quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Daqui e de lá (31 de outubro de 1973)



Existem por ai. Vadios, cheirando a suor e exalando o hálito azedo de cachaça, assediando todo mundo, pedindo esmolas.

Não são mendigos, embora assim tenham sido “carinhosamente” chamados.

Costumam utilizar, com muita frequência, na base de “apelação”, a seguinte frase:

- É melhor pedir do que roubar.

Analizando-se a profundidade da afirmativa, é convir-se, à grosso modo interpretado, que de fato, é melhor pedir do que roubar.

Todavia, os meios nunca justificam os fins.

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Eles estão pedindo.

Ludibriando a fé pública. Enganando as gentes, aborrecendo a família e a sociedade.

Escudados pelos mendigos realmente necessitados e que não tem condições de trabalhar, esses outros, os vadios e pinguços que muitos já chamaram, inclusive na Câmara, de “mendigos”, tem até defensores. Mais do que isso, originaram até uma crise política na cidade, que envolveu Prefeitura e Polícia.

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Existe outro tipo de pedintes.

Estes, nunca a Câmara irá defende-los ou chama-los de mendigos.

Muitos são ricos.

Mas também são pedintes.

Pedintes, sob outro aspecto e de outro ângulo de “modus operandi”. Pedintes que trazem nocividade e que contrariam os interesses locais, os interesses de nosso município e de nossa gente.

São os candidatos a cargos eletivos, que habitam fóra, que vivem fóra, que são de fóra, mas que não dão de todo fóra, porque daqui acabarão levando, como sempre ocorreu, preciosos votos de parte do eleitorado mariliense.

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Nos jornais interioranos, chegam, diariamente, papelórios externos, objetivando publicidade gratuita e engodamento do povo da interlândia.

Nos contestos, trazem um ról de “providencias” em beneficio do interior e especificamente das grandes cidades, porque nas grandes cidades existe um grande eleitorado. E num grande eleitorado, existe a maior possibilidade de levar mais tolos no pacote.

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Gente que nunca se ouviu falar, que por certo nem sabe no mapa do Estado onde está situada Marília, está, nesta época pré-eleitoral, “trabalhando” por nossa cidade.

Bah!

Estão é “trabalhando” para conseguir votos dos marilienses incautos e que não tem lá muita preocupação pelas nossas coisas e causas.

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E apresentam requerimentos em quantidade, muitos infundados, falsos, furados, pedindo providencias de estradas, escolas, o diabo, enfim, para Marília.

E o serviço de relações públicas, da Assembleia e da Câmara alta, se incumbe de remeter a batelada desses papeis para os jornais do interior.

Se o jornal for na “saliva”, acaba publicando tudo e fazendo o “cartaz” para quem não merece, para quem não fez nada, nunca, por Marília. E daí, surgirá a viabilidade de algum ou alguns leitores, acreditarem no engodo e votar nesses pseudos salvadores do interior.

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Marília está “roubada” e “perdida”, com essas duas classes de pedintes!

Extraído do Correio de Marília de 31 de outubro de 1973

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Repete-se a história (30 de outubro de 1973)



Volta, pelo que se percebe, a repetir-se a historia. Batida, banalíssima, tradicional, carcomida, encaniçada.

Aproximamo-nos do pleito eleitoral, que deverá eleger os deputados dos Estados e da União.

E, como nada há de novo sob o sol, prevê-se como irremediavelmente certo, de que Marília, mais uma vez não irá eleger um deputado próprio.

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Os balões de ensaio, prenunciando a viabilidade de três ou quatro candidatos locais disputando o páreo, antecipam a garantia do pleno fracasso eleitoral dos mesmos, representando paralelamente, o fortalecimento de candidatos alienígenas.

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A esse respeito, já temos marilienses “lacrados” como “cabos eleitorais” de gente de fora: um ex-prefeito, um atual vereador e um funcionário estadual aposentado, já estão “trabalhando” para aventureiros de outras plagas, gente que nunca moveu uma palha siquer por Marília, mas que daqui, mercê dos trabalhos desses três “bons” marilienses, sempre levam votos preciosos para seus números de candidatos oficiais.

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Prefeito, é público, indicou e deverá apoiar o integro nome do professor Olimpio Cruz, como candidato da Chefia do Executivo.

Arena, segundo informações públicas, irá indicar e apoiar o nome do vereador Nasib Cury, com ou não a homologação do Diretório Regional – é o que se reconhece. Um diretório municipal, anunciando isso, parece que representa uma rebeldia ao diretório regional, ou o mesmo que tentar dar à força a alguém, uma colherada de xarope ou sal amargo.

Professor Orlando Mendonça, muito bacana e competente, exteriorizou sua intenção de sair também candidato, mesmo que seja pela região de São José do Rio Preto. Considerando-se que o referido mestre e comentarista esportivo, teve, como candidato, uma cifra pouco expressiva de sufrágios, é de prejulgar-se que as suas possibilidades positivas talvez não consigam os 25.000 votos necessários para eleger-se deputado.

O professor e quase advogado Nadyr de Campos, que declarara-se disposto a participar do pleito, embora silencioso sobre o assunto ainda “não tirou o time de campo”, o que significa que poderá também candidatar-se.

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A dispersão de votos será um fato.

A consignação de sufrágios para os candidatos de fora, outro.

Mas a consequência, esta será a mesma: Marília não elegerá ninguém, repetindo-se a história.

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É difícil agradar-se a gregos e troianos.

É difícil, também, despir de vaidade, especialmente os que tem vocação política e pretensões eleiçoreiras.

Uma coisa, restará de tudo isso:

A decepção do grande número de candidatos e a continuação de orfandade parlamentar de Marília, no Palácio 9 de Julho.

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Com mais de um candidato à deputação estadual Marília não vai eleger nenhum.

Nasib “conta” com votos de Andradina.

Mendonça “conta” com a votação de Rio Preto.

E quem vai acreditar que os andradinenses vão eleger Nasib e os rio-pretenses elegerão Orlando?

Mais do que isso, quem poderá garantir essa certeza?

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Eu arrisco um palpite garantitório:

Se não concorrermos com um candidato único e mesmo assim, se não cerrarmos fileiras em torno de seu nome, nem assim elegeremos nosso deputado.

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Tenho, como profissional, ouvido e sentido o povo eleitor. Sei muito bem o que estou escrevendo.

Extraído do Correio de Marília de 30 de outubro de 1973

sábado, 27 de outubro de 2012

Carta sem sê-lo (27 de outubro de 1973)



Marília, 27 de outubro de 1973.

Ilustríssimos Senhores:

Luiz Rossi
Lourenço de Almeida Senne
Romildo Raineri
Ruy Avallone Garrido
Abdo Haddad Filho
Nadyr de Campos
Pedro Ortiz da Silva
Luiz Homero Zaninoto
Hideharu Okagawa
Antonio Alcalde Fernandes
Nasib Cury
Octavio Torrecilla
Oswaldo Doretto Campanari
Wilson de Almeida e
Josué Francisco Camarinha

Prezados Senhores,

Permitam-me Vv.Ss., a feitura da presente, que colima enfeixar o intento, de oferecer uma despretensiosa colaboração informativa.

Absorvidos, naturalmente, com os afazeres particulares e pessoais das contendas cotidianas, que os sobrecarregam com o peso do “múnus público” da vereança municipal, é possível e de certa forma plausivelmente lógico, que Vv.Ss. desconheçam, de forma objetiva e franca, o que pensa uma grande parcela de nossa coletividade.


Como jornalista profissional, veterano, ativo e legalmente habilitado e registrado, sou uma célula de uma coletividade. Por temperamento nato de humildade, alinhavado à própria fé de oficio, imiscuo-me, permanentemente, em toda a nossa sociedade, tanto nas altas como médias esferas e também junto àquilo que se convencionou chamar de “zé povinho”. Sou, portanto e forçosamente, um homem do povo. Quiçá, tão importante como Vs.Ss., mas mais homem do povo do que muitos de Vs.Ss.

Além do mais, sou mariliense por adoção e por convicção e tenho um orgulho muito elevado em sê-lo.

Nessas condições, como mariliense autêntico e irreversível e como popularíssimo homem do povo, vivo diuturnamente com esse mesmo povo.

Vv.Ss. não sabem, ou pelo menos não conseguiram atinar e analisar, em toda a profundidade e alcance, a existência de um pensamento muito generalizado e quase total, que se constitui em contundente depreciação e até em escárnio, à quase todos os integrantes de nosso corpo de vereadores. Isso é justificável (que Vv.Ss. ignorem), porque o povo murmura e diz tudo isso “por ai”, mas ninguém tem a ousadia, de afirma-lo “na cara” dos nossos edis.

Se Vv.Ss. procurarem pesquisar, junto à opinião do povo mariliense, por quaisquer formas ou meios que aprouverem, irão, inevitavelmente, dar-me razão e agradecer isto que parece “dedação”, mas que nada mais é do que uma demonstração de lealdade e preocupação, com a própria vida político-sócio-administrativa da cidade.

De minha parte, como mariliense autentico, sinto-me preocupado e de certa forma pejado com o citado estado de coisas. Tendo procurado fazer uma análise honesta e com a mais absoluta isenção de animo, conclui que se o povo que assim pensa, não está totalmente certo, também não está de todo errado.

Cheguei também à conclusão, que o motivo originário, que gerou esse pensamento generalizado que me refiro, não teve seu nascedouro no consenso do povo e sim na sequencia de muitas ações dos próprios trabalhos de nossa Câmara Municipal.

Com esse intento de colaborar e com o informado no presente conteúdo, permito-me, em nome de Marília e dos marilienses, rogar a Vv.Ss., para que despreendam empenhos e intenções, no sentido de metamorfosear o pensamento generalizado de nosso povo. Essa metamorfose, será representada pelas ações de Vv.Ss., na recondução da anterior dignidade da Câmara, que, verdade seja dita, presentemente está apresentando uma cotação de trabalho e operosidade, muitos furos abaixo de sua real grandeza e representação. E, permitam-me também afiançar, esse estado de coisas, não foi o povo que o formou.

Atenciosamente,

José Arnaldo
Jornalista – MTPS 9918

Extraído do Correio de Marília de 27 de outubro de 1973

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Bate papo sem crediário (26 de outubro de 1973)



Aconteceu noite destas.

Passei, como eventualmente faço, no Bar do Quito. Quito é meu conhecido de há mais de 25 anos desde o tempo em que eu ainda tinha condições físicas de lidar com uma bola e quando ele despontava como um dos bons árbitros da Liga Municipal de Futebol.

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Havia uma mesa de amigos. Composta por Michel Sudaya, Nicolau Nasraui, Abilio Cabrini, Dr. Antônio Alcalde Fernandes e vereador Nasib Cury, que em noite de autentica “zebra”, saboreava um sorvete. A distancia, a presença do ex-goleiro do sãobentinho, Aurélio Grassi.

Convidado, aproximei-me da “assembleia”.

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Tenho percebido que, de uns tempos para cá, Michel está se revelando um atinado observador político. Ou por conveniência com o Quico (Quico, não, Quito), ou por influencia do Nasib, Michel está transformando-se num “peixe ensaboado”. Disso eu convenci-me, ao saber que tempos antes, no mesmo local, Michel havia ministrado uma fortíssima “sabatina política”, ao ex-prefeito Armando Biava.

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Michel é um “expert” em saber aplicar “infusão de mostarda política” aos outros. E se os “outros” não forem vivos, acabam “vomitando” tudo o que o Michel deseja que seja confessado.

Se o Michel “pegar” um repórter inexperiente, ele acaba invertendo os papeis e “entrevistando” e “arrancando tudo” do outro. Menos comigo.

Tanto isso é verdade, que o Nasib, com toda a sua sagacidade política, vez por outra vai no lance do Michel e “vomita” também.

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Cabrini, Aurélio e Quico, apenas prestavam a atenção na conversa, em que Michel fazia seu jogo contra mim. Nasib incorporou-se no mesmo “tempero” do Michel e quem acabou ouvindo muita coisa, foi o repórter aqui.

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Nasib declarou guerra ao prefeito. Foi ele quem disse, na ocasião. Um direito que lhe é assegurado e que está previsto no artigo 150 da Constituição.

Michel provocou e Nasib continuou.

O “turco” da Comasa continuou instigando e o Nasib continuou a engolir o anzol.

E a conversa partiu para um terreno outro e Michel exímio “gozador”, perguntou-me se o Pedro havia comprado o “Correio de Marília”.

Nasib estava completamente “fisgado”.

E destampou o falatório.

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Afirmou que o jornal devia cinco milhões ao Pedro Sola e que o Pedrão havia “perdoado” a divida. E que, em vista disso, Pedro Sola “dava” mensalmente um milhão e meio ao jornal, para “defende-lo”.

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Disse, em resposta que Pedro Sola não dava dinheiro para ninguém, porque era espanhol. E que nem espanhol e nem turco dá dinheiro para os outros. E perguntei ao Michel, ao Nicolau e ao Nasib, que, sendo “turcos”, se eles algum dia haviam dado dinheiro aos outros.

Aurélio, Quico e Cabrini limitaram-se a sorrir.

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O Anselmo (Scarano, gerente do Correio de Marília) garantiu-me que Pedro Sola nunca deu dinheiro algum para o jornal e que o CORREIO não é jornal que se “vende” – nem mesmo ao prefeito.

A Prefeitura paga ao jornal, apenas e tão somente, o preço de suas publicações oficiais, consequência de contrato firmado, por decorrência de ganho de uma concorrência pública. Da mesma maneira, que correlatamente a Câmara paga pelas suas publicações oficiais, ao nosso confrade “Jornal do Comércio”.

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No que a mim diz respeito, faço questão de afirma-lo em público. Pedro Sola nunca deu-me nada. Nem siquer um palito de fosforo. Nem um refrigerante num dia de meu aniversário e Natal.

A única coisa que o Pedrão “me dá”, quando me vê, e apenas um “bom dia”, ou uma “boa tarde”.

Só isso.

Falei.

Extraído do Correio de Marília de 26 de outubro de 1973

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Porque se não instala a 3ª Vara (25 de outubro de 1973)



Existem dois tipos de inveja: A inveja de respeito puro e admiratório pelo desenvolvimento, capacidade e valor alheio, em comparação com o nosso próprio. E a inveja propriamente dita, a inveja abjeta, de caráter pejorativo e simplista.

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Sempre invejei Bauru, sob o prisma da inveja sadia e respeitosa, sem razões simplistas ou pejorativas. Sempre admirei o seu progresso irrefreável, notadamente durante a última gestão de sua administração municipal, quando Alcides Franciscato regia os destinos da “cidade sem limites”.

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No mesmo lapso-tempo, enquanto Bauru progrediu 10 em 4 anos, nossa querida Marília estacionou, submersa numa modorra lastimável, que os pseudos “bons” marilienses teimam em negar ou em ignorar.

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Bauru consegue tudo o que necessita e aspira, junto às esferas administrativas da União e do Estado.

Marília nada consegue.

Não há nada de previlégio nisso, em pról de Bauru.

E nem de preterição, contra Marília.

O que existe – isso sim – é que os bauruenses empenham-se e trabalham pela sua cidade, enquanto os marilienses cruzam os braços, naquela preguiça que Monteiro Lobato contou do Jeca Tatuzinho, esperando que tudo venha a cair, por obra e graça dos próprios céus.

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Franciscato construiu quase meia dúzia de viadutos em Bauru. Nós tivemos a oportunidade de construir um, apenas um, mas os próprios marilienses, através de seu Poder Legislativo, mandaram às favas essa oportunidade.

Bauru instalou suas regionais administrativas e completou da forma louvável, o aparelhamento das mesmas.

Nós, nada.

Eles trabalharam. Nós, nada.

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No tocante às Varas Judiciárias da Comarca, Bauru tem três em funcionamento e por mais estes dias deverá ser instalada a quarta.

Aqui, temos duas sobrecarregadas de serviços, com o mesmo número de feitos judiciários dos existentes na “cidade sem limites”.

A Terceira Vara de Marília, criada por lei, consta no papel há vários anos. Sua instalação está ainda no tinteiro.

A demora, a delonga, o protelamento dessa instalação, estão debitados aos próprios poderes públicos da cidade, aos dirigentes marilienses.

Bauru tem um Palácio da Justiça, moderno, amplo e funcional.

Nós clamamos pela construção de um novo Forum, que substitua o atual, já obsoleto e acanhado, incapaz de suprir à contento suas funções precípuas e especificas.

Os bauruenses conseguiram tudo isso, porque trabalharam, pediram, rogaram, provaram a contingência das necessidades.

Os marilienses, não.

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Prefeito e Câmara, todo mundo sabe, vivem às turras. Prefeito, como bom descendente de espanhóis, é teimoso mesmo. Mas ninguém nega que seja um homem bem intencionado, trabalhador e zeloso pela coisa pública.

A Câmara, por muitos de seus integrantes, faz mais do que oposição sistemática e continua. Chega a demonstrar, por alguns de seus membros, ser visceralmente aversa até à pessoa física do alcaide.

E com isso, quem está perdendo é a própria cidade.

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Enquanto a Câmara condena o prefeito, enquanto prefeito discute com a Câmara, enquanto os vereadores se preocupam com falsos pedintes, que carinhosamente alcunham de “mendigos”, a cidade vai sendo relegada, seus interesses vão sendo sepultados, terreno vai sendo perdido.

E, dentre outras necessidades, o novo prédio do Fórum se não constrói, a Terceira Vara se não instala.

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É tempo de acabar-se com essas quizilhas inúteis, banais e pueris, cronicamente pessoais, que devem ficar à margem, porque o progresso da cidade, o dinamismo de Marília, a tranquilidade da família mariliense é mais importante e deve sobrepor-se ao vaidosismo, ao oposicionismo, ao dotiloquismo improdutivo de alguns de nossos vereadores.

Que se arregace as mangas, que se pense em Marília, que trabalhe por Marília.

E Marília passará a ser vista pelos Poderes Centrais, com os mesmo bons olhos que Bauru é vista.

Desde que trabalhamos e pela cidade nos interessemos, é lógico.

Extraído do Correio de Marília de 25 de outubro de 1973

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Prédio do Palácio da Justiça (24 de outubro de 1973)



Dia outro, via esta mesma coluna, sugeri a viabilidade de procedimento de estudos, com vistas a optar-se ou não, acêrca de um local, que reputo como estrategicamente capaz, de servir para a construção do novo Palácio da Justiça de Marília.

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Como se sabe a edificação de novo prédio, amplo, moderno e funcional, representa necessidade inadiável, uma exigência decorrente do progresso da comarca, no setor forense. O atual prédio da rua Bahia, tornou-se acanhado e obsoleto, não comportando como devia, o acomodamento dos órgãos competentes das Varas existentes, cartórios e dependências outras.

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O terreno inicialmente colimado pela municipalidade, para o destino em tela, não teria satisfeito as condições todas para ali constituir-se o Palácio da Justiça.

Parece que a situação ficou em “banho maria”, representando essa hipótese, uma série de dificuldades para os serviços forenses, pois que, o protelamento ou a morosidade na adoção dessa necessária medida, virá também, contribuir, para o retardamento da instalação da 3ª Vara da Comarca.

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O prefeito Pedro Sola, tem demonstrado, desde o inicio de sua gestão, senão um economista, pelo menos um administrador econômico. O que é louvável, não resta dúvida.

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Foi pensando, de um lado, nesse particular. De outro, na facilidade de acomodação das dependências todas da Justiça. De outro, na urgência de que o novo Palácio, seja construído, não em termos de “presente” puro e simples, mas com o esquema de previsão futura, da elasticidade dos serviços forense, também para o “porvir”.

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Esse Palácio da Justiça, deverá cingir-se, arquitetonicamente falando, a um plano esquemático-funcional, amplo, previsível também, do crescimento dos serviços forenses e das necessidades futuras da própria Justiça.

Deverá constituir-se das acomodações necessárias, para 4 Varas Judiciárias (cartórios civis, de registro, de protestos, de Menores, salas de audiências, plenário do Júri, gabinetes dos Juízes e Promotores, etc.).

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O local que “descobri” é excelente.

Minha primeira sugestão, segundo me consta, encontrou repercussão favorável, nos meios cartorários da cidade.

E representará uma inestimável economia para o próprio município.

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O local é o centro da Praça Maria Isabel, o conhecido Jardim São Bento. Alí, no centro da praça, ao lado da Catedral, poderá ser construído o Palácio da Justiça. O ponto é central. O terreno é amplo, uma quadra inteira.

O jardim não será destruído totalmente, pois o edifício situar-se-á no centro da praça, ficando ladeado pelo próprio jardim.

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Será um Edifício moderno e funcional, a surgir no centro da cidade, fazendo jogo de arquitetura com a majestosa Catedral.

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Em Botucatu, o sr. Moacir Pires de Campos, quando era Delegado Regional da Caixa Econômica Estadual, conseguiu que a Câmara votasse lei especifica e a Prefeitura daquela cidade promulgasse, permitindo um “corte” num jardim central, na rua Amado de Barros. E ali, o Estado construiu o prédio da sede própria da DR da CEESP de Botucatu.

Hoje, aposentado, o sr. Moacir Pires de Campos, recebeu da própria Câmara, o honroso título de “cidadão botucatuense”.

Extraído do Correio de Marília de 24 de outubro de 1973

sábado, 20 de outubro de 2012

No passado era assim (20 de outubro de 1973)



Este escrito é feito sob encomenda.

Um construtor mariliense, confesso fã aqui do escriba, palestrando outro dia, fêz-me o pedido.

Disse-me ele, que deve ter uns trinta anos de idade mais ou menos, que nada sabe da II Grande Guerra Mundial e que as gerações mais novas, ignoram quase que totalmente, a participação do Brasil nesse conflito.

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Embora reservista de primeira categoria, tendo servido em corpo de tropa do Estado de Mato Grosso, ignorava-se os pracinhas foram todos convocados para a guerra, se eram da ativa ou se foram voluntários.

E pediu-me para que escrevesse, contando de qual maneira os soldados brasileiros foram incorporados à FEB. “Para que outros saibam, porque muitos não sabem” – arrematou.

Vou atendê-lo.

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Na época em que o Presidente Getúlio Vargas e o Ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra, decretaram a mobilização geral, a prestação do serviço militar era regida por processos diferentes do que agora se verifica.

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O cidadão deveria aguardar, até a idade dos 21 anos, o sorteio militar. Se sorteado, apresentava-se e servia no Exército, durante aproximadamente um ano. Se não fôra sorteado, no ano seguinte requeria à Circunscrição de Recrutamento, o seu certificado militar de terceira categoria.

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Esse sistema, ocasionava um grande transtorno aos jovens, que enquanto não atingissem a idade de 21 anos, não podiam ficar quites com o serviço militar.

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Havia, no entanto, outras duas alternativas legais:

Uma era o Tiro de Guerra (no interior) e a Escola de Instrução Militar (em São Paulo), que fazia as mesmas vezes do tiro de guerra. Muita gente denominava o Tiro de Guerra, como “Linha de Tiro”.

Para solver o compromisso militar, antes dos 21 anos, época dos sorteios, o cidadão tinha a faculdade de “fazer o Tiro”, a partir dos 16 anos, como voluntário. Naquele tempo, a conscrição e a designação para os TGs. não era obrigatória como hoje e geralmente só faziam o Tiro de Guerra, os “filhinhos” de papai e os filhos de gente de certos recursos, porque as despesas corriam todas por conta dos próprios interessados, o que não acontecia servindo o Exército.

Eu mesmo fiz o Tiro de Guerra, com 17 anos.

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A outra alternativa, representará para alguns, um motivo de curiosidade.

É que hoje em dia, para o cidadão ingressar na Polícia Militar, a condição “sine qua non”, é que o mesmo esteja quites com o Exército.

Naquele tempo, há mais de 30 anos passados (antes, portanto, de 1943), o jovem que não quizesse esperar o sorteio militar, ou que não pudesse ou pretendesse fazer o Tiro de Guerra, poderia, atingindo 18 anos, sentar praça na Força Pública do Estado, pelo espaço de dois anos. Findo esse tempo, ao dar baixa, saia com o certificado de reservista de 2ª categoria do Exército!

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Já os estudantes universitários, mesmo antes dos 21 anos, inscreviam-se por conveniência, no Centro Preparatório de Oficiais da Reserva, por um espaço superior a dois anos. Era uma espécie de Tiro de Guerra, com instruções para oficialato e os concluintes eram declarados Aspirantes à Oficial, no final do curso. Faziam obrigatoriamente um estágio de seis meses em corpo de tropa ou em repartições burocráticas e eram a seguir considerados segundos tenentes da reserva.

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O efetivo da Fôrça Expedicionária Brasileira, no que diz respeito aos praças, excluindo os oficiais de carreira e os sargentos engajados, foi formado por três categorias de soldados:

1.    Os sorteados, que se encontravam na ativa, servindo na ocasião.
2.    Os reservistas, que foram convocados para o serviço ativo.
3.    Os insubmissos, em débito com o serviço militar. Estes, os que haviam sido sorteados e não sabiam e que eram “pegos” pelo Exército, quando tentavam requerer a “terceira categoria”.

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Uma outra curiosidade:

A classe estudantil, especialmente os acadêmicos de Direito, do Rio e de São Paulo, foram os que mais impuseram ao Governo, a declaração de guerra e o envio de tropas brasileiras para a campanha da Europa.

Mas a verdade, é que pouquíssimos deles foram lutar. A maioria absoluta “caiu fóra” e o grosso da tropa dos praças da Força Expedicionária Brasileira foi formada por humildes, muitos semi-analfabetos, operários e gente da zona rural!

Extraído do Correio de Marília de 20 de outubro de 1973

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Conceitos sobre a Câmara (19 de outubro de 1973)



Dia outro, determinado comerciante local, palestrando comigo, comentou a série de escritos, sobre o chamado “caso dos mendigos”.

Afirmou ter acompanhado toda a campanha do jornal e particularmente deste escriba, confessando-se de acordo com meus pensamentos exteriorizados.

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Foi mais além, dizendo, na presença de outras pessoas:

- Você está certo. Isso mesmo. “Meta a lenha” nessa cambada de vereadores.

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Observei-lhe, então:

Não estou “metendo o pau” nos vereadores e nunca considerei nenhum deles, como integrante de “cambada”.

Lembrei-lhe, que tenho criticado e criticarei, ações conjuntas ou isoladas, abordando como móvel o vereador em atividade e nunca a pessoa física do cidadão.

Disse-lhe reconhecer boas intenções por parte de muitos dos edis e asseverei que bem reconheço os sacrifícios do cargo, que é um “monus público”.

Mas que não deixaria de censurar, ações que, por seus objetivos, natureza, política, efeitos ou consequências, viessem a acarretar detrimento para a coletividade, ou mesmo entrave para o andamento normal da vida sócio-administrativa mariliense.

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Da conversa participou um outro cidadão, que eu tenho ciência que trabalhou ardorosamente pela eleição de Armando Biava.

Biava não foi eleito e esse cidadão tornou-se inimigo figadal de Pedro Sola.

Aparteei esse amigo, para lembrar-lhe que muitos marilienses de hoje, que estiveram ao lado de Biava, pelo fato de Biava não ter sido eleito, transformaram-se em inimigos e “torcedores” contrários ao atual prefeito.

Que olvidaram-se de que, numa democracia, onde o povo escolheu seu prefeito pelo voto livre e direto, o candidato derrotado tem os seus méritos, porque disputou e competiu. Mas que, conhecido o resultado das urnas, o candidato vencido deixou de ser candidato.

No caso, citei que Biava não é “ainda” candidato e simplesmente cidadão mariliense, probo e honrado, um engenheiro conceituado e uma pessoa estimada por grande parte dos marilienses.

Mas que “não é mais” candidato.

Disse que muitas pessoas daqui, que estavam ao lado de Biava, após a derrota deste, transformaram-se gratuitamente inimigas de Pedro Sola.

Finalizei comparando esse rol de “torcedores” contra Pedro Sola, como a maioria dos comunistas brasileiros: essa maioria não é comunista por vocação, por seguimento das doutrinas ideológicas de Marx ou Lenin. Essa maioria é comunista, simplesmente por ser “contra os americanos”.

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Sobre a Câmara e sua composição atual, afirmei que, presentemente, em ação conjuntiva e em tese falando, está apresentando uma pauta de trabalhos com muitos furos de negatividade.

E está mesmo.

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Embora negando-se, lá existe oposição sistemática ao Poder Executivo, que não está sendo “contra” o prefeito, mas sim “contra”, os interesses de Marília.

É só acompanhar os trabalhos camarários com isenção de ânimo e ver as coisas como elas devem ser vistas: em termos únicos e indesviáveis de Marília.

Extraído do Correio de Marília de 19 de outubro de 1973

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A propósito de uma data (18 de outubro de 1973)



Faz muito tempo.

A escola rural, só ensinava até o terceiro ano do grupo, numa só classe e com a mesma mestra.

Eu havia concluído esse terceiro ano, em apenas dois, porque a professora, dona Zaira, promovera-me no meio do ano letivo, do primeiro para o segundo, pela razão de que eu sabia fazer contas de dividir, com mais de dois números na chave.

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Para cursar o quarto ano e “tirar diploma” era preciso estudar no grupo escolar da cidade. O quarto ano funcionava das 8 ao meio dia e como o sitio onde eu residia distava oito quilômetros da cidade, precisava levantar-me às quatro, saindo ainda escuro, à pé.

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Meu pai decidiu e acertou, com dona Guiomar, a farmacêutica da cidade, para que eu ficasse na casa dela, enquanto estudava, trabalhando na farmácia. O marido da dona Guiomar era médico, com consultório anexo a farmácia.

A mulher “faturava” mais do que o marido, pois (ele) consultava sem cobrar e o lucro era representado pelos medicamentos vendidos.

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Eu lavava vidros e apetrechos do laboratório. Limpava diariamente o consultório e a aparelhagem do Dr. Gilberto.

Naquele tempo não existia a penicilina, nem vitaminas, nem os antibióticos de hoje. Mordeduras de cobra e doenças venéreas, curavam-se com permanganato de potássio.

Preparados, quase se não vendiam na farmácia. Só remédios manipulados. Era “fogo” aviar as receitas, fazer pílulas, cápsulas, óvulos e supositórios, “na raça”.

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Injeções endovenosas, só eram aplicadas por farmacêutico diplomado ou por médico. Para aprender aplicar injeções intra-muscular, dona Guiomar permitiu que eu fizesse numa ampola de óleo canforado, num dos auxiliares da farmácia, o “seo” Joãozinho.

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O Dr. Gilberto gostava de mim, percebia meu interesse por tudo. Tanto que, quando as circunstancias permitiam, ele consentia que eu presenciasse as consultas que fazia.

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Tomei gosto por tudo o que se relacionava com a medicina.

Desejava ser médico, idéia que só abandonei depois de adulto, por reconhecer a impraticabilidade de atingimento.

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Quando ia ao sitio visitar meu pai, utilizava a experiência ganha na observação das consultas (perguntas do médico e respostas dos clientes) e “dava consultas” aos caboclos, prescrevendo a medicação.

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Certa feita, eu limpava o consultório, quando entrou abruptamente uma mulher em prantos e aos gritos, dizendo que havia “rebentado a bexiga”. A mulher encontrava-se no momento da délivrance e a “bolsa” rompera-se.

Enquanto gritei pelo médico, ajudei a mulher a deitar na mesa e quando o Dr. Gilberto chegou, um pequenino ser estava nascendo em minhas mãos. Eu estava atônico, pálido e sem poder falar. Meu espírito infantil não estava preparado para a dura realidade do acontecimento, assim de chofre, pois eu era uma criança de 10 anos.

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Certa feita, em Araçatuba, quando recém-casado eu era, ao chegar em casa, minha mulher, inexperiente como toda recém-casada, chamava-me a pedido de uma vizinha, cuja filha encontra-va-se no momento de tornar-se mãe.

Recusei atender, dizendo que eu “não entendia”. Mas em conversas anteriores fôra dito algo sobre minha rápida passagem por farmácia e consultório médico e senti o dever de não omitir o socorro, ajudando a ultimar o parto dos mais fáceis e normais.

Por caprichosa coincidência, a parturiente era mulher de um médico...

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Dos seis filhos que tenho, cinco deles foram tratados desde que nasceram, pelo Dr. Adhemar de Toledo (pai).

Esse estimado médico mariliense, hoje radicado em Santos, todas as vêzes que levava uma das crianças ao seu consultório, indagava o que eu havia ministrado. Dizia-lhe na maioria das vezes, o Dr. Adhemar, com aquela simpatia e humildade digna dos grandes profissionais, consolava-me dizendo: “A medicação está certa. Pode continuar”. Ou, então: “Vamos substituir isto por isso”. Ou: “É bom também, para reforço, dar isto”.

Estas passagens, ocorreram-me, como disse no início, de minha intenção frustrada em não poder ter sido um médico.

E hoje é o Dia do Médico. Data consagrada à festa de São Lucas, o Médico do Evangelho.

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Com sua força e paciência, o médico sempre é de vontade indômita, compassiva e generosa. Nos momentos de nossos desesperos e dos maiores cansaços, lá está ele, a socorrer os enfermos que clamam, que dele esperam o remédio salvador, a certeza da recuperação da saúde.

Nessas ocasiões, a vida passa a estar nas mãos na consciência e na competência, dessa criatura que é sobretudo humana e que todos nós, respeitosamente, damo-lhes o nome certo, que é doutor.

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Esta é a minha simples, pálida, porém sincera homenagem aos médicos marilienses, neste 18 de outubro, o Dia do Médico.

Extraído do Correio de Marília de 18 de outubro de 1973

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Tem dessas coisas (17 de outubro de 1973)



Ali na visinha cidade de Assis, o indivíduo Carlos Vieira, munido de uma garrucha velha, deu dois tiros de “rabo-de-égua” em Nair Calixto, sua amásia.

Segundo consta, o Carlos vive em São Paulo, onde trabalha e de vez enquando dá uma esticadinha em Assis para encontrar-se com Nair.

Em sua recente visita à casa da amante, Nair teria reclamado e queixado-se de que vivia passando fome e por essa razão, o Carlos deu “um tirico” na mulher.

Será que o Carlos pensou que a bala de garrucha mata a fome?

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Está dando “coruquerê” seguidamente, nos semáforos da cidade. Sempre há um ou outro com defeitos ou avarias.

E assim ficam dias seguidos, ocasionando confusões no trânsito e perspectando acidentes.

Antes não era assim. Quando um sinaleiro apresentava defeito, sempre surgia o Graciano para “quebrar o galho”. Agora a situação está ficando como está, para ver como fica.

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Televisão em Marília, já disse várias vêzes, é como dinheiro em bolso de póbre: só alguns dias por mês.

Aqui, quando um canal está bom, o outro está uma droga. Se uma noite dá para gente assistir tevê sem passar ira, a certeza é que nas noites seguintes vai ser a mesma “porcaria” de sempre.

Todo mundo reclama. Alguns prometem. O povo paga.

E a situação perpetua-se numa espécie de moto-contínuo: a mesma droga de sempre.

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Em Marília existe a “esquina dos milagres”.

Ali na esquina da rua 9 de Julho com a Avenida Vicente Ferreira.

Quiçá por proteção de Santa Isabel, cuja Igreja ali se situa, é que não ocorrem desastres de automóveis, vários deles, diariamente.

Se não for isso, é porque os motoristas que sobre ou descem a Nove, são cautelosos.

Porque, de cada 100 motoristas que trafegam pela Vicente Ferreira, do lado da Santa Casa em direção ao Yara, no mínimo 98 deles cruza aquele perigoso local, com o pé na tábua.

Se o Trânsito plantar-se ali, permanecendo umas duas horas e verificando a denuncia, por certo irei ganhar doce.

A placa “Pare” não resolve nada. Semáforo ali, segundo os técnicos, não dá para ser colocado.

Resta então, uma solução: a colocação de tartarugas. O único meio para frear um pouco, a febre de velocidade de muitos marilienses apressados.

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O MAC foi derrotado em Ribeirão Preto, frente ao Comercial, pela contagem mínima.

Não foi porque o Comercial jogou melhor.

Foi por obra do Acácio.

É que o tempo já havia sido esgotado e o jogo continuou.

Vai dai...

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Com toda a certeza, o honrado Presidente Médici não está sendo informado, de como estão subindo os preços de tudo por estes Brasis.

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Não custa, aos motoristas, dar sinal de seta ou de mão, quando vão entrar à direita ou à esquerda, de determinada rua.

Isso representa responsabilidade, respeito aos motoristas, que trafegam atraz de outros veículos, e, o que é mais importante, é uma exigência do Código Nacional de Trãnsito.

Extraído do Correio de Marília de 17 de outubro de 1973

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Política golgotista (16 de outubro de 1973)



Apesar de já residido em São Paulo, a despeito de orgulhar-me da Capital do meu Estado, não consigo tolerar longa permanência na paulicéia.

Quiçá seja em razão do ambiente de vivença, ou talvez póssa ser em circunstância da diversificação do “modus operandi” entre a vida pacata do interior e a agitadíssima vida do grande centro, o certo é que não aprendi a apreciar o corre-corre da vida paulistana.

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O preço do progresso de São Paulo, tornou a cidade desumana demais, uma usina geradora de tensões nervosas e desassossego.

É um corre-corre tremendo. Ninguém conhece ninguém. Tudo na base da gozação e da xingação.

O Paulistano pobre e assalariado, que por razões óbvias é obrigado a residir em bairros distantes do centro, fica compulsado a levar uma vida escrava, sendo obrigado a levantar-se alta madrugada para atingir o local de serviço no centro, regressando tarde da noite para o jantar e o necessário repouso.

E pensar-se, que o mariliense reside, por exemplo no Castelo Branco ou na Cecap, trabalhando no centro, considera e reclama que “mora longe”.

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Permaneci recentemente por mais de dois dias na Capital. Embora pouca gente tenha notado minha falta, especialmente os leitores, que se não privaram da leitura diária da coluna.

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É algo aborrecido confessá-lo, mas a gente fica ansiosa por desobrigar-se da missão da viagem e retornar. E sente um prazer infindo, quando novamente pisa o solo mariliense.

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Talvez, por esse motivo, tenha eu recusado propostas de trabalho, altamente representativas e compensadamente remuneradas, em São Paulo.

Bem, isso é uma questão que nada interessa aos leitores.

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Em São Paulo, topei o mariliense Diogo Nomura, que se deslocou de Brasília, para assistir o casamento de um de meus filhos.

Como deputado federal, o parlamentar tem política ingetada nas veias. E como político atuante, deve andar sempre bem atualizado.

E, por essas razões, indagou-me sobre a vigência da política municipal.

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Disse-lhe.

Respondendo pergunta sobre Pedro Sola, afirmei que o alcaide está demonstrando trabalho perseverante, honestidade de propósitos e boas intenções, fato que vem, até aqui, traduzindo-se num conjunto ético de boas perspectivas para o futuro de Marília.

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Diogo asseverou que está satisfeito com Pedro Sola e que de sua parte, está dispensando-lhe toda a assistência que pode dispor, junto ao Governo e às Secretarias de Estado.

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Sobre as “brigas” da Câmara, que Diogo quiz melhores detalhes, não ocultei e não me pejei em afirmar-lhe que o prefeito vem sentindo oposição de alguns edis, embora os mesmos alardeiem que não fazem oposição sistemática.

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Fui mais além, pedindo-lhe que desculpasse, como antigo pessepista: está voltando a vigorar, aquela política nefasta e abjeta do passado.

Já se anseia, em todo o Estado e também em Marília, o pedestal dos semi-deus, em que os líderes políticos dão as cartas e em alguns casos, ignoram ou escarnecem de autoridades.

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Veladamente, está tentando reviver o tempo do “sabe com quem está falando?”. E do “respeito obrigatório” aos mandantes políticos, que encenam o golgotismo contemporâneo.

Diogo concordou, ou pelo menos concordou com o afirmado.

Inclusive, chamei-lhe a atenção, para que, como deputado Federal, melhor se aquilatasse de como se conduz a política dos municípios, inclusive de Marília.

O colóquio não chegou ao final, porque os abraços de outro mariliense – Pedro Savioli – interromperam o referido diálogo.

Extraído do Correio de Marília de 16 de outubro de 1973

sábado, 13 de outubro de 2012

Preço da popularidade (13 de outubro de 1973)



Toda a pessoa que escreve para jornal, ou que milita em rádio, fica naturalmente conhecida de uma população.

Especialmente, se as atividades foram constantes e as funções tiverem relacionamento direto com os acontecimentos normais da cidade.

É o meu caso.

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Há gente que não me conhece pessoalmente, mas sabe muito bem meu nome e sabe que o Zé Arnaldo é jornalista e foi por muitos anos radialista.

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Daí, a popularidade.

Essa popularidade, por vêzes acarreta encargos e onerações.

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Certa ocasião, um policial admoestou um cidadão, por uma qualquer irregularidade de trânsito. O motorista “subiu a serra” com o polícia, por sinal recruta e novo na cidade. Ameaçou o militar, dizendo que era eu, muito relacionado com o delegado e com o Ten. Cel. Irahy e com forças suficientes para transferi-lo de Marília.

O policial contou a caso a outro, graduado e mais antigo e os dois vieram falar comigo. Foi quando o soldado que havia levado a indevida “bronca”, admirou-se e afirmou que não havia sido eu, “Zé Arnaldo jornalista” que lhe havia ameaçado.

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Num café da cidade, outro dia, determinado cidadão, que eu conheço apenas de vista, teimou que eu era o Newton Moura e mesmo ante minha negativa, o mesmo se não convenceu, não aceitou, na presença de testemunhas, a minha identidade de José Arnaldo, porque “eu era gozador, mas que ele sabia que eu era o Newton Moura”.

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Outro dia, um cidadão de fóra, indagou-me de determinada rua central. Expliquei-lhe o desejado. Na informação, deve ter ocorrido o gesto normal das mãos, indicando distância, esquerda ou direita. O mesmo deve ter ocorrido com o solicitante, como é natural. Informado, o homem correu para o carro, que havia estacionado em local proibido, afastando-se rapidamente e eu seguindo meu caminho.

Um cidadão presenciou o fato.

E esse mesmo cidadão, “esparramou” na hora, que eu havia “brigado” com um cara que estava num carro com chapa de São Paulo.

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De vez enquando, aparece aqui na redação, um cidadão qualquer, para saber questões relacionadas com os ex-soldados constitucionalistas, por ter sabido que eu “fui” combatentes de 32.

Em 32 eu era criança.

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De uma cidade distante, fui procurado outro dia, por um emissário de um clube, para acertar um triangular de bochas. Haviam informado ao forasteiro, que eu era presidente de um clube de bochas da cidade.

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Já me solicitaram para “quebrar galhos” na Prefeitura, porque foram informados que eu “trabalho” para o prefeito.

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Numa conversa que eu não participei e que me contaram, gerou-se uma teima e um distinto chegava a apostar, que eu já fôra vereador e até presidente da Câmara.

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Numa excursão do MAC, um dos excursionistas apontando para outro uma imensidão de cafezais, identificou a propriedade como a “Fazenda do Zé Arnaldo”.

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Perto de São Paulo, nasceram trigêmeos no mês passado.

Inda bem que eu nunca passei por aquele local.

Extraído do Correio de Marília de 13 de outubro de 1973

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

To be or not To be (12 de outubro de 1973)



Eis a questão.

Ou elegeremos um deputado de Marília, por Marília e para Marília, ou não elegeremos nenhum, mas contribuiremos para a eleição de “piranhas”.

E tudo ficará como estava.

E Marília continuará órfã na Assembleia Legislativa. Órfã e desamparada, como até aqui está e permanece.

Numa comprovada prova de desamor à terra.

“Alea jacta este” – a sorte está lançada.

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Caso as forças políticas e os candidatos locais, decidam que Marília concorrerá com mais de um candidato, desprezando a fórmula de candidato único, dificilmente conseguirá eleger seu lidimo representante.

Não vai ser fácil, centralizar 25.000 votos para um só dos nomes, entre o mais de um prognosticamente cogitados.

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Esse problema é nosso, mariliense.

Ele não atinge os “piranhas”, os candidatos alienígenas, porque estes, por mais bobos que sejam, jamais esperariam contar, todos eles e cada um de per si, com tal cifra de votos.

Eles, os forasteiros, pretendem levar o que puderem, pura e simplesmente.

Tudo ajudará. 100, 200, 500, ou 1.000 votos.

O que não será o caso nosso, mariliense, que precisamos reunir e garantir um mínimo de 25 mil votos para termos a esperança de eleger “nosso” deputado.

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Já temos marilienses, que foram contratados para “cabos eleitorais” de candidatos de fora.

Os dois, antigos da cidade, fizeram-se presentes em comícios políticos do pleito que elegeu o prefeito. Um, como candidato a vereador e óra eleito. Outro, como “apoiador” da candidatura Biava.

Oportunamente falarei o nome desses dois marilienses, que já firmaram “convênio” com candidatos alienígenas, que nunca fizeram nada ou mesmo moveram uma palha em favor de Marília.

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E não é esta a primeira vez.

Essas duas pessoas, como muitas outras, são “tradicionais” em trabalhar para gente de fora.

Deve existir interesse vantajoso no caso, pois senão os mesmos não se colocariam diretamente contra os interesses de Marília!

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Em tempo hábil, vou dizer o nome desses dois marilienses, por sinal, antigos entre nós. Mas que sempre trabalharam para gente de fora. Um, desde o primeiro pleito para deputado, após o período de redemocratização do país. E desde esse tempo, como o “pai da criança” que movimentou pela vez primeira a campanha pró eleição de gente de Marília, estou sempre “no lance” dessas gentes.

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Causa espécie.

Mas os dois “cabos eleitorais”, não irão ficar vermelhos (porque nunca ficaram) e irão procurar talvez até você, leitor, pedindo-lhe votos para Pedro e para Paulo, de outras paragens.

Fique atento, observe.

Sei muito bem o que estou dizendo, aliás, escrevendo.

Já constatei isso em pleitos passados e já tenho a confirmação do presente. Inclusive para as próximas eleições.

Os referidos marilienses são o mesmo que o chupim, que bota o ovo no ninho do tico-tico, para não ter trabalho algum.

Extraído do Correio de Marília de 12 de outubro de 1973

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Uma rua para um pracinha (11 de outubro de 1973)



Por força de dispositivo legal, não mais à Câmara e sim à Prefeitura, cabe a prerrogativa, de nominar as ruas da cidade, ou de propor a substituição, troca ou retificações de denominações de praças ou vias públicas.

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Os pracinhas de Marília, sempre foram olvidados e raramente lembrados os seus feitos heroicos, comprovados de armas em punho, no s campos de batalha da Europa.

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Todas as cidades, tem alguma rua ou alguma praça, cultuando os feitos e a lembrança dos ex-combatentes da Fôrça Expedicionária Brasileira.

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Em Marília, existe um monumento aos ex-combatentes, na Praça Saturnino de Brito. O mesmo foi erigido, em virtude de uma campanha pública, encetada e levada a efeito por este mesmo jornal e por iniciativa do então redator-secretário do “Correio”, o saudoso jornalista Luiz Franceschini.

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A inspiração de Luiz Franceschini, motivou-se dos contatos que tinha comigo na redação do jornal e da estima pessoal que por mim nutria, que era reciprocamente recompensada e retribuída.

Quando da primeira idéia de Franceschini, o monumento visaria render um tributo de reconhecimento, respeito e saudade, aos ex-combatentes da FEB. Todavia, o então diretor do jornal, Sr. Raul Roque Araujo, aventou a viabilidade de que a homenagem estendesse-se também aos ex-constitucionalistas de 1932.

Confesso que não apreciei a idéia por representar uma homenagem mesclada, à dois grupos completamente distintos e de antagônicas lutas armadas.

Mas não pude objetar, mesmo assim, por ver na idéia, uma intenção pura e louvável.

E o monumento aí está.

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Não fôra o ex-prefeito João Neves Camargo, não existiria a Avenida Sargento Ananias de Oliveira, ex-pracinha da FEB, ex-balconista das Casas Pernambucanas, morto durante a guerra da Itália.

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Porque, o monumento aos ex-combatentes existentes rende um tributo de homenagem de duplo caráter.

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Quando da chegada dos pracinhas marilienses à nossa cidade, em agosto de 1945, o prefeito da ocasião, João Neves Camargo, juntamente com as autoridades, os ex-combatentes e a população mariliense, fêz inaugurar uma placa de Avenida dos Expedicionários, em substituição a atual Avenida Brasil.

A placa permaneceu pouco tempo, tendo sido retirada, o que representou um descaso aos ex-combatentes da FEB.

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E o tempo passou.

E as coisas continuam no mesmo pé.

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Agora, se apresenta ao prefeito Pedro Sola, a oportunidade de render parcialmente, um preito aos pracinhas.

Há pouco, faleceu entre nós, o ex-combatente Felix Mansur, que tendo nascido na cidade paulista de Igarapava, residia em Marília desde 1929, aqui tendo chegado criança ainda.

Sorteado para o Exército, foi incorporado ao serviço ativo, na 9ª Região Militar, em Mato Grosso.

Como 2º Sargento da Arma de Infantaria, foi designado para a Fôrça Expedicionária Brasileira.

Esteve na Itália, lutando pelos sacrossantos postulados da Liberdade e da Democracia. Foi um dos 25.000 pracinhas brasileiros que participou da II Grande Guerra Mundial.

Um pracinha de Marília.

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Justo e reconhecido como sempre foi e bem intencionado como é, o prefeito Pedro Sola, deveria estudar a viabilidade, de dar a uma rua ou a uma praça de Marília, o nome do Sargento Felix Mansur.

Extraído do Correio de Marília de 11 de outubro de 1973

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Carta ao Policarpo (10 de outubro de 1973)



Marília, 10 de outubro de 1973.

Caro Compadre Zé da Rua:

Faço votos para que, estas mal traçadas linhas vão encontra-lo no gozo da mais perfeita saúde e felicidade, em companhia da comadre Maria Sofredora e seus onze pimpolhos.

Por aqui, eu mais a comadre Maria da Fome e as crianças, vamos levando a vida como Deus é louvado.

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A gente lutando com a vida, trabalhando de sol a sol, no duro. A noite ganho mais uma quirerinhas, trançando laços e nos dias-santos e domingos, sempre pego um servicinho de poceiro, para ganhar alguma coisa mais. Mas não é preciso tanto assim, porque a vida está muito boa e só sobe um tiquinho de 1,2%, conforme li no Almanaque da Farmácia.

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Tem vizinha reclamando, que o preço da carne está muito caro, mas nós aqui  em casa nunca preocupamos com isso, porque, na verdade, a última vez que comemos um pouquinho de carne, foi quando o coronel deu aquele churrasco, para receber aquele homem da cidade, que diz que vai ser candidato a deputado.

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Televisão eu não comprei, porque senão a família vai ficar vendo tevê a noite e isso cansa muito a vista e o vidrinho de colírio que a gente tem, está quase no fim.

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Outro dia, um fazendeiro muito amigo, deu p’ra gente uma melancia das grandes, que foi uma beleza. Eu, a minha mulher Maria da Fome e as crianças, tiramos a barriga da miséria.

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Mistura a gente tem com fartura por aqui. No “varjão” dá muita serralha e nas quiçaças tem maxixe à vontade. De vez enquando, o meu filho Quincas, pela algumas rolinhas na arapuca e a gente tem uma mistura gostosa e diferente.

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Roupa é o que não falta, pois até no Asilo a gente sempre ganha algumas peças que a comadre conserta e reforma.

Outro dia, numa oficina mecânica eu consegui duas latinhas vazias de óleo de breque e fiz dois candeeiros muito bons. Foi uma grande economia.

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Como você vê, a vida está muito boa e não há nenhum motivo para queixar.

Eu estou satisfeito com tudo e fico fulo de raiva, quando vejo os outros reclamarem que a vida está difícil e que tudo está muito caro. Acho essa gente muito exigente.

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Se a colheita correr bem este ano, qualquer dia vou fazer-lhe uma visita, cumprimentar a comadre Maria Sofredora e os onze afilhados meus.

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Não pósso me queixar da vida, mas tem uma coisa que está me dando muito aborrecimento.

É o meu filho mais novo, o Bombardino.

Esse menino sempre foi e continua sendo muito trabalhador. Me ajuda na lavoura, sabe arrear o cavalo, sabe trabalhar com a enxada e o arado, já tirou diploma do grupo e é muito estimado por todos. Ele escreve as cartas dos colonos e todo mundo gosta do tipo das cartas que ele escreve.

Nos bailes aqui na roça, as moças gostam de dançar com ele e todo mundo admira-lhe a inteligência.

Mas nestes últimos tempos, o menino, que já está com 19 anos, cismou de meter umas idéias bestas na cabeça, o que me está deixando muito triste e chateado.

É que o diabo do Bombardino, meu filho, de uns tempos para cá, teima em dizer que quer ser vereador!

Extraído do Correio de Marília de 10 de outubro de 1973

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Um jornal que precisa ser (9 de outubro de 1973)


José Arnaldo e o bilhete escrito para o "mano Alcindo" em 23/3/1945

Já exteriorizei aqui, analogicamente, idêntico pensamento. A repartição, além de não apresentar nenhuma contra-indicação, vem alinhavar justificada necessidade.

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Preciso inventar um novo tipo de jornal. Uma coisa inexistente, “sui generis”.

Um jornal diferente. Bem diferente.

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Um jornal impresso em delicadas tonalidades de matrizes. Todo perfumado, apresentando em envólucro de finíssimo plástico, delicadamente amarrado por fitinhas brilhantes das cores rosa e azul.

Um mimo, uma jóia.

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Deferirá dos jornais comuns, esses jornais que não tem medo de noticiar os fatos e que dissecam a verdade, dando nome aos bois.

Vai ser diverso dos jornais comuns, essas folhas que apontam erros e indicam soluções, que esclarecem, que noticiam, que informam, que louvam e criticam, quando o fator necessidade diz presente.

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O jornal que vou inventar, vai ser diferente.

Vai elogiar, louvar, jogar confétis, borrifar água de melissa em todo mundo. Vai omitir e silenciar sobre os crimes contra a sociedade e a família, que são puras bobagens.

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Vai empavonar os políticos profissionais e matreiros, porque estes precisam de um jornal assim.

Vai dizer amem e dobras as espinhas, temeroso de todos os “arrotos de autoridades”.

Vai enaltecer funções e cargos, porque os outros jornais não se preocupam com isto fazer.

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Vai ser um jornal diferente.

Vai “provar” aos seus leitores, que a vida é boa em todos os sentidos, que a sistemática informativa da Fundação Getúlio Vargas está certa e que o custo de vida sempre subiu uma ninharia de 1,2%.

Vai provar que todos os políticos são bem intencionados e que trabalham pelo povo, ao contrário dos outros jornais que criticam esses mesmos maus políticos.

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Esse jornal não vai noticiar fatos infautos, nem preocupar-se com a prostituição moral, como fazem os outros jornais. Essas coisas desagradáveis e abjetas, não comportarão no jornal que precisa ser inventado.

O jornal que precisa ser inventado, só irá trazer coisas agradáveis, elegantes notícias sociais, destaques inimitáveis para os políticos matreiros e tiriricas, coisas boas, com um noticiário açucarado.

Não irá se nivelar, ao noticiário comum dos outros jornais, porque os outros preocupam-se com a verdade, com os fatos, com os leitores, com a integridade dos cidadãos, combatem os erros, escarnecendo dos maus feitos e criticando seus autores.

O jornal que precisa ser inventado, jamais fará isso. Nunca!

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O jornal que precisa ser inventado, vai ter ainda uma outra utilidade inestimável: ninguém mais vai precisar de carteira de identidade, de diploma universitário, de nada. Basta exibir o jornal que precisa ser inventado, com o destaque de seus nomes honrosos e honrados e ficará mais importante do que o distinto que possuir Passaporte Diplomático, ou Cheque-Ouro do Banco do Brasil ou Cartão-Elo, ou Cartão-Bradesco.

Muito mais importante!

Extraído do Correio de Marília de 9 de outubro de 1973

sábado, 6 de outubro de 2012

Convem saber... (6 de outubro de 1973)



O burro é um cavalo que nunca foi na escola.

A zebra é um burro de pijama. Mas também aparece na Loteria Esportiva.

O vagalume é um inseto que possui luz própria.

O caititu é um porco muito inteligente, pois se assim não fôra, viraria com frequência, costeletas, pernil e torresmo.

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Cobra não pode andar de muletas.

Lagarto não sabe tocar sanfona.

Boi, depois de morto, quando está no açougue, vira vaca.

Corimba não aprende soprar trombone.

Pedinte, nem sempre é mendigo, mas as vezes pode ser, embora não seja comum.

Não se pode ensinar o Pai Nosso ao vigário.

O Corinthians ainda poderá vir a ser campeão.

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O urubu é o agente funerário dos animais.

Ter gente, cuja vida é um livro aberto. Mas um livro pornográfico.

Na Academia de Letras, não existem letras protestadas.

Tarzan costuma pegar o cipó das seis, porque o cipó das séte vem “assim” de macacos.

Chato mesmo, é um cara que senta numa lâmina de barbear, no chão do banheiro e ainda fica balançando as pernas.

O nariz não serve só como órgão de olfato. Serve também para ser metido na vida dos outros.

Pobre que bebe é pau-d’água. Rico que bebe, é boêmio.

Muitos homens gostam da mini-saia... nas mulheres dos outros.

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A ciência avançou muito, é verdade. Mas encontra dificuldades em curar um simples resfriado.

O homem foi à lua e a gente viu a viagem na televisão. Mas a televisão em Marília, continua sendo uma “droga”.

Se Camões vivera, jamais aprenderia a falar o português “moderno” que falamos no Brasil.

Há mais valor nos pés de um futebolista, do que no heroísmo dos pracinhas que defenderam o Brasil na Itália.

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A couve-flor é a mais granfina das leguminosas.

Canhão, morteiro e “bazooka” são as únicas armas de fogo, que não precisam de cabo ou de coronha.

Mas há mulheres que sendo “canhões” podem ter um cabo... da polícia ou do Exército.

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No mar, os tubarões devoram os peixes incautos. Nos rios, as piranhas comem os lambaris. Em Marília, os candidatos de fora, representam as piranhas: engolem os votos de gente mariliense,

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Já estão aparecendo piranhas políticas na praça.

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É erro confundir um bombeiro, o “soldado do fogo”, com um praça bêbado, um soldado “de fogo”.

Também está errado, confundir um mendigo-pedinte com um pedinte-vadio.

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Para quem gosta de jogo de truco, é bom ficar sabendo: a maior carta do baralho, no “ponto-à-cima”, chama-se “zápete” e não “zápe”.

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Para quem é mariliense e gosta de fato de Marília, o voto para candidato à deputado estadual, deve ser dado à gente daqui e não às piranhas políticas de fóra!

Extraído do Correio de Marília de 6 de outubro de 1973