terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Sim, é isso aí… (26 de fevereiro de 1977)



É isso aí.

Lá pelas imediações do Colégio “Amilcare Mattei”, algumas mocinhas-estudantes, ao fazer sinal de parada para os ônibus da Circular, não fazem como as demais pessoas, erguendo os braços.

Elas erguem as pernas – ao envés dos braços.

E os motoristas dos ônibus param os coletivos, em atenção aos exóticos e “sui generis” sinais.

E essas mocinhas estão haurindo as luzes da ciência e aprendendo educação, num consagrado e prestigioso estabelecimento de ensino.

Inda bem, se assim não fôra…

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Falando em ônibus, existe, segundo consta, determinação de escalão superior, compulsando determinada classe de coletivos, a usar luz acesa nas rodovias, durante os percursos, mesmo diurnos.

Tudo bem.

Mas a noite, aqui na cidade, em ruas feericamente iluminadas, alguns ônibus de uma empresa local – não se trata da Circular – perturbam motoristas e pedestres, com luzes acesas no centro da cidade.

Se não estão certos, estarão errados.

Por certo.

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As “bicheiras” – isto é, as porteiras – da Fepasa vão indo muito bem, obrigado.

Aqueles que tanto “trabalharam” para que Laudo e Tatá não construissem o viaduto da Rua 9 de Julho, devem estar sentindo as consciências mais pesadas do que a locomotiva “Jaburú” da própria Fepasa.

É, ou não é?

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Preços da carne verde em Marília dançam mais do que cabrocha de escola de samba.

Algo está errado.

Depois, quando surgirem por ai, fiscais da Sunab, alguns irão repetir a previsão admoestadora da inspeção de quarteirão do lugarejo, dizendo:

- Ah! Eu não sabia…

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Verdade mesmo é que aquí para nós a Sunab é o mesmo que um disco voador: ninguém vê.

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Motoristas em Marília, em uma grande maioria, têm preguiça de ligar as setas de sinalização, indicando a direção que pretendem convergir.

Chegam nas esquinas, convergem… e pronto.

Quem vem atrás que se dane, que vá para o diabo.

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Falando em motoristas, os carros de auto-escolas confundem muita gente.

É que, por natureza, por intuição, por conhecimento de Trânsito e por preocupação ou mesmo instinto de preservação, a gente guia co mais cuidado, sempre que está perto de um “auto escola”.

Só que a gente se engana.

Às vezes não é o aluno que dirige e sim o monitor. E este, talvez para mostrar que é um Theobaldo – o bom – faz peripécias, póda em qualquer lugar e “derruba o chulé”.

Assim, sim, mas assim também não.

Não pode haver meio termo.

Tem que ser auto-escola ou tem que não ser auto-escola.

Não se trata de assunto para escolados.

É isso aí.

Extraído do Correio de Marília de 26 de fevereiro de 1977

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O galo velho do Rio Tibiriçá (25 de fevereiro de 1977)



Sim, foi isto que eu disse dia outro ao negrinho João.

- Olhe, vou escrever uma crônica sobre esse galo velho.

João olhou espantado, arregalando os olhos, fazendo realçar o branco dos mesmos, contrastando com o ébano da pele, reluzente de suor. E arriscou a pergunta, com indisfarçavel desconfiança.

- No jornal?

- Sim, no jornal – disse eu.

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E expliquei ao pretinho, que ouviu sem entender muito, mas com bastante atenção.

- Os americanos costumavam dar um valor muito importante, ao lema “envelhecer com dignidade”, como a premiar respeitosamente o final dos anos das criaturas humanas. Uma espécie de respeito e gratidão pelo que fizeram os entes queridos, durante uma vida de labutas. Ou uma demonstração de agradecimento e de veneração, pela continuidade e perpetuação da espécie humana. Ou, mais do que isso, o testemunho do verdadeiro sentimento de cristandade, que se traduz no amor e no respeito aos semelhantes e na veneração para com os mais idosos…

O negrinho ouviu sem dizer nada e parece-me que conseguiu entender tudo muito bem. Nada respondeu, nada arguiu também.

Disse ao João que o jornalista tem também seus momentos em que o sentimento fala alto e que ele transporta para os artigos que escreve não só os pensamentos, mas, também, muitas vezes, pedaços do próprio Ego e lascas de seus próprios sentimentos, colocando mais calor de humildade, de respeito e de humildade, na exteriorização de pontos de vista: é o lado humano, que não se reveste, nem se inverte e não se perverte.

Esta a razão de uma crônica sobre o galo velho do rio Tibiriçá.

O galo velho do terreiro do Bar do Osmar, na rodoviária que liga Marília a Guarantã.

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Deve ter aproximadamente 8 anos de idade o referido galináceo. Senão tiver mais.

Proporcionalmente, representa mais ou menos 90 ou 100 anos para uma criatura humana.

O galo velho está caduco, cego de um olho, sinil há muito tempo.

Tropego como os homens muito velhos, em que os pés doem, não apresentam firmeza e dificilmente sustentam o corpo ou garantem a livre movimentação dos passos.

Assim está o galo velho do bar do Osmar.

As esporas muito grandes, são o mesmo do que a certidão de nascimento e provam uma idade provecta do galináceo. A crista é caida e o apêndice cristaceo de sob o pescoço, tem uma dimensão gigantesca, reforçando a documentação das esporas, que prova o avanço da idade.

Não é mais o senhor do terreiro, mas nota-se que no passado foi imponente, forte, bonito, viril, importante e respeitado. Hoje, um farrapo da raça.

Os passos são tropegos e titubeantes, como se estivesse semi-embriagado. Os movimentos são lerdos como dos velhos, sem a agilidade própria dos novos.

Perde na luta pela conquista de alimentos, pois sua lerdeza lhe traz desvantagens. E quando consegue antepor-se aos franguinhos, às galinhas e mesmo aos outros galos, conseguindo catar sua migalha, faz o mesmo que os velhos em caduquice, que imitam as crianças: come ou tenta guardar avaramente, com receio de que lhe roubem o alimento.

Não disputa mais nada, é indiferente ao exército de galinhas e frangas que tem ao seu lado, indiferente aos cães e só evita as pessoas, não tanto pela arisquês, mas antes de tudo, pelo instinto de conservação.

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Dentre os galináceos, quiçá seja esse galo velho, o único sobre a terra, que está desfrutando o direito preconizado pelos norte-americanos: envelhecer com dignidade.

Extraído do Correio de Marília de 25 de fevereiro de 1977

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Carnaval passou (24 de fevereiro de 1977)



Passado o período dos festejos carnavalescos, volta-se para a vida normal, de trabalho compulsório normal também.

Horas estas, muita gente ainda deve continuar estando exausta, de tanto ter participado durante cinco noites consecutivas desses folguedos. Em consequência, mal dormindo, alimentando-se irregularmente e queimando mais energias do que um motor de fim de vida.

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Nessas ocasiões, até a gramática sofre alterações, com verbos mudando de significado: o “pular” passa a ser entendido como “brincar”.

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Nem sempre os motivos de alegria conseguiram predominar, ditar alto, norteando os objetivos que se pretendiam aceitar como diretores das festividades.

Para muitos, carnaval é o mesmo que orgia, o mesmo que “dever” de conseguir bebedeiras, de desligamento da razão e com isso cometer abusos, excessos e arruaças.

Muitos fizeram isso.

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Desentendimentos, briguinhas, empurrões, audaram verificando-se a granel. Obrigando a polícia a intervir, muitas vezes, até com energia, para evitar o disvirtuamento complexo e total.

E que, nos locais onde se desenvolveram quizilias, existiam familiares outras e gentes outras, ali presentes, participando das festividades, como de fato deveria isto suceder: sem maldades e com intentos puros.

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Mas o que é certo é que em todos os locais onde se congregam muitas pessoas, por certo sempre poderão aparecer no meio, pessoas mal educadas ou metidas a arruaceiras.

Fora isso, há os que gostam de abusar e de aproveitar-se de situações que tais. Geralmente são menores, mas existem marmanjões também nestes casos, a sanha (ou tara?) é “passar a mão” em moças ou mulheres despreocupadas e desprotegidas.

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Carnaval é festa de alegria, não de badernas e de bebedeiras.

Como custa para certa gente perceber isso!

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A par de alguns elementos que assim procederam é de destacar-se os participantes bem intencionados, os que procuram fazer desses festejos, uma higienização mental, um paliativo para as agruras do trabalho comum e cotidiano.

E, também, um lazer para os que gostam de tal tipo de divertimento.

Nem todos os participantes carnavalescos podem ser considerados como praticantes de excessos, porque esta faixa representa uma minoria. Ocorre que é uma minoria expressiva e de efeitos notórios, que compromete a outra parte, que é exatamente a maioria e que se comporta com dignidade e respeito.

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E foi por isso, certamente, que muita gente andou levando empurrões e tabefes?

E por razões essas os policiais tiveram muito trabalho a executar.

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Será que chegará um dia em que todos nós saibamos e aprendemos a de fato brincar o carnaval, sem molestar o próximo?

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O carnaval passou. Deixemos, portanto, para traz, acontecimentos esses. Agora, é enfrentar a vida de sempre e só no ano que vem voltar a pensar em Momo.

Extraído do Correio de Marília de 24 de fevereiro de 1977

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Feliz carnaval, leitores! (19 de fevereiro de 1977)



Há muitos anos, palestrava eu com um sacerdote, que era vigário da Matriz de Santo Antonio local.

No decorrer da palestra informal, veio à baila assunto relacionado com o carnaval.

A questão fora motivada porque o então presidente Janio da Silva Quadros havia anunciado sua decisão, de proibir o uso de lança-perfumes no carnaval, como também coibir a prática de brigas de galos.

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E, durante esse colóquio, indaguei do padre, o “por que” da Igreja ser contra o carnaval.

O religioso dissera-me que a Igreja era em princípio contra o carnaval, no que se referia ao paganismo de suas práticas, mas isso não significava que era contrária ao direito das criaturas divertirem-se.

E foi mais além o sacerdote, dizendo-me mais ou menos isto:

A Igreja não aprova e nem poderia aprovar os excessos que se costumam cometer, sob o pretexto do carnaval.

A Igreja faculta, louva e até colabora para que o povo possa divertir-se, mas uma diversão sadia, sem maldade, sem exgeros, sem prejuízos para a moral e a dignidade humana, onde o espírito dos brincalhões seja puro e não de prevenção, não espírito voltado para o álcool e o sexo, como geralmente se vê e se tem conhecimento, tudo sob o escudo das folias carnavalescas.

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Dizia-me o padre, que as brincadeiras sadias são necessárias e úteis para o espírito e para o próprio corpo.

O lazer é também uma preocupação da Igreja e para tanto existem centros comunitários, colonias de férias, espectáculos teatrais, atividades desportivas, etc., que contam com o patrocínio, supervisão e interesse da Igreja – disse o sacerdote.

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Indaguei na ocasião se porventura um grupo de marianos, filhas de Maria e representantes de outras entidades religiosas pretendessem brincar o carnaval, se ele, o padre, aprovaria.

Veio a resposta: sim, aprovaria, desde que as brincadeiras fossem sadias, em respeito mútuo, sem excesso e sem quaisquer abusos.

Fui mais além, indagando do padre, se, nesse caso, ele estaria disposto a ceder o salão paroquial para que os integrantes de tais irmandades brincassem o carnaval.

E a resposta do sacerdote:

Desde que o salão não tenha ligação direta com o prédio da Igreja e desde que me sejam provadas as boas intenções dos pretendentes, não terei nenhuma dúvida em atender.

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Despedi-me do padre e fiquei por muito tempo pensando na palestra do mesmo, na sua sinceridade de ponto de vista.

Eu havia ouvido algo que antes ignorava e que me havia elucidado uma questão que desejava saber.

Gostei.

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E, como hoje é carnaval, festa do povo, festa que se tornou tradição entre nós, recordei desse episódio.

Como tal, estou também a formular votos de um feliz carnaval aos marilienses em geral e aos leitores desta coluna, em especial.

Que se divirtam todos, com respeito mútuo, sem exageros, sem excessos.

Afinal, quem trabalha o ano inteiro, quem dá conta do recado e desempenha a contento as atribuições de suas responsabilidades, tem o direito de higienizar a mente.

Feliz carnaval, leitores!

Extraído do Correio de Marília de 19 de fevereiro de 1977

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Os brutamontes do asfalto (18 de fevereiro de 1977)



O Governo pede e está a exigir: a velocidade máxima nas rodovias de todo o país é de 80 quilômetros horários – e nem um tiquinho a mais.

A medida, além de compulsar a economia do consumo de gasolina, casa-se perfeitamente bem com a providência necessária de prevenção de diminuição de acidentes automobilísticos, muitos deles fatais.

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Os policiais rodoviários estão apelando para que todos se conscientizem da realidade desses apelos.

Nem todos estão obedecendo, mesmo apesar do mar imenso de multas por infrações, que a polícia rodoviária está aplicando.

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Para nós, nacionais, tudo o que é proibido parece exercer um fascinio irresistível de desobediência.

O médico recomenda: “não beba”. Aí, dá mais vontade de beber.

O patrão pede: “não faça isso”. Então, a tentativa de contrariar ferroteia e muitos não resistem.

O Governo pede: “não corra a mais de 80 quilômetros”. Aí é que dá mais vontade de correr, aí é que mais se desobedece o Governo.

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Tem gente que faz barbaridade no volante, em termos de velocidade. Para muitos, um carro não é apenas o carro para o passeio, ou para o trabalho, ou para o simples transporte. Para muitos, um carro é apenas uma máquina para desenvolver loucas velocidades, em desrespeito a lei, a ordem, as vidas dos semelhantes e às suas próprias.

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Tem gente que tem carro pequeno e modesto e até carro velho. Mas tem gente assim, que tem consciência e responsabilidade e sabe que esses dois deveres, falam as coisas em tom alto, como devem ser ditas.

Porisso, não correm, respeitam a lei. Com isso, economizam gasolina colaboram com as autoridades e preservam as vidas – suas e dos semelhantes.

Mas essas pessoas, nas estradas, correm risco, não por elas próprias, mas sim em virtude das imprudências de terceiros.

Esses terceiros são os brutamontes de asfalto: as jamantonas e os pesados caminhões, que apelam para as “banguelas” e que conquistam os declives em velocidades espantosas, ameaçando passar por cima de pequenos veículos.

Com isso, obrigam os pequenos carros a correr para fugir ao perigo, se os acostamentos não oferecem condições para dar passagem.

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Os brutamontes do asfalto não estão nem aí e nem querem saber.

Imprimem velocidades perigosas nos banguelamentos de descidas, colocando em risco os carros pequenos que estão obedecendo a lei.

E não há quem os reprima.

Todos sabem que uma carreta, uma jamanta ou um caminhão carregado e pesado não pode ser freado repentinamente, especialmente se vir desenvolvendo velocidade superior a 100 e por vezes até 120 quilômetros.

E se os carrinhos não sairem para o acostamento ou não meterem o pé na tábua, correm o risco de serem empastelados e esmagados pelos brutamontes do asfalto.

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Se a polícia rodoviária quiser, ela “pega” dezenas de brutamontes por dia. É só circular em veículos de chapa particular, tirando os quépis para despistar. Verá quantas vezes terá que sair do asfalto ou correr para não ser “empurrado” ou “pisado” pelos brutamontes.

É fácil constatar.

Muito fácil.

E caçar as habilitações dos reincidentes.

Os abusos e os perigos estão alí, praticados pelos brutamontes do asfalto.

Mas motoristas de carros de passeio, também desrespeitam. Apenas que não ameaçam de morte tanto quanto os brutamontes.

Extraído do Correio de Marília de 18 de fevereiro de 1977

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Abertura de supermercados (17 de fevereiro de 1977)



Volta à baila, a questão da necessidade de funcionamento dos supermercados aos domingos e feriados.

Uma malfadada providência da Legislatura passada – em franca campanha sucessória municipal – acabou por coibir o funcionamento desse tipo de estabelecimentos comerciais em nossa cidade.

Foi um autêntico entrave no dinamismo mariliense, uma ducha de água fria no próprio progresso da cidade grande e uma autêntica mostra de conveniências e apetites de pretensões políticas.

Podem negá-lo, mas foi isso que sucedeu: De um lado, alguns interessados viram o prazo para tal e de outro, os politiqueiros pretendentes à continudade de permanência de cargos, também, assim lograram entender.

Mas a verdade esta deve ser.

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Um determinado vereador dizia-me dia outro, a respeito do assunto, que comerciários estavam exercendo “pressão” sobre os vereadores.

Bah!

Vereadores representam células de um Poder constituido e a ninguém é dado o direito de pressioná-los. Para tal, são independentes e soberanas as decisões tomadas pela Câmara, em consonância com o pensamento e voto de sa maioria.

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Mas o que é certo, de que nessa tentativa de retorno de funcionamento dos supermercados aos domingos, paternada pelo vereador Santo Raineri, não existe uma solução racional, mas sim um paliativo, uma espécie de “média”.

Um estudo de uma comissão, integrada por cinco elementos de cinco capitais brasileiras, parece estar servindo de bússula ao edil referido.

Uma justiticativa “furada”, sem pé e sem alicerce, porque em seu preambulo confessa-se impotente para opinar definitivamente. Por outro lado, impraticável e com um bojo de alguns resquícios de incoerências.

Não pode ser válido para Marília, esse documento, que por um lado (mostra) a ingeneralidade de sua aplicação, para, logo pecar pela impersonalidade de ponto de vista, afirmando a seguir generalizar o mesmo ponto de vista negado.

Não se pode conceber igualdade de condições, com Marília, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Manaus – por exemplo.

Climas, costumes, mercados em termos de oferecimento de materiais e mercadorias diversos.

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Nosso caso específico é Marília. O problema é mariliense e nada nos interessa, ou devemos correlagionar, com fatos ou questões de Porto Alegre, de Manaus ou mesmo da Gomarabica, capital da Conchinchina.

Marília é cidade moderna, avançada, dinâmica, que pode oferecer conforto e facilidades aos seus filhos e forasteiros.

É inconcebível providencias como as da Câmara Municipal passada, coibindo ações de conforto e progresso, relegando interesses de uma coletividade, que devem sobrepor-se a intentos de minorias.

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O sistema de rodizio de plantão não consulta os interesses dos comerciais, nem dos comerciantes e – muito menos – do povo.

Os vereadores não devem temer “pressões” de quem quer que seja e devem legislar em benefício da coletividade toda e não de apenas alguns poucos, mesmo considerando-se que são marilienses e têm os mesmos méritos. Apenas, no caso, que os direitos da maioria devem impor-se mais.

Então, nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

Para a maioria da população o interesse é a abertura dos supermercados marilienses até o meio dia dos domingos e feriados.

A lei atual, com vínculos de esdruxulosidade e com suspeição de conveniencias pré-eleitorais, trouxe prejuízos para os consumidores – que são maioria – para o comércio e para o próprio erário público.

A lei que se propõe a votar será um paliativo pálido, um meio termo que não consulta os interesses gerais.

O certo, certo mesmo, é a revogação da lei anterior.

Ou então sua modificação, deixando a condição de facultativa a abertura ou não dos supermercados aos domingos e feriados.

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Voltaremos ao assunto tantas vezes isso seja necessário.

Inté.

Extraído do Correio de Marília de 17 de fevereiro de 1977

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Artigo sem título (16 de fevereiro de 1977)



A sala era pequena e só tinha uma porta de entrada.

Nem mesmo janela, ou siquer um “vitraux” – conforme se escrevia naquela época.

Um sofá, duas cadeiras e a escrivaninha.

A sala era a redação e administração do jornal. Tinha ligação com outros comôdos de fundo e separava-se por uma porta de madeira do tipo vai-e-vem.

Na porta referida, em preto com sombra branca estava escrita a palavra “Tipographia”.

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Sentado junto a escrivaninha, havia um homem. Moreno, baixinho, com calvice acentuada. Aparentemente era ou um homem cansado ou um neurastenico.

Estava sério e escrevendo a lapis sobre um papel em formato de tira.

O homem era o redator do jornal. Portanto, “o bom”, respeitado, admirado.

Escrevia raciocinando, como se estivesse preocupado ou encontrando dificuldades para deitar no papel, através da ponta do lapis uma idéia qualquer. Porisso, estava tão absorto que nem me vira ali parado na porta.

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Em dado momento, ao levantar a cabeça para buscar alguma idéias ou catar algum vocábulo, deparou com o rapazinho raquitico e não muito bem vestido, ali na sua frente.

O rapazinho era o autor desta coluna.

O homem perguntou o que eu desejava, mas não me pediu para entrar e nem para sentar.

Avancei para ele, com uma “dá licença” muito sem graça. E meio tituveante, fui dizendo que eu havia escrito algumas crônicas e que gostaria de submetê-la a sua apreciação.

O homem mudou o procedimento, encarando-me. Para mim, parecia um ser sobre natural, uma inteligência rara. Inteligência rara era mesmo e só com o passar do tempo melhor pude convencer-me disso.

- É isso ai? – perguntou, apontando para os papéis que eu trazia na mão.

Respondi afirmativamente com um aceno de cabeça e estendi os originais que havia levado. Estavam datilografados em papel almaço, bem caprichadinhos, sem uma letra remontada.

O homem tentou esconder um sorriso e disse:

- Menino, para jornal não se escreve sim com exterior. Escreve-se com capricho interior.

Eu não consegui entender muito bem aquilo.

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O homem não leu os originais, como eu pensava que fosse acontecer, o que de certa forma me decepcionou.

Limitou-se a dizer:

- Estou muito ocupado, agora. Deixe ai, que depois eu dou uma espiadela.

Sai um tanto aborrecido.

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No dia imediato, voltei.

O homem – chamava-se Eloy – recebera-me mais calmo e com mais atenção. Mandou-me sentar. E foi dizendo:

- Menino, você não fugiu à regra… todos os principiantes fazem o mesmo… crônicas de amor e lirismo, ou então poesias… seu português precisa ser mais aprimorado… a idéia não é das piores… mas você precisa gastar muitos lapis ainda para poder publicar algo em jornal.

E devolveu-me os originais.

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Sai frustrado.

À noite, depois de ter regressado do Colégio e no meu quarto – eu dormia sozinho, de favores, num pequeno quarto no quintal de uma casa comercial – passei a pensar no que ouvira (… você precisa gastar mais lapis…).

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Gastei.

Tempo depois, voltei ao jornal. Entrei com mais confiança. Cumprimentei e disse de chofre:

- Seu Eloy, gastei lapis, escrevi muito… faça o favor de ver tudo isso… a semana que vem regressarei para saber o resultado…

E antes que ele pudesse responder algo, deixei a papelada sobre a mesa e sai.

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No dia outro, na parte social do jornal, a secção era aberta com uma das crônicas que havia entregue.

Quase morri de contentamento. Corri com o jornal atraz de todos os meus amigos para mostrar a publicação.

À tarde, fui ao jornal.

Seu Eloy disse:

- Menino, modifique isso de assim para assim – explicou o que pretendia – e não use tal ou tal processo (continuou a explicar).

E para minha surpresa:

- Você também vai ver o jogo em Pirajuí?

Respondi que sim. E o homem:

- Então anote os nomes dos jogadores, os dados todos, gols, nome do juiz e os resultados, para fazer a reportagem do jogo, tá ouvindo?

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Não dormi e não via chegar o domingo, para que acontecesse o jogo.

Julguei-me importante, muito importante, com minha primeira reportagem.

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É que hoje é o Dia do Repórter.

Porisso, saiu este artigo sem título.

Extraído do Correio de Marília de 16 de fevereiro de 1977

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A televisão do Simão (15 de fevereiro de 1977)



Simão é um cidadão qualquer, que vive no meio do povo, que torce para o Corinthians, que gosta de uma “branquinha”, que mora num barraco, que tem mulher e filhos.

Mulher magra e feia, mesmo porque mulher de operário que mora em barraco, não tem jeito de ser bonita.

Barraco feito e desconfortável, lá para o lado do Monte Castelo.

Os filhos de Simão são subnutridos, mas nem eles e nem Simão sabem disso. E ainda não têm idade de trabalhar para ajudar o pai. São quatro. Dois já estão na escola primária.

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Simão tem sua condução própria: uma bicicleta. Velha, mas dá para “quebrar o galho”, conduzindo-o de casa até o local de trabalho e vice-versa.

Se não fora a bicicleta, não poderia trabalhar onde trabalha, pois para isso teria que pagar ônibus e o que ganha não daria.

Se não fora a “magrela”, teria que arranjar outro serviço, não muito distante, de modos que pudesse ir e voltar a pé.

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Agora, Simão não tem mais mulher e filhos. Está sozinho.

Depois de um grande bate-boca com a esposa, Simão convenceu-se de que era demais no barraco. No calor da discussão, a mulher mando-o embora, dizendo-lhe, na cara, de que ele não era homem para sustentar uma casa digna e que por isso moravam num barraco, tal qual como bichos.

E Simão foi embora.

Deixou a mulher e os filhos. Demitiu-se do emprego e ninguém mais sabe onde se encontra.

Tudo por causa de uma televisão usada.

Foi assim:

Onde moravam Simão e a família, não havia luz elétrica.

Acontece, que na metade do ano passado, esse melhoramento atingiu o local, tendo sido ligados dois “bicos” de luz no barraco do Simão.

Foi muito bacana e até a mulher do Simão precisou ralhar com os meninos, que viviam a divertir-se, acendendo e apagando as luzes.

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Antes, Simão nunca havia pensado em comprar um aparelho de televisão, mas depois de dispor da luz elétrica, a mulher passou a meter-lhe minhocas na cabeça, dizendo que o marido precisa “dar um jeito” e comprar uma tevê.

E os meninos, mais velhos, passaram a fazer coro com a mãe. E o Simão passou a ver as coisas “pretas” e a sentir-se aborrecido, porque não tinha as mínimas condições de comprar a televisão.

A vida de Simão passou a constituir-se num verdadeiro inferno. Não mais tinha sossego em casa, porque no meio de qualquer conversa, vinha logo o assunto da televisão e as reclamações da mulher.

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Nem Simão esperava, mais aconteceu.

No bar do Zé, fizeram uma rifa de uma televisão usada.

O Zé havia comprado uma tevê colorida, como presente de Natal (que se aproximava) e resolvera rifar a velha preto-e-branco.

Rifa dessas cartelas com nomes femininos.

Ofereceram ao Simão. Ele não tinha condições de comprar mas a tentação fôra muita. Pediu para pagar quando recebesse o 13º. Salário, que seria no sábado seguinte. Aceitaram e ele assinou o nome “Marta” – a esposa chamava-se Marta Aparecida – e ficou devendo dez cruzeiros.

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No sábado, todo feliz com o recebimento do salário extra, foi até o bar do Zé, para tomar uma e outra e pagar a rifa. Nem pensou no resultado do sorteio e nem havia se preocupado com o fato.

E porisso, a grande surpresa: na rifa, o nome sorteado fôra “Marta” e Simão acabara ganhando a televisão.

Os amigos que conheciam o homem e a situação, ficaram satisfeitos. E até um viajante comprometeu-se a levar o aparelho para o Simão. E levou, tendo Simão deixado alí a bicicleta, ido em companhia e depois voltado para apanhar a “megrela” e tomar a “saidera”.

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Naquela noite começou o drama de Simão. O Corinthians jogava e Simão queria ver o jogo pela televisão. Mas a mulher do Simão desejava assistir o Chacrinha. E por isso começou a discussão.

E foi no auge da discussão que a mulher lhe dissera que ele não era homem para manter uma casa digna e que a televisão fôra ganha na rifa, pois senão ela morreria de velha e jamais teria televisão. E mandou-o embora.

E Simão foi embora.

Por causa da televisão rifada.

Por causa de duas “Martas”.

Extraído do Correio de Marília de 15 de fevereiro de 1977

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

The monkey is right (12 de fevereiro de 1977)



Certa noite, num bar central, um cidadão aproximara-se de mim, iniciando uma conversa, depois de ter-me formulado uma determinada pergunta.

E isso foi o início de uma palestra.

A não ser de vista, não conhecia o referido senhor. Nem sabia sua profissão, ou onde trabalhava o mesmo. Ele próprio havia declinado o seu labor: funcionário municipal.

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Naquela ocasião, já se conhecia o resultado do pleito (recente) de 15 de novembro e Pedro Sola ainda estava a frente da administração municipal.

Depois de alguns copos de cerveja gelada – fazia muito calor – o meu amigo “voluntário” principiou a botar as manguinhas de fora: confessou que não gostava de Pedro Sola.

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Dei corda ao visitante e deixei-o falar.

E o homem começou a desenrolar uma linhada de baboseiras, que causou até dó. Falou de muito gente, citou nomes.

No decorrer da conversa, percebia, em suas alusões, que o mesmo referia-se com predileção a algumas pessoas já de certo modo “manjadas” como funcionários de conceito apenas médio e que “descia a lenha” em nomes conhecidos como bons, eficientes e pontuais.

Deixei a linhada correr.

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Continuei a dar corda. E o homem a destravar a língua, a ponto de entusiasmar-se e achar que eu pertencia à mesma panelinha dele.

Deixei-o pensar assim.

Deixei-o falar.

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Parecia-me que o homem era do tipo melancia – verde por fora e vermelho por dentro.

Deixei-o continuar e percebi que ele sentia-se feliz, por ter encontrado um “correligionário”.

E então conclui até onde o ponto de vista do mesmo se estendia e onde queria chegar. E porque, afirmava, com enfase e um certo orgulho, que era “manda-brasa” e não arenista.

E contou em quem havia votado.

Cruz, credo!

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Provoquei-o para que voltasse a falar de Pedro Sola, ainda na Prefeitura.

Insisti, com jeitinho.

E o homem “vomitou”.

- Ele é… Persegue muito os funcionários e vive dando “gancho” para os coitados que ganham pouco na Prefeitura…

E falou.

E “meteu o pau”.

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Contornei a palestra e voltei ao assunto: a razão principal da ogeriza do funcionário contra o Prefeito de então.

Desta vez, tive sorte.

O homem “se abriu”.

- No tempo de Biava e Tatá, eu marcava o ponto e tomava chá de sumiço e com o Pedrão, não…

Interrompi:

- Ah! Então você era vagabundo e agora o Pedrão não deixa, né?

O homem pensou e não soube responder, porque fui eu quem encerrou o diálogo. Disse-lhe, saindo de perto:

- O macaco está certo…

Extraído do Correio de Marília de 12 de fevereiro de 1977

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Você sabia que o sabiá sabe assobiar? (11 de fevereiro de 1977)



Questão da abertura dos supermercados aos domingos e feriados representa necessidade mariliense. Significa dinamismo, modernismo, conforto e avanço progressista de um centro.

O interesse da maioria deve sobrepor-se ao interesse da minoria. E a lei das coisas e ditame do senso, da razão e da racionalização.

Marília está errada com seus supermercados fechados aos domingos. Estamos em época de avanço e não de retrocesso.

Assunto vai voltar à Câmara, não com roupagem nova, mas com roupa reformada. Vereador Santo Raineri vai propor a questão no meio termo. Um paliativo que não interessa aos consumidores – plantão de supermercados.

Não refrescará, porque os fregueses têm suas preferências e conveniências.

Morador da Vila São Miguel, que não tenha condução própria, não terá nenhum interesse em comprar no supermercado Pastorinho, se o Superbom não estiver de plantão.

Morador do bairro Cascata, freguês do Pastorinho, não tem interesse em comprar no plantão do Superbom. E, assim, com relação aos outros.

Marília não é um lugarejo, para continuar sem esses serviços utilissimos, aos domingos e feriados, no mínimo até o meio dia.

A pretensão do edil é o mesmo que pano quente.

O certo, certo mesmo, é a abertura desses estabelecimentos. O povo é servido, a cidade tem vida, o dinheiro gira, os próprios interesses do erário público se atendem.

Rógo ao Santo (Raineri).

A lei deverá apenas revogar a anterior.

Ou então, outra, tornando facultativa a abertura dos supermercados aos domingos e feriados.

Fim de papo.

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Noite outra.

Quase meia noite.

Uma família – casal e dois filhos menores – ia tomar um ônibus do Expresso de Prata, para São Paulo.

Procedia pela Rua 9 de Julho, em sentido bairro-centro (conforme gostam de escrever os repórteres policiais.

Ao chegar junto às “bicheiras da Fepasa”, teve que parar.

E esperar.

E a espera ocasionou desespero.

As cancelas fechadas.

As manobras em andamento.

O relógio correndo.

Os minutos passado.

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O casal e seus dois filhos abandonaram o taxi e cruzaram os trilhos correndo, com malas e pressa e as cancelas abaixadas.

Os quatro chegaram (quase sem folego) a tempo de apanhar o ônibus.

E o ônibus saiu, mas as cancelas continuaram fechadas.

Se fora um caso de parto, ou de emergencia de vida, o aspecto teria apresentado outra faceta. E outras consequências.

Viva!

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Na Avenida Mauá, desde a Sampaio Vidal para o lado da 9 de Julho. Nas mesma Mauá, da Delegacia para a mesma 9 de Julho. Na Rua 4 de Abril, da Anchieta para a  Castro Alves. Na Avenida Carlos Gomes, da 9 de Julho para a Maranhão.

Na Vicente Ferreira, da 9 de Julho para a Salgado Filho…

Chega!

Bicicleteiros transitando. Motoristas xingando. Gente correndo perigo.

Bibicleteiros contra-mão.

Passando debaixo dos narizes dos agentes fiscalizadores.

Mas ninguém vê.

Quando acontecer o acidente, muita gente verá.

Verá.

Então, resta conversar:

Você sabia que o sabiá sabe assobiar?

Extraído do Correio de Marília de 11 de fevereiro de 1977

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Pedaço de recordação (10 de fevereiro de 1977)



Certa ocasião, ví na vitrina de um estabelecimento comercial, na rua Cel. Galdino, um cartão com os seguintes dizeres:

“O bom não é ser campeão. O gostoso mesmo é ser corinthiano”.

Achei muito bacana a inscrição, embora eu não seja corinthiano. Vi na legenda, não uma evaziva, ou um consolo, ou uma desculpa, pelo “sofrimento corinthiano”. Vi, em contrário, uma vaidade e um orgulho, uma espécie de um ráio de incentivo e de estímulo, varrendo qualquer eventual desânimo ou esmorecimento.

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Sem relação ou correlação, o dístico referido ensejou-me a convicção de que é bom também ser velho, vivido num centro, para recordar com saudade fatos passados, coisas já idas, episódios que o tempo se encarregou de guardar em suas gavetas de esquecimento.

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Vejamos, neste jogo de associações de lembrança, como o imprevisto e as coincidências podem servir de inspirações ou influenciar fatos.

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A cidade tem três casas de pastos, com nomes originais italianos: são os restaurantes Capri, Nápoli e Vesúvio. Deveriam ser quatro, se ainda existisse o Bologna.

É a respeito deste que desejo falar. Mais precisamente sobre a denominação desse estabelecimento que pertenceu ao mariliense Higino Fioravanti.

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Transcorria o ano de 1956.

Adorcino de Oliveira Lyrio era o prefeito de Marília.

Dentre os assuntos pautados para o prefeito tratar em São Paulo existiu um encontro com uma comissão de deputados, na Assembléia Legislativa de São Paulo. O assunto era tratar da questão que já havia tomado corpo e cunho dinâmico, que se constituia no anseio de Marília, pró criação de uma Faculdade de Filosofia.

Eu havia combinado com Adorcino nos encontrarmos em São Paulo e acompanhá-lo nessa reunião.

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Fomos a Assembléia, que aquele tempo funcionava no antigo prédio do Departamento de Trabalho, no Parque D. Pedro.

Perto das nove da noite terminou o colóquio e por qualquer motivo, eu e o prefeito, acabamos saindo sozinhos da mencionada repartição.

Plantamo-nos à margem de uma rua, aguardando que por alí passasse um taxi.

Transitavam carros particulares, mas de aluguel, nenhum. Já estavámos dispostos a seguir caminho à pé, quando um carro com chapa particular parou perto, chamando Adorcino pelo nome.

Era um ex-delegado de polícia de Marília, que havia sido transferido para a Capital e que havia reconhecido o prefeito. O homem nos deu carona para a cidade, desculpando-se pela circunstância de ter que participar de uma reunião com o Secretário da Segurança Pública.

Ficamos na Praça Clóvis Bevilacqua.

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De lá, fomos à pé, até o Anhangabaú. Adorcino pediu-me que jantasse com ele. Fomos ao Restaurante Bologna.

Quando chegamos, os garçãos já o conheciam e se desmancharam em mesuras e atenções, com o prefeito de Marília.

Comemos peixe e camarão, que por sinal estavam deliciosos. Gostei do local e do ambiente e dalí por diante passei a frequentar o Bologna.

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Tempos depois o Higino se dispunha a continuar com o restaurante que antes fôra o Atlântico e que os irmãos João e Antonio vendiam para instalar o estabelecimento em outro local.

E o Higino, palestrando comigo, pediu-me sugestão para o nome da nova casa.

Disse, então, que o brasileiro gosta muito de pender para nomes estrangeiros e que, em matéria de restaurantes, pela influência da imigração italiana em São Paulo, as denominações itálicas tinham excelente aceitação.

E sugeri o nome de “Bologna”, lembrando o fato da Assembléia, do delegado de polícia e do prefeito Adorcino.

E ficou Bologna, onde hoje (10 de fevereiro de 1977) é O Lanchão.

Extraído do Correio de Marília de 10 de fevereiro de 1977

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Marília precisa de carro-guincho (08 de fevereiro de 1977)



O crescimento de uma cidade, o avanço da cifra de densidade demográfica de um centro, o índice de vertiginosidade progressista carreiam consigo várias exigências e necessidades.

São os onus do progresso.

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Apesar da expansão comercial começa a ressentir-se, em setores vários, necessidade ou defeciências. Ou, no mínimo, uma espécie de insatisfação, quando ao anelo e o pretendido, porque se tudo se expande e cresce, igualmente se elasticica o desejo e a exigência, por vezes, pendendo até para o exagero ou a pretensão desmedida.

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Então, acha-se ruim ou que serve mal um ônibus, ou um outro meio de transporte. Ou até um hospital. Mas o certo é que mesmo aceitando-se a hipótese antes aventada, há de considerar-se também que, em alguns casos, a poeira do relaxamento e da pressa, ou de lucros fáceis, ou de meio ou subterfúgios outros, chegam a justificar casos que tais.

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Em condições essas, não se concebe, por exemplo, que uma cidade como Marília – em tamanho e  representação – dotada de um excelente e completo complexo policial, não disponha, em sua Delegacia de Trânsito, de dotação de um carro-guincho.

Marília não tem guincho da polícia.

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Tal veículo é imprescindível e além de facilitar as operações do policiamento de trânsito, serve também para providenciar socorros de veículos avariados, enguiçados, trombados ou estacionados por tempo demasiado ou ilegal, em locais não permitidos.

Carro-guincho da polícia, como sabem todos, destina-se a casos especiais e específicos. Não é um veículo destinado a facilitar ou permitir abusos e sim, exatamente, a evitar que se cometam excessos.

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Se não fora a existência de um carro desse tipo, de propriedade de determinada oficina mecânica da cidade, muitas confusões e problemas teriam sido criados na cidade, em decorrência da carência de tal viatura policial.

Mas o certo é que os carros guinchos particulares têm missões e funções de cunho limitado e de objetivos comerciais e, suas funções e atividades especificam-se nesse diâmetro, sem nenhuma correlação com as viaturas policiais, que tem caráter oficial.

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Ninguém desconhece ou reprova os serviços já prestados por guinchos de oficinas particulares, ao povo e à polícia.

Mas o certo é que a polícia mariliense ressente-se da dotação de um veículo dessa natureza, estranhando-se até que a nossa Ciretran não disponha de tal, uma vez que existia no passado e que sempre prestou excelentes serviços, de há muito não se tem notícia.

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Noite outra, um veículo particular foi estacionado, inadvertidamente, defronte a entrada de uma residência, impedindo a saída do veículo de proprietário dessa mesma residência.

Por uma questão de doença, o cidadão que morava no prédio referido, precisava sair urgentemente com seu veículo próprio. Procurou saber e localizar o motorista imprudente e descuidado, sem resultado. Telefonou para o plantão policial, expondo o caso e pedindo a presença do guincho para remover da frente dde sua entrada o carro que impedia que ele saísse. Da polícia informaram que não havia carro-guincho e que o reclamante poderia recorrer à Oficina Tal.

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Desesperado, o morador apelou para diversas pessoas que se encontravam num bar próximo e vários homens juntos removeram o carro “na raça”, para que o homem pudesse conduzir um doente ao hospital.

Extraído do Correio de Marília de 08 de fevereiro de 1977

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Neste sábado… (05 de fevereiro de 1977)



Este cinco de fevereiro assinala a data daqueles que trabalham em oficinas e artes gráficas. Hoje é o Dia dos Gráficos.

O gráfico é um artista anônimo, um cidadão comum, que muita gente ignora. É ele um profissonal de muita responsabilidade, quer nas oficinas de obras tipográficas, quer nas oficinas dos jornais e hebdomadários.

Geralmente são homens simples, obedientes, que se perdem no anonimato característico do borborinho das oficinas. Homens de mãos sujas de tinta e graxa, mas de carateres limpos, porque exercem um trabalho honrado.

Com este registro, coluna cumprimento os gráficos de nossa cidade, nas pessoas dos gráficos do “Correio”.

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Quando da campanha de Pedro Sola e Armando Biava, em 1972, sugeri, através de coluna esta, aos dois candidatos, providências no sentido de construção do Bosque Municipal.

O referido próprio havia sido “inaugurado” por duas vezes, mas as inaugurações foram apenas de fachada, porque, em realidade, tudo continuava a permanecer como dantes no quartel de Abrantes.

Argollo Ferrão e Tatá foram os prefeitos que haviam inaugurado antes, o aludido local de lazer, que continuava a não plenar suas finalidades destinadas e precípuas.

Pedro Sola, candidato a prefeito, e Nadir de Campos, candidato a vereador, “pegaram logo o pião na unha”. E o Bosque foi inaugurado “pra valer” pela terceira vez.

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Do mesmo jeito que comentei em matéria sugestiva aos candidatos, a questão do Bosque, citei antes da última campanha eleitoral a necessidade de construção de espécies de mini-ceasas  nos núcleos habitacionais que existem e nos que se cogitam erigir.

Porque os moradores desses centros estão carecendo de estabelecemintos análogos para suas compras, ao envés de se locomoverem para o centro da cidade. Citei, como exemplo, o Jardim Maria Isabel e o Bairro Salgado Filho, dentre outros.

Ninguém aproveitou a deixa para a campanha eleitoral passada, a qual concorreram seis candidatos ao cargo de prefeito.

Mas agora o prefeito Theobaldo já anunciou que vai entrar firme nesse terreno.

Muito bom.

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Há mais de 15 anos passados chamei as atenções do prefeito e vereadores de então para uma disciplinação na sistemática dos novos loteamentos da cidade.

Porque, até então, muitas pessoas preocupavam-se tão somente de satisfazer exigências de plantas apresentadas na municipalidade e iniciavam as vendas, sem garantir o oferecimento porvindouro de elementares melhoramentos.

Na ocasião citei o Jardim Monte Castelo como exemplo local e diversos loteamentos novos de Araraquara e São José do Rio Preto, que só tinham suas vendas iniciadas depois de dotados de água e esgoto, guias de sarjetas, iluminação e pavimentação.

Agora, Theo, o prefeito, vem de interessar-se pelo assunto.

Ótimo, também.

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Bicicleteiros continuam a  transitar contra mão de direção e cruzar vias com os sinais fechados.

Muitas vezes, perto de policiais.

Em Marília, sim.

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Muitos legionários mirim vão ficar “professores” na feitura de numerais. Dia todo, aqui na Avenida Carlos Gomes eles escrevem em caderninhos os números das placas dos mais diversos tipos de veículos.

Extraído do Correio de Marília de 05 de fevereiro de 1977

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O jogo das coincidências (04 de fevereiro de 1977)



Se não tratará aqui, do jogo das coincidências que nos apresenta a Silvio Santos, através da televisão.

Sim, de outro jogo.

Falamos de nossa Câmara Municipal.

Registrada já, em sua primeira reunião, uma coincidência do mesmo quilate, de algumas das muitas contundentes sessões do legislativo anterior.

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Quatro anos de edilidade pretérita, marcados indelevelmente por desentrosamento de idéias, dentro de um mesmo partido – por sinal, o partido do Govêrno.

Com tais dissidências e desarmonias arenistas, onde treze vereadores se dividiam e degladiavam em idéias, edis emedebistas, em número de dois apenas, tiveram suas vantagens indiretas e conseguiram tirar as suas casquinhas.

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Repete-se a história, com a caracterização dos conchavos políticos, consubstanciados e configurados quando da eleição da atual Mesa de nossa edilidade.

Onze vereadores da situação contra apenas quatro da oposição. Se tivessem desejado e bem querido, os onze edis situacionistas, teriam solucionado de maneira fácil o problema. Isto é, se tivesse nascido o sentimento de compreensão e de acordo, o que fazia um bloco sólido e majoritário. Mas tal não ocorre, porque existem resquícios de vaidade pessoal, ditando moda pelaí.

Existem.

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O engalfinhamento de idéias entre os edis Santo e Mingo, adicionados ao protesto de Aldo, já deram para muitos, o sabor de uma frustração.

Muitos de nós estávamos saturados de insensatezes da Câmara anterior e muitos de nós, através dos votos livres de 15 de novembro, conseguimos alijar muitos daqueles outros, que, por suas atitudes desmedidas e caturras, durante quatro anos, consecutivos, se não fizeram credores da mesma continuidade de confiança.

Todavia, oxalá o entrevero não passe de um falso presságio.

Oxalá.

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De dissidências como as que se desenharam por ocasião da eleição da Mesa da Câmara, manipuladas pelos integrantes do partido da situação, é que se teme a reprise de fatos do pretérito.

Fatos, que ao invés de denegrir a Câmara – como muito se disse – redundaram em detrimento dos próprios interesses do município e dos munícipes.

Senão, vejamos:

A desunião da Arena, na legislatura passada, além de fazer o jogo do emedebê em muitos aspectos, ocasionou uma oposição sistemática – apesar de veementemente negada – ao Poder Executivo.

E disso, os contras a problemas de fundamentais importância para o dinamismo mariliense, como, por exemplo, cemitério, cozinha piloto, bosque, rodoviária, viadutos, Codemar, Fumares e muitos outros.

“Remmember, remmember”.

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Os que, com seus votos livres, democráticos e independentes, elegeram os atuais vereadores, alijando nada menos do que onze dos que antes existiam, esperam uma Câmara com comportamento diferente da Câmara passada.

Extraído do Correio de Marília de 04 de fevereiro de 1977

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Só dando com um gato morto… (03 de fevereiro de 1977)



Os inconformados  os que se habituaram a ganhar fácil, seja de qual jeito for, os maus brasileiros, estes murmuram, por aí, cobras e lagartos acerca da situação atual do Brasil.

Pintam quadros dos mais negros e abjetos.

E, além de tudo, justificam a “alta” do preço da gasolina.

Alta que não houve.

Mas que eles contam como favas certas, que o preço de cada litro de gasolina é de sete cruzeiros.

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Não iremos afirmar que a vida está fácil para todo mundo. Que as coisas se adquirem por preços irrisórios.

Seria insensatez.

Mas, ufanemo-nos, por viver no Brasil. Isso, sim.

Isto aqui ainda é o melhor lugar do mundo para se viver e morrer tranquilo.

Quem duvidar, que saia do país. Ou, então, que pergunte aos que conhecem plagas outras.

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País cosmopolita, que acolhe em seu seio gentes de origens diversas. Que a todos oferece oportunidades e chances de viver comodamente, na mais absoluta e ampla liberdade, quase sem restrições com as faculdades conferidas aos nacionais.

Nação que desde 1964 tem um governo duro, porém humano. Incisivo, porém justo.

Nação que surpreendeu os estudiosos, técnicos e sociólogos de todo o mundo, face seu vertiginoso crescimento, sua expansão ascensorial, seu avanço tecnológico em todos os sentidos.

E que, por circunstâncias do ônus desse crescimento vertiginoso, acabou por submergir numa autêntica crise, originária do grande consumo de petróleo e seus derivados.

E que obrigou o governo a tomar medidas consideradas drásticas, mas que, em verdade, são de certa forma amenas e que tentam evitar o fantasma do racionamento.

Gerações de hoje, nem todas, lembram das filas intermináveis geradas pela necessidade imperiosa do racionamento de antanho. Para o pão, para açúcar, para o sal de cozinha até.

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Se tais medidas que tanto se reclama hoje, tivessem sido adotadas por volta de 1971, a situação estaria hoje bem mais comoda nesse particular.

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Mas os inconformados, os eternos descontentes, os maus patriotas, os maus brasileiros, estes continuam a desgastar a honorabilidade da dignidade dos bons e bem intencionados patrícios, daqueles que pretendem acertar, pretendem encontrar caminhos certos, para soluções difíceis.

E por isso, bafejam, murmuram, chegando até ao gesto covarde de falar mal dos próprios governos.

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E com isso estão botando as manguinhas de fora dois curiosos tipos:

Um, o amante de doutrinas exóticas, que tenta se aproveitar da situação, para forçar nas mentes incautas, a idéia de que a doutrina da cortina de ferro será a indicada, porque, assim, os Montolar e os Maldonados irão perder as suas propriedades, ganhas com o suor e o resultado de trabalhos de várias décadas, em pról e favor de vagabundos que nada de útil sabem fazer.

Outro, o que vê tudo negro, com o governo ruim, com pessimismo, com a gasolina “a 7 cruzeiros”, com o Brasil à beira do cáos moral e econômico.

Existem em Marília tipos que tais.

Só dando com um gato morto nas costas desses tipos, até o gato miar…

Extraído do Correio de Marília de 03 de fevereiro de 1977

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Vereadores, bom dia! (02 de fevereiro de 1977)



Vereadores Aldo Pedro Coneglian, Atílio Brabo, Carlos Pavarini Filho, Domingos Alcalde, Ermelino Flora, Herval Rosa Seabra, Hideharu Okagawa, João Neves Camargo Júnior, José Abelardo Camarinha, Luiz Homero Zaninoto, Pedro Ortiz da Silva, Rubens Travitzki, Santo Raineri Primo, Sebastião Mônaco e Yojiro Shimabukuro.

Bom dia!

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Nossa saudação, bem mariliense.

Nossos augurios para que vocês tdos possam sempre sentir os bafejos de uma inspiração santa e elevada, para desobrigação da incumbência de bem legislar por Marília, trabalhando em pról da grande e laboriosa família mariliense.

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Dos quinze nomes eleitos e ontem empossados para a representação da vereança municipal, no período legislativo 1977-1980, somente quatro representam continuidade.

Onze, a maioria absoluta, encarna a renovação de valores, a alteração praticamente total do corpo legislativo que se iniciou em 1973 e que ontem teve encerrado seu espaço-tempo.

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Há uma grande responsabilidade a pesar sobre os ombros desses homens especialmente sobre os costados dos novos na Câmara e dos estreiantes na política municipal.

Marília é uma cidade grande. Uma cidade culta, politizada. Uma cidade dinâmica, de realizações, que provocou uma verdadeira revolução em sua própria conduta, em termos de dinamismo e avanço progressista.

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Sua Câmara Municipal, lídimo Poder Legislativo, tem por dever a preservação de uma dignidade inatacável, da atração de um respeito magnifico e da manutenção de um comportamento altamente respeitoso.

Esta é a imagem da Câmara, para nosoutros, os de fora.

Esta é a imagem que se perdeu na legislatura passada e que está a exigir dos atuais vereadores a sua recondução e o seu reencontro.

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O Poder Legislativo deve impor seu respeito perante o público e para isso deve merecer desse mesmo público, através da desenvoltura dos atos de seus membros, uma conduta inquestionável e inatacável.

No passado, por vezes inúmeras, a Câmara perdeu-se em discussões estéreis, em oposições flagrantes e disfarçadamente negadas, em torpedeamentos à maioria dos atos do Executivo, em aversões e ogerizas a pessoas estranhas ao Poder.

Teve atitudes impensadas, por vezes alguns vereadores chegaram a mesquinhar as altas funções dos respeitáveis cargos. O pensonalismo ditou alto muitas vezes. A antipatia. Até o ódio.

Toda Marília sabe disso.

Inclusive os novos vereadores.

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Senhores vereadores, reconquistem a posição perdida. Confiram à Câmara Municipal de Marília a sua verdadeira e esperada confiança e responsabilidade.

Reponham-na na senda da dignidade, excluindo-a do lamaçal de demagogia que esteve submersa durante muito tempo.

Nós todos ficaremos agradecidos.

Queremos ver uma Casa transpirando sobriedade e decência, sem quizilias pessoais, sem gritos e xingamentos, com a altivez dos grandes Parlamentos.

Isso é o que Marília espera desses vereadores.

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Foi por isso e para isso que o eleitorado mariliense renovou o Poder Legislativo, fazendo espirrar de seu seio os que tiveram comportamentos não condignos com a elevação de sua própria constituição.

Nós todos, todos, esperamos que a atual Câmara possa reencontrar a sua posição perdida – por culpa de alguns.

Esperamos isso.

Uma Câmara nova, com sua verdadeira imagem.

Boa sorte, senhores vereadores!

Extraído do Correio de Marília de 02 de fevereiro de 1977

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sola, Theobaldo e Archimedes (01 de fevereiro de 1977)



Quando, em 1972, Felipe Elias Miguel desistiu de sua candidatura a Prefeito e Pedro Sola o substituiu, deu este, uma prova de prestígio e de estima a Theobaldo, que era o candidato a vice-prefeito, na chapa de Felipe.

Tendo sido verificado a alteração de candidato, surgindo um outro nome, seria viável também, a substituição do nome remanescente. Todavia, Sola foi incisivo, advogando a permanência de Theobaldo junto a ele.

E ambos venceram as eleições.

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Sola surpreendeu com sua visão administrativa, seu espírito de luta, seu despreendimento e seu acendrado amor por Marília.

E, introduziu uma nova sistemática na administração municipal, dando incumbência ao vice-prefeito, que, desde o dia 4 de abril de 1929, até o último dia do segundo governo de Tatá, nada mais representava do que uma figura meramente decorativa.

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Sola e Theobaldo caminharam juntos durante quatro anos consecutivos e os dois deram o melhor de sí, para o progresso mariliense e o bem estar da coletividade.

Um à frente do Poder Executivo e outro à testa da Codemar, empresa que revolucionou o “modus operandi” do dinamismo em termos de pavimentação asfáltica entre nós. E que hoje é motivo de destaque, curiosidades, citações e aplausos fóra das fronteiras marilienses.

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A fidelidade recíproca de Sola e Theobaldo acabou por trazer benefícios inúmeros para Marília.

E quebrando o tabu, o prefeito conseguiu eleger seu candidato como seu sucessor.

Theobaldo é o prefeito que inicia hoje seu mandato, em substituição a Pedro Sola.

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Nossa saudação ao prefeito que nesta data começa seu trajeto administrativo.

Nossa gratidão ao prefeito que nesta data encerra sua gestão e que durante quatro anos foi um amante eterno de sua cidade, por ela trabalhando e fazendo-a crescer, dinamizar-se, projetar-se.

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São excelentes as perspectivas do porvir mariliense, sob a égide administrativa de Theobaldo de Oliveira Lyrio.

Theobaldo acompanhou Pedro Sola durante os quatro anos da profícua administração que hoje se encerra. Está, portanto, “por dentro” da engrenagem administrativa.

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Theobaldo é mariliense sem rabo de palha – o que é muito importante para quem exerce cargo público.

Filho de um ex-prefeito, que foi íntegro e honrado.

Inteligente e vivo.

Se, por um lado, disposto está a seguir os bons exemplos de Pedro Sola, é justo que se realce aqui o valor de um braço-direito, o vice-prefeito Archimedes De Grande. Archimedes, dentro de sua simplicidade aparente, armazena um cabedal imenso de conhecimentos sobre engenharia, planejamento e arquitetura.

Tudo isso soma-se a favor de Theobaldo.

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Há ainda um outro pormenor a ser também analisado e que trará benefícios para a administração. É o fato da permanência de muitos assessores, pois estes, estando a par do andamento da máquina administrativa, serão úteis ao prefeito Theobaldo.

O que não aconteceu em ocasiões passadas, quando todos os assessores foram nomeados de sopetão, sem siquer conhecer, em alguns casos, todas as dependências da Prefeitura.

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Dentro desses destaques, ao prefeito que sai e ao alcalde que entra, é justo que se recorde aqui, as palavras de Pedro Sola, no seu discurso de despedida e prestação de contas: “Ajudar, sim; atrapalhas, nunca”.

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Saudações, portanto, ao prefeito Theobaldo de Oliveira Lyrio e ao vice-prefeito Archimedes De Grande, com os auguros bem marileinses, de que possam e consigam desenvolver uma excelente administração municipal, em pról de Marília e para a felicidade geral de todos os marilienses, autênticos e genuínos.

Extraído do Correio de Marília de 01 de janeiro de 1977