segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Os direitos das mulheres (31 de agosto de 1957)

Limos há dias qualquer coisa acerca de um movimento atualmente desencadeado no Rio de Janeiro, por um grupo de mulheres, visando igualar seus direitos aos dos homens e esboçando mesmo uma reforma em determinados artigos do Código Civil.

Pouco ligamos para a notícia, porque achamos alguma coisa de puerilidade na mesma e porque entendemos que no Brasil precisamos de muitos movimentos, movimentos mais úteis, urgentes e necessários em pról do povo. Acabamos de receber uma cartilha com letra de mulher, assinada pelas iniciais M. L. R., com interêsse ferrenho em saber a opinião do cronista a respeito da campanha referida. A letra da missiva, como dissemos, parece ser feminina e o interêsse demonstrado, bem como uma série de perguntas formuladas, também. Não iremos responder a carta propriamente, porque ignoramos quem seja M. L. R. e porque nos foi apresentado um verdadeiro “questionário” para ser respondido. No entanto, vamos aproveitar a idéia que nos foi fornecida, para abordar o assunto, embora, ressalvando antecipadamente o motivo de que não estudamos devidamente a questão. Limos a notícia apenas “por cima”. O mais que sabemos a respeito, nos foi informado através das questões formuladas na carta em apreço.

Não podemos compreender a luta referida, porque se legalmente as mulheres possuem algumas desvantagens frente aos homens, no dizente a direitos, praticamente elas têm, na realidade, direitos, inúmeros além dos homens. No entanto, somos também favoráveis ao ponto de vista. Se as mulheres querem ser iguais em todos os sentidos, inclusive ter o direito de serem candidatas ao posto de Presidente da República, que sejam. Mas que não venham com golpes de desejarem “os mesmos direitos” e interpretarem e executarem êsses “direitos” sòmente nas partes que lhes aprouver. Que tenham de falto os mesmo direitos. Que peguem no cabo da enxada, que sejam açougueiros, soldados da Força Pública e do Exército, marinheiras e engraxates. Que joguem futebol e enfrentem também em luta “vale tudo” o Hélio Gracie ou o Waldemar Santana. Que sejam guarda-noturnas. Que sejam também foguistas e maquinistas, delegadas de polícia, chefes de estação, machadeiras, etc..

É verdade que existem algumas profissões dos homens que as mulheres já executam, mas não tôdas e não “in totum”. Se querem os mesmos direitos, que alcancem e exercam, na realidade os mesmos direitos. E ao lado dos mesmos direitos, que tenham também as mesmas obrigações, ponto que não foi cogitado, ao que parece pelas cabeças do movimento.

Algumas já usam os cabelos cortadas “à lá homem”, usam calças compridas e invadiram as atividades masculinas. Só lhes faltam os bigodes. E como seria gozado u’a mulher barriguda, careca, de bigode e fumando charuto!

Como pode ver a pessoa que nos escreveu e que deixou antever, nas entrelinhas de sua correspondência que seríamos contrários com antecipação ao ponto de vista óra referido, não o somos; somos até favoráveis. Favoráveis em tudo, não em parte.

Extraído do Correio de Marília de 31 de agosto de 1957

domingo, 30 de agosto de 2009

Ainda e sempre, o candidato mariliense (30 de agosto de 1957)

Poderemos pregar no deserto, poderemos contrariar os interesses partidários de correntes políticas da cidade, que sejam obrigadas a agir mal, relegando a plano inferior os interesses locais, mas continuaremos sempre.

Prosseguiremos, porque entendemos justa a réta pela qual caminhamos, que é o desejo de ver Marília representada lídimamente no Palácio 9 de Julho e tambem no Palácio Tiradentes. Marília, seu povo e toda a região é que colherá os frutos désta campanha, se a mesma puder conseguir seus objetivos. Para o autor déstas linhas, pessoalmente, nenhuma vantagem ou prejuizo advirão.

Embora não sejamos políticos, procuramos “pescar” alguma coisa de política; embora não entendendo muito bem, certas manobras escusas que por aí se aplicam sob o rótulo de política, pensamos que com nosso esforço, já estamos compreendendo alguma “pitada” da política local. E isso nos está dando o que pensar, porque estamos percebendo que os partidos políticos locais não estão muito interessados em emprestar uma colaboração bem mais sincera, aos próprios interessados da cidade e do povo mariliense. Pensamos, outrossim, que isso seria possivel, sem que nenhuma corrente partidária pudesse com isso sair da linha diretiva do próprio partido. Isto, porque, ao que estamos “adivinhando”, quasi todos os partidos políticos locais têm interesses em apoiar candidatos de Marília, desde que êsses candidatos pertençam as suas fileiras políticas!

Não existe muito entusiasmo e interesse nos diretórios municipais dos partidos vários aquí representados, em fazer-se um acôrdo ou uma coligação de fundo eminentemente mariliense, oclimando antes de tudo, os próprios interesses do povo local e da Alta Paulista. Isso é inegável, embora ésta afirmativa esteja sujeita a contestação.

Pelo visto, teremos em breve, ao par dos “caçadores de votos” e dos “doutores promessas” que por aquí deverão aportar, oferecendo empregos e jogos de camisas de futebol, quatro ou cinco candidatos da terra. Teremos então o seguimento dos erros do passado e depois, nós, désta coluna, teremos um grande beneficio: Não mais precisaremos puxar pelo intelecto, apelar para a inspiração, para escrever. Teremos assunto para “bater” muito tempo seguido, apontando muitas coisas erradas que virão à público na época devida.

Nésta coluna, nenhum candidato de fóra terá acolhimento. Respeitando os direitos constitucionais de todo mundo, faremos tambem respeitados os nossos próprios, externando nossas idéias e pontos de vista. Combateremos deste cantinho, os “amigos de Marília” que aquí só aportam às vésperas de eleições, distribuindo dinheiro à cabos eleitorais improvisados, que, antes de mais nada, colocam-se (ingenua e propositadamente), contra os próprios interesses de Marília. Combateremos tambem a distribuição de dinheiro aos próprios diretórios políticos por candidatos de fóra, desde que possamos prova-lo, como deveriamos ter feito no passado.

Se “cada povo tem o governo que merece”, Marília até aquí não mereceu mesmo ser representada em nenhum parlamento – estadual ou federal –, por culpa exclusiva de seus eleitores.

Não nos atemorizam insinuações malévolas, da mesma maneira que não nos endeusam encômios daqueles que realmente desejam comungar conosco êsse ponto de vista. Pelo contrário, ambas as manifestações, para nós, nêsse sentido, têm o feito de um excelente tônico estimulante. Por isso, repetimos: ainda e sempre, nos bateremos pela eleição de um mariliense, no mínimo, no próximo pleito estadual.

Extraído do Correio de Marília de 30 de agosto de 1957

sábado, 29 de agosto de 2009

Lucros nas eleições? (29 de agosto de 1957)

Positivamente, embora pareça esdrúxulo mesmo, o fato é verdadeiro. As eleições, no Brasil, parece que poderão dar lucros, após a cobertura das grandes despesas, efetuadas com o transcorrer dos pleitos eleitorais. Basta para tal, que se cobrem dos eleitores faltosos, as multas estabelecidas pela lei eleitoral.

Até agora, de acôrdo com dados estatísticos elaborados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o total das multas a respeito, pagas em todo o país, atinge cifra de 26 milhões e 600 mil cruzeiros! Sem contar-se, todavia, a grande porcentagem que não recolheu ainda as dívidas dêsse gênero.

Os dados divulgados, deixam claro um grande perigo: o perigo das eleições, em nosso país, principalmente a dar lucros para os cofres da nação!

Muita gente, ou por estar descontente com a nossa democracia ou com os que praticam, ou desiludida com os processos (e excessos) que cometemos a todo instante, sob o pretexto de democracia e liberdade, é de opinião que a ditadura sairia bem mais barata para o Brasil. Certamente, agora, poderão os que assim entendem, mudar de opinião em parte, pois a realidade aí está. A demonstração é deveras surpreendente e talvês inédita em todo o mundo.

São Paulo, que sempre foi o líder em tudo no Brasil, “abiscoitou” lógo o primeiro posto na contribuição dêsses recolhimentos: 62%! Senão, vejamos: Contribuiu o nosso Estado com a importância de Cr$ 15.314.430,00; Paraná, em segundo lugar, com (Cr$) 2.936.349,00; em terceiro lugar está o Distrito Federal, com Cr$ 1.780.681,00; depois o Rio Grande do Sul, com Cr$ 1.656.020,00; por último o Estado de Minas Gerais, com Cr$ 999.358,00.

A soma dêsses recolhimentos (mais de vinte e seis milhões e meio), quasi cobriu as despesas com a realização das eleições de 1955, quando foi eleito o atual Presidente da República, uma vez que na ocasião, gastou o país com as citadas eleições, vinte e oito milhões e pouco mais de duzentos mil cruzeiros. Dêsse total, o Tribunal Superior Eleitoral consumiu quatro milhões e setecentos mil cruzeiros, em números redondos, enquanto que o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo gastou, tambem em números redondos, pouco mais de três milhões e novecentos mil cruzeiros.

Pela mencionada estatísticas, póde verificar-se que apenas dois Estados contribuiram com o recolhimento de multas em bases superiores àquelas que foram gastas com as referidas eleições: São Paulo e Paraná.

Poderia parecer lisongeiro, para os paulistas, tal estado de coisas; no entanto, não o é. Contribuir com tamanha verba pelo fato referido, ou seja, pagar multa por infração contra a lei eleitoral, embora considerando-se o número de eleitores residentes no Estado de São Paulo, traduz, antes de mais nada, um bom índice de abstênção das urnas nas ocasiões necessárias. Pelo nosso entender, melhor seria que as multas dos residentes em São Paulo obtivessem a última colocação; assim, representaria o fato, prova inconteste de comparecimento em massa às eleições.

Depois de conhecer tudo isso, acreditamos que muita gente ha de convencer-se que é preferível votar do que pagar multas.

Extraído do Correio de Marília de 29 de agosto de 1957

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Precisamos de mais semáforos (28 de agosto de 1957)

Não ha (como) negar que o serviço de policiamento e fiscalização do trânsito em nossa cidade, apesar de ser bastante eficiente, está a reclamar a instalação de mais alguns semáforos em diversos pontos da “urbe”.

Marília reclama, de ha muito, a urgência dêsse sistema facilitador e orientador de trânsito, com aparelhos melhores e mais modernos, especialmente os chamados “automáticos”.

A introdução de novos “luminosos” em diversos pontos da cidade, especialmente no centro, está sendo uma urgência indiscutivel. O crescimento da cidade, o aumento de seu trânsito – pedestre e motorizado –, está a exigir as atenções das autoridades de direito, nêsse particular.

O assunto já foi focalizado por nós, repetidas vezes. Já mereceu tambem as atenções da Câmara e da própria Prefeitura, mas, ao que parece, a questão encontra-se ainda “no tinteiro”.

A própria Diretoria do Serviço de Trânsito, em São Paulo, fabrica hoje, tais apetrechos auxiliares de trânsito. Se as providências tivessem sido procedidas no passado, teriam o próprio Estado ou o município economisado uma regular quantia, eis que se os preços atuais dêsses aparelhos, pelo que estamos informados, são de duas vezes ou mais do que aqueles que vigoravam ha dois ou três anos passados.

Quanto mais for protelada éssa necessidade, mais serão onerados os cofres públicos no futuro.

A propósito, lembramos os responsáveis pelo fato, de que, na cidade de Presidente Prudente, que por sinal está bem aparelhada nêsse sentido, existe um semáforo luminoso, dêsses do tipo automático,que se encontra em desuso e praticamente abandonado, encostado em algum lugar. Não seria o caso do encarregado local do Serviço de Trânsito e o próprio sr. Prefeito intercederem junto à D.S.T. na Capital, pleiteando a remesse desse objéto para ser usado em Marília?

Tal aparelho poderia substituir o que atualmente está em uso na confluência da Av. Sampai(o) Vidal com a Rua 9 de Julho, transferindo-se êste para outro ponto, dos muitos que estão a exigir êsse melhoramento.

Aquí fica êsse lembrete, com esperanças de que haja possibilidade de transferir-se para Marília, o semáforo que está em desuso em Presidente Prudente. Por outro lado, fica tambem o reforço da lembrança para que se tomem o quanto antes, as providências necessárias, a fim de que Marília póssa, o mais breve possivel, ter suprida éssa deficiência.

Extraído do Correio de Marília de 28 de agosto de 1957

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Candidato mariliense e opinião dos municípios vizinhos (27 de agosto de 1957)

Em nossa campanha em pról da eleição de um ou mais candidatos marilienses, sempre nos demos ao cuidado de referir a representação e os resultados benéficos que terá Marília e a região toda.

Num de nossos comentários do pretérito, citamos o exemplo de Biriguí (cidade cuja população equivalerá ao colegio eleitoral de Pompéia ou Vera Cruz), que conseguiu eleger esse grande municipalista que é Lot Neto, homem que têm procurado e conseguido atender em parte os interesses públicos de Biriguí e de outros centros da região.

Apontamos uma série de erros cometidos no passado e por vezes nos mostramos pessimistas quanto às possibilidades de Marília atingir o seu objetivo. Tentamos fazer uma campanha de esclarecimento público, em benefício de nós próprios, de Marília e região. Os écos dessa campanha atingiram, ha muito, outras cidades irmãs, que principiaram a meditar sobre o assunto, pensando conscientemente os interesses próprios, em relação às possibilidades de eleição de candidatos de Marília e de “paraquedistas” e “caçadores de votos”.

Não poderíamos furtar-nos, de fórma alguma, de transcrever, “in totum”, o que a respeito publica o jornal “A Época”, da cidade de Pompéia, edição de 25 último, sob o título “...E seu indiscutível líder”, artigo assinado pelo colunista Tabajara Solimões. Eis a íntegra do aludido escrito:

“Porque sente na própria carne” os perniciosos efeitos da atuação do seu eleitorado, o Mariliense argumenta, clama e batalha por u’a orientação diferente nas eleições que se avisinham.

“Possuindo um colegio eleitoral por sí só capaz de eleger dois Deputados à Assembléia Legislativa do Estado, Marília até hoje não conseguiu que algum dos seus varios candidatos conquistasse siquer u’a terceira suplencia em qualquer das legendas partidárias.

“A dispersão de votos tem sido a razão principal do fracasso dos nomes alí apontados.

(“)E diversas, incontestavelmente, são as causas dessa orientação do seu eleitorado.

“O maior erro, porem dos políticos da “Cidade Menina” é o seu permanente indiferentismo aos municípios vizinhos.

“Tarvez porque se julguem auto suficientes, não mantem o mínimo contacto até mesmo com os correligionários da região.

“É comum comentar-se que os seus homens públicos, principalmente os atuais dirigentes, se “dão ao luxo” de não tomar conhecimento do que se passa na vizinhança.

“Nas suas datas cívicas, eles se isolam nos limites da cidade, certamente porque não desejam que “intrusos” maculem as suas comemorações.

“Sendo, inquestionavelmente, a “Capital da Alta Paulista”, Marília jamais convida Prefeitos e Vereadores da região para um debate dos problemas de interesse desta.

“Enquanto os demais “centros de zonas” procuram captar as simpatias dos visinhos, Marília se omite ostensivamente, a ponto de alguns dos seus Prefeitos não se dignarem dirigir um simples cumprimento aos colegas que talvês representem o “papel de primos pobres”.

“Com tão antipatica e antipolitica orientação, podem os marilienses contar com o apoio dos municípios da região na luta pela escolha de um seu representante para o Palácio 9 de Julho?

“Não acreditamos.

(“)Outróra incontestavel lider da Alta Paulista, Marília de dia para dia perde terreno, exclusivamente porque os seus homens públicos não têm sabido dar um tratamento cordial aos visinhos.

“Daí o indiferentismo pelos candidatos apontados pela “Cidade Menina”.

“Se os nossos interesses não se chocam, e, ao contrario, se completam, unidos deveriamos estár, caso outra fôsse a atenção a nós dispensada.

“E quem lucra com essa desunião são os “paraquedistas”.

“Candidatos de outras zonas, apesar de completamente desconhecidos, aqui encontram “campo propicio” para a coléta de votos, não raro mediante o “financiamento de contumazes empreiteiros de eleições”.

“E, vencido o pleito, não mais “dão confiança” aos municípios desta região, sob o convincênte argumento de que compraram votos.

(“)Isso vem ocorrendo desde 1947, e, fatalmente o “feito” se repetirá em Outubro de 1958.

“As agremiações partidárias sabiamente têm forçado a indicação de numerosos candidatos da “Alta Paulista”, e o resultado é a dispersão de votos, beneficiando os nomes da confiança dos donos dos diretorios regionais.

“Esse (“)golpe” infelizmente, ainda não foi compreendido pelos homens do interior.

“Marília, por falta de políticos habeis, não conseguiu tirar proveito da sua privilegiada situação.

“E o município mais importante da “Alta Paulista”, por isso, tem representado um papel verdadeiramente nulo no setor político, quando dispõe de “todas as cartas” para sêr o se(u) indiscutível líder”.

Extraído do Correio de Marília de 27 de agosto de 1957

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

...e os “cursinhos”? (24 de agosto de 1957)

Já podemos considerar matéria vencida a luta empreendida pelos marilienses, acerca da criação e instalação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras em nossa cidade.

Depois da perseverança sem esmorecimento e da contenda titânica que empreenderam os mailienses, o desfecho ocorreu satisfatoriamente. Possuimos a nossa Faculdade que deverá funcionar já no ano vindouro, para gáudio de nossa mocidade estudantil de Marília e região e para satisfação e engrandecimento de nossos meios culturais. Nesse particular, tivemos até a felicidade de sermos brindados pelo Governador, com a designação de um esplêndido diretor, como é o dr. José Quirino Ribeiro.

Está faltando ainda uma coisa, que julgamos necessária e que, ao que pensamos, já deveria existir. São os chamados “cursinhos”, destinados a preparar os interessados de nossa cidade e de outros centros, especialmente desta vasta região da Alta Paulista, a fim de que êstes possam enfrentar os vestibulares para ingresso na mencionada Faculdade.

Pelo que percebemos, a questão, a êsse respeito, está um tanto “fria”. Não nos consta até agora que alguém já esteja cogitando ou pondo em prática a ministração dos ensinamentos próprios dos conhecidos e necessarios “cursinhos”. De certo modo, poderá parecer que ainda há tempo suficiente e que é um pouco cedo para tratar-se do assunto. Não somos especialistas na matéria, mas entendemos que as providências a respeito estão urgindo.

Anteriormente, tivemos a idéia de fazer tal lembrança. Como até agora não saibamos de nenhuma providência relativa à questão referida, voltamos a concitar quem de direito, para a instituição dos chamados “cursinhos”. Inúmeras pessoas nos solicitaram essa lembrança. São pessoas interessadas em cursar a Faculdade. E não só estudantes, como também professoras normalistas, já com alguns anos de magistério, estão vivamente interessadas em aumentar seus conhecimentos, aproveitando a “chance” óra apresentada, que, de qualquer modo, significa também um ato de prestigiar o funcionamento dêsse curso oficial de ensino superior.

É bom sinal êsse interêsse que desperta naquêles que pretendem continuar haurindo as luzes da ciência. É um motivo de satisfação para todos nós, especialmente para aquêles, que, despretenciosamente, formaram no grande batalhão que lutou pela criação da Faculdade.

Oxalá o interêsse continue a crescer cada vez mais, sem nenhum arrefecimento por parte da mocidade estudantil. Oxalá, também, o número de alunos de Marília e da região possa apresentar um índice satisfatório, de maneiras a dar-nos a certeza de que a luta poderá ser reavivada, sendo a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília, o ponto de partida para a criação de outras faculdades, que comporão, num futuro, não mui distante, a nossa própria Universidade.

Isso, são coisas do futuro, no entanto. Agora, o que está fazendo falta inegável, é o funcionamento dos “cursinhos”.

Extraído do Correio de Marília de 24 de agosto de 1957

domingo, 23 de agosto de 2009

Leite, cachaça, samba e futebol (23 de agosto de 1957)

Primeiramente, nosso país éra conhecido como a “terra do samba”. Hoje o tipo dêsse rítmo que importamos da África, segundo dizem uns, que nós próprios inventamos, segundo afirmam outros, já passou para segundo ou terceiro planos nas preferências musicais dos brasileiros. Agora o que interessa é o bolero, o fox, a guarania, o “swing” e outras coisas importadas tambem. O que “não pegou” foi o tal de “rock and roll”.

Depois da “terra do samba”, passamos a ser o “país do futeból”. Agora já não o somos mais, pois o futebol no Brasil, depois das asneiras de Flávio Costa e das chamadas “marcações por zona” caiu tambem no negativismo, conforme tivemos o dissabor de perceber, através das campanhas intercontinentais e internacionais em que nossos “famosos” selecionados interviram.

Não sendo o Brasil a “terra do samba” e nem o “país do futeból”, teriamos mesmo que ser detentores de um outro “título” qualquer. E este veio tambem. Somos agora o “país da cachaça”, fabricada à larga e vendida tambem “à lá voluntè”, quer seja pura, “puríssima” ou falsificada e impregnada de drogas nocivas à saúde pública. Não que sejamos nós puritanos ou abstêmios; como bons brasileiros, não fugimos tambem à regra de apreciar, comedidamente, aquilo que é quasi sempre alcool e vem rotulado com outros nomes, disfarçado com paladares diferentes.

No Brasil, de modo geral, bebe-se mais cachaça do que leite.

Segundo dados divulgados pelo prof. Veiga Carvalho, da Faculdade de Medicina de São Paulo, na Capital são consumidos, diariamente, cerca de 80 mil litros de aguardente, 2.400.000 mensalmente e 29.200.000 anualmente.

Adiantou aquele professor que cálculos efetuados pelo Instituto de Açucar e Alcool, revelam que se bebe mais aguardente do que leite, em nosso país.

Dividindo-se a quantidade de aguardente consumida na Capital pelos seus milhões de habitantes teremos 0,027 de litro (cerca de uma colher e meia) por pessoa. Consome-se de leite, por sua vez, em nosso vasto território nacional apenas uma colher de chá, consoante dados constantes do “Plano Salte”, divulgados recentemente por um parlamentar estadual.

Se ganha a aguardente no Brasil todo, perde todavia, para o leite, considerando-se apenas a Capital paulista (segundo cálculos do catedrático Hilário Veiga de Carvalho). Isto, porque, o consumo de leite, na Capital, é de cerca de 120 gramas per capita; isto quer dizer, portanto, cerca de oito colheres de sopa (de leite) contra uma colher e meia de pinga. Mas nem por isto os regionalistas precisam ficar tristes, porquanto a aguardente é mesmo intensamente difundida entre nós. Basta dizer que sobrarão 9.720 litros por pessoa, na Capital, dividindo-se o consumo anual pelo número de habitantes.

É cachaça “p’ra xuxú”, não acham?

Extraído do Correio de Marília de 23 de agosto de 1957

sábado, 22 de agosto de 2009

Trabalho de estudos (22 de agosto de 1957)

Esta crônica é feita sob encomenda, por solicitação de uma ilustre professôra de um dos grupos escolares da cidade. Achando plausíveis as ponderações da mencionada mestra, apressamo-nos em trazê-las a público. O ponto de vista dessa educadora, que é, antes de tudo, um fervoroso apêlo aos pais e responsáveis de alguns dos próprios alunos, resume-se no seguinte:

Ultimamente muitas crianças que estudam em estabelecimentos primários, estão prejudicando o próprio curso, por uma questão de necessidade pecuniária das próprias famílias ou por ignorância dos próprios pais ou responsáveis. Citaremos, neste escrito, os exemplos que a nossa solicitante nos forneceu.

Muitos pais de família, retiram dos grupos escolares, às vezes no último ou últimos anos da série, meninos e meninas, para aproveitar os trabalhos dêstes nas épocas de colheita de algodão ou de catação de café. Às vezes, crianças que estão realizando excelente aprendizado, com aproveitamento integral dos ensinamentos ministrados; há até um caso em que u’a menina, que era a primeira da classe, foi afastada dos estudos para a colheita do algodão, tendo regressado algum tempo mais tarde, para encontrar dificuldades e mostrar-se atrasada no acompanhamento do programa estudantil.

Outras vezes, algumas meninas são empregadas como domésticas em casas de família, com a condição de sairem em tempo do trabalho, para frequentar a escola. Nesses casos, quase sempre, as alunas faltam muito, com prejuizos evidentes para seus próprios conhecimentos. Essas faltas, alegam, devem-se às próprias patroas, que não as deixam sair em tempo habil ou que as prendem outras ocasiões, por motivos os mais diversos e muitas vezes os mais comezinhos.

Só uma compreensão mais acurada por parte dos pais dêsses alunos ou alunas, poderá pôr um fim, pelo menos parcialmente, ao mencionado estado de coisas. Urgiria, então, que as próprias direções dos estabelecimentos de ensino, fizessem, na ocasião das matrículas e de inícios dos anos letivos, preleções fundamentadas, em linguagem clara e suscinta aos pais ou responsáveis dos alunos, fazendo-lhes incutir no espírito, os prejuizos que acarrretarao aos próprios que acarretarão aos próprios filhos, com medidas idênticas às que estamos referindo.

Cumpre reconhecer, por outro lado, que muitas vezes, fatos como êsses, são motivados pela própria dificuldade financeira de muitos chefes de família, que, se vêem obrigados a lançar mão dêsse expediente, objetivando auferir alguns cruzeiros a mais para reforçar os parcos orçamentos do lar.

Aí, então, deverão entrar os conselhos dos próprios professores e dos diretores dos estabelecimentos de ensino, fazendo com que os pais evitem tais acontecimentos, embora arcando com mais alguns pequenos sacrifícios. Nesses casos, ao ter conhecimento de desfechos como os que citamos, os próprios responsáveis pelos estabelecimentos de ensino deverão procurar, pessoalmente os pais dêsses alunos, expondo o fato e tudo fazendo para que os estudos dessas crianças não sejam truncados. Convém ainda lembrar, que, as crianças que estudam em grupos escolares, em sua maioria, não podem seguir outros estudos e será de lamentar-se o ficar prejudicado, entre nós e entre essa infância que representará os homens de amanhã, o simples curso primário, que já apresenta entre nós, segundo a opinião de alguns entendidos, algumas deficiências pedagógicas.

Aqui fica o apêlo dessa mestra, que é justo sob todos os pontos de vista.

Extraído do Correio de Marília de 22 de agosto 1957

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

“Como se ensina, como se aprende e como se esquece” (21 de agosto de 1957)

Por certo, muitos leitores hão de pensar, assim à primeira vista, que a epigrafe dêste artigo refere-se a algum “slogan” radiofônico, ou a alguma “tirada” do Sr. Assis Chateaubriand. Entretanto, trata-se de uma coisa bastante séria e de interesse geral. Refere-se à educação.

De 21 a 26 de Outubro próximo futuro, a Escola Normal Particular Equiparada “Sagrado Coração de Jesús”, patrocinará em nossa cidade, um interessante curso de aprendisagem escolar “como se ensina, como se aprende e como se esquece”. O citado curso especial, terá lugar no Salão Nobre do mencionado estabelecimento estudantil, será patrocinado pela diretoria da referida escola, sob os auspícios da Universidade de São Paulo. Ministrará o aludido ciclo de ensino especial, a consagrada professora catedrática, doutora Noemy da Silveira Rudolfer, já conhecida dos marilienses e uma das mais conceituadas autoridades filosóficas do momento.

O curso citado destina-se a professores, estudantes normalistas, quartanistas e a qualquer outra pessoa interessada, sendo tambem recomendado às mães de família, de acôrdo com o que nos informou a diretoria do aludido estabelecimento educacional.

Aos concluentes do curso, serão concedidos atestados de frequência do mesmo e aos que apresentarem os documentos exigidos pela Universidade, serão conferidos diplomas ou certificados.

Pela oportunidade que apresentará o mencionado curso, pela autoridade moral e pedagógica de quem o ministrará, recomenda-se, sem sombra de dúvida, a todos os marilienses.

Todavia, segundo estamos informados, encontram-se desde já abertas as inscrições para o citado curso especial, que poderão ser procedidas na diretoria do Colégio, sendo limitado o número de vagas para as matrículas.

Nada mais seria necessário que a respeito escrevêssemos no momento. A doutora Noemy da Silveira Rudolfer já visitou nossa cidade, já travou contacto com os marilienses, sendo seu nome e sua capacidade educacional por todos conhecidos.

Como gostamos de divulgar todos os acontecimentos que dizem respeito as boas iniciativas do público mariliense, apressamo-nos em dar publicidade ao fato, embora com um tanto de antecedência.

Para os que se interessam em haurir mais as luzes da ciência, para os que estão interessados em armazenar cada vez mais conhecimentos úteis e necessários,, aquí se apresenta mais uma excelente oportunidade.

Extraído do Correio de Marília de 21 de agosto de 1957

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Propaganda do Brasil (20 de agosto de 1957)

Não há muito, escrevemos aqui, alguma coisa, censurando o dispêndio de verbas governamentais, para fins de propaganda do Brasil no exterior. Não porque julgássemos desnecessário tal veículo. Muito menos, porque alimentássemos algum interêsse anti-patriótico ou subalterno, de carater pejorativo: unicamente, porque estamos percebendo, bem como todos os demais brasileiros sensatos e patriotas, aquêles que se preocupam um pouquinho pelas coisas do Brasil, o gigante que “dorme eternamente em berço esplêndido”, que o meio pelo qual tal “propaganda” vem sendo feita, não está em absoluto correspondendo.

Ou o processo está falho por deficiência técnica no sentido intrínseco da verdadeira propaganda, ou falta verba suficiente, ou os empregados designados para tal fim são preguiçosos, dorminhocos, acanhados, e, o que é mais grave, maus brasileiros.

A propaganda do Brasil no exterior tem sido um verdadeiro mito. Uma deficiência tão grande, que chega mesmo a ser uma vergonha!

Chega-nos agora mais uma prova indestrutível: O próprio Governador Jânio Quadros, que não tem nenhum pejo para dizer a verdade, alega em correspondência de Londres, que ficou profundamente aborrecido com uma pergunta que lhe foi formulada por repórteres ingleses, quando indagaram se São Paulo “era uma das maiores províncias da Argentina”.

Vejam os leitores, que a pergunta foi formulada por profissionais de imprensa. Se êstes fazem indagações dêsse porte, como não pensará a maioria dos ingleses? Mas não só os britânicos pensam assim. Quase todo o mundo exterior assim pensa, porque os brasileiros contribuem para tal. Os próprios brasileiros pouco ligam para o Brasil, pouco se interessam pelas coisas e pela grandeza territorial de noss Pátria. Pergunte o leitor ao primeiro que encontrar, se, sendo paulista e tendo posses, já visitou o Amazonas, Pernambuco, Rio Grande do Sul ou o Ceará. Verificará que não, quando é quase certo que o mesmo já foi à Argentina, ao Uruguai e possivelmente aos Estados Unidos. O brasileiro, conforme já disse eminente jornalista paulistano, se preocupa mais com o exterior do que com o próprio país.

A propaganda no exterior, até agora, tem sido algo nula. Nula elevada ao cubo, para sermos mais claros.

Recordamo-nos, a propósito, de um fato interessante: Em 1944, quando estávamos na Itália, ficamos conhecendo um professor catedrático da Universidade de Roma. Não pensem os leitores que era um professor “feito a machado”. Era um homem culto, bom conversador, que acabou por tornar-se um bom amigo do autor destas linhas. Pasmem ou não, tal mestre perguntou-nos, após uma visita feita ao Santo Pontífice, se São Paulo era a Capital da Argentina!

Ao que atribuir isso? Logicamente à falta de propaganda do Brasil no exterior. Imaginem os leitores, que isso aconteceu na Itália, país que ostenta um lugar de prôa no setor de emigração para o Brasil!

Muita gente, na Itália, quando lá estivemos, ignorava até o nome do Brasil, a sua língua e o próprio continente. América, para a maioria daquela gente se resumia em duas nações – Argentina e Estados Unidos! Vinte e cinco mil brasileiros, como o autor déstas linhas, integraram a F.E.B. e poderão confirmar o que dissemos. De modo que, não vemos razão para que o Sr. Jânio Quadros tanto se admirasse. Quem deveria admirar-se realmente seria o Ministro das Relações Exteriores, que jamais soube escolher um pessoal competente e o próprio Senado que aprova verbas que até aquí tem sido mal empregadas.

Já que citamos o exemplo anterior, convém tambem lembrarmos, que exibimos certa ocasião, na Itália, a um capitão do exercito americano, uma fóto em que apareciamos, na Praça da Sé em São Paulo, ao lado de um automóvel Ford Tipo 1941. o militar admirou-se todo , estranhando os prédios que apareciam no fundo da fotografia, o automóvel e a roupa “igual” a dos Estados Unidos. E foi mais além, perguntando-nos se éra verdade que no Brasil só existiam féras e índios que dançavam o samba.

Por aí, póde verificar-se, claramente, quão ineficiente tem sido, até aquí, a propaganda do Brasil no Exterior. No entanto, perguntemos ao Govêrno Federal, quantos funcionários “especializados” existem em paises estranhos, quanto ganham e quanto montam as verbas a respeito, consignadas anualmente no orçamento do país, para estes fins.

Extraído do Correio de Marília de 20 de agosto de 1957

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Educandário “Bento de Abreu” (17 de agosto de 1957)

Viverá Marília hoje, um de seus mais belos dias no setor de assistência social, com a inauguração do Educandário “Bento de Abreu Sampaio Vidal”, uma obra gigantesca e benemérita, destinada a preencher uma lacuna na cidade, servindo, não só Marília, como também inúmeros outros centros da região.

Uma realização de grande vulto filantrópico, social e educacional e representativo, que exigirá, obrigatoriamente, a gratidão eterna de todos os marilienses. Um beneficio inestimável, prestado ao povo de Marília, pela Mesa Administrativa da Sta. Casa de Misericórdia, na pessôa benquista, operosa e abnegada de seu estimado provedor, o Comendador Dr. Cristiano Altenfelder Silva, auxiliado pelos demais membros da Mesa, Srs. João Batista Sampaio Góes e Venâncio de Souza, respectivamente, secretário e tesoureiro.

Centenas de meninos órfãos e desamparados, alí terão um lar amigo e abençoado. Ainda, no ano que vem, o mesmo prédio que hoje será solenemente inaugurado, destinar-se-á tambem ao funcionamento de mais um grupo escolar da cidade.

Jamais poderá deixar de ser lembrado o nome dum moço que é um autêntico mariliense, e continuador das obras de benemerência e filantropia do saudoso Bento de Abreu Sampaio Vidal, o “Pai de Marília”. Jamais o povo bom désta terra poderá deixar de ser grato, eternamente grato, ao Comendador Dr. Cristiano Altenfelder Silva. Enumerar as obras assistenciais e filantropicas do Comendador Cristiano seria desnecessário, uma vez que não existe em Marília, uma pessoa siquer, que póssa ignorar o vulto de realizações efetivadas entre nós, para beneficio diréto do povo mariliense.

Tamanha é a importância e o significado da óbra, tão grande é a realização, tão oportuna a iniciativa, tão caridosa e grata a medida, que o Govêrno do Estado e seu secretariado aquí estarão hoje, participando e prestigiando a mencionada solenidade.

Em outra parte désta edição, divulgamos a relação completa das personalidades e autoridades que estarão em Marília no dia de hoje, com o fim especifico de prestigiar tão nobre e elevado acontecimento. Por aí, pela presença de tão altas autoridades do Estado, poder-se-á aquilatar a importância do fato, a sua representação entre nós, como uma óbra gigantesca, que não é a primeira e por certo não será também a última.

O nome do Comendador Altenfelder Silva, é, para nós, marilienses autênticos ou genuínos, uma bandeira de gratidão eterna e indestrutível. A benemerência da óbra, iniciada pelo saudoso Bento de Abreu e continuada pelo “Cidadão Mariliense de 1956, é demais grandiosa para ser relatada num simples artigo. O sentimento de gratidão, por outro lado, não póde ser perfeitamente delineado em poucas palavras, porque é imensurável. Marília muito deve, muito são gratos os marilienses, ao vulto de realizações sociais da família Sampaio Vidal, agora continuadas pelo pulso firme e amôr por Marília, tão patentemente demonstrados pelo Comendador Cristiano.

Ontem, em nosso artigo, ao fazermos menção a uma série de nomes de marilienses dignos e capazes, que bem poderiam representar-nos no Palácio 9 de Julho ou no Palácio Tiradentes, omitimos, por lamentavel descuido, o nome de um grande mariliense: o Comendador Cristiano. Esse nome deve ser incluido nas citações que ontem fizemos e deverá merecer atenções daqueles que deverão resolver a questão da escolha de marilienses para concorrerem ao próximo pleito eleitoral, em nome de Marília.

Nésta oportunidade, como autênticos marilienses que somos, como apreciadores e divulgadores de todos os motivos que se relacionam com a grandeza de Marília, com o trabalho, realizações e bondade de seu grande povo, aquí deixamos patente os nossos sinceros votos de parabens e de felicitações ao povo mariliense, diretamente beneficiado com a grandiosa óbra que hoje se inaugura e que é o Educandário “Bento de Abreu Sampaio Vidal”.

Extraído do Correio de Marília de 17 de agosto de 1957

sábado, 15 de agosto de 2009

Joio e trigo (15 de agosto de 1957)


O Jornalista José Arnaldo faleceu há dez anos, no dia 15/8/1999, em Marília.


Como jamais alimentássemos nenhum outro interêsse no caso, a respeito da campanha que vimos desenvolvendo acerca da eleição de, no mínimo, um candidato mariliense nas próximas eleições, não nos surpreendeu a alta receptividade que dito movimento tomou.

O que nos surpreendeu um pouquinho, foi a exteriorização pública de pontos de vista contrário, que, “analisando”, chega a fazer-nos crês outros interesses, de outras pessôas, em pról de candidatos alienígenas, e, logicamente, contra os possiveis e futuros candidatos locais.

O sr. O. Ceschi, está realizando no “Jornal do Comércio”, uma série de interessantes entrevistas, ouvindo pareceres de diversos próceres políticos locais, acerca do pensamento das várias correntes partidárias, em relação ao próximo pleito eleitoral. Num de nossos artigos, fizemos um pequeno reparo ao citado articulista, acerca de uma das perguntas contidas no “questionário”, que fazia menção à campanha de “certa imprensa”, quando deveria ser referida a expressão “certo colunista”, em nosso entender. Ontem, o mesmo jornalista respondeu ao que alegamos, externando seu modo de pensar, que não aceitamos, mas que no momento não iremos aborda-lo outra vez. O que nos interessa no caso, é que na entrevista de ontem, concedida ao confrade aludido, a mencionada pergunta alusiva à “certa imprensa” foi abolida das questões formuladas ao Prof. Glycério Povoas, secretário-geral do Partido Social Democrático. Lamentamos que assim tenha acontecido e solicitamos ao Sr. O. Ceschi que volte a inclui-la nas próximas reportagens, porque estamos nós tambem acompanhando o movimento e estamos interessados em saber o que pensam de nossa campanha os políticos locais. Com a reinclusão dessa questão, nessa série de reportagens, o mencionado colega nos prestará um grande favor e estará tambem colaborando conosco.

Com referência, ainda, ao “candidato mariliense”, prosseguiremos sem descanso. Continuaremos a lutar pela idéia que esposamos. Nada ganharemos ou perderemos com éssa nossa clarinada de alerta ao eleitorado mariliense. Quem ganhará ou perderá no caso, será a cidade, será o próprio povo. Alguem nos contrariará nesse ponto de vista?

Lutaremos para que fique bem claro que perderemos tempo e repetiremos os erros do passado, se forem apresentados em nossa cidade, nas próximas eleições, mais de dois candidatos ao cargo de deputado estadual. Embora extra - oficialmente saibamos que exite maior número do que esse em cogitações e estudos, entendemos que alguns deverão ser sacrificados, para que aumentem as possibilidades de elegermos nosso legítimo representante, a fim de que melhor sejamos respeitados e melhor possamos ser servidos na reivindicação de nossos reais direitos.

Raul Pimazoni, Coriolado de Carvalho, Aniz Badra, Sebastião Mônaco, Argollo Ferrão, Álvaro Simões, Fernando Mauro, Leonel Pinto Pereira, Guimarães Toni e muitos outros, são marilienses capazes e dignos de representar Marília em qualquer Parlamento. Por que, então, possuindo Marília gente digna, honrada e capaz, não se empenhar em mandar ao Palácio Nove de Julho e ao Palácio Tiradentes, um de seus filhos – autêntico ou genuíno? Por que, teimamos em dar guarida aos “caçadores de votos” e aos políticos profissionais que aquí só aportam às vésperas das eleições, fazendo promessas, distribuindo dinheiro a alguns diretorios políticos para “apôio partidário” e prometendo empregos públicos à meia dúzia de improvisados “cabos eleitorais”, que objetivam, antes de tudo interesses próprios?

Desejariamos que a questão alusiva à “certa imprensa” voltasse a ser focalizada pelo “Jornal do Comércio”. É mais um meio que dispomos para conhecer o grau da receptividade de nossa campanha e (o) que pensam os ilustres políticos que estão sendo habilmente entrevistados pelo jornalista O. Ceschi, abordando um assunto que é, indiscutivelmente, de interesse de todos os marilienses. Gostariamos que isso acontecesse, porque pretendemos conhecer o ponto de vista de todos os mentores políticos da cidade. Antecipadamente agradecemos a colaboração que nesse particular, o nosso confrade “Jornal do Comércio” nos está prestando.

Extraído do Correio de Marília de 15 de agosto de 1957

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

DEZ ANOS SEM JOSÉ ARNALDO

Neste sábado, 15 de agosto de 2009, a morte do Jornalista José Arnaldo (nascido José Padilla Bravos), completa dez anos.

Às 19 horas, haverá missa na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, na Avenida Bartolomeu de Gusmão, 114, bairro Aparecida, em Santos, cidade em que vive a viúva, Dona Cidinha (Aparecida Grenci Bravos).

Estamos todos convidados.

Mais informações pelo telefone (+13) 3227-4969 (Dona Cidinha) ou (+13) 3302-3147 (Sueli)

Questão de ponto de vista... (14 de agosto de 1957)

Muita gente está conosco, na luta que empreendemos, em pról da eleição de, no mínimo, um candidato mariliense, à deputação estadual nas próximas eleições. Algumas pessoas, teimam ainda em manter pontos de vista divergentes. Respeitamos o modo de pensar de qualquer um, mas defendemos o nosso ponto de vista, dentro dos mesmos princípios democráticos avocados por aquêles que nos contrariam.

Estamos em condições de assim proceder. Não temos preferências por nomes locais e sim apenas interêsses por gente de nossa cidade, ao invés de candidatos alienígenas. Não pretendemos favores, agora ou mais tarde, dos futuros candidatos, sejam da terra, sejam de fora. Nossos desejos, são aquêles multi-repetidos: os de levarmos ao Palácio 9 de Julho e se possível ao Palácio Tiradentes, marilienses que tenham amor à sua cidade e ao seu povo. Que tenham a obrigação irretorquível e indiscutível de defender nossos legítimos interêsses, para que possamos, no futuro, pleitear nossos direitos, sem mendigar favores. Apenas isso. Desejar servir Marília, prestando essa colaboração de esclarecimento, lembrando e aconselhando o eleitorado mariliense a sufragar nomes de legítimos marilienses não é nenhum ato de forçar ou envergar o direito ou a consciência do voto. Pelo contrário, é um ato que reputamos obrigatório de nossa parte, como elementos de imprensa.

Pensamos que muita gente que nos combate, alimenta interêsses próprios, sob qualquer forma. Não estamos forçando ninguém a votar em marilienses e sim aconselhamos e estranhamos a atitude daquêles que nos combatem, defendendo, indiretamente, gente de fora, fazendo-nos acreditar em calcantes interesses secundários. Existe muita diferença entre “lembrar” e “forçar”.

Mesmo que não tivéssemos recebido as manifestações de apreço e aplausos pela caminhada encetada, mesmo que ninguém tivesse pensado de modo contrário, mesmo que tivéssemos um irmão que fosse candidato a posto eletivo e residisse fora, manteríamos nosso atual ponto de vista.

Poderemos perder a questão, porque já perdemos no passado. Continuaremos lutando, porque entendemos digna e nobre a luta. As manifestações de apreço que têm chegado ao nosso poder e mesmo ao conhecimento da direção do jornal, não se parelham ao pequeno número dos que pensam de modo divergente.

Continuamos ainda na expectativa de pronunciamento dos diretórios políticos locais, não para nosso bem pessoal, mas para o próprio bem da cidade e do povo marilense.

Só uma coisa, embora muito nos esforcemos, não conseguimos compreender: que exista entre nós, autênticos marilienses, que nos combatam nessa idéia, defendendo, indiretamente, “ipso facto”, gente de outras plagas!

Nossa “novela”, como já afirmaram, em pról do candidato de Marília, prosseguirá ainda. Questão de ponto de vista...

Extraído do Correio de Marília de 14 de agosto de 1957

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Candidato de Marília (13 de agosto de 1957)

Se todos os pontos de vista que defendemos, fossem inequivocadamente corretos e irrefutáveis, seriamos um fenômeno. Isto pensamos, à respeito da campanha que vimos ha tempos empreendendo, com o fito exclusivo de lembrar aos marilienses, da necessidade indiscutivel que se nos apresenta como obrigatória, em elegermos, no próximo pleito eleitoral, no mínimo um candidato de Marília.

Já delineamos, repetidas vezes os motivos desse nosso interesse, que gira unicamente em torno daquilo que chamamos de amor à Marília. Temo-nos sentido à vontade para assim expressar nosso ponto de vista, porque nenhum compromisso temos com-quem-quer-que seja, politicamente falando. Não somos políticos e nem tivemos, jamais, tais pretensões. Não porque julguemos impropriedade ou qualquer outra coisa o ser político. Apenas, porque, não possuimos – confessamos –, aquilo que se chama “veia política.”

Assim é, que, os nossos rabiscos, têm encontrado dupla repercussão na cidade e nos meios políticos locais. Entendem alguns que estamos defendendo uma bandeira nóbre e digna, como nós próprios pensamos. Julgam outros, que estamos compulsando o eleitorado mariliense, à votar em candidatura local. Não estamos forçando ninguem; não temos essa faculdade e nem interesse nisso. Estamos apenas alertando a opinião pública, procurando despertar no eleitorado mariliense, a lembrança dos erros do passado e incutindo à todos, aquilo que não deveria ser segredo para ninguem: a nossa “orfandade política” no Palácio 9 de Julho, que nos colocam no pretérito, em situações de pedintes, quando tinhamos legítimos direitos.

Pensem o contrário os que as(s)im entenderam. A questão, aí, em nosso entender, é de patriotismo. Embora respeitando os direitos de todos os cidadãos que se candidarem, residente fóra de nossas fronteiras, não daremos aquí, nestas colunas, nenhuma guarida às suas pretensões. Não estamos siquer na metade do caminho. Temos muito ainda a palmilhar.

À respeito, queremos fazer um pequeno esclarecimento, em torno de um artigo assinado pelo sr. O. Ceschi, publicado domingo último na primeira página de nosso confrade “Jornal do Comércio”: Disse o ilustre jornalista, que, “certa imprensa” realiza uma campanha, como querendo levar tudo a “ponta de faca”, e obrigar o mariliense a votar exclusivamente em candidatos locais”. Ha dois erros nessa assertiva: primeiro (uma vez que a solução, embora indireta e dirigida ao autor déstas linhas), que não se trata de “certa imprensa” e sim de “certo colunista”, uma vez que já dissemos anteriormente que os conceitos a respeito, emitidos nésta coluna, são de responsabilidade de quem os assina; segundo, que o jornal não manifestou, em época alguma, seu ponto de vista à respeito.

Até agora, não conseguimos nos convencer que estamos sendo anti-democráticos e que estamos “forçando” os marilienses a votar em candidatos exclusivamente mariliense. Estamos lembrando éssa necessidade (que ninguem poderá negar) e continuaremos ainda no futuro. Já dissemos antes e voltamos a repetir: No caso, uma comparação grosseira, estamos fazendo o papél de um médico – diagnosticamos o mal e prescrevemos o remédio; se o “doente” não quizer tomar o medicamento, que “se dane”.

Extraído do Correio de Marília de 13 de agosto de 1957

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Passagem de nível (10 de agosto de 1957)

Reclamou-se já, por duas vezes, ao plenário da Câmara Municipal, acerca de certas inconveniências que apresentará o complemento da construção de muro da Cia. Paulista de Estradas de Ferro, marginando a linha da ferrovia, ao longo da Av. Sampaio Vidal, em direção à Vila São Miguel.

Póde parecer um contrasenso o motivo: primeiro, porque reclamou-se insistentemente à mencionada Companhia, que mura-se as margens do leito ferreo; agora, porque se solicita à mesma empresa, que não feche totalmente aquele trecho. No entanto, não existe contrasenso algum. As circunstancias é que motivaram tal proceder. Em virtude do traçado da estrada de ferro, em relação ao mapa e desenvolvimento da cidade, exatamente os dois mais populosos bairros da “urbe” são separados pelos trilhos da ferrovia, estando a ligação dos mesmos, sujeita a recuos e avanços, até os trechos de ruas que “cortam” a linha férrea, unindo as Vilas Palmital e São Miguel.

Quasi no final da Av. Sampaio Vidal, embora não existindo uma passagem oficial de nível, verifica-se um local de cruzamento pedestre, que presta benefícios inúmeros a centenas de pessoas da cidade, com economia de tempo e de trajeto. Fechado o percurso total da Av. Sampaio Vidal, será impraticável esse cruzamento e inúmeras pessoas, especialmente operários, terão que rumar para a Vila São Miguel, a fim de transpor de um para outro ponto, ou, então, dirigir-se para a cidade, para efetuar o trânsito de ligação, pela Rua Paraná. Isto, na pior das hipóteses, porque existe tambem a outra saida: o pagamento de duas passagens de ônibus, o que significará seis cruzeiros a mais, para pesar no orçamento diário da gente daquelas vilas, que reside numa e trabalha na outra. Só o fato de residir na Vila São Miguel ou Vila Palmital, já prova a classe dessa gente.

O fechamento desse trecho, como se vê, trará prejuízos incalculáveis a centenas de pessoas, muitas das quais operários e comerciários, sujeitos a horários certos.

Ao comentarmos o fato, fazemos aquí um apêlo aos dirigentes da Cia. Paulista de Estradas de Ferro, para que atentem para o fato, procurando estudar uma fórmula, de maneiras que seja a situação atenuada, sem prejuizo da parte interessada, que é bastante numerosa. Em ultimo caso, que a Cia. mande construir alí, uma passagem aérea, mesmo de madeira e só para pedestres. Passagens desse tipo são comuns, existem inúmeras ao longo da ferrovia, e, uma mais, não viria a onerar os cofres da Paulista, que sempre teve em Marília o maior prestigio e a maior consideração, tendo sempre servido bem ao nosso povo.

Aquí fica, portanto o nosso apêlo: para que não seja interrompido o trabalho da conclusão do muro, enquanto outras providências não são efetivadas, que pelo menos uma passagem aérea, mesmo de madeira, seja construida. A Cia. Paulista terá prestado um grande favor a centenas de marilienses e nós duvidamos que a aludida empresa não tenha em mira servir nosso povo em todos os sentidos ao seu alcance.

Extraído do Correio de Marília de 10 de agosto de 1957

domingo, 9 de agosto de 2009

Exposição de pintura (9 de agosto de 1957)

Marília, ultimamente está despertando para as artes. Até o povo em geral, ao que parece, está tomando gosto por tudo o que represente mostras artísticas, prestigiando valores novos ou veteranos, numa demonstração de cultura artística bastante acentuada. Isso prova o adiantamento de um povo, o gráu de cultura, o gosto apreciativo das artes.

Ultimamente, nossa cidade tem oferecido ao público, por intermédio de diversos artistas de renome, inúmeras exposições, que mereceram aplausos rasgados por parte de todos aqueles que sabem apreciar o gênero apresentado.

O prédio n. 600, da Av. Sampaio Vidal, de propriedade do Banco Brasileiro de Descontos S.A., têm sido cedido ultimamente ao fins referidos. Está quasi tornando-se um ponto permanente dessas exposições.

Depois de Brasilino Nelli, Collete Pujól e outros, os marilienses estão apreciando agora a exposição de télas da professora D. Conceição Caldarone. Uma excelente móstra, que foi inaugurada na noite de ante-ontem, com regular número de gente, onde se contavam, além de autoridades, artistas, representantes da imprensa, interessados e curiosos, grande número de populares. A afluencia pública à uma exposição dessa natureza, deve ser, por certo, um fato inegável de estímulo à quem organiza. Está, portanto, de parabens, o público marilense.

Nós somos suspeitos para dizer da maravilha dos quadros expostos por Conceição Caldarone, porque somos leigos na matéria. No entanto, isso não nos impéde de gostar ou não do que observamos, embora muitas vezes, não sejamos capazes de descrever, técnicamente, o porque dos fatos. O certo, é que gostamos muito dos quadros da pintora Conceição. Achamos as referidas télas, em número de trinta e duas, muito bonitas e ar(t)ísticas. Gostamos muito dos motivos “vivos” e da discrecao das tonalidades, sem exageros de coloridos, que mais parecem pinturas de principiantes. O chamado “jogo de sombra” apresentado nas pinturas da simpática artista, é agradável à vista, pela naturalidade que apresenta.

Já dissemos, somos “analfabetos” em questões de pinturas. Mesmo assim, gostamos da exposição que vimos e que óra tem lugar no antigo prédio do Banco Brasileiro de Descontos. A graça e a naturalidade estão alí habilmente trasladadas, pelo pincél da hábil Conceição Caldarone. Gostamos de pintura que nos despert(a) as atenções naturalmente, sem exigir esforços de nossa parte, para interpretar as figuras ou para estudar as proporções de certas partes do motivo focalizado. Coisa simples, aparentemente, embora na arte a simplicidade seja o maior obstáculo de um artista.

Assim como boa música faz bem ao espírito, a bôa pintura faz bem (a)os olhos. E Conceição Caldarone sabe fazer uma boa pintura.

Extraído do Correio de Marília de 9 de agosto de 1957

sábado, 8 de agosto de 2009

Precisamos de um corpo de Bombeiros (8 de agosto de 1957)

Muito nos ocupamos, no passado, acerca da necessidade que Marília apresenta, de aparelhar-se com um Corpo de Bombeiros. Estudos, ao que nos consta, foram estabelecidos a respeito, no sentido de dotar nossa cidade dêsse imprescindivel melhoramento, uma peça indiscutivel das exigências do progresso de nossos dias. As dificuldades iniciais, ao que parece, esfriaram o ânimo das autoridades responsáveis, que tiveram como a maior délas, a de ordem financeira.

Agora, pela lei 658, de 13 de Maio de 1950, podem ser criadas nas cidades interioranas, destacamentos do Corpo de Bombeiros da Força Pública, contribuindo a municipalidade com as acomodações. Ora, uma cidade como Marília, deverá esforçar-se para ficar aparelhada desse marco de progresso, cujos benefícios em horas especiais, não carecem ser por nós enumerados. O crescimento rápido e vertiginoso de Marília, que fórma no rosário dos municípios mais adiantados do interior, faz de ha muito sentir éssa necessidade. A criação de um serviço de proteção contra o fogo e de salvamento, perfeitamente à altura das exigências dos dias de hoje, é necessidade que não se discute. Mogi das Cruzes, Americana, Franca e Limeira, estão tomando as providências a respeito. O mesmo está acontecendo em São Bernardo e São Caetano, cujos entendimentos já foram realizados, devendo dar-se por estes dias, a assinatura do Convênio respectivo.

Outras cidades, como por exemplo, São Carlos, Jundiaí, Araraquara, Baurú, Rio Preto, Piracicaba e Ribeirão Preto, estão cuidando da reorganização de seus destacamentos.

Os Prefeito(s) das cidades referidas, levados pelo espírito de esforço e compreensão, têm procurado o comando geral da Força Pública e êste, de acôrdo com o govêrno, vem atendendo os desejos de vários prefeitos da hinterlândia, no sentido de equipar as cidades interioranas de modo eficiente, para assegurar ao comércio, indústria e às populações, toda a proteção contra os perigos do fogo devastador. Assim, o tenente-coronel Rolim de Moura, comandante do Corpo de Bombeiros, está dando cumprimento à orientação do Comando Geral da Força Pública e atendendo os interesses dos prefeitos interioranos que objetivam criar ou reaparelhar dest(a)camentos do C. B., em suas respectivas cidades.

Pelo visto, seria tambem o caso de Marília valer-se desse dispositivo legal, aproveitando a “deixa” para instalarmos tambem o nosso Corpo de Bombeiros.

Extraído do Correio de Marília de 8 de agosto de 1957

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A “bronca” está “pegando fogo” (7 de agosto de 1957)

Aquí estamos nós, volta e meia, para carrear mais uma acha de lenha, à chama que estamos alimentando, como referência a necessidade irretorquivel que temos, de eleger, no mínimo, um deputado mariliense no próximo pleito eleitoral.

No começo não fomos bem interpretados por alguns. Agora as coisas caminham em outro sentido e pelo que percebemos, estamos sendo melhor compreendidos. Nossa luta, pela sufragação completa de gente de Marília, opõe-se, naturalmente, às pretensões dos políticos profissionais, dos “caçadores de votos” que costumam “girar” pelo interior, em vésperas de eleições, preparando terreno e fazendo “trabalhinhos de sapa”.

A “bronca”, no entanto, está “pegando fogo”. Está se generalizando. Não são poucos os jornais interioranos, que estão já rechaçando as “visitas cordiais” dos politiqueiros contumazes à diversos centros do interior.

Um jornalista linense, Ubirajara Martins, aborda o assunto, declarando que a ordem das coisas agora está invertida. Diz ele: “O “beija mão” agora é no interior. Os “grandes” arvoram-se em “pequenos”, e, humildemente, deixam o conforto do asfalto para entoar lôas nos ouvidos calejados daquele que, até outro dia, éra o “homem do campo”, o “eleitor da roça”, o “sertanejo”, e outros “bichos” mais... Transfigura-se o panorama e para os municípios bandeiam-se, todo domingo ou dia de folga, personalidades ávidas por “estreitar”, cooperação e trabalho comum” com os municípios”...

Se vocês pensarem que isso é suscetível de críticas ou ataques estão enganados... Muito ao contrário, é coisa bôa excelente! E denota, embora tenha sido resolvido um tanto tardiamente, certa inteligencia da parte dos que se esqueciam do interior.

Antigamente – e ninguem desconhece tais fatos – éra um sacrifício obter entrevista com secretario de govêrno ou mesmo diretor de qualquer departamento técnico! Só com cartinha de apresentação, de deputado ou de chefe político muito “graúdo”... Até prefeitos encontravam barreiras em seus designios. Aliás, prefeito que não fosse politiqueiro da mesma côr dos mandatários, não arranjava nem encontro para tratar de assuntos administrativos.

Hoje está mudando, felizmente... vésperas de eleições!...

Até convites recebem os chefes de executivos para acertar isto ou aquilo com um ou outro chefão, lá pela Capital!... E o seu próprio cargo já é credencial suficiente para ingressar num gabinete de secretario!

Mas... a política sempre está de permeio, lógicamente.

A gente do interior, cansada de ouvir proméssas e de nada conseguir, enojada de demagogias e burocracia perniciosa aos interesses coletivos, começou a se fazer de rogada... Principiou a se vender caro!...

Daí a préssa com que os manda-chuvas inventaram viagens, por qualquer motivo, para os “municípios”... Valorizou-se muito essa designação “Município”! Deputados, ávidos pela reeleição, sequiosos de prestígio, advogam com unhas e dentes reuniões “amigáveis” em determinadas cidades, muito amiúde, e procuram arrebanhar o maior número possível de diretores, secretários, etc., para trazer junto, atraindo assim as atenções dos prefeitos e líderes regionais...

Isso é muito bom, repetimos, pois resulta, quasi sempre, em proveito dos interesses interioranos. Conversando amigavelmente sem protocolos, sem hora marcada, prefeitos e secretários, governantes e dirigentes, podem chegar a acôrdos, pódem acertar os relógios, política e administrativamente. E quem ganha, no fim, é o povo!

Vendo e observando, “in locco”, a turma do asfalto “sente” melhor o que até então lhes é solicitado através de ofícios... E capacita-se, melhor ainda para uma solução, que bem pode ser, na maioria das vezes, favorável às reivindicações municipalistas.

Porque, como dizia o velho e sabido Conselheiro Acacio, “um dia é da caça e outro do caçador...” Aquela, porém, está impondo condições, nos dias atuais. É pegar ou largar!...”

Extraído do Correio de Marília de 7 de agosto de 1957

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Um esclarecimento necessario (6 de agosto de 1957)

Nesta coluna, uso sempre o pronome na segunda pessoa. Hoje, entretanto, peço permissão aos leitores, para usá-lo na primeira.

Em 1954, ocupava eu um cargo de locutor na Rádio Clube de Marília, tendo de lá me afastado por conveniência própria, pago e satisfeito. Naquela época apresentava eu um programa matinal, das 7 às 8 horas, sob o título de “Programa da Boa Vizinhança”, em cuja audição diária, uma das secções apresentava músicas sertanejas. Uma dupla caipira (“Pedrinho e Pedrão”), exibia-se diariamente no programa. O sr. Francisco Alves (Pedrão), solicitara-me a confecção de algumas letras, para serem musicadas e apresentadas no aludido programa. Atendi com prazer ao solicitado dêsse homem, que era um assíduo colaborador do programa. Escrevi algumas letras, muitas das quais agradaram e são do conhecimento público, especialmente daquêles que ouviam o mencionado programa.

Há mais de seis meses, o senhor Francisco Alves, convidando-me para testemunha de seu casamento, comunicou-me que estava apresentando-se uma vez por semana no Canal 7 da TV Record e em outras emissôras paulistanas. Disse-me ainda que estava em entendimentos para gravar algumas músicas e pediu minha aquiescência para gravar as de minha autoria, constando o meu nome(.) Aquiescí.

Mais tarde vim a saber, que a dupla “Pedrinho e Pedrão” transformara-se em trio, com a denominação de “Trio Marília” e que iria lançar algumas músicas. Espliquei então a quem me deta a notícia, de que eu tinha algumas letras com a dupla. Fiquei sabendo, por intermédio do informante (sr. Aldo de Almeida), representante comercial da “Mocambo”, que êle havia lembrado o nome do sr. Wilson Mattos, para figurar como autor. Ponderei-lhe que se atentasse para o fato de ser eu autor de algumas letras e que seria injustiça se como compositor figurasse o nome de outra pessoa.

Uma das minhas músicas foi gravada, constando-me que na etiqueta do disco figura o nome do sr. Wilson Mattos, como compositor. Desejei conhecer o disco, para certificar-me da veracidade, tendo o sr. Wilson Mattos recusado-se a exibir-me a citada gravação (que ainda não se encontra à venda na cidade). A recusa deu-me fortes motivos para acreditar na possibilidade de ser de minha autoria a composição e de constar como autor o nome do sr. Wilson Mattos.

Para ter melhor certeza dos fatos e ficar devidamente elucidado, dissipando as dúvidas a respeito, gostaria que o sr. Wilson Mattos me convidasse a comparecer ao seu microfone, no dia e hora em que achar conveniente, para que eu e êle nos entendéssemos democraticamente e em têrmos, publicamente. Isto, porque, não desejo acreditar que o referido senhor seja capaz de concordar com a figuração de seu nome na etiqueta de uma gravação, da qual êle nem indiretamente tenha participado. Ou, se o sr. Wilson Mattos preferir, poderá comparecer ao microfone da Rádio Dirceu, onde trabalho, que, com prazer, ser-lhe-á franqueado para tal. Ainda, se julgar conveniente, terei imenso prazer de franquear ao mesmo as colunas dêste jornal, cujo acôrdo já me foi dado antecipadamente, para seu esclarecimento.

A prova cabal que apresento dessa afirmativa, será a manifestação sincera e leal da própria dupla (“Pedrinho e Pedrão”), que poderá dizer quem foi o autor da música “Cabocla Roceira”: se eu, se o sr. Wilson Mattos, se ela própria ou outra pessoa. Se a dupla disser que não fui eu, calar-me-ei completamente.

Extraído do Correio de Marília de 6 de agosto de 1957

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Não adianta, não (3 de agosto de 1957)

Positivamente, muitas atenções andam voltadas para o autor déstas linhas, em consequência dos rabiscos que vimos ultimamente publicando, acerca da necessidade de Marília eleger, no próximo pleito eleitoral, no mínimo um deputado estadual. Felicitações (verdadeiras ou não), recebemos constantemente. Pontos de vista contrários, tambem chegam ao nosso conhecimento, quando algumas pessoas nos procuram para insinuar que deveremos parar com o que escrevemos, alegando que o público hoje em dia já sabe o que fazer nas próximas eleições, não havendo, por isso, mesmo, necessidades de que os marilienses sejam cansados com nossas “multireprizadas crônicas”.

Outros, no entanto, estimulam-nos para que prossigamos na caminhada. São os que for(m)am na trincheira que empreendemos; são (o)s que estão saturados dos “pátria amada”, dos falsos amigos de Marília, aqueles que aquí só aportam em vésperas de eleições, para prometer empregos públicos e arrebanhar votos dos menos avisados.

Com ou sem estímulo, prosseguiremos. Com ou sem solicitações para que desistamos, continuaremos “a bater no mesmo prego”, cada vez com mais força.

Neste canto de página, nenhum “paraquedista”, nenhum candidato alienígena, encontrará guarida. Nenhum “doutor promessa” terá o apôio pessoal e público do autor désta coluna diária. Lutaremos por um mariliense. Se possível, um candidato único; senão, dois candidatos, no máximo. Mais do que esse número, mesmo local, terá nosso combate, não pelas não qualidades dos futuros e prováveis candidatos, mas sim, apenas, porque pretendemos ser objetivos e sensatos em nosso módo de pensar, entendendo que mais de dois candidatos da cidade à deputação estadual, diminuirão em muito as possibilidades de êxito.

Não estamos forçando, conforme já dissemos, ninguem a votar só em candidatos da terra. O dever cívico não se impõe. Estamos alertando a consciência daqueles que dizem amar Marília e seu povo. Precisamos fazer isso, porque grande parte do eleitorado mariliense errou no passado, por mais de uma vez. É tempo, pois, de corrigir-se êsse erro. Essa corrigenda só será possível, elegendo-se um representante legítimo de nossa cidade, que tenha obrigaçã(o) de trabalhar por Marília, como lídimo e intransigente advogado de nossas causas, nossas aspirações e nossos direitos, nem sempre reconhecidos e muitas vezes traduzidos em pedidos de favores!

“Estamos numa democracia e cada qual faz o que bem entende, no sentido de votar”. Isso nos disseram ontem.

E o que é que estamos fazendo nós? Em nosso entender, estamos nos servindo de um direito democrático. Estamos apontando falhas e indicando o momento para saná-las. Numa comparação grotesca, estamos fazendo o papel de um médico, que diagnostica a doença e prescréve a droga: o paciente toma o remédio se quizer; senão, azar dêle!

Conscienciosamente estamos cumprindo o nosso dever. E avisamos aos maldosos, que nenhum outro interesse temos. Não aspiramos empregos público(s), porque já ocupamos um ha cerca de catorze anos, com uma bôa remuneração, que nos proporciona o suficiente para ir criando a família. Não possuimos parentes para encaminhar às grossas têtas do tesouro público. E mesmo que os possuissemos, jamais o fariamos. Isto precisa ser dito, para que alguem não nos interprete mal.

Estamos aguardando o pronunciamento dos diretórios políticos locais. Temos muita “munição” para queimar. Combateremos em têrmos e democráticamente, a apresentação de mais de dois candidatos locais à Assembléia Legislativa. Não insistam para que mudemos de idéia, porque não adiantará.

Em tempo: O emprego público que acima nos referimos, foi conquistado mediante concurso; sem nenhum “pistolão”.

Extraído do Correio de Marília de 3 de agosto de 1957

domingo, 2 de agosto de 2009

“De pleno acôrdo” (2 de agosto de 1957)

Em virtude da correlação existente entre uma série de artigos que ultimamente vimos publicando, e, atendendo ainda ao que nos foi solicitado por um leitor e amigo, transcrevemos, a seguir, do “Diário de Notícias”, de Ribeirão Preto, o artigo cujo título é o deste epigrafe, da lavra de Dom Luís Mousinho, Bispo de Ribeirão Preto. Eis a íntegra do referido trabalho:

“Anteontem recebiamos extensa mensagem telegráfica do Ministro Rocha Lagoa, Presidente do Superior Tribunal Superior Eleitoral, solicitando nossa intervenção junto aos Sacerdotes e Religiosos no sentido de os mesmo se empenharem num intenso trabalho de encaminhado do povo para o alistamento eleitoral. Entre outras considerações, assim nos falava o Ministro: “Venho respeitosamente sugerir a Vossa Excelência determine às Autoridades eclesiásticas sob sua jurisdição que em tôdas as oportunidades que se lhes apresentem de contacto com os fiéis, sejam os mesmo esclarecidos sôbre a necessidade do cumprimento daquele dever cívico e patriótico”.

Estamos em pleno acôrdo. Nem será preciso que façamos esta determinação aos Sacerdotes e Religiosos da nossa Diocese, todos êles plenamente cônscios do papel que lhes incumbe de interpretar o verdadeiro civismo como expressão ou prolongamento da caridade teologal que nos manda amar o próximo como a nós mesmos. Tôda democracia que não tenha alma cristã não passará de mero caricatura. De pura ficção jurídica a serviço dos espertalhões. De estruturação política intrinsecamente falha e por isso corruptível com o tempo.

Todos os Sacerdotes e Religiosos de nossa Diocese estão sentindo que a democracia brasileira, frágil e corroída na sua tessitura íntima, necessita urgentemente da presença e da participação de todos os brasileiros dignos e capazes, quer na elaboração dos seus altos roteiros, quer na engrenagem do seu funcionamento normal. E será pelo voto que êles se desincumbirão dêsse múnus e dessa obrigação. O que mais importa no entanto é que todos se capacitem para VOTAR BEM. Para votar com INTELIGÊNCIA, ou seja, com pleno conhecimento das pessoas e das causas, e com plena LIBERDADE moral. A gravidade da crise que presentemente deturpa a nossa democracia não procede sòmente do reduzido número de eleitores, mas principalmente da má qualidade dos votos. De falta de critério com que muitos eleitores se aproximam das urnas, sejam êles culpados ou não por esta lamentável situação. Enquanto perdurar o voto levianamente prometido ou criminosamente negociado, será inútil esperar melhoria do regime. O voto não é questão de interêsse individual ou partidário, no sentido mesquinho da expressão, nem de amizade pessoal ou gratidão, nem muito menos de capricho ou veneta. É um grande problema de CONSCIÊNCIA, antes mesmo de ser uma questão de amor à Pátria. É um problema de respeito à VERDADE e à JUSTIÇA. Por isso é que êle é tão decisivo para os destinos de qualquer país. Na medida em que for se apagando em cada eleitor o sentido da justiça e da verdade, nesta mesma proporção irá êle contribuindo para a corrupção ou falência total do regime democrático.

Estamos convictos da excepcional gravidade do momento que atravessamos. Só os ingênuos não a sentem. Aumenta cada dia na alma sofredora do povo um fermento de desencanto, de decepção, de desespero e de reação contra a nossa malsinada democracia, reconhecidamente conduzida por chefetes e por grupos que não colimam as legitimas aspirações da nação. Alguns dos nossos Partidos Políticos não passam de autênticas escolas de ilusionistas ou de hipnotizadores do povo. Daí o receio de estarmos marchando para uma eclosão de consequências imprevisíveis. Antes que tal aconteça, façamos a revolução espiritual da consciência cívica em busca da justiça e da verdade. A revolução pela qual cada eleitor faça do amor ao Brasil uma expressão do seu amor a Deus.”

Extraído do Correio de Marília de 2 de agosto de 1957

sábado, 1 de agosto de 2009

Democracia e utopia (1º de agosto de 1957)

Fazem já dois lustros, que iniciamos a luta pela eleição, de, no mínimo, um candidato legitimamente mariliense. Perdemos a contenda no passado, porque, desgraçadamente, boa parte da gente que bate no peito, diz exultar por estas plagas, propaga ufanar-se por amôr à Marília, têm sido falsa e hipócrita.

Não lamentamos não ter nascido aqui, porque isso seria renegar o rincão que nos proporcionou os primeiros clarões do dia, seria ingratidão, covardia; mas gostamos desta terra, aquí vivemos e justo é que por ela lutemos defendendo seus direitos, suas necessidades e suas aspirações. E isto faremos, sejamos mal ou bem interpretados. Desafiando os “patria-amada” que aparecem de vez em quando por aí, dizendo-se amigos de Marília, sem jamais por nós terem feito alguma coisa a não ser recolher votos, injustamente consignados.

Ninguém nos deterá. Os conceitos emitidos nésta coluna, são de absoluta e integral responsabilidade de seu autor. Por isso sentimo-nos à vontade para falar. Falaremos ainda por muito tempo, porque temos muita coisa para externar. E não nos cansaremos tão cedo, podem estar certos, muitas pessoas, muitos falsos marilienses. Nosso “arsenal” tem um estoque inimaginável de munições.

Um amigo verdadeiro, dêstes que não se encontram pelas esquinas e nem “a três por dois”, trouxe-nos o pensamento de certo cidadão, que é visceralmente contrário à luta que estamos empreendendo. Esse máu mariliense, declarou ao nosso amigo, que o que estamos fazendo é uma utopia. E justificou seu pensamento da seguinte fórma: “num regime democrático, não se póde forçar o eleitor a votar em determinado candidato, quando ele é livre em seu modo de pensar e agir, podendo votar em quem bem entender”.

Isso, disse êsse falso mariliense, é utopia. Talvez tenhamos nós, o direito de pensar em utopia, pelos exemplos que tivemos no passado. E não pensamos assim. Pelo contrário, entendemos que ainda é tempo de despertar o sentimento patriótico dos marilienses. Utopia é quiméra, fantasia, sonho, coisa imaginária, irrealizável. Alguma coisa de absurdo. Eleger um mariliense não é utopia, saiba êsse nosso amigo. Essa pessoa, confunde patriotismo com utopia.

Ainda apéla êsse cidadão, para a democracia. O que é democracia? Democracia, segundo pensamos, é a essência da soberania popular, a liberdade de áto eleitoral e o pensamento justo, o govêrno do povo, a liberdade de pensamento e ação, o direito de fazer o que se entende, desde que se respeito o direito do próximo. Isso, sem dúvida é o que estamos fazendo. Não estamos forçando ninguem a votar em marilienses. Estamos alertando o dever democrático dêsse áto. Estamos, dentro dos mais puros ares da democracia, fazendo ver aos verdadeiros marilienses, que democracia é patriotismo e patriotismo é eleger gente nossa, ao invés de consignar votos para “picaretas”, para políticos profissionais, para “doutores promessas”.

Candidato dinheiroso, falso proféta, desatador de promessas, freqüentador de “boites”, estendouro de mentiras deslambidas, morgado de política reumática, homem pleno de escatima, verdadeira ventosa da vergonha, decência e trabalho, não nos interessa.

Eleger gente da terra, não é utopia. Votar em mariliense legitimo, é, antes de mais nada, patriotismo.

Votar em gente de fóra, também não é utopia. É manifestar sentimentos condenáveis de desprezo por Marília e seu povo, é provar interesses mesquinhos de empregos políticos; são outras coisas mais.

Se utopia, conforme disse certa pessoa, é ser bem mariliense, é lutar por um candidato da terra, continuaremos utópicos. E com muito orgulho.

Extraído do Correio de Marília de 1º de agosto de 1957