Porque matei (Natal de dezembro de 1973)
Conto de José Arnaldo, especial para Edição de Natal – 1954 Na lufa lufa comum e cotidiana da grande cidade, o povaréu corre apressado em direções diversas. Apático e indiferente ao borborinho de vidas que tenho em redor, como um perdido na mole humana, caminho eu, qual um autômato errante. Modestamente vestido, com uma fatiota um tanto fóra de uso, um surrado chapéu na cabeça, sapatos sem cordões e u’a mala pendurada na mão direita, vou andando, aereamente, à esmo, sem destino pré-fixado, sem a mínima preocupação para com a agitação das gentes que domina as ruas. Quase não me apercebo do trânsito barulhento e incessante. Meu olhar é morto, transpirando exaustidão. Minhas afeições são pálidas, sulcadas de rugas indeléveis, semi-ocultas por uma barba de dois dias, documentam uma vida de sofrimentos precoces. Meu andar é incerto, atabalhoado, inseguro. Meu destino parece claudicar, sem ponto certo de direção aparente. Até em minha mão, crispada como uma garra sôbre a alça da...