sábado, 23 de março de 2013

80 kilometros? Pois sim… (23 de março de 1977)



Porta voz do Presidente Geisel já advertiu:

A medida de depósito compulsório de dois cruzeiros na compra de cada litro de gasolina poderá ser implantada, caso não se configure, em definitivo, a colaboração de todos e não se configure, em definitivo, a colaboração de todos e não se verifiquem os efeitos cogitados na faixa de economia do combustível.

--:--

Isto vale dizer que está ainda em pendência a idéia inicial do anunciado depósito, cuja desobrigação posterior ocasionou euforia geral entre os brasileiros.

Todavia, percebe-se que havendo maior compreensão ao apelo governamental e consolidando-se o maior índice de economia de consumo de gasolina, ficaremos livres desse depósito resituível.

Como dos males o menor, por certo a situação assim ainda é preferível ao racionamento. Especialmente para aqueles que recordam ainda dos efeitos desse espectro, por todos experimentado e sofrido, quando da última Grande Guerra Mundial.

Então, tudo bem.

--:--

Mas há outro detalhe a ser enfocado.

É o limite dos 80 quilômetros horários.

Existe uma porcentagem bastante grande de motoristas particulares ou não, que não cumprem essa exigência.

Uma prova é o volume de multas por infração de trânsito, nesse particular.

Outra são os próprios viajantes ou pessoas que residem em proximidades de rodovias.

Tem turma correndo pra valer sem dar a mínima pelota a esse limite oficial e obrigatório.

É só ver, querendo.

Citamos, por exemplo, rodovias aqui das adjacências de Marília. Não há respeito nesse particular. A turma corre mesmo pra valer.

É só conhecer o percurso, saber ou “desconfiar” que não está havendo fiscalização e pronto. É “chulé na tábua” mesmo.

--:--

Se dois policiais rodoviários decidirem fazer uma prova, eles vão “pescar” mais infratores do que o próprio radar.

É fácil.

É só os mesmos descobrirem-se e viajarem num carro placa particular. Em marcha moderada e que não atinja os 80 quilômetros. Verão, então, por quantos e quantos veículos serão “podados”. Isto vai provar que os “podadores” estão “largando” mais de 100 quilômetros.

E tem mais.

Esses mesmos dois policiais terão que fazer peripécias e transgredir a lei “metendo o pé na tábua”, para não serem esmagados por pesados caminhões em banguela, que são os brutamontes do asfalto.

--:--

Quem respeita o limite de velocidade anda com o coração na mão, pois os brutamontes do asfalto “empurram” e ameaçam passar por cima dos pequenos e obedientes veículos.

Fiscalização precisa ficar de olho nesses brutamontes que banguelam e chegam a “pegar” 140 quilômetros, comprometendo as vidas de veículos pequenos que obedecem a lei e que circulam em suas frentes.

Dá medo, sô!

--:--

E como ilustração a parte existem motoqueiros, muitas vezes duas pessoas juntas, que correm de 180 para cima.

Eles, os motoqueiros, por usarem máquinas econômicas, estão à margem da lei limitadora da velocidade?

--:--

80 quilômetros? Pois sim…

Extraído do Correio de Marília de 23 de março de 1977

sexta-feira, 22 de março de 2013

Transmissões parlamentares (22 de março de 1977)



Cogitam alguns políticos locais do estabelecimento das transmissões radiofônicas das sessões de nosso Legislativo.

O truncamento de tal estado de coisas, no ano passado, decorreu da medida imposto pela Polícia Federal, que se estribou em dispositivo legal.

Sendo assim, subtendende-se que não será decisão da Câmara e nem da Presidência, que poderá provocar a volta do referido expediente. Só a Polícia Federal é que poderá revogar sua própria decisão.

Se engano não houver, quando da medida em apreço, parece que a Polícia Federal não adotou a providência em caráter genérico e sim específico.

E a medida atingiu diretamente cidades-chaves e grandes centros.

Lins, frequentemente citada por aqui, não é cidade-chave e nem grande centro e não foi atingida pela medida em tempo hábil.

--:--

As transmissões radiofônicas dos trabalhos camarários representam uma faca de gumes. Pelo menos em Marília isso ficou provado.

Se, por um lado, enseja ao eleitor, a faculdade de acompanhar os trabalhos do candidato que ajudou a eleger, por outro propicia a proliferação de desemfreada demagogia.

Vimos no passado, por parte de muitos vereadores, uma verdadeira “psicose de discursar”. E o povo sofreu com os ouvidos entregues a muitos casos de asneiras, a discursos ocos e alguns sem nexo, embora tivesse ouvido muitas palestras e defesas de pontos de vista, sólidos e lúcidos. Infelizmente, estes foram em escala menor.

--:--

O parlamentar consciente e bem intencionado deve ficar ciente e convicto de que o improviso é muito traiçoeiro. E, com tal, pode expor ao ridículo ou comprometer um orador.

Em Marília aconteceu isso seguidas vezes.

Sem contar-se com algumas asneiras proferidas pelos microfones, como casos em que se discutiram uma carroçada de coisas e fatos, inclusive citações de exemplos e de previsões negras, quando, em verdade, a essência da matéria em pauta era bem outra.

Tudo por causa dos microfones e do fascinio que os mesmos exercem, notadamente nos incautos e muitas vezes irresponsáveis.

--:--

Os exemplos do passado não conseguiram ainda recomendar ou garantir a exposição de uma defesa, em favor do retorno das transmissões camarárias.

E ninguém poderá assegurar que isso venha a acontecer.

Cinjamos-nos, por exemplo, ao ocorrido na primeira reunião camarária mariliense deste ano. Se na ocasião os microfones estivessem abertos, a própria edilidade teria forjado uma imagem pouco brilhante de suas funções iniciais.

--:--

Porque, em verdade, nem todos os que usam microfones sabem usá-los devida e convenientemente. Mas que gostam, isso gostam. Existem algumas pessoas que não comem os microfones porque estes, além de caros, são intragáveis e ingeríveis.

Em todo caso, devemos aguardar o pronunciamento da Polícia Federal sobre o assunto.

Porque, em verdade, bom seria se todos os políticos fossem ponderados, modestos e recatados para falar.

E que, na sua maioria, não sentissem a atração apaixonante – e como tal incosequente – pelas “latinhas”.

Aí, sim.

Extraído do Correio de Marília de 22 de março de 1977

terça-feira, 19 de março de 2013

Coisas que os outros estudaram (19 de março de 1977)



Coisas que os outros estudaram, que antigos pesquisaram, que estudiosos da hera herediana queimam pestanas e gastam fosfatos, constituem-se em subsídios inestimáveis para as gentes de nossos dias.

Para o saber e para a curiosidade.

Por exemplo:

Apesar dos estudos, pesquisas, investigações e esforços, desconhece-se a origem geográfica do algodão. Existem provas arqueológicas, de que o algodão se usava em forma de tecido, 3.000 anos antes do nascimento de Cristo.

O algodão é uma planta do gênero Gossypium, com as espécies asiática e americana.

Por outro lado, as investigações dão conta de que Alexandre Magno havia levado algodão cultivado na Índia, para o Egito, no século IV, antes de Cristo.

No ano 1000 o algodão começou a ser cultivado na China e no Japão.

Cristóvão Colombo, segundo os historiadores, encontrou cultivo de algodão nas Antilhas. No México e no Peru, sabe-se que já naquele tempo existia uma indústria têxtil relativamente bem desenvolvida, que utilizava algodão e fibras de origem animal. Todavia, a moderna manufatura do algodão iniciou-se na Grã Bretanha no século XVII e nessa época inventou-se a lançadeira volante, de fuso metálico, que o início da máquina de fiar.

--:--

Uma das micoses que mais se entendem, se conhecem e existem em todas as partes do mundo é a demoatoficia do pé ou simplesmente “pé de atleta”.

É uma doença produzida por microscópicos fungos. A este grupo pertencem várias outras doenças superficiais, que, felizmente, não afetam os organismos.

Os referidos fungos pertencem aos gêneros Epidermofitom, Trocofiton e Microsporum e se localizam sempre na epiderme, nos cabelos, nas unhas e nos pelos.

--:--

Durante a última guerra mundial, conflito do qual participou o Brasil, enviando à Itália 25.000 pracinhas, os brasileiros estranharam a rigorosidade do inverno italiano.

E registraram-se casos em que os pés de muitos soldados da FEB, congelaram-se totalmente, com a paralisação da circulação sanguínea.

Os pés dos soldados transformaram-se numa peça curtida, ficando, em comparação grosseira, tal qual aquele presunto de porco, que se encontra nos supermercados, com o pernil com osso e tudo.

A isso os próprios pracinhas deram o apelido de “pé de trincheira” e nenhum recurso da medicina conseguiu conjurar os casos graves. Só a amputação dos membros é que conseguiu salvar os pracinhas atingidos pelo mal do “pé de trincheira”.

--:--

Falando em coisas relacionadas com os pracinhas da FEB é bom repetir o que venho dizendo há 31 anos.

Por favor, não confundam direitos, deveres, obrigações, valores ou importâncias entre os participantes da Revolução de 32 e os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira.

São duas coisas distintas, distantes e completamente antagônicas. Os participantes do Movimento Constitucionalista de 1932 integraram um movimento político interno. Os integrantes da Força Expedicionária Brasileira foram elementos do Exército Nacional, o que vale dizer tropa organizada, com comando militar, lutando pelo Brasil no exterior.

Extraído do Correio de Marília de 19 de março de 1977

segunda-feira, 18 de março de 2013

Mudando de conversa… (18 de março de 1977)



Sim, mudando de conversa, esta é a piada.

Madalena era mineira de Montes Claros, mas residia no Estado de São Paulo desde a infância.

O marido, que havia falecido há mais de 20 anos, fôra Coronel da Guarda Nacional e lhe havia deixado como herança três grandes fazendas formadas, alguns milhares de terras em Mato Grosso, além de outras propriedades, apartamentos em São Paulo, Guarujá e Rio de Janeiro e muito dinheiro vivo.

--:--

Madalena tinha dois filhos. Melhor dizendo, um casal. Marcos, que casara-se com uma moça muito rica no Rio de Janeiro, que instalara uma butique moderna e sofisticada no Lido e que recebia uma polpuda renda de uma das fazendas da mãe. E Marcia, que casara com um boêmio metido a intelectual, que trabalhava pouco e absorvia a renda total de outra das fazendas de Madalena.

Com o passar do tempo, Madalena habitou-se ao estado de viuvez. Os rendimentos aumentavam as propriedades valorizavam-se.

E foi aí que uma amiga de chá e de fuxicos, a Esmeralda, que era farmacêutica aposentada aconselhou:

- Madalena, com tanto dinheiro que você tem, por que não passeia, por que não conhece o mundo? A vida é curta, seus filhos estão bem… por que você não desfruta essa fabulosa fortuna enquanto é viva?

--:--

Foi o que bastou. Dois dias depois, Madalena decidiu. E, através, de um transsatlântico grego, empreendeu uma viagem em volta do mundo.

A viagem durou quatro meses.

Madalena gostou e acostumou-se a viajar.

--:--

Quase não para mais em casa. Chega dos Estados Unidos, vai para a Espanha. Regressa da Espanha, vai para o Chile. E assim por diante.

E tem sorte. Quanto mais gasta viajando, mais renda lhe dão as propriedades.

--:--

Mas Madalena acabou ficando doente.

Consultou o médico da família. Este prescreveu alguns remédios e nenhum resultado se apresentou.

Madalena foi para São Paulo, consultou os melhores especialistas. Nada. Foi para o Rio, idem. Viajou para a Inglaterra e para os Estados Unidos e nada de melhorar.

Então começou o desespero, com o medo da morte. E, como refúgio, Madalena passou a apergar-se as orações. E prometeu, entao, a Santa Terezinha: se sarasse, não mais viajaria confortavelmente como rica; viajaria nas condições mais precárias possíveis, como fazem os pobres mais pobres.

Santa Terezinha ouviu a prece, ficou com dó de Madalena e a viúva acabou sarando.

--:--

Chegou o momento de cumprir a promessa.

Madalena propor-se a viajar. Tomou um trem da Fepasa, comprando passagem de segunda classe, porque não havia de terceira. Ela estranhou, mais ainda, porque a composição estava transportando muitos nordestinos, que de muitos dias empreendiam viagem. Sujos, com cheiro forte de suor e de chulé. As crianças com outros cheiros.

Mas ela não se importou. Estava feliz e cumprindo a promessa.

--:--

Vizinha dela viajava um caboclo com duas crianças.

Madalena fingia não sentir o cheiro acre e sorria para o caboclo toda vez que o homem lhe olhava na cara. Em dado momento, uma criança pediu água. O homem desamarrou a boca de um saco sujo onde se misturavam roupas e outros objetos, de lá tirou uma canequinha feita com um lata de extrato de tomate, saiu e depois voltou com uma canequinha com água. A criança bebeu sofregamente. A outra pediu água também. O homem retirou-se e depois voltou com a canequinha com água. A criança bebeu. Madalena olhava. O homem, querendo ser gentil, perguntou se Madalena queria água. Ela achou que conviria beber, participar da vida daquela gente. Aceitou. O homem saiu, voltando com a água. Madalena bebeu e gostou. O homem indagou se queria mais. A viúva falou que sim. O homem voltou a sair.

Demorou para voltar.

Quando retornou, trazia a canequinha vazia e desculpou-se com Madalena:

- A sinhóra discurpe, mais num deu prá pegá mais água não… tem uma muié sentada in riba du pôço…

Extraído do Correio de Marília de 18 de março de 1977

domingo, 17 de março de 2013

Coisas loucas ou de loucos (17 de março de 1977)



Não, se não trata de coisas de pescadores hoje.

Sim, de loucos, ou de coisas loucas.

Mas coisas de loucos que não são desvariados, nem desmiolados, nem desequilibrados, nem loucos mesmo.

É isso aí.

O Dr. Badra, no passado, quando se referia a um fato impressionante, notório, extravagante ou diferente, não titubiava em afirmar:

- É uma coisa de louco!

--:--

Quando um grupo de homens está reunido por acaso numa esquina, ou na frente de um bar, ou defronte um banco, palestrando despreocupadamente e passa uma moça, ou uma mulher, bonita, atraente, bem vestida, de corpo bem feito, podem estar certo de que um deles se referirá à mesma dizendo aos outros:

- Veja que coisa louca!

--:--

Meu amigo Anselmo (Scarano), aquí do jornal, é dotado de um espírito incomum de improvisações alegres e autêntico “expert” em pregar peças.

Certa feita, um cidadão passou a assediá-lo, tentando convencê-lo a comprar um sítio. O Anselmo foi “cozinhando” o outro, levando o caso em brincadeira e o outro, sonhando com um negócio rendoso e uma polpuda corretagem, começou a “pegar no pé” do Anselmo.

Um dia, quando o distinto se aproximou, o Anselmo nem o deixou abrir a boca. Disse o Anselmo: “Vamos ver, se o preço for bom, o negócio é feito”. E empurrou o corretor dentro do carro. Subiu no volante e quando o outro ia falar algo, o Anselmo atalhava: “Não precisa conversar. Sou de pouca conversa. Se o negócio for bom, está feito”.

E movimentou o veículo.

Parou diante de uma residência. Desceu e mandou o outro descer. Quando o outro ia falar algo, o Anselmo insistia: “Não precisa conversar. Sou de pouca conversa”. E entrou num corredor, sendo seguido pelo outro. Pararam ambos diante de um sanitário que servia diversos prédios, inclusive um ponto de automóveis. Sanitário sujo, imundo, fedorento. O Anselmo parou e ficou olhando o outro. Este sem saber, olhava para o Anselmo. E foi aí que o jornalista perguntou: “Quanto você quer?”

O outro não entendeu e o Anselmo insistiu: “Quanto você vai cobrar para lavar o banheiro?”

O corretor caiu das nuvens: “Seu Anselmo, eu quero vender um sítio” – falou.

E, o escriba, então: “Pensei que era para lavar a privada… porque você não falou?”. O homem limitou-se a responder, sem jeito algum: “O senhor não deixou eu falar”.

Os dois tomaram o carro, chegaram defronte a redação, o Anselmo entrou fazendo força para não rir. O outro desceu do carro, todo desenxabido e saiu sem jeito, resmungando consigo mesmo: “Esse cára é lôco”.

--:--

Foi alguns anos atrás. Havia crise de água na cidade. Indústrias procuravam o líquido no Rio Tibiriçá. E uma firma local conseguiu um tanque desses utilizados em carretas que transportam combustível. Colocou o tanque sobre a carroceria de um caminhão, indo buscar água no rio.

Acabou acontecendo o impossível. Ao manobrar o caminhão que conduzia o tanque, este acabou escorregando da posição e indo cair. Por uma coincidência rara, o tanque caiu a carroceria de uma camioneta que estava estacionada. E “arregaçou” o pequeno veículo, ficando sobre a carroceria e a cabine.

Enquanto se providenciava as medidas necessárias para solucionar a questão, alí ficou um empregado, tendo sido retirado o caminhão que causou o acidente. De modos que ficou a camioneta e o tanque sobre a mesma.

Quem passou a seguir foi um japonês dirigindo um fuscão. Parou e ficou admirado, em ver o tanque maior, sobre a caminhota, menor. E perguntou. O empregado, muito “gozador” disse que estava tentando adaptar o tanque na caminhoneta, mas que não conseguia, porque o tanque era muito grande.

O japonês olhou assustado e afastou-se, dizendo consigo mesmo:

- Esse hóme tá rôco.

--:--

Um empregado do DER, lá na vila São Miguel, há muito, habituou-se a dizer: “Ô lôco, né véio?”.

E a “moda” acabou pegando.

Mas quando chegou ao conhecimento do japonês que tem um bar lá na Castro Alves, este não soube dizer o termo como deveria e continua dizendo:

- Tá rôco ocê, béio.

Extraído do Correio de Marília de 17 de março de 1977

sábado, 16 de março de 2013

Desrespeito humano? (16 de março de 1977)



Sim, de desrespeito humano poderia tachar-se certos cometimentos que aqui se operam e que questiunculas políticas fazem mover.

Há um número – pequeno, é certo – de marilienses, preocupado em desmoralizar, desprestigiar, antipatizar e escarnecer o nome do ex-prefeito Pedro Sola.

Mas, existe um número grandioso – felizmente – de bons amantes de Marília, que será sempre grato à administração municipal que se findou, pela fecundidade que a mesma provou, em números e dados, em termos de desenvolvimento da cidade e do município.

--:--

Durante quatro anos a Câmara da ocasião, pela maioria de seus membros e pela maioria de seus átos, constitui-se na intentona de uma barreira aos alvos do ex-prefeito.

E, ao envés de desmoralizar o antigo alcalde, ela própria, a Câmara, acabou por expor-se ao ridículo, ao descrédito público, atraindo para si antipatias, ogerizas, ridicularizações.

Vereadores foram xingados e até ovos podres foram atirados em plenário – o que de nossa parte reprovamos.

Foi a colheita de um plantio. Plantio de cegueira política, da teimosia doutrinária, da impetuosidade personalística, da tentativa de imposição impossível.

--:--

E, dessa luta inglória da Câmara Municipal passada saiu fortalecido o prefeito anterior. E cresceu o colegiado eleitoral do mesmo, a ponto de ter sido ele o maior cabo eleitoral do prefeito óra no poder.

E sua fama proliferou além das fronteiras, dando-lhe um galhardão de respeito e de crédito, inclusive no seio das próprias Forças Armadas.

Operoso e isso ninguém poderá negá-lo. Nem seus mais figadais adversários políticos.

Trabalhador e dinamico. Executor de obras dinamicas, “briguento” por excelência – no bom termo e em pról de Marília.

Amante e amigo de Marília, pela qual sempre duelou e se degladiou e ainda continua a lutar e degladiar-se.

--:--

Mesmo quem político atuante não era na ocasião, que não é cego e que agora cambiou de situação, não pode ignorar e nem desconhecer a excelente folha de bons serviços que Pedro Sola prestou a Marília.

Mas o vírus das questiunculas políticas contaminou algumas pessoas e estas desejam desmoralizar, desrespeitar a criatura humana.

Propõem-se a esmiuçar a administração anterior na ansia e gana de encontrar erros, falhas ou omissões.

E esquecem-se que o povo é o juiz soberano. Que recentemente deu uma prova de sua soberania, alijando da Câmara Municipal a presença de muitos futriqueiros e inimigos do progresso mariliense.

E esse mesmo povo estará também fiscalizando os que se propõem a fiscalizar. E saberá, na sua vontade e judicioso entender dar a resposta a tempo.

--:--

Há nessas condições um desrespeito humano.

Pedro Sola, o prefeito do passado, não teve siquer o direito de ficar doente um dia. Trabalhou de segunda a domingo e de janeiro a dezembro durante quatro anos. Trabalhou por Marília, para Marília, para os marilienses.

A maioria absoluta – graças a Deus – dos marilienses que reza pela cartilha do desrespeito humano o faz por caturrice, sabendo que deve ser grata a quem realiza, a quem trabalha, a quem constrói e a quem engrandece.

Extraído do Correio de Marília de 16 de março de 1977

sexta-feira, 15 de março de 2013

Coisas de pescadores (15 de março de 1977)



Pescar é um lazer. Uma higienização mental – para os ricos. Ou uma lavagem mental – para os pobres.

--:--

A pesca geralmente é representada por dois bobos: um na ponta da vara e outro na ponta da linha.

--:--

Muito mais idiota que o pescador, é um sujeito que fica horas e horas, olhando para o outro pescador não pescar coisa nenhuma.

--:--

Uma coisa, todavia, é certa: a trouxa que se fotografa com os pés sobre uma caça abatida, só pode ser ultrapassado, pelo idiota, que manda tirar sua fotografia, segurando o peixe que percou.

--:--

O cabo PM Rubens Piccelli foi o único mariliense, que, até agora, conseguiu pescar uma bola de mortadela inteirinha – zero quilômetros e em bom estado de mastigação. Perguntem a ele.

--:--

Por razão essa, quando um distinto voltou a zero da pescaria e procurou a peixaria para comprar um pintado, só encontrou peixe em tamanho grande. E ante a insistência do comerciante para que levasse aquele peixe, que era o único pintado, o pescador justificou:

- Não, esse é muito grande e ninguém vai acreditar que fui eu quem pescou… dê-me só um pedaço cuns dois quilos…

--:--

Ninguém sabe, mas a verdade é que o bacalhau, seja norueguês, ou português, ou de outra qualquer origem, nada mais é do que uma múmia salgada e comestível.

--:--

Ninguém mais ouviu falar na exportação de minhocas brasileiras par os Estados Unidos. É que os norte-americanos inventaram a minhoca de plástico, que dá tão bons resultados quando as imundas minhocas do Brasil.

--:--

Mas então, tem o caso de um distinto que estava pescando corimba, no Rio Tibiriçá. Muito quieto, no mais profundo e absoluto silêncio, o pescador aguardava ansioso, o momento em que o corimbatá se dispuzesse a aparecer por alí e começar a “mamar” na isca que estava no anzol.

E como o silêncio era tanto, tanto mesmo, o pescador pode ouvir a voz de um corimba macho, vinda de dentro do rio. E o corimba macho, dizia o corimba fêmea:

- Querida, se você não me der o “sim”, juro que me suicido, engulindo essa isca!

--:--

Mas o azar do pescador, especialmente o pescador amador, é um dia dizer a verdade sobre pescarias e ninguém acreditar.

--:--

Por isso, quando aquele pescador estava plantado na margem do Rio Feio e dele se aproximou um guarda florestal, o pescador nem se abalou. Mas o policial pediu-lhe a licença para pescar. O homem não se faz de rogado e entregou-lhe a carteirinha.

O policial florestal olhou o documento e observou:

- Meu amigo, essa licença já está vencida. É licença do ano passado.

O pescador não se confundiu e respondeu sorrindo.

- Ora, seu guarda, isso eu sei, acontece que eu só estou pescando peixes do ano passado… porisso, tudo bem.

--:--

Mas o fato é que eu nunca pude tornar-me pescador, só porque, desde pequeno, minha mãe costumava dizer-me:

- Meu filho, quem mente vai prô inferno!

Extraído do Correio de Marília de 15 de março de 1977

terça-feira, 12 de março de 2013

Gírias e tatuagens (12 de março de 1977)



Dia outro, em palestra com um amigo, veio à tona do colóquio, o assunto relacionado com a gíria de nosso vernáculo.

Efetivamente, o brasileiro é pródigo em inventar novas expressões, novas definições, palavras de sentido antagonico. Todavia, há dois generos desse mesmo campo. As gírias espontaneas, especialmente cariocas e as gírias de malandros e cadeieiros.

--:--

Eu mesmo costumo usar gírias em meus escritos.

Gírias sadias, bem entendido. Gírias naturais, dessas que enriquecem, senão o vocabulário oficial, pelo menos o sentido usual da identificação e discriminação das coisas.

Não aprecio as gírias de cadeia e de malocas e algumas não entendo bem.

--:--

Um distinto contava sobre um romance improvisado, em que mal havia visto uma dama, com esta havia trocado olhares e iniciado uma palestra, para acabar indo visitar a casa da mesma.

Contou assim:

- Eu tava de beleza, cismando as coisas, fazendo tempo para rango. Desdaí vinha acontecendo um mulheraço, que deu logo luz baixa e luz alta pro candango. Eu assuspeitei da moleza i persegui a caça, arcançando e botando saliva nela. Ela arquejô no papo e pois se mandô pro cerrado, em busca do mocó. Chegámu no pedaço e o papo foi bacana do céu na terra. Falô?

--:--

Outro dia, num bar da cidade, acercou-se de mim um cara que eu jamais havia visto mais gordo. Pediu-me um cigarro. Disse-lhe que não fumava. Pediu-me que lhe pagasse uma pinga. Neguei-lhe o pedido.

Mas o cara, ao envés de dar a conversa por finda, resolveu reanimá-la.

E voltou a falar:

- Meu camarada, gente boa, tu qué esquentá a guéla, pédi que eu págo a cangibrina.

Ia sair, mas quem estava comigo, segurou-me, piscando o olho, como a pedir que continuasse a ouvir. E foi o que aconteceu.

--:--

O estranho dirigiu-se novamente para mim, dizendo:

- Tu é genti boa, meu camarada. Tu é fazendêro, isso eu sei. Tu é genti fina, meu camarada.

Eu estava para “estourar” com aquelas conversa mole e de giria, me acabei aquiescendo ao novo pedido de meu companheiro, que fazia questão de provocar o estranho, para que ele continuasse com suas baboseiras.

E o homem continuou:

- Tu é gente fina, ó meu… tú é fazendeiro, isso eu sei, meu camarada. Eu também sou gente fina. Eu também tenho meu dinheiro, ó meu.

E prosseguiu:

- Eu sô encanadô, sô piloto-aviadô, sô sargento da Força Pública. Já tive fazenda, mais perdi ela. Num tô nem ai. Sei dirigi tratô e sô motorista também. Mais minha carta tá bastecida, tú sábi u quié? Tá vencida de prazo, mais si eu quizé ôtra é só falá cum us capitão du Exército, que são tudos meus amigos…

Não aguentei mais. Saí.

--:--

O amigo que estava comigo, veio em seguida, glosando o fato de sempre acontecer isso comigo: bêbados procuraram-me para longas e inúteis conversas.

O homem que havia contado toda aquela baboseira, estava todo tatuado. E meu amigo observou:

- Nota sempre isso. As pessoas tatuadas que você encontrar, podem resumir-se nesta porcentagem: 5 por cento, em casos de curiosidade ou de ingnorância. 5 por cento, para os casos de ex-presidiários.

Foi aí que liguei a abundância de girias, com as tatuagens, achando que meu amigo deveria ter razão.

Extraído do Correio de Marília de 12 de março de 1977

segunda-feira, 11 de março de 2013

Falando sobre gasolina… (11 de março de 1977)



O presidente Geisel vem de anunciar a revogação da medida que dispunha sobre o depósito compulsório e restituível, na aquisição de gasolina.

A decisão causou excelente impressão no seio da opinião pública, como uma prova de que o povo havia recebido a medida inicial, com pouca satisfação.

Se, acredita-se, continuar a sistemática da economia do referido combustível, com a não abertura de postos de serviço aos domingos, possivelmente a angustiante crise do petróleo, muito ficará amenisada.

Pelo que se deu a perceber, neste pequeno espaço-tempo de vigência dessa medida de economia de petróleo, reforçada em seus efeitos, pela proibição de velocidades acima de 80 quilômetros horários, a situação melhorou bastante.

Por outro lado, muitos motoristas continuam ainda a desobedecer as determinações superiores e estão sendo multados sem complascência.

O Governo não anunciou ou talvez não se preocupou em saber, o “quantum” de arrecadação extra, advem dessas autuações. Mas se tal vier a ser verificado, constatar-se-á de que a renda é bem grande, embora jamais pudesse alcançar o teto que resultaria do pretendido e já prescrito depósito compulsório.

Em outras palavras, a arrecadação dessas multas por ultrapassagem do “paralelo 38” da velocidade máxima, poderá representar uma excelente contribuição, inclusive para atenuar as dívidas externas.

--:--

Em Sorocaba, está sendo organizado um moviment de colaboração ao próprio país, nesse terreno de economia de gasolina.

Consiste em fazer, que um domingo por mês, nenhum sorocabano ande de carro, gastando gasolina. Todos os veículos permanecerão nas garagens. Para tal, as famílias sorocabanas elaboram seus planos de permanencia em suas casas ou em residências de parentes, locomovendo-se a pé ou de ônibus circulares.

Só os casos especiais, mais precisamente nos setores de saúde, hospitalização e maternidades, é que permitirão a utilização de veículos particulares, sem que isso implique em infração.

O movimento, de início, encontrou uma certa represália popular e serviu inclusive de algumas explorações políticas, mas acabou sendo normalmente interpretado.

Ao mesmo, estão incorporadas as autoridades do município, imprensa e rádio.

--:--

Está existindo um fator que é digno de registro e que diz respeito a esse campo de economia compulsória de gasolina, em virtude de não funcionamento de postos aos domingos.

Tem gente “folgada” – aqui em Marília, sim – que não se preocupa em encher o tanque aos sábados, mesmo sabendo que isso será impossível nos domingos. E o resultado é que acaba ficando em dificuldades, ou colocando terceiros em dificuldades, com cessão ou “empréstimos” do combustível.

--:--

Mas isso não é tudo.

Tem gente que está cansada de saber que nos dias de domingo não se adquire gasolina em lugar nenhum do Brasil. E essa gente aventura-se a realizar viagens distantesm, cujo consumo de gasolina é superior à capacidade dos tanques dos veículos.

Os resultados é que ficam “serrando” gasolina de estranhos, ou ficam parados, aguardando a manhã de segunda-feira, para proceder o abastecimento normal.

Francamente, senão for uma teimosia sem nome, isso representa burrice mesmo.

Extraído do Correio de Marília de 11 de março de 1977

domingo, 10 de março de 2013

Precisamos de uma delegacia da Sunab (10 de março de 1977)



Marília precisa de uma delegacia da Sunab.

Mas a própria Sunab precisa auto-enquadrar-se, para reconquistar sua confiança e funções precípuas, de importante órgão federal.

Ultimamente, a Sunab tem sidop desacreditada perante a opinião pública, por ter cometido pecados, senão omissões, no exercício específico de sua missão: tabelar preços, fiscalizar e fazer cumprir as tabelas cotativas, punindo infratores, quando forem os casos que tais.

--:--

Divulgamos em nossa edição de ontem (9 de março de 1977), parcial tabela de preços de alguns dos mais consumidos produtos de bares e lanchonetes.

É a tabela vigente.

Para todo o Estado de São Paulo.

--:--

Porque, a verdade mesm, é que ninguém protege os consumidores.

Numa comparação grosseira, nem mesmo o Exército ou a Polícia, protegem os consumidores, das garras e das ganas de alguns comerciantes desalmados.

Tem gente que gosta de brincar com fogo.

Tem, também, quem procura fazer disto aqui, uma terra de lagartos, onde o animal mais vivo, mais sagaz e mais rápido, acaba devorando o rabo do mais tolo e mais lerdo.

Tem.

--:--

Dia destes, lá em São Paulo – a Capital que mais cresce no mundo e a cidade onde mais se explora nos preços de mercadorias vendidas a varejo – num bar, na Rua Duque de Caxias, a citada tabela de preços estava afixada em local visível, mas o português de plantão na caixa registradora, fazendo que não via a mesma tabela e cobrando a maior.

Um freguês reclamou. Foi a “pior viagem”. O homem da caixa registradora abriu a boca e deitou cobras e lagartos sobre os costados do cliente, dizendo-lhe que quem mandava no seu estabelecimento era ele e não a Sunab, etc. e tal. E acabou mandando o freguês às favas (mandou, na verdade, para outro lugar).

Eu assisti e quando chegou a minha vez de pagar a consumação, senti que o luso me havia metido a mão no bolso, cobrando-me extra tabela. Mas preferi evitar as xingações que o outro havia ouvido.

--:--

Também dia outro, na Rodoviária em São Paulo, propuz-me a tomar um chopinho gelado, enquanto aguardava a hora do Prata para regressar a Marília.

Entrei no bar, onde se apanha papeleta na entrada e se paga a despensa na saída. Fazia tempo que não adentrava aquele recinto.

Observei que em organização o estalecimento caiu muito do que era no passado. Algumas moças, de saias curtas e exibindo as pernas, atendendo o público, com aparente má vontade.

Tinha gente reclamando, inclusive um cidadão, dizendo que além de tudo alí ser demasiadamente caro, o serviço não satisfazia e as moças, antes de mais nada, já colocavam recepientes na cara do freguês, como a exigir gorjetas.

--:--

Pedi o chope. Quando fui servido, reclamei, pois não estava bem gelado.

Um mocinho, ao meu lado, estava chiando. Era de Curitiba – disse. Pediu um “cheese”. Em Curitiba custava seis cruzeiros e lá lhe haviam cobrado 25!

Pedi um “bauru” e como servem esse sanduiche acompanhado de pequena porção de maionese, disse que dispensava o acompanhamento. A moça informou que o preço era o mesmo, com ou sem a maionese. Respondi que não fazia questão.

O “bauru” de lá, diferente do daqui. La, duas fatias de pão de forma, com uma fatia de presunto e outra de queijo, com duas rodelas de tomate.

Cobraram-me pelo “bauru”, 17 cruzeiros.

Protestei, é claro.

A mocinha que me serviu limitou-se a dizer: “aqui o preço é esse mesmo”… - e voltou-me as costas.

--:--

Lá tem Sunab. Mas a fiscalização é falha, senão, tais casos de explorações e de lucros extraordinários não iriam se verificar.

Por razão esta, que, no início deste artiguete, disse que Marília precisa de uma delegacia da Sunab, mas que fiscalize.

Senão, nada feito.

Por que, em verdade, não se sabe quem protege os consumidores.

Ou alguém sabe?

Extraído do Correio de Marília de 10 de março de 1977