segunda-feira, 28 de setembro de 2009

MARÍLIA VISTA DE FORA (28 de setembro de 1957)

Estivemos ausentes desta coluna durante alguns dias, por motivos alheios à nossa vontade. Tiramos umas “férias forçadas”, por questões de doença. Regressamos ontem, bastante saudosos désta querida Marília, apesar do curto espaço de tempo que daquí nos afastamos. Estivemos em diversos lugares, passamos por cidades grandes, inclusive São Paulo. Pareceu-nos, no entanto, que nenhuma das cidades que visitamos se compara à Marília e é imensurável a satisfação daqueles, que, gostando déstas plagas, aquí retornam depois de breve ausência.

Assim nos sentimos. À propósito, tivemos o ensejo de encontrar vários marilienses que hoje residem fóra de nossas fronteiras. Encontros casuais, que trazem em sí aquela alegria verdadeiramente familiar. Todas as pessoas que estão afastadas de nossa cidade, são inconformadas e saudosas. Todas são unânimes em afiançar que o valor à Marília só é dado quando a gente se afasta desta cidade. É um fato.

Dentre as muitas pessoas que deparamos, encontramo-nos em Santos com um guarda civil que residiu entre nós durante quatro anos. Não cessou esse ex-mariliense de cantar as belezas de Marília e a bondade de seu povo. De reafirmar a sua saudade e seu desejo de retornar novamente para conosco residir.

Nós temos experiências própria a respeito, a menos que sejamos diferentes dos demais marilienses. Isto porque, no passado, estivemos ausentes de Marília durante dois anos.

Nos contactos casuais que travamos com gente estranha, o nome de Marília vinha ocasionalmente à baila, uma vez que somos naturalmente bairristas. Aliás, isso que se chama “bairrismo”, para nós, sendo sensato, nada tem de pejorativo: pelo contrário, demonstra um certo patriotismo e amôr a um torrão.

Em conversas com gente de fóra, quasi nenhuma pessoa das quais conosco palestrou, ignorou de um ou outro modo, o progresso vertiginoso de Marília, mesmo aquelas que jamais por aquí transitaram. Um fiscal de rendas federais, residente no Rio de Janeiro, fez-nos alusões encomiosas acerca dos trabalhos da Câmara Municipal de Marília, suas iniciativas e referências minuciosas e observadoras acerca do serviço de f(l)uoretação da água de nossa cidade, numa prova insofismável que o referido cidadão acompanha de perto o andamento das comunas do Brasil. Fatos como êsses, para que gosta muito désta terra, agradam e enchem de orgulho.

Até nos hotéis em que fizemos paradas, o nome de Marília soava agradavelmente e não faltava quem perguntasse se conheciamos fulano ou beltrano.

Hoje, aquí estamos de volta. Vamos novamente “tomar pé” com os acontecimentos locais e prosseguir nossa caminhada neste órgão.

Extraído do Correio de Marília de 28 de setembro de 1957

sábado, 19 de setembro de 2009

“Férias forçadas”

O jornalista José Arnaldo, titular da coluna “De Antena e Binoculo”, esteve em “férias forçadas” por dez dias, de 18 a 27 de setembro de 1957. Por consequência, os textos dele deixaram de ser publicados pelo Correio de Marília nas edições impressas entre 19 e 27/9/1957.

Os editores

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ainda as leis e seus cumprimentos (18 de setembro de 1957)

Dissemos ha dias, que no Brasil, as leis, em sua maioria, são “tradicionalmente” desrespeitadas entre nós. Motivos palpáveis, plausíveis, não existem.

Condenaram certa ocasião, alguem, num gesto rasgado de honestidade, foi tomado como desprestigiador de nossos códigos e como anti-patrióta, quando afirmou: “No Brasil existem as mais completas leis para tudo e para todos; falta apenas uma única lei: a lei que obrigue o cumprimento das demais leis existentes”!

Efetivamente, hoje em dia, qualquer contador, qualquer advogado ou qualquer estudioso do assunto, que tenha se preocupado, uma vez apenas, em conhecer “de visu” as lei(s) referentes às aposentadorias obrigatórias em nosso país, ha de convir conosco: as leis a respeito, em sua essência, “no papél”, são completas, perfeitas.

Nossos diplomas legais a respeito, já serviram de moldes à outros paises, tão completos e bem elaborados que são. Isto para nós, não deixa de ser um orgulho; acontece que ao par dêsse orgulho, traduz-se tambem um certo pejo nacional, pelo fato de contarmos com leis tão completas e perfeitas, que, desgraçadamente, nem sempre são cumpridas em sua totalidade.

O caso de nossa conversa de hoje não é bem a lei em sua intrínsica aplicação e respeito (o que é indiscutível), mas sim o descuido (ou descaso) nas suas execuções. Exemplos marcantes temos nas diversas leis de aposentadorias, especialmente no interior. Será desnecessário dizer das fabulosas quantias que os institutos amealham mensalmente dos empregados e empregadores, das obrigações que têm, por força de dispositivo legal para com essas mesmas pessoas (especialmente com os empregados), em comparação com os benefícios reais que prestam à éssa mesma classe. Não careceremos citar nenhum exemplo, tão corriqueiras e banais são estas irregularidades (permanentes) entre nós.

Consta-nos agora, que o IAPC vai construir em Brasília um gigantesco prédio de apartamentos residência(i)s para empregados. Ficamos tão chocados com a notícia, tão aborrecidos mesmo, que não podemos nos furtar ao ensejo de protestar contra tal iniciativa. Não pela realização em si, mas pela inoportunidade de sua feitura, no sertão, onde se pretende construir a nova Capital Federal. Enquanto o IAPC irá empregar milhões e milhões de cruzeiros num edifício de apartamentos em Brasília, cidades como Marília, que possuem mais de 1.200 comerciários e que contribuem com milhares e milhares de cruzeiros anuais para êsse mesmo instituto, ficam “a ver navios”, na eterna esperança de que “algum dia” o IAPC voltará suas vistas para a classe e para a cidade.

E quando isso acontecer, podem todos estar certos, de que o referido Instituto não estará prestando aos marilienses nenhum favor e simplesmente cumprindo uma obrigação. Nesta oportunidade, fazemos um apêlo aos responsáveis pela direção do IAPC, que, igualmente como os demais institutos de aposentadorias ainda não cumpriram integralmente as leis para os contribuintes interioranos, para que estudem as possibilidades de construir-se em Marília um prédio residencial para os comerciários marilienses.

O IAPB está “ensaiando” éssa construção. Terreno já existe.

O IAPI possui um prédio. Parece, no entanto, que não chegou a completar a lacuna que dele se esperava; no entanto, o prédio existe.

O IAPETC tambem, a exemplo do IAPC não “se mexe”. Seria o caso de maior interesse dêsses institutos pelos seus contribuintes.

Porque a verdade é que enquanto o IAPC pretende construir um grande edifício para comerciários em Brasília, aquí em nossa cidade o comerciário ganha (e quando ganha) o salário mínimo e é obrigado a pagar 2 mil cruzeiros de aluguél por um rancho de táboa, afastado da cidade, embora, religiosamente, veja descontada em seus vencimentos a cóta devida ao Instituto.

O caso é mesmo de ser estudado, merecendo atenções dos responsáveis pelo mencionado órgão. Marília e sua classe comerciaria são dignos dessas atenções, que jamais representarão um favor.

Extraído do Correio de Marília de 18 de setembro de 1957

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

“Caçadores de votos” (17 de setembro de 1957)

Ninguem póde negar que têm a sua razão de ser o nosso grito de alerta, acerca da necessidade inadiável que nos urge, para que elejamos no próximo pleito eleitoral, no mínimo um deputado a Assembléia Legislativa do Estado.

Nossa campanha encontrou inclusive repercussão favorável e mereceu mesmo elogios de outros órgãos de imprensa, de vários outros pontos de nosso Estado. Serviu mesmo de exemplo para outras cidades e isto dizemo-lo sem qualquer convencimento, apenas para reforçar a sua continuidade, uma vez que justificadíssimos já estão os motivos de nosso firmado ponto de vista.

Está tecida a nossa cêrca de resistência às pretensões dos “caçadores de votos” e dos “doutores promessas”. O que ainda não foi feito e muito lamentamos, é que os círculos políticos locais ainda não tenham formado nesta trincheira oficialmente, embora alguns já tenham, pessoalmente, manifestado-se favoráveis a nossa clarinada de alertas. Precisamos mesmo formar um círculo de férro, que se traduza em altamente defensivo aos próprios e futuros interesses políticos de Marília e da Alta Paulista.

Daquí mais algum tempo, teremos o ensejo de ver aportar à nossa cidade, êsses “caçadores de votos”. Falarão “ao grande e laborioso povo de Marília”, concitando o povo a “escolher bem”, a “utilizar bem a sua arma”, votando conscientemente, em pessoas íntegras, honestas e trabalhadoras. “Escolher bem”, “utilizar bem a sua arma”, entendemos, é votar num legítimo candidato mariliense e não néssa verdadeira “quadrilha” de catadores de mentiras e engôdos, que no passado já muito abusaram de nossa tolerância, levando “no bico” milhares de eleitores marilienses.

Já é tempo de que o eleitorado mariliense seja alertado convincentemente acerca do “passo da raposa” e sua(s) manobras, nas vesperas de eleições. A credulidade do eleitorado de nossa cidade e de toda a região é passível de atingir os extremos, conforme todos sabem. essa historia de prometer camisas de futeból, empregos públicos, estradas, água, grupos escolares e muitas outras coisas, já “não péga” mais. O povo mariliense que fique de atalaia, contra esse grupo de “falsos Messias” que virão lógo rememorar as promessas passadas, com discurseiras pré-ensaiadas, que nada mais serão do que a continuação das campanhas eleitorais pretéritas. Já estamos acostumados a ver as mesmas caras, os mesmos propósitos e os mesmos métodos, apenas com uma única diferença: quatro anos mais velhos.

Que se acautelem tambem os interessados e interesseiros futuros “cabos eleitorais” marilienses, em pról de aventureiros políticos alienígenas. Ou será que aquele que sendo residente em nossa cidade e trabalhando para gente de fóra não estará colocando em segunda plana os interesses de Marília?

Todos tem direitos a aportar aquí e “dar as suas cantadas”. No entanto, aqueles que são marilienses – autênticos ou genuinos - e que se dispuzerem a formar no cordão dos “puxa puxa” de outras plagas, estarão preterindo os direitos dos marilienses que tambem devem ser respeitados.

Já estamos fartos de promessas de políticos de fóra. Queremos agora mudar o tempero. Queremos promessas de gente da casa, que devem ser obrigatoriamente mais sinceras.

Extraído do Correio de Marília de 17 de setembro de 1957

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O problema do desemprego (14 de setembro de 1957)

Ao que parece, jamais o problema do desemprego no Brasil atingiu proporções tão assustadoras como agora. A situação, embóra para muitos despreocupados não represente nada além de uma contingência dos próprios tempos, tende a trazer consequências funestas, caso não sejam tomadas providências urgentes. A verdade está saltando aos olhos de qualquer um e só os que alimentam visões otimistas e conformistas não pretendeu ver a calamidade dos fatos.

No Brasil todo, o número dos desempregados deve andar aí pela casa de mais de um milhão. Os que trabalham, hoje, já quase passam fome. Imaginemos os que não têm emprego e poucas possibilidades de consegui-lo.

Não estamos pintando de preto o já triste quadro da realidade nacional. Apenas focalizando um aspecto da própria vida brasileira, que ninguem, especialmente os homens dos govêrnos, deve continuar ignorando ou protelando. As consequências, se perdurar tal estado de coisas, poderão ser imprevisíveis.

Consta que o Sr. Presidente da República, ordenou um levantamento estatístico em todos os estados da federação, objetivando conhecer oficialmente o número dos desempregados. Perdôe-me o sr. Juscelino Kubtschek, a quase nenhuma fé que se nos apresenta para a solução, pelo menos parcial do problema. Quase estamos antevendo aquele círculo vicioso no setor burocrático, sem resultados plausíveis ou satisfatórios. Muitos funcionários serão designados para tais trabalhos, que durarão fatalmente uma eternidade. Depois de prontos tais estudos, infalivelmente será nomeada uma “comissão de estudos”, para apreciar os resultados e apresentar sugestões.

Isso demandará tempo, excluindo-se ainda as marchas e contra-marchas dos trabalhos da aludida “comissão”, a desinteligência de seus membros, o dedo político, as substituições, etc., etc..

Em São Paulo, uns quarenta mil operários foram lançados na amargura do desemprego. Consta que alguns outros mil trabalhadores tambem deixarão seus afazeres, sendo dispensados de diversas fábricas ou firmas. A inquietação domina todo o mundo paulistano. O receio de que esses milhares de desempregados, sentindo fome póssam transformar-se no futuro, tem a sua razão de ser. As contingências não pódem apresentar prognósticos “cor de rosa”. A situação está muito mais perigosa e sombria do que parece ou do que pretende parecer.

As autoridades responsáveis dos govêrnos devem meditar bem sobre a questão e providenciar o que for possivel, para evitar-se um verdadeiro cáos futuro.

O desespero e a fome originários do desemprego, por certo, não irão ser paciência para aguardar os estudos de comissões, sejam estas as quais forem. Infelizmente, a situação referida é muito mais grave do que parece e se não forem tomadas providências urgentes, poderemos futuramente, registrar fatos verdadeiramente dolorosos para todos os brasileiros.

Oxalá estejamos nós, ao escrever estas linhas, sendo pessimistas em excesso.

Extraído do Correio de Marília de 14 de setembro de 1957

domingo, 13 de setembro de 2009

“A lei, óra a lei...” (13 de setembro de 1957)

A frase dêste epígrafe foi proferida pelo então Presidente Getúlio Vargas, num de seus discursos dirigidos aos trabalhadores do Brasil.

No começo, pareceu alguma coisa contundente, o ver-se o próprio Governo Federal declarar publicamente a ineficiência do cumprimento da maioria das nossas leis vigentes. A questão, entretanto, deixou de ser observada por um outro ângulo – o da honestidade e do reconhecimento. De fato, as leis no Brasil, via de régra, existem apenas para aumentar o compêndio dos diplomas legais e nem sempre para serem aplicadas. Não por imperfeições, mas sim por menosprezo de muita gente que tem deveres e obrigações na execução e cumprimento das mesmas. Perguntem isso aos ex-combatentes da F.E.B., que, legalmente, possuem “amparo” em Lei; no entanto, todas as vezes que batem às portas dos Governos, para solicitar, não um favor, mas sim o cumprimento de um preceito legal, deixam de ser atendidos. E eles, os “pracinhas”, recebem dos governos e dos políticos, todas as vezes que o ensejo se oferece para um discurso, pomposas referências ao seu heroísmo e cumprimento do dever. Acontece que reconhecimentos verbais e discursos pomposos não dão de comer aos que têm fôme e nem mitigam a dor dos que sofrem hoje as consequências de terem participado ativamente de uma guerra. Parece que só os médicos, os que estudaram biologia e psicologia, estão em condições de avaliar o estado físico daqueles que combateram. Isto, porque, a resistência humana tem um limite e não se poderia mesmo esperar outras consequências para um corpo humano que vivesse um ano em ansiedade e expectativas, aguardando a morte de momento a momento, vendo seus companheiros caírem varados por estilhaços de granadas, impotentes para deter a assenção do sistema nervoso, passando (como o autor déstas linhas), nove meses sem dormir uma noite a fio e sem repousar sob um této, alimentando-se às vezes uma única ocasião por dia, e, muitas outras coisas mais que muitos brasileiros não compreendem ou não querem compreender.

Um regular número de maus brasileiros tem em conta de que os “pracinhas” foram à Itália “passear e ficar ricos”.

Aqueles que convivem com os ex-combatentes da F.E.B devem ter notado que estes não gostam de recordar a sua situação, não gostam de contar as passagens da guerra. Desiludidos, quasi todos chegam a ter vergonha de serem brasileiros!

Leis, hoje, no Brasil, infelizmente em sua maioria, não conseguem impôr aquele respeito sagrado e excelso, de segurança, garantia, direitos e obrigações. Desgraçadamente muitas de nossas leis têm sido desrespeitadas, especialmente por aqueles que são os principais responsáveis pelos seus cumprimentos e execuções – os homens dos govêrnos.

“A lei, óra a lei...”

Extraído do Correio de Marília de 13 de setembro de 1957

sábado, 12 de setembro de 2009

Um Deputado Mariliense (12 de setembro de 1957)

Não poucas pessoas nos têm instado a prosseguir com a campanha que vimos desenvolvendo, no sentido de esclarecer devidamente o eleitorado mariliense, para que este tenha bem viva na consciência, a lembrança da necessidade que temos, em eleger, no mínimo, no próximo pleito eleitoral um cidadão de nossa terra.

Em verdade, jamais desistiremos da idéia. Queimaremos o último cartucho a respeito. Sabemos que poderemos perder desta vez, como já perdemos no passado. Sabemos, por outro lado, que muita gente pouco se importa com os destinos e as urgências futuras de Marília, muito embora por aí ande a ufanar o peito e clamar que é mariliense. Não importa. O caso e de consciência, de reconhecimento.

Os partidos políticos podem não estar de acôrdo com o nosso ponto de vista, porque ou pretendam ter eles seus candidatos próprios, ou porque tenham necessidade de seguir determinações partidárias elaboradas “de cima”. Os partidos podem assim agir mas o povo nem sempre é obrigado a segui-los. Quem faz os partidos é o eleitorado e este sabendo o que deseja e tendo seu ponto afirmado e o propósito firme de mandar ao Palácio 9 de Julho um mariliense, de nada valerão os acertos e os entendimentos políticos. Urge, portanto, que o povo se precavenha e atente para necessidade de ter seu lidimo advogado no Parlamento, uma vez que até aquí, Marília têm sido órfã nas assembléias.

Continuaremos repetindo aquilo que sempre afirmamos neste canto de página, para que não pairem dúvidas acerca de nossa caminhada, de nosso ponto de vista: nestas colunas, não daremos guarida a nenhum candidato de fóra e combateremos os locais, se o número de candidatos ultrapassar a dois. Isto, porque iremos perder tempo, iremos incorrer nos erros anteriores.

O eleitorado mariliense está suficientemente esclarecido e tem exemplos marcantes do passado, para saber reparar em tempo hábil, os enganos cometidos. A dispersão de votos, em pról de candidatos alienígenas deverá registrar esta vez índices relativamente menor. Os próprios “cabos eleitorais” improvisados, esses que mais aparentam alimentar interesses pessoais, estejam “com as orelhas em pé”, porque os próprios marilienses bem intencionados e verdadeiramente amantes desta terra, estão “de olho” naquelas pessoas, já conhecidíssimas.

Pensamos ser injusto, o mariliense – autêntico ou genuino –, que aquí vive e aquí reside, sair a rua, para apregoar nomes alienígenas de “doutores promessas” e “caçadores de votos”. Não que pretendamos impedir tais acontecimentos, mas apenas alertas o dever de consciência do fato. Tambem não temos a pretensão de coagir o eleitorado ou obstar direitos de qualquer cidadão. Estamos apenas fazendo a lembrança. Os que a aceitarem, terão prestado um favor e um reconhecimento, não à nós, mas sim à Marília e seu próprio povo.

Extraído do Correio de Marília de 12 de setembro de 1957

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O negócio é o seguinte (11 de setembro de 1957)

Tinhamos dado como encerrado, o “caso” dos direitos das mulheres, presentemente discutido em assembléia feminina levada a efeito no Rio de Janeiro. O comentário inicial, não foi propriamente idéia nossa, e, obedeceu antes de mais nada, à uma solicitação por escrito, assinado por M.L.R.. Posteriormente voltamos a focalizar a questão, ainda em virtude de nova correspondência do mesmo (ou mesma) missivista.

Mais cinco cartas chegaram até nós, versando sobre idêntico assunto. Quatro foram assinadas por mulheres, todas a nosso favor e a outra continuou a trazer as iniciais M.L.R.. As quatro correspondências primeiras, com nomes e endereços completos, algumas até com o número do telefone, atiraram algumas “pedrinhas” sobre a idéia de M.L.R., que, no entanto, em sua missiva, voltou a chamar-nos de “inimigo das mulheres”. A cartinha de M. L. R., desta vez foi mais “impetuosa”, mais arrogante, um pouquinho mais “picante”. Porém, sem alguma essência ou base que nos convencesse a pensar de módo diferente daquilo que anteriormente haviamos externado. Cremos ser desnecessário continuar repetindo que somos favoráveis aos direitos iguais dos homens e mulheres. Mas iguais, em tudo. Seria interessante ver mulheres lixeiras, legistas, coveiras, etc.

Bem, mas o “negócio” é o seguinte: Vamos agora demonstrar algo do que realmente pensamos dêsse assunto de direitos iguais, de homens e mulheres. Não póde ser. Não póde ser, porque as mulheres não querem em verdade igualdade de direitos, quando, perante a sociedade elas já dispõem de mais direitos e vantagens do que os homens. A(s) mulheres já nascem com u’a missão das mais elevadas que se poderia desejar: procriar. Póde existir coisa mais sublime do que isso? Além de amamentar e criar os filhos, de cuidar da casa, de servir os maridos, as mulheres executam ainda mais duas missões de nobilíssima representação dentro do desenvolvimento e das necessidades da própria vida: o magistério e a enfermagem. As primeiras, que incutem nas mentes das crianças as luzes do saber, as coisas magnas da história e da ciência; a segunda, que mitigam a dor e confortam os doentes. Isso já não seria suficiente para a mulher sentir-se feliz e satisfeita?

As mulheres chamadas (ou consideradas) “modernas”, pensam diferente. Principalmente as casadas, cujos maridos possuem boas condições financeiras. Fumam, bebem “whisky”, usam calças compridas, já aboliram as tradicionais combinações, usam cabelos como homem e não saber cuidar da casa. Dirigem automóvel, jogam “pifpaf”, discutem e se metem em política, mas não sabem fazer crochê ou tricô, como não sabem temperar um bom bife ou fazer uma “maionese”; algumas não sabem nem siquer dar banhos nos próprios filhos.

As crianças ficam brincando em Parques Infantis, “play grounds” ou sob os cuidados de pagens, enquanto as “madames” ficam dia inteiro na rua, sob o pretexto de fazer compras, uma excelente invenção para elas e uma desgraça para os bolsos dos maridos.

Hoje em dia, até o sublime leite materno é abolido em muitas ocasiões de muitos recém-nascidos, porque é mais fácil telefonar para o médico pediatra, este prescrever um leite em pó e a empregada preparar a mamadeira!

No Rio, não ha muito, um juiz de direito do sexo feminino, “pegou um bonde errado” ao meter-se com David Nasser. Não foi prestigio do jornalista, não; foi incompetência mesmo e idéia fixa de querer fazer prevalecer um capricho bem feminino, relegando aquilo que se chama direito e está expresso nos códigos.

As mulheres devem ter mesmo os direitos iguais. Mas em todos os sentidos, inclusive sustentar os maridos. Confessamos que sentiriamos um prazer infindo, em sentarmo-nos numa cadeira de engraxate e dar uma gorgeta a u’a mulher que nos polisse os sapatos, por exemplo. Ou que tivessemos, dentro de nossas condições de reporteres, de presenciar ao desenterro de um cadaver depois de duas semanas, para assistir u’a mulher fazer a autópsia, em lugar do Dr. Xisto.

Uma coisa, no entanto, as mulheres que se reuniram no Rio não cogitaram: o direito de trabalhar como os homens – na picareta, na enxada, carregar sacos, trabalhar em necrotérios e ser guardas noturnas!

Para sermos francos, confessamos que gostaríamos que isso acontecesse, porque, realmente, as mulheres já tem direitos maiores do que os homens. Só então poderiamos modificar o adágio de que “nu’a mulher não se bate nem com uma flôr” poderiamos bater de cacetes ou de outro meio, uma vez que atualmente, somos obrigados a apanhar e ficar quietos.

Os leitores já pensaram como seria “gozado” as nossas mulheres fazendo os nossos trabalhos e nós fazendo os delas? Apostamos que os serviços de casa sairiam iguais, nós inventariamos um jeito de cansarmo-nos menos e elas “entregariam os pontos” logo de saída...

Extraído do Correio de Marília de 11 de setembro de 1957

domingo, 6 de setembro de 2009

O doente e o doutor (6 de setembro de 1957)

O Presidente da República, como médico que é, entendeu de curar a encefalite daquilo que éra de mudar-se a Capital do Brasil. Prescreveu o medicamento e fez a sua imediata aplicação. Esqueceu-se entretanto, que “dar tempo ao tempo” tambem é remédio. Não esperou a reação do paciente, não teve muita calma para aguardar o tempo necessário à irradiação da droga e a observação da mesma pelo organismo, para que o doente pudesse apresentar melhorias gradativas. Superlotou o doente de anti-bióticos, excedeu-se na aplicação de anti-tóxicos. Por outro lado, abusou da ministração de alcalóides. O doente principiou a esboçar uma reação. Reação natural, temporária, com muita glicose, terramicina, cálcio, extrato de fígado, cânfora e algumas pitadas de coramina.

Aparentemente o doente está reanimando-se dia a dia. Tudo faz crer que se reerguerá em definitivo. A junta médica que se reuniu para acompanhar o caso, não póde dar palpites. O sr. Juscelino é o cirurgião-chefe da referida junta e sua opinião prevalece. Alguns facultativos déssa junto já perceberam que o doutor está cometendo alguns erros. Erros graves. O facultativo está lançando mão de todos os recursos possíveis. A família do doente está ficando mais doente do que ele próprio. Seus recursos financeiros estão na lona. O médico não vê isso. Obcecou-se, praticamente. Estão sendo gastos 10 milhões de cruzeiros por dia. Acontece que a família já está duvidando se éssa fabulosa importância é toda aplicada em drogas e medicamentos. Os familiares estão até propensos a pensar que já existe muita gente comendo na mesma marmita – farmaceuticos, enfermeiros, etc. Toda a gente, todos empregados do hospital. Até visitas.

O médico, no entanto, prossegue na caminhada. Talvês não tenha éssas intenções, mas o resultado, invariavelmente, será êste: poderá curar o doente, mas estinguir com os resultados de toda a família.

Muita gente, amiga da família, acompanhando de fóra o andamento dos fatos, não conhecendo bem a realidade das coisas, está tendo ótima impressão do doutor. O homem, para éssa gente, está sendo um despreendido, um abnegado, um colosso. Essa gente não se deu ao trabalho de analisar a aflição e as finanças da f(a)mília. Está com suas vistas voltadas para a saude do aludido paciente, acompanhando seus “progressos” vertiginosos!

O processo não é muito recomendável. O médico está mostrando inépcia e obscuridade profissional. Concentrou-se na idéia de tal maneira, que pouco se lhe dá se a família do doente vá ou não para o buraco. Ele pretende “levantar” o paciente, mesmo à custa do impossível. Se conseguir isto, mesmo que a família fique na miséria (como já está, apesar das grandes propriedades que possui, infelizmente mal administradas), terá assegurado um mito futuro – o mito de saber curar. Isso, ao que parece, é apenas o que interessa ao aludido facultativo. O résto é potóca, pensará, por certo, sua excelência.

Póbre doente e desgraçada família!

Extraído do Correio de Marília de 6 de setembro de 1957

sábado, 5 de setembro de 2009

Não devemos “dormir de botinas” (5 de setembro de 1957)

Efetivamente, os eleitores marilienses não devem e não podem “dormir de botinas”, no que tange à eleição de um deputado estadual, no mínimo.

Temos meios e forças suficientes, para mandar até dois deputados ao Palácio 9 de Julho e possibilidades indiscutíveis de eleger um deputado federal. Tudo depende de nós próprios, de nossas consciências, de nosso amôr por Marília e pela região da Alta Paulista.

Outro dia, transcrevemos nesta secção, um artigo assinado por Tabajara Solimões e publicado pelo jornal “A Época”, de vizinha cidade de Pompéia. Transcrevemos o mencionado artigo, por alta recreação, uma vez que apreciamos o seu conteúdo e vimos, não as entrelinhas mas sim o seu inteiro teôr, muitas verdades, que deverão merecer as atenções dos políticos de nossa cidade, e, especialmente, dos diretórios municipais locais.

Não encontramos uma única pessoa que conosco conversasse a respeito, que não estivesse de acôrdo com as assertivas do Tabajara Solimões. Devemos até agradecer ao mencionado cronista, o ter-nos prestado um excelente obséquio, alertando as correntes políticas de Marília, para o fato do isolacionismo com que até hoje Marília tem se colocado, em relação aos demais centros. Aquele comentário dá bem uma idéia de que, além dos votos que os prováveis (ou provável) candidatos (ou candidato) de nossa cidade contem (ou conte) por parte do eleitorado mariliense, poderão nessas cifras ser aumentados outros tantos sufrágios de diversos centros da região, que seriam, assim, tambem beneficiados.

Continuamos ainda repetindo e alertando os nossos dirigentes políticos, para que estudem esse pormenor, bem como para que se reunam entre sí, cogitando de nomes para as próximas eleições. Mas não um nome de cada partido e para cada partido, porque assim incorreriamos nos erros pretéritos e continuariamos na mesma situação. Marília não deve lançar mais do que dois candidatos à deputação estadual, se quizer aproveitar as possibilidades de corrigir os erros cometidos anteriormente.

Nésta coluna, candidatos alienígenas não terão guarida. Pelo contrário, procuraremos alertar o público local, para que não “vá na onda” de aventureiros políticos, de “caçadores de votos” e de “doutores promessas”.

Sabemos que já existem dois “cabos eleitorais” na cidade, um dos quais já recebeu material de propaganda de um candidato de fóra, estando pronto para iniciar a “ofensiva” na cidade. Por nosso lado, nós tambem já estamos de atalaia para o contra-ataque, em têrmos e sem menosprezar o desrespeitar os direitos desse candidato. Acontece que nossa campanha ainda não está terminada e iremos até o final. Vitoriosos ou vencidos, iremos até o último momento da oportunidade.

Extraído do Correio de Marília de 5 de setembro de 1957

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Hosana a Dom Hugo (4 de setembro de 1957)

Está em festas hoje a Diocese de Marília. Dom Hugo Bressane de Araújo, Arcebispo-Bispo local, está aniversariando nésta data. Quasi que obrigatoriamente, todos os marilienses participam da efeméride, com imensa satisfação. As datas natalícias das pessoas estimados, são comemoradas condignamente, numa integral comunhão de alegria e louvores aos céus, para que tenham infinda continuidade. O dia de hoje é assim.

Dom Hugo tornou-se querido e respeitado em Marília, não só pela importância de seu valor moral de Príncipe da Igreja, como tambem pela magnificência de sua pessoa, sua lhaneza de trato e sua inatingível personalidade. Humilde, apesar de sua grandeza representativa, o ilustre aniversariante não é um obrigacionário da Igreja Católica apenas; é, antes de tudo, uma estrela espiritual que paira sobre os lares da grande família católica de nossa não menos grande cidade.

Poucos se deram ao trabalho e cuidado de apreciar o grande sacrifício cotidiano de nosso Bispo Diocesano, as suas enormes responsabilidades perante seu gigantesco rebanho de fieis, a sociedade, a Pátria e a Igreja. O sacerdócio não póde ver imposto ou adaptado. Deve ser vocação natural. Esse é o caso de Dom Hugo. Uma vida inteira dedicada à Santa Igreja, ao bem estar geral, a divulgação das Leis de Deus, através da pregação do Evangelho, ministrando bons exemplos e bons conselhos, pregando a Fé e a fraternidade e servindo, acima de tudo, ao Senhor. Além dessas virtudes, Dom Hugo possui outras ainda maiores, tão apreciadas por Deus – simplicidade, humildade, respeito ao próximo e espírito de sacrifício.

É porisso que Marília e a família católica de Marília estão em festas no dia de hoje. As razões são múltiplas. Os motivos são de verdadeira alegria, porque podemos dizer que somos uma cidade privilegiada. Muitos outros centros gostariam de contar entre sí, com um poder espiritual como o de Dom Hugo Bressane de Araujo. Humanitário, de irretorquível espírito filantrópico, de intocável valor moral, Dom Hugo leva uma vida inteira de preocupações, comungando com as dificuldades, a miséria e as necessidades do próprio povo. Sua presença é um estímulo, um calor de fé. Sua figura, sempre simpática, é a própria garantia de bons costumes, de bons exemplos, de fraternidade e solidariedade humana; de Fé em Deus e confiança nos homens e na preservação do verdadeiro cristianismo. Seus conselhos, suas palavras de fé, constituem-se num bálsamo para o espírito e num bem para o corpo. Sua palavra ameniza e suavisa a alma, conduzindo a Deus. Sua fé reconforta e desperta. Sua bondade é grata e seus gestos uma garantia moral das mais sublimes e elevada.

Porisso, condignamente será comemorada hoje e grata efeméride. O natalício de Dom Hugo, apesar de que ele próprio é averso à festas e pompas, será condignamente festejado. Não com tantos banquetes e festividades de arromba, mas com a presença e carinho de todas as associações religiosas, de todos os católicos, de todo o povo mariliense. Com solenidades simples e sinceras, porque ele próprio não póde evitar éssa manifestação de alegria do próprio povo que o estima, respeita e admira o que o cercará hoje ainda mais de carinho e simpatias. Nenhum daqueles que participa dos acontecimentos de hoje, indo apresentar ao ilustre aniversariante as suas felicitações, estará fazendo favor algum. E éssas manifestações tem ainda maior valor, porque são espontâneas, bem intencionadas, sinceras. Nêste ensejo, nós que temos Dom Hugo como pastor espiritual e como amigo tambem, com a graça de Deus, daquí nos solidarizamos com todos as manifestações de apreço que serão tributadas ao feliz aniversariante, juntando tambem, humilde, mas sinceramente, os nossos mais verdadeiros votos para que Dom Hugo continui por muitos anos ainda, a ver passar datas semelhantes, sempre ao convívio da gente mariliense, sempre servindo a Deus, e nosso povo, indicando-nos sem descanso o caminho do bem, o caminho que conduz à Deus.

Extraído do Correio de Marília de 4 de setembro de 1957

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Opiniões & Opiniões (3 de setembro de 1957)

Em nosso artigo de sábado, referimo-nos a uma consulta que nos foi endereçada por carta, por um leitor ou leitora que se assinou M. L. R., fizemos um comentário acerca do movimento feminino óra em curso no Rio de Janeiro, visando a igualdade de direitos entre os homens e as mulheres.

Voltamos a receber carta de M. L. R.. Desta vez, u’a missiva “enfezada”, fazendo-nos crer ainda mais que as correspodencias referidas sejam de leitora e não de leitor. M. L. R. protesta veementemente com “as brincadeiras de mau gosto” que emitimos no artigo referido. Acontece que não existiram tais brincadeiras de mau gosto, uma vez que tratamos do caso com seriedade. A cartinha, com um misto de delicadeza e de austeridade, apresenta uma “bronca” de tamanho regular. O missivista (ou missivista), tem lá as suas opiniões a respeito do assunto; nós temos as nossas.

Perguntamo-nos M. L. R. se existe “algum mal” em as mulheres terem direitos iguais, “como nos países mais adiantados do mundo”. Nenhum, achamos. O mal existente é que as mulheres não querem direitos iguais e sim escolher os melhores direitos. Direitos iguais são os de modo geral, cujos exemplos citamos em nosso artigo anterior. E isso não é possível, pelo que pensamos, embora até gostássemos que isso acontecesse. As mulheres de hoje já invadiram uma porção de atividades masculinas. Na guerra, prestaram inestimáveis serviços aos países beligerantes, servindo inclusive como choferes de ônibus e nas fábricas bélicas. Mas aí não se tratou de “direitos” e sim de obrigação patriótica. M. L. R. nos indaga ainda se desconhecemos o sagrado desígnio das mulheres, tornando-se mães. Longe disso: é a maior e a mais sacrossanta função da mulher. Não sabemos se houve alguma intenção nessa pergunta, mas utilizando-nos agora de um direito feminino que dizem por aí ser a malícia, respondemos que jamais um homem teve ou terá a pretensão de ter filhos.

M. L. R. louva a atuação das encabeçadoras do movimento, “essas pioneiras de um acontecimento de grande relevância que transformará por completo a vida dos povos”. Jamais combatemos o movimento, M. L. R.. Veja o nosso artigo anterior com mais cuidado.

A carta traz ainda mais algumas sugestões ou queixas amarguradas, fazendo-nos pedido de que façamos “um exame de consciência antes de atacar uma iniciativa tão nobre e necessária”. Atendemos o apêlo. Fizemos um exame de consciência e achamos que estamos certos. Agora, o retorno do pedido: faça também M. L. R. um exame de consciência.

Para finalizar: Pensamos que as mulheres só deveriam aspirar coisas semelhantes, depois de verdadeiramente capazes de cumprir seu real papel. Hoje nem tôdas as mulheres sabem cumprí-lo. Hoje em dia, nem tôdas as mulheres, mesmo casadas e mães de família, sabem cozinhar, lavar uma camisa branca e engomar bem um colarinho, costurar um vestido ou fazer um pulôver. Isso são obrigações comezinhas. Poderíamos citar outras.

Conhecemos um caso de uma senhora da cidade, que tendo ganho um bebê, declarou aos presentes embasbacados, que iria arrumar um “babá” ou “ama de leite” para alimentar a criança, para não “deformar a plástica”. E essa mesma mulher, ao que estamos informados, é francamente favorável à igualdade de direitos das mulheres e dos homens.

Se os exemplos não servirem, poderemos citar outros.

Extraído do Correio de Marília de 3 de setembro de 1957