sábado, 28 de maio de 2011

PARABÉNS, COPEBAN! (28 de maio de 1959)

Os leitores já perceberam, certamente, que temos imensa satisfação em abordar assuntos relacionados direta ou indiretamente com o dinamismo dos marilienses ou o progresso de nossa cidade. Desde que iniciamos a publicação desta coluna diária, sempre tivemos essa preocupação e só na ausência de um motivo plausível para ocupar o espaço que nos é reservado pela direção do jornal, é que abordamos outros temas ou outros assuntos, preferencialmente considerados de oportunidade, de momento.

Porisso, nos ocupamos hoje, em tecer uma palavra elogiosa a um organismo que está perfeitamente consolidado no próprio patrimônio moral e econômico de Marília. Referimo-nos ao Cooperativa Banco de Marília Ltda., estabelecimento de crédito genuinamente mariliense que amanhã, 29, completará dezessete anos de profícua existência.

Se, de um lado, podem os marilienses, ligados ou não ao citado órgão, analisar uma vida verdadeiramente elogiável, de um estabelecimento bancário que teve e tem trajetória ímpar, justo é que seja atentando para o fato de que duas razões primordiais foram as causas dessa caminhada de sucessos e firmeza perante a opinião pública, não só daquí, como também de fóra. De uma parte, a própria estrutura das bases estatuárias do Copeban, inteiramente pregueadas de uma sadia e sábia orientação, objetivando em primeira plana, o cooperativismo agrícola. De outra, a solidez do próprio alicerce moral do estabelecimento, advinda de um grupo de marilienses probos e idealistas, secundada pelo trabalho eficiente de um competente e atencioso corpo de funcionários. De outra, ainda, o rosário de realizações já consolidadas, constituindo um ról de louros dentro das funções especificas do organismo. Ainda, se outra parte, o calor, prestigio e incentivo dos marilienses em geral, gente que sempre soube e foi capaz de acercar-se das boas causas citadinas, aproximando-se das realizações de vulto, destinadas a mostrar à Marília e aos forasteiros, o pulso firme de nossa gente e o espírito de fraternidade e de união de todos nós.

Como todos os empreendimentos, também o Copeban tem a sua odisséia, deparou com as dificuldades e percalços naturais de origens primárias. A orientação e os trabalhos de um grupo de marilienses, o calor do prestigio público, a linha de conduta do estabelecimento e os resultados gradativos apresentados pelas realizações palpáveis, colocaram-no num nível elevado, que, guardadas as devidas proporções, equipara-se aos mais sólidos e respeitáveis estabelecimentos do gênero.

Contando com um eficiente laboratório de análises de terras e com outros diversos departamentos específicos, destinados a proporcionar aos lavradores os mais fáceis recursos e as mais claras orientações e assistência, no que tange aos últimos progressos científicos das pesquisas do sólo e do melhor aproveitamento da agricultura, o Cooperativa Banco do Marília lavrou em nossa região um tento dificilmente igualado. Mas o Copeban não dorme sôbre louros de vitórias e não fica só nisso. Sua diretoria, ativa, continua estudando todos os meios possíveis de aperfeiçoamento cada vez maior da organização, quer expandindo-se, quer melhorando as suas finalidades de atendimento ao público e seus cooperados.

Ao ensejo dos 17 anos de vida do Copeban, nossos parabéns.

Extraído do Correio de Marília de 28 de maio de 1959

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Pão & Circo (27 de maio de 1959)

Em nossa cidade, ultimamente, o preço do pão subiu por um meio indireto, apesar de não ter passado despercebido a ninguém. Não subiu a cotação do tabelamento, tendo, em compensação, diminuído sensivelmente o tamanho do produto, o que deu na mesma para o consumidor; deu na mesma, não; piorou muito, porque o pão “encolheu” admiravelmente entre nós.

Os panificadores justificam as razões dêsse aumento indiréto, que atingiu diretamente o público consumidor, em face da alta do custo da farinha e em decorrência de dificuldades na aquisição dessa matéria prima. Percebe-se no caso, dois motivos distintos; ou a margem de lucros não obedece a um limite fixo e razoável, ou existe um erro de origem, no que tange a um melhor disciplinamento de distribuição de cótas pelas moageiras ou firmas distribuidoras. Consta-nos até que alguns distribuidores, para a venda da farinha de trigo, estão exigindo um “tanto por fóra”, não computado nas competentes notas fiscais. Se verdadeira é a versão aludida, além da “operação lesa fisco” que decorre de tal fato, onera-se o público de maneira mais acentuada, porque a manipulação dêsse precioso alimento, deverá apresentar um lucro, além do normal calculado em face ao custo, despesas e impostos, para que seja possível ao industriário obter a compensação do “quantum” pago oficiosamente.

A situação, pelo que se póde notar, tente ainda a piorar. Não há muito, o “Pastifício Marília” alertou os marilienses, acêrca da viabilidade de encerrar o fabrico de suas massas, em virtude de dificuldades de obtenção de farinha. Tal fato não deverá estar sendo verificado apenas em Marília e sim no Estado todo, é lógico. Para agravar ainda mais a situação, garantem os estatístico que a produção dêsse cereal nos Estados sulinos, está decrescendo de maneira fantástica.

Até há pouco, a produção de trigo no sul do país, especialmente no Rio Grande, vinha aumentando gradativamente e o produto nada ficava a dever, em qualidade, aos melhores de diversos países do mundo. E o trigo brasileiro apodrecia na fonte produtora, por falta de bons preços aquisitivos ou por deficiência de transporte.

Somos mesmo um povo às avessas em muitos sentidos, não há dúvida. Os govêrnos (atual e pretéritos), jamais se preocuparam de maneira decisiva, a amparar a cultural do trigo nacional, garantindo-lhe um preço mínimo por ocasião das safras, com a fixação do preço této no comércio, de maneiras a que o lucro de certos intermediários fosse delimitado razoavelmente, sem que dos costados do público brasileiro continuassem a sais mais tiras de couro.

Por outro lado, se tal acontecimento se tornasse realidade (uma vez que é indiscutível necessidade), poderíamos nós, em poucos anos, colher o trigo necessário ao consumo interno, fazendo mesmo frente ao mercado exterior e economizando muitos milhares de cruzeiros em divisas.

Apesar da grave, o problema não conseguiu ainda despertar a consciência de brasilidade de govêrnos e legisladores, pois aqueles mais se preocupam em demagogias, pomposidades e inaugurações e êstes se interessam mais em adquirir caríssimos “cadillacs” ao câmbio oficial. À eles e não a nós, caberá a responsabilidade do futuro, que se antevê negro nesse particular.

E dizer-se que o Brasil já foi exportador de trigo!

Extraído do Correio de Marília de 27 de maio de 1959

terça-feira, 24 de maio de 2011

Produção & Lucros (24 de maio de 1959)

Não foram poucos os govêrnos, que, em suas plataformas políticas, focalizaram de maneira entusiástica, o trinômio “produção, transportes, alimentação”.

Igualmente não foram poucas as explorações que em tôrno dêsse verdadeiro conjunto étnico giraram, dando “cartaz” a alguns e “acabando com a saúde” de outros.

Pelo que vimos até aqui, desde que nos conhecemos por gente, nesse particular, foi exatamente algo de abjeto, algo de descontrolado, muito de condenável. No Brasil, desgraçadamente, mercê do desapôio à lavoura e em virtude da falta de amparo oficial no que tange ao financiamento, fornecimento de sementes, adubos e inseticidas, sem contar-se com as dificuldades de obtenção e os preços proibitivos de máquinas e implementos, as coisas caminham para traz, como os caranguejos. Quando maior é a safra anual de determinados cereais, mais caro se torna o produto e mais ricos ficam os intermediários, empobrecendo-se mais ainda os produtores, principalmente os pequenos.

Quando o problema se apresenta sob outra faceta, isto é, quando a produção “aparenta” ser insuficiente para o consumo interno, de determinadas regiões, recorre-se ao sistema de “importação interna”, proporcionando, em certos casos, maiores e melhores lucros aos intermediários, que desviam as mercadorias, por diversos tipos de transporte, para os centros onde a falta é mais acentuada, os preços melhores e o dinheiro mais sonante.

De qualquer modo, o público consumidor é o que sempre “paga o pato” com essa “marmelada” tôda, com essa falta de desgoverno.

Hoje em dia, o fenômeno da ganância não tem paralelo. O intermediário (salvo os que não podem fazer mais porque o capital ou o crédito não sejam mais elásticos), com poucas exceções honrosas, não tem limites à ganância de lucros. Vez por outra, tomamos conhecimentos de “estouros” comerciais dêsse jaez.

Com respeito a êsses “estouros”, justo é que se procure no fundo da análise serena e neutra, as razões. Não raro, o acontecimento não foi marcado únicamente por uma “falta de sorte”, por uma “infelicidade”; o fato teve outra origem: o comerciante intermediário, parafusou planos por demais elevados; empregou a fortuna que dispunha e a que não dispunha também, não com o fito de abastecer o mercado, mas com o intuito de ganhar numa só safra, o que deveria ganhar em cinco ou dez anos. Pode dar-se o caso de que, no ano em aprêço, “o tempo correr bem” e a “coincidência” de “todo mundo” plantar em maior escala um único tipo de cereal. Então desmoronam-se os castelos da ambição desmedida. Os compromissos assumidos e os “financiamentos” oficiosos (que objetivaram prender as safras dos produtores, antes de revestirem-se daquele verdadeiro sentimento e do espírito de auxílio), obrigam os comerciantes dêsse tipo, a “aceitarem” as colheitas. Os armazéns se abarrotam e a saída torna-se ínfima, por dois motivos: porque a safra satisfez e porque havendo fartura, os preços não podem ser ditados a bel prazer e como muitas pessoas não se contentam com u’a margem de lucros de fundo real e razoável, querendo verdadeiras grandezas (embora com “choradeiras”), verificam-se os “encalhes”, ao mesmo tempo que os compromissos prescrevem em seus prazos.

Tudo isso, é um fenômeno crônico no Brasil e nenhum govêrno, até hoje conseguiu contornar a situação, porque não existiu ainda, na prática, um plano de equidade produtiva, com respeito a divisões ou sub-divisões regionais, considerando-se o consumo e uma porcentagem acima, que poderia ser exportada, conforme o caso. Porque, também, jamais existiu na realidade, na prática e com autêntica e séria fiscalização, a ação governamental que além de financiar e facilitar os pequenos produtores, lhes garantisse o preço mínimo, discriminando na ocasião o preço máximo do produto para o mercado consumidor, fixando, é lógico, o lucro honesto para os intermediários, os atacadistas e varejistas.

Sem isso, nada feito.

Extraído do Correio de Marília de 24 de maio de 1959

domingo, 22 de maio de 2011

Após o Pôsto, o Ambulatório (22 de maio de 1959)

Comentamos em nosso escrito de ante ontem, a rápida palestra que travamos há pouco, com o Sr. Zoroastro Francisco da Silva, Inspetor Regional do Sesi na cidade de Baurú. E, ao ensejo, delineamos o pensamento daquele funcionário para com a campanha que ultimamente vimos promovendo, objetivando dotar Marília de mais um Pôsto de Abastecimento do Sesi e de um moderno e eficiente Ambulatório Médico-Odontológico do mencionado organismo.

Após termos focalizado a questão de mais um Pôsto de Abastecimento, cujas perspectivas presentes são as mais otimistas (tanto que deram razão à vinda daquele cidadão à Marília, com o fim especial de estudar o assunto), abordamos o Sr. Zoroastro, com referência ao Ambulatório, lacuna há muito reclamada entre os industriários marilienses. A respeito, assim se manifestou o mesmo:

“Vamos conseguir tudo isso, pelo sistema de etapas, primeiro o Pôsto de Abastecimento, depois o Ambulatório Médico”.

Indagamos, então, sôbre as possibilidades positivas dêsse segundo atendimento. Nosso amigo nos asseverou que são as mais palpáveis possíveis. Tanto assim que ele próprio havia realizado um levantamento estatístico de Marília, com respeito à sua densidade demográfica, porque industrial e número de operários, para aquilatar e provar com cifras, as razões de um parecer favorável.

Não conversamos, é bom que se esclareça, com um político em véspera de eleições. Nosso colóquio foi com um funcionário público que aquí aportou para desincumbir-se de u’a missão especifica. Embora não venha a ser ele próprio o responsável único para essa nossa reivindicação, justo é que confiemos em suas palavras manifestamente bem intencionadas para conosco e que tenhamos uma certa confiança nas declarações daquele cidadão, que nos foi apresentado pelo delegado local do Ciesp, Sr. José Lorenzetti. De qualquer maneira, o referido servidor assumiu para conosco, mesmo oficialmente, um certo compromisso moral e é bom que deixemos isso claro, à guisa de lembrança e com uma prova de que acreditamos e confiamos no mesmo.

Sôbre o Ambulatório, declarou-nos ainda o Sr. Zoroastro Francisco da Silva, ser necessidade premente para Marília e sua classe industriária. Na ocasião, nosso amigo teve até palavras elogiosas para com a cidade e seu progresso, o que nos desvaneceu, porque nós, quando ouvimos falar do dinamismo de nossa cidade e do espírito empreendedor de nossa gente, ficamos satisfeito, assim como pai do primeiro filho, ao ver um estranho acariciar e brincar com o rebento.

Acontece, no caso, que embora tenhamos depositado confiança nas declarações do Sr. Zoroastro, reconhecemos que ele sosinho não deverá ser a pessoa que aquinhoará Marília com êsses melhoramentos pleiteados e referidos. Sal parte, nos garantiu, será feita com todo o carinho e consideração devidos aos industriários marilienses. Assim, pois, mistér se faz que os marilienses continuem a nos auxiliar nessa caminhada, empenhando apêlos à alta diretoria do Serviço Social da Indústria, para que a promessa citada não venha a “ficar no tinteiro” ou não venha a permanecer em “banho maria” por muito tempo.

Em face dos dados numéricos e irrefutáveis que ontem divulgamos e que foram constatados “in loco” pelo Zoroastro Francisco da Silva, além das necessidades de uma grande classe, mais forças teremos agora para continuar clamando por tais atendimentos. E isso faremos.

Extraído do Correio de Marília de 22 de maio de 1959

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ainda o Pôsto de Abastecimento do Sesi (20 de maio de 1959)

Nossos escritos acêrca da indiscutível necessidade, em ser instalado em Marília mais um Pôsto de Abastecimento do Sesi, continua a encontrar repercussão favorável. Abordamos o assunto em referência, após termos observado que o estabelecimento dêsse pórte, já existente entre nós, vem prestando serviços inestimáveis aos industriários marilienses, colaborando, diretamente, com os orçamentos domésticos daqueles que trabalham nas indústrias locais. Por outro lado, constatando também que os benefícios usufruídos pela citada classe, não apresentam compensação total em comparação às cifras aquí arrecadadas, tivemos no caso, mais uma razão e uma nova fôrça para continuar a reivindicar o citado melhoramento.

Divulgamos e demos ciência, aos nossos leitores, das manifestação de aprêço e apôio que a respeito tivemos o ensejo de receber, inclusíve os aplausos do dinâmico delegado do CIESP local, Sr. José Lourezetti. Ontem (19/5/1959), fomos procurados pelo Sr. Lorenzatti, que nos apresentou a pessoa do sr. Zoroastro Francisco da Silva, Inspetor Regional do Sesi em Baurú, aquí chegado com a missão especial de verificar as possibilidades do atendimento de nossos reclamamos, agora já secundados por outras autoridades e entidades. Da rápida palestra que mantivemos com aquele zeloso funcionário, ficamos cientes de suas intenções em trabalhar também para o desfecho final satisfatório de nossa reivindicação. Tanto assim, que o mesmo senhor mostrou-se bastante otimista com respeito ao assunto, tendo feito um levantamento da situação de Marília perante ao Sesi e a classe industriária local, concluindo ser perfeitamente viável e indiscutivelmente necessário êsse atendimento.

Efetivamente, possuímos alguns dados capazes de justificar os motivos dessa luta, que, de maneira alguma é nossa ou da mesma temos interesse terceiro ou pessoal; no caso, nossa única intenção é solicitar para Marília aquilo que a cidade reclama com razão.

Vejamos então o caso que nos dá autoridade a clamar por essa melhoria. Temos atualmente em Marília, 272 indústrias, sendo 180 grandes e 92 pequenas. Nessas indústrias, 2.524 operários registrados exercem atividades diversas (392 nas pequenas e 2.132 nas grandes indústrias). O Sesi arrecada, só através do IAPI, a importância de 140 mil cruzeiros mensalmente, em números redondos, aquí em Marília.

Querem ver agora os leitores, quantas pessoas atende o único Pôsto de Abastecimento do Sesi que possuímos? Pois bem: 2.524 operários, tem as suas famílias e calculando-se, por baixo, cada família de 3 pessoas em média, temos 7.572 pessoas servindo-se do Pôsto de Abastecimento do Sesi, só no setor da indústria. Êsse número sófre atualmente um acréscimo de mais ou menos 5.000 pessoas, correspondente a 1.713 inscrições junto ao Sesi, realizadas por intermédio de contribuintes do IAPETEC, somando, então, a cifra de 12.572 almas. Este número, entretanto, de conformidade com os esclarecimentos que nos foram prestados pelo Sr. Zoroastro Francisco da Silva, tem um adicional de mais ou menos 5.200 outras pessoas, que usufruem benefícios de abastecimento no Pôsto do Sesi e que são os empregados de oficinas de reparação e consertos, não considerados, em toda a expressão, como industriários. Daí, o número citado, passa a ser de 14.772 pessoas legalmente em condições de gozar os benefícios que proporciona aos marilienses, o único Pôsto de Abastecimento do Sesi.

Um só desses estabelecimentos, numa cidade como Marília, e, ante os números citados e irrefutáveis, é realmente pouco. Estamos certos?

Extraído do Correio de Marília de 20 de maio de 1959

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Centro Cultural 4 de Abril (19 de maio de 1959)

Acompanhado de atenciosa e desvanecedora missiva, recebemos dos responsáveis pelo Centro Cultural Quatro de Abril, a comunicação de fundação da citada entidade, bem como cópia dos estatutos sociais dessa novel organização.

Pediram os missivistas, que o responsável por esta secção diária, procurasse se inteirar e conhecer das finalidades do organismo referido, divulgando também os seus propósitos.

Agradecendo a distinção com que fomos honrados e os têrmos excessivamente gentís que nos foram dispensados, aquí estamos para reafirmar aquilo que dissemos muitas vezes: em se tratando de escolas (mesmo que seja uma escola de samba), dispensaremos nossa despretensiosa colaboração. E o caso em aprêço é uma autêntica escola; escola de patriotismo, civismo e propagação cristã dos Direitos do Homem.

O aprimoramento da formação moral, cívica, física e cultura de uma juventude, se faz, logicamente, pelo ministração de bons exemplos, pela propugnação da união de idéias e pela concentração daqueles que de fato se interessem pelo bom e necessário à cultura de nossos dias. Núcleos de jovens nas condições referidas, significam progresso em idéias e em ações, capazes de carrear conhecimentos inestimáveis para os que dos mesmos participam, trazendo-lhes riquezas inestimáveis e intransferíveis, representadas pelo saber.

O homem preparado intelectualmente, impõe-se pela sua personalidade e capacidade de raciocínio e pelos conhecimentos que armazena. O saber, que não ocupa lugar (conforme reza antigo e sábio adágio), continua sendo o maior galrardão com o qual se identificam os grandes líderes e as pessoas uteis a sí próprios, à família e à sociedade.

Os estatutos referidos do Centro Cultural 4 de Abril, estão magnificamente redigidos, completos em todo o seu teor e eivados de excelentes boas intenções, cujo fundo (se vê nas entrelinhas), é de fundo patriótico e altamente louvável.

Nossos votos para que as iniciativas preconizadas nos preceitos estatutários, venham a coroar-se de êxito, dentro do menor lapso de tempo possível. Para que os que se propõem dirigir tão patriótica caminhada e para os que a prestigiam ou venham ainda a prestigia-la, possam, à sua sombra, auferir bons exemplos e conhecimentos úteis, necessários à própria vida e às suas próprias personalidades.

A respeito do assunto, recordamos com satisfação, que por inúmeras vezes, ocupamos o espaço que nos é reservado neste jornal, a fim de focalizarmos a necessidade do preenchimento dessa lacuna, há muito reclamada em Marília. Coincidência ou não, duas entidades de igual jaez, embora ambas em formação, já se contam entre nós. Como nos foi dado conhecer a estrutura legal do Centro Cultural Quatro de Abril, focalizamos tal acontecimento de maneira direta, parabenizando seus idealizadores e propugnadores.

Continuem, jovens!

Extraído do Correio de Marília de 19 de maio de 1959

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sucessão Municipal (16 de maio de 1959)

Já o dissemos e tornamos a repetí-lo: embora para muita gente o assunto passe despercebido, a questão da sucessão municipal principia a preocupar a maior parte dos marilienses. De uma outra forma, sob um ou outro aspecto, raro é o local onde se mantenha qualquer conversa, que não surja, direta ou indiretamente, um parecer ou um ponto de vista sôbre um nome para suceder o prefeito Argollo Ferrão no próximo 4 de outubro.

Os nomes conhecidos e os nomes em evidência prováveis, são focalizados de qualquer maneira, deixando-se antever a simpatia em maior ou menor quilate em favor dêste ou daquele.

Isso é um bom sinal, fora de dúvidas; significa que os marilienses não estão de todo alheiros ao importante movimento, que redundará na indicação por sufrágios, do futuro prefeito da cidade. Por outro lado, traduz uma certa naturalidade política dos marilienses, numa demonstração de que o eleitorado caminha para a perfeita e completa educação eleitoral, se é que se pode utilizar semelhante têrmo.

O repórter, por ciência de ofício, vive sempre de atalaia e naturalmente se interessa, embora não o demonstre ou não o deseje, por todas as conversas que ouve. E, nós, temos ouvido muita coisa acêrca do próximo pleito, de muita gente, emitida de maneira aparentemente despretenciosa, mas deixando clara a manifestação de um ideal, a firmeza já consolidade e dificilmente mutável, de um objetivo ou uma preferência.

Principia, portanto, a criar corpo a onda de apelo em pról de nomes e de homens, ao mesmo tempo em que se caracterizam, disfarçadamente ou não, indiferenças ou manifestações contrária a outras pessoas, candidatos de fato ou candidatos eventuais.

Ao pensarmos nesse pormenor, sentimos uma satisfação imensa, porque percebemos que o real espírito de democracia com a sua preceituada liberdade de pensamento, é, graças a Deus, um fato indestrutível entre nós.

O fato é que em Marília já não existe aquela indiferentismo do passado e nem tão pouco aquele fanatismo abjeto, que tantos motivos apresentou para as lembranças de nossos avós, com respeito às eleições, eleições que se revestiam de erros em todos os sentidos, quando eleitores votavam sob as vistas de capangas, constituindo-se duas correntes adversárias, ocasiões em que as quezilhas tomavam tal vulto que até a morte se fazia presente!

É um bom sinal êsse do povo preocupar-se com o movimento eleitoral, com os nomes de candidatos e com o avisinhamento das eleições. Se progredimos em todos os pontos e alentamos o desejo de desenvolvimento cada vez maior, junto é também que desenvolvamos nossas aptidões e capacidade de aceitação dos fatos, de maneira altiva e democrática. O homem não pode viver como autômato, freiado e só impulsionado por conveniências ou só pensar com a cabeça alheia. Êle tem que usar seu próprio raciocínio, escolher por si próprio o que melhor lhe convém, de maneira independente e de conformidade com a própria consciência. Portanto, é bastante conformador o espírito com que o público eleitor da cidade está principiando a encarar a questão da futura sucessão municipal.

Não há mal nenhum no eleitor manifestar-se com antecipação, pró ou contra um candidato; pelo contrário, existe na franqueza de atos dêsse jaez, um ombridade ímpar e belíssima, especialmente num clima como o nosso, de integral democracia, onde que cada qual pode gostar ou não de quem quiser, sem que seja obrigado a mudar de opinião.

Marília que já deu tantos exemplos, continua a dar mais êste, embora nem todos o tenham ainda percebido.

Extraído do Correio de Marília de 16 de maio de 1959

domingo, 15 de maio de 2011

Notícias esparsas (15 de maio de 1959)

Um jornal do Rio noticiou há pouco dias, que o Presidente da República iria renunciar dentro em pouco tempo, a fim de disputar a governança de Minas Gerais.

A notícia alarmou os círculos políticos da Capital do país e movimentou inclusive os correspondentes da imprensa estrangeira. Entretanto, porta-voz autorizado do Palácio do Catete, desmentiu formalmente a aludida notícia.

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A COFAP deve importar, com urgência, banha da Argentina e dos Estados Unidos para vende-las ao consumidor por Cr$ 40,00 a Cr$ 50,00 o quilo, no máximo.

Falando à imprensa, o coronel Mindelo acrescentou que, antes do fim do mês, o produto deverá no Rio, para ser vendido diretamente à população.

O presidente da COFAP disse que vem notando, realmente, a “exploração que é praticada por comerciantes, que procuram sempre bom preço”, em face da carência do produto.

A importação – informou – será de 3 a 4 mil toneladas, um bom “stock” como garantiu para impedir a ação dos especuladores.

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Cecilia Cooper, jovem de côr, de Nova York, foi eleita em Cannes “Miss Festival”. A senhorita Cooper tem 20 anos e encontra-se em Cannes por ter vencido, em sua cidade, um concurso de beleza.

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Em São Paulo, o Serviço de Limpeza Pública está admitindo pessoal novo, para preenchimento de 300 vagas, verificadas em face de dispensas de funcionários grevistas.

Muitos recursos foram interpostos por servidores, uma vez que existem em São Paulo 65 lixeiros com o nome de José Gomes e nem todos, conforme alegam, participaram do movimento paredista.

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O ex-governador, que se encontra no Japão, vem mantendo enorme correspondência. Raro, raríssimo o prócer que não recebeu, até agora, um cartãozinho do sr. Jânio Quadros.

Na semana passada coube ao dep. Ruy de Melo Junqueira, presidente da Assembleia. O antigo chefe do Executivo disse, inclusive, que a viagem estava sendo muito proveitosa, mas já sentia enorme saudade daqui.

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Alarmado com o número de dia de licenças concedidas a funcionários, o Governador do Estado expediu ao Chefe do Serviço Médico, o seguinte “bilhetinho”: “Tomando conhecimento do movimento geral das licenças em janeiro deste ano, fiquei surpreso com o total de dias concedidos – 120.858, num só mês. Convém agir com maior rigor, pelos pesados ônus que da inatividade de seus funcionários decorrem para o Estado.

Naturalmente, dentro dos lançamentos legais, precisamos encontrar a formula para que esses índices baixem e nessa conformidade aguardo suas precisas sugestões”.

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Em Fort Pillow, no Estado de Tennessee, cento e cinquenta prisioneiros revoltaram-se na prisão estadual daquela cidade, tomando dois guardas como reféns. Os amotinados pediram para falar ao governador do Estado. Eles ameaçaram matar os reféns se a Polícia fizer uso de gás lacrimogêneo. Reforços policiais foram enviados ao local, para a prisão do Fort Pillow. São enviados os prisioneiros culpados de falta mais leves. As medidas de segurança nela são reduzidas ao mínimo. Os amotinados são dirigidos por um prisioneiro de 20 anos de idade, condenado por roubo.

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Com a extinção do SAPS, será criado o STA (Serviço Técnico de Alimentação).

Não sucederá como a COFAP, cujo rótulo foi mudado várias vezes, permanecendo inalterado o conteúdo.

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No mês de julho próximo, Marília deverá fazer-se presente aos Jogos Abertos da Alta Paulista, que terão lugar na cidade de Osvaldo Cruz. Grande e completa será a representação mariliense, participando de quasi todas as modalidades desportivas. Os alojamentos da delegação mariliense já estão reservados esperando-se que a bandeira do desporto amador da “cidade menina” faça boa figura nessas competições.

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No próximo dia 20, a Associação Comercial de Marília deverá participar de uma reunião das Associações Comerciais do Estado, que terá lugar em Campinas.

Nesse conclave, serão tratados diversos assuntos de interesse das classes de comerciantes e cafeicultores tendo o mesmo sido articulado em face da razão direta da A. C. M. em São Paulo, junto a Associação Comercial da Capital, em reunião de diretoria daquela entidade.

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Para fins de trabalhar no caso do desenvolvimento do crime ocorrido nesta cidade no último dia 4, encontra-se em Marília o investigador de polícia, Sr. José Rezende.

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Repercutiu desfavoravelmente entre os marilienses, a leitura feita na Câmara Municipal, de um oficio do Sr. Marcial do Lago, presidente da Fundação da Casa Popular.

Conforme já comentamos, o Sr. Lago justificou a não construção das casas populares em Marília (quando já existe terreno destinado ao fim, dotado de água e luz), em face de que o Governo do Estado tem dívida a saldar com a F.C.P.!

É o caso de perguntar: o que é que tem a ver uma coisa com outra, com respeito aos interesses de Marília?

Extraído do Correio de Marília de 15 de maio de 1959

sábado, 14 de maio de 2011

Desculpa Esfarrapada (14 de maio de 1959)

No plenário da Câmara Municipal, foi lido um ofício da Fundação da Casa Popular, em que o sr. Marcial Lago apresentou as razões do porque não foram construídas as casas populares em Marília.

O teor do ofício e as justificativas esplanadas, causaram espécie entre os marilienses, como não poderia deixar de ser, mercê da desculpa esfarrapada que apresentou.

O sr. Marcial Lago teve a desfaçatez de afiançar aos marilienses, que o núcleo das casas populares prometido à cidade, só poderá ser construído após o Govêrno do Estado saldar uma dívida de 265 milhões de cruzeiros para com a Fundação.

“Desculpa de aleijado é muleta” – afirma velho adágio. O que existe de fato, é expressa má vontade ou indisfarçável prevenção contra Marília, uma vez que nossa cidade atendeu, de imediato, as exigências da F. C. P., apresentando-lhe o terreno em doação pura e simples, dotado de água e luz, condições mínimas determinadas pelo citado órgão.

É que as providências tomadas pela Prefeitura de Marília talvez foram inesperadas pela F. C. P. e pelos “doutores promessas” que por ali transitam, como por exemplo a deputada Ivete Vargas, e, dest’arte, a própria Fundação viu-se em “palpos de aranha” para cumprir o prometido. Deixou-se então “correr o tempo”, na leve e vã esperança que os marilienses se conformassem com a situação. Quando, desiludidos com a espera e impacientes com a falta do cumprimento da palavra empenhada, cobramos do sr. Marcial Lago a execução da promessa, após ter o mesmo, lançado um repto aos prefeitos de todo o interior. O homem, entretanto, não teve nenhuma saída mais condigna para o caso. Não poderia exigir os detalhes mínimos de terreno com luz e água, porque tais ocorrências já eram de há muito, coisas concretas entre nós. Então, à guisa de desculpa – desculpa esfarrapada –, saiu-se agora com a “esplicativa” de que Marília só receberá tais benefícios, após o Govêrno do Estado saldar dívida contraída com aquele corpo. Francamente, sr. Lago, francamente!

Então, é admissível a desculpa que se nos apresentou, agora, depois de passados cinco anos? Só agora o sr. Marcial Lago percebeu que a construção das casas populares em Marília estava condicionada (sem que nós o soubéssemos, porque é um absurdo) à solvicão de dívidas do Estado?

O sr. Marcial Lago está usando dois pesos e duas medidas. Em Lins, Itú e outras cidades, as casas populares foram construídas porque os Prefeitos apresentaram os terrenos dentro das condições atendidas por Marília. E nesses centros, o sr. Marcial Lago não se preocupou em exigir, primeiro, o pagamento das dívidas do Govêrno Estadual, só tendo lançado mão dêsse expediente inequânime, com respeito a Marília. Tal fato nos credencia a julgar o antes afirmado, de existência de expressa má vontade ou prevenção contra nossa cidade. E assim continuaremos pensando, até que o sr. Marcial Lago não nos prove o contrário.

A desculpa é esfarrapada, repetimos. Um tipo assim de desculpa infantil, tal qual o garotinho que ameaça não fazer a tarefa da escola enquanto não lhe for dado o doce de côco!

O sr. Marcial Lago poderá ter outras razões, que, se nos forem apresentadas e justas forem, poderemos acatá-las. Entretanto, na forma e no pé que se encontram as circunstâncias referidas e conforme “vem andando o carro”, dificilmente “engoliremos” as “razões” apresentadas e constantes do ofício lido no plenário da Câmara Municipal!

Extraído do Correio de Marília de 14 de maio de 1959

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ambulatório e Pôsto de Abastecimento do Sesi (13 de maio de 1959)

Continua esta secção a receber manifestações favoráveis, em tôrno de nossos escritos alusivos à necessidade urgente de ser Marília dotada com mais um Pôsto de Abastecimento e um Ambulatório Médico-Odontológico do SESI.

Inúmeras pessoas já cerraram fileiras em pról da idéia, idéia que é necessidade indiscutível. Muitas solicitações tivemos para que continuemos a apelar nesse sentido, concitando, ao mesmo tempo, todas as forças de Marília, através de suas autoridades constituídas e entidades de classe.

Recebemos agora u’a missiva assinada pelo Dr. Jayro Ferraz de Almeida, competente cirurgião-dentista de nossa cidade e moço eternamente enamorado de Marília e preocupado com o seu progresso. Trata-se de uma carta apôio-sugestão, que, dada a oportunidade de seu conteúdo, vamos transcreve-la na íntegra, para conhecimento de todos os marilienses.

É o seguinte o seu teôr:

“Marília, 10 de maio de 1959.

Ilmo. Snr.
José Arnaldo
Cordiais Saudações

Primeiramente, os meus cumprimentos pelas campanhas que V.S. vêm realizando atravez das colunas do “Correio de Marília”, campanhas essas em tôrno das causas nobres de Marília e por mais esta que visa dotar esta cidade de mais um pôsto de Abastecimento do “SESI” e de um ambulatório Médico-Odontológico dessa entidade.

Sinto-me em condições de opinar sôbre o assunto pois exerci durante dois anos o cargo de Dentista em Ambulatório do “SESI” e conheço tôda a assistência que esta grande entidade pode prestar as cidades em que tais ambulatórios são instalados.

O Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários, arrecada em Marília uma elevada soma mensal e grande, portanto, é também a parte destinada ao SESI. O Serviço Social da Indústria já nos doou um Posto de Abastecimento e um Centro de Aprendizado Domestico. Todavia, ressente-se a falta de mais um Armazém de abastecimento e, sobretudo, de um Ambulatório médico-odontológico, igual ao contemplado pela cidade de Jaú, onde o “SESI” deve arrecadar menor contribuição.

Baurú, com população industrial a nossa, conta com 3 postos de Abastecimento e um magnifico Ambulatório Médico-Odontológico onde funcionam a Clínica Médica Geral, Clínica Ginecológica, Clínica Pediátrica, Laboratório de Análises, Clínica Odontológica com 7 dentista, Gabinete de Radiologia, secção de prótese dentária, etc..

Marília, atravez das suas entidades de classe, delegacia da Fiesp e Ciesp, sindicatos operários, etc., deve instar junto à direção do SESI do Estado de São Paulo no sentido de trazer para cá mais êsse benefício popular.

A Prefeitura e a Câmara Municipal de Marília devem oficiar à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo na pessoas do Snr. Antonio Devisate, presidente dessa entidade e, em consequência, presidente do Departamento Regional do SESI de São Paulo, fazendo sentir a necessidade dessas unidades assistenciais pleiteadas.

Fica, aqui, o meu apôio à essa nobre campanha dirigida por V.S., campanha essa já vitoriosa que, por certo alcançará a compreensão do altos dirigentes do Serviço Social da Indústria.

Com os votos de feliz êxito na jornada, subscreve o amigo,

Dr. Jayro Ferraz de Almeida”

Extraído do Correio de Marília de 13 de maio de 1959

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Uma história (12 de maio de 1959)

ÉPOCA: presente.

LOCAL: Marília.

O menino, quartanista primário, chegou eufórico em casa, após a aula. E anunciou que sua escola iria fundar um jornalzinho e que ele, como os demais colegas, deveria “escrever um artigo”.

O pai, homem atarefado, eterno escravo do relógio, pouca importância ligou ao fato.

Dias depois, o menino solicitou ao pai, a orientação “de como escrever um artigo”. Mesmo sendo jornalista, o homem viu-se em dificuldade em esplicar a um garoto mal entrada no quarto ano primário, o processo de “como escrever um artigo”. Disse-lhe apenas: “Pense num motivo e escreva-o com naturalidade, sem plágio ou sem utilização de terceiros mais competentes ou mais competentes ou mais enfronhados no assunto”.

O garoto não se deu por vencido; quiz a corrigenda do escrito, quiz a orientação-base da idéia.

O pai foi intransigente. Justificou que a medida seria desonesta, pois artigo considerado “bom”, de filho de jornalista, daria, inevitavelmente, motivos a pensar que “o dedo do pai” alí estivera presente.

O menino não desanimou. Escreveu seu artigo, como pode e como soube. Submeteu-o, ao crivo da administração do pequeno órgão. E o escrito foi publicado.

Mais tarde, o pai do menino viu o artigo dêste e outros, de pequenas idênticas possibilidades intelectuais. Analisando os teores diversos, o índice do vernáculo, os motivos abordados, as maneiras como foram os mesmos desenvolvidos, a eiva de conhecimentos além de instruções-primária contidos, calculou que não houvera, no caso do garotinho persistente, medidas similares.

Para o homem, experimentado na vida, “raposa velha” na arte de escrever, foi fácil o perceber que nem todos os meninos que escreveram no jornalzinho referido, delinearam alí as suas idéias infantis em formação. Artigos foram inseridos, demonstrando conhecimentos científicos além dos ministrados na terceira série ginasial, incompatíveis, portanto, com qualquer programa primário do Brasil.

O que poderia deduzir a respeito? Que alguns artigos alí escritos e inseridos, não foram de autoria integral das crianças que os assinaram.

Assim, lógico é, o menor nessa condições, principiou a enveredar por um caminho destituído de auto-confiança, “escorado” pela sabedoria de uma terceira pessoa, “encostando o corpo”, justamente numa época e idade em que deve tudo ser feito para o aprimoramento de sua formação moral e intelectual.

Se tal processo fosse usado constantemente, só se revelariam os mais capazes, os mais idealistas, os mais compenetrados e concentrados na responsabilidade atribuída. Verdade é que não haveria nada de desdouro, num garoto ser menos incompetente do que o outro nos estudos ou na parte redacional de “um artigo para um jornal”.

Entretanto, se se pudesse contar (honestamente) com o auxílio de pessoas estranhas (mesmo sendo parentes), os filhos de advogados, médicos, engenheiros, jornalistas, etc., “escreveriam” melhor do que os filhos de carpinteiros, pedreiros, comerciários, industriários, etc..

Necessário se torna, que todos os pais de meninos nas condições referidas na presente crônica, atentem para o fato em apreço, que obriguem seus filhos a “puxarem pela memória”, sem o auxílio palpável deles próprios ou de terceiros, a fim de que os garotos não cresçam com complexos de saber à custa dos próprios progenitores.

Os benefícios serão colhidos no futuro, pelos próprios alunos que se esforçarem por si próprios, sem contar com “auxílios” disfarçados em fórma de correção. E a consciência dos pais, amigos ou parentes, estará perfeitamente leve, ao apreciar os escritos naturais e simples dos garotos estimados.

Como dissemos, o pai do garotinho releu o pequeno jornal, admirou-o em todos os seus detalhes, lovou intimamente seus idealizadores e seus propugnadores (mercê de sua experiência de imprensa). E percebeu, com extraordinária facilidade, os artigos “corrigidos” simplesmente e os “feitos” ou “acertados” deslealmente para com os próprios meninos que assinaram seus nomes, que apresentaram os escritos como sendo deles, muitos nem siquer sabendo o que significam certas orações ou determinadas palavras!

Talvez não tivesse havido nenhuma intenção de maldade nos casos referidos. Mas é bom que seja o assunto observado, para bem da própria garotada.

A história é verídica.

Extraído do Correio de Marília de 12 de maio de 1959

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ambulatório e Pôsto de Abastecimento do Sesi (10 de maio de 1959)

Escrevemos alguns artiguetes sôbre a necessidade do Serviço Social da Indústria instalar em Marília, mais um Pôsto de Abastecimento do Sesi. Justificamos nossas assertivas, em face dos excelentes serviços prestados pelo estabelecimento dêsse porte, já existente entre nós, que proporciona aos industriários, a faculdade da obtenção de gêneros de primeira necessidade, por preços inferiores aos do mercado normal. Sucede, conforme asseveramos, que a densidade demográfica de Marília e o nível de sua expansão territorial e urbanística, estão a exigir outro desses Postos, numa localização diferente, de maneiras a proporcionar vantagens e facilidades aos industriários residentes em outras partes da “urbe”.

Um de nossos comentários a respeito desse assunto, mereceu espontaneamente, interesses do deputado Luciano Nogueira Filho, que, tendo-o recortado, encaminhou-o juntamente com um pedido, a autoridade do Sesi, para que a pretensão de Marília, por nós delineada, seja atendida com a máxima urgência.

Ante ontem, focalizamos a necessidade de Marília ser aquinhoada com um Ambulatório do Sesi, lacuna que de há muito está sendo reclamada entre a grande e laboriosa classe industriária local. Citamos, como exemplo, a referida melhoria óra outorgada aos industriários da cidade de Jaú, centro que deverá, pensamos, carrear aos cófres do IAPI, soma algo menor do que a canalizada pelos industriais e industriais marilienses.

Não que fossemos contrários aos benefícios óra emprestados ao povo de Jaú, mas sim porque, já por um simples direito de equidade, sem contar-se o aspecto legal, Marília, tem urgência e até certo ponto, prioridade acêrca desse melhoramento.

Nosso escrito encontrou a repercussão devida, uma vez que diversas pessoas nos procuraram, solicitando-nos o prosseguimento da campanha. Dentre os amigos e leitores que de nós se acercaram com êsse idêntico objetivo, contamos com o sr. José Lourezetti, dinâmico presidente do CIESP local. Disse-nos S. S. que a delegacia de Marília do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo está ao nosso lado, vivamente interessada em que nossa cidade consiga esses dois empreendimentos, há muito reclamados. Por seu turno, o CIESP local está trabalhando no sentido de que sejam atendidas tais reivindicações indiscutíveis da classe industriária mariliense.

Por aí, verificarão os leitores que os assuntos que focalizamos são vitais e necessários e que está justificado perfeitamente o apêlo que lançamos as autoridades constituídas e as entidades de classe da cidade, no sentido de que formassem fileiras conosco, reforçando os pedidos que formulamos e que óra referimos.

Com esse objetivo, é que tornamos ao assunto, certos de que, sendo a questão de interesse geral dos marilienses, uma vez que diz respeito direto a uma grande e obreira classe, há de encontrar a devida guarida no seio das autoridades, órgãos e entidades que podem nos auxiliar nesses apêlos, que são, antes de mais nada, de uma classe e não de um simples grupo de pessoas.

Havendo melhores e mais amplas justificações, formuladas em côro certos estamos que o Serviço Social da Indústria, há de bem aceitar as razões dessa necessidade mariliense.

Vamos, portanto, pedir ao Serviço Social da Indústria, não como favor, embora o façamos de maneira altiva e democrática, mais sim como um direito que temos e que está sendo relegado. Necessitamos, urgentemente, de mais um Pôsto de Abastecimento do Sesi e de um moderno e eficiente Ambulatório Médico do Sesi.

Alguém mais está conosco e com o CIESP?

Extraído do Correio de Marília de 10 de maio de 1959

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Um intercâmbio interessante (6 de maio de 1959)

Não há muito, folheávamos, por simples curiosidade, um adento à uma edição de importante matutino paulistano. Um suplemento feminino.

Sabido é que os homens, ao manterem contacto com coisas de mulheres, o fazem mais por curiosidade do que por uma coincidência qualquer. Foi o que sucedeu conosco.

Manuseando o aludido periódico há vários anos ininterruptos, jamais demos a menor importância ao citado caderno, objeto êsse que sempre se nos pareceu destituído de qualquer atração.

Detivemo-nos cuidadosamente e com tempo, à leitura de tal compêndio e percebemos, dêsse nosso observar, que o aludido objeto, sem nenhum atração para nós, “barbados”, está eivado de utilidades e interêsse para o sexo fraco.

Receitas de forno, fogão e outras, além de instruções e conselho diversos, são ali inscritos com clareza e simplicidade.

O assunto que nos chamou a atenção, entretanto, não foi êsse; foi uma secção de correspondência pública, em letras de fôrma. Foi o espírito de sinceridade e o desejo de prestatividade que alí vimos delineados. Pudemos perceber, dentre centenas de recados e “cartas” de mulheres de todo o Brasil, uma coisa agradável, deliciosa, que o desejo de servir o próximo, a intenção de ser útil e de fazer o bem.

Mulheres desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul, trocam entre sí idéias, favores e referências aos sentimentos alheios e ao espírito de cooperação e união fraternal.

Perdemos, como dissemos, bons minutos vendo a aludida secção desse suplemento. E apesar de toda a tradicional e reafirmada vaidade feminina, só pudemos perceber a intenção sadia de cooperação entre as leitoras do órgão aludido, numa demonstração inequívoca do intuito de ser útil.

Uma, pedindo o modêlo de um vestido, a receita de ponto de tricô, o módo de fazer um bôlo, ou sistema de enfeitar u’a mesa de aniversário. Outra, desejando um conselho para a educação de um filho ou o molde de um vestuário para criança; outra, ainda, mais gentil, oferecendo suas aptidões acêrca de uma série de empreendimentos úteis para o lar, a família e a mulher.

Vimos nisso uma auréola de carinho, o verdadeiro tóque feminino, aquele afeto próprio da mulher. E gostamos disso. Apreciamos a sinceridade de propósitos e a espontaneidade das manifestações.

De pureza claríssima de sinceridade inatacável, as mulheres que se servem do referido veículo de intercâmbio de idéias, ações, pensamentos e bondade, despem-se de egoísmo, da vaidade, de qualquer resquício de prepotência, nivelando-se todas, sendo todas iguais e todas desejosas de aguardar, mais dando do que recebendo.

Vimos, nesse simples processo, o verdadeiro espírito de fraternidade e o conhecimento dêsse intercâmbio de idéias, nos garantiu a certeza de que existe muita gente boa no mundo, gente interessada em servir o próximo. Percebemos oferecimentos de coisas valiosas, que, normalmente, deveriam ser guardadas de maneira até ávara. Vimos, nas linhas e entre-linhas das manifestações de diversas pessoas, a destituição de qualquer preconceito e o sentimento de igualdade, paradigma inconteste do real ideal pregado por Cristo.

Gostamos desse intercâmbio, principalmente tendo-o apreciado, lógo a seguir da observação de um outro, numa revista editada no Rio de Janeiro, em que o intercâmbio de idéias é completamente abjeto: onde homens e mulheres; e oferecem reciprocamente, numa linguagem de aparência inocente e por vezes velada, jamais isenta do espírito do interesse do dinheiro, do divertimento ou do sexo.

Extraído do Correio de Marília de 6 de maio de 1959

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Marília e os Ambulatórios do SESI (5 de maio de 1959)

Na secção domingueira dêste jornal, intitulada “Flashes da Semana”, está inserta uma piadinha que tem lá o seu fundo de realidade palpável. Dia a aludida brincadeira, que os institutos de previdência social foram criados, no Brasil, para amparar os trabalhadores, quando, na verdade, os trabalhadores é que amparam os institutos.

Sob certos aspectos de u’a análise neutra, em comparação aos feitos e realizações de fato e de direito de certos institutos, não há negar que procedem as queixas que constantemente se verificam, por aí, à miude, contra as providências de amparo social de alguns institutos aos seus contribuintes.

Vejamos, por exemplo, em nossa cidade, os descasos de certos dêsses organismos, para com seus assegurados (!). Quais são os institutos que possuem em Marília, ambulatórios médicos completos, capazes, eficientes e perfeitamente à altura do número de filiados em Marília e correspondente ao nível das arrecadações aqui verificadas?

Não que os funcionários e ou os médicos e mesmo hospitais que emprestam serviços aos contribuintes diversos sejam incompetentes ou apresentem má vontade expressa; absolutamente. É que nenhum funcionário poderá fazer milagres, não tendo meios suficientes para os atendimentos reclamados pelo número de marilienses que necessitam os serviços de tais organismos.

A conversa de hoje, entretanto, é a necessidade de Marília, necessidade gritante e que não póde ser desconhecida por mais tempo pelas autoridades do Serviço Social da Indústria, no sentido de ser aqui instalado um moderno e completo Ambulatório Médico do SESI.

Jaú, com um número de filiados ao IAPI, relativamente menor do que nossa cidade, acaba de ser aquinhoada com êsse importante melhoramento. Por que, nós, os marilienses, deveremos continuar relegados assim ao indiferentismo nesse particular, quando temos a necessidade palpável e indiscutível e é obrigação do SESI, sob os aspectos legais, proporcionar-nos êsse melhoramento?

A delegacia local do CIESP, agora dirigida por êsse moço competente que é José Lorenzetti, coadjuvado por uma plêiade de homens empreendedores, deverá, urgentemente, arregaçar as mangas e trabalhar no sentido de que Marília obtenha também um indispensável Ambulatório Médico do SESI.

Não sabemos ao certo, quanto arrecada em nossa cidade o IAPI, proveniente das contribuições obrigatórias dos empregados e empregadores. Temos a certeza, porém, que a quantia é verdadeiramente apreciável e que justifica de maneira cabal o preenchimento dessa lacuna. Para sermos mais francos, a medida é urgida de há muito e estranhamos até, que os altos dirigentes do Serviço Social da Indústria, até aqui, não tenham ainda voltado suas vistas para o progresso, o dinamismo e a importância de Marília, encarando com maior interesse tal particicular.

Com este lembrête, conclamamos a delegacia do CIESP, bem como entidades de classe, a pleitearem junto ao Serviço Social da Indústria, não como medida de favor, mas sim como necessidade inadiável, a criação e instalação em Marília, de um Ambulatório médico do SESI.

Milhares de industriários e suas famílias, serão gratas aos senhores dirigentes da mencionada autarquia.

Extraído do Correio de Marília de 5 de maio de 1959