quinta-feira, 30 de abril de 2009

Confisco Cambial (30 de abril de 1957)

Continua em vigência em nossa cidade, o movimento organizado pela defesa do café, contra o confisco cambial.

Na noite de domingo último, reuniram-se várias pessoas interessadas nessa contenda, na Associação Rural de Marília, ocasião em que foi organizada a Comissão Executiva e de Coordenação Contra o Confisco, com a participação e apôio de aludida entidade.

Vários planos de trabalhos foram esboçados, visando bem esclarecer o público em geral, bem como fazer sentir aos srs. Ministro da Fazenda e Presidente da República, a urgência e a necessidade que a derrubada dêsse confisco representam, para a própria economia nacional, de vez que na exportação do café reside a principal fonte de riqueza do país.

Segundo nos esclareceu pessoa conhecedora do assunto, o atual sistema de confisco cambial representa mesmo, uma questão que está de ha muito, a merecer as atenções daqueles que têm sobre os ombros, a responsabilidade dos destinos do Brasil. O café brasileiro, de acôrdo com tal sistema, está sendo vendido no principal mercado cafeeiro do mundo – Estados Unidos –, por um preço elevadíssimo, em relação aos produtos procedentes de outros paises, fazendo, logicamente, com que percamos, cada vez mais, aquela primazia que até ha alguns anos atrás desfrutavamos, de sermos o “primus inter pares”. Dêsse modo, outros paises vendem aos Estados Unidos, café bem mais barato, embora de qualidade interior que o brasileiro.

Porder-se-ia pensar que o preço aí, imporia obrigatoriamente o respeito e o prestigio pela qualidade do produto. No comércio internacional, o que manda é o preço e a concorrência; os paises que importam o produto, tanto consomem o café especial do Brasil, como podem consumir o produto de classe baixíssima, como é o café africano. Em consequência, a acentuação no mercado internacional do café brasileiro, decresce ao invés de aumentar.

Existe ainda outro particular sobre a questão, que é um dos pontos básicos dessa luta: É o caso das divisas decorrentes da diferença da transação, entre o preço aquisitivo no país e o preço de venda no mercado exterior. Essas cifras, não constam do orçamento da nação, não sabendo-se ao certo por que meios tais divisas são empregadas.

A luta em tela está, sem dúvida, movimentando a opinião pública e as classes interessadas estão empenhadas nessa batalha, de corpo e alma.

A Comissão local está programando para breve, enumeras providencias elucidadoras a respeito desse movimento da defesa do café contra o confisco cambial.

Extraído do Correio de Marília de 30 de abril de 1957

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O edifício do IAPB em Marília (27 de abril de 1957)

Oportuno e magnífico requerimento aprovou a Câmara Municipal de Marília, na última sessão ordinária, de autoria do vereador dr. Fernando Mauro, solicitando providências urgentes dos srs. Presidente e Diretor do Departamento de Inversões do IAPB, no sentido de que sejam iniciadas as obras da construção do “arranha-céu” projetado pelo citado Instituto, em terreno sito à Av. Santo Antônio.

Argumentou e justificou o requerimento referido, o vereador pedecista, com dois motivos distintos: um, a construção de um prédio na cidade de Franca, de 8 a 10 andares; outro, a já existência do terreno para tal fim, que já deu origem, inclusive, a concorrência pública.

De fato, as providências iniciais foram tomadas e é de estranhar-se que até agora nada mais do que as promessas pomposas tenham sido feitas. Na ocasião, divulgamos o fato com bastante alegria, pois não só o erguimento do prédio iria representar mais um marco de progresso urbanístico em nossa cidade, como, também, iria a referida construção beneficiar inúmeras famílias de bancários de nossa “urbe”.

Eis a integra do requerimento citado, aprovado pela edilidade mariliense na sessão de anteontem:

“Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Marília.

“Requeiro, em regime de urgência, após ouvido o plenário, se oficie aos srs, Presidente e Diretor do Departamento de Inversões do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários, solicitando seja dado prosseguimento ao decantado edifício que seria construído em nossa cidade, no magnífico terreno adquirido para êsse fim, na Rua 9 de Julho, quase na esquina da Av. Santo Antônio e que, além de embelezar a cidade, viria beneficiar em muito a laboriosa classe dos bancários de Marília contribuintes do Instituto.

“O projeto de construção de há muito foi elaborado, chegando mesmo a ser posto em concorrência pública, não tendo sido iniciada, por motivos que ignoramos.

“É de se lembrar também que outras cidades, com menor número de estabelecimentos bancários que Marília, já contam com a benefeitoria que os bancários marilienses almejam com justa razão, e com as quais fazemos côro. Publique-se na imprensa local.

“Sala das Sessões, em 25 de Abril de 1957.

“ass. Dr. Fernando Mauro Pires Rocha”.

A solicitação da Câmara, através dêsse requerimento aprovado, deve ser engrossada também por outros pedidos, como, por exemplo, o órgão representativo da classe em nossa cidade, a Associação Comercial e a própria Prefeitura Municipal.

A notícia que publicou o fato da construção de igual edifício em Franca, dá ciência de que em outras cidades de grande expressão bancaria, serão construídos prédios de igual monta, pelo IAPB. Nessas condições, e, considerando ainda a já existência do terreno e a respectiva concorrência pública, fácil será a concretização dêsse melhoramento para os bancários de Marília.

Facil será, convenhamos, porque já existem alguns fatores favoráveis: terreno, interêsse e dinheiro. Havendo boa vontade, tudo estará em breve resolvido...

Extraído do Correio de Marília de 27 de abril de 1957

domingo, 26 de abril de 2009

Programações cinematográficas (26 de abril de 1957)

Decididamente, conforme já dissemos anteriormente, parece que a pessoa encarregada das programações dos filmes para Marília, ou não gosta de nossa gente, ou não leva muito a sério os negócios da emprêsa.

O Cine São Luiz, que é o melhor cinema da cidade, tem apresentado aos marilienses, verdadeiros “abacaxis”. Não nos recordamos de nenhuma película verdadeiramente notável durante o mês que está a expirar. Pelo jeito, entraremos em maio também sendo obrigados a engulir autênticas “bombas”, em lugar de bons filmes cinematográficos.

O pior, é que tais filmes que ultimamente temos visto, quanto mais ruins e pobres em história, maior número de dias permanece em cartaz. Se não existe má vontade por parte da pessoa incumbida de preparar e selecionar as programações cinematográficas para nossa cidade, chegamos a acreditar em falta de compreensão nesses trabalhos ou, o que é pior, na decadência da filmoteca do Sr. Emilio Pedutti.

O fato é que o “habituê” cinematográfico de nossa cidade, quase não tem oportunidade de presenciar um bom filme em Marília. Temos a impressão de que este estado de coisas piorou muito nos últimos tempos.

O “cinemeiro” contumaz reclama, com razão. A Empresa Pedutti precisa, com urgência, voltar suas vistas com mais carinho para esse particular, pois o mariliense sempre soubre prestigia-la como deve. É justo que seja recompensado, assistindo melhores películas nos cinemas da cidade.

Temos notado, como todos, que incontestes “abacaxis” permanecem três ou quatro dias em exibição, muitas vezes contrariando os próprios interesses comerciais da Empreza. Os gerentes locais, segundo pensamos, não podem fazer nada a respeito, pois a programação, é feita previamente em Botucatú. Temos mesmo a impressão que esse serviço de programação não atenta para certos pormenores, como altura das cidades, significado das salas de projeções, número de habitantes, etc... Até parece que o trabalho é rotineiro, obedecendo tão somente as facilidades da distribuição dos filmes, em relação ao “percurso” da circuito. A qualidade da película, têm sido, ultimamente, uma coisa que não tem sido observada, especialmente para os marilienses.

Já reclamamos uma vez acerca desse pormenor. Não descobrimos nenhum “ovo de Colombo”, pois apenas dissemos publicamente aquilo que todos pensam.

Extraído do Correio de Marília de 26 de abril de 1957

sábado, 25 de abril de 2009

Filmes sobre Marília (25 de abril de 1957)

Juntamente com outros convidados especiais e autoridades do município, assistimos na noite da última terça-feira, no auditório da Rádio Dirceu, à exibição de um filme sôbre Marília, película essa realizada pelo sr. Sebastião de Souza Lima.

Escarmentados que estávamos, pelo fato de termos poucos dias antes, presenciado no Cine São Luiz, o “documentário” sôbre a cidade, filmado pelo sr. Marino Neto, pensávamos que iríamos ver, ainda desta vez, um autêntico “abacaxi”, conforme acontecera anteriormente. Tal não sucedeu, porém; o que vimos foi realmente um filme natural, que deixou em evidência, embora com alguns claros, a pujança de nossa cidade e os trabalhos de nossa gente. Um filme, que se completo não foi, pelo menos demonstra, com maior propriedade, o dinamismo de nossa “urbe”.

Um filme, em resumo, eqüidistante em perfeição, plenitude e intenções, frente ao “documentário” que nos impingiu o sr. Marino Neto, documentário êsse que não chegou a arrancar um único aplauso dos que o viram. Em verdade, o propalado filme sôbre o último aniversário da emancipação municipal de Marília, deixou muito e muito a desejar. Conforme já tivemos a oportunidade de dizer, o que vimos, foram umas fraquíssimas vistas aéreas, rápidos flagrantes da chegada do general Juarez Távora, velocíssimos “flashes” da sessão solene da Câmara Municipal e algumas fachadas de pouquíssimos estabelecimentos comerciais da cidade.

O filme do sr. Sebastião de Souza Lima, foi completamente diferente. Em que pese a condição de amador dêsse mariliense, que conseguiu a minguada importância de seis mil cruzeiros, como auxílio do poder municipal, importância insuficiente, conforme podem perceber mesmo os que não entendem do “metier”, a película do sr. Souza Lima, embora incompleta pela falta de recursos financeiros, é, sob todos os pontos, mais completa e mais perfeita, e, o que é principal, atende melhor e mais objetivamente os interêsses do município.

Após a exibição da película referida, que muito agradou aos que a presenciaram, o dr. Aniz Badra, presidente da Câmara, bem como outros senhores vereadores, interessaram-se pelo motivo, de vez que tinham bem percebido a diferença entre um e outro filme, no sentido de alcançar as reais colimadas de nosso centro: mostrar Marília do começo aos pés, sem exibir tão sòmente flagrantes pré-estudados. Aquêles que não conhecem nossa cidade, vendo o filme do sr. Marino Neto, ficarão “na mesma”. No entanto, os que assistirem à película de Sebastião de Souza Lima, depois de completada, pensarão de modo bem diferente.

O curioso nisso tudo, foi a boa fé com que a Comissão dos Festejos de 4 de abril agiu na questão, consignando, segundo estamos informados, cerca de duas centenas de contos de réis ao sr. Marino Neto, que produziu um autêntico “abacaxi”, não do ponto de vista técnico, mas do ângulo objetivo da propaganda de nossa cidade. Enquanto isso, com apenas meia dúzia de contos de réis, o sr. Souza Lima realizou um filme sem paralelo frente ao do sr. Marino Neto, preenchendo de modo mais seguro e real as finalidades que interessam ao nosso povo.

Bom seria que o sr. Prefeito conhecesse tal película (uma vez que a Câmara já a viu), interessando-se em oferecer meios para a ultimação da mesma, bem como, solicitando da Emprêsa Peduti, a sua exibição nos cinemas da cidade, e, se possível, nas salas do circúito Peduti. É verdade que a largura do filme em apreço é de 16 milímetros e não 35. Mas também é verdade que os objetivos estão mais ou menos preenchidos nesse filme e que sua exibição é de interêsse geral, especialmente para nossa cidade.

Aqui fica a sugestão.

Extraído do Correio de Marília de 25 de abril de 1957

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A Diretoria da Banca Municipal (24 de abril de 1957)

Noticiamos domingo, alguma coisa acerca dos interêsses do sr. Prefeito Municipal, em reorganizar-se a Associação Musical Mariliense, tendo-se, como passo preliminar, a constituição de uma diretoria responsável.

Assunto simpático, sem dúvida, que deve merecer a cooperação dos bons marilienses, para que nossa cidade possa dispor de uma corporação musical perfeitamente à altura de suas exigências.

Não vai aqui nenhum desmerecimento aos esforços do sr. Jorge Galati ou aos seus abnegados companheiros; pelo contrário, objetiva êste escrito, abordar o assunto de um ângulo do próprio interêsse da cidade. Efetivamente, a corporação musical de que atualmente dispomos, está aquém, muito aquém, daquilo que realmente necessitamos. Deficiência de artistas, deficiência de instrumentos, falta de outros materiais, etc..

A diretoria que atualmente cogita-se, logo que empossada e interessada em resolver o problema, existindo, conforme é pensamento do sr. Prefeito, o indispensável auxílio municipal, poderá transformar, radicalmente e em pouco, o aspecto e a própria estrutura da atual banda musical.

Notamos, por exemplo, na noite de domingo, na habitual retreta que se realiza na Praça Saturnino de Brito, que a corporação apresentou sensível melhoria de apresentação, apenas pelo fato de ter sido o atual número de participantes, aumentado de duas ou três novas figuras.

Existem, por outro lado, diversas pessoas que poderão emprestar a sua colaboração à constituição dessa diretoria, como, por exemplo, Atílio Gomes de Mello, Sebastião Mônaco, Euclides da Cunha Sornas e muitos outros.

O assunto é, pois, merecedor de atenções. Marília precisa melhorar a sua corporação musical, embora reconhecendo os bons serviços que a atual banda tem prestado à cidade.

Um pequeno aumento de figuras e instrumentos, uma sede condigna da corporação e mesmo um jogo de uniformes próprios, como acontece com tôdas as boas corporações musicais, são necessidades que todos reconhecem.

Acontece, nesse particular, o contrário do que com o futebol: Enquanto poucos são os dispostos a assumir a responsabilidade de dirigir os destinos do clube, conforme tivemos o ensejo de ver, acreditamos que muitos bons marilienses dispor-se-ão a colaborar com a diretoria ora em cogitações, para reorganizar e dirigir os destinos da Associação Musical Mariliense.

Oportunamente voltaremos ao assunto.

Extraído do Correio de Marília de 24 de abril de 1957

sábado, 18 de abril de 2009

Notícias Diversas (18 de abril de 1957)

O secretário do Comércio da Espanha acaba de comunicar ao Itamarati, a autorização da exportação de mil toneladas de azeite de oliveira para o Brasil.

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O ex-presidente da República, Sr. João Café Filho, vai escrever um livro sobre suas memórias. A referida óbra será confiada ao editor José Olimpio e deverá estar circulando já no fim do corrente ano.

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Em Valparaizo, o Juiz de Menores da Comarca, percebendo que inúmeros estudantes dos cursos noturnos “enforcam” aulas para freqüentar cinemas, “snookers”, e outros lugares, baixou provimento impedindo as casas de diversões de permitirem a entrada de estudantes uniformizados, no período das 18,30 às 22,30 horas.

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Parece que de hoje até amanhã, deverá mesmo eclodir a greve dos ferroviários da Cia. Paulista de Estradas de Ferro, uma vez que a direção da empresa recusa-se a aceitar as condições pleiteadas pela classe. Isto é o que ficou assentado nas reuniões de ferroviários, levadas a efeito domingo último, nas cidades de Campinas, São Carlos e Baurú.

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A COMAP mariliense está prestes a reorganizar-se. É bom mesmo. A lista dos nomes apontados para integrar o citado elemento controlador e fiscalizador de preços é das melhores. Nossos votos para que “tudo dê certo”.

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O deputado João Batista Ramos, do PTB, antecipando o pensamento de sua bancada, afiançou que a mesma votará favoravelmente ao pedido para ser processado o deputado Carlos Lacerda.

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O Conselho Nacional de Educação autorizou o funcionamento, ainda este ano, da Faculdade de Direito ha pouco criada em Sorocaba. Por falar nisso, em que pé andam as providências dos marilienses, acerca da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, também criada oficialmente em Marília?

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O sr. Mário Augusto Machado Pinto, industrial paulistano, acaba de requerer mandado de segurança ao Tribunal Federal de Recursos, contra o Ministro das Relações Exteriores, afim de sustar qualquer áto dêsse ministro, tendente a autorizar o embarque de automóveis previsto pelo art. 4 da lei 3.053, recentemente promulgada pelo vice-presidente do Senado.

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Em Franca, a COMAP conseguiu oferecer ao público, durante a semana santa, bacalhau, peixes e outros artigos, por preços bastante inferiores aos normais no mercado francano.

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Reviveu realmente o MAC. O alvi-rubro, sob a direção esportiva de Antonio Lourenço e sob as ordens técnicas do Dr. Paulo Nahim, realizará hoje seu primeiro grande treino coletivo. Parabens.

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Não pretende mais licenciar-se o Governador Jânio Quadros, segundo declarou-se oficialmente na Capital. Supõe-se que os motivos da desistência, de tal licença devam origem ao fato do atual vice-governador, Porfírio da Paz encontrar-se divorciado da linha política adotada pelo Chefe do Executivo bandeirante.

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Hoje não haverá sessão da edilidade mariliense, conforme anunciamos anteriormente. Em virtude do Dia Santo de guarda, o legislativo só voltará a reunir-se na próxima semana.

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Uma fortaleza voadora da FAB levou até Gaza, centenas de óvos de páscoa para os pracinhas brasileiros que se encontram no Egito.

Extraído do Correio de Marília de 18 de abril de 1957

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Campanha dos cafés finos (17 de abril de 1957)

Levanta-se no momento uma louvavel bandeira nacional(:) a campanha dos cafés finos, preconizada pelo Instituto Brasileiro do Café, já conseguindo grande repercussão entre o povo.

Efetivamente, trata-se de uma iniciativa necessária, que foi lançada até com grande atrazo entre nós. Indiscutivelmente, o café brasileiro representa ainda o celeiro primordial de nossas divisas econômicas, em que pese, é calro (claro), não ser o Brasil o único exportador da rubiácea, embora continue sendo “primus inter pares” a respeito.

O problema do aprimoramento do café brasileiro, torna-se algo do mais do que u’a necessidade; seu alcance é mesmo uma ipmosição (imposição) daquilo que poderíamos chamar de “dignidade de produção”, principalmente hoje em dia, quando nosso país deixou de ser aquela cômoda nação cafeeira, tendo que “mexer-se”, frente aos diversos concorrentes de nossos dias.

Se tudo progrediu, lógico é que êsse aprimoramento de produção, teria um dia de fazer-se presente também. Principalmente, quando certas políticas comerciais interessadas, começaram a mostrar “os podres”, denunciando publicamente o selecionamento de nosso café. A respeito, lemos não ha muito, um verdadeiro “libelo” contra as impurezas do café exportado, com dados estatísticos de centenas de “sujeiras” de peso, em cada tonelada de nosso café vendido no mercado exterior.

Hoje o Brasil não é o único país privilegiado, com exportador de café. Embora seja inegável que a primazia da qualidade e do sabor do produto pertencem aos brasileiros, o certo é que atualmente já temos adversários a temer, com probabilidades de ganharem estes mais terrenos, caso continuemos a descuidar-nos dessa imperiosa necessidade de aprimoramento de nossa principal riqueza exportadora.

Uma coisa, no entanto deve ser observada pelos timoneiros dêsse elogiável movimento: é a questão dos processos e meios pelos quais está sendo desenvolvida a campanha. A publicidade e os esclarecimentos que a respeito estão sendo processados, está atingindo as camadas citadinas, com pouca ou nenhuma penetração onde deveria ocorrer: na própria lavoura. Urge então, se não u’a mudança no sistema atualmente em vigência, pelo menos maior objetividade vizando atingir aquele que realmente planta e colhe o café. Sem isso, pensamos, talvez os organizadores dessa louvável campanha, não consigam de modo total os objetivos completos.

A respeito dessa necessidade, algo está a chamar real e urgente efetividade, dentro do setor de educar-se o lavrador, principalmente o pequeno, de maneira positiva, mormente aquele, que, por uma série de motivos, não está acompanhando “pari passu” o andamento dessa campanha.

A iniciativa merece nossos aplausos e nosso apôio; apenas com éssa resssalva.

Extraído do Correio de Marília de 17 de abril de 1957

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Três assuntos do momento (16 de abril de 1957)

Assistimos, como inúmeros outros marilienses, o filme sobre Marília, realizado no último dia 4 de Abril, ocasião em que nossa cidade comemorou mais um aniversário de sua emancipação político-municipal.

Esperavamos ver na realidade, uma película que demonstrasse aos olhos do público, principalmente do público de outras paragens, a grandeza de nossa cidade, o vulto de nossas realizações. Tal, no entanto, não aconteceu. O que vimos, efetivamente, foram alguns flagrante(s) aéreos da cidade, da chegada do general Juarez Távora, rápida vista da sessão especial da Câmara Municipal e fachadas de alguns estabelecimentos comerciais.

Achamos fraquíssimo o filme em apreço, já que esperavamos presenciar um autêntico documentário da vida mariliense, onde ficasse evidenciado o dinamismo de nossa cidade, seus pontos mais interessantes, suas realizações e sua grandeza, enfim. Temos a impressão de que os que conhecem Marília, ficarão “na mesma”, assistindo ao filme referido, que nem de leve traduziu o que dele esperavamos.

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Cogita o sr. Prefeito Municipal, um grande e útil empreendimento urbanístico para nossa cidade: a abertura da Av. Pedro de Toledo em direção à saída o município de Oriente. Tal realização, virá contribuir de maneira inequívoca para o crescimento de nossa “urbe”, prestando, por outro lado, inestimável colaboração ao descongestionamento do trânsito, uma vez que a Av. Castro Alves escôa o grande movimento da Rua São Luiz e da Av. Sampaio Vidal, recebendo, por outro lado, como única entrada, todo o trânsito procedente da Alta Paulista, desde a barranca do Paraná até nossa cidade.

Oxalá seja possível de fato, a concretização dessa extensão da Av. Pedro de Toledo, até a saída para Oriente, que além das vantagens enumeradas que representará para Marília, forçará naturalmente a expansão da cidade para o setor onde se verifica o maior parque industrial da Alta Paulista.

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Estamos ainda informados de que num terreno municipal, próximo ao aeroporto, à margem da rodovia que demanda à Lins, cogita-se a fundação do Horto Florestal de Marília.

A respeito, sabemos também que o cônsul Hélio Scarabôtolo está trabalhando junto ao govêrno Kubitschek, no sentido de conseguir, para tal fim, uma verba federal.

Assunto de suma importância, sem dúvida alguma. Necessidade marcante já exigida pelo progresso de nossa querida Marília, que terá assim, no futuro, um melhoramento dêsse jaez, onde se estudem e multipliquem espécimes frolestais (florestais).

Por outro lado, representará também um cartão de identidade comprovador das iniciativas e realizações da gente mariliense e em especial de nossas autoridades municipais.

Oportunamente, voltaremos com maiores detalhes sôbre êsse assunto.

Extraído do Correio de Marília de 16 de abril de 1957

domingo, 12 de abril de 2009

A “Rainha dos Pracinhas” (12 de abril de 1957)

A Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, Secção de Vitória, Estado do Espírito Santo, vai eleger a “Rainha dos Pracinhas”. Os ex-combatentes da Fôrça Expedicionária Brasileira, sediados na capital espiritosantense, pretende, com o resultado financeiro dêsse inédito certame entre nós, obter fundos destinados à construção de sua sede própria.

A Philips do Brasil S/A prestigiará o citado concurso, num gesto digno de louvores, principalmente quando os govêrnos se esquecem de voltar suas vistas para a classe dêsses heróis anônimos e desiludidos, apesar da imensa bagagem legislativa de “amparo” aos ex-“pracinhas”, leis bonitas e bem feitas, desgraçadamente não ou mal cumpridas.

Os ex-combatentes de nossos dias, em sua maioria, andam desajustados socialmente, neuróticos, reumáticos, algo envergonhados pelo sagrado dever rumprido. Explica-se facilmente tal proceder. Sempre que bateram às portas dos govêrnos, estas foram fechadas. Apesar do amparo legal. Apesar da “boa vontade” manifestada publicamente por gente de responsabilidade. Apesar de tudo.

Qualquer médico (embora aqui em Marília tenhamos um, declaradamente inimigo dos ex-combatentes), saber que a resistência biológica tem limite. Sabe, por outro lado, que ninguém, que tenha combatido durante nove meses seguidos, sem dormir uma noite continuada, sem estar abrigado sob um teto, lutando contra um inimigo experimentado, enfrentando um clima adverso ao tropical de nosso país, numa situação continuada de “suspense” entre a vida e a morte, com enorme responsabilidade sôbre os ombros, sem esperanças de regresso, tem, forçosamente, que apresentar uma série de desequilíbrio em seu estado geral de saúde. É por isso que muitas vezes, ouvimos referências contundentes e anti-patrióticos, por parte de maus brasileiros, de que todo pracinha é “meio louco”.

Hoje em dia, a própria classe é desunida, tamanha é a decepção sofrida; hoje em dia, nenhum pracinha sente orgulho em declinar sua condição de ex-combatente, tantas foram as indiferenças que lhe foram atiradas ao rosto, após o dever cumprido.

Precisou, para os “pracinhas” de Vitória, o prestígio de gente estrangeira, uma vez que as autoridades constituídas relegaram a contribuição daquêles que pagaram ao país a mais alta dívida que êste podia exigir de seus filhos: a dívida do tributo do sangue!

É certo que nem todos os brasileiros são assim. É exato que muita gente sabe compreender as condições psicológicas dos ex-combatentes e dispensa-lhes aquêle reconhecimento agradecido. Infelizmente, entretanto. Há quem reconheça o valor dos ex-combatentes e chore até hoje: São as espôsas, as mães, as irmãs e os pais dos pracinhas, que jamais na vida, voltarão a ser aquilo que eram antes do embarque para a Itália. Há ainda as mães que choram o desaparecimento dos filhos que ficaram plantados no Cemitério de Pistoia.

Para muitos govêrnos do Brasil, a condição de ex-combatente, o amparo necessário a êsses desgraçados (êsse é o têrmo certo), o dever pátrio cumprido é relegado, frente a um pedido inteiresseiro, com um emprego público a um “filhote político” ou a u’a moça de corpo escultural e pernas bem torneadas, ou ainda, principalmente, sendo amante de algum “coronel”, algum deputado, prefeito ou outra pessoa de idênticas “possibilidades”.

Em Marília temos casos lastimáveis de “pracinhas”. E “pracinhas” que foram verdadeiros heróis, não soldados de retaguarda. Em todo o Brasil isso ocorre. Os jornais já noticiam, repetidas vezes, suicídios de ex-combatentes, divulgando cartas que são verdadeiros libelos contra o descaso que se dispensa à classe. No Rio de Janeiro, em plena Praça Carioca, o redator dessas linhas presenciou “pracinhas” mendigando, exibindo seus diplomas e suas medalhas conquistados com o próprio sangue e com a própria saúde física e moral.

Em Vitória, os “pracinhas” vão procurar sorrir para o público espiritosantense, pedindo dinheiro representado em votos, elegendo a “Rainha dos Pracinhas”, tentando construir sua sede própria. Embora em seus corações exista u’a mágoa inapagável pelo motivo dêsse verdadeiro desprezo para com aquêles que nada mais fizeram, do que cumprir o dever pátrio.

Nossos votos para que as intenções dos “pracinhas” de Vitória sejam bem compreendidas e bem sucedidas.

Extraído do Correio de Marília de 12 de abril de 1957

sábado, 11 de abril de 2009

O IV Congresso de Municípios (11 de abril de 1957)

Conforme é do conhecimento do público, terá lugar no Rio de Janeiro, de 27 do corrente até 5 de maio próximo, o IV Congresso Brasileiro de Municípios, conclave de suma importância para a vida municipal de todo o Brasil, onde deverão fazer-se presentes representantes de tôdas ou quase tôdas as comunas brasileiras.

Marília, como sempre, far-se-á presente nessa importantíssima assembléia, por cinco de seus vereadores (três oficialmente nomeados pela Câmara Municipal; um, delegado pela própria representação partidária que pertence; e o outro, como presidente da Associação Paulista de Municípios.

Os drs. Durval Sproesser, J. Guimarães Toni e Fernando Mauro Pires Rocha, são os delegados da Câmara, para êsse congresso. O primeiro, com três teses apresentadas e os outros com dois trabalhos cada. O dr. Coriolano de Carvalho, foi indicado pelo Partido Trabalhista Brasileiro, para representar o P. T. B. mariliense ao aludido conclave. O representante trabalhista, em virtude de não ter apresentado suas teses dentro do lapso de tempo preconizado pelos estatutos do IV Congresso Brasileiro de Municípios, fé-lo através da Associação Paulista de Municípios, na forma estatutária da assembléia referida.

A respeito, aqui fica registrada a confiança dos marilienses em geral, pelos trabalhos que, como sempre, serão desenvolvidos pela delegação da cidade “símbolo do amor e da liberdade”. Um total de onze magníficos trabalhos dos representantes marilienses, de interêsse urgente e geral para a causa municipalista, deverá merecer apreciação dos congressistas brasileiros. Além disso, podemos afirmar, sem receio de êrro, nossa cidade far-se-á representar pelas suas maiores autoridades em assuntos municipais nêsse importantíssimo certame nacional, cuja causa é das mais nobres e dignas, plena de esperanças totais para a redenção da bandeira municipalista.

Nossos votos para que os trabalhos decorram, como sempre, num ambiente de ordem e compreensão, dentro do amor sadio ao futuro da vitória total do municipalismo, que é a base da própria independência e economia brasileiras. Está provado que a descentralização e a equânime distribuição de rendas pelas comunas, com maior amparo ao homem do interior, maior incentivo e maiores facilidades de financiamento, além de maior conforto social, médico, hospitalar, educacional, etc., além ainda, de maiores facilidades oficiais de apôio e incentivo à lavoura, comércio e indústria, transformarão, em pouco tempo, radicalmente, nosso grande país. Até hoje, o povo interiorano tem vivido afastado dos grandes centros e das grandes capitais. Até hoje, as autoridades municipais têm sido esquecidas dos poderes centrais e o que conseguiram fazer, regra geral, foi a consequência do espírito próprio de carater empreendedor, embora sempre e sempre colaborando com as capitais.

Em boa hora, foi levantada a bandeira municipalista. Em boa oportunidade, os soldados do municipalismo tomaram posição nessa patriótica e redentora trincheira de interêsse pátrio. Só depois que essa luta foi efetivamente iniciada, é que principiamos nós, os caipiras interioranos, a receber alguns resultados eficientes e compensadores; não à guisa de favores, mas como a solvição de direito líquido, certo e irrefutável.

Nossos votos, ainda, para que os frutos dos trabalhos dêsse importante conclave nacional, traduzem-se, o mais cedo possível, na realidade que todos esperamos.

Embora um tanto previamente, aqui consignamos nossos votos de boa viagem, felicidades e pleno sucesso aos representantes mailienses, que levarão a bandeira de Marília ao IV Congresso Brasileiro de Municípios.

Extraído do Correio de Marília de 11 de abril de 1957

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Nós somos assim... (10 de abril de 1957)

Aquêle que milita na imprensa, mormente a imprensa interiorana, que é conhecido de todo o mundo, torna-se obrigatoriamente um tipo curioso, diferente, às vezes esquisito, por vezes exótico, suspeito, condenável, elogiável, ou digno de ódio ou bajulações ao mesmo tempo.

Nem todos compreendem perfeitamente bem, a missão do cronista. Nem todos estão capacitados a entender, de modo categórico, seguro e positivo, o trabalho do jornalista bem intencionado, aquêle que por profissão ou por amor ao ofício, propôs-se a exercer um verdadeiro sacerdócio, na missão de informar, orientar, criticar em termos, difundir e divulgar os fatos.

Todo mundo gosta de receber elogios, de ver ressaltadas suas ações, de perceber em relevo seu nome. Ninguém consegue conformar-se, ao receber uma crítica, nem mesmo sabendo-a razoável, cabível e justificável.

Se o jornalista delineia um acontecimento com destaque de um nome, recebe a gratidão dêsse nome e de seus amigos verdadeiros; ao mesmo tempo, a repulsa dos adversários dessa pessoa, que nem sequer se dão ao trabalho de auscultar o dever e a obrigação do trabalhador da imprensa. Se, ao contrário, critica um nome, embora tenha a seu favor as manifestações de apreço ou aplausos daquêles que são contra êsse mesmo nome, não faltam censuras ao seu ato, quer por parte do atingido, quer por parte do número de correligionários do mesmo.

Numa cidade interiorana, é comum ficarmos nós, os jornalistas, rapidamente conhecidos. É mesmo banal o sermos citados à miude, nos bares, nas ruas e em diversos lugares. Uns nos olham com desconfiança. Outros, com desprezo. Outros, ainda, com indiferença. Há também os que nos temem, porque têm seus “rabos de palha”. Existem os que nos consideram como somos, avaliando bem o nosso dever. Também há os que gostam de lançar aplausos gratuitos à queima roupa.

Ontem tivemos a prova do que estamos escrevendo: Um cidadão, personalidade insuspeita, político respeitável, sem jamais ter feito politicalhas ou politicagens, opinava sôbre nossas referências a outra pessoa de suas cordiais relações; e dizia, sem hipocrisia, que devíamos manter nossa linha de conduto. Enquanto isso, um outro nos tecia elogios públicos num momento e em seguida ia “sentar-nos a lenha” frente a um particular amigo. Por outro lado, uma terceira pessoa nos cercava na rua, convidando-nos insistentemente para um clássico cafezinho de um e cinquenta, endeusando-nos de tal modo confundidor. Principiando por falar sôbre cinema, mudar para política, referindo-se às festividades de 4 de abril, discorrer sôbre o MAC, para, finalmente, pedir-nos, de modo meio temeroso, opinião sôbre o atual prefeito municipal.

Outros sugerem campanhas que só poderiam interessar aos próprios solicitadores. Existem os que desejam que lancemos verdadeiras batalhas, nas quais teríamos que gastar todos os cartuchos, com uma previsão antecipada de derrota, pelas possibilidades negativas que as mesmas apresentam de antemão. Há ainda os que entendem que somos aquilo que se chama de “galo de briga”, acusando pessoas ou grupos, desprezando a razão e as futuras consequências.

Vejam os leitores, como somos e como trabalhamos. Diariamente recebemos telefonemas e cartas, daquêles que não podem ou não querem, ou ainda, não têm coragem de abordar-nos pessoalmente. Se uns nos elogiam, aplaudem, sugerem novas campanhas, novas lutas, opinam sôbre novos temas que devamos patrocinar, outros condenam nossas atitudes, com justificações de pouco crédito ou de pouco fundamento, evasivas, vingativas, cínicas por vezes, de autênticas “dôres de cotôvelos”.

Na rua, algumas pessoas olham-nos como se fôssemos verdadeiros “dinosauros”. Quando ingressamos em recintos públicos, se temos a nosso lado uma onda de simpatia e apreço, de estima mesmo, podemos estar certos de que não faltará, por outro lado, alguma parcela de desconfiança, ira às vezes, inveja e até de ódio.

Estamos habituados com isso tudo, pois são “ossos do ofício”. Assim é o jornalista, inclusive aquêle que é sadio e bem intencionado como o nosso, que só tem o objetivo de servir à causa do bem.

Nós somos assim. E continuaremos assim. O dia em que não fôr possível essa diretriz, “enforcaremos o ofício”.

Extraído do Correio de Marília de 10 de abril de 1957

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Vergonha moral do Brasil (9 de abril de 1957)

Continuamente temos referido néstas colunas, a inauferível impureza de vergonha de muitos políticos brasileiros, mormente de grande parte daqueles que ocupam em nossos dias, cargos confiados pelo povo bem intencionado, para trabalharem em pról dos interesses dêsse mesmo povo.

E o temos feito com as melhores intenções de alertas o eleitorado brasileiro, para que póssa colocar-se de atalaia contra um grande número de mais políticos, que representam, sem dúvida, u’a mancha negra nos postulados democráticos que com tanta euforia apregoamos por aí.

Regra geral, a maioria dos políticos de nossos dias, confortavelmente acomodados nas macias poltronas dos parlamentos, não sabem, não podem ou não querem prestar sua parcela obrigatória de colaboração ao sofredor povo que aquí habita e que os guindou até tão invejáveis postos. Essa maioria não cessa de usufruir proveitos próprios, fazendo negociatas, fazendo politicagens, continuando sórdidas políticas eleitoreiras por diversos e variados processos, “auxiliando” apaniguados políticos, transformando muita coisa para pior, numa demonstração irretorquível de que existe muita falta de vergonha por êsses Brasís afóra.

Agora, por (e)xemplo, acaba de entrar em vigor a famigerada e vergonhosa “Lei dos Cadillacs”. Temos, pois, aos próprios olhos, a ensensatês, a falta de brios verde-amarelos e o pejo reprimível, da estirpe moral dos elementos que compõem uma verdadeira corja de maus brasileiros, com a autêntica corrida de interesses simplistas, para aproveitar a “deixa” e adquirir automóveis para uso pessoal, ao preço do câmbio oficial, cuja soma dêsses negócios irá representar para nossa Pátria, uma sangria de dois milhões de dollares, em detrimento do interesse da Nação!

De início, já foram encomendados cerca de 500 automóveis de luxo, de várias marcas, pelos deputados e senadores, desde a última quinta feira, aos corretores das duas firmas importadoras do Distrito Federal. Os vendedores encheram os corredores do Senado e da Câmara, oferecendo a “mercadoria” e a(s) excelentes vantagens aos parlamentares, que acudiram sequiosos e desavergonhados.

Os dois primeiros deputados que escolheram seus carros foram os Srs. Arí Pitombo e Walter Ataíde. Este, apesar de já ter escolhido seu automóvel, pretende vender o seu “Lincoln”, modelo 1956, por 700 mil cruzeiros, de vez que o novo tipo que escolheu curtar-lhe-á cerca de 200 mil, posto no Rio. Quer dizer, os próprios deputados, na compra de um e venda de outro carro, ganharão 500 mil cruzeiros, à custa dos interesses financeiros do próprio Brasil que dizem servir!

O Sr. Arí Pitombo, insurgiu-se na tribuna da Câmara, contra a imprensa sadia, vigilante e bem intencionada, que combateu o vergonhoso projéto (óra convertido em Lei), alegando que se a imprensa póde adquirir papél para seu uso, ao cambio oficial, os “defensores do povo”, com maiores direitos, pódem usufruir tais deferências! Vejam só, que explêndida argumentação tipicamente infantil dêsse deputado! Comparem, desapaixonadamente, os serviços da imprensa brasileira, em relação ao privilégio pessoal que a vergonhosa lei concede a alguns, em prejuizo dos sagrados interêsses econômicos do país, facultando um verdadeiro comércio de lucros palpáveis e extraordinários, ilegais mesmo, àqueles que, desbriadamente, se propõem a usufruir os “benefícios” dêsse anti-patriótico diploma legal!

Essa lei traduz, sem sombra de dúvida, uma verdadeira vergonha moral para o Brasil e vêm aumentar o já gigantesco descrédito que (possui) a maioria de nossos políticos profissionais!

Extraído do Correio de Marília de 9 de abril de 1957

terça-feira, 7 de abril de 2009

Os 87 anos de José Arnaldo


Se vivo estivesse, hoje ele estaria completando 87 anos de vida.

E, ainda que fisicamente ele tenha nos deixado há 9 anos e oito meses, estamos felizes, porque ele nos deixou um grande exemplo de vida. Para a família e os amigos.

Saudades.

Sueli (filha) e Cláudio Amaral (genro)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Uma correspondência (6 de abril de 1957)

Com referência ao comentário de nossa autoria, publicado em nossa edição de 19 do mês passado, recebemos do deputado federal Carmelo D’Agostino, a carta que passamos a transcrever a seguir, reservando-nos a oportunidade (de tecer) outro comentário a respeito, na próxima terça-feira. Eis a íntegra da citada correspondência:

“Câmara dos Deputados.
São Paulo, 22 de março de 1957.
Ilustríssimo Senhor.
Lí seu artigo no glorioso “Correio de Marília” de 19 do corrente, e notei que, entre o que muito me lisonjeou, elogios a minha conferência, o que muito me lisonjeou, mòrmente porque partidos de tão brilhante jornalista, fêz o eminente amigo uma observação quanto a minha assiduidade na Câmara Federal.

Permita ponderar-lhe, contudo, que minhas falta àquela Casa do Congresso não são de maneira a merecer censuras, pois tôdas as semanas, malgrado as ocupações bancárias, permaneço no Rio de Janeiro por dois ou três dias em cumprimento das obrigações parlamentares.

Não me dedico, é claro, a atividades meramente políticas; a Tribuna da Câmara uso-a para pronunciar discursos que realmente interessem à nação, muitos dos quais, por sua transcendência, têm sido publicados, parcial ou integralmente, em jornais e periódicos de São Paulo e do Rio; quando não, ocupo-a para reivindicar causas e projetos de conveniência social e econômica à coletividade.

Presentemente, “verbi gratia”, preparo um discurso sôbre o intercâmbio mundial, que diz respeito aos esforços do “Itamarati” no que concerne à união continental, para fazer face à política européia, pois que esta se voltou integralmente às suas colônias, alimentando-as com os capitais do “Plano Marshal”, a fim de incentivar a produção dos artigos que hoje são comprados na América do Sul com reflexos já desalentadores aos nossos produtos, principalmente o café, que já vem de ser cultivado pela África e Ásia, em cêrca de 60% do consumo total do “Velho Mundo”.

Essas e outras coisas, de real interêsse para nosso país, têm sido objeto de minha atuação na Câmara, sem preocupações puramente políticas e de aparato pessoal. Sou, ainda, colaborador em dois jornais de São Paulo. Em meus artigos (dois por semana), tenho-me empenhado em propugnar pelas coisas públicas, em prol da moralidade econômica e administrativa.

Perdôe o possível exotismo dêste homem público que não quer tratar de política; em nossa terra, no entanto, – V. Sa. há de convir comigo – a palavra “política”, de sentido tão nobre quanto à origem, tem sido empregada mais com um significado de caráter pessoal e egotista, do que, pròpriamente, público e social, como deveria ser.

Em suma, devia-lhe êsses esclarecimentos em desencargo de minha consciência, como parlamentar e como representante também (embora indiretamente) da grande Marília, cujo povo, gentil e hospitaleiro, em tudo se aprimora, desde a produtividade de seus campos e fábricas, até às atividades sociais, com modelares escolas, hospitais e asilos, tudo, enfim, forjando o progresso, através de um espírito de cultura e grandeza de sentimentos.

Do amigo e patrício que o abraça agradecido e a seu dispor,

C. D’Agostino”

Extraído do Correio de Marília de 6 de abril de 1957

Prevenindo (6 de abril de 1957)

“Onaur”

O excelente cronista José Arnaldo, vem, desde algum tempo, abordando um assunto que de modo algum deve ser desperezado.

Trata-se das futuras eleições para deputado que deverão ocorrer, daquí a uns 18 mêses, mais ou menos.

Alguém poderá dizer que ainda é muito cêdo para tratar do assunto, mas nós achamos que não. Precisamos deste já ir alertando o eleitorado de Marília, para que não se repita outra vez, o erro cometido em eleições passadas, quando, em vez de votarem em gente nossa, gente que sente conosco as necessidades do municipio, votaram em forasteiros que aquí vieram com bonitas palavras, mas que depois de eleitos, esqueceram-se completamente de Marília.

Uma das tarefas mais árduas será a de convencer o eleitorado de que ele deve sacrificar o seu partido, em beneficio da cidade. Dizemos isto porque há inúmeros eleitores que não se preocupam com as qualidades pessoais de um candidato. Para êles, basta que o fulano seja indicado pela sua legenda e pronto: terá seu voto. Êsse é um dos pontos fracos do eleitor que o político habilmente explora e que causa a dispersão de votos.

Busquemos no passado exemplos para orientar o futuro.

Convém lembrar a magnífica votação que teve um certo candidato, aqui em Marília, em eleições passadas, sòmente porque seu nome fôra indicado como candidato oficial de um partido. Pois bem, depois de eleito, êsse digníssimo senhor, fez tudo que esteve ao seu alcance para o progresso e prosperidade de... Garça.

Um outro candidato, que aliás era uma candidata, fez um boa safra de votos por aqui só por influência do sobrenome, enquanto isso os votos endereçados aos candidatos da terra ficaram perdidos, por culpa única e exclusiva dos que votaram na deputada que nada fez.

Crêmos que já é tempo de pôrmos um paradeiro nessa insensatez.

Vamos votar certo, escolhendo um mariliense que conheça nossos problemas para envia-lo a defender nossos interesses.

Não importa que ele venha do P.T.B., da U.D.N., do P.S.P. ou de que partido vier, o que importa é que ele seja daqui mesmo.

Nós eleitores marilienses, já temos número suficiente para mandarmos um representante ao Palacio 9 de Julho e o faremos, não por interêsses políticos mas por amor à Marília.

Se nos permitirem voltaremos ao assunto.

Extraído do Correio de Marília de 6 de abril de 1957

sábado, 4 de abril de 2009

HINO A MARILIA

Música de Schubert Alves da Silva
Letra de José Arnaldo

I

Marília, bela Marília!
O teu nome é uma história:
O amôr do Inconfidênte,
Pujança, vida e gloria!...

II

De um povo audaz e laborioso,
Surgiu Marília pra eternidade,
Cidade dos mil encantos,
“O SÍMBOLO DE AMOR E LIBERDADE”

III

Imponente, graciosa e altaneira,
Bela Marília, primavera sempre em flôr,
És a jóia de S. Paulo e do Brasil,
Monumento de glória e valor!...

Marília, ave! (4 de abril de 1967)

José Arnaldo

Em 1913, Cincinato Braga era
do Estado, o Presidente.
Com sua visão altaneira,
incumbiu a Ferraz Salles:
- Abra um picadão no
grande oceano verde; desde
Presidente Penna, indo até a Platina;
escolha um bom lugar,
plante pastos e cafezais
e o chama “Cincinatina”.

Foi o começo da História.
A História de Marília...

Vieram os desbravadores:
Antonio Pereira da Silva,
José Pereira da Silva,
José de Oliveira Simões,
Elisiário Barbosa
e outros, aos borbotões.
Grandes espíritos de luta,
construtores sem igual.
Seguidos por uma bandeira:
- O grande Sampaio Vidal!

No “intermezzo” Peixe-Feio,
Um patrimônio nascia...

Selvícolas espavoridos,
animais ferozes em manadas,
se distanciavam com medo
do éco das machadadas.
Árvores gigantescas
gemendo e indo ao chão:
em seu lugar aparecendo
no mato, em pleno clarão,
tôscos ranchos de madeira,
marcando a civilização.

Surgia a bela Marília,
O amor do Inconfidente...

Tal qual menina travêssa,
cresceu e se transformou:
não é mais o povoado
que Sampaio Vidal fundou.
É uma cidade dinâmica,
moderna por excelência,
que oferece a toda gente
o conforto e os requisitos
de invejável convivência.

Marília é um grande centro,
Que abriga um grande povo...

Belo aspecto urbanístico,
com ruas pavimentadas.
Hospitais, indústrias e escolas,
bancos, cinemas e comércio,
transporte fácil e completo
apresenta um rico dístico
que a todos deve orgulhar:
- Foi a primeira do Estado
a suas águas fluoretar!

O progresso de Marília
Usa “bota de séte léguas”...

O que encanta em Marília,
são as ações de sua gente:
todos se entendem e se estimam,
se amam reciprocamente.
Trabalham com um só ideal,
irmanados e sempre uníssonos,
com uma só preocupação:
- Dos marilienses, a harmonia;
- De Marília, a ascenssão.

Extraído do Correio de Marília de 4 de abril de 1967

Hosanas a Marília (4 de abril de 1957)

Nêste 4 de abril, data magna da emancipação municipal de nossa grande e querida cidade, aqui estamos também, para exteriorizar nossa alegria pelo ensejo do transcurso.

Estamos em festa e participamos dos acontecimentos que hoje se desenrolarão em todos os pontos da cidade, com a alegria incontida de todos os marilienses – autênticos e genuinos -, de tôdas as pessoas que pulsam de amor por estas plagas acolhedoras, esta colmeia de labor insano e profícuo, esta célula de dinamismo e arrôjo, dentro do Estado líder da Federação.

Vinte e oito anos de emancipação administrativa, completa hoje nossa cidade. Pouco mais de um quarto de século e menos de trinta anos de vida municipal. Tempo relativamente curto, frente ao vulto de realizações do povo mariliense, coeso com suas autoridades, ombreando num só desiderato: engrandecer a Capital da Alta Paulista.

Justifica-se, perfeitamente, o nosso bairrismo, como fenômeno natural de todo sêr humano. Esta cidade, que escolhemos para nosso lar e que é berço de nossos filhos, soube corresponder aos trabalhos que lhes dedicamos. Cresce dia a dia, com aquela vertigem natural dos grandes centros. Espande-se com aquela graça e beleza de uma jovem adolescente. Convergem dia a dia, para nossa cidade, as atenções dos povos de outros centros. Os que não a conhecem, pelo menos já ouviram dizer maravilhas de seu vertiginoso crescimento. Os que aqui aportaram um dia, foram espontâneos e sinceros em dispender elogios fundamentados, acerca de seu dinamismo e do trabalho de seu grande e laborioso povo.

Temos em nós, o orgulho incontido, de ter sido Marília citada com abundância de pormenores, pelo jornal “Times” de Londres, como “um verdadeiro fenômeno de crescimento e progresso”.

Hoje Marília completa seu 28º aniversario de independência municipal. A 24 de dezembro de 1928, pela Lei 2.320, nossa cidade foi elevada a Município, cuja instalação solene teve lugar no dia 4 de abril de 1929, precisamente às 10 horas, num prédio então existente no local onde hoje ergue-se o edifício próprio da Associação Comercial local. O acontecimento de 28 anos pretéritos foi presidido pelo sr. João Carneiro da Fonte, então Juiz de Direito da Comarca de Piratininga, tendo sido o primeiro prefeito municipal de Marília o engenheiro Durval de Menezes.

Agora, Marília é êste fenômeno de dinamismo e realizações que aqui vemos: cerca de 9.000 prédios, mais de 40.000 habitantes, um potencial de indústrias em plena ascenção, um comércio dos mais sólidos e completos, um centro bancário dos maiores do interior, uma agricultura e uma pecuária dignas de menção especial.

Por isso, apresentamos aos marilienses e aos forasteiros nesta auspiciosa data de 4 de abril, esta nossa edição especial do CORREIO DE MARÍLIA, o jornal que viu e acompanhou o crescimento de Marília, sempre divulgando a sua vida e os seus acontecimentos.

Neste 4 de abril, nós que aportamos no início desta cidade, quando os clarões nas matas estavam longe de prefaciar o progresso de nossos dias, o crescimento quase incrível de nossa querida cidade, congratulamo-nos com Marília e seu grande povo, suas autoridades e os verdadeiros amigos desta querida e extremecida terra.

Hosanas a Marília, neste feliz 4 de abril!

Extraído do Correio de Marília de 4 de abril de 1957

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Cédulas Adulteradas (2 de abril de 1957)

Muita gente têm procurado abrir bem os olhos, ultimamente, na questão de dinheiro, principalmente depois da publicação feita por diversos órgãos de imprensa, inclusive o “Correio”, acerca da descoberta de cédulas de mil cruzeiros, falsificadas, que estariam circulando por aí.

Realmente, o comunicado da autoridade competente, dando a notícia, procurou alertar o público em geral, citando as séries de cujos números foram apreendidas algumas cédulas falsas. Muita gente interpretou mal o aviso, entendendo que todas as notas (das) séries mencionadas (262-A e 376-A) seriam falsificadas. Não é bem isso; existem notas falsas dessas séries, apenas.

Como falsificação de dinheiro no Brasil não ocorreu pela primeira vez e por certo não será tambem a última, estuda agora a Casa da Moeda, medidas acauteladoras, que vizem resguardar com mais segurança, as possibilidades de adulterações de nosso dinheiro circulante, Medida oportuna, que já vêm até um pouco tarde.

Dinheiro falsificado, no amplo têrmo, poucas vezes temos presenciado; o mais comum tem sido o dinheiro adulterado, muitas vezes grosseiramente, causando para alguns, surpresa o seu recebimento. Tem sido comum, cédulas de 10 cruzeiros circularem adulteradas para 500 e de 2 cruzeiros adulteradas para 1.000.

Acontece que aqueles que lidam com dinheiro constantemente, podem cometer o descuido com facilidade; acontece ainda, que os outros, principalmente os simples e bem interncionados, têm menores possibilidades para perceber o crime, sendo vítimas das malandragens déssa espécie.

Segundo noticia a imprensa carioca, cogita agora a Casa da Moeda de imitar certos paises, que apresentam seu dinheiro com cores distintas e diferentes para cada cédula e importância. A medida, sem dúvida, é objetiva e virá em muito dificultar o processo dessas adulterações grosseiras que nos referimos. Isto porque, depois que tais cédulas estiverem circulando em definitivo, substituindo o atual tipo de dinheiro, o povo irá por sí só, habituando-se ao padrão das cores, sendo mais dificil o engano, o que não sucede agora, em virtude da semelhança existente entre diversos padrões do dinheiro atual.

Será pois mais dificil éssas adulterações referidas, constantemente exibidas em vitrines para alertar ao público, quando tivermos, por exemplo, todas as notas de 1.000 cruzeiros de vermelha, todas as de 500 de cor verde, as de 200 amarela, as de 100 azuis, as de 50 marrons, etc.

Que seja feita, portanto, éssa medida; mas com a substituição gradativa do dinheiro circulante e não com novas emissões.

Extraído do Correio de Marília de 2 de abril de 1957