domingo, 30 de setembro de 2012

Na fabulação dos mendigos, a ignorância do vernáculo (30 de setembro de 1973)


Verdade é que não sou professor da língua portuguesa, o que não peja de confessá-lo.

Igualmente é verdade, nenhuma pretensão tenho, de transformar-me em exegeta.

Reconheço que o vernáculo pátrio é assaz difícil, castiçamente falando.

Mas me não é dado ignorar, que um têrmo banalíssimo, comum, diariamente multi-utilizado, que a gente ouve dizer e sabe o que representa, mesmo antes de ingressar na escola primária, continue a ser escrito e pronunciado erradamente, principalmente por alguns vereadores, lídimos representantes do povo.

         FABULAÇÃO DOS MENDIGOS

O assunto “mendigos”, já tomou área de uma fabulação, parecendo assunto obrigatório de nossa edilidade.

A realidade, muito clara, meridianamente clara, todos a conhecem e todos – o que é importante – sabem onde estão encaixadas todas as peças, originárias e geradoras da verdade dos fatos.

A caturrice não mais encontra guarida no consenso geral, embora continue a ser cultivada em terreno árido e isento do conciliamento da própria razão.

Está a representar um arroz-doce enjoativo.

         IGNORÂNCIA DO VERNÁCULO

Embora muita gente assim o pronuncie, aprende-se no grupo escolar, que o têrmo “mendigo” é mendigo e não mendingo.

Vereadores dizem, em pomposos discursos, da tribuna da Câmara, ao referir-se à palavra “mendigo”, enfatizando “mendingo”.

Há quem, ao referir-se ao vocábulo “mendigo”, pronunciou, várias vezes seguidas, a palavra “mêndigo” (com acento circunflexo no “e”).

Mas a maioria, não diz “mendigo”. Diz, “mendingo” (com um “n” entre a vogal “i” e a consoante “g”).

Se se tratasse de uma palavra de pouco uso, ou de difícil interpretação, ou pouco conhecida, ainda seria perdoável o erro.

Mas trata-se de um têrmo banalíssimo, que causa espécie a sua pronúncia errada, avariada e deturpada. Especialmente por vereadores municipais.

“Mêndigo” e “mendingo” são palavras que não existem em nenhum dicionário da língua portuguesa.

         PROFESSORES

O presidente da Câmara, meu particular amigo Luiz Rossi, é professor. Igualmente o vereador Nadyr de Campos, é mestre do ensino e quase advogado.

Eles devem ficar enrubescidos, por certo, com essa comezinha ignorância do vernáculo pátrio.

         O QUE REPRESENTA

O certo mesmo, é que os vereadores errando, não dizem o que pretendem. Ou porque não sabem, ou porque não querem.

Vou explicar de uma vez, o que esse “tema” representa:

Nem “mêndigos”, nem “mendingos” e nem mendigos: vadios, atrevidos e pinguços.

É isso, só isso.
 
Extraído do Correio de Marília de 30 de setembro de 1973

sábado, 29 de setembro de 2012

Dois mais dois são quatro (29 de setembro de 1973)


Um candidato a deputado estadual, para ser eleito, deverá atingir e até ultrapassar, a cifra de 25 mil votos.

Conseguir êsse coeficiente de sufrágios, vamos convir, não é nenhum bolinho.

É possível, que muita gente, que tem na cabeça idéia de ser candidato, não tenha analisado ou pensado nisso.

Não é sopa, arrancar 25 mil votos de um eleitorado. Mesmo que o pretenso candidato conte com votos de outros municípios.

Quanto muito, um lá, outro acolá. A força maior deve provir da própria sede onde o candidato é candidato.

É bom pensar nisso.

Se, para uma pessoa, vai ser assaz difícil conseguir êsse total de votos na própria cidade, o que dizer-se dessa mesma cidade, com vários candidatos e com a presença dos bicões de fora, caçando, catando e até comprando votos?

A gente aprende no Grupo Escolar, que dois mais dois, são quatro.

Na escola da política atual dos pretensos candidatos, muita gente está demonstrando a mais completa ignorância dessa matemática primária.

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Se Marília concorrer ao próximo pleito, conforme se cogita, com vários candidatos, que serão somados aos alienígenas que daqui levam votos, quem poderá garantir, que um deles, apenas um seja eleito?

Eu não garanto.

Nem os próprios partidos políticos.

Nem mesmos os candidatos.

E muito menos o técnico do Corinthians.

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A técnica se aperfeiçoa, através da experiência. O aprimoramento decorre da corrigenda de erros ou defeitos de atuações pretéritas.

Marilia errou muito no passado, nesse particular.

Não é chegara a hora de corrigir esses erros?

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Parece que Marília vai persistir nos erros, que não pretende buscar o aprimoramento, conseguir o aperfeiçoamento de uma sistemática muito clara e objetiva.

Parece, sim.

Pelo jeito vai acontecer.

E o resultado vai ser o mesmo já conhecidíssimo, banal, batido, tradicional: a repetição dos fatos. A orfandade política de Marília, na Assembléia Legislativa do Estado.

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Se existisse, com segurança comprovada, uma coisa que pudesse ser denominada de “masoquismo político”, por certo Marília tiraria nota 100.

Entenderam?

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As forças políticas de Marília e o próprio povo mariliense, devem lutar para a eleição de um deputado mariliense.

Vamos ser, nesse terreno, egoístas e egocentristas. Por necessidade inadiável, lógica, plausível, sobretudo digna. Digna de nossa cidade, de nossa gente.

Vamos indicar um candidato único e cerrar fileiras, todos juntos, em torno desse nome. Mesmo que para alguns eleitores ele não venha a representar o sumo. Vamos exigir que seja de nossa terra, que conheça nossa gente, que saiba advogar os nossos problemas, que tenha amor por Marília.

E ao qual possamos exigir, sem pedir – e sem mendigar.

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Mesmo assim, na peneira eleitoral mariliense, haverá muitos buracos, por onde escaparão preciosos votos, para gente de fora. Gente que nunca lembrou de Marília. Que nunca fêz nada por Marília.

Evitemos isso.

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É chegado o momento, de mostrarmos nosso amor à terra.

Nós, todos: dirigentes políticos, políticos propriamente ditos e o povo eleitor.

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Sem isto, estaremos empurrando a vaca p’ro brejo.

Depois, de nada adiantará o “mea culpa”.

Extraído do Correio de Marília de 29 de setembro de 1973

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Candidato único, única solução (28 de setembro de 1973)


A série de escritos que venho diariamente publicando, sobre a necessidade bem mariliense, de elegermos um deputado estadual, com alicerce fundamental do lançamento de um candidato único de nossa cidade, está causando repercussão.

Há, como não poderia deixar de ser, duas correntes a respeito da semente lançada – por sinal, por mim, desde o ido ano de 1947.

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Que meditem os políticos de bom senso.

Que se pense em termos de Marília, unicamente.

Que se não repitam os erros do passado, onde o volume de candidatos atrapalhou tudo, fomentou a maior dispersão de votos, facilitando diretamente e muito contribuindo, para a eleição de candidatos alienígenas.

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A cabeça foi feita para pensar e não para separar as orelhas, como até aqui parece ter acontecido, no tocante às eleições para deputados estaduais e federais.

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É chegado o tempo de pensar em Marília, antes de ser agradável aos políticos, agasalhando várias candidaturas, que irão fatalmente reverter em detrimento dos interesses marilienses, que são mais altos e se antepõem e sobrepõem, às pretensões pessoais e individuais.

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Agnaldo, Solon, Pinheiro, Abraim, Jamil e muitos outros de fora, daqui levarão votos marilienses, como sempre tem acontecido.

Se os marilienses dividirem seus votos, para esses e muitos outros alienígenas e distribuírem bondosamente os demais sufrágios, dentre o ról dos candidatos locais, estaremos repetindo os erros do passado.

Errar é humano, mas persistir no erro, burrice é.

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A indicação de um candidato único de Marília, não representará um méro paliativo, mas sim uma medicação necessária, urgente e indispensável.

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Mas não é só isso.

O próprio povo, deve reconhecer nesse candidato único, a pessoa que defenderá Marília e seus interesses, na Assembléia Legislativa. E, portanto, cerrar fileiras em torno desse nome.

Marília deve ficar acima de paixões pessoais, de apatias ou de antipatias.

Vamos eleger o que seja nosso, legitimamente nosso.

Ao deputado que elegermos, teremos o direito de exigir trabalho e realizações, porque ele será “empregado do povo” no Palácio 9 de Julho.

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Suponhamos que um eleitor não goste de Fulano, pessoa que foi indicada como candidato único de nossa cidade.

Esse eleitor, mesmo não apreciando Fulano, deve convir, que Fulano é de Marília e portanto, nos será mais útil, do que Beltrano, que é de fora.

Então, o correto, o certo, o lógico, o bem mariliense, é votar em Fulano, porque é “nosso” candidato.

Errado será votar no Beltrano (de fora), só porque não se simpatiza com Fulano (daqui).

Pense-se nisso.

Pensando-se nisso, estará pensando-se em Maríl1ia.

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Continuo repetindo, desejando que esteja equivocado em tudo o que tenho escrito. Continuo afirmando, que se lançarmos mais de um candidato à deputado estadual, não iremos eleger nenhum.

Oxalá esteja equivocado.

Oxalá.

Extraído do Correio de Marília de 28 de setembro de 1973

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O pior cego é o que não quer ver (27 de setembro de 1973)


Certa feita, antes das candidaturas de Biava e Sola à Prefeitura, disse eu, em um dos meus escritos diários, que Marília possuía muitos elementos capazes para administrá-la. Mas que, muitos desses mesmos elementos capazes, se candidatos, eleitos não seriam. Porque faltava-lhes aquilo que é importante para todo candidato à cargo elegível: penetração na opinião pública, no seio das massas.

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O “tio” Santo Barion, que já foi vereador, que é uma indiscutível reserva moral, como cidadão e como homem de empresa, após conhecido o resultado do pleito que o elegeu, convenceu-se, de que nem todos os seus empregados e auxiliares haviam votado nele.

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Meu amigo João Crepaldi, hoje Coletor Estadual em Oscar Bressane, trabalhou arduamente pela candidatura de Romeu Ceroni nas últimas eleições. Tinha, por antecipação, a certeza da eleição desse candidato. Em palestra comigo, disse eu ao Crepaldi, que mesmo reconhecendo em Romeu Ceroni, condições e capacidade para ser deputado, não acreditava na possibilidade de sua vitória nas urnas. E expliquei a falta consubstanciosa de penetração nas massas.

Tempos depois, João Crepaldi veio ter a mim, para dizer que eu tinha razão.

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Uma ocasião, falando em tempo hábil sobre a substituição do então prefeito Tatá, asseverei que Remo Castelli e José Rojo Lozano seriam excelentes prefeitos marilienses, mas que, se candidatos dificilmente seriam eleitos, pela mesma razão que aqui focalizo.

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No passado, Luiz Felipe de Mello e Luiz Scaglio, foram candidatos à vereança. Os dois cidadãos, probos e conceituados, desfrutavam de grande popularidade, como dirigentes da A.A. São Bento, que vivia no auge de sua trajetória esportiva. Por falta de penetração nas massas, esses dois marilienses, não conseguiram eleições para a vereança.

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Há na história eleitoral de Marília, o caso verídico de um candidato à vereador, haver obtido um único voto: o dele. Isto significa que nem a esposa ou familiares votaram no mesmo.

Falta de aceitação e de aceitamento das massas.

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No último pleito, tivemos candidatos, próprios que obtiveram um coeficiente verdadeiramente ínfimo de sufrágios. Mais uma prova do que estou afirmando.

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Estes motivos devem merecer cuidado e atenções dos dirigentes dos partidos políticos locais, nesta oportunidade em que se soltam os primeiros balões de ensaio, para o lançamento dos candidatos à deputação estadual.

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De nada vai adiantar, homologar a candidatura de determinado candidato, só porque ele seja “bonzinho” para os amigos ou fiel aos postulados doutrinários.

Ele irá fazer feio, sofrer a decepção de não ser eleito.

Poder de penetração na opinião pública é condição que pode ser considerada “sine qua non” para vitória nas urnas.

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Por isso, mais se enraíza a necessidade plausível de Marília lançar um candidato único à deputação estadual.

E a necessidade também, de que todos os marilienses eleitores, encararem esse candidato em termos somente de Marília, cerrando fileiras em torno do mesmo.

Se Marília concorrer ao pleito com o número dos que pretendem e se focalizam como candidatos, podem ter a certeza de que nossa cidade, mais uma vez, continuará órfã, desgraçadamente órfã na Assembléia Legislativa.

Extraído do Correio de Marília de 27 de setembro de 1973

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Solução é candidato único (26 de setembro de 1973)


Já disseram:

Errar é humano; persistir no erro, é burrice.

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Marília errou várias vezes.

Será que vai persistir?

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Vai em breve, acontecer o espetáculo do pleito eleitoral, ocasião em que deverão ser eleitos os deputados estaduais.

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Muitos dos deputados atualmente eleitos e em exercício, já estão envergando as fatiotas do engodo, metendo o nariz nas politicas municipais, com o fim de conseguir votos, para garantir suas permanências, nas poltronas de couro vermelho do Palácio 9 de Julho.

São os falsos messias, os falsos salvadores da Pátria.

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Esses alienígenas, que jamais moveram uma palha em pról dos interêsses de Marília e dos marilienses, sempre conseguiram, mercê da apatia de certa parte de nosso eleitorado, carrear daqui, vários milhares de preciosos votos da cidade.

Constate-se isso, nos mapas oficiais dos pleitos, existentes no Cartório Eleitoral local.

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Como se isso não bastara, estamos correndo o risco de ajudar Marília a continuar órfã na Assembléia Legislativa.

Comenta-se a viabilidade e o interêsse de Marília partir para as próximas eleições, com mais de um candidato.

Vai ser persistência. Ou a burrice.

Com muita gente caçando votos, nenhum dos candidatos vai ser eleito.

A dispersão tomará mais vulto e positividade.

E a cidade ficará chupando o dedo, sem um legitimo representante no Palácio 9 de Julho.

Podem escrever isso.

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Aqui está uma boa ocasião, para que nossos políticos e pretensos políticos, dêem uma prova de amor à terra.

Renunciando à vaidades pessoais, ao empavonamento, aos interesses próprios, para unir forças indicando e apoiando um só candidato mariliense.

E para instruir o povo, para que este todo, cerre fileiras em torno do nome que vier a ser indicado e homologado.

Só assim teremos a chance de eleger um deputado de Marília.

Não sendo assim, vai chover no molhado.

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Há vários nomes em cogitação, em evidência e em oferecimento. Um mau sinal. Uma perspectiva sombria. Uma quase certeza da repetição dos fatos pretéritos. Uma quase comprovada sequência de nossa própria burrice.

Se Marília não concorrer com um candidato único, acercado qual os marilienses se concentrem e no mesmo votem, tudo vai ficar como está, porque ninguém impedirá a dispersão de votos, a “demão” para auxiliar outros a se elegerem e a responsabilidade direta sobre nossos próprios ombros, de contribuirmos sensata e conscientemente para que Marília continue esquecida na Assembléia.

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Seja o Pedro, ou seja o Paulo, mas que seja de Marília, que seja nosso, que seja uma espécie de Rei Momo – I e único.

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E que os eleitores que, por razão óbvias, não gostem desse Pedro ou desse Paulo, consigam separar o joio do trigo – a antipatia pessoal – para pensar antes e acima de tudo, nos interesses de Marília.

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Com um deputado nosso, teremos o direito de exigir, sem pedir, trabalho e ações em pról de nossa cidade e de nossa gente.

Sem um deputado nosso, ou iremos mendigar aos de fora, ou continuaremos dentro desse atual clima de ausência de nossa representação no Parlamento Estadual.
 
Extraído do Correio de Marília de 26 de setembro de 1973

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O “livre” casamento da Maricota (25 de setembro de 1973)?


Bastião, caboclo sacudido, respeitado e trabalhador, era um tipo de exceção, de sua época e sua era, no que respeito dia á profusão de prole.

Enquanto todos seus parentes, amigos, conhecidos e irmãos, mostraram-se prodigiosamente exagerados, naquilo que se convencionou a chamar de “fertilidade familiar”, o Bastião só tinha filha única: a Maricota.

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Nunca havia passado pelo gestunto do Bastião, que um dia haveria de anunciar a necessidade da Maricota contrair também seu matrimônio. Absorvido, no seu labor cotidiano, empregando bem seus momentos de lazer, o homem havia construído em torno de si próprio, um capeamento de respeito, dignidade, palavra e masculinidade.

Disso muito se ufanava.

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Certo dia, como o estampido de uma arma de fogo, Bastião ouviu algo, que fez um trêmido inusitado percorrer-lhe toda a espinha. Foi quando a Dita, sua mulher, disse-lhe:

- Bastião, a Maricota já tá mocinha... é preciso a gente ir comprando algumas coisas de enxoval, pois como você sabe, dia mais, dia menos, algum moço vem “pedir” ela prá gente.

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A palestra tivera lugar pela manhã, antes do Bastião partir para o trabalho. As palavras da esposa, que ele antes jamais esperava ouvir, passaram a fazer um baile no meio de sua massa cinzenta.

Ele trabalhando sempre, não havia “visto” a menina crescer, tornar-se adulta. Nem tivera tempo de pensar naquela realidade, que a mulher alertara e que iria, em algum dia, acontecer inevitavelmente.

Seu rendimento no serviço, foi alguns furos aquém do normal. Seu pensar, mesmo que fizesse força para evita-lo, concentrava-se sempre na questão: a inevitabilidade do futuro casamento da filha. Filha única, a Maricota.

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Os dias foram passando e o homem acabou convencendo-se do aceitamento dessa preocupação. De fato, agora acreditava, a Maricota um dia iria casar-se, como sequência inevitável da própria vida.

Tudo fazia afirmar isso: Moça, bonita, fisicamente perfeita, trabalhadeira, de bons princípios, de inatacável moral, de boa família (ele se orgulhava, ao pensar nisso) constituíam os fatos. Inevitáveis fatos.

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Bastião passou muito tempo pensando nisso, embora sua mulher pudesse ter esquecido aquela pequena palestra.

Fez quadros imaginários sobre o casamento. Sobre o futuro genro. Sobre os futuros netos. Mas o pensamento acabava num emaranhado tremendo e confuso, quando a confusa imagem mental se detia no futuro marido da Maricota.

Quem seria ele? Quem?

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Depois de muito pensar, um dia o Bastião resolveu e decidiu abordar o assunto diretamente.

Chamou a filha. Como já havia até “ensaiado” o que dizer, foi direto ao assunto. Autoritariamente, disse-lhe:

- Maricota, você já está com 20 anos, idade boa para uma moça casar. Eu, seu pai, não irei impedir seu casamento e vou dar-lhe liberdade total. Você poderá casar com quem quiser, desde que seja com o Serafim, filho do compadre Belarmino.

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Há uma semelhança, que não é mera coincidência, nesse conto.

No caso, com respeito ao próximo casamento da Maricota, considere-se o próximo pleito eleitoral.

O Bastião, agora, passa a ser a Arena.

E embora a atitude do Bastião tenha parecido candilesca e autoritária, ele procurou ver o futuro da Maricota.

A Arena deve também imitar o Bastião. Deve dar liberdade de escolha, mas desde que seja determinado candidato.

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Se assim for, a Maricota casará bem.

Marília acabará não casando, a despeito dos pretendentes.

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É melhor “dar uma de Bastião” e decidir para próxima eleição, um candidato único.

Pelo menos, haverá a certeza de um bom casamento.

Da outra maneira, a Maricota não casa e Marília não vai eleger seu deputado.

E o Bastião (verdadeiro) vai acabar convencendo-se que estava certo.

O outro Bastião vai acabar convencendo-se de que estava certo.

O outro Bastião vai acabar convencendo-se, também, que ele próprio teve certa culpa pelo insucesso do casamento.

Extraído do Correio de Marília de 25 de setembro de 1973

sábado, 22 de setembro de 2012

Futeból e política (22 de setembro de 1973)


Quinta feira à noite, ao adentrar o Estádio Municipal, senti, como todos os marilienses, aquela alegria do torcedor comum, vendo o próprio da municipalidade lotado de gente feliz, aguardando com ansiedade, o inicio da partida que o MAC travaria frente ao Noroeste de Bauru.

Asseverei então, que ali havia ido, para assistir três gols do MAC: um de Peixe, um de Helinho e outro de Sérgio. Dentre outros, a afirmativa fôra ouvida pelo Zé Nelson da Dirceu, pelo Fittipaldi do MAC e pelo João do Estacionamento Maranhão.

Acertei o resultado. Acertei os marcadores. Também acertei a ordem cronológica e individual da marcação dos tentos.

Em compensação, na loteca, quando acerto muito consigo fazer cinco ou seis pontos.

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A propósito do futebol, aqui está a oportunidade de para o encaixe de uma antiga, porém deliciosa piadinha.

Aquela do cidadão que pesava 200 quilos e tinha dois metros e vinte de altura e que, quando morreu o caixão era tão grane e tão pesado, que foi preciso duas viagens para levá-lo ao cemitério.

Quase o mesmo irá acontecer amanhã, quando o MAC jogar contra a Ponte Preta de Campinas. Considerando que na noite de ante-ontem o Estádio ficou totalmente lotado, é de prever-se que o “Bento de Abreu” não comportará a torcida toda que ali comparecerá.

Então, o negócio vai ser mais ou menos como o caso da piada. Se no outro, foram preciso fazer duas viagens para levar o “defunto grande” ao cemitério, é certo de que amanhã, como a torcida vai ser muito grande e não “caber” dentro do Estádio, o MAC vai ter que realizar o jogo em duas vezes, para que uma parte da torcida veja uma vez e para que a outra parte também possa assistir o encontro.

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Mudando:

Do combativo e atuante vereador Ruy Avallone Garrido, recebo a seguinte correspondência:

“Quero referir-me nesta oportunidade, ao seu artigo “Estão brincando com fogo”.

“Ele retrata, exatamente, o nosso pensamento contido em nosso requerimento registrado na secretaria da Câmara.

Foi muito feliz o ilustre jornalista, que, como partícula do povo, sente como nós, um resfriamento, resfriamento esse, que parte do fundo do nosso Eu, como querendo destruir aquela esperança magnifica que nos aquecia e nos impulsionava em demanda de dias melhores.

“Esse resfriamento deve e precisa ser contido, partindo das forças poderosas da Revolução de 31 de março de 1964, que, de imediato, devem impulsionar a alavanca do respeito e cumprimento as nossas leis e Atos Institucionais.”

Foi o cumprimento e o estímulo do Líder de Arena, que, como representante e como célula do próprio povo, sente também, nas próprias carnes, o problema por mim focalizado no escrito referido.

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Voltando ao futebol:

O time está bom. O MAC está correndo objetivamente. O “onze” está jogando como deve: para o clube.

A raça está imperando. É a correria da força de uma juventude de excelente estado físico. Isso é bom. E dá bons resultados. O amor à camisa está patente.

O MAC deve continuar assim.

A torcida está alegre.

Que nenhum jogador use “mascara” ou convencimento, que o negócio vai mesmo p’ra frente.

A previsão é muito boa: os portões do “Paulistão”.

Isto quer dizer, Santos, Corintians, Portuguesa, Palmeiras, São Paulo e outros grandes times aqui.

Falei.

Extraído do Correio de Marília de 22 de setembro de 1973

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Dia da Árvore, hoje (21 de setembro de 1973)


No ido dia 21 de setembro, do ano de 1872, exatamente há 101 anos, foi comemorado, pela primeira vez, o Dia da Árvore.
acontecimento teve lugar no Estado de Nebraska, nos Estados Unidos e aos poucos, a maioria dos países do mundo, passou a adotar a iniciativa.

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No Brasil, a primeira comemoração do “Dia da Árvore”, aconteceu na cidade paulista de Araras, em 7 de julho de 1902, quando ainda não existia oficialmente a fixação de 21 de setembro, como o Dia da Árvore.

Desde então, os habitantes de Araras, cultuam com muito carinho as árvores e tornou-se “slogan” tradicional, em Araras, a expressão de que “em todo quintal, existe pelo menos uma árvore”.

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O Brasil, no entanto, passou a encarar com mais seriedade a árvore nacional, durante o governo do sr. Getúlio Vargas, com a preconização da necessidade do reflorestamento geral.

Dali partiu o “slogan” patriótico: “Reflorestar é combater o deserto”.

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A despeito do sentido intrínseco e de objetividade da citada frase nacional, os efeitos, entretanto, acabaram por apresentar-se, no decorrer dos anos, exatamente ao inverno. Dali para cá, incentivou-se e perpetuou-se mais e mais, a devastidão de nossas matas.

Várias foram as razões dessa devastação: surgimento de patrimônio, plantação de cafezais, comércio madeireiro e formação de pastagens.

E nosso pais, passou a constituir-se, do possuidor da maior reserva florestal do continente, numa terça parte territorial completamente despida de sua riqueza florestal.

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O machado destruidor, incessantemente, dia a dia, desde primeiro de janeiro a 31 de dezembro, ano após anos, continuou deitando por terra, árvores frondosas, fabricando desertos, fundindo quilômetros quadrados de terras áridas secas.

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O Estado de São Paulo, não possui sequer um décimo de sua densidade territorial, dotado de matas virgens. Os fabricantes de desertos, adentraram o rico Paraná, botando por terra sua força florestal, acabando inclusive com os ricos coqueirais que ornamentavam caracteristicamente o solo brasileiro.

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E o machado destruidor pelo rico Mato Grosso, derrubando e destruindo. E ninguém, preocupando-se em reflorestamento, pois só agora, de poucos anos para cá, que esse reflorestamento principiou a atuar, com base de lei especifica e sob a égide de compulsoriedade, mercê de incentivos fiscais.

As próprias praias belíssimas e decantadas do nosso norte e nordeste, estão nuas dos impressionantes e lindos coqueirais, como é o caso do Estado da Bahia.

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Já o machado destruidor avança para o Pará e para o Amazonas, na sua ânsia e fome voraz de fabricar desertos. É um prenúncio triste para o Brasil do futuro, o Brasil dos nossos netos e bisnetos da presente geração.

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Para que esse estado de coisas possa sofrer solução de continuidade e para salvaguardamento da árvore, que é a célula da reserva florestal da nação, o Presidente da República deveria baixar e fazer cumprir, um decreto-lei, mais ou menos assim:

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“Artigo único – Toda a propriedade rural, em tudo o território nacional, qualquer que seja a sua dimensão em hectares, é obrigada a apresentar, no mínimo, um terço de sua área permanentemente reflorestada”.

Extraído do Correio de Marília de 21 de setembro de 1973

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Estão brincando com fogo (20 de setembro de 1973)


Tem gente e grupos, por aí, brincando com fogo, exagerando na arte de abusar.

Há gente, confundindo o honrado Governo da Revolução, com o malfadado desgoverno de Jango-Brisola, que se constitui em mancha negra da vida brasileira e em móvel da praticabilidade de desmandos e badernas.

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Quiçá o Presidente Médici não saiba, mas estão tentando o desvirtuamento de seu governo sadio e bem intencionado.

Não havendo guarida ou viabilidade de agitação generalizada, da conturbação da vida nacional, está criado um ambiente de apreensão para o cidadão comum, especialmente o chefe de família e o assalariado.

Essa apreensão, decorre da corrida inflacionária dos últimos tempos, assoberbando pesadamente e em especial o trabalhador remunerado com salário fixo.

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O coeficiente inflacionário de até 12%, preconizado e sensatamente previsto pelo Chefe da Nação, de modo geral já foi há muito ultrapassado.

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O comércio de carne, além de outros, está se constituindo num motivo de desassossego geral, com as cotações subindo desenfreadamente.

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Por certo, os técnicos dos organismos incumbidos da pesquisa e observação analítica dos preços dos gêneros de primeira necessidade e de consumo urgente e indispensável, jamais guardaram as notas fiscais de compras, para comparar os preços do mercado, desde janeiro até agosto último.

Eles estão mais por fora do que umbigo de vedete.

Se assim não fôra, a Fundação Getúlio Vargas, não cometeria a insensatez, de divulgar ínfimos dados da elevação do custo de vida, quando em verdade, o povo consumidor, sentindo nas carnes o angustiante problema, desacredita nesses dados e intimamente escarnece dessa autêntica utopia oficial.

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Que me revele o sr. Ministro da Fazenda, pois embora a situação financeira nacional seja aplaudidamente ótima, a vida aqui fora, do brasileiro comum, está assaz difícil. A razão principal dessa dificuldade, cinge-se quase que exclusivamente, aos aumentos de preços, constantes, seguidos, intermitentes, no mais flagrante desrespeito ao apêlo do sr. Presidente Médici e também, em chocante atitude contrária aos interesses gerais dos brasileiros assalariados, os que só percebem um aumento real uma vez por ano.

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Tem gente brincando com fogo.

Tem gente abusando, desorganizando, colaborando ou “torcendo” pela bagunça.

O Senhor Presidente da República precisa ser informado disso.

Precisa que alguém, com a patriótica lealdade de colaboração, lhe faça ver, que os preços, de modo geral, estão subindo quase que diariamente, num sacrifício muito grande para a própria população.

O setor de controle, distribuição, fixação de preços e coibição das elevações absurdas do custo de vida, está muito falho e vem tornando insustentável o viver comum dos trabalhadores assalariados.

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Ninguém por certo, fez chegar ao conhecimento do honrado presidente Médici, a realidade dessa situação.

Se assim fôra, por certo, o preclaro General Emilio Garrastazú Médici, já teria reunido-se com o dr. Delfin, com o presidente da Sunab, teriam tracados enérgicos planos em defesa do povo e teria dito aos abusadores do Brasil: “Basta!”.
 
Extraído do Correio de Marília de 20 de setembro de 1973

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Lixeiros e candidatos (19 de setembro de 1973)

 
Como em todas as cidades do mundo, existe entre nós, uma classe de trabalhadores, das mais humildes e ignorada.

Todavia, representa a mesma, um rosário de gente útil à cidade e a todos nós. Na maioria, são homens sem muita instrução, mas que levam a sério o seu trabalho honrado, sem esperar de quem-quer-que seja o mínimo reconhecimento, tão somente pelos seus modestos salários de trabalho.

Essa classe é a dos lixeiros municipais.

São esses homens que são vistos diariamente e mesmo à noite em alguns casos, varrendo as sujeiras das ruas, recolhendo recipientes de lixo defronte às residências, proporcionando com isso, bem estar à própria população.

Hoje, 19 de setembro, transcorre o Dia do Lixeiro.

Cumprimente você, respeitosamente, o lixeiro simples de sua rua.

Graças ao seu trabalho humilde, a cidade conserva-se limpa, o que é motivo forte, para a alegria de nossa gente e dos forasteiros.

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Não é necessário ser profeta ou “bidú”, para saber que, pelo jeito como estão sendo concatenadas ou pretensionadas as coisas, Marília irá ficar, mais uma vez, sem representante na Assembléia Legislativa.

Anotem isso:

Se não cerrarmos fileiras em torno de um só candidato ao Palácio 9 de Julho, iremos outra vez, sentir o amargor da orfandade na Assembléia Legislativa.

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Candidatos alienígenas, aqui aportarão sorridentes e lampeiros, levando preciosos votos dos marilienses, como sempre tem ocorrido.

E, para tal, contarão com a “colaboração” de gentes da cidade.

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Já há candidatos à reeleição, que desbriadamente, principiaram a realizar seus “trabalhos de sapa” na cidade. Alguns, já com garantia antecipada de um regular coeficiente de votos.

As redações de jornais e emissoras de rádio, começam a receber matéria publicitária desses autênticos “caras-de-pau”.

E o pior, é que alguns elementos dão guarida ao citado despudor político, fazendo o jogo desses alienígenas.

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Pretensão ou vaidade individual de alguns, vai dar continuidade ao desabonador estado de coisas em que politicamente vivemos, no que respeito diz, à nossa permanente orfandade no Ibirapuera.

Se concorrermos com diversos candidatos, não iremos eleger nenhum.

Mas, a dispersão de votos, irá beneficiar candidatos estranhos, que nunca moveram uma palha por Marília.

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O último pleito foi um exemplo que não deve ser esquecido.

Como se isso não bastara, é só dar um pulinho ao Cartório Eleitoral e verificar, pelos resultados oficiais, quantos milhares de votos os marilienses deram para gentes de fora.

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É tempo ainda, de acordar.

É tempo de pensar em termos de Marília e não de individualismo ou simpatias por gente de fora. E muito menos, por não desejar votar em determinados candidatos locais.

É bom pensar que será melhor o Dito e o Bastião, desde que legitimamente nosso, do que no “doutor promessa” de outra cidade.

Vamos pôr a cabeça no lugar, pensando em Marília.

Se a repetição dos fatos for novamente palpável, eu irei ser um dos que não terão culpa, porque não votarei, como nunca fiz, em candidatos forasteiros.

Extraído do Correio de Marília de 19 de setembro de 1973

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Colcha de notícias (18 de setembro de 1973)


É frequente a gente ler, que o cigarro facilita ou enseja o aparecimento do câncer pulmonar.

Agora, vem a revista médica britânica, asseverar que a fumaça que se desprende dos cigarros dos fumantes, eleva ao dobro o risco do câncer nos pulmões, das pessoas que não fumam!

Garantem os cientistas, que a fumaça que solta o cigarro, contém o dobro da nicotina e do alcatrão, das quantidades que são inaladas pelos fumantes.

Essa eu não entendi.

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Um relatório da Organização Mundial da Saúde, está demonstrando, que depois dos acidentes de trânsito, das doenças cardíacas e do câncer, o suicídio está sendo a causa mais frequente da morte das pessoas na Europa, especialmente nas idades compreendidas dos 15 aos 44 anos de idade.

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Deixemos de lado esses assuntos desagradáveis, porém.

Para lembrar o caso daquela madame, que recebeu a visita de uma amiga da infância, a qual não via há longos anos.

Conversa vai e vem, a visitada indagou da outra como vivia, se havia casado, se tinha filhos, etc. e tal.

E a visitante contou tudo, euforicamente, como vivia, que estava casada com um industrial. E com respeito aos filhos, disse:

- Graças a Deus, tenho só um filho.

A outra quis saber o porquê do “graças a Deus” em ter um filho único.

E a recém-chegada, justificando satisfatoriamente:

- Porque ouvi dizer que de cada 10 crianças que nascem no mundo, uma é chinesa... o meu, graças a Deus não é.

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Publicou recentemente um jornal paulistano, que, de acordo com as estatísticas da Fundação Getúlio Vargas, o custo de vida no Brasil, subiu apenas 1.2% no último mês de agosto.

Não existe a menor dúvida!

Os técnicos da citada Fundação nunca compraram feijão, arroz, carne, verduras, frutas e nem coisa nenhuma, porque está provado, que eles nada sabem a respeito de quanto aumenta o custo de tudo, especialmente nestes últimos tempos.

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Mercado da carne está fora de órbita e fora dos eixos. O competente Ministro da Fazenda, esbanja otimismo financeiro, mas nós aqui, os assalariados pensamos diferente, porque estamos sabendo muito bem onde é que o calo está apertando.

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Tudo o que sobe de preço, tem praticamente um único bode expiatório: a gasolina e derivados de petróleo.

Subiu a gasolina, sobe as passagens, mesmo dos trens elétricos.

Sobe a gasolina, eleva-se o preço das mercadorias, mesmo aquelas que estão há tempos estocadas.

Gasolina sobe de preço, sobem também os custos dos serviços profissionais, o vestuário, as bebidas, os gêneros, as drogas, tudo.

Tudo, não. O índice de vergonha de muitos brasileiros, este não sobe.

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Justifica-se, a respeito do aumento de preços gerais, a decorrência do aumento do custo da gasolina, com a piada do caboclo que foi tomar a sua “birita” no botequim da ponta da rua.

Quando foi pagar a “cana”, o dinheiro não deu. O comerciante informou que a pinga havia subido de preço. E explicou: subiu de preço, por causa do aumento do custo da gasolina.

E o caboclo então:

- Eu não tenha nada com isso... eu não bebo gasolina...

Extraído do Correio de Marília de 18 de setembro de 1973

sábado, 15 de setembro de 2012

Pelo dedo se conhece o gigante (15 de setembro de 1973)



Tenho combatido a atuação do vereador Octávio Torrecilla, nessa sua tomada de posição, de uma infeliz defesa contra uma casta, que deve merecer represália e que é formada por homens fortes e capazes de trabalhar decentemente, mas que isso não fazem, preferindo pedir, como se mendigos foram.

A exteriorização desses meus pontos de vista, contrários ao “modus operandi” do vereador emedebista, cingem-se ao ato realizatório do mesmo, não à pessoa física do legislador.

Combato-o em sua ação, mas admiro-o pela sua ardorosidade, na defesa daquilo que ele entende como correto e eu penso como sendo errado.

Octávio Torrecilla foi infeliz nessa trincheira que se colocou. Independentemente disso, é um bom moço, de excelente coração e um vereador responsável, que procura trabalhar. Como pessoa, também é um cara que considero bacana, embora discordando visceralmente dessa sua atitude.

         SOZINHO

Torrecilla está ficando sozinho nessa luta inglória. Nem mesmo aqueles que se colocaram na mesma trincheira, estão alimentando o entusiasmo inicial.

Ele deve sentir isso e sendo inteligente, por certo percebeu, como representante do povo, que a maioria absoluta desse povo, não está de acôrdo com ele e sim favorável à ação benéfica da polícia e à tranquilidade pública.

         A ACM LOUVA

A Associação Comercial de Marília, vem de dirigir ao Ten. Cel. Irahy Vieira Catalano, comandante do 37º Batalhão Policial Militar de nossa cidade, o oficio nº 113/78, datado de 12 último (12/9/1973), que é mais uma prova de que o povo está favorável à repreensão e conjuramento dos falsos mendigos, que comprovado está, não passam de vadios, pinguços e atrevidos.

         O OFICIO

É o seguinte, o conteúdo do mencionado oficio, assinado pelo presidente da ACM, Sr. Kalil Haddad:

“A Associação Comercial de Marília, tomando conhecimento dos resultados da primeira “Operação Limpeza” e na certeza de que na oportunidade foi respeitada a Lei, vem congratular-se com V. Excia., pelos magníficos resultados obtidos e apelar oara que V. Excia. E seus dignos auxiliares não interrompam essa operação, que visa sobretudo, livrar Marília dessa enxurrada de marginais, aqui aportados Deus sabe como e porque.

“Na certeza de que continuarão os bons esforços de V. Excia. para sanear nossa cidade desses elementos indesejáveis, a Associação Comercial de Marília, renovando sua confiança no Comandante do 37º BPM, apresenta seus protestos de consideração e apreço”.

         MAIS UMA DO CODO

O deputado estadual Ruy Codo, que se meteu a sebo e meteu os pés pelas mãos, fazendo coro com o vereador Torrecilla, na questão dos por ele chamados “mendigos”, não é lá o que muita gente possa pensar.

Pelo dedo se conhece o gigante.

Vejam os leitores, o que publicou a “Folha de São Paulo”, em sua edição do último dia 13, sob o título “Processado pelo irmão na 2ª Vara”:

“Elmo Codo ingressou perante o Juízo da 2ª Vara Civil, através de seus advogados, ação ordinária contra seus irmãos, o deputado estadual Rui Oswaldo Codo, Antônio Codo, Germano Walter Codo e contra seu pai, José Codo – todos sócios da Viação Estrela Dalva Ltda., à Rua Ramal dos Menes nº 10. Com essa medida judicial, procura ele apurar responsabilidade acerca de balanços que considera irregulares, relativos aos exercícios de 1970 a 1972, fatos cuja existência verificou e cuja análise alega não poder levar avante, por interferência de Rui Oswaldo Codo.

“Consta do processo que Elmo se encontrava licenciado da empresa, da qual era sócio-gerente, por motivo de saúde, desde outubro de 1970. Em fins do ano passado (1972), verificou – segundo o processo – que a mesma se encontrava em estado calamitoso, não pagando débitos fiscais e previdenciários, entre outros.

“Constatou ainda, que a firma havia sido declarada devedora remissa, pelo qual atacou o áto declaratório pela via de mandado de segurança, o qual foi concedido pelo Juiz da 1ª Vara da Justiça Federal, sr. Luiz Rondon Teixeira de Magalhães. Promoveu, ainda, os necessários pedidos de parcelamento.

“Todavia, quando pretendeu reassumir suas funções, no cargo de gerente, foi obstado por Rui Codo”.

Extraído do Correio de Marília de 15 de setembro de 1973

Mendigos & Mendigos (15 de setembro de 1973)



Certa ocasião, por volta das vinte e duas horas, um dos meus filhos, palestrava com um amigo, defronte à Casa Econômica.

Ele e um outro jovem, alheios ao mundo, abordavam assuntos banais, porém importantes para ambos, como elo de amizade pessoal.

Inesperadamente, uma viatura policial e um carro de presos da PM, pararam defronte um estabelecimento comercial próximo ao citado local. De seus interiores, saltaram soldados. Alguns militares ficaram à porta, impedindo a saída do público que estava no interior do estabelecimento. Outros entraram e começaram a conduzir rapazes para o “tinteiro”.

Meu filho e o rapaz ficaram olhando o movimento, sem saber o que estava ocorrendo. Não saíram dali, mas também não se aproximaram do “rôlo”.

Absorvidos em observar o que estava ocorrendo, não perceberam outro grupo de soldados, que os cercaram. E foram conduzindo os rapazes, para o interior da viatura policial.

Ambos protestaram, como não poderia deixar de ser.

Os policiais não quiseram saber de nada. Apenas justificaram que os moços iriam “conversar” com o delegado de plantão. E, mesmo sob protestos, foram conduzidos à delegacia de polícia.

Meu filho estava fazendo o Tiro de Guerra, e, como soldado, tinha o cabelo cortado militarmente, mas os soldados nem isso notaram.

Na polícia, assim que esclareceu que se encontrava ocasionalmente nas proximidades onde parou a “canoa”, dizendo quem era e onde trabalhava, foi imediatamente liberado.

Depois, ficou sabendo a razão da providência policial: uma batida de repreensão ao uso de entorpecentes.

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Lembrei-me desse caso, ao ouvir na última sessão da Câmara, quando no período de “explicações pessoais”, o vereador oposicionista Octávio Torrecilla, voltou a abordar o “caso mendigos”.

O edil emedebista, que tem minha admiração pelo seu ardor de luta, embora eu não concorde com seu ponto de vista sobre a citada questão, dramatizou e enfatizou um aspecto isolado do caso.

Supondo que ele tenha integral razão sobre o motivo que o levou a ocupar a tribuna, convém não esquecer que o vereador deveria reconhecer, também, por equidade, os casos demais existentemente comprovados, do ról gigantesco de malandros e pinguços fantasiados de “mendigos”.

No caso inicial, meu filho foi no roldão da batida policial que procurava reprimir um vicio maléfico. Ele culpa não tinha. Foi detido para averiguação, somente porque “se encontrava próximo” ao ponto onde se fêz presente a “canoa” policial.

Daí, ouvindo pelo rádio a fala do vereador, pensei com meus botões:

- Quando o cidadão que é edil denunciou, foi preso e “exportado” injustamente, não estaria ele também, junto, ou próximo, ou em locais frequentados pelos falsos pedintes?

Quero crer, que a “operação limpesa”, não iria deter um cidadão nas condições enfatizadas pelo vereador, se pelo menos aparentemente, alguma correlação ou aparência não tivesse existido.

Não é uma certeza, mas apenas um pensamento.

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Ante-ontem, fui tomar um cafezinho ali na Avenida, em companhia do vereador Camarinha. Topei no local, com o edil Torrecilla, que batia um papo com o ex-vereador Ariel Fragata.

Convidei ambos para o cafezinho.

Ariel recusou.

Quando nos aproximamos do balcão, juntamente com diversas outras pessoas, um desses pedintes, que não é mendigo e sim vadio, com hálito de cachaça, veio à mim, pedir “um dinheirinho”.

Neguei, é claro.

E, dirigindo-me ao Torrecilla, disse-lhe em brincadeira, em voz alta para todos ouvirem:

- Torrecilla, olha o seu aí!

Extraído do Correio de Marília de 15 de setembro de 1973

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Nem sempre Câmara teve bons olhos para com o CORREIO (14 de setembro de 1973)



Desde 1948, quando se constituiu a nossa Câmara Municipal, após o chamado período de redemocratização do país, acompanhei o desenrolar dos trabalhos da edilidade mariliense.

Até 1968, um apreciável espaço-tempo de 20 anos, por dedicação e idealismo profissional, fui crítico e repórter parlamentar. Em consequência, aprendi por força de oficio, a conhecer a própria engrenagem burocrática e de trabalho do referido Poder Legislativo.

         RESPEITO

Sempre tive a necessária habilidade e a natural razão, em saber respeita a Câmara Municipal e sua legal soberania, tendo inúmeras vezes, advogado a defesa de suas funções, como Poder e como órgão representativo, parte integrante da sistemática democrática de nosso regime.

Nesse tempo todo, não me furtei e igualmente não me pejei, em assacar críticas contra vereadores, quando estas críticas se tornaram necessárias.

Nesses casos, tenho focalizado o vereador em função, distanciando-me da pessoa física do Homem e alheiando-me à dignidade da Câmara como órgão e como Poder.

Em comparação grosseira, da mesma maneira que faz o cronista esportivo, que analisa o jogador de futebol, durante sua ação de 90 minutos no gramado e não a sua personalidade, sua pessoa propriamente dita ou sua vida particular.

         MAUS OLHOS

Vai aqui um desabafo de cunho genérico: a Câmara Municipal de Marília, pelo proceder de alguns de seus vereadores, passados e presentes, nem sempre teve bons olhos para com o CORREIO DE MARÍLIA.

Esta afirmativa, nada tem de destemoridade e também não encarna tomada de posição, porque, provas suficientes da veracidade da mesma, encontram-se consubistanciadas nas próprias átas dos trabalhos camarários.

Não foi a primeira, e nem será a última vez, porque o referido significa, a contra-gosto para nosso jornal, simplesmente uma repetição de fatos.

Vereadores já espezinharam o CORREIO da tribuna da Câmara, algumas vezes assacando inverdades, outras vezes, matreiramente insinuando diatribes, até ofensivas, contra a pessoa física de dirigentes e profissionais do CORREIO.

Há vereadores, do passado e do presente, possuidores de longos “rabos de palha”, mas, eu, no nobre exercício de jornalista, jamais me preocupei com isso, pois, ao analisar o vereador, disseco apenas e tão somente, sua atitude e procedimento, na desenvoltura de suas atividades parlamentares.

Alguns deles, isso não tem feito.

Vou aqui, propositadamente, omitir nomes, em respeito à soberania da Câmara, de seu atual presidente e igualmente em consideração aos que, imbuídos da melhor boa vontade e dos desejos de acertar e de trabalhar, não podem ser somados ao ról daqueles, que, de há muito, não vêm o CORREIO com bons olhos.

Afóra as críticas contra o jornal, assacadas e citadas, já intenraram, por diversas vezes, impedir a entrada de gente do CORREIO na edilidade. Já fizeram tentativas, em considerar em caráter oficial, nosso jornal como “persona non grata” à edilidade mariliense.

Já alimentaram desejos de instituir processos-crimes contra minha pessoa e contra outros repórteres do jornal.

         O “CORREIO”

O CORREIO DE MARÍLIA existe, antes do nascimento de muitos vereadores.

Nosso jornal é um jornal sério, desde o início, em 1º de maio de 1928.

Eu próprio, sou velho do jornal.

Tenho muito orgulho disso. Bastante orgulho também, por poder ser útil à uma sociedade e uma família, embora contrariando algumas pessoas.

Minha profissão, por natureza, gera muitas vezes, a incompreensão. Incompreensão dos incompreensivos, ressalte-se.

O CORREIO DE MARÍLIA, nascido antes da instalação do próprio município, sempre teve uma vida dedicada aos interesses da cidade e de sua gente. E não se importa com o que possa pensar uma ínfima minoria.

Represento um jornal sem cor politica ou religiosa, um arauto das boas causas, um freio necessário dentro da própria sociedade em que vivemos, porque o CORREIO discrimina e indica os males, mostrando os antídotos, contendo os mais afoitos e encorajando os que pretendem realizar algo de útil.

Condeno o que considero errado.

Trabalho num jornal sério, que trata de assuntos sérios e que senão importa que a alguns desagrade, porque estamos sendo os porta-vozes da maioria absoluta de nossa coletividade.

Conheço, como todos daqui do CORREIO, os crimes que a Lei de Imprensa comina, tolo não sendo, por isso mesmo.

Extraído do Correio de Marília de 14 de setembro de 1973

O negócio é assim mesmo (14 de setembro de 1973)



Bar do Ascelino, ali na Avenida.

Gente tomando seu cafezinho e batendo papo, numa parte do balcão.

Na outra parte, gente outra, tomando seus aperitivos.

Cervejas, “caipirinhas” e caninhas, nos cópos, à disposição dos fregueses que solicitaram.

Enquanto um freguês acende seu cigarro, uma mão atrevida surgiu por traz do mesmo, agarrou sorrateiramente o copo de pinga, bebeu-o de um só trago e saiu imediatamente.

Quase não deu tempo do “dono” perceber.

Era outro desses ditos “mendigos”.

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Defronte a Brasseria:

Muita gente parada, transitando, entrando e saindo do estabelecimento.

Duas pessoas encontram-se ali. E param, conversando, após o cumprimento.

Uma delas, meteu a mão no bolso, sacando uma carteira de cigarros. Na mesma hora, surgiu uma mão atrevida, agarrou inesperada e surpreendentemente um cigarro do maço, dependurou-o entre os lábios e saiu tranquilamente, deixando boquiaberto o cidadão.

Era outro desses ditos “mendigos”.

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Restaurante Gologna, também na Avenida.

Uma só porta de entrada e um biombo, vedando a vista do interior do estabelecimento aos que estão fora e impedindo os que estão dentro, de ver o movimento na rua.

Fregueses e familiares almoçando.

Entre um cara, forte, sem apresentar qualquer defeito físico.

Faz que vai em direção ao balcão, nos fundos do estabelecimento. Mas ao passar junto à mesa, agarrou rapidamente um copo de cerveja que o freguês havia pedido, emborcou-o na garganta adentro e saiu imediatamente.

Outro dos considerados “mendigos”.

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Uma residência:

Um moreno forte, duns trinta anos, abriu o portão de entrada, ganhou e ultrapassou a área, empurrou a porta de frente que estava entreaberta, assustando os moradores.

O dono da casa foi ao encontro e já alertado pela onda dessas invasões atrevidas, disse que nada tinha para dar e pediu que o mesmo se retirasse.

O cara não arredava o pé, insistindo e ameaçando entrar no domicilio.

O homem correu no quarto, apanhou um revolver e intimidou o malando a sair, sob a alegação de que telefonaria à polícia. O “mendigo” dispôs-se a enfrentar o homem e este viu-se obrigado a dar-lhe um safanão e sob a ameaça da arma, conseguiu escorraça-lo.

O cara saiu xingando e ameaçando e proferindo os mais “cabeludos” palavrões.

Outro “mendigo”, também.

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Outra residência. Na Vila Fragata. De familiares de um sargento da Polícia Militar.

A dona da casa, havendo negado dinheiro ao “mendigo”, precisou fechar a porta, ouvindo as mais abomináveis barbaridades e palavrões do atrevido, que permaneceu ali por muitos minutos, ameaçando arrombar a porta e atemorizando toda a vizinhança.

Mais outro “mendigo”.

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Num bar:

O cara chegou e pediu dinheiro, alegando que estava com fome. Um cidadão pediu à garçonete, que fizesse um sanduiche reforçado. Foi feito. O cidadão entregou-o ao pedinte, para que comesse, conjurando a fome.

O cara olhou bem para o sanduiche (presunto e queijo), dizendo:

Eu num vô comê essa porcaria.

E com o rastelar da mão sobre o balcão, atirou o alimento no chão, saindo em seguida, dizendo os mais pornográficos palavrões.

Outro, desses que estão condoidamente chamado de “mendigos”.

Extraído do Correio de Marília de 14 de setembro de 1973

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Nem todos são mendigos (13 de setembro de 1973)



No imenso exército dos pedintes que perambulam pelas ruas da cidade, poucos são os que, como mendigos de fato, incapacitados para o trabalho, estendem a mão à  caridade pública.

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A maioria (absoluta), é constituída de desocupados, vadios, pinguços, ladrões e maus elementos.

Todo mundo sabe disso.

Toda a cidade e todos os marilienses estão sentindo nas carnes, o problema angustiante, que foi até explorado com efeitos negativos para Marília.

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Embora alguns vereadores tenham tomado partido da situação, na tentativa de uma inglória defesa dessa casta, que os edis, teimosamente classificaram de “mendigos”, o povo mariliense, em maioria (absoluta), sabe discernir, sem a mínima dificuldade, a verdade e os fatos.

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A família mariliense está intranquilizada.

A polícia, quiçá para provar o contrário aos “defensores” dos falsos mendigos, cruzou os braços. Está a polícia, dando ensejo à família mariliense, para que analise bem a situação, em toda a sua profundeza e alcance. Para que se aperceba, sentindo o problema angustiante nas próprias carnes, de qual lado está a verdade. Se da autoridade que, cumprindo sua missão, apanhou pelo gasganete os intranquilizadores da família e da sociedade, ou se os homens públicos que se insurgiram contra a medida, fazendo aumentar o mal.

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Não se pode responsabilizar a polícia, nem o prefeito, nem a imprensa, nem mesmo o técnico do MAC, pelo atual e insustentável estado de coisas.

A culpa cabe, exclusivamente, aos vereadores que transformaram o problema, aumentando-lhe a gravidade e fazendo crescer o desassossego e os riscos permanentes para a família mariliense.

É que ensejaram um alardeio falso da verdade, fora de nossas fronteiras, com efeitos negativos contra a cidade toda e diretamente contra suas próprias autoridades diretivas.

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Caminhões procedentes de cidades outras, continuam despejando pedintes em Marília.

Vagões da Fepasa, descarregam em Marília, matilhas desses vagabundos recolhidos em São Paulo.

Mas os vereadores não se insurgem contra isso.

Parece até, que as “medidas” estão calhando contra seus próprios objetivos.

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A ordem pública está afetada, porque o mariliense, o cidadão comum, célula de uma coletividade, deixou de ter suas garantias.

A cidade está entregue aos abusos nesse particular.

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Mas o povo, ordeiro e trabalhador, deve ter garantida a sua tranquilidade física, que a própria Constituição lhe confere.

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Mais de três quartos dos casos desses pedintes, não representa nada mais do que malandragem.

Malandragem e vagabundice é caso de polícia.

O Código prevê o crime de vadiagem.

A Lei garante a inviolabilidade do lar.

O homem tem o direito de reclamar contra quem o importuna.

A autoridade policial compete garantir a segurança e a integridade física do cidadão.

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Mas algumas pessoas não desejam isso.

Há nuvens negras anunciando uma borrasca.

Em que situação ficarão depois, esses “defensores” dos vadios, pinguços e atrevidos?

Extraído do Correio de Marília de 13 de setembro de 1973

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Candidato Único (12 de setembro de 1973)



Três coisas, que cristão algum do mundo consegue impedir:

1.    A avalanche de água, morro abaixo.
2.    A velocidade e voracidade do fogo, morro acima.
3.    A mulher que quer ser infiel.

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Nada adianta chorar depois que Inês é morta.

Nem botar taramela na porta, depois do roubo da casa.

Nem tentar medir, a água que já passou por baixo da ponte.

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Em reprise:

Num município perto daqui, aproximadamente há uns trinta anos, na entrada da cidade, destacava-se uma grande taboleta. Demonstrava um letreiro rustico, executado à pixe e num afronto ao vernáculo, mais ou menos assim:

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“É prohibido andar armado quem quizer andar armado que deixe a arma em casa para não ser aprehendida pelo ispetor de quarterão e depois não vai dizer ah eu que não sabia”.

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Essa legenda, em terreno completamente diverso, poderá recair sôbre os costados de nossos dirigentes políticos atuais. Pelo menos, os efeitos finais da taboleta.

No que diz respeito ao “ah eu não sabia”!

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Estamos na época da designação e escolha, dos candidatos marilienses, que irão disputar no próximo pleito, uma confortável poltrona de couro vermelho, no Palácio 9 de Julho.

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Nasib Cury foi o primeiro que “levantou a mão” como candidato a candidato. Orlando Mendonça também “levantou a mão”, de modo mais acanhado. Nadyr de Campos também tentou. Octávio Torrecilla também consta que está desejoso de “levantar a mão”. Existe uma corrente, que daria um doce de bom grado, se Oswaldo Doretto Campanari também “levantasse a mão”. Outra, que disporia também de uma boa dose de euforismo, se Octávio Barreto Prado viesse a “levantar a mão” igualmente.

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Verdade, que são apenas balões de ensaio.

Balões de ensaio, cheio de perigo.

Perigo contra Marília.

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Eu continuarei batendo sempre no mesmo prego:

Se Marília partir para a luta eleitoral com mais de um candidato, não vai eleger nenhum.

Afirmo, quase garantindo.

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Com um candidato único, em torno do qual todos os marilienses devem fechar fileiras, não em termos propriamente de nome, mas sim em termos exclusivos e irreversíveis de Marília, poderemos eleger um representante.

Não sendo assim, nada feito.

Inês é morta e a água já passou por baixo da ponte.

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Não se olvide, que muitos marilienses, por simpatia, por represália ou por desamor à terra, irão votar em candidatos alienígenas, em caçadores de votos de outras paragens.

Será a dispersão de votos, comprovada, conhecida, “tradicional” de nossa gente.

Porisso, a necessidade de um candidato único.

Como a mais viável, provável, plausível, lógica e correta de não continuarmos órfãos na Assembléia.

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Pode escrever:

Se Marília “sair” com mais de um candidato, dificilmente elegerá seu representante.

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Depois, não vao dizer, como recomendou o “ispetor” de quarteirão:

- Ah! Eu não sabia!

Extraído do Correio de Marília de 12 de setembro de 1973