terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Um cidadão emérito (29 de janeiro de 1977)



Assim que os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira, retornando da Itália, chegaram ao Brasil, o então prefeito mariliense, João Neves Camargo, enviou um seu representante ao Rio e São Paulo, com a finalidade de congregar os expedicionários de Marília, para trazê-los em comotiva, a fim de serem recepcionados e homenageados.

O delegado do prefeito fora o diretor da Bibliotéca Municipal, professor Basileu de Assis Moraes, que cumpriu integralmente sua missão.

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Eu encontrava-me dentre os pracinhas que haviam cumprido seu papel de brasilidade e patriotismo nos campos de luta da Itália.

Quando chegamos à gare da Paulista, autoridades e povo alí nos aguardavam.

Palmas, alegria, sorrisos, abraços… marcaram o encontro dos pracinhas que regressavam do campo de honra.

Incorporados, pracinhas, autoridades e povo, todos, pararam na confluência da Avenida Brasil, com a Rua Paraíba, onde no prédio que ainda hoje é o Bar Kambará, foi inaugurada uma placa, dando a denominação de “Rua dos Expecionários” à mencionada via pública.

Foi nessa ocasião que conheci o Dr. Oswaldo Rocha Mello, ontem falecido em São Paulo.

O Dr. Rocha Mello fizera um discurso impregnado de patriotismo, no qual exaltava os feitos dos pracinhas brasileiros no front italiano e destacava em especial os átos heróicos do Cabo Marcílio, detentor da medalha “Silver Star” do Exército dos Estados Unidos.

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Após o desfile na Avenida, os pracinhas foram participar de um banquete, no Líder Hotel, e alí o Dr. Oswaldo Rocha Mello sentou-se ao meu lado, consolidando o princípio de uma amizade que então começava a nascer.

Seguiram-se várias festividades e solenidades dedicadas aos pracinhas e em todos os locais eu encontava sempre o Dr. Oswaldo, com o qual palestrava e já admirava.

Concluída a programação festiva, que muito calou nos pracinhas marilienses, retornei a Caçapava, pois eu ainda não me havia desligado do Exército.

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Tempos depois refornei a Marília, onde fixei-me em definitivo.

Aí, mais miúde, encontrava-me com o Dr. Oswaldo Rocha Mello e mais o admirava, especialmente pelo seu sentimento religioso e a mais completa obtenção de preconceitos.

Era vista em todas as reuniões de Congregados Marianos, participando de todos os empreendimentos religiosos e trabalhando cmo um cidadão comum, nas quermesses da Matriz de Santo Antonio.

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Quando da vinda do Carmelo Sagrada Família para Marília, o Dr. Oswaldo e sua esposa, dona Amarilys, incorporaram-se no ról dos primeiros colaboradores da instituição.

Era uma espécie de co-fundador, de provedor, de patrono, de assessor e de amigo do Carmelo.

Quando de sua mudança para Brasília, talvez pela minha estreita ligação com o Dr. Oswaldo, ou, quiçá, pelas referências de dona Amarilys apresentadas à Madre Angela, sempre aquela religiosa procurava-me, para tentar substituir em alguns momentos e em pequenas contingências, o ilustre cidadão.

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Além de meu amigo, havia outro fato que muito me ligava em respeito ao Dr. Oswaldo Rocha Mello. Era ele Juiz de Paz e a pessoa que celebrara meu casamento civil em 1947.

O quarto título de Cidadão Benemérito de Marília foi conferido ao Dr. Oswaldo Rocha Mello e sua esposa, através da Lei número 998, como reconhecimento na cidade e de seu povo, ao cidadão simples e humilde, pio e cristão, que tratava a todos como irmãos com a mais completa simplicidade, apesar da clara inteligência e do elevado talento intelectual que o identificava.

Extraído do Correio de Marília de 29 de janeiro de 1977

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Vocês vão ver… (28 de janeiro de 1977)



Década de 1930.

Getúlio Dornelles Vargas no poder.

Em sí, o “baixinho” era uma excelente pessoa. Um bom governo. O que estragava era a curriola que o cercava, com Tenentes  Gregórios e outros lugares-tenentes.

Considerado o Pai dos Pobres, tinha uma penetração no prestígio popular, até hoje não olvidada pelos antigos trabalhistas. Desde 1954, ano de seu suicídio, até hoje, seu túmulo é visitado por centenas de pessoas na data do seu falecimento, 25 de agosto.

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O advento da era da indústria pesada deu-se no governo getulista, com a implantação de Volta Redonda.

Dos assalariados de todo o Brasil, muito devem ao ex-Presidente, face à codificação das Leis Trabalhistas, de sua autoria. Também as leis de previdência social, com o funcionamento dos IAPs, hoje Inps.

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Verdade que muitas leis foram deturpadas e não cumpridas. O próprio Getúlio encarneceu num discurso feito ao Brasil, numa passagem de ano, com a frase até hoje conhecida de “a lei, ora a lei…”

Outras foram modificadas, ampliadas, revisadas, revogadas ou aperfeiçoadas.

Mas um compêndio fabuloso e rico de leis nacionais nos foi legado por Getúlio Vargas.

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Naquele tempo, tendo Getúlio permanecido no Poder durante 15 anos consecutivos, muitas gerações criaram-se e formaram seus intelectos no período getulista.

Só se conhecia Getúlio Vargas como Presidente da República.

Então, vem a piada:

Era um sujeito muito apaixonado por futebol.

Corinthians, Palestra (Palmeiras), Paulistano (São Paulo) e Espanha (Jabaquara) eram os maiores da ocasião.

Numa conversa com um outro cidadão, este referiu-se sobre Getúlio ao fanático pelo futebol. Mas o esportista não sabia nada sobre Getúlio.

E o outro, admirado, insistiu:

- Como? Você não conhece Getúlio Vargas? Nem sabem que é?

E o torcedor de futebol respondeu com indiferença:

Não conheço, não… só se for jogador de algum time varzeano…

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Dia outro, fui assistir uma missa de trigésimo dia de falecimento de uma pessoa.

Havia comparecido ao enterro e também à missa de 7º. Dia. E admirei-me da pequena presença de amigos do falecido. Só alguns amigos e alguns parentes. Nada mais.

Pensei com os meus botões:

- É isso aí; morreu, morreu mesmo…

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Pedro Sola, o prefeito do século, está para deixar a prefeitura.

Ninguém é insubstituível.

Poderá Theobaldo ou outro futuro, até superá-lo em termos de visão administrativa.

Mas foi um grande, dinâmico e excelente prefeito.

Posso dizê-lo, pois não devo um favor siquer ao Pedrão e nem ele a mim. Nunca solicitei gentilezas, favores ou endosos. Nem ele. Estamos empatados.

Por razão esta, como mariliense, posso fazer tal afirmativa.

Mas, dia após deixar seu governo, por certo ele terá contra sí, opiniões desencontradas e incoerentes, de alguns que até há pouco o aplaudiram.

Vocês vão ver…

Extraído do Correio de Marília de 28 de janeiro de 1977

domingo, 27 de janeiro de 2013

Coisas de gasolina (27 de janeiro de 1977)



A racionalização (acho esquisito o termo para o fim aplicado) de gasolina pelo menos já trouxe no mínimo três vantagens: forçou a economia, por um lado. Diminuiu o trânsito intenso, por outro. E desafogou bastante a balburdia de veículos no centro da cidade.

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Coisa que não dá bem para entender é a “racionalização” da gasolina, num páreo estranho com os preços dos veículos, cujas cotações continuam subindo.

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Gente precisa tirar da cabeça a idéia fixa de que, com o depósito compulsório de dois cruzeiros por litro, o preço da gasolina será de sete pratas.

Isto está gerando uma espécie de psicose coletiva e da idéia geral, poderá redundar em detrimento da população ou mais diretamente, da economia popular.

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É que já se cogita em subir tudo, sob o pretexto de que a gasolina “custa sete cruzeiros”.

É um jogo ruim.

Que inclusive deverá despertar e merecer atenções de quem de direito.

Por outro lad, tem gente satisfeita, pois tudo o que se relaciona ou se refere com aumentos de preços de produtos de petróleo, lhes dá margem a aumentar, a subir, a cobrar o que bem se puder entender ou der no bestunto.

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Governo não está disposto a isentar os taxis do recolhimento compulsório da taxa de dois cruzeiros. Mas anúncia que pretrende estudar uma fórmula, no sentido de não prejudicar os motoristas, que têm nos taxis seu ganha-pães.

Outro negócio melindroso, pois a corda arrebentando do lado dos passageiros, estes irão evitar ao máximo o uso de tais tipos de transportes. Em palavras outras, isso quer dizer que as receitas dos profissionais dos autos de aluguel poderá diminuir ainda mais.

Caso para pensar.

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A única desvantagem que a “racionalização” de gasolina trouxe, esta refere-se ao turismo. Logo agora, quando os governos se empenham em fomentar o turismo entre nós, a medida se torna necessária.

Com a gasolina por preço assim, acrescido do depósito compulsório, não dá ânimo para ninguém fazer turismo.

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A esperança que existe a respeito é a aprovação cem por cento, dos motores de automóveis adaptados para o suo de álcool de cereal – no caso, álcool de mandioca.

Mandioca é produto de fácil custeio e trato, que nasce em qualquer cerrado. E cerrados é o que não faltam no Brasil – especialmente na parte centro-oeste.

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Resta saber se depois disso não será facultado o enriquecimento fácil e violento, das empresas “adaptadoras” de motores ou dos grandes plantadores de mandioca, ou destiladores do álcool desta.

Como se sabe, o nacional é assim mesmo. Gosta de tirar as suas casquinhas e nesse particular imita a cascável: é só dar molesa e ela dá logo o bóte.

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De qualquer maneira, o lado que encanta tudo isso é o espírito de esportividade do brasileiro. Acha jeito de tirar uma piadinha em tudo, de motivar uma alegria em tudo.

Assim, é só a gente ver nas ruas da cidade pessoa que sempre andou de condução para “tirar o sarro” de leve:

- Economizando gasolina, hein?

Extraído do Correio de Marília de 27 de janeiro de 1977

sábado, 26 de janeiro de 2013

Presente de grego (26 de janeiro de 1977)



Não se trata aqui da repetição histórica, mas sim da lembrança do tragi-comico e caricata episódio que de há séculos caracterizou-se pejorativamente como “presente de grego”.

Nem analogia existe, embora, grosseiramente, possa vocar-se a lembrança do gigantesco cavalo grego, com o “bucho” cheio de soldados, que invadiram e dominaram a extinta Tróia.

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E desde então, todas as vezes que um aparente bom negócio se traduz numa transação, senão péssima, pelo menos decepcionante ou prejudicial, ou mesmo contundente, ou ainda envernizada pela frustração, é costume dizer-se que tal se constituiu num “presente de grego”. Especialmente se se esperava com ansiedade, um resultado positivo e se alimentava um antigo anelo, que a realidade da frustração veio cavalgada na besta da decepção.

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E aconteceu, isto.

Aqui em Marília.

Com marilienses, sim.

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Cecap, vindo de encontro ao desespero de muita gente, anunciou a construção de casas populares. Prefeito Pedrão lutou de unhas e dentes para conseguir isso. Até declarou guerra à Cohab e disse cobras e lagartos, não em sentido intransigentemente direto, mas sim irreversivelmente mariliense, na defesa dos interesses de nossa gente.

E o que adiantou foi que a Cecap acabou dando um verdadeiro presente de grego aos marilienses, configurado nos planos de vendas das casas chamadas populares, que se dispos e que iniciou a construir em Marília.

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Muita gente de boca para “pegar” uma casa. Casa destinada a abrigar para muitos a esposa magra e os filhos famintos.

Casa sonho, casa lar.

Casa impossível, sonho desfeito.

Pior do que isso: sonho transformado em pesadelo.

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Ex-prefeito de Tupã, odontólogo Walter Pimentel, ofereceu desculpa. A única que poderia ser oferecida: os preços e localização dos terrenos são bons e como tais não comportariam edificações de casas eminentemente populares. Isto é, estandartizadas, padronizadas, tais como bolinhos de uma mesma fornada.

Porisso, os preços altos.

Em termos de casas populares, de poupanças, de fundo de garantia, de PIS, nada têm as mesmas de populares. No terreno de amortização.

A renda familiar, mínima exigida, transpira exigência muita.

A menor, vai exigir cerca de três mil cruzeiros de renda.

Tem jornalista responsável que nem isso ganha por mês – para citar apenas um exemplo.

Mesmo grandes empresas, sólidas, radicadas, consolidadas, não pagam aos mais importantes de seus empregados quantias que tais.

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Um assunto sério que tornou-se ridiculo.

É impossível.

Cecap procura doar aos marilienses um presente de grego.

Infelizmente.

Para azar de muita gente.

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Não seria de bom alvitre – e pelo menos mais humano – fazer-se uma revisão dessas tabelas, a fim de que as casas anunciadas venham de fato a tornar-se “populares”?

Extraído do Correio de Marília de 26 de janeiro de 1977

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Hoje, Dia de São Paulo (25 de janeiro de 1977)



Quatrocentos e vinte e três anos fazem hoje que foi fundada a cidade de São Paulo.

Nossa Capital representa um dos mais expressivos, fortes e vivo exemplos da efetividade de ação da catequese, na formação, crescimento e dinamismo das cidades brasileiras.

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São Paulo iniciou seu desenvolvimento rodeando uma capela católica, mandada erigir pelo padre jesuita Manoel da Nóbrega, uma colina perdida num oceano verde, onde hoje se situa o Pátio do Colégio.

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A primeira vibração de progresso manifestou-se no ano de 1560. Foi quando os habitantes de uma povoação não mui distante transferiram suas residências para junto do colégio dos Jesuitas, instalado ao lado da Capela.

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E São Paulo não parou por aí.

Através do passar dos anos seu crescimento foi algo lento, de início indeciso, mas sempre potente.

O cultivo da lavoura cafeeira, na metade do século passado, é que veio trazer um impulso gigantesco ao Estado de São Paulo e consequentemente fez subir progressivamente a Capital.

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O café, com sua produção e comercialização, acabou preparando a explosão industrial, que acabaria por acontecer e que teve a rigor seu início efetivo no ano 40 do presente século.

E a partir daí, São Paulo passou a liderar o campo industrial do país, acabando por tornar-se uma das ricas e belas cidades do mundo.

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O café e a indústria foram motivo de atração para estrangeiros que para cá emigraram, integrando-se na lavoura ou no parque industrial.

Tanto isso é verdade que aproximadamente 50 por cento de sua população, que hoje é de oito milhões de habitantes, constitui-se de estrangeiros – ou descendentes destes.

A presença mais expressiva dessas raças alienigenas, que muito contribuiram para o desenvolvimento de São Paulo, caracteriza-se pelos italianos, espanhóis, portugueses e alemães, em maior índice.

O município de São Paulo tem 1.515,550 quilômetros quadrados, terreno acidentado e clima temperado.

Em São Paulo tem de tudo o que se deseje ou prenteda, bastando procurar e ter dinheiro para sua aquisição.

No terreno de pasto, em lugar nenhum do mundo se come como em São Paulo, onde o paulistano ou o forasteiro consegue encontrar e saborear o cardápio que bem entender, nacional e internacional.

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Hoje São Paulo tornou-se uma cidade desumana, uma selva de cimento armad, onde a vida é corrida, onde a luta pelo ganha-pão diário é árdua, mas onde existe a compensação, a opção pelo lazer, pelo passeio, pelo repouso.

A desumanidade de São Paulo – no bom termo – é consequência indesviável do próprio dinamismo e crescimento da urbe, uma autêntica imposição que representa um pesado ônus do próprio progresso.

E o que é certo, é que São Paulo orgulha o paulistano e o paulista e faz inveja ao estrangeiro e ao brasileiro de outras plagas.

Extraído do Correio de Marília de 25 de janeiro de 1977

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Manguinhas de fora (22 de janeiro de 1977)



Começo do ano de 1964. Situação nacional intranquila. Jango e Brisola permitindo que assalariados de Moscou bagunçassem o coreto.

Maus brasileiros, sobretudo maus patriotas, exultavam: “comunismo vai entrar”.

Vagabundos, mas seguidores da doutrina exótica, preparavam-se para “receber” residências e fazendas daqueles que ganharam-nas com um trabalho suado, fruto de anos de trabalho constante.

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Caboclo, ingênuo, ignorante de tudo o que ouvia dizer e que não entendia, conversava com o outro:

- Cumpádi, diz-que u tár di cumunismo vem aí.

- Dêxa vim, qui nós avacáia êli.

E o outro, mais curioso, queria saber o que era mesmo o comunismo que se anunciava que viria e o que representaria afinal.

Pergunta ao compadre da cidade, homem que lia jornais, ouvia rádio, assistia televisão e conversava com o farmacêutico e o gerente do banco.

E o homem da cidade explicou, então, ao ingênuo matuto:

- O senhor me dá a palha de milho, o fumo de corda, o canivete. Eu pico o fumo, desfio ele, enrolo o cigarro, ponho na boca. Você me empresta o fósforo ou isqueiro. Eu acendo o cigarro e pito. Isso é comunismo.

Indagou o outro:

- O fumo é meu, a páia é minha, o fórfe é meu, o canivete é meu, mecê faiz u cigarro cum o meu materiá e pita… i eu u que faço?

- Você cóspe… isso é comunismo.

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Mas o outro caboclo não havia entendido e desejava saber melhor sobre o assunto.

Então lhe explicaram:

- Comunismo é a igualdade para todos, assim, o que é teu, é meu. Mas o que é meu, é meu mesmo, entendeu?

- Você, di qui nação é?

- Eu sô mistura di pernambucano com baiana.

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E o outro dizia com certo falso orgulho e caracterizada insegurança:

- Eu já sô di bem longi… sô di Macapá, sábi? É longi pá pésti… lá pru ladu di Goias, mais mais pertu di Curibita…

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Dois assistentes, boquiabertos. O início. Depois, a assistência cresceu mais. Eram uns quatro ou cinco. E o homem bazofiava. Falava. Empolgava os incautos que ouviam tudo. E ele crescia.

Contou:

- Uma veiz tive nu Japão. Vocês precisam ver como é difícil comer com pauzinho…

Todo mundo riu.

O homem era um encanto.

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Casualmente, eu ouvia tudo. Parecia não ouvir, porque fingia que lia.

Mas ouvia. Deliciava-me por dentro.

Mas acabei “explodindo” contra o homem, quando ele disse a maior mentira deste ano.

Disse que era jornalista!

Extraído do Correio de Marília de 22 de janeiro de 1977

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

80 quilômetros horários (21 de janeiro de 1977)



Certa feita, não há muito, viajava eu para o sul do país (*) e fiquei com a atenção despertada, por algumas placas sinalizadoras de trânsito, até então não vistas por aqui.

No Estado de Santa Catarina e mesmo em certa parte do Rio Grande do Sul, de vez em quando viam-se placas com os dizeres “velocidade controlada por radar”.

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De início associei a ideia dos aparelhos de radar, de aeroportos e navios e por razões esta estranhei que não se visse torres específicas, ao longo do trajeto. Nem mesmo nas imediações dos pontos da polícia rodoviária.

Fiquei pensando que possivelmente o sistema de radar estivesse em implantação e que se tivesse antecipado, por qualquer razão, a colocação das placas. Isso raciocinei, por entender que tais avisos, de cunho oficial, não poderiam ser “de mentirinha”.

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Na ocasião, ainda não havia entrado em vigor o limite de velocidade máxima de 80 quilômetros, tal como ocorre hoje em dia.

Apenas que nem todos respeitam essa delimitação.

Pelo menos muitos caminhões pesados, que pelo motivo de serem lentos nos aclives, tentam uma forma de recuperação de trajeto e tempo, utilizando violentas “banqueladas” nas descidas.

E ocorre que, em declives de grandes extensões, esses veículos pesados devem atingir mais de 100 quilômetros horários.

E os que estiverem respeitando a lei, que tratem de sair para os acontamentos ou senão infringir o dispositivo legal, metendo o pé na tábua, porque, senão, os brutamantos do asfalto passarão por cima deles.

Assim deve ter sido o infausto acontecimento que vitimou o mariliense João Raphael.

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Dia outro, nas proximidades de Jafa, um caminhão Mercedes ameaçava alcançar-me. Eu dirigia dentro dos limites estipulados por lei. E o brutamontes aproximava-se, com o motorista de pé atolado e insistia em pedir passagem, dando sinais de luzes.

O acostamento não permitia que eu saísse da pista certa para permitir a ultrapassagem. E como o brutamontes se aproximava quase batendo na minha velha condução, lembrei-me do caso antes referido e tive que correr, ultrapassando a lei, para evitar que o mercedão me passasse por cima.

Preocupado com o fato, tive tempo de sair da pista, tão logo se me ofereceu condições de acostamento e pude ver o pesado caminhão, placa de Bauru, pertencente a Força e Luz.

O veículo passou em tão alta velocidade que não deu tempo siquer de eu anotar o número da placa, mas consegui ler o nome da cidade da longarina da carroceria e vi de relance o emblema da CPFL.

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Mas não é só esse exemplo. Existem outros.

Quem te dirige de Marília para Assis, dirigindo carro pequeno e respeitando o limite de velocidade legal, tem que sair para o acostamento ou meter o pé na tábua.

Tem uns caminhões basculantes, de determinada firma de engenharia, que correm mais do que o diabo e se os que dirigem carros pequenos não saírem da pista, fatalmente serão esmagados pelos brutamontes carregados de areias ou pedras.

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Mas não é só isso.

Existem carros de empresas oficiais, inclusive com escritos da delimitação das velocidades, que eles próprios não respeitam e “podam” veículos outros, em velocidades além dos limites da lei.

Existem, sim.

(*) José Arnaldo fez uma viagem de caminhão ao sul do Brasil em 1973 e escreveu uma série de sete crônicas sob o título “Viagem aos Pampas”. A publicação, no Correio de Marília, deu-se nas edições de 28 e 30 de novembro, 1, 4, 5, 6 e 7 de dezembro de 1973. Esses textos foram reproduzidos recentemente e estão disponíveis neste blogue.

Extraído do Correio de Marília de 21 de janeiro de 1977

domingo, 20 de janeiro de 2013

Hoje, Dia do Farmacêutico (20 de janeiro de 1977)



Dia destes, palestrava eu com o deputado Doretto Campanari. No trivial da conversa, contei ao oftalmologista, que em criança tivera eu uma indomita e enorme vontade e vocação pela medicina. Mas que, tendo sido criado na lavoura, “no cabo da enxada”, esse anelo tornara-se impossível, acabando por desfalecer.

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Eu não tinha condições de atinar com a importância da ciência médica propriamente dita. O que, na minha ingenuidade eu admirava, era o médico em pessoa. Achava-o um ser superior, inteligente, dotado de uma autoridade impressionante, uma criatura sábia, que curava gente.

E admirava, então, os dois médicos que existiam na cidadezinha onde morava.

E sonhava ser médico também.

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Um de meus colegas de grupo escolar era “protegido” de um médico. O esculápio, que não tinha filhos homens, propuzera-se a custear os estudos desse meu colega, o Ari. Para que ele se formasse em medicina, pois o pai, velho sapateiro, não tinha condições de pagar os estudos.

Eu invejava o Ari.

E quando terminamos o quarto ano de grupo, o Ari foi para uma cidade grande, sob as expensas do médico, cursar o ginásio. E completou o curso ginasial, que naquele tempo era de cinco anos.

O protetor deve ter ficado decepcionado, pois no final o Ari acabou desistindo de ir estudar medicina em São Paulo e acabou tornando-se um perito contador.

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Aos poucos e com o passar do tempo, acabei convencendo-me de que seria impossível eu estudar medicina. E terminei por aceitar a realidade dos fatos.

Como quem não tem cão caça com gato – diz o adágio – pensei em trabalhar numa farmácia, pois assim estaria próximo ao ramo da medicina – pensei.

E, graças à concordância e interferência de meu pai, me foi conseguido emprego na cidade, para trabalhar numa farmácia. Trabalhava, comia e dormia e pra mim isso representava a coisa mais bela e mais rica do mundo.

Essa felicidade dava-me um alento e um entusiasmo digno de nota e com isso eu lavava vidros o dia todo, fazia a limpeza do estabelecimento, lavava cálices, bastões, geral, seringas, aparelhos piruleiros e tudo o mais e me interessava em aprender.

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O João, encarregado do laboratório, não gostava muito de responder minhas seguidas perguntas sobre famacopéia. E eu indagava porque queria aprender.

Assim, quando tinha folga, recorria a um outro moço de outra farmácia, que sendo mais velho do que eu, forçosamente entendia melhor de farmácia. E esse rapaz, talvez por piedade, respondia minhas perguntas, ensinava-me outras coisas e até fornecia-me as fórmulas sobre pomadas e xaropes.

E eu era feliz, como todo garoto pobre e inocente, que se considera realizado.

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Lembrança esta veio-me à mente porque hoje é o Dia do Farmacêutico, essa profissão de nível superior, excelentemente qualificado, que executa tarefas inportantes, que diretamente se coadunam com a ciência médica e a técnica farmacológica.

Com esse episódio e com este registro, as homenagens aos honrados farmacêuticos marilienses, neste Dia do Farmacêutico.

Extraído do Correio de Marília de 20 de janeiro de 1977

sábado, 19 de janeiro de 2013

A superstição (19 de janeiro de 1977)



Dizem que a superstição é própria dos ignorantes ou das pessoas de pouca cultura.

Não é.

A superstição existe em todas as gentes, em maior ou menor escala. Ocorre que é que muitas pessoas tentam ocultar sempre esse sentimento.

Mas em cada ser há um resquicio de superstição, isso há. Mesmo negando-o.

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Eu era garoto ainda.

Vivia numa miséria franciscana, pois tinha todas as despesas de uma pessoa adulta e os rendimentos de um moleque.

Pagava a mensalidade escolar com sacrifício ingente, pagava pensão – só comida – e dormia de favor, num quartinho existente no quintal de uma loja de ferragens. Não tinha condições de pagar lavadeira, porisso eu mesmo lavava minha roupa, que estendia numa cerca balaustre, sem torcer, para que pudesse ser usada sem passar.

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Foi quando apareceu na cidade, um tal de “Professor Eurico”, profeta e adivinho, um sabe-tudo. O homem respondia consultas sobre as mais variadas e incógnitas perguntas. As respostas eram feitas através da emissora local, diariamente e via jornal semanário, aos domingos.

As perguntas formuladas para resposta pelo rádio, eram pagas. Uma quantia pequena, que o homem anunciava destinar a determinada entidade de benemerência.

As respostas pelo semanário, eram de graça e como eu não dispunha de dinheiro para pagar a resposta pelo rádio, fiz minha “consulta” pelo jornal.

E aguardei.

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No domingo seguinte, assim que levantei, fui direto ao Bar do Zé Ribeiro, para ver o jornal. Folheei ávido o hebdomadário e deparei com a resposta que pretendia.

Fiquei decepcionado e não dei crédito ao que me fora respondido. Achei a resposta bastante absurda e sem fundamento. Mais do que isso, de previsões impossíveis.

Comigo mesmo, não pude concordar com o futuro que o “professor” me antevia.

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Guardei o referido recorte e só há poucos anos passados é que me defiz dele.

Com o passar do tempo, percebi que o “vidente” havia acertado muito e se aproximado bastante de todas as suas previsões para com meu porvir.

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Disseram-me a resposta:

1.    Você vai perder seu emprego por uma crise provocada por gente de fora.
2.    Você percorrerá mares e conhecerá outros povos.
3.    Haverá ocasiões em que sua vida não valerá nem um tostão, mas no final você sobreviverá.
4.    Terá sucesso em escritos e publicações.
5.    Casará e terá muitos filhos.
6.    Será rico depois dos 45 anos e morrerá depois dos 70.

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Menos o item seis, todas as previsões se consumaram.

1.    Aquele tempo, quem fazia o curso ginasial era chamado de “bacharel”. Apareceu um “bacharel” vindo do norte e acabou fazendo amizade com meu patrão e indo comer e domir na casa dele. E esse “bacharel” conseguiu “encher a cabeça” do meu patrão, tendo eu sido despedido e ele ficado com meu emprego.
2.    Acabei viajando através do Atlântico, depois do Pacífico e do Mar Tirreno.
3.    Escapei de morrer na guerra, mesmo tendo outros patrícios sucumbidos ao meu lado e junto comigo.
4.    Consigo ganhar o pão-de-cada-dia escrevendo e já tenho a credencial de jornalista internacional.
5.    Certo.

Só falta a previsão de número meia dúzia, para que tudo o que o “Professor Eurico” falou, venha a dar certo.

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Para finalizar e comprovar que existe superstição, vem o caso daquele distinto que perguntou ao outro, se ele tinha religião. E veio a resposta:

- Graças a Deus, sou ateu.

Extraído do Correio de Marília de 19 de janeiro de 1977

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Gasolina, o bode expiatório (18 de janeiro de 1977)



Não só o Brasil, mas diversas outras nações do mundo, encontram-se compulsoriamente submissas aos países produtores de petróleo, principalmente a Arabia.

Nestes últimos anos, o consumo interno de gasolina entre nós, quadripicou ou quintuplicou. Além do vertiginoso índice de produção automobilística nacional, o sistema de financiamentos destinados a aquisições de veículos, acabou por acarretar expressiva elevação nas cifras representativas do consumo de petróleo.

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Nestas condições, o petróleo produzido em território brasileiro e as cotas de importação do referido produto, acabaram por tornar-se insuficientes e deficientes para o consumo interno, onde a demanda é maior do que o armazenamento.

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Sem contar-se, ainda, com o volume gigantesco de divisas nacionais, que se carreiam para o exterior, como pagamento das aquisições da maior parte do petróleo que se consome no Brasil.

O brasileiro, de modo geral, consome mais petróleo do que leite!

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A situação vem se agravando dia a dia, chamando as atenções das próprias autoridades governamentais, o ponto de passar a exigir uma tomada de posição ou a adoção de providências enérgicas, no sentido de, senão resolver, pelo menos contornar a crise surgida.

A medida mais drastica que se poderia cogitar para o caso, seria a do racionamento do produto. O racionamento, em sí, iria ter reflexos na própria condição economica da população, pois certamente forçaria suas ações inclusive no gás liquefeito.

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E o governo vem de anunciar, sob a chancela de “racionalização”, uma apertadela no consenso geral, forçando a economia do referido produto.

Para isso, instituindo a obrigatoriedade de um recolhimento à guisa de empréstimo compulsório, para ressarcimento após 24 meses, sem juros, correção monetária ou vantagens outras.

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Quiçá não seja esta a fórmula mais prática e objetiva da questão.

Percebe-se que o governo quer acertar, está interessado na solução do problema, mas quer parecer que a medida talvez venha a ser modificada, mesmo antes de entrar em vigência.

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O anunciado já principiou a gerar entre grande parte dos nacionais, uma espécie de psicose coletiva de aumento do custo de vida.

Os que dependem de condução, já principiaram a mentalizar e a fixar uma idéia única, de que a gasolina custara dois cruzeiros a mais.

Isto é, não estão dando importância ao objetivo da medida em sí e sim, considerando o valor do empréstimo compulsório, como preço pago a mais em cada litro de combustível.

Isso poderá forçar uma elevação de custo das utilidades e generos de necessidade premente. E não é isso o que pretende o governo.

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Esse aspecto, já faz parte dominante de muitas gentes. E eles, os que assim pensam, não querem saber de nada. Para eles, a gasolina orçará a casa dos sete cruzeiros, porque em efetividade, desembolsarão dita importância. E como tal, irão fazer com que se considere tal como indesviável e partindo desse princípio, forçar o aumento de tudo, sob o pretexto da alta da gasolina, que, até aqui, tem sido o bode expiatório de muitas explorações da economia popular.

Extraído do Correio de Marília de 18 de janeiro de 1977

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Tem dessas coisas… (15 de janeiro de 1977)



Governo tem suas razões, mas parece que não seria esta a medida exata, para a solução do angustiante problema do petróleo.

Quiçá um racionamento bem justo e equanime, pudesse surgir melhores efeitos do que esse empréstimo compulsório, que nada poderá significar para os ricos e poderosos, mas que, por outro lado, além de sacrificar os mais pobres, poderá refletir diretamente contra a maioria, que por razões óbvias, será afetada pelas altas dos sistemas de transportes.

Embora o assunto seja de suma importancia e grande responsabilidade, comportaria aquí, a piada do sertanejo, que era obrigado a fazer suas compras no único armazém que existia na região agrícola.

Sempre que ele ia adquirir um produto, o comerciante dizia que havia subido, devido a alta da gasolina.

E, cansado de ouvir sempre a mesma ladainha, um dia o caboclo “explodiu”:

- Eu num tenho tomóve, num tenho lampião à gazulina, num tenho isquêro i num bêbo gazulina… u qui é qui eu tenho cum isso?

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Transito diariamente pela Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes.

De domingo último, até quarta-feira passada, vi várias centenas de jovens, aflitos e esperançosos, participando dos vestibulares para ingressar em nossa Faculdade de Medicina.

Para muitos, o desusado movimento poderia enquadrar-se no corriqueiro e comum, em simples sabatinas escolares. Mas não foi isso.

Eu próprio, se não tivesse sentido nas carnes, o problema angustiante dessa juventude, poderia igualmente assim ter pensado.

O certo, porém, é que para os que acompanharam as horas de estudo desses jovens, o fato é e ter-se dó dos mesmos.

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Dentro de 45 dias, deverá começar a vigorar a medida legal, de compulsoriedade de empréstimo para os que irão adquirir gasolna para seus veículos.

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Presidente da Associação Médica Brasileira, Dr. Pedro Cassab, esteve recentemente em Bauru, para hipotecar solidariedade aos médicos da “cidade sem limites”, face ao impasse surgido entre a classe e a diretoria da Santa Casa bauruense.

A propósito, o assunto teve repercussão em todo o país e em certos casos, gerou até confusão. Dia destes, ao tomar um taxi em São Paulo, perguntava-me o motorista, se havia chegado a bom termo a crise dos médicos de Marília.

Poderei que não era em Marília e sim em Bauru que havia surgido tal crise. Mas o profissional contestou:

- Em Marília também… e ví na televisão. (?!)

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“Câmara premiou os “melhores da imprensa 75”. Pena que a imprensa não possa premiar os piores da Câmara em 76. O eleitorado já cuidou disso”.

Trecho, acima do JC de ontem. Gostei.

Sobre o assunto, oportunamente falarei. Estou “por dentro” e a cavaleiro da situação. Eu fui o pai da criança. Mas surgiram outros padrastos na minha ausência. Bagunçaram uma coisa séria. Deixaram o vaidosismo falar alto e acabaram por prostituir um assunto diano e bem-intencionado. A ponto dos prêmios terem perdido todo seu lustre de velorosidade.

Depois eu conto. (E provo).

Tchau, belos!

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Leite, segundo consta, deveria conter em seus envolucros plásticos, a data do uso.

Primeiro, sim.

Depois, mais elásticos, com validade “para até tal dia”.

De quando em sempre, saquinhos sem data e sem validade “para até tal dia”.

Sei lá se é…

Extraído do Correio de Marília de 15 de janeiro de 1977

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sei lá se é… (14 de janeiro de 1977)



Eles têm o direito de viver. E de ganhar seu dinheiro. Pelo menos, assim, estão levando uma vida que se vislumbra como de encaminhamento plausível para um futuro de trabalho.

Melhor assim, do que abandonados, vendo maus exemplos e andando em más companhias.

Refiro-me aos pequenos engraxates.

Mas há um erro ai na imediação do ponto do Expresso de Prata.

É a proliferação desses garotinhos, mercadejando suas habilidades.

Até aí, nada demais.

Ocorre que quem está esperando um parente ou amigo que está para chegar, ou que quem corre atraz do horário de ônibus, não têm tempo e nem está interessado em lustrar os sapatos.

E os garotos, aos bandos, insistem. E não percebem, que, estando todos eles junto, se um não conseguiu o trabalho, os outros também não. Mas se estiverem cinco, mesmo todos eles tendo ouvido a recusa do pretenso freguês, os outros quatro, um por vez, insistirão no clássico “quéngraxá?”

Sei lá se é…

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A gente vai dirigindo pelaí. Ou cruza, ou é cruzado por um veículo. Ou ultrapassa, ou é ultrapassado por outro carro.

E a gente vê os clássicos letreiros em muitos deles: “Auto Escola” e “Cuidado, Escola”.

Então, instintivamente, a gente julga que se trata de um carro de instrução (está escrito) e como tal, deve conduzir um aluno, acompanhado de um monitor. Isso é suficiente para que a gente dobre os cuidados.

Mas nem sempre os referidos veículos estão com alunos. Não, pois costumam em algumas ocasiões, correr bem e ultrapassar “bem” e nem sempre “maneiram” nos cruzamentos.

Seria conveniente que carros para instrução só servissem para instrução, como as ambulancias e os carros funebres que têm funções específicas. Ou não seria?

Sei lá se é…

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Então a gente gosta de tentar a sorte. Quem não gosta?

E o vendedor de bilhetes vem se aproximando. E a gente pergunta: “Tem cachorro?”

Aí o bilheteiro responde que não, mas tem “cabra”, tem “gato”, tem “lefante”, o diabo.

Ora, se o fregues perguntou se tem “cachorro”, a resposta não tem meio-termo: sim ou não. Mas o homem do bilhete não percebe isso e volta a insistir com nomes de outros bichos, deixando por vezes o fregues encabulado.

Será que alguns bilheteiros não entendem bem o que os viciados preferem?

Sei lá se é…

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Falou-se do aumento da carne.

Ninguém falou na Sunab. Todavia, uma portaria de tal organismo, abriga os estabelecimentos especializados a manterem em lugar visível, a respectiva tabela vigente.

Em Marília nada disso ocorre.

Porque aqui, como sempre, ninguém fiscaliza ninguém.

E então, como não poderia deixar de ser, em cada ponto tem um preço diferente.

Estará certo?

Sei lá se é…

Extraído do Correio de Marília de 14 de janeiro de 1977