segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Avisinha-se o Natal (28 de novembro de 1959)

A data magna da Cristandade se aproxima. Com ela, a natural onda de alegria, a esperança de que a efeméride tão grata, encontre a todos as famílias, num estado geral de felicidade. Sem preocupações ou aborrecimentos com doenças, finanças, etc., para que o transcurso da fausta data seja condignamente comemorado.

Com o Natal, virá também o “Papai Noel” da petizada. Com a época atual, até o bom velhinho de cabelos e barbas brancas sente os efeitos da crise, as agruras da inflação. De imparcialmente bondoso, o homem que a Europa coberta de neve nos mandou numa lenda tradicional, passou, de alguns anos até esta data, a ser parcimonioso, discriminativo. Não pode atender a todos, não estará, como das vezes anteriores, em condições de descer através de todas as chaminés, para brindar a todos os seus “netinhos” com ricos presentes. Muitos pequenos ficarão decepcionados, com toda a certeza. Outros, mais afortunados, serão mimoseados com ricos brinquedos.

Da mesma maneira que divergirão as distribuições ou não de brinquedos para os pequeninos esperançosos, registrar-se-ão idênticos fenômenos com respeito à fartura nas mesas dos ricos e pobres.

Quantas famílias em Marília passarão um Natal como qualquer outro dia do ano? Com a mesa minguada, a fome rondando as casas como um aspecto maligno, as crianças subnutridas e maltrapilhas? Quantas?

Certamente, como das vezes pretéritas, entidades de benemerência e organizações assistenciais, promoverão campanhas de altruísmo, objetivando proporcionar um Natal mais feliz às famílias mais infelizes. Que o façam, pois. Apenas pretendemos, nesta oportunidade, chamar as atenções das pessoas que, imbuídas dêsse louvável espírito de fraternidade e solidariedade humana, que não deixem para a última hora os trabalhos organizadores. Que estudem tudo direitinho, para não olvidar os principais detalhes do bom desempenho dessas cruzadas.

Isto estamos dizendo, com o fito de colaboração, com o intento de criticar construtivamente. Temos visto, nos anos passados, verdadeira balbúrdia nesse setor, com trabalhos não mui bem organizados, morosos, com filas intermináveis de pobres humilhados, com durações incríveis, onde até desmaios se verificaram nas “bichas”, face as demoras indefinidas. Por outro lado, temos visto distribuições pouco completas no sentido de organização, de maneiras que alguns pedintes tenham sido premiados por mais de uma vez, quando outras famílias ficaram “a ver navios”, em virtude dessa falha.

Ainda há outro ponto a ponderar: Urge que a COMAP haja com energia, evitando os abusos naturais que comerciantes, ambulantes e varejistas impingem aos marilienses na época de Natal. Frangos, ovos, bebidas, frutas próprias da data e muitas outras coisas, deverão ter seus preços controlados, a fim de evitar-se as explorações que campearam livremente nos anos findos. As explorações referidas marcaram novas cotações, pois os preços ditados a bel prazer nessas circunstâncias, passam a constituir-se em preços de fato para o futuro; isto é, não são elevados apenas nessa época para baixar posteriormente, pois, em verdade, não “descem” jamais.

Aqui ficam os lembretes...

Extraído do Correio de Marília de 28 de novembro de 1959

domingo, 27 de novembro de 2011

DESTAQUES (27 de novembro de 1959)

Rumaram ontem para São Paulo, de onde viajarão para o Rio e posteriormente para Recife, com escala em Salvador, os vereadores Durval Sproesser, Toni e Nasib Cury. Os mencionados edis compõem a comissão de legisladores marilienses que participará, em nome da cidade, dos trabalhos que se desenvolverão na capital pernambucana, atinentes ao V Congresso Brasileiro dos Municípios. Sábado próximo, deverá empreender igual destino o prefeito Argollo Ferrão.

--:--

Disparidade incrível de preços de utilidades, verifica-se em Marília. Em quase toda a parte, porém, nas feiras livres, a questão é mais grave ainda. O mariliense que for chegando e adquirindo logo o que necessita, poderá “entrar na fria” da exploração em maior escala. As divergências das cotações são tão flagrantes, que é conveniente, para qualquer pessoa, antes de comprar, dar uma “voltinha” e vasculhar os preços de várias bancas. Experimentem.

--:--

O sr. Francisco José da Nova, secretário da Segurança Pública, que domingo foi recepcionado em nossa cidade, como convidado especial do “Lions Club”, tornou-se merecedor de diversas homenagens e manifestações de carinho e simpatia.

Ao regressar à Capital, o ilustre colaborador do prof. Carvalho Pinto expediu telegramas de agradecimento pelo tratamento recebido, ao sr. Prefeito, Presidente da Câmara, Presidente do “Lions Club”, da Associação Comercial e outras autoridades e personalidades marilienses.

--:--

Está baixando o feijão. Pelo visto, dentro em pouco, o alimento-padrão da mesa dos pobres, estará em condições de ser adquirido novamente. No Estado do Paraná, segundo se informa, o feijão “rosinha”, novo, já está a 18 cruzeiros o quilo.

Gostaríamos de ver a “cara” de alguns atacadistas, que, embora negando, possuem ainda regular número de sacas do produto em estoque!

--:--

Esta notícia parece incrível: O Brasil está exportando motores de “jeeps” para os Estados Unidos!

--:--

Estão exultantes os lavradores do município. As chuvas caídas nos últimos dias, foram providenciais para a agricultura em geral, oferecendo as perspectivas de boas safras para o futuro.

--:--

Em compensação, as rodovias não-pavimentadas estão ficando cada vez piores, em virtude das últimas chuvas. Isto, sem contar-se com diversas ruas da periferia, que, mesmo sem chuvas, já estavam quase intransitáveis...

--:--

Até o momento em que redigíamos êstes tópicos, permanecia a dúvida quanto à participação ou não do São Bento, na primeira rodada do Torneio dos Campeões da segunda divisão, apesar da expectativa geral dos marilienses, aficcionados do “esporte bretão”.

Comenta-se que, a exemplo dos anos anteriores, diversos artistas do cinema norte-americano, virão ao Brasil para conhecer o carnaval carioca. Dentre êles, êste ano, estará entre nós o ator Frank Sinatra.

--:--

Segundo se divulga, será liberado o preço da carne verde. As coisas, como se percebem, vão melhorar muito... para os produtores e retalhistas!

--:--

Divulgou-se na Capital paulista, que o deputado Jânio Quadros desistiu de sua candidatura ao Catete, tendo justificado a decisão face à falta de harmonia na política nacional. A notícia causou espécie, pois até parece que o sr. Jânio Quadros é de todo leigo em política. Onde já se viu harmonia na política brasileira?

--:--

A Guarda Civil de São Paulo está aliciando elementos para completar os claros de suas fileiras, que, pelo que se sabe, são pela casa de um mil. Os que residirem em Marília e estiverem interessados em ingressar na briosa corporação, devem dirigir-se à sede local da Sub-Divisão da Guarda Civil, onde lhes serão fornecidos todos os informes necessários.

Extraído do Correio de Marília de 27 de novembro de 1959

sábado, 26 de novembro de 2011

Um impedimento que causou especie (26 de novembro de 1959)

De 1 a 5 de dezembro vindouro, trinta alunos do Grupo Escolar “Gabriel Monteiro da Silva”, deveriam visitar São Paulo. A excursão referida, inteiramente patrocinada pelo DEFE, fôra conseguida pelo professor Alfredo Naylor de Azevedo, delegado regional de educação física e esportes de Marília, contando ainda com a cooperação da Comissão Central de Esportes local. Tal passeio representaria um prêmio, no estabelecimento de ensino primário mariliense, que, em abril último, foi o vencedor, dentre cinco competidores, da “maratona atlética intelectual”.

De início, a viagem referida seria à Santos. Ponderou-se que Santos não seria bem a local próprio, pois haveria maiores dificuldades para o contrôle e segurança dos petizes, em virtude das praias. Resolveu-se, então, que a excursão seria à Capital. A delegacia do DEFE local, conseguiu então o necessário: passes, alojamentos, alimentação, ônibus especial para cumprir o programa dos passeios, previamente elaborado.

Pessoas de reponsabilidade, acompanhariam e dirigiriam os escolares, que, nos últimos dias, viviam sonhando com a viagem, como sóe com qualquer mortais, quando, em expectativa, aguardam o desenrolar de um acontecimento grato.

A CCE e a delegacia do DEFE, solicitaram a devida vênia, por escrito, aos genitores ou responsáveis dos escolares. Alguns pais de alunos, fizeram questão que seus filhos desfrutassem essa faculdade, alegando que sentiam imenso prazer, maximé não podendo êles, os pais, proporcionar aos pequenos, um passeio tão oportuno, organizado, seguro e sem despesas. Para aqueles que se esforçaram nas competições referidas, a excursão representaria um prêmio e a consequência de um empenho do prof. Naylor.

Estava, portanto, tudo arranjado; tudo, sem faltar nada, sem ter sido olvidado um mínimo de detalhe. Foi aí que surgiu o impasse, traduzido num impedimento que causou espécie, que decepcionou os pequenos aquinhoados com essa viagem: a delegacia de ensino de Marília, obstou a excursão, alegando que os escolares estariam expostos a perigos diversos. Ficaram decepcionados os escolares, alguns choraram de sentimento ao ver ruir por terra um bonito sonho. Ficaram em situação vexatória a CCE e a delegacia do DEFE.

Dona Geraldina, ilustre e antiga mestra-escola, deveria ter atentado para o fato de que não seria a primeira vez no Brasil, que alunos excursionam à plagas distantes. Deveria igualmente ter considerado que essa viagem é necessária ao estímulo dos petizes, servindo-lhes de estímulo dos petizes, servindo-lhes de estímulo para novas lutas na caminhada do saber e fazendo-lhes perceber que o seu significado representa um prêmio conquistado em disputas renhidas. Deveria igualmente considerar que ela, como nós e outros, já fomos crianças também e sabemos perfeitamente o quanto amarga é uma decepção dêsse jaez, atirada assim contra aqueles que, merecedores dessa regalia, viram-se tolhidos de desfrutá-la apenas por sua culpa.

Se a ilustre delegada de ensino não quisesse assumir qualquer responsabilidade, poderia, pelo menos, deixar de ter-se oposto ao pretendido, permitindo a excursão, embora sem assumir responsabilidade pessoal ao caso. Seria, entendemos, a providência mais plausível da questão. Seria o certo. O que causou espécie, cuja decisão foi recebida com reservas e encontrou éco contrário, foi, de fato, a decisão da ilustre funcionária, obstando essa viagem, apondo ao pedido seu parecer desfavorável.

Lembramos a dona Geraldina, que êsses estudantes deram há pouco, uma brilhante demonstração de espírito de luta e trabalho de equipe: primeiro, venceram o certame citado; segundo, muito trabalharam, em diversas campanhas, para conseguir a construção da quadra de “basketball” recentemente inaugurada no mencionado estalecimento educacional-primário. Uma obra que enriqueceu o patrimônio do próprio Estado, cujo custo deve ter ultrapassado a casa dos 100 mil cruzeiros.

Aqui deixamos êste lembrête, fazendo uma apêlo a dona Geraldina Carvalho, digníssima delegada regional de ensino em Marília, para que reconsidere a sua decisão, apagando a decepção causada aos estudantes e permitindo a êstes garotos e garotas essa pequena felicidade, tão ansiosamente aguardada, tão grandemente merecida e agora levada de roldão exclusivamente por culpa.

Extraído do Correio de Marília de 26 de novembro de 1959

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Notícia a granel (25 de novembro de 1959)

Até agora, desconhecem-se quaisquer providencias ou interesses dos poderes públicos, com respeito à necessidade de ser ornamentado o centro da “urbe”, por ocasião das festas natalinas.

--:--

Legisladores, políticos, artistas e pessoas entendidas na matéria, estão examinando o ante-projeto do decreto do Executivo Mariliense, objetivando regulamentar a Lei (ainda projeto), que constituirá, como órgão oficial da municipalidade, a Comissão de Cultura Artística de Marília.

--:--

O primeiro “chute em gol”, oara a sucessão do sr. Adhemar de Barros na Prefeitura de São Paulo, foi deferido pelo PDC, indicando o nome do sr. André Franco Montoro. O líder pessepista, em declarações à imprensa, asseverou que a municipalidade bandeirante permanecerá em poder do PSP, pois o candidato a ser por êle indicado será o seu atual vice, sr. Cantídio Sampaio.

--:--

Protestou o sr. Jânio Quadros contra a chamada “emenda parlamentarista”, alegando que se trata de u’a manobra escusa, encerrando um golpe de certos políticos, destinada a obstruir a sua candidatura ao Catete.

--:--

Acêrca do caso da compra do feijão podre norte-americano, manifestou-se finalmente a Câmara do Comércio Brasileiro-Americana. Disse aquêle organismo que a COFAP caiu num verdadeiro conto de vigário, comprando feijão sem examinar o produto, resultando que êste teve que ser devolvido sem que o povo pudesse usá-lo.

A Câmara absteve-se de abordar a questão de que “alguém” ganhou muitos dólares com essa transação estúpida!

--:--

Comenta-se que a UDN pretende “encostar na parede” o deputado Jânio Quadros, asseverando-lhe que o partido que o lançou como candidato à sucessão do sr. JK tem um só candidato à Presidência da República e que não está gostando dos “namoros” do ex-governador paulista com o trabalhista Fernando Ferrari.

--:--

Fala-se nos meios “coapeanos” que a famigerada COAP não fará, êste ano, o tabelamento dos brinquedos. Boa notícia essa, pois estamos cansados de tabelamentos de brinquedos. O que queremos é mesmo tabelamentos... de verdade!

--:--

Uma “carrada” de filmes de péssima qualidade estão os marilienses assistindo nos últimos tempos. O departamento de programação da ETP em Botucatu ou está falhando, ou está sendo meio “ilegal” para com Marília.

--:--

Os preços das utilidades adquiridas nas “feiras livres” estão uma “belezinha”. Ali os marilienses vão espontaneamente para ser assaltados!


--:--

Um doce para quem advinhar, pelo menos por aproximação, a quanto irão os preços dos frangos e ovos, já para o mês que vem, época do Natal.

--:--

Dia 13 de novembro, teremos em Marília a realização da III Preliminar do Interior da Corrida Internacional de São Silvestre, sob o patrocínio do jornal “A Gazeta Esportiva”. O vencedor da citada prova, representará Marília na eliminatória em São Paulo, no dia 25. Conseguindo uma colocação até o 150º pôsto, participará da maior prova de pedestrianismo do mundo, ao lado dos mais famosos corredores internacionais.

As despesas de viagem do representante de Marília serão custeadas pela CCE e a estada em São Paulo correrá por conta de “A Gazeta Esportiva”.

Extraído do Correio de Marília de 25 de novembro de 1959

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Despojos dos “pracinhas” (24 de novembro de 1959)

Já estão assentadas as providências, para a trasladação dos despojos de cerca de meia centena de “pracinhas”, do Cemitério de Pistóia, na Itália, para o mausoléu que está sendo erguido no Rio de Janeiro, na “Casa do Ex-Combatente”.

Diversas opiniões divergiram sôbre a necessidade ou não de processamento dessa mudança de centenas de heróis anônimos. Pensam uns que a transferência para o sólo pátrio é imprescindível e representa um dever de brasilidade, enquanto outros entendem que os que repousam nas terras de Dante, após terem tombado pela Pátria, alí devem permanecer indefinidamente.

Não seremos nós que iremos entrar no mérito dessa questão, isto é, emitindo um conceito sôbre o acêrto ou não da medida preconizada e prestes a ser consumada. O que nos moveu a abordar o assunto em referência tem outro fundamento. Vejamo-lo:

Da mesma maneira que algumas pessoas alheias diretamente ao movimento, tem sido enviadas (à custa do Govêrno), todos os anos à Itália, por ocasião do Dia de Finados, teremos desta vez, inevitavelmente, uma camarilha de “aventureiros” e “veranistas”, que, sob o pretexto de patriotismo, irão a Europa, sem despesas, incluidos no ról da “comissão especial”.

Deputados, senadores e políticos diversos, além de politiqueiros profissionais, demandarão com tôda certeza, sendo também quasi certo de que muitos já estarão “tramando os pausinhos” para não deixar escapar esse “boa boca”.

Dos ex-combatentes, daqueles que socorreram os companheiros, daqueles que apanharam os “pracinhas” nas trincheiras, banhados de sangue ou com os corpos estraçalhados pelas granadas e morteiros inimigos, poucos ou nenhum irão. Quando muito, seguirá um “cobrão” da FEB, mas um “cobrão” que não viu siquer como “a cobra fuma” numa trincheira ou num “fox holle”. Que não dormiu em “buccos” e nem em estrebaria de feno pôdre, com o manto da morte sôbre a cabeça. Que não passou fome e necessidades e que não esteve, como os “pracinhas” de trincheira, de frente no duro, sem saber notícias do Brasil, sem momentos de folga, com a noção perdida até dos dias da semana.

Erro gravíssimo e afrontoso a memória daqueles que morreram pela Pátria e no mal pago reconhecimento dos que voltaram, será enviar uma “comissão especial” de “boas vindas” a Pistóia, para transportar os restos dos “pracinhas” da FEB tombados em combate, pagando à Pátria a mais nobre dívida de patriotismo: o tributo de sangue!

As pessoas indicadas para esse sacrossanto mistér são os próprios ex-combatentes. Aqueles que sentiram nas carnes as agruras da guerra e que sentem nos corações a saudade imorredoura, mesclada do descaso dos govêrnos para com a classe dos “pracinhas” que soube cumprir o dever-pátrio e que a única coisa que tinham a perder foi a própria vida.

Que atentem para isso os Srs. Presidente da República e Ministros de Estado. Já são muitos os desprezados e os descasos que se processam neste Brasis contra os “pracinhas”. Não lhes impinjam mais êste, mandando “passear” na Itália, políticos alheios até ao grande movimento da FEB na Segunda Grande Guerra Mundial!

Os indicados para cumprir essa missão, de maneira cabal e religiosa, são, exclusivamente, os companheiros daqueles que atingiram com o generoso sangue brasileiro, as legendárias terras da península itálica.

Aligem, senhores homens do Govêrno, as pretensões dessa camarilha de oportunistas. Entreguem a responsabilidade e a elevada missão desses serviços aos que devem executá-los, aos verdadeiros ex-combatentes!

Cumpram, senhores homens do Govêrno, pelo menos desta vez, o dever da gratidão da Pátria para com os que já souberam cumprir suas obrigações para com o Pavilhão Verde e Amarelo!

Extraído do Correio de Marília de 24 de novembro de 1959

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Miscelânea (21 de novembro de 1959)

Marília receberá hoje, por convite especial do “Lions Club” local, a honrosa visita do sr. Francisco José da Nova, secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo.

Uma recepção carinhosa e condigna será proporcionada ao ilustre auxiliar do Govêrno de São Paulo, autoridade policial que tem sabido se conduzir com acêrto e eficiência à testa do importante órgão que dirige.

Às 17 horas, S. S. será recepcionado em caráter oficial em nossa cidade, em solenidade cívica de sessão especial convocada pela edilidade mariliense.

Ao ensejo deste registro, apresentamos os votos deste jornal, de feliz estada em nossa cidade, ao Secretário da Segurança Pública, sr. Francisco José de Nova.

--:--

Um lavrador da cidade de Santa Fé do Sul, de nome Marcelino Melão, encontrava-se um dia dêstes em São Paulo, “assuntando” o movimento da Rua Paula Souza. Dêle se aproximaram dois “caipiras”, contando-lhe a “batida” história de uma herança que teriam que encaminhar à Santa Casa de São Paulo. Tentando bancar o esperto e vendo no “negócio” uma oportunidade de encher-se de “gaita”, Marcelino Melão trocou o dinheiro que possuía (110 mil cruzeiros) pelo pacote da “herança”, que, como sempre, só continha papéis velhos, cortados e dobrados.

--:--

Por falta de parecer da Comissão de Cultura da Câmara Municipal, deixou de ser apreciado e receber votação, na sessão de ante-ontem da edilidade mariliense, o utilíssimo e oportuno projeto de lei de autoria do vereador Mônaco, que visa instituir como oficial municipal, a Comissão de Arte e Cultura de Marília.

--:--

Na sede nova do Marília Tênis Clube, na noite de hoje, terá lugar o sensacional Baile “Vermelho e Branco”. A noitada referida será patrocinada pelo “Lions Club” de Marília e marcará o encerramento da altruística “Campanha dos Óculos”, movimento que prestou serviços inestimáveis a centenas de estudantes pobres dos cursos primários da cidade.

--:--

Constituiu um extraordinário sucesso a apresentação do recital da notável pianista Yara Bernette, realizado quarta feira última, no Tênis Club Avenida. Seleta assistência local aquele local, tendo ficado maravilhada com a magnifica interpretação da comentada e internacionalmente conhecida artista patrícia.

--:--

Perdeu o Brasil uma de suas mais consagradas figuras da música contemporânea, com o desaparecimento do insigne maestro Heitor Villa Lobos. Membro honorário e permanente de diversas academias musicais da Europa e das Américas, o grande Villas Lobos foi o real revolucionário da música moderna nos últimos tempos.

--:--

Em atendimento a mandato de prisão preventiva decretado pelo MM. Juiz de Direito da Comarca de João Pessoa, Estado da Paraíba, foi detido e recolhido ao xadrez o sr. Apolônio Sales de Miranda, prefeito da capital paraibana. A prisão originou-se por uma “bobagenzinha” atôa: estelionato, prevaricação, desvio de verbas, etc., etc.!

--:--

Em Belo Horizonte, o Presidente da Assembléia Legislativa de Minas Gerais anunciou à imprensa, ter recebido uma carta anônima, ameaçando de uma próxima explosão de uma bomba-relógio no recinto daquela Casa de Leis. A justificativa dessa ameaça é simples: protesto contra a inatividade da assembleia contra a intolerável carestia da vida.

Se a moda pega...

--:--

Repercutiu de maneira desagradável na cidade, a notícia de que a Federação Paulista de Futebol determinou o início do Torneio dos Campeões para o próximo dia 29, porém sem a inclusão da A. A. São Bento nas duas primeiras pelejas. Erro gravíssimo da mentora bandeirante, pois o São Bento é, por fato e direito, o vice-lider da série “Paulo Machado de Carvalho”. Álias, no caso, o São Bento está servindo de “tábula de lavar roupa”. O Tupã brigou com a Botucatuense por causa de dois pontos e o São Bento recebeu a pior. Agora, a Prudentina com o Corinthians e sôbre os costados dos marilienses é que estão refletindo as consequências. Até parece o caso do camarada que sem ter nada com a briga alheia, apanhar sòmente porque passou perto do “rôlo”...

Extraído do Correio de Marília de 21 de novembro de 1959

domingo, 20 de novembro de 2011

A Marcha da Fome (20 de novembro de 1959)

Sempre tivemos em nós, que, todas as medidas extremas são perigosas. Há que distinguir, entretanto, a medida extrema da necessidade extrema. Separar o joio do trigo e saber aquilatar os motivos existentes ou originários entre uma e outra.

Em Sorocaba, a magnifica “manchester paulista”, tivemos recentemente, segundo noticiariam os jornais sorocabanos, u’a medida que, além de extrema, foi indubitavelmente dolorosa. Realizaram os funcionários da Prefeitura de Sorocaba, a “marcha da fome”.

Para que os leitores tenham uma idéia da gravidade desse cometimento, transcrevemos a seguir um trecho de um comentário de José Carlos Paschoal, inserido no “Diário de Sorocaba”, edição de 12 ultimo: Vejam:

“Sorocaba assistiu, estarrecida, a Marcha da Fome. Centenas de trabalhadores municipais, cujos salários insuficientes estão atrazados há três meses, caminharam pelas principais ruas da cidade, carregando dísticos que atingiram o governo frontal e inapelavelmente. Dirigindo-se aos populares que se alinhavam ao logo das calçadas, num misto de curiosidade e revolta diante da brutal realidade, vários homens pediam esmola em favor das famílias desses funcionários desesperados. O próprio boletim que éra distribuído por onde passava o sintomático desfile, dizia: “Deus lhes pague o auxilio que virá amenizar em parte o sosofrimento dos servidores públicos da Prefeitura Municipal de Sorocaba”.

Por aí, poderá aquilatar-se a gravidade desse acontecimento. Servidores municipais de Sorocaba, com vencimentos atrazados por três meses, sem dinheiro, com os créditos dos empórios e das farmácias “cortados”, em verdadeiro desespero, em real miséria”! Humildes, desprotegidos, abandonados, constituindo a legião da fome!

O espetáculo deve ter sido efetivamente chocante, incrivelmente real. Doloroso. Mas, por outro lado, deve ter se constituído num brado de alerta, num motivo de cuidados especiais e de responsabilidade altíssima, não para os homens que integram o atual poder público de Sorocaba (porque estes, pelo visto, já demonstraram inércia e inépcia), mas, para os eleitos a 4 de outubro último e que será chamados a dirigir os destinos da “manchester paulista”, a 1º de janeiro próximo.

O fato em referencia, com toda certeza, deve constituir-se numa clarinada de alerta e num motivo de enorme responsabilidade, pois a futura administração municipal de Sorocaba, terá, de início, um dos mais sérios problemas municipais a resolver: a questão das finanças. O município que chega a atrazar-se em solver seus compromissos para com aqueles que, pouco percebendo, constituem a legião dos que operam a máquina administrativa em seu trabalho constante, verdade seja dita, está mal de vida e está mal dirigido.

De nossa parte, não conhecemos os dirigentes sorocabanos (e) contra os mesmos nada poderemos ter. igualmente desconhecemos as razões que os mesmos poderão apresentar ou terão apresentado, para justificar este lamentável estado de coisas. O que analisamos, na questão, é o disparate inaceitável, a situação inexequível. E o fazemos puramente do ponto de vista jornalístico, como simples observadores.

O panorama criado com a “marcha da fome” realizada em Sorocaba, ninguém poderá negar, é o prenúncio de algo tenebroso, que, como a pequenina bóla de néve que é ínfima ao desgrudar-se do cume da montanha, chegando gigantesca ao chão, poderá, se não for encontrada uma fortuna capaz de atenuar e contornar a situação, trazer em futuro próximo serias consequências. A ameaça, embora pacífica, foi de enorme gravidade.

Nossos auguros, daquí, para que Sorocaba possa transpor essa desagradável barreira de caráter econômico, normalizando a situação criada e óra referida, reencetando a sua gloriosa trajetória de invulgar e invejável progresso em todos os sentidos de sua dinâmica vida.

Extraído do Correio de Marília de 20 de novembro de 1959

sábado, 19 de novembro de 2011

Prédio próprio da Casa da Lavoura (19 de novembro de 1959)

Em nossa edição de ante-ontem, divulgamos que se pretende construir em Marília, sob a égide e responsabilidade da Secretaria da Agricultura, um prédio próprio para a Casa da Lavoura.

O aludido edifício, inicialmente orçado em sete milhões de cruzeiros, destinar-se-á a agasalhar todas as dependências superintendidas pela delegacia regional local e faz parte do “plano de ação” do atual Governador do Estado. Teria, então, a finalidade de centralização de serviços diversos e setores vários daquela unidade, abrangendo a região discriminada de inúmeras centros da Alta Paulista.

Marília e mais 306 cidades interioranas, serão dotadas, segundo consta, desse melhoramento, melhoramento para o próprio serviço público e que virá se constituir, fóra de dúvidas, em mais um marco oficial do progresso urbanístico da cidade.

As plantas, estudos e orçamentos de todos esses prédios já foram concluídos e objetiva-se a construção desses tipos de edifícios num período relativamente rápido, ou seja, em seis meses apenas. O financiamento dessas construções será garantido pelo IPASE.

Cogita-se o início das óbras dos primeiros prédios dêsse porte, ainda no ano em curso, dependendo, conforme se noticia, de interesse em maior ou menor instância, das próprias comunas. Isto é, serão iniciadas as primeiras construções nas cidades que de imediato oferecerem, em doação, ao Govêrno do Estado, para o fim específico, a respeita área de terreno.

Em nossa cidade, como sempre, já foram dados os primeiros passos, numa demonstração inequívoca de que “não se dorme de botinas” em Marília. Uma comissão de vereadores, já foi designada pela edilidade, para tratar da questão de escolha e demais medidas destinadas à determinação do terreno. Isso vem provar que nossas autoridades estão alertas e vigilantes e que não pretendem deixar escapar a oportunidade que se nos foi oferecida.

Sebastião Mônaco, Nasib Cury e Gumercindo Muniz Sampaio são os edís integrantes dessa comunicação, que, segundo se sabe, já se poz a campo.

É mistér que o interesse por êsse motivo seja constante e rápido, bem como as suas providências imediatas de todo. É necessário que Marília não deixe escapar a oportunidade, bem como necessário é que a Secretaria da Agricultura se interesse de tato em realizar em definitivo e rapidamente o plano em aprêço.

Não que existam dúvidas a respeito dessa questão; é que nenhum mariliense desejará, com tôda certeza, que o prédio próprio da Casa da Lavoura, óra em referência, venha a incorpora-se ao ról das “realizações”, como por exemplo, o Hospital das Clínicas (em seu projeto original), o Corpo de Bombeiros, o Pronto Socorro Municipal, a distribuição de maior número de semáforos, etc., etc..

É bom, portanto, que a Comissão dos vereadores referidos e mesmo o Sr. Prefeito Municipal, se interessem pelo fato, jamais descuidando dessa questão.

Vamos nos empenhar, para, que, desta vez, essa idéia que interessa de perto à Marília, não venha a ficar no “tinteiro”.

Extraído do Correio de Marília de 19 de novembro de 1959

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Fragmentos... (18 de novembro de 1959)

Início de exames escolares. Proximidade de início de exames escolares. Alunos preocupados, alguns em polvorosa, temendo as “bombas” ou “estudando” como processarão a “cóla”.

Outros, despreocupados e pouco responsáveis. Um ano mais, um ano menos, dará na mesma. A alcunha de “repetente”, para muitos, nenhum osso quebrará.

Outros ainda, mesmo na época que procede as provas finais, teimam em “enforcar” aulas para ir aos cinemas. As vezes, são até filhos de pais póbres, que fazem sacrifícios incríveis para mante-los estudando.

--:-:--

Alguns trechos de algumas ruas da cidade, receberam não há muito, a visita dos capinadores “réco-réco”. As graminhas foram amontoadas junto às guias de sarjetas... e alí ficaram!

--:-:--

Éssa conversa de que menor não pode dirigir motoneta é “faról”. Nas ruas Feijó, Gonçalves Dias (próximo a Delegacia de Polícia), Carlos Gomes, Alvares Cabral e outras (dentre muitas), fedelhos “filhinhos de papai”, desafiam as autoridades de transito e dirigem tal tipo de bicicletas impunemente.

--:-:--

Alguns motoristas continuam a fazer da Avenida Sampaio Vidal, no trecho compreendido do Cine Marília rumo à Bavaria, uma autêntica “pista de Interlagos”. Continuam, em consequência, sofrendo riscos de vida muitos marilienses.

--:-:--

O policiamento nos “bolcões” do Cine Marília continua sendo o “zero à esquerda”. Nem policiamento e nem fiscalização do próprio cinema alí existe. No intervalo da primeira para a segunda sessão, principalmente nos dias de sábado, domingo e segunda feira, marmanjões chegam a fumar dentro da sala de projeção, sentar sôbre o espaldar das poltronas com os pés na cadeira propriamente dita.

--:-:--

Dia 18 de dezembro, será realizada a preliminar da “Corrida Internacional de São Silvestre” em Marília. A “A Gazeta Esportiva”, por seu representante local, como nos anos anteriores, espera contar com o apôio e prestigio do rádio e imprensa, C.C.E., Delegacia de Educação Física e outros desportistas e autoridades.

--:-:--

E nem o Corpo de Bombeiros e nem o Pronto Socorro Municipal “saíram” ainda. E, pelo visto, não “sairão” mesmo... pelo menos neste Seculo XX!

--:-:--

Na Capital da República está sendo construído um momento nos ex-combatentes da última guerra. Será um marco grandioso e ao mesmo tempo um mausoléu, que agasalhará os ossos dos “pracinhas” sepultados em Pistóia. Tipo de contraste, êsse: gasta-se milhões e milhões de cruzeiros para a construção dessa obra-gigante, enquanto milhares de ex-combatentes continuam desajustados, desempregados, doentes, neuróticos e reumáticos, completamente abandonados.

--:-:--

Um doce para quem adivinhar de que altura seria o monte de notas de mil cruzeiros já aplicados em Brasília, se fossem empilhadas uma sôbre outra.

--:-:--

No mesmo rosário de “realizações não realizadas” onde já contamos com o Pronto Socorro e o Corpo de Bombeiros, encontram-se os semáforos prometidos à Marília pelo Sr. Nicolau Tuma.

--:-:--

No próximo dia 21, na séde nova do Tênis Clube, o “Lions Club” local promoverá o animado Baile Vermelho e Branco. Na ocasião, dar-se-á o encerramento da “campanha dos óculos”, altruística iniciativa que veio beneficiar centenas de escolares póbres dos cursos primários da cidade.

Extraído do Correio de Marília de 18 de novembro de 1959

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Um alerta necessário (17 de novembro de 1959)

Em nossa edição de terça-feira última, focalizamos a expedição de despachos telegráficos assinados pelo Prefeito Argollo Ferrão, com respeito ao perigo que ronda a construção (necessária) da rodovia de contorno da cidade.

Para alguns, talvez haja sido a notícia aludida, vista superficialmente apenas, sem a detenção de u’a análise cuidadosa sôbre a sua real importância.

Efetivamente, a questão é mais grave do que parece, diz respeito direto aos interesses do próprio poderia de desenvolvimento de Marília e consulta, por outro lado, a própria economia estadual.

A razão desse fato diz referência ao pensamento da companhia construtora do último trecho da rodovia oficial Marília-Baurú, que, pelos termos contratuais, está na obrigação de proceder também a construção da estrada de contôrno da cidade, deixando amplo e fácil acesso de circulação dos vários ramais que demandem a outras estradas de ligação de Marília com outras centros. Se levado a têrmo o propósito de campanha construtora, será rescindido o contrato de trabalho e terá a própria Secretária de Viação de instituir nova concorrência pública para o complemento desses serviços, com maior oneração das finanças do Estado. Além disso, deve ser considerado o lapso de tempo que tal melhoramento levará para ficar concluído. Daí, além dos prejuízos de ordem econômica que pesarão sôbre os cofres estaduais, advirão aqueles que não se casam com os interesses do dinamismo de nossa “urbe”.

Assim , obrou bem o Chefe do Executivo mariliense, em fazer soar essa clarinada de alerta, chamando as atenções dos poderes competentes, que, como se é de esperar, irão, certamente, interessar-se pelo caso em fóco.

Vejamos, na integra, o teor do telegrama expedido pelo Sr. Argollo Ferrão e dirigido ao Governador Carvalho Pinto:

“Informado que a Cia. Americana de Engenharia Ltda., firma construtora da estrada Baurú-Marília, está tentando eximir-se da responsabilidade de construção do contôrno da cidade de Marília e pleiteia rescisão dessa parte do contrato, tomo a liberdade de sugerir a Vossência, a conveniência de recusar a recisão pleiteada, pois trará enormes transtornos para esta cidade e possivelmente também ao Estado, considerando-se a provável elevação do custo dos serviços a realizar.”

Telegrama de conteúdo idêntico foi enviado ao Secretário da Viação e Óbras Públicas, Brigadeiro Faria Lima.

Ao diretor do Departamento de Estradas de Rodagem, através de telegrama, o prefeito Argollo Ferrão apresentou o mesmo brado de alerta, tendo recomendado os interesses e estudos do caso em apreço, que, indubitavelmente, consulta as necessidades não só de Marília como do próprio Estado.

É de esperar-se que as autoridades para as quais foram endereçados os apêlos citados, hajam por bem escolhe-los e esmiúça-los com carinho, pois a sua procedência e razão são irrefutáveis.

Vamos aguardar os acontecimentos.

Extraído do Correio de Marília de 17 de novembro de 1959

Um alerta necessário (17 de novembro de 1959)

Em nossa edição de terça-feira última, focalizamos a expedição de despachos telegráficos assinados pelo Prefeito Argollo Ferrão, com respeito ao perigo que ronda a construção (necessária) da rodovia de contorno da cidade.

Para alguns, talvez haja sido a notícia aludida, vista superficialmente apenas, sem a detenção de u’a análise cuidadosa sôbre a sua real importância.

Efetivamente, a questão é mais grave do que parece, diz respeito direto aos interesses do próprio poderia de desenvolvimento de Marília e consulta, por outro lado, a própria economia estadual.

A razão desse fato diz referência ao pensamento da companhia construtora do último trecho da rodovia oficial Marília-Baurú, que, pelos termos contratuais, está na obrigação de proceder também a construção da estrada de contôrno da cidade, deixando amplo e fácil acesso de circulação dos vários ramais que demandem a outras estradas de ligação de Marília com outras centros. Se levado a têrmo o propósito de campanha construtora, será rescindido o contrato de trabalho e terá a própria Secretária de Viação de instituir nova concorrência pública para o complemento desses serviços, com maior oneração das finanças do Estado. Além disso, deve ser considerado o lapso de tempo que tal melhoramento levará para ficar concluído. Daí, além dos prejuízos de ordem econômica que pesarão sôbre os cofres estaduais, advirão aqueles que não se casam com os interesses do dinamismo de nossa “urbe”.

Assim , obrou bem o Chefe do Executivo mariliense, em fazer soar essa clarinada de alerta, chamando as atenções dos poderes competentes, que, como se é de esperar, irão, certamente, interessar-se pelo caso em fóco.

Vejamos, na integra, o teor do telegrama expedido pelo Sr. Argollo Ferrão e dirigido ao Governador Carvalho Pinto:

“Informado que a Cia. Americana de Engenharia Ltda., firma construtora da estrada Baurú-Marília, está tentando eximir-se da responsabilidade de construção do contôrno da cidade de Marília e pleiteia rescisão dessa parte do contrato, tomo a liberdade de sugerir a Vossência, a conveniência de recusar a recisão pleiteada, pois trará enormes transtornos para esta cidade e possivelmente também ao Estado, considerando-se a provável elevação do custo dos serviços a realizar.”

Telegrama de conteúdo idêntico foi enviado ao Secretário da Viação e Óbras Públicas, Brigadeiro Faria Lima.

Ao diretor do Departamento de Estradas de Rodagem, através de telegrama, o prefeito Argollo Ferrão apresentou o mesmo brado de alerta, tendo recomendado os interesses e estudos do caso em apreço, que, indubitavelmente, consulta as necessidades não só de Marília como do próprio Estado.

É de esperar-se que as autoridades para as quais foram endereçados os apêlos citados, hajam por bem escolhe-los e esmiúça-los com carinho, pois a sua procedência e razão são irrefutáveis.

Vamos aguardar os acontecimentos.

Extraído do Correio de Marília de 17 de novembro de 1959

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Fazendo côro... (14 de novembro de 1959)

Não faz muito tempo. Foi quando Brasília principiou a tornar-se um conjunto étnico – negociatas, curiosidade e alucinação –, que começamos a rabiscar alguns de nossos artigueter a respeito. Sempre fizemos questão de deixar bem claro, que jamais estávamos sendo contra a mudança da Capital Federal; fomos sempre avessos, à formula e ao processo de como está sendo construída Brasília.

Dos pontos de vista que expendemos, encontramos, como é óbvio, opiniões divergentes. Uns aplaudiram, outros condenaram o que escrevemos. Teria de ser assim mesmo e tal fato atesta claramente, que, em verdade, vivemos num regime democrático, onde cada qual póde pensar livremente.

Mas, como dizíamos, muitos escritos divulgamos sôbre essa berrante e disparatante suntuosidade, plantada em pleno sertão, a custa da emissões e mais emissões de nosso desvalorizado cruzeiro, enquanto a nação capenga economicamente, num contraste flagrante, com os próprios brasileiros, que, por desdita, vizinhos da nova Capital, continuam passando fome!

E continuaremos assim a pensar.

A propósito dessa idéia, transcreveremos a seguir, um artigo do jornalista José Jorge Filho, divulgado no “O Município”, da cidade de Amparo.

Vejamos a sua íntegra:

“Atinge às raias do maior escândalo nacional as negociações e corrupções que se fazem em Brasília.

Não só deputados da oposição, como da própria situação tecem as criticas mais veementes contra Juscelino e contra aqueles que estão à frente da Novacap, que é a construtora da nova capital do Brasil.

Ainda agora, o Deputado federal Elias Adaime, do P.T.B., de Santa Catarina, denunciou na Câmara 17 pontos fundamentais contra os dirigentes de Brasília, que são 17 chagas vergonhosas, que estarrificam os homens de brio, que lançam sobre a Nação páginas negras acerca das bandalheiras grossas, que os felizes sacripantas do Governo Federal ousaram fazer à sombra das convivências execráveis dos próprios poderes públicos. Brasília, é, uma desgraça nacional. O próprio Supremo Tribunal Federal pela vóz criteriosa e solene dos seus membros, não está desposto a se transferir para a nova Capital, porque assim o quêr a megalomania do presidente voador, no mesmo tom acaba de se pronunciar o Supremo Tribunal Militar. Não se mudará.

Embóra o portentoso luxo de Brasília, ainda não há confôrto, residências adequadas, escolas, faculdades, comodidades, enfim, para aqueles que precisam se deslocar do Rio de Janeiro, onde há de tudo e do melhor, para se meterem à força do sertão goiano, porque tão só o quer e o exige a fantasiosa alucinação de um messias guindado à presidência da República.

É a falsa concepção de Brasília que nos deu o feijão a cem cruzeiros, a carne, o arroz, o trigo e outros artigos de primeira necessidade, no mercado negro! O dólar a duzentos cruzeiros é outra prova madrasta.

Essas as consequências trágicas que nos está legando o arauto e o argonauta do espaço.

Nunca se viu desgraça maior para o Brasil, vivendo na miséria em meio a tanta abundancia! É a pobreza moral dos homens que o dirigem na atualidade, inconcientes dos destinos da Nação.”

Extraído do Correio de Marília de 14 de novembro de 1959

sábado, 12 de novembro de 2011

E o Pronto Socorro Municipal? (12 de novembro de 1959)

Assunto velho êsse. Até já carcomido pelos anos. Empoeirado, embolando. Algo reumático. Ao lado do Corpo de Bombeiros, continua a desafiar a argúcia de nossos administradores e legisladores. De há muito, por qualquer motivo, se encontra na gaveta do esquecimento.

Entra Prefeito, sai prefeito, elegem-se vereadores, todos abordando a questão e ninguém, de efetivo, algo fazendo sôbre a questão. “Tabú”, “caveira de burro” ou falta de pulso?

O fato é que é lacuna para ser completada em Marília e parece difícil a sua solução.

A cidade reclama êsse melhoramento e ninguém poderá contestá-lo. Muitas promessas, muita demagogia já giraram em tôrno do assunto, parecendo até o “Sputnik” em redor da Lua!

Não se concebe que nossa “urbe”, com uma estimativa de mais de 80 mil almas, apresentando uma trepidação própria dos grandes e dinâmicos centros, e, por isso mesmo, exigindo os efeitos de todos os requisitos do progresso de uma cidade moderna, apresentando problemas de assistência social de vulto considerável, continue nesse pé, nesse descaso, com respeito à criação do Pronto Socorro Municipal. Cidades de menor densidade demográfica, consequentemente de menores exigências dentro dêsse mesmo terreno, ostenta êsse melhoramento indispensável.

Não só as gentes da cidade, como, igualmente, as populações das zonas rural e periférica, especialmente os pobres (e mesmo os “remediados”, em casos específicos), dependem e carecem dos benefícios inestimáveis e inalienáveis de um Pronto Socorro.

Inúmeros são os casos conhecidos em que é constantemente reclamada a interferência dêsse utilíssimo organismo. Exemplos sem conta frutificam por aí, diariamente, quando até casos dolorosos são presenciados por todos, comentados discretamente pela imprensa, tocantes em verdade, chocantes em realidade.

Ainda agora, a vizinha cidade de Tupã, acaba de nos dar um magnífico exemplo, de como pode e quando pode fazer a boa vontade, no sentido de servir. Não podemos manter a municipalidade tupãense um órgão completo e tecnicamente adequado, organizou um Pronto Socorro Municipal de emergência, para prestar socorros e serviços médico-farmacêuticos aos seus munícipes. Foi adquirida uma ambulância pela Prefeitura. Foi nomeado um enfermeiro experiente, para trabalhar nesse setor, bem como foi instalada uma pequena farmácia, junto ao almoxarifado da própria Prefeitura. Assim, não só pequenos socorros, como a distribuição de remédios aos pobres e necessitados, estão sendo processados com êxito pelo Pronto Socorro de Tupã. O profissional referido, quando os casos exigem a interferência médico-hospitalar, fugindo, porconseguinte à sua alçada conduz a pessoa ou pessoas necessitadas à Santa Casa, onde são entregues ao médico de plantão.

Como se vê, embora não completo o serviço, pelo menos é uma atenuante da exigência referida. Demonstra, antes de tudo, interêsse e boa vontade de solver-se o problema e a sua solução, mesmo que parcial, foi encontrada.

Tupã nos deu um exemplo. Marília poderá seguí-lo, principalmente na impossibilidade de conseguir-se o complemento dessa urgência de maneira total.

Aqui fica o lembrête.

Extraído do Correio de Marília de 12 de novembro de 1959

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Juizo, vergonha e trabalho (11 de novembro de 1959)

Vez por outra, em nossos escritos, temos abordado a situação econômica nacional, paupérrima e claudicante, vergonhosa e de horizontes negros. E não temos nos pejado em atribuir os citados efeitos, como consequência de um autêntico desgovêrno.

Algumas pessoas, sem o cuidado de u’a análise mais acurada e de todo imparcial, movidos antes de mais nada pela razão de não querer “dar o braço a torcer”, nos incriminaram verbalmente, havendo até alguns que nos tacharam de inimigos do Sr. Juscelino Jubtschek. A respeito, já dissemos, nada temos pessoalmente contra o atual Chefe da Nação.

Não somos contra o Sr. Juscelino, o homem; somos contrários ao Sr. JK, o Presidente.

Pela coincidência de idéias, vamos transcrever na íntegra, um artigo do jornalista Ruy de Menezes, publicado no “Correio de Barretos”. Eis, pois, o conteúdo de uma idéia e de uma observação que se casa perfeitamente com o ponto de vista que empossamos:

“A atual geração de moços desconhece – graças a Deus! – o que seja uma revolução e suas consequências. Tendo acontecido a última há mais de 27 anos, êsses que por aí andam na flor do dia idade não sabem o quanto de tristeza, de mágoa, de lágrimas e luto, significa um movimento armado dentro de um País. Se viveram, alguns dêles, através do noticiário dos jornais pelo menos, os horrores de um conflito mundial, como o derradeiro, não podem avaliar, contudo, o que venha a ser a guerra dentro de casa, com irmãos se matando em cada esquina, a morte espreitando atrás das árvores, a comoção geral, o desassossego das famílias, a intranquilidade, a paralização das atividades comerciais, a fuga das populações das cidades em busca de abrigo no campo, o diabo, enfim! – que sòmente avalia e pede a Deus que nunca mais se reproduza, aquele que passou por essas desgraças todas.

Pois, bem, se não tivermos juízo, apesar de nosso amadurecimento democrático, acredito que estamos na iminência de ver o sólo pátrio, outra vez, tinto do sangre generoso de nossa gente, conforme, aliás, já o previu o senador Afonso Arinos, falando nos riscos de uma revolução vermelha, não nos sentimos da coloração ideológica, mas, no da tintura própria do sangue.

E que nos falta para que tudo isso seja evitado? Pouca coisa: um bocado de juizo e de vergonha, por parte dos dirigentes da coisa pública, e muita deliberação de trabalhar que deve animar o nosso povo. Juizo, vergonha e trabalho formam exatamente a trilogia em que se assentam a segurança de nossas instituições, a tranquilidade das famílias, o futuro da Pátria, o seu progresso e desenvolvimento e tudo quanto de bom a gente pode desejar para este colossal Brasil, que vive a dormir eternamente em berço esplendido.

Se não temos feijão, de quem é a culpa? Se a carne nos falta à mesa, também, que será o responsável por tudo isso(?). Por acaso, temos cuidado de plantar feijão e de impedir a matança indiscriminada de vacas, sufocando na matriz a própria produção, para exportar com o fito de saciar a fome de divisas, ou, ao contrário, longe das preocupações futuras de importar feijão dos Estados Unidos e carne da Argentina, água do Chile, tijolo da Alemanha, couve da Arábia, repolho de Israel, pérola do Japão, diamantes da África, pensamos em que tudo isso nos cáia do céu e, se não cair, São Pedro e mais os “trusts” norte-americanos é que serão os culpados?

Na casa onde falta o pão, todos gritam e ninguém tem razão, diz o ditado! O de que carecemos é, como disse, um bocado de juizo e de vergonha e muita vontade de trabalhar. Não adiantam reclamações, pois, é certo o provérbio de Confúcio: “Antes acendes, uma véla que lamentar a escuridão”, o que nos indica o caminho da operosidade, da deliberação de vender as marés violentas dos impecilhos opondo-lhes o dique das realizações efetivas, sem nos esticarmos, dolentes, na areia morna das queixas e imprecações. Porque é isso o fermento propício das revoluções, que surgem da inveja e do ódio, do inconformismo com as frustações, quase tôdas, no entanto, fruto da preguiça, da imprevidência e da incapacidade.

Ainda está no tempo de evitarmos a eclosão de qualquer movimento armado, como pseudo medida de arrumação das coisas. Basta, para tanto, que nos preocupemos em entender a mensagem da vitória que se contém na trilogia: Juizo, Vergonha e Trabalho.”

Extraído do Correio de Marília de 11 de novembro de 1959

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sede Campestre para o São Bento (7 de novembro de 1959)

Idéia oportuna éssa a de se conseguir uma Séde Campestre para a Associação Atlética São Bento. De início, poderá parecer um pouco ousada, mas se se ativer o raciocínio dentro do plano da lógica e da necessidade, poderá aquilatar-se que não a é.

O alvi-rubro é o clube de futeból mais querido da cidade. Sua tradição de glórias, escrita com louros, é uma honra, não só para o desporto mariliense, como igualmente para a região. Seu nome lembra a Santo Padroeiro de Marília e invóca o do timoneiro da cidade, o saudoso Bento de Abreu Sampaio Vidal. Vive o clube no coração dos marilienses, como um autêntico patrimônio do próprio povo.

Sobreviveu o São Bento a intempéries diversas, mercê unicamente dêsses motivos. Se possuísse algum patrimônio, algum valor material, jamais teria, no pretérito, experimentado as dificuldades e algumas falta de alento que sentiu. Jamais teria interrompido sua trajetória de glórias, ausentando-se até de certames oficiais de futeból.

Desde que nasceu, a associação não possui bens. O patrimônio do clube, hoje, resume-se na história de sua própria vida, em alguns jogos de camisas, numa bandeira alvi-rubra e algumas dúzias de troféus. Nem campo possui o São Bento, apesar de contar com o privilégio de usofruto (quasi usucapião) do Estádio Municipal.

Assim, o problema de um estádio próprio, hoje em dia, passa a constituir-se num pretensão um tanto elevada, não só pela dificuldade de encontro e aquisição de uma área especifica, como, principalmente, pelo vulto monetário da construção propriamente dita. Tendo-se em vista que o Estádio não constitui no momento nenhum problema de “sangria desatada”, é plausível que se aproveite a idéia lançada por êste diário, adquirindo-se a gleba conhecida como “piscina do japonês”, para alí ser construída a Séde Campestre da A. A. São Bento.

Os bancários de Marília já nos deram um exemplo frizante de o quanto se póde fazer nesse sentido, havendo interesse e boa vontade. Da mesma maneira que o público acudiu e colaborou com a classe bancária, aquiescerá em acercar-se dessa iniciativa. O local é magnifico para a concretização da idéia. Já existe a piscina e há espaço vital suficiente para a casa da séde, quadras de tênis e basquete, pequeno parque infantil, etc.. Assim, o São Bento teria meios para ampliar ainda mais o seu quadro social, oferecendo aos seus filiados, não só o futeból que é capaz, como igualmente outros lazeres, maximé considerando-se que Marília ainda deixa algo a desejar nesse particular.

A cidade também lucraria com isso. Mais um melhoramento surgiria em Marília, a corroborar com seu indebelável progresso e a firmeza da realização de seus homens.

Para tal, é mister que se constítua uma comissão especial, independente dos diretores, pois estes não poderiam mesmo tratar dessa questão e dirigir o futeból ao mesmo tempo, principalmente nesta época de aproximação do super-campeonato da “segundona”. Essa comissão, conforme já sugerimos em nossa edição de ontem, deverá ser integrada por elementos ligados à própria vida de Marília, das mais diversas profissões ou ocupações.

Além da colaboração do povo, poderá a comissão solicitar, não como empréstimo, mais à guisa de doação, alguma verba-auxílio dos deputados que se identificam como amigos de Marília, auxílio êsse, mesmo da própria concessão pessoal. Temos visto, no “Diário Oficial”, esses favores e o nosso caso não seria nem um privilégio e nem um precedente. Além do mais, até dos govêrnos poderia a comissão pleitear pequenas ajudar para o fim em téla.

A idéia, como dissemos, é digna de estudos e de aproveitamento. Que tal esmiuça-la e refletir sôbre o seu conteúdo?

Extraído do Correio de Marília de 7 de novembro de 1959

domingo, 6 de novembro de 2011

Carne importada e exportada (6 de novembro de 1959)

Em plena rua, um amigo e leitor nos entrega de um recorde de jornal da Capital. Uma entrega assim sem nenhuma parada, tal qual o maquinista do trem entrega ao funcionário da estação um determinado apetrecho relacionado com o comboio e a viagem.

Com uma rápida vista d’olhos, percebemos a razão: duas notícias telegráficas, uma procedente do Rio e outra de Santos, insertas na mesma coluna, uma sôbre a outra, apresentando dois extremos de u’a mesma questão: a da carne.

O primeiro telegrama, originário da Capital Federal, dando contra de um desmentido de notícia vinculada pela imprensa. Quer dizer, negando que o Brasil estava importando 4.000 toneladas de carne da Argentina, para afiançar que o número exato dessa importação é de 40 mil e não de quatro mil toneladas. O contestante e afirmante, segundo o texto da notícia, é o próprio presidente da COFAP.

No despacho seguinte, oriundo de Santos, divulga-se a partida do navio “Mormacwavo”, para os Estados Unidos, conduzindo 58 mil toneladas de carne bovina brasileira, exportada para a terra do Tio Sam, sendo embarcador o Frigorífico Armonr.

O contra-senso é enorme, não resta dúvida. Corrobora de maneira irretorquível, uma ação de desgovêrno. Atesta a falta de um critério condigno, com colime maior disciplinação no setor da própria economia do país, pois demonstra, aos olhos da cara, abandono completo ou degorganização total.

As duas notícias, paginadas por coincidência (ou malicia) na mesma coluna e na mesma edição, poderiam ter passado despercebidas para o espirito menos avisado, mas tal não sucedeu com o leitor que nos ofereceu o recorte. Efetivamente, antes de mais nada, a questão aí não é sòmente de desgoverno; é também de vergonha. É um dos eloquentes atestados de como anda “entregue às traças” o setor econômico nacional. Enquanto o sr. JK não pensar menor em Brasília e pensar um pouquinho mais no país, as coisas continuarão nesse pé, nesse pé, não: tenderão a piorar dia a dia.

Entre nós, os potentados é o que ditam as conveniências de móto próprio, em beneficio de poucos, para detrimento de muitos. Por isso, contam, além da inoperância dos homens do Govêrno neste particular, com o beneplácito e até apoio da famigerada COFAP.

O recorte do jornal que estamos referindo está em nosso poder e poderá ser manuseado, a título de curiosidade, por quem o desejar. Comentamos o fato não porque seja digno de um simples escrito para o preenchimento do espaço que nos é aqui reservado. A rigor, o fato não seria mesmo merecedor de um simples artiguete de um cronista interiorano, pois o assunto para uma pesquisa bem mais aprofundada e dá ensejos até para a lavração de um trabalho técnico de bastante fôlego. É só deter um pouco o raciocínio na profundeza dessa anomalia, para convir que o assunto, objeto dêsses dois telegramas referidos, é dos mais graves para a própria economia do país. É questão que bole com a fome dos pobres e que deixa claro a inoperância de certos setores do Govêrno da República, demonstrando falta de pulso, falta de vontade ou descaso flagrante para a própria vida brasileira.

Meditem os leitores sôbre êsse motivo e tirem por si as suas conclusões. Nós já extraímos as nossas.

Extraído do Correio de Marília de 6 de novembro de 1959