia de não ter sogra”.

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Construída a primeira choupana que houve no mundo, Adão saia tôdas as manhãs, muito cedo, para o seu trabalho, deixando Eva sozinha em casa.

Eva, depois de procurar inutilmente o telefone, que não existia, acaba bocejando tão alto, que despertava tôdas as baratas na cozinha.

Então, Eva ia para a janela e começava a falar alto, consigo mesmo.

A primeira mulher foi, também, a primeira vitrola de que se tem notícia...”.

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Culpa eu não tenho.

Quem disse tudo o que ai está transcrito (e muitas coisas mais), foi o jornalista-escritor Berilo Neves, em seu livro “Língua de Trapo”, publicação da Civilização Brasileira, edição de 1934.

Extraído do Correio de Marília de 18 de agosto de 1973

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Futebol é assunto (17 de agosto de 1973)



A delegacia de polícia de Lima, capital do Peru, recebeu de uma senhora, estranha denúncia. A queixosa, Maria de tal, alegou que seu marido a espanca barbaramente, todas as vezes o escrete peruano de futebol sobre uma derrota. A última surra que dona Maria levou foi quando o Peru perdeu para o Chile.

Essa mulher ainda não póde queixar-se muito. Imaginem se o marido dela fosse um torcedor corinthiano...

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Mas o Corinthians não está sozinho dentro desse ritmo de insucessos. O São Paulo vai mal das pernas, perdendo para gregos e baianos. E continuará assim, enquanto durar uma politicalha “into”, que tem o dedinho de um tal de Pedro Rocha.

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Se os últimos serão os primeiros, no futebol paulista, presentemente, os pequenos estão sendo os grandes. Juventus, um exemplo, Guarani idem, Portuguesa idem.

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Toninho, Sérgio, Pedro Rocha, um triunvirato que está obrando muito mal, dentro do plantél de adoração do próprio Governador.

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Ademir da Guia joga bem no Palmeiras e joga mal no selecionado brasileiro. Será falta de patriotismo?

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Rivelino joga bem na seleção e joga mal no Corinthians. Será que ele não é conrinthiano?

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Uma coisa que muita gente não entende:

A turma do Sindicato dos Saqueiros duro dia todo, carregando sacos e mercadorias na cabeça, nem toda gente se alimenta bem, bebe cachaça e tem um extraordinário preparo físico.

Muitos jogadores de futebol, com regras, regimes, dietética, cuidados médicos, etc. e tal, não aguentam o “tranco” de noventa minutos dentro do gramado.

Bah.

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No passado, o São Bento tinha um técnico chamado Baleia.

Vésperas de um jogo duro, o técnico chamou os jogadores, na presença do então presidente Ardito e anunciou:

- Tenho uma fórmula positiva para o São Bento ganhar o jogo.

O suspense parou no ar e todo mundo ficou olhando para o Baleia. E o preparador anunciou a “fórmula”:

- Quando começar o jogo, vai todo mundo para a frente, marca um gol e depois recua todo mundo... assim ganharemos por 1 x 0.

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A tática moderna de futebol atual, deslustrou a beleza do futebol de raça do passado. No antanho, com a formação diferente as pelejas tinham mais objetividade e mais sensação.

Quem não lembra da sistemática de “apôio pela direita”, com o time de dois zagueiros, três médios e cinco atacantes?

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Naquele tempo, o ataque era a melhor defesa. Hoje inverteram-se os fatos e a defesa é o melhor ataque.

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Tudo isso vem a propósito:

Domingo o MAC/73 vai enfrentar o Bangú A.C. da Guanabara.

Uma boa pedida para o mariliense comparecer ao estádio.

Uma boa oportunidade para que os “bocas negra” se moderem porque senhoras e senhoritas irão assistir o referido encontro, prestigiando o futebol mariliense.

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Tem mais:

Vai acontecer um espetáculo a parte, com a Banda Marcial do Cristo Rei apresentando-se publicamente em sua nova fase e com novos uniformes.

Extraído do Correio de Marília de 17 de agosto de 1973

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O estômago dos candidatos (16 de agosto de 1973)



Sei, por contacto e experiência própria.

Como sabe todo aquele que milita em jornal interiorano.

Em épocas precedentes de pleitos eleitorais, a redação recebe um “chuvarada” de panfletos e originais redigidos, expedidos sencerimoniosamente por candidatos às reeleições.

Uma papelada abundante, em que ilustres desconhecidos, se apresentam como “salvadores da Pátria”, dando conta de uma série de “prestação de serviços”.

O escopo é um só: levar na conversa os hebdomadários da hirterlândia, para que estes promovam seus nomes, apresentando-os nas colunas dos jornais a fim de ludibriar o povo, para que este, paquidermicamente, vá carrear-lhes preciosos sufrágios.

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Nomes desconhecidos e alguns até antipáticos.

Gente mais desconhecidos do que peru em mesa de pobre, auto-intitulando-se “defensores” do interior e autores de leis e providências que eu nunca havido ouvido falar.

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Vão cantar noutra freguesia esses “salvadores da Pátria”.

Marília e seu eleitorado, devem apresentar-se suficientemente adultos, para saber que votar em nomes de fora, além de grande e prejudicial besteira, é desperdiçar o voto. Os forasteiros e candidatos alienígenas, só tem interesse eleçoreiros, pegam os votinhos de nossa gente e nunca mais lembram de que Marília existe no Mapa do Estado de São Paulo.

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Outro dia, um deputado lá na região de Araçatuba, dirigiu-se à Telesp, pedindo 2.000 novos telefones para Marília.

Agora, outro deputado, de uma cidade vizinha, “plagiou” o araçatubense e solicitou à mesma Teles, 3.000 “macacos” para nossa cidade.

Um outro, para “não ficar por baixo” solicitou na Assembléia, providencias para a implantação total da 11ª Região Administrativa.

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De minha parte, bola não dou.

Meu voto é sagrado e sempre foi mariliense.

A bandeira de candidato de Marília, quem a içou pela primeira vez, tive a honra de ser eu próprio.

Porisso, é que escrevo. E falo.

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O eleitorado mariliense, que fique de sobreaviso. E de olho nos marilienses que cabalam votos para gente de fora.

Vamos votar em gente nossa e não incorrer em erros do passado.

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Se Marília continuar órfã na Assembléia Estadual, garanto que a culpa minha não vai ser. Mas tenho a convicção, de que não vai ser toda a gente que vai poder pensar ou dizer o mesmo.

Chega de dar votos para falsos profetas, forasteiros e alienígenas, candidatos profissionais, que só têm interêsses de estômago.

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Todos os marilienses sabem disso e se erram é porque assim desejam. O erro consciente é o mesmo do que o crime premeditado.

Vamos colocar Marília acima do engôdo desses caçadores de votos.

Eles que lotem seus estômagos em suas cidades, isso sim.

Extraído do Correio de Marília de 16 de agosto de 1973

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

NOTICIAZINHAS (15 de agosto de 1973)



Permitam-me os leitores, agradecer ao vereador Hideharu Okagawa, a feitura espontânea de seu requerimento nº 7610, em cujo bojo constou voto de louvor à minha modesta pessoa, face ao artigo por mim escrito no último dia 7 (de agosto de 1973).

A iniciativa, ao enves de construir-se em motivo envaidecedor, traduziu-se num estímulo maior, aumentando-me a responsabilidade, de mais e mais amar esta cidade.

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Aqui, um alô, ao órgão especializado da municipalidade: na Av. Castro Alves, defronte ao prédio do Matarazzo, uma “cratera” existe no asfalto, que vem aumentando gradativamente e tornando-se transtorno para o trânsito.

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Mas em buraco falando, alguns deles estão marcando presença em determinado trecho, bem no centro do leito da Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes.

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O cirurgião francês Daniel Guilher, realizou com absoluto êxito, o transplante de coração, de um jovem de 24 anos, numa menina de 13 primaveras. Os resultados dessa cirurgia só poderão ser determinados em definitivo, daqui a três meses.

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Faleceu em Araçatuba, um dos mais populares araçatubenses, o Sr. Elpidio Benedetti, popularmente conhecido como “Mexe-Mexe”.

Mexe-Mexe sempre foi um folião carnavalesco inveterado, juiz de futebol e proprietário de dois restaurantes, cidadão que pessoalmente conheci no passado.

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Esta é de Moscou:

O Teatro Bolshoi está procurando cavalos, que não entendam de música e que nunca tenham trabalhado para a Polícia, para apresenta-los em suas operas.

Na mesma notícia, a direção do teatro informa que se desinteressou em utilizar cavalos que tenham (...) todas as vezes que as orquestras começam a tocar. Por outro lado, não pretende cavalos que tenham trabalhado para a polícia, porque estes animais são muito tímidos no palco.

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A Sunab vai adquirir dos Estados Unidos, que venceram concorrência internacional, 300 mil toneladas de trigo. A aquisição destina-se a suprir a propalada falta do Produto, garantido o fornecimento interno do consumo de pão brasileiro.

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Não é só trigo. Vamos importar também, do Irã, um bilhão e 200 milhões de cruzeiros de petróleo, como resultado de negociações levadas a efeito em Teerã, entre brasileiros e iranianos.

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Tomou posse no governo paranaense, o Sr. Emilio Gomes, eleito pela Assembléia Legislativa, face ao falecimento do governador Parigô de Sousa.

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Estão muito bem conservadas as rodovias municipais que não são pavimentadas. Quem afirma isso são os habitantes das zonas rurais.

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Resultado positivo do Marília Atlético Clube, domingo último, frente a A. A. Caldense, serviu como uma injeção de estímulo e de alegria, para a grande torcida maqueana.

Extraído do Correio de Marília de 15 de agosto de 1973

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Um crescimento irrefreável (14 de agosto de 1973)



É uma comparação grosseira:

O desenvolvimento de uma cidade (a nossa, por exemplo), assemelha-se ao crescimento de uma criança.

Mesmo com o contato cotidiano, os pais quase nunca percebem os filhos “esticando” rapidamente. Vez por outra, são alertados por uma pessoa amiga, que há tempos não viam, quando esta, observando um meninão, não contem a admiração: “como cresceu essa criança!”

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Assim é Marília.

A gente lutando com a vida, presa aos compromissos da própria subsistência, vai vendo tudo como um lugar comum. Vai surgindo um prédio aqui, outro ali, um melhoramento acolá. Mas como o próprio filho, a gente vai observando todo o seu desenvolvimento progressivo, sem analisar um maior interesse.

Então é preciso que uma pessoa de fora, nos alerte: “puxa, como Marília está crescendo!”

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Tenho um parente que reside fora, numa cidade quiçá maior do que Marília. Pelo menos, em termos de arranha-céus centrais, supera a nossa.

Pois bem. Quando essa pessoa vem a Marília, o que ocorre esporadicamente, passa horas seguidas girando com seu automóvel pela Avenida Sampaio Vidal, sem cansar-se de admirar lhe a beleza que nós não notamos, porque nos habituamos a achar simplesmente comum.

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Dizia-me ontem, um antigo comerciante mariliense, que, acorrentado aos seus deveres normais, havia feito da vida, uma rotina normal, chegando a esquecer que Marília estava crescendo. E confessou-me sua admiração, ao dar um “giro” pelo alto da Vila São Miguel, surpreendendo-se com seu progresso lá na saída para Pompéia.

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Na faixa de novas construções, Marília está apresentando um crescimento vertiginoso. Quem se der ao trabalho de dar um passeiozinho lá pelas imediações do bairro Maria Isabel, adjacências da Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes, vai admirar-se do número de belíssimas residências daquele local.

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Isso, é apenas um exemplo.

Domingo último  (12/8/1960) fui fazer um reconhecimento lá pela baixada do Tênis, no Bairro Salgado Filho. Algumas dezenas de novas construções surgiram nesses últimos tempos e talvez mais de uma dúzia de outras residências estão sendo edificadas.

São casas de fino gosto, de arquitetura arrojada e moderna, que estão transformando uma parte de terra estéreis, num autentico bairro Morumbi paulista.

Uma beleza mesmo.

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Quem transita pelo asfalto da Rio Branco, provindo ou rumando via Av. Saudade, não tem oportunidade de apreciar esse mencionado número de novas construções, ali e nos fundos do Tênis. Adentrando o local e circulando por ali, é que dá para aquilatar e apreciar o que aqui se descreve.

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Naquele local, vai surgir um edifício de 12 andares mais ou menos, de apartamentos residenciais. Um prédio arrojado e moderno, com “play ground”, piscinas e tudo o mais.

E dotado de uma vista panorâmica belíssima.

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Está sendo irrefreável, o surto de construções em Marília.

Tanto isso é verdade, que a cidade se depara com falta e escassez de diversos tipos de material para construção. Mais ainda, já está ressentindo-se a falta de mão de obra especializada, pois Marília está ressentindo-se de carência até de pedreiros e serventes.

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Os marilienses que estão fora, quando aqui retornarem vão ficar muito admirados.

A “criança” está crescendo muito!

Extraído do Correio de Marília de 14 de agosto de 1973

sábado, 11 de agosto de 2012

Dia do Papai (11 de agosto de 1973)



Bem, a verdade é que todo dia é dia do papai, mas convencionou-se discriminar um do ano, para render-se uma homenagem ao “velho”.

Esse dia, que é móvel, recai sempre no segundo domingo do mês de agosto. Portanto, amanhã. E como esta secção fica “fóra do ar” aos domingos, fica consignada aqui, a homenagem aos pais todos. Ao pai rico, ao pai pobre, ao pai gordo, ao pai magro, ao pai baixo, ao pai alto, ao pai cabeludo, ao pai careca, ao pai preto, ao pai branco, ao pai analfabeto, ao pai letrado, ao pai são e ao pai doente.

E também, à memória do pai que já partiu, desta para a melhor (ou pior).

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Um homem simpático, apesar de feio de rosto, conheci na Itália. Um militar inteligente e digno do uniforme que vestia.

Um homem que tinha a simplicidade de uma criança e a versatilidade de um gênio, com a cabeça no lugar adequado. Que sabia solidarizar-se com os pequenos e humildes. Esses pequenos e humildes eram soldados. Dentre todos os soldados, de Exércitos de várias nações, incluíam-se os “pracinhas” brasileiros que combatiam na II Grande Guerra Mundial.

Esse homem era o General Douglas Mac Arthur.

Ele escreveu a “Prece de um soldado por seu filho”, em pleno campo de batalha.

Uma profissão de fé, que radiografa o mais puro sentimento de um pai, com relação aos filhos.

Minha homenagem aos pais, pela sua data que amanhã transcorrerá, é a transcrição dessa prece. Ela retrata a verdadeira alma e o verdadeiro sentimento de um pai.

Ei-la:

“Faze, Senhor, de meu filho um homem tão forte, que saiba quanto é fraco. E bastante bravo, para enfrentar-se à si mesmo, quando tiver medo.

Um homem altivo e inflexível, quando derrotado numa luta honesta e humilde e manso, quando vitorioso.

Faze de meu filho, Senhor, um homem cujos desejos não tomem o lugar dos átos. Um filho que Te conheça – e saiba conhecer-se à si mesmo e à pedra fundamental de toda a sabedoria.

Conduze-o, rogo-Te, não por caminhos fáceis e cômodos, mas sob a pressão e o incentivo das dificuldades e das lutas.

Ensina-o a manter-se firme durante as tempestades. Ensina-o a ter compaixão dos que falham.

Faze de meu filho, Senhor, um homem de coração limpo e ideais elevados. Um filho que queira dominar à si mesmo, antes de querer dominar os outros homens. Que anteveja o futuro, porém sem jamais esquecer o passado.

E depois que ele for o senhor de tudo isto, da-lhe, rogo-Te, Senhor, bastante senso de humor, para que possa sempre ser sério, sem contudo encarar a si mesmo com excessiva seriedade.

Da-lhe a humildade, a simplicidade da verdadeira grandeza, o espírito compreensivo da verdadeira sabedoria e a verdade da verdadeira força.

Então, eu, seu pai, ousarei murmurar:

- Não vivi em vão!”

Extraído do Correio de Marília de 11 de agosto de 1973

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Marília precisa de um cortume (10 de agosto de 1973)



A verdade é que a nossa cidade, em termos de parque industrial, pode ser considerada como excelentemente bem servida. Isso, se atentarmos para a cifra de empresas manufatureiras existentes entre nós, entre pequenas, médias e grandes indústrias.

O advento daquilo que poderemos chamar da “era da seda” com um prenuncio da próxima instalação da maior fiação da América Latina, vem constituir-se num reforço extraordinário desse celeiro de indústrias marilienses.

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Não significa a realização total da cidade, neste aspecto, comparativo ou apreciativo. Em contrário, a urbe oferece ensejos e meios, de um chamamento efetivo, para a instalação de novos centros industriais em Marília.

O ritmo ascesorial que se verifica em Marília, em prismas multiformes, traduz a certeza de uma garantia sólida sob todos os pontos de vista, não só das atuais, como das porvindouras indústrias marilienses.

Os pontos básicos e chaves, indispensáveis ao sediamento de um núcleo industrial, Marília possui: excelente ligação ferro-rodoviária, suprimento normal de energia elétrica, abundância de água e agora as facilidades comunicativas via telefônica, com o sistema DDD.

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Marília, todavia, ressente-se da necessidade de um tipo de indústria, que por sinal não existe em toda a região da Alta Paulista. Faz falta entre nós a instalação de um cortume moderno e de amplitude operacional. Ramo, economicamente falado, é suficientemente compensador.

A matéria prima, para alimentar o funcionamento de um cortume, existe de maneira sobeja, não só na cidade, como também em centros próximos à Marília. Cite-se, por exemplo, o volume de couros verdes do próprio Matadouro Municipal. Uma firma local, adquire-os, procedendo tão somente o salgamento prioritário, transportando o produto bruto em maior escala, para a praça do Rio de Janeiro.

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A vizinha cidade de Garça, possui um dos mais bem montados e ativos frigoríficos da interlândia e por certo, a própria “Barol” ficaria mais interessada em colocar a referida matéria prima aqui em Marília, do que enviá-la para longas distancias.

Sem contar-se, com o frigorifico tupãense, a “Sogain”, que, certamente preferiria comerciar com Marília, se nossa cidade dispusesse de um grande e moderno cortume.

Nesse ról de hipóteses, incluiríamos compulsoriamente, os demais centros da região e de regiões adjacentes.

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Ai está uma excelente oportunidade, para que um grupo de capitalistas marilienses, se disponha a organizar uma sociedade anônima, montando um cortume em Marília.

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Há a ponderar, o sentido iminentemente comercial, o suprimento de uma lacuna existente no parque manufatureiro mariliense e a representação positiva do patrimônio propriamente dito. Por outro lado, o amealhamento de arrecadação, a demanda de emprego para centenas de famílias, a elevação do coeficiente industrial mariliense e o aumento da arrecadação geral.

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Marília precisa, em seu parque industrial, urgentemente, da instalação de um cortume.

Bom seria que forças locais se unissem, formando esse sugerido grupo industrial, ao envés de aguardar que industriais de visão, de outras plagas, tome essa iniciativa e essa dianteira.

E claro, que no caso aventado, serão excelentemente recebidos, elementos de fora que assim pretendam agir. Todavia, no terreno sadio do bairrismo, seria preferível, que um cortume mariliense, tivesse instalação, direção e capital de gente nossa.

Temos gente capaz e suficientemente competente para tal.

Vale a pena tentar?

Extraído do Correio de Marília de 10 de agosto de 1973

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Uvas que estão azedas... (9 de agosto de 1973)



Conversava eu outro dia, em Brasília, com um sargento da aeronáutica radicado em Minas Gerais, mas carioca de nascimento.

No decurso da conversa normal e espontânea, veio à baila o regionalismo nacional e o militar não se pejara em afirmar-me, que em São Paulo os paulistas não gostam de cariocas.

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Lembrei-lhe que era o inverso: no Rio, geralmente, os cariocas não apreciavam muito os paulistas e que o fenômeno, sem razão de ser, datava desde o ano de 1932.

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A palestra desse jaez havia surgido na ocasião, face ao fato de que, representações esportivas de 25 Estados que se encontravam em Brasília, haviam vaiado estrondosamente os paulistas, quando estes exibiram um número de folclore, no Ginásio “Presidente Médici”.

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Disse ao sargento carioca, que eu havia residido ocasionalmente no Rio de Janeiro, por cerca de meio ano e que havia tido a oportunidade de sentir um certo escárnio e indiferença pela gente de São Paulo. Não dera a menor importância ao fato, mas percebera isso muito bem.

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E fui mais além:

Citei a circunstancia de que, lá mesmo em Brasília, onde se realizavam os V Jogos Estudantis Brasileiros, a maioria dos demais estados, “torciam” contra São Paulo, em todas as competições em que os paulistas intervinham.

Quando se notavam um outro Estado, “torcendo” por São Paulo, uma coisa era certa e matemática: a representação que “torcia” a favor dos paulistas, tinha interesses nas derrotas dos adversários de São Paulo.

Ninguém contestou.

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Fui além ainda.

Expliquei ao militar, que de minha parte achava isso muito natural, porque em verdade, traduzia-se numa espécie de ciúmes contra São Paulo, sem favor algum, o Estado líder da Federação, em todos os pontos.

Exemplifiquei o caso da raposa que não podendo alcançar os cachos de uva na beira da estrada, justificou o insucesso alegando que as uvas estavam azedas.

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Lembrei que a Comissão Organizadora dos Jogos, não conseguiu adquirir, em todas as lojas de Brasília, o número, suficiente de lençóis e cobertores para os atletas, tendo sido necessário a ida de gente à São Paulo, para comprar os aludidos utensílios.

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Falei que a antipatia e a inveja por São Paulo, tinha razão de ser, pelo inimitável poder econômico do Estado bandeirante, cuja força produtora sustenta em geral os demais Estados do País.

Lembrei o fato de que, no norte e nordeste, por exemplo, até a salsa e a cebolinha, para o simples tempero de uma carne, provem de São Paulo.

E dei o “xeque-mate”.

- Sargento, veja porque dessa antipatia contra São Paulo: os sapatos, as calças, as camisas, as roupas, os remédios, quase tudo que nos demais pontos se adquirem obrigatoriamente, são de São Paulo. Essa é a razão da turma toda ficar “mordida”. Turma que não entende que tudo é Brasil. Que todos são brasileiros. Que a Pátria é uma só, como bem disse Ruy Barbosa. Da mesma maneira que São Paulo admira as belezas das praias de Copacabana, de Tambaú na Paraíba, de Sete Coqueiros em Maceió, da Boa Viagem em Recife, como os costumes e tradições nordestinas, a historia dos candangos, os quitutes da Bahia, os demais Estados deveriam, não só admirar, mas orgulhar-se do poderio econômico de São Paulo, do trabalho de sua gente cosmopolita, da demanda da mão de obra, do poderio das iniciativas governamentais e particulares.

Extraído do Correio de Marília de 9 de agosto de 1973