segunda-feira, 29 de março de 2010

Caixa Econômica Estadual (29 de março de 1958)

Temos abordado nésta coluna, em simples e despretenciosos trabalhos jornalísticos, fatos relacionados à atual administração estadual.

E não temos poupado encômios ao Govêrno do Sr. Jânio Quadros, por reconhecer no atual Chefe do Executivo bandeirante, uma visão administrativa sem precedentes na história de São Paulo.

Sentimo-nos perfeitamente “à cavaleiro” para comentar o assunto, por não pertencer a nenhuma facção partidária e por não possuirmos aquilo que poderia ser chamado de “vêia política”. Sempre que nos ocupamos dêsse pormenor, focalizamos o homem do govêrno em sí e jamais a pessoa.

Um dos fatos que mais nos impressionaram na atual administração do sr. Jânio Quadros, foi o espírito perfeitamente lúcido no setor econômico do Estado. Os reflexos principais déssa linha de conduta administrativa, surgiram à tona nos últimos anos, através do comando firme e da orientação segura imprimida à Caixa Econômica Estadual.

A referida autarquia, apresentou em pouco tempo, u’a metamorfose sem precedentes em toda a sua existência. De um órgão que significava alguma coisa como um “pêso morto” dentro da máquina burocrática e econômica do Estado líder da Federação, avolumando, ano após ano, gigantescos “deficits”, a CEESP principiou a oferecer resultados satisfatoriamente concretos, ultrapassando mesmo as perspectivas mais otimistas possiveis.

Verdade é que a autarquia está sendo dirigida hoje por uma equipe de verdadeiros técnicos nêsse sentido, contando ainda com um grande exército de colaboradores. Ruy de Mello Junqueira, Oswaldo Martins Caldas, Joaquim Alvarez Leite (êste um verdadeiro cérebro da autarquia), e, muitos outros, realizaram um verdadeiro milagre: colocar a CEESP em seu devido lugar, impondo ainda mais a confiança que sempre mereceu do grande público e removendo totalmente o obsoletismo “tradicional” que vinha identificando no passado, a própria vida dessa notável autarquia.

A aplicação consciente e precisa de quantias disponíveis, dentro dos mais variados setôres, ao lado da simplificação de uma série de serviços de atendimento público, inverteram por completo a própria estrutura básica da autarquia. Hoje, a Caixa Econômica do Estado de São Paulo, cujos depósitos são garantidos pelo próprio govêrno estadual, impôs-se no conceito e crédito populares de maneira assombrosa.

A CEESP, por outro lado, está desenvolvendo u’a missão verdadeiramente patriótica traduzindo ações de cunho eminentemente municipalista, vindo ao encontro das comunas interioranas e colaborando diretamente para o progresso dos centros da “hinterlândia”. Centenas de cidades paulistas devem motivos de seu dinamismo, no que tange aos serviços de luz, água, esgôto e mesmo óbras públicas, a empréstimos a longo prazo, obtidos junto à Caixa Econômica Estadual.

No Brasil, desde seu descobrimento, um dos problemas crusciantes tem sido representado pela precariedade e deficiência de nossas estradas de rodagem. A CEESP, nêsse setôr, está prestando uma contribuição inestimável ao progresso interiorano, concedendo verbas fabulosas para a abertura de estradas e pavimentação de rodovias.

“Dinheiro do povo, em beneficio do povo”, o “slogan” corretissimo da mencionada autarquia.

A CEESP financia compras ou construções de casa própria, empresta dinheiro para aquisições de pequenas propriedades agrícolas e faz empréstimos sob consignações em folha, “desafogando” assim orçamentos de milhares de funcionários públicos estaduais, autárquicos, ferroviários e servidores municipais.

Nos govêrnos Adhemar de Barros e Lucas Nogueira Garcez e mesmo nos períodos interventoriais, a CEESP só apresentou “deficits”, mercê de falta de uma orientação segura e um plano condigno de aplicação de fundos. Na atual administração Jânio Quadros, a autarquia referida conseguiu encontrar seu verdadeiro caminho, dentro do setor econômico e verdadeiramente patriótico de suas reais e expressas finalidades.

Gerência e tino administrativo, além de uma colaboração sincera de seus funcionários, desde o mais humilde até o mais categorizado, são os fatores responsáveis déssa agradável transformação, operada ultimamente pela Caixa Econômica Estadual.

Hoje, a CESSP é um exemplo dignificante e uma certeza de garantias públicas do Estado de São Paulo.

Extraído do Correio de Marília de 29 de março de 1958

domingo, 28 de março de 2010

Eleições à vista (28 de março de 1958)

Logo estaremos comparecendo às urnas eleitorais, para depositar nossos votos naquêles nomes que melhor consultarem nossos interêsses.

Principia já a ferver o caldeirão da propaganda política. Mas ainda estamos no princípio dessa barulhada tôda. Estamos apenas percebendo, disfarçadamente, os primeiros balões de ensaio daquêles que atacarão em cheio dentro em breve.

O primeiro espoucar de “bombinhas” já foi ouvido. Logo, surgirão os “morteiros”. E algumas “dinamites” também.

Não faltaram em Marília, como jamais faltaram no passado, os “doutores promessas”, os pretensos “amigos de Marília” – “essa Marília bela e encantadora e êsse povo bom e trabalhador”.

Convém acautelar-nos, enquanto é tempo. É bom rememorar os fatos passados e atentar para os erros pretéritos.

Sabemos que muitos marilienses “se esborralharam” de trabalhar em pleitos idos, um pról de promessas de empregos (que quase nunca foram cumpridas). Os próprios candidatos alienígenas, ao travarem os primeiros contactos com os “cabos eleitorais” (deveriam chamar-se “camelos eleitorais”), ficam saturados de pedidos e atolados em promessas. Prometem tudo o que lhes é solicitado, “tomando nota”. Se eleitos, esquecem-se. E mesmo que não olvidem, jamais poderão cumprir o prometido, tamanha é a cifra das promessas empenhadas.

Sabemos de um político de fóra, conhecidíssimo em Marília, que prometera empregos públicos à cerca de cem pessoas na cidade. Imaginem os leitores, que nos conhecemos apenas êsse número, o que dá o direito de dedução de um sól ainda maior!

Da maneira que as coisas nêsse sentido estão sendo “ensaiadas”, poderemos antever um número de quinze candidatos, aproximadamente em nossa cidade, incluindo-se, os “paraquedistas”. Não é necessário ser-se muito inteligente, para aquilatar das poucas possibilidades em “fazermos” um deputado mariliense. A menos que o eleitorado tenha aberto suficientemente os olhos desta vez, em face aos exemplos anteriores!

A dispersão de sufrágios, portanto, será inevitável. Só porque o propalado amor por Marília não existe realmente. O que existe entre a maioria de nossa gente, é o sentimento inequívoco de conveniências pessoais. A começar pelos políticos locais, que jamais se preocuparam em atentar para o fato de que quanto maior fôr o número dos candidatos da terra (sem contar-se os “caçadores de votos”), menores serão as possibilidades positivas de nossas aspirações a respeito e mais firmes serão as “chances” de repetição dos êrros do passado.

É tempo, sem dúvida, do eleitorado mariliense reagir. É tempo, sem dúvida, do eleitorado mariliense reagir (a) acontecimentos anteriores. É tempo também de Marília fazer sentir a sua própria voz nos parlamentos, tendo um delegado próprio, ao qual se exija, sem mendigar, trabalhos em pról da cidade e de nossa gente.

Estamos saturados de pedir de chapéu na mão, em escadarias e corredores de palácios. Podemos perfeitamente prescindir dessa condição. Principalmente quando temos meios para eleger nossos representantes e gente capaz de nos representar.

A palavra final é do próprio povo. Êle é que deve saber se prefere sua independência parlamentar e representativa ou se deseja continuar “indo na conversa” e permanecendo na indesejável e crônica orfandade de Marília nos Palácios 9 de Junho e Tiradentes.

Falta de exemplos (maus) é o que não é.

Extraído do Correio de Marília de 28 de março de 1958

sábado, 27 de março de 2010

A “Revista do Correio” (27 de março de 1958)

À exemplo do que ocorre todos os anos, estamos agora, conforme já é do conhecimento público, preparando nossa edição especial, em formato de revista, cujo trabalho deverá circular brevemente.

A “revista do Correio de Marília”, conforme é conhecida, sairá à luz êste ano, maior e melhor do que nos anos anteriores. Pelo menos, esta é a nossa intenção e a respeito estamos desenvolvendo atividades.

Um serviço completo de ilustração de “clichês”, apresentando fotografias da Marília, ao lado de vistas da Marília atual, dará bem uma certeza do progresso desenvolvido pela “cidade menina” em seus trinta anos de vida.

Política, sociedade, indústria, comércio, movimento bancário, agricultura e pecuária, tudo enfim, que forma a engrenagem de Marília e a operosidade de sua gente, será amplamente focalizada nessa edição especial, que constitui um brinde tradicional de nosso jornal aos marilienses.

Trabalhos de redação, colaborações habituais, enriquecerão também nossa citada futura apresentação. Será um relato completo, ou quase completo de tudo o que se possa imaginar existir dentro dêste vocábulo – Marília.

Um retrospecto do noticiário do “Correio”, dos primeiros 10 anos da cidade, a história de Marília, desde a idéia de seu nascimento, a estatística completa da cidade de hoje, serão indubitavelmente, os principais atrativos da mencionada edição especial.

Se intenções valerem, temos a certeza de que alcançaremos êste ano os mesmos sucessos dos anos anteriores, quando a receptividade de nossa revista alcançou e ultrapassou as mais otimistas expectativas.

Será um trabalho dificil, como sempre. A ausência de aparelhagem técnica moderna, contribuirá para tornar mais exaustivo um trabalho de tiragem normal de uma revista ilustrada. Entretanto, dentro das possibilidades que dispomos, norteados pela boa vontade e o desejo férreo de bem servir no setor que abraçamos, esperamos superar em parte as deficiências de ordem técnicas, para apresentarmos um trabalho, que, considerado o exposto e guardadas as devidas proporções, nada fique a dever aos melhores objetos do gênero.

Para isso, estamos trabalhando com afinco. Até altas horas da madrugada, permanece em funcionamento nossa redação, confeccionando artigos e elaborando reportagens. O serviço de clicheri(a), dentro do esquema previamente traçado, caminha a passos normais. Igualmente acontece com a composição e a feitura das competentes chapas. Uma união de trabalhos, de diversos setores, num só desiderato: confeccionar uma revista digna dos marilienses e que possa constituir-se um orgulho para a gente de fóra especialmente os que não tiveram ainda o ensejo de conhecer nossa querida cidade.

Nesse particular, confessamos nosso bairrismo. Não um bairrismo obsecado, parcial, mas traduzido num sentimento muito natural de amor pelo torrão que adotamos como lar. Pensamos que assim agem todos os que são, de coração, verdadeiramente marilienses.

Portanto, leitores amigos, aguardem a circulação da já tradicional e apreciada edição de “revista do Correio de Marília”. Temos a certeza de que agradaremos em cheio.

Extraído do Correio de Marília de 27 de março de 1958

sexta-feira, 26 de março de 2010

Miscelânea... (26 de março de 1958)

Intensificou a polícia paulista, em boa hora, as medidas de combate ao vício e à corrupção, que vinham sendo difundidos praticados à larga pelos “play boys”. Equipes de policiais especializados, segundo os jornais paulistanos, têm realizado “batidas” nas zonas prediletas desses rapazes, com excelentes “colheitas”.

Oxalá a campanha continue.

--:--

Curioso telegrama internacional:

“GENOVA, 21 (A.F.P.) – Os cirurgiões do hospital genovês, “Duchesa di Galiera”, que operavam um homem de 49 anos, certos de que se tratava de um quisto, tiveram a surpresa de extrair do ventre do paciente um ser monstruoso, do sexo masculino, pesando 7 quilos, cujos membros eram irregularmente desenvolvidos e cuja cabeça estava coberta por uma cabeleira branca, de mais de 20 centímetros de comprimento. Tratava-se de um “irmão gemeo” do paciente, que permanecera – caso muito raro, embora já se tenha verificado – no interior de seu corpo. O ser estava ligado ao corpo de seu “irmão” por uma arteria, o que lhe permitira alimentar-se e desenvolver-se. O operado, cujo nome não foi revelado, está bem de saude.”

--:--

Continua a luta pela conquista do espaço sideral. Estados Unidos e Russia estão fazendo um “barulho” danado a respeito. Como cada qual “puxa a braza para a sua sardinha”, os “departamentos de propaganda” dos paises referidos, não dormem. A Russia afirma que tem a supremacia comprovada e vantagem sôbre os americanos. Estes garantem o mais rápido e perfeito domínio do espaço e afiançam que chegarão primeiro à lua.

Durma-se com um barulho dêsses...

--:--

A COAP decidiu agir com referência aos estoques, fornecimento e preços do pecados, durante a Semana Santa. É lógico que teme-se éssa atitude, porque se a COAP seguir as pegadas e os exemplos da COFAP, o assunto “pesará mais um quilo”... contra o povo, bem entendido.

--:--

O juiz Monjardin, do Distrito Federal, revogou o mandato de prisão preventiva contra Luiz Carlos Prestes. Entretanto, com fundamento na Lei de Segurança Nacional (no passado, combatidíssima pelos comunistas), a Divisão de Polícia Política e Social prepara novo processo a fim de pedir a prisão preventiva do líder comunista.

--:--

A nota curiosa, pitoresca e mesmo inédita do início do XIII Campeonato Municipal de Beisebol de Marília, foi dada pelo Irmão Léo, sacerdote canadense pertencente ao corpo docente do Educandário “Bento de Abreu Sampaio Vidal”. E apezar de veterano, o Irmão Léo demonstrou para muita gente, “como se deve jogar beiseból”.

--:--

Faleceu um grande jornalista. Alvimar Caldas, desaparecendo, deixou um claro indelevel no exército dos batalhadores da imprensa. Professor consumado, ministrou ensinamentos à centenas de nomes, hoje de expressão no jornalismo paulistano.

Consagrou-se na admiração pública, mercê das diretrizes pelas quais sempre foi capaz de pautar sua vida profissional. Lúcido, honesto, ponderado, foi um exemplo que deve servir de porte à todos aqueles que labutam na profissão de informar ou escrever idéias.

--:--

Perto de 900 crianças tomaram parte em São Paulo, da grande concentração organizada pela Comissão Orientadora do Desarmamento Infantil. Colaboraram nessa realização, a Federação Brasileira de Escoteiros Escolares e do Ar de São Paulo e o Sub-Comissariado de Menores de São Miguel Paulista.

A solenidade registrou a queima de revistas nocivas ao carater da criança, bem como de brinquedos em fórma de armas.

--:--

As indústrias Pereira Lopes S.A., de São Carlos, estão prestando decisiva colaboração ao parque industrial paulista e brasileiro. Tanto assim, que as geladeiras da fabricação da firma, conhecidas no Brasil todo, principiam a pesar tambem na balança da exportação dos produtos nacionais.

O Paraguai importa as geladeiras “Clímax”.

Extraído do Correio de Marília de 26 de março de 1958

segunda-feira, 22 de março de 2010

Teatro para Marília (22 de março de 1958)

Quando foram iniciados em São Paulo os trabalhos de substituição das telas dos cinemas locais, lembramos ao público de que nossa cidade, que já não possuía teatro, iria ficar sem um lugar apropriado para alí serem realizadas apresentações teatrais. Isto porque, os cinemas propiciavam tal adaptação, com o levantamento ou recúo de suas telas antigas, o que não sucede hoje, em virtude de que as “panorâmicas” são fixas.

Na oportunidade, citamos mesmo o exemplo do “Teatro de Alumínio” de Sorocaba, de baixo custo e de probabilidade de satisfação ao fim, das mais completas. Referimo-nos, que, a não ser os palcos de alguns estabelecimentos de ensino, nenhum lugar dispomos para acomodar representações artísticas. Isso, sem dúvida, traduziu um arrefecimento ao já pequeno entusiasmo reinante no setor do teatro amadorista local.

Referimo-nos, posteriormente, ao Grêmio “Leopoldo Fróes”, da visinha cidade de Garça, dizendo do exemplo magnífico que os garcenses nos davam. Deduzimos que só mesmo a gente de Garça seria capaz de bem saber com que sacrifícios vinha sendo mantida a entidade, numa luta permanente para que o amor pela arte teatral não desaparece, como aconteceu em Marília.

Hoje, tem os garcenses a recompensa da persistência a respeito. Garça foi incluída, em janeiro último, no Plano Estadual de Estímulo ao Teatro. Merecidamente, diga-se de passagem.

Marília ficou à margem, por falta de iniciativas próprias, por não ter “mexido o corpo” em época noturna.

Como “depois da casa arrombada o brasileiro prega taramela à porta”, houve movimento posterior, de nossas autoridades municipais. Fizeram um apêlo ao órgão competente (Comissão Estadual de Teatro), no sentido da inclusão de Marília dentro dos benefícios do decreto estadual 30.755, de 27-1-58. Felizmente, a solicitação de nossa cidade foi bem acolhida de início, o que já é um grande consôlo. Está a comissão referida propensa a incluir Marília nesse plano citado. Certamente, dentro de outro diploma legal, porque o decreto em téla já foi sancionado e está em pleno rigor.

Se, de um lado, devemos apresentar congratulações aos nossos homens públicos, que tiveram a iniciativa de solicitar a inclusão de Marília nesse plano, mistér é também que censuremos mais uma vez, a pusilanimidade existente nesse campo em nossa cidade. Valores em projeção e em despontamento, existem inúmeros em nossa cidade. É só verificar, através dos corpos teatrais amadores dos estabelecimentos de ensino de Marília, para aquilatar-se das razões desta afirmativa. Muita gente com vocação inequívoca para a arte, perdida por falta de estímulo, de meios, de amparo.

Isso vem confirmar o que dissemos ha poucos dias, num de nossos comentários subordinados ao epígrafe “Votos & Candidatos” (nota dos editores deste blogue: ver textos blogados aqui nos dias 19 e 20/3/2010), acêrca de que Marília perde muitas coisas de âmbito oficial, por não ter representação nos parlamentos. Não tendo quem advogue diretamente seus direitos e nem quem a oriente em ações reivindicatórias, teremos mesmo que continuar ao léu das oportunidades e de lutas muitas vezes tardias.

Lógo teremos as eleições. Logo seremos visitados pelos candidatos alienígenas, com seus engodos eleitoreiros e seus discursos pré-fabricados. É bom, desde já, ir atentando para todos esses fatos. É bom rememorar os acontecimentos passados, os erros pretéritos, a falta de senso já demonstrada publica e oficialmente e os resultados negativos desses mesmos erros.

Está, pois, na hora, de elegermos um candidato mariliense.

“Errar é humano; persistir no erro...”

Extraído do Correio de Marília de 22 de março de 1958

domingo, 21 de março de 2010

Campanhas dos Cafés Finos (21 de março de 1958)

Tivemos no passado, a oportunidade de abordar a questão; não do ponto de vista técnico, mas sim sob o âmbito de observação pura e simples. Louvamos a iniciativa da Campanha dos Cafés Finos, porque achamo-lá necessária e digna.

Não mudamos objetivamente nosso entender, com respeito aos disideratos da campanha em si. Notamos, entretanto, alguns “senões” na promoção de tal empreendimento. Focalizamo-los em época pretérita.

Hoje voltamos ao assunto, depois de termos assistido à inauguração da aludida publicidade em Marília. Sinceramente, não conseguimos entender bem a eficiência do fato e tivemos, até certo ponto, sensível desilusão.

Preliminarmente, consideramos inócuos os resultados positivos de tal publicidade. No asfalto, no rádio e na televisão, temos a impressão, não se obterão os resultados intrínciscos da mencionada iniciativa. Mesmo observado o movimento por um fazendeiro ou um lavrador, êstes não estarão em condições de introduzir nas lavouras os efeitos da campanha, nem mesmo de fazer com que os que diretamente colaboram com a produção da rubiácea, consigam entender, em seus mínimos detalhes, a objetividade dos fatos.

Estranhamos, na mencionada Campanha, a publicidade comercial intercalada, dando aproximada idéia de confusão. O caboclo interiorano fica indeciso, enleiado. Vimos muita gente sem saber “o que estava acontecendo na Avenida”. Parece que os processos da aludida publicidade começaram errados. Pomposidade não resolve, principalmente quando se trata de dirigir-se diretamente à gente do interior. Nós, caboclos, sabemos disso melhor do que ninguém.

Demonstrações em praça pública e “gingles” publicitários de produtos industriais, dentro dum mesmo movimento, nada esclarecem.

Não sabemos se os responsáveis pela referida iniciativa conhecem bem os sistemas de produção cafeeira de nossa região. Não temos a certeza se os mesmos já viram os processos de secagem de café, em cuja maioria de pequenas propriedades agrícolas nem “terreiros” adequados existem.

Essa Campanha deveria obedecer dois pontos fundamentais: primeiro, proceder providencias governamentais de amparo à lavoura cafeeira nacional, fixação de preços mínimos para o produtor e designação de preço-této para o exportador. No caso de oscilação da balança internacional, para maior, a diferença deveria ter aplicação em beneficio da própria lavoura, para evitar-se o que vem acontecendo no Brasil, desde que começou a produzir café: o enriquecimento de poucos em detrimento de muitos, principalmente dos que mourejam no duro, de sól a sól, plantando e colhendo o “ouro verde”. Segundo, ser mais objetiva: demonstrar diretamente “in loco”, de modo simples e mais suscinto, com menor estardalhaço, a necessidade dêsse incremento, cujo fundo, repetimos, tem indiscutivelmente o seu lado patriótico. De nada adianta propaganda em televisão, rádio, jornal, asfalto. O caipira que planta, cuida e colhe o café, não conhece televisão, não ouve rádio e não gasta sólas em asfalto. Portanto, a Campanha tem as suas eivas de ineficiência, embora conduza dentro de sí grandes méritos.

Por outro lado, estando o comércio cafeeiro norte-americano (que domina o setor referido em todo o mundo), prestigiando o café africano e venezuelano, em prejuizo palpável do mercado cafeeiro nacional, temos cá as nossas dúvidas se os resultados déssa Campanha, especialmente nos moldes com que vem sendo feita, póssa compensar o mundão de dinheiro que a respeito deve estar sendo gasto.

Sem exagero, afirmamos uma coisa: Pouquíssimas pessoas que presenciaram o acontecimento em Marília, conseguiram bem compreender o sentido real da promoção. A maioria procurou ver, curiosa as gigantescas máquinas. Isso constatamos, em palestra com algumas dezenas de pessoas. E achamos que as mesmas tem razão. Ou será que somos nós, marilienses, menos inteligentes que os demais patrícios de outras plagas?

Extraído do Correio de Marília de 21 de março de 1958

sábado, 20 de março de 2010

Votos & Candidatos (II) (20 de março de 1958)

Oficiosa e oficialmente, metamorfoseou-se há pouco a política local, em relação à escolha de candidatos para concorrerem ao próximo pleito eleitoral.

Até recentemente, tínhamos como certos, os nomes de monsenhor Bicudo, Fernando Mauro e Ademar de Toledo, como candidatos à deputação estadual; Argollo Ferrão e Aniz Badra à federal. Adhemar de Toledo não concorrerá, conforme asseverou ao autor dessas linhas. Motivos diversos, de ordem particular o impedirão. Monselhor Bicudo, de conformidade com o que havia declarado antes de sua recente viagem à Europa, igualmente não disputará o pleito. Restaram então Fernando Mauro (estadual) e Badra e Argollo (federal).

Agora vem de ser lançado o nome de Leonel Pinto Pereira, pela U. D. N., para concorrer a uma cadeira no Palácio 9 de Julho. Não resta dúvida, que trata-se de uma escolha das mais felizes do bloco udenista local.

Mais duas candidaturas oficiais estão em pendência, “mais p’ra cá do que p’ra lá”. Romeu Rotelli, pelo P. S. B. e Shiguetoshi Nakagawa, pelo P. R. P.. A homologação dêsses nomes já “está no forno” e sua corroboração prestes a sair. Sem dúvida, duas boas escolhas também.

Teremos, então, nessas condições, cinco candidatos – três para o Palácio 9 de Julho e dois para o Palácio Tiradentes.

De acôrdo com nosso ponto de vista anteriormente manifestado, entendemos como além do suficiente, o número de candidatos locais. A dilatação do mesmo, implicará, logicamente, na diminuição de nossas possibilidades quanto a eleição de gente da terra.

Isto, sem contar-se ainda, a dispersão natural de votos, com a consignação de sufrágios a candidatos alienígenas.

O bom mariliense, aquêle que realmente pulsa pela cidade, deve atentar para o fato em apreço, de que o não prestigiamento dos candidatos locais significará negligência pelas coisas de nossa cidade, e, em última análise, da própria região.

Dissemos da realidade de cinco candidatos. Existem ainda nomes em perspectivas, como Guimarães Toni, Sebastião Mônaco e Lourenço Senne, por exemplo. Repetimos nosso modo de ver as coisas nêsse sentido: o número avultado de candidatos locais não dará certeza de vitória de alguém, mesmo daquêles que aparentemente mais credenciais reunem para o exercício dos cargos pleiteados. Haverá logicamente, prejuizos mútuos entre o (p)róprios disputantes.

Uma coisa é certa, em tudo isso. Candidatos de nossa cidade devem ser prestigiados por nossa gente. Pena, repetimos, que tenhamos que decidir entre número tão grande, com uma convicção antecipada de dúvidas quanto vitoria estrondosa de “a” ou “b”.

Por outro lado, devemos evitar as repetições dos fatos passados, dispendendo votos à gente de fóra, principalmente em pról de nomes já conhecidíssimos em nossa região, cuja folha de trabalhos em beneficio de nossa terra fôra das mais negativas possíveis. Mesmo para os casos em que alguma coisa conseguida por Marília, tenha aparentado uma falsa paternidade de algum “doutor promessa”, que, imediatamente tenha se entitulado “o pai da criança”. Sabem nossos leitores perfeitamente, que existe fundamento nesse pormenor e não ignoram a existência de exemplos a respeito.

O voto, arma poderosa, deve ser manejado com mais cautela desta vez. Reincidir nos erros de ontem, não encontrará nenhuma justificativa. Trocar o vóto por uma promessa de emprego nada apresenta de patriotismo, de amôr por Marília.

Falta de alerta, não será o motivo para chorar-se depois. Falta de exemplos contundentes e prejudiciais para os próprios interesses de nossa gente, idem.

Depende, agora, apenas do eleitorado local. Este saberá o que pe certo fazer, porque só ele será responsável pelos acontecimentos futuros, com respeito aos sucessos ou fracassos que conseguir colher na época hábil.

Extraído do Correio de Marília de 20 de março de 1958

sexta-feira, 19 de março de 2010

Votos & Candidatos (19 de março de 1958)

Não há negar que fomos invadidos por uma espécie de desânimo ou desilusão, quanto à série de artigos por nós escritos no passado, acêrca da necessidade de elegermos um candidato mariliense no próximo pleito.

Nossa mutação, dando o dito por não dito, abandonado a trincheira, poderia muito bem ter servido de motivos de escárnio ou indiferença para grande parte do eleitorado local, parte essa que de amor pela cidade nada apresenta e que se muda, com armas e bagagem, para o primeiro “doutor promessa” que por aqui se apresente. Lutamos pelo apôio a dois candidatos locais, no máximo. Surgiram mais e aparecerão outros, certamente. Afóra os alienígenas, é claro.

Só tivemos a respeito, uma única intenção: lutar para que Marília não continui no seu permanente e crônico estado de orfandade nos parlamentos. Nem todos nos compreenderam e gastamos grande parte do “sal da janta”. Quando percebemos que iríamos pregar no deserto, porque pudemos notar que o propalado amor por Marília, difundido à larga por muita gente, nada mais tem sido do que u’a máscara de hipocrisia, para acobertas interêsses próprios de espirito pessoal ou aventureiro, saímos da arena.

Pretendíamos mesmo não mais voltar ao assunto, conforme dissemos. Pretendíamos e estávamos firmes nêsse propósito. Não poucos pedidos temos recebido, muitos de políticos locais, inclusive, para o reavivamento da questão. Sem dúvida, os que nos procuraram, são aquêles que ainda fazem parte do exército da sensatez, aquêles que pulsam por Marília e que comungam idênticos pensamentos aos nossos.

Não diremos que a contragosto, mas de certo modo algo desiludidos, voltamos ao assunto. Em atenção especial aos amigos que nos endereçaram ditos apêlos. Unicamente.

Talvez o fato possa representar ainda uma clarinada de alerta para os eleitores que trocarão o voto contra promessas de empregos ou de vantagens pessoais, em detrimento dos próprios interêsses de Marília. Talvez não, porque o caso chega a aproximar-se da questão real de amor por Marília – coisa que muita gente exulta fingidamente em lugares públicos, de modo hipócrita e sem sentir.

Parece-nos que em nossa cidade ainda perdura algum resquício daquêle espírito de aventura originário dos primórdios da região.

Muita coisa que pode ser feita, deixa de sê-lo, por falta absoluta de providências em tempo hábil; mais resumidamente, por carência de interêsses imediatos.

Dissemos, não há muito, que no setor de política regional, Marília vem pecando seguidamente, ao isolar-se de suas irmãs da Alta Paulista. Tal fato já repercutiu, dolorosamente, em outros centros adjacentes, fazendo subir à tona da realidade, a mágua sentida contra nossa gente, politicamente falando.

Por falta de ações ou inépcia mesmo, temos perdido muitas coisas. Por falta de representantes legislativos, temos deixado de receber condições devidas por fatos e direitos. Por falta de iniciativas, temos deixado escapar melhoramentos imprescindíveis ao progresso de Marília e as necessidades de sua gente.

Perdemos a Escola de Tratoristas, perdemos a questão da industrialização de Sojas, quase perdemos a Escola Artesanal e perderemos fatalmente a pretendida Escola Industrial. A tão ansiosamente Faculdade de Filosofia, fruto de lutas de mais de uma década, ainda está na balança do dúbio objetivismo, quanto a sua realidade total.

Até o futebol profissional perdemos a pouco. Tudo por falta de ação, de coesão, de esforços.

E continuaremos a perder tudo o mais, se mantivermos a mesma orientação, relativa ao tradicional hábito mariliense, manifestado pela indiferença eleitoral. Dispender votos em pról de candidatos de fóra, dêsses que só sabem da existência de Marília nas épocas de eleições, tem sido um êrro gravíssimo, que ninguém poderá refutar.

Breve principiarão a surgir os aventureiros, com seus discursos pré-fabricados. Promessas surgirão. Dinheiro também. E não faltarão em Marília, como jamais faltaram no pretérito, os falsos marilienses, que se submeterão qual carneirinhos, aos interêsses dos “doutores promessas”, visando interêsses próprios e olvidando Marília e sua gente.

O tem(p)o dirá, depois, se tínhamos ou não razão.

Extraído do Correio de Marília de 19 de março de 1958

quinta-feira, 18 de março de 2010

Introdução ao Direito Municipal (18 de março de 1958)

Abordamos, não há muito, as providências do reverendo Álvaro Simões, acêrca da criação oficiosa de uma cadeira de Introdução ao Direito Municipal, para as terceira e quarta séries ginasiais do Instituto “Vicente Themudo Lessa”.

Na oportunidade, referimos o fato como um exemplo magnífico de municipalismo, partido de Marília, cidade que sempre primou na propagação de bons e sadios exemplos. Efetivamente, ministrar ensinamentos de direito municipalista as gerações de amanhã, aos homens que substituirão no futuro os atuais lideres do municipalismo é alguma coisa de magnífica, exemplar, patriótica. Incutir nas mentes da mocidade de hoje as razões e os direitos dessa contenda é um deve daquêles que formam hoje o grande exército dos verdadeiros municipalistas.

Sexta feira última, tivemos a oportunidade de assistir, no mencionado estabelecimento de ensino, a aula inaugural dessa inédita cadeira em escolas do Brasil. A primeira aula foi ministrada pelo dr. Aniz Badra, presidente da Associação Paulista de Municípios, verdadeira autoridade no assunto. Lá estivemos, por dois motivos distintos: por fôrça profissional de um lado e por vocação municipalista de outro.

Confessamos que gostamos imensamente daquilo que presenciamos no “Themudo Lessa”. Gostamos da palestra do dr. Badra, a clareza e a objetividade com que abordou o assunto. Gostamos ainda mais do interêsse despertado entre os estudantes das duas séries citadas, acompanhando com atenção as esplanações do conferencista.

Vimos mais uma prova de que ninguém deterá jamais essa expansão de idéias que visam colocar os municípios em seus devidos lugares. Percebemos que aquêles que são interioranos sentem, dentro de si, a realidade da contingência e a necessidade dessa luta. Ninguém melhor do que os interessados diretos, para defender causa própria e das mais justas.

Mais de uma hora durou a aula, inaugural referida. Sem cansar, sem confundir, prendeu as atenções de todos, a ponto de despertar interêsse tamanho, que originou uma série de perguntas sôbre o municipalismo, questões que foram dirigidas ao ministrante por alguns alunos que assistiram a primeira aula. Só êsse fato, é um motivo para ser acrescido ao movimento, que de simples idéia e de muitas lutas, passou hoje para o terreno da realidade irrefutável.

O dr. Badra, ao encerrar sua aula inaugural, fez ciência aos presentes que ira instituir, sob o patrocínio da A. P. M., dois prêmios, para os que mais se distinguirem em aproveitamento dos ensinamentos ministrados da aludida cadeira. Um será um livro de “Marília de Dirceu”, encadernado e de autoria do grande poeta montanhês Thomaz Antônio Gonzaga. Outro será uma bolsa de estudos na América do Norte, por intermédio da União Cultural Brasil-Estados Unidos. De acôrdo com o afirmado pelo presidente da A. P. M., a aludida entidade colocou à disposição do mesmo duas dessas bolsas de estudos, uma das quais já foi prometida.

Será um estímulo ainda maiôs para os que irão acompanhar a mencionada cadeira de Introdução ao Direito Municipal.

Como dissemos anteriormente, a cadeira referida é oficiosa, por tratar-se de matéria extra-“curriculum”. Mas não deixa de ser um grande exemplo que deverá ser seguido por outros estabelecimentos de ensino, do Brasil todo, ao mesmo tempo que deverá despertar as atenções dos legisladores e autoridades de ensino do país, no sentido de incluir-se tal sistema pedagógico, em carater oficial-permanente, no sistema de ensino do país.

O dr. Silvio Fortunato, vereador em Santos e profundo conhecedor de assuntos municipalistas, conforme afirmativas do dr. Aniz Badra, deverá ser brevemente convidado para ministrar no “Themudo Lessa”, uma aula de minicipalismo. Depois dêste, outros líderes do movimento prestigiarão também essa iniciativa feliz e patriótica do reverendo Simões, diretor do aludido estabelecimento educacional.

Extraído do Correio de Marília de 18 de março de 1958

segunda-feira, 15 de março de 2010

Novo “conto do vigário” (15 de março de 1958)

Lemos num jornal de São Carlos, uma reportagem completa acêrca de nova modalidade de “conto do vigário” aplicado naquela praça, de cuja malandragem resultaram prejuízos sem conta para o comércio sancarlense.

Em resumo, o fato passou-se mais ou menos assim:

Um cidadão de aparência distinta, com ar de um protótipo “gente bem”, desconhecido na cidade, alugou uma casa. Pagou adiantadamente o aluguél e tomou posse da residência.

Num sábado, depois de fechados os bancos da cidade, dirigiu-se a uma loja comercial, especializada em artigos elétricos e de refrigeração. Adquiriu u’a moderna geladeira, pagando à vista, com cheque, ordenando a remessa urgente da compra para determinado endereço (que era a casa receém-alugada). Fez o mesmo em outras diversas casas comerciais. Numa, comprou móveis de quarto, noutra de sala de jantar, noutra de sala de jantar, noutra de sala de visitas, rádio-vitrola, enceradeira, utensílios de cozinha, etc..

Comprou em várias casas, sempre pagando com cheques, tudo o que de mais conforto e de melhor qualidade seja possível imaginar para mobiliar completamente e com luxo uma residência. Comprou tudo e de tudo, porque na casa citada não existia sequer um sacarrolha.

O total da compra atingiu algumas centenas de contos de réis, conforme é fácil de calcular-se.

Em todos os estabelecimentos comerciais, realizou o mesmo processo: pagou com cheques.

Como dissemos, as “transações” foram efetuadas num sábado e os comerciantes só poderiam apresentar os cheques para desconto na segunda feira, ou seja, quarenta e tantas horas depois.

Ninguém suspeitou de nada e por certo, muitos comerciantes ficaram satisfeitos, pois não é sempre, no comércio varejista, que se realizam transações de grande vulto, “na ficha”. Todas as mercadorias, de acôrdo com as ordens do comprador, foram entregues no endereço referido, urgentemente. Quer dizer, antes que o comércio fechasse, em seu horário normal das 18 horas, a casa se encontrava abarrotada de móveis e utensílios novos, modernos e de apurado gosto, além dos excelentes preços.

A “bomba” estourou por simples acaso. Um empregado de uma casa comercial que havia vendido artigos ao citado “senhor distinto”, passou meramente à noite, defronte a residência onde fizera a entrega de móveis. Como empregado categorizado, sabia do processo da transação, isto é, do pagamento contra cheque. Estranhou o fato de que um caminhão, com chapa de outra cidade, ali estivesse carregando todo o material comprado durante o dia, inclusive o vendido pela casa da qual trabalhava. Estranhou ainda mais em não ver no local o “senhor distinto”. Zeloso, procurou imediatamente seus patrões, pondo-se ao par do acontecimento. Êstes movimentaram-se rapidamente, entrando em contacto com outros comerciantes que se encontravam nas mesmas condições. Aí chegou a vez da polícia, mas o “senhor distinto” não foi encontrado e ninguém sabe, até hoje, onde está, nem quem é.

Pelo modo com que se tentou praticar o “golpe” pode-se deduzir que a malandragem é velha, que seus praticantes não são “calouros” na “arte”.

O fato, conforme dissemos, passou-se em São Carlos e dêle tivemos conhecimento através de um jornal daquela terra. Comentamo-lo, com o único objetivo de colaborar com o comércio mariliense e alertar os comerciantes locais, para a eventualidade de qualquer possível e futuro “conto do vigário” dêsse jaez.

Íamos esquecendo: circulam rumores de que “golpe” semelhante teria sido aplicado em Marília, ainda sem ter “estourado” publicamente...

Extraído do Correio de Marília de 15 de março de 1958

sábado, 13 de março de 2010

A Fazenda “Santa Helena” (13 de março de 1958)

Através de sua crônica diária, o nosso apreciado colaborador reverendo Álvaro Simões externou ante-ontem, uma idéia magnífica. Focalizou êsse eterno preocupado com as coisas de nosso município, a possibilidade de ser a mencionada gleba, transferida para a municipalidade, para que esta a sub-dívida em pequenas áreas (aproximadamente de cinco alqueires), a fim de ser vendida a longo prazo a lavradores do município.

Excelente a idéia. Se existem planos e mais planos, que jamais chegaram a consumar-se e se se tornou público agora, novo intento de ceder-se a aludida área a imigrantes espanhóis, através de um plano de financiamento do Banco do Brasil, por que, então, não interessar-se o Govêrno Estadual, no sentido de acolher a sugestão óra preconizada pelo reverendo Simões? Poder-se-ia aproveitar o referido plano de financiamento, no sentido de que o próprio município gerisse a questão, retalhando a área citada e vendendo-a a pequenos lavradores. Em síntese, o município não iria comerciar a respeito. Iria assumir apenas um compromisso de financiamento, que seria amortizado com o produto das vendas da gleba, dentro de igual prazo.

Seria, conforme asseverou o vice-presidente da Câmara Municipal, um verdadeiro e revolucionário plano de reforma agrária, guardadas as necessárias proporções. E teria a seu favor o sentido eminentemente insofismável de servir os pequenos agricultores, ao lado de representar o aproveitamento dessa gleba ora em completo abandono, apesar das lutas e da celêuma que em torno da mesma se criou.

A região tôda, não só o município de Marília, lucraria com isso. Uma grande área, hoje árida, seria transformada, com seu aproveitamento e policultura. Maior seria a produção agrícola da balança municipal e muitos benefícios seriam prestados, junta e condignamente a algumas dezenas de famílias de trabalhadores, especialmente aquelas que acalentam, como um sonho, o ideal de possuir um pedaço de terra própria, para ali viver, plantando e produzindo.

As autoridades municipais, especialmente o sr. Prefeito, deverão estudar a sugestão felicíssima do reverendo Simões. E estudando e acolhendo a mesma, por certo irão tomar medidas e providências no sentido de procurar o sr. Jânio Quadros, expondo ao Governador a revolucionaria idéia. Merece atenções especiais o fato em apreço. Marília, que sempre primou pela magnificência de bons exemplos, deverá prestigiar êsse ideal. Seria uma verdadeira vitória de relação municipalista.

O cunho da idéia é dos mais patrióticos possíveis. Sua efetivação, pensamos, mais prática e fácil do que os planos anteriores, que deram panos para manga, criaram casos, comprometeram estudos e nada resolveram de positivo.

Por outro lado, o próprio presidente da Associação Paulista de Municípios, que com tanto carinho e interêsse tem acompanhado as demarches a respeito da ex-Fazenda “Revoredo”, temos a certeza, irá também dispensar ao fato as suas costumeiras atenções. A A. P. M. deverá também entrar nessa luta, que é nobre, digna, patriótica, e, acima de tudo, bem mariliense.

Secundando a idéia do reverendo Álvaro Simões, aquí fica também nossa lembrança aos poderes constituidos responsáveis pelas coisas de nosso município.

Extraído do Correio de Marília de 13 de março de 1958

quinta-feira, 11 de março de 2010

Professorado Católico de Marília (11 de março de 1958)

Vêm o professorado católico de Marília, de tomar uma decisão bonita, com respeito à construção da futura capela de Nossa Senhora da Glória em nossa cidade.

O citado Templo, inicialmente será erguido numa construção de “duratex”, à título precário, representando um presente dos professores católicos da cidade à família católica mariliense.

Para tal, já foi adquirido o competente terreno, na Av. Sampaio Vidal, confluência com a Rua Bandeirantes. Ponto central, rua bonita, num local onde mais um templo de fé erguerá para as alturas a Cruz de Cristo.

Diversos professores constituem a Comissão Especial que está angariando os respectivos fundos, objetivando efetivar a medida em téla dentro de breves dias. À testa dêsse organismo, encontra-se a professora D. Zélia Sproesser, eficientemente coadjuvada por um grupo de bem intencionados mestres.

A aludida comissão procurará, conforme está procurando, todos os professores da cidade, chamando-os a acercarem-se dêsse movimento. Até agora, conforme pudemos perceber, a idéia encontrou a mais perfeita guarida no seio do professorado católico de nossa cidade e os mais entusiásticos aplausos por parte da grande porcentagem dos católicos locais.

O Tempo, inicialmente construido de “duratex”, embóra tenha o seu lado de ineditismo, traduz, sob outro prisma, o desejo ardente da consumação de uma idéia louvável e que representa, sem nenhum negar, um empreendimento que se constituirá, num futuro bem próximo, numa realidade insofismável, num marco de fé dos mais grandiosos.

Não conhecemos, “de visu”, o andamento das medidas óra em execução pela Comissão em apreço. Sabemos, no entanto, após duas palavras telefônicas com D. Zélia Sproesser, que uma vontade indômita em levar a cabo tal iniciativa, de maneira rápida, domina todas as pessoas que estão trabalhando néssa empreitada. Por outro lado, estamos certos da grande receptividade que a idéia vem encontrando dentre os professores católicos de Marília, e, ao par déssa convicção, só nos resta a afirmativa de que o movimento alcançará seus plenos objetivos, como sempre sucedem com as boas iniciativas surgidas em Marília.

Embóra não estejamos devidamente autorizados, fazemos daquí um apêlo aos professores católicos de Marília, para que não deixem de colaborar com a referida Comissão, quando procurados. E antecipamos a certeza de que todos serão convidados a emprestar a sua colaboração, por mais modesta que seja.

Não há dúvidas, que, com êsse empreendimento, o professorado Católico de Marília deixará perpetuado na própria história das boas causas da cidade, uma página gloriosa. Propugnar por mais êsse marco de fé em nossa cidade, é uma ação das mais dignas imagináveis. Realizar uma óbra de tal vulto e déssa envergadura, é efetivar um trabalho merecedor dos mais rasgados encômios.

Nossos parabéns, portanto, aos professores católicos de Marília, ao lado de nossos votos de cabal efetivação déssa magnífica e apreciável idéia.

Extraído do Correio de Marília de 11 de março de 1958

segunda-feira, 8 de março de 2010

O Dia do Município, a Imigração Japonesa e o “Correio” (8 de março de 1958)

Conforme é sabido, transcorrerá no próximo dia 4 de abril (de 1958), a efeméride do 29º aniversário da emancipação municipal de Marília. Tal data coincide com a passagem de Sexta Feira Santa, dia impróprio, portanto, para comemorações adequadas e de homenagens municipais.

Assim, a Comissão Especial dos Festejos do Município, reunida no Gabinete do sr. Prefeito e sob a presidência dêste, houve por bem transferir tais solenidades para data posterior. Embora não tenha ficado definitivamente acentada a época dessa dilatação de prazo, sabe-se oficiosamente de que a mesma coincidirá, êste ano, com o transcurso do cinquentenário da imigração japonesa no Brasil. Medida boa. Entendemos.

Uma vez que a colônia nipônica de Marília renderá um tributo ao acontecimento, rememorando a passagem de 18 de junho de 1908, movimentando desusadamente a cidade tôda, justo é que a municipalidade associe também, nessa oportunidade, suas manifestações normais pelo transcurso da data magna municipal.

Não só a questão tempo, que é assunto importante para todo e qualquer empreendimento, como também a aliança dêsses dois acontecimentos, tendem a antecipar uma solenidade condigna, alegre e justa. Uma dupla festa, num duplo sentido.

A respeito das solenidades que marcarão as “bodas de ouro” da imigração japonesa no Brasil, a Comissão respectiva, liderada pelo sr. Yoshikazu Takitani, está envidando os mais intensivos esforços, no sentido de que o acontecimento marque época em tôda a Alta Paulista e mesmo em todo o interior do Estado. Além do sentido material que será a perpetuação do fato, com a instalação da fonte luminosa no pátio fronteiriço do novo prédio do Paço Municipal e o erguimento de um obelisco no Cemitério Municipal, a razão representativa do fato será surpreendente e indelével. No sentido esportivo e social, terão os marilienses motivos de satisfação invulgar.

Os círculos esportivos de Marília verão, na oportunidade, pela primeira vez em sua história desportiva, a ação dos campeões de beisebol da Universidade de Waceda, Japão. Igualmente, idêntica equipe da Universidade de Colúmbia, Estados Unidos. Só êsse fato, valerá, temos a certeza, um espetáculo, muito embora nem todos os desportivas marilienses sejam perfeitos conhecedores dêsse magno esporte de base.

Afora, ainda, a possibilidade de visitar Marília o príncipe irmão do Imperador do Sol Nascente. Como se vê, um programa vastíssimo, completo, elogiável. A colônia japonesa tentará demonstrar sua gratidão ao povo e autoridades brasileiras, pela acolhida que sempre desfrutou. Provará seu agradecimento ao tratamento igual, livre e democrático que desfruta no Brasil, hoje considerado a segunda pátria dos japoneses, conforme tão bem afirmou recentemente entre nós o arcebispo-bispo de Osaka.

Nosso jornal, por exemplo, adiou a circulação de sua edição especial que vinha à luz por ocasião das festas natalinas, para sair na Data do Município. Tendo em vista a adiação das homenagens referidas e considerando a efeméride do 50º aniversário da imigração japonesa, o “Correio” circulará nessa época, com sua edição especial, rendendo também seu tributo de homenagem ao Município de Marília e ao transcurso do cinquentenário da imigração nipônica. Já iniciamos nossos trabalhos de redação a respeito. Finalizaremos uma série de acontecimentos da vida de Marília e sua gente, com ilustração completa de clichês, em papel de primeiríssima qualidade e a cores.

Será, pois, a celebração do “Correio”, a tão importantes acontecimentos.

Extraído do Correio de Marília de 8 de março de 1958

domingo, 7 de março de 2010

Vamos aproveitar o “embalo”? (7 de março de 1958)

Acaba o Governador Jânio Quadros, de autorizar a criação de uma Estação Zootécnica em nossa cidade. O áto respectivo, impõe, como condição precípua para a instalação dêsse núcleo, que o município beneficiado contribua com o terreno adequado para tal.

A notícia, em si, encerra alguma coisa de auspiciosa para os marilienses em geral. Traduzirá a citada Estação Zootécnica, um centro de aperfeiçoamento de animais de raça.

Por outro lado, parece-nos não existir problema de ordem dificil quanto ao terreno especial, principalmente tendo-se em vista que o próprio Govêrno possui em nosso município, uma vasta área de 1.100 alqueires de terras – a famosa Fazenda Santa Helena, “ex-Revoredo”.

Ora, utilizando-se, por hipótese, 100 dêsses 1.100 alqueires, para a instalação da Estação Zootécnica, restarão ainda 1.000 alqueires que poderão ser utilizados para os fins colimados e em estudos pelo Poder Estadual. Será uma pequena parcela desmembrada de uma grande gleba, sem muitas dificuldades, cremos, para a consumação do outro plano já existentes

Portanto, nada dificil será tal acerto, no que tange a área própria para a instalação dêsse melhoramento. Não sendo viável tal medida, pensamos no aparecimento de algumas outras dificuldades a respeito se tivermos em vista que o município não possui, segundo consta, grandes áreas de terras que possam, de imediato, prestar-se ao fim em tela.

Urgiria, então, estudos a respeito. Necessário se faz que a autoridade municipal, coadjuvada pela edilidade mariliense, estude a sugestão óra focalizada nesta coluna diária. A Estação Zootécnica só trará benefícios para Marília. O aprimoramento de animais de raça, além de aperfeiçoar rebanhos, significa também o acêrco de interesses econômicos, que, em última análise, representam movimento geral para o município.

Como somos apologistas de todos os empreendimentos que representem, de um ou de outro modo, progresso de nossa cidade e região, estamos focalizando o assunto em apreço. Sem dúvida alguma, a questão merecerá atenções especiais de nossas autoridades, pelo cunho de importância que representa.

Por outro lado, na suposição de que idéia semelhante ao nosso presente ponto de vista venha a efetivar-se, temos a impressão de que 100 alqueires a menor na gleba total da citada propriedade agrícola, em nada poderão prejudicar os planos óra em andamento de aproveitamento da Fazenda Santa Helena. O próprio sr. Jânio Quadros convir conosco.

O que Marília não poderá permitir, é que se perca a oportunidade em referência, da futura instalação da Estação Zootécnica local.

É claro, também, que isto é apenas opinião reservada, dentro de um trabalho comum de jornal. Pode dar-se o caso da existência de outras providências diversas, objetivando, como é de esperar-se, fim idêntico. No entanto, nunca é demais lembrar-se a conveniência de que não se estanquem ações de trabalho coordenado e intensivo, quando se trata de benefícios para o município, maximé quando tais benefícios são originários de alçada oficial.

A boa vontade inicial, já foi manifestada pelo próprio Govêrno. Cabe agora a nós, o interêsse e as providências para a consecução cabal da idéia. Esforcemo-nos, portanto, para que tal cometimento “não fique no tinteiro” ou não prescreva por falta de providências e atuações locais, dentro do período da oportunidade que oferece.

Extraído do Correio de Marília de 7 de março de 1958

sábado, 6 de março de 2010

Os “play bestas” (6 de março de 1958)

É necessário acabar-se, no Brasil e no mundo, com a prepotência do dinheiro.

Não vai nisto a menor propaganda comunista de escravização ou de pretensa igualmente de classe, mas sim de vergonha, de autoridade, de (h)ombridade e de responsabilidade criminal.

Chegam até nós, através dos noticiários dos jornais e rádios, a insolente atitude de alguns garotos glostorados, tidos e havidos como “gente bem”, que, à rigor, não passam de refinados cafajestes. Fundaram um malfadado “Clube dos 50” em Guarujá e ali “botaram a banca”. Deram prejuízos sem conta a bem intencionados cidadãos, a honestos trabalhadores. Causaram transtornos à sociedade e preocupações à família e deram trabalho à polícia e ao Juizado de Menores.

Acobertados por nomes tradicionais, impondo um respeito de que não são dignos, nem como homens nem como humanos, entenderam e levaram a efeito uma série de atitudes que diretamente ferem os princípios de dignidade de um povo, os foros de decência dos brasileiros. Useiros e vezeiros de espalhafatos, endeusados em causa própria, cometeram desatinos dos mais abomináveis.

Viciados, marginais, certamente maus filhos e maus alunos. Eis o que são os “play boys” do famigerado “Clube dos 50”. Vergonha de uma família, pejo de todo o mundo, tentaram escarnecer e hoje são escarnecidos, odiados.

São filhos de grã-finos. São apaniguados de alguns “tubarões”, que procuram justificar as “cafajestadas” como próprias da idade. Absurdo, dos mais descabidos. Falta de “lenha”, falta de “couro”, falta de trabalho, necessidade de passar fome, de viver uma vida de necessidades, de sentir nas carnes as asperezas do momento. Criados em berço de ouro, filhinhos de papai, mal criados, mal educados, mimados, tiveram mesmo motivos e justifilativas para agir de semelhante maneira.

Se fosse um de nossos filhos, um dos filhos de nossa cidade, seria fatalmente cognominado como “tarado”, anormal, doido, etc.. Ninguém o tiraria da cadeia, Ninguém o defenderia.

Filho de pobre, se excede na bebida, mesmo num momento de lazer, é “pau d’água”m senvergonha, ordinário, etc. e tal. Filho de grã-fino é “boêmio”, folgazão, alegre.

Isto é que está acontecendo em Guarujá. Uma vergonha. Uma afronta aos foros de civilização dos nacionais. Um exemplo pejorativo para alguns “cabeças de vento”. Um motivo de sensacionalismo para alguns órgãos de imprensa mal orientada.

Os “play boys” – nome que identifica e realça sem deprimir –, são é mesmo uns “play bestas”. É fácil acertar atitudes desconexas como a dêles. Só antídoto de igual porte: “rabo de tatu”. Pra malandro, malandro e meio. Pra força, lei de força. Nada de alisar. Nada de tatear. Nada de auscultar. O jeito é “larcar” um porrete no “piolho” dessa canalhada que brinca com a polícia, brinca com o Juizado de Menores, brinca com a sociedade.

Êles brincam lá em Guarujá. Lá onde vão os grã-finos, os que encaram a vida de modo diferente. Onde vão os turistas endinheirados, onde roda “whisky”, “pacos” de maconha e outras coisas. Por que êles não se metem a fazer dessas no interior, com a caboclada simples e sincera, essa cablocada que ajuda a construir a grandeza do Brasil mas que não gosta que ninguém se faça de besta e dê ordens em suas casas? Por que êles não “topam” um delegado de polícia como o dr. Severino para fazer as suas canalhices?

Êsses glostorados não são “play boys”. São “play bestas”. E são até sabidos. Se tentassem fazer essas cachorradas no interior (em Marília, Tupã, Franca, Bauru ou outra qualquer cidade), êles veriam “com quem casariam suas filhas”.

É uma vergonha moral para o Brasil, a atitude dêsses molecões fantasiados de “gente de bem”. Indecentes, amorais, desbriados. É necessário que a autoridade policial seja “mais homem” que êsses cafajestes. Afinal, a tranquilidade pública e a segurança do patrimônio privado e individual, devem, assim, sem mais e nem menos, ficar sujeitos ao sadismo de meia duzia de “tarados”?

É preciso apanhar êsses cafajestes pelo gasganete e fazê-los saber “com quantos paus se faz uma canoa”.

Sabem lá o que é a destruição de um patrimônio particular por um maluco, só porque tal ato representa “jóia” para o ingresso no famigerado clube? Podem os leitores deduzir os direitos e as razões do prejudicado, no ato de defesa daquilo que é seu? O próprio Código Civil não garante a defesa do patrimônio particular?

De uma coisa temos certeza: Os “play boys” (“play bestas”) não destruiram nada de algum caboclo de sangue nos olhos. Se isso tivesse acontecido, não sobraria um “play boy” pra contar a história...

Por outro lado, êles jamais “baixariam” numa cidade onde existisse um delegado de polícia com o nome de dr. Severino.

Extraído do Correio de Marília de 6 de março de 1958

sexta-feira, 5 de março de 2010

A Eterna Esquecida (5 de março de 1958)

Não há negar que ultimamente Marília conseguiu encontrar, no âmbito do Poder Estadual, muitos reconhecimentos às suas reivindicações. Isto aconteceu mais acentuadamente, no atual govêrno. Entretanto, mistér é que se diga, muita coisa de direito ainda está sendo negada à cidade que carreia verdadeiras fortunas para os cofres do Estado e da União.

Se o Executivo bandeirante não titubeou em conferir aos marilienses uma certa soma de direitos (sem nenhum favor), o mesmo não acontece no que tange ao órgão federal. A União muito deve à Marília e nada paga.

Vimos, recentemente, mais um exemplo dêsse jaez, a vir juntar-se e aumentar o já grande rosário de ingratidões para com Marília.

A questão das verbas federais para a pavimentação de diversos aeroportos, é assunto que encerra um abominável descaso ao povo mariliense. É tão grande a “mancada” a respeito, que temos a certeza de que o deputado Ulisses Guimarães, que sempre demonstrou ser amigo de Marília, deve estar, honestamente, aborrecidíssimo.

O que mais nos aborrece e chega a causar-nos vergonha – e náuseas –, é que tivemos, não há muito, comunicação oficial de atenções federais a respeito.

Ante isso, uma dúvida: brincaram com a paquidérmica boa vontade dos marilienses antes, ou escarneciam agora?

Marília é mesmo a eterna esquecida. Eterna esquecida não é bem o têrmo, porque nossa cidade é sumamente lembrada pelos políticos profissionais, pelos embusteiros e “paraquedistas”.

Estamos praticamente às vésperas das eleições. Dentro em breve, verdadeiras matilhas de falsos amigos de Marília, aqui estarão distribuindo dinheiro para alguns “cabos eleitorais” e promessas de empregos para uma série de eleitores, que, em primeira análise, são maus marilienses.

A culpa dêsse descaso por Marília e seu povo, não deve ser totalmente imputada aos maus representantes de nossa gente. A culpa principal cabe, sem sombra de dúvida, a nós próprios, que nos deixamos “levar no bico” no passado, indo na “conversa” dos politiqueiros contumazes. O êrro primordial nós, os marilienses, cometemo-lo. Quando não sabemos escolher nossos lídimos representantes, consignando votos à gente de fora, gente que só se lembra de Marília em épocas especiais.

Dizem que quanto mais se apanha, mais se aprende. O mariliense é uma exceção; deve ter os traseiros calejados de tanto apanhar. Mas é teimoso e não aprende mesmo.

Não faltam exemplos para corroborar o que estamos afirmando. Essa questão da verba para a pavimentação do aeroporto não é a primeira – e por certo não será a última. Ninguém ignora os dissabores que já passamos e as desilusões que sofremos. Também para ninguém é segredo o motivo dessas consequências. O êrro já foi feito no passado, e, pelo jeito, tende a repetir-se no futuro.

Não temos, portanto, razões para gritar. Não estamos “à calavo”. Ninguém é borracha para apagar nossos próprios êrros.

É tempo, entretanto, de abrir os olhos. É tempo de solucionar, pelo menos em parte, os êrros do passado.

Enquanto Marília não for suficientemente capaz de escolher seus legítimos advogados, elegendo candidatos da terra, assim continuaremos. Enquanto o mariliense continuar dando crédito ao palavreado político pré-fabricado e ensaiado, desses falsos amigos de Marília, assim continuaremos.

O caso já não é mais de reconhecimento, de necessidade; é de patriotismo, e, até certo ponto, de vergonha.

Sinceramente: existem políticos e eleitores marilienses, que só dando com um gato morto...

Extraído do Correio de Marília de 5 de março de 1958

quinta-feira, 4 de março de 2010

A Imigração Japonesa (4 de março de 1958)

Dissemos certa vez, que o braço estrangeiro entre nós, tem sido poderosa alavanca do progresso nacional. E não há segrêdo nisso. Realmente, o dinamismo brasileiro, especialmente no sul do país, em tôdas as esferas e principalmente na policultura, muito deve à operosidade do imigrante do Velho Mundo.

Sem menosprezo a nenhuma nação, pode-se dizer que os japoneses representam uma das mais úteis raças de imigrantes que o Brasil possui. Gente ordeira, operosa e pacata, prima pelo trabalho profícuo e pelo acatamento às leis brasileiras.

Souberam os japoneses, corresponder à hospitalidade recebida dos brasileiros e hoje se encontram perfeitamente integrados dentro da comunidade nacional, constituindo, juntamente com os povos de outros países, a grande família brasileira.

A raça nipônica – e hoje a “nissei” – é digna e merecedora de nossas simpatias – Benefícios sem conta trouxeram ao país, notadamente no setor econômico.

O próximo dia 18 de junho, assinalará o transcurso do cinquentenário da imigração japonesa em nosso país. A própria colônia, ramificada em diversos pontos do Estado, irá comemorar condignamente êsse acontecimento. A orientação geral dessas festividades partirá de São Paulo e será da responsabilidade do dr. Kioshi Yamamoto.

Marília sediará uma Comissão Regional, sob a presidência do esforçado sr. Yoshikaru Takitani. Como vice-presidentes, funcionam os srs. Akira Nagasse e José Yamashita, sendo que fazem parte ainda dessa comissão, os srs. Masao Sato, Hioshi Ihara e M. Hashimoto. Vários departamentos foram criados, para atender diversas exigências do vasto programa elaborado.

Em São Paulo, a Comissão Central, deixará indelevelmente escrita na própria história da gratidão da grande classe nipônica, a aludida efeméride. Construirá a colônia, nessa oportunidade, dois importantes pavilhões de assistência social – um no Hospital de Franco da Rocha e outro em Campos do Jordão.

Em Marília, os japoneses pretendem também perpetuar a passagem referida, ofertando ao município, uma belíssima “fonte luminosa”, que será construida no pátio fronteiriço ao novo Paço Municipal. Por outro lado, construirão no Cemitério Municipal, um Obelisco que demarcará ao acontecimento, ao par de render um tributo de gratidão aos imigrantes nipônicos já falecidos.

As solenidades, de cunho cultural, social e esportivos, terão a duração de vários dias.

Os govêrnos federal e estadual já deram seu beneplácito, oficializando as solenidades de 18 de junho. De nossa parte, a Prefeitura, órgão executivo que é, se porá, prazeirosamente, ao lado dos que programam os atos solenes.

Soubemos que o govêrno brasileiro, através do Itamaratí, convidou o príncipe Nikassa, irmão do imperador do Japão, considerado o mais democrata dos membros da realeza, sendo catedrático de história da civilização da Universidade de Tóquio, para, na época, visitar o Brasil, considerando-se provável a sua vinda a Marília.

Para as competições de beisebol, por exemplo, são previstas a presença das equipes da Universidade de Colúmbia (Estados Unidos) e da Universidade de Waseda (Tóquio). Haverá desfile de tratores, externando a pujança de nossa agricultura.

Extraído do Correio de Marília de 4 de março de 1958

segunda-feira, 1 de março de 2010

“Museu Relâmpago (1 de março de 1958)

Irão os “pracinhas” da F. B. E. de Marília, conforme se sabe, emprestar também sua colaboração ao Dia do Município.

Será, por certo, uma participação modesta, simples, de sentido inédito entre nós. Verdadeiramente “sui generis”. Os expedicionários apresentarão na Semana de Marília, um “museu relâmpago”, onde os marilienses terão o ensejo de ficar conhecendo diversos objetos e apetrechos relacionados com a participação do Brasil na última guerra mundial.

Armas, munições, objetos de uso pessoal, condecorações, vestimentas, calcados etc., desconhecidos de muita gente, serão expostos nessa mostra, com a qual a Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, Secção de Marília, participará do movimento que surgirá natural e espontaneamente, no que tange ao engalanamento de vitrines comerciais da cidade. Será u’a maneira pouco comum, não resta dúvida, de participar também da efeméride do município; entretanto, bem intencionada. Ao par do sentido eminentemente curioso e inédito, demonstrará a lembrança pela cidade, daquêles mesmos que, no passado, representaram Marília no Campo de Honra, incorporados à milhares de patrícios dos mais diversos recantos do país, e, irmanados com os soltados das Nações Aliadas, souberam dignificar a farda que vestiram, pagando à Pátria o mais sagrado tributo do sangue.

Objetos diversos, de pequena valia material, apresentaram valor espiritual inestimável, porque, cada um tem uma história, cada um representa uma saudade, um fato, um sacrifício ou uma vitória. Os “pracinhas” guardam com carinho indizíel tais objetos, que para êles significam relíquias. Não são muitos, relativamente. Entretanto, um número mais ou menos suficiente para dar uma idéia de muitas coisas utilizadas e empregadas na última guerra, quer pelas tropas brasileiras, quer pelos soldados alemães.

Incrível o apêgo que os combatentes têm acêrca de coisas que aparentemente nenhum valor ostentam. Êles, entretanto, estimam êsses objetos de modo desmesurado, invulgar. Só eles saberão realmente bem interpretar suas valias, porque cada coisa tem uma pequena história, ligada diretamente a um trecho da vida de cada um. Uma peça de roupa um “combat boot”, uma pistola, u’a medalha, mesmo um maço de cigarros (agora embolorados) ou um tubo de pó dentifrício, são guardados como relíquias. O mesmo acontece com vistas da Itália, algumas fotográficas de retagrarda, recortes de jornais, etc.. Um patrimônio verdadeiro, cujo valor real é ínfimo mas cuja importância espiritual é inestimável.

Alguns dos objetivos que serão expostos nêsse “museu relâmpago”, são de propriedade da Secção local da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil; outros pertencem aos diversos “pracinhas” de nossa cidade.

Os ex-combatentes participarão, assim, exibindo alguma coisa curiosa aos olhos públicos, das homenagens que se tributarão ao Dia do Município, além de suas palestras íntimas realizadas em sua séde social, como acontece em tôdas as passagens de datas cívicas ou históricas. Tal proceder é até uma decorrência dos próprios estatutos da entidade que congrega, em todo o Brasil, os participantes da última guerra mundial.

A exposição referida terá lugar numa das vitrines da “Relojoaria Cenedesi”, prazerosamente cedida para êsse fim.

Poucos marilienses conhecem, temos a certeza, algumas armas de guerra; poucos sabem como se portaram os “pracinhas” brasileiros em combate. Poucos, ainda, conhecem Ordens de Serviço assinadas pelo Marechal Mark Clark, então Comandante do V Exército, ao qual estava incorporada a F. E. B.. E muitas coisas mais, que os “pracinhas” exibirão nesse “museu relâmpago”.

Pensamos que valerá a pena presenciar o ato dessa iniciativa e boa vontade dos expedicionários marilienses. Se não atingir tal exposição os objetivos colimados, de uma coisa temos a certeza: os intentos são louváveis.

Extraído do Correio de Marília de 1 de março de 1958