sábado, 29 de junho de 2013

Língua de Trapo (29 de junho de 1974)


Certo amigo presenteou-me, não há muito, com um livro velho. O autor, Berilo Neves. Publicação da Livraria Civilização Brasileira S. A., edição de 1934.

O título do livro é “Língua de Trapo”, uma exuberância de aforismo e paradoxos, focalizando as filhas de Eva.

Minhas leitoras que desculpem, mas vou transcrever alguns parágrafos de “Língua de Trapo”.

Vejamos:

“A mulher não é criatura de Deus. Deus só fêz a mulher por insistência de Adão, que achava monótono o paraíso. Logo, Deus não tinha a intenção de criar a mulher. Logo, Deus é mesmo oniciente. O homem é que é tolo”.

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“Óra, como a mulher foi feita sob encomenda, para o homem, achou Deus que não deveria fabricá-la com o mesmo material com que fizera Adão. Fê-la de uma costela, o que quer dizer, de um osso… Por isso é que não vale a pena discutir com as mulheres”.

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“A mulher foi feita (são os livros sagrados que o dizem) durante o sono de Adão. Desde ai, os homens ficaram com medo de dormir. Cronologicamente, a mulher foi o primeiro pesadelo que o homem teve, na Terra. E nunca mais deixou de ter pesadelos…”

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“Construída a primeira choupana que houve no mundo, Adão saia todas as manhãs, muito cedo, para seu trabalho e deixava Eva sozinha em casa. Eva, depois de procurar, inutilmente, por todos os cantos, o telefone, acaba bocejando com um ruído tão grande, que despertava as baratas na cozinha. Então ia para a janela e punha-se a falar consigo mesma. A primeira mulher foi também a primeira vitrola de que há notícia.

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“A beleza é um arranjo plástico, próprio para impressionar os tolos e os feios. De todos os animais o único que para na rua para ver passar uma mulher bonita, é o homem. Não há nenhum gato, que interrompa o seu passeio, para dizer graçolas às gatas sensacionais que há neste mundo. Se a humanidade masculina não fosse tão imbecil, a indústria da beleza já teria falido”.

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“O macaco é o único dos nossos parentes que tem juízo. É o único que nunca se casa”.

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“Adão não era escritor. Consta, entretanto, que deixou gravados, no tronco de uma árvore paradisíaca, pensamentos profundos, sobre a “delícia de não ter sogra”.

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“Adão não teve o prazer de ficar viúvo. Morreu primeiro do que Eva (pudera! Eva não fazia nada!). A viúva montou uma pensão para macados estudantes pobres. Essa pensão transformou-se, aos poucos, numa espécie de Arca de Noé em seco. E os escândalos que dela surgiram foram os que fizeram nascer, na Terra, uma instituição nova: a polícia”.

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“Eva não pôs luto pelo seu marido. Casou-se um ano depois cm um macaco novo, estudante de direito. O pai desse macaco, sujeito de juízo, nunca perdoou ao filho tal asneira. Por isso é que ainda hoje se diz: “macaco velho não mete a mão em combuca”. A combuca era Eva”.

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“O morango, como as mulheres muito bonitas, só serve ara ser visto à distância. O morango pode transmitir a febre tífica e a mulher, a única desgraça que não transmite é exatamente a febre tífica”.

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“No primeiro mês do casamento, o beijo é um prazer. No segundo, um hábito. No terceiro, um suplicio”.

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“A mulher casada tem três armas prediletas: o beijo, o sorriso e o ataque de nervos. O homem casado só tem duas: a água de melissa e o cabo de vassoura”.

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“Há três coisas que nos devem, sempre, deixar desconfiados: um sol frio, um gato sem sono e uma mulher calada”.

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“Há homens que “perdem a cabeça” por causa das mulheres. As damas levam mais esta vantagem sobre os homens: não têm cabeça nenhuma para perder”.

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“A mulher é um ser eminentemente prático. Não crê em ficções: aceita realidades. Entre um poeta que lhe diz versos e um brutamontes que lhe dá murros, não hesita: prefere o brutamontes”.

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“Para provar que as mulheres nunca serão sábias, basta ver como elas sabem dizer bobagens de uma maneira encantadora”.

Extraído do Correio de Marília de 29 de junho de 1974

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Estação Rodoviária (28 de junho de 1974)


Não sei se mesma pessoa, ou a mesma idéia. Se imitação ou coincidência. Se o acaso.

O fato é que escreve-me determinado leitor, em data recente, fazendo sugestão já apresentada e divulgada inclusive por outro hebdomadário da cidade.

Sobre o assunto rodoviária.

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A sugestão condensa um ponto de vista que, embora tenha sua respeitável validade, enfeixa também impraticabilidade e certa incoerência.

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Nessa opinião, o missivista “chove no molhado”, achando por bem que a prefeitura fizesse doações de áreas específicas às empresas de ônibus que servem o município, estas ficariam no dever de erguer e instalar seus próprios pontos de vendas de passagens, embarques e desembarques.

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Parece que o “calcanhar de Aquiles” reside exatamente no fator “terreno”, que a prefeitura não dispõe adequadamente e assim de chofre.

Óra, se uma municipalidade não tem um único terreno que se preste exatamente ao fim referido, não seria uma puerilidade, essa mesma prefeitura vir a doar, não um, masi muitos terrenos?

Expresso de Prata,  Brambilla, Silva, Andorinha, Viação Marília-Garça, além de outras, são empresas de renomes e de conceitos públicos. Essas empresas não iriam, em locais diferentes, instalar seus “pontos”.

Isso seria até um contra-senso, especialmente quando se pensa em termos de progresso e de futuro para o dinamismo da cidade.

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Em comparação grosseira, regrederíamos, numa imitação tacanha, embora com os “pontos” melhor instalados e aparelhados.

Daria para lembrar “o ponto de jardineira do Bar do Zé”, o “ponto do botéco do Juca”, e assim por diante.

Serviços públicos de baldeações e conexões sofreria danos.

Talvez seja esse aspecto, um dos únicos, onde os fatores se invertem: ao contrário da descentralização, exigem a centralização.

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O assunto, por outro lado, gerou-me uma outra idéia.

Aqui vai ela:

Um próprio particular, nascido de coesão de forças, união de propósitos e casamento de interesses comerciais e públicos.

A constituição de uma sociedade de capital, de fundo em comandita. Ou uma espécie de sociedade anônima. Da qual participem, em princípio, o Expresso de Prata, Empresa Branbilla, Brambilla Turismo, Empresa Silva, Viação Ourinhense, Viação Andorinha, Viação Marília-Garça, dentre outras, inclusive a Reunidas, que cogita trânsito por nossa cidade.

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Um terreno de no mínimo uma quadra de 1.000 x 1.000 metros quadrados. Onde se instalem todas essas empresas, inclusive com locais previsíveis de expansões e ampliações do número de companhias e da própria elasticidade de novos coletivos e novas linhas.

Onde sejam instalados butiques, bazares, barbearias, “shoppings”, drogarias, joalherias, bares, restaurantes e tudo o mais, numa tentaiva de imitação da movimentadíssima Rodoviária de São Paulo.

Seria um emprego excelente de capital. Por outro lado, também uma fonte de renda.

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Aí está um motivo para os responsáveis por essas empresas rodoviárias referidas, bem como outras não citadas, estudarem a viabilidade.

Além do significado da iniciativa de visão particular, a concretização dessa hipótese, viria traduzir duas indiscutíveis razões de sossego: para o público local e forasteiro e para as próprias empressas interessadas.

Não seria isso difícil.

Desde que a idéia póssa merecer intensões e interesses das próprias empresas mencionadas.

Qual tal uma reunião preliminar, à guisa de estudos da própria tentativa?

Extraído do Correio de Marília de 28 de junho de 1974

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Duas colaborações (27 de junho de 1974)


Do livro “Profecias de um ex-ateu”, esta “Mensagem a um alcoólatra”:

Sabe porque você deve continuar bebendo?

Porque sua mãe sempre sonhou em ter um filho bêbado.

E sua esposa adora a responsabilidade de um alcoótra.

E seu filho o vê como exemplo.

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Sabe porque você deve continuar bebendo?

Porque o embriagado diz coisa-com-coisa.

E o álcool não estraga a saúde.

Deve continuar, porque a bebida é mais importante do que o arroz e o feijão.

É mais importante que a paz.

E traz muita segurança para o lar.

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Deve continuar bebendo porque os amigos acham muito bonito.

E dizem que ressaca qualquer comprimido cura.

Deve continuar.

Porque trançar as pernas nas ruas é pitorescos e engraçado para os outros.

Deve continuar.

Porque a embriaguês não provoca desastre e nem leva ninguém para a cadeia.

Deve continuar porque pimenta nos olhos dos outros não arde e o álcool é alimentado de primeira necessidade.

Seja um bêbado inveterado.

Seu filho vai gostar.

Var ter confiança e é bem capaz de ser “outro” (igual a você) quando crescer.

Seja assim, porque sua esposa vai ser feliz, vai ter com quem conversar e resolver tranquilimente os problemas do cotidiano.

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Mas eu só temo uma coisa, nessas vantagens todas.

Pode ser que depois da morte o espírito embriagado não encontre o caminho ou confunda a porta do amor com a porta do inferno. E nessa bobeada penetre no mundo do suplício, onde você poderá viver como sempre desejou e gostou: em “fogo” eterno!

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A transcrição acima foi-me enviada por uma leitora.

A seguir vou divulgar outra colaboração remetida que foi por um leitor.

O título desta: “O que o filho pensa do pai”:

+ AOS 7 ANOS: “Papai é um sábio. Sabe tudo”.

+ AOS 14 ANOS: “Parece que papai se engana, em certas coisas diz”.

+ AOS 20 ANOS: “Papai está um pouco atrazado em suas teorias, pois não são da época”.

+ AOS 25 ANOS: “O velho não sabe de nada, está caducando, decididamente”.

+ AOS 35 ANOS: “Com a minha experiência, meu pai nesta idade, seria um milionário”.

+ AOS 45 ANOS: “Não sei se consulto o velho neste assunto, pois talvez pudesse me auxiliar”.

+ AOS 55 ANOS: “Que pena que o velho tenha morrido. A verdade é que ele tinha uma idéias e clarividência verdadeiramente notáveis”.

+ AOS 60 ANOS: “Pobre papai. Era um sábio. Como lastimo tê-lo compreendido tão tarde”.

Extraído do Correio de Marília de 27 de junho de 1974

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Homem, o que é e o que pensa (26 de junho de 1974)


“Ninguém sabe o que se esconde nos corações humanos”.

Refrão que encerra a filosofia afirmativa, de que póde ser insondável, ou póde estar oculta, dentro de uma criatura humana, uma segunda personalidade ou um imperceptível segundo
Ego.

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Disso, advém, mutuações de atitudes inesperadas por parte de muitos. São os casos de uma criatura aparentemente bondosa, que em determinada circunstância, revela-se má.

Ou de uma pessoa tida e havida como ruim, que de um para outro momento, procede um rasgo louvável de bondade, de piedade, ou de altruismo.

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São esses casos que costumam gerar entre as gentes, quando conhecem fatos humanos inesperados aquela exclamação normal de “eu nunca esperaria isso”, “jamais pude acreditar”, etc.

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Fatos comprovam, no manuseio de feitos processuais, de que muitas vezes, um crime praticado com os mais positivos requintes de selvageria, apresentam lá no fundo de sua oriundidade, alguma razão justificadora, mesmo embora, perante as leis, não representem motivos para evitar a pena.

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Suscetível ou abspinhável, pode ser qualquer pessoa e essas qualidades, podem um dia vir à tona, de maneira surpreendente. Ou até chocante.

São as circunstâncias que movem os homens, não modificando pensamentos, mas fazendo com que algo que encontrava oculto, passe a revelar-se quando ninguém isso espera.

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Dentro de cada homem dormitam dois outros hipotéticos seres: um animal e um anjo.

Dia mais, dia menos, um dos dois acaba despertando.

Acordando o ser anjo, dá-se o ensejo de ver-se a bondade em quem era tido como gente ruim. Ocorrendo o contrário, acontece a surpresa de ver “transformar-se” em mau, aquele que era considerado, tido e havido como bom.

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Pode dizer-se, no caso dessas comparações, que tudo poderá ser debitado, aquilo que os psicólogos convencionaram chamar de “fraquezas humanas”.

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Ocorreram-me essas considerações ao tomar conhecimento de um episódio curioso, revelado há pouco, em programa radiofônico da BBC de Londres.

Um cidadão de 78 anos, que vivia sozinho na capital britânica, resolveu retirar de seu testamento, como beneficiários, os vizinhos não o terem convidado para a ceia de Natal, no último ano, quando ele próprio pensava que isto iria acontecer.

O provecto inglês não gostou de receber, por cima do muro, um naco de perú com farofa, que os vizinhos lhe ofereceram, movidos pelo chamado “espírito de solidariedade, fraternidade e jovialidade natalina”.

Ficou irritado e atirou o prato, perú e farofa, na lata do lixo.

E apanhando a caneta, foi procurar o testamento, que, como velhinho previdente, havia feito e guardado em gaveta trancada à chave.

Os vizinhos não sabiam, mas ele riscou seus nomes da lista de beneficiários. Eles iriam receber, como herança do velhinho, a soma de 16.000 libras esterlinas – uns 250.000 cruzeiros mais ou menos.

Extraído do Correio de Marília de 26 de junho de 1974

terça-feira, 25 de junho de 2013

Um cearense quer vir à Marília (25 de junho de 1974)


Um cidadão, residente na cidade cearense de Barbalha, escreve-me.

Conta ele que foi um dos “arigós” do desbravamento de Marília, no ido ano de 1928, derrubando árvores e roçando matas virgens, para o surgimento do povoado de Alto Cafesal.

Que regressou para sua terra em fins de 1929, onde casou-se, constitui família e lá reside até hoje, como aposentado do INPS. Mais, que recentemente escreveu à Câmara e Prefeitura Municipal, contando essa saudade e desejando saber algo de Marília.

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Disse ter recebido através de correspondência assinada pelo Relações Públicas da Prefeitura, jornalista Francisco Manoel Giaxa, informes e suvenirs de nossa cidade.

E foi dessa resposta que o cearense decidiu escrever ao redator-chefe do “Correio”.

Fez-me um pedido, que eu, pessoalmente, não tenho condições de atender: deseja ele campanha de subscrição pública, no sentido de conseguir meios que custeiem sua vinda a Marília, para conhecer a cidade e meios para hospedagem aqui e passagem de retorno ao Ceará.

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O conteúdo da carta é comovente, não resta dúvida. Sob o aspecto humano-emotivo, perfeitamente válido.

O missivista identificou-se, assinou, discriminou toda a documentação que prova sua identidade, citou endereço e remeteu sua própria fotografia.

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O que de certa forma causou espécie no pedido não foi propriamente a solicitação do custeamento de todas as despesas, porque talvez uma meia dúzia de capitalistas marilienses, pudessem colaborar no atendimento do desejo desse cidadão.

O que causou essa espécie foi o mesmo ter honestamente citado os seis filhos que possui, todos casados e praticamente realizados, que, pelas próprias ocupações, poderiam, num rateio equânime, oferecer ao sr. Edgard Coelho Alencar (o missivista), os meios suficientes para que ele pudesse voltar a rever Marília.

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Tem ele, segundo suas próprias afirmativas, um filho que é major do Exército; um que é bio-químico e vice-prefeito; um que é economista, casado com uma médica; uma filha casada com um médico; um outro filho bio-químico; uma filha que é doutora em línguas neo-latinas; e uma filha casada com um engenheiro agrônomo.

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O comentário deste artigo, abordando a carta referida – em meu poder, à disposição de quem deseje vê-la – é colaborar sob duas condições:

Primeiro, que as próprias filhas, genros, filhos e noras, cotizem-se entre si, para custear as despesas dessa viagem, que não devem ser elevadíssimas. Estariam esses familiares satisfazendo o anelo de um homem de 64 anos de idade, que pretende, antes de morrer, ver a cidade que ele ajudou a construir.

Segundo, com esta revelação, deixar o assunto a critério dos marilienses ou entidades que pelo caso possam interessar-se.

Neste caso, talvez estudos por um clube de serviço, como Rotary, Lions, etc..

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Pelo menos por aqui só pode ser esta a minha colaboração.


Extraído do Correio de Marília de 25 de junho de 1974

sábado, 22 de junho de 2013

Seleção de futebol, ainda (22 de junho de 1974)


Contaram-me:

Se Zagalo não tiver um “júnior” em sua família, isto é, se não tiver um filho com o seu próprio nome, somente uma pessoa em cima da terra poderá amanhã ser pai e registrar o filho com o nome de Mário Jorge Lobo Zagalo: só o jogador Paulo Cesar.

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Se o selecionado brasileiro de futebol sair-se bem hoje contra a seleção do Zaire, além de fazer cortesia com o chapéu alheio, quer dizer, de classificar-se para as quartas de finais com o alijamento ou da Escócia, ou Iugoslávia, Zagalo ficará à vontade, para parodiar a estória daquele distinto, que indo servir o Exército, acabou galgando a graduação de terceiro sargento.

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A estória é assim:

O homem, que deveria ser culto, era de fato “curto”. Não na altura, mas nas idéias e nos reflexos.

Mas esses reflexos, por vezes tinham um inesperado destaque, “vindo à furo”, como acontece com a matéria purulenta de um tumor.

Na presença e “na cara”, não. mas à distância, a soldadesca, ao referir-se a esse homem, diria “o sargentão analfabeto”.

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O sargentão, gostava de aparecer e era convencido e muito orgulhoso das três divisas que ostentava na túnica.

Sempre que se apresentava uma oportunidade para destacar-se, ele a apanhava imediatamente, mesmo sem temer consequências ou resultados.

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Gostava de impressionar os recrutas e de basofiar exemplos aos soldados recém-promovidos à graduação de cabos.

Certa feita, a tropa exercitava-se em tiro ao alvo.

Um grupo de recrutas estava tendo como monitor um cabo recém-promovido e foi desse grupo que o sargento aproximou-se.

Ficou a observar a instrução, como se fôra um grande general.

Um dos recrutas, utilizando todo um pente de munição, errou do alvo os cinco cartuchos disparados.

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O sargento viu aí a oportunidade.

Gritou para o cabo:

- Cabo véio, dá cá esse fuzil… vou ensinar como se atira…

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Apanhou a arma que lhe foi entregue imediatamente.

Manobrou o fuzil, fêz pontaria demorada e atirou. A bala cravou-se à direita da mosca. O sargento não se descompôs. Olhou para um dos recrutas e disse:

- Viu? Era assim que você estava atirando…

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Novo tiro. O projétil fixou-se na parte esquerda. O sargento disse para um outro recruta: “Assim é que você atira, viu?”

Outros tiros. Todos sem atingir a mosca e após os disparos, o sargento dirigia-se a um dos praças e dizia que era assim que o praça estava atirando.

No quinto disparo, a bala atingiu o alvo. E o sargento, feliz, dirigiu-se ao cabo:

- Tá vendo, cabo véio… é assim que eu atiro…

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Então, se o Brasil vencer o Zaire, por uma vantagem de gols que some o mínimo de três e desde que Iugoslávia e Escócia não empatem por qualquer vantagem, por certo Zagalo imitará o “sargentão analfabeto” e proclamará depois, que “os dois empates anteriores faziam parte de seus planos e de sua técnica”. E outras coisas mais.

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“Se acontecer a hipótese acima e o Brasil partir para as quartas de finais, já que Gerson não está no gramado, para gritar com os companheiros e mandar o jogo, o que restará a fazer, é que o time dentro do campo, jogue mesmo o futebol do Brasil, esquecendo as “técnicas” e os “esquemas” de Zagalo, que, até aqui, só tem feito o mundo notar e ver, ao contrário de um futebol técnico, objetivo, agressivo e insinuante, só viu mesmo, um futebol medroso, inseguro e por muitas vezes acovardado.

Extraído do Correio de Marília de 22 de junho de 1974

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A psicose do futebol (21 de junho de 1974)


O sentido da expressão é comparativo, já se vê.

Mas toda gente brasileira está com o pensamento e as atenções voltadas para a seleção nacional de futebol, que participa da Copa, na Alemanha.

Mesmo os que não gostam e até os apáticos, procuram inteirar-se, saber, conhecer. Até a mais simples e humilde dona de casa.

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Muitos anos passados, aconteceu um caso tragicômico, envolvendo um cidadão mariliense. Por causa do futebol.

O farmacêutico e ex-vereador Edgard Santa Fé Cruz nunca gostou de futebol em sua vida. Nunca jogou, nem quando era criança. Jamais se interessou por essa modalidade de esportes.

Certa feita, a A. A. São Bento estava “na linha vento”, disputando o campeonato da primeira divisão. Ninguém falava em outra coisa, a não ser na excelente campanha sambentistas, na sua classificação. Em qualquer parte da cidade o assunto obrigatório era o São Bento.

O farmacêutico, que nunca tinha visto um jogo ou um treino do São Bento, acabou também ficando com o São Bento na cabeça.

Sabem o que aconteceu?

“Seo” Edgard, mesmo sem saber o que era futebol, acabou sonhando que estava jogando no São Bento. Aí veio o “desastre”: no sonho, chutou, forte, uma bola, bateu no peito do pé contra a ferragem da própria cama… e quebrou a pé!

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Na noite de terça-feira última (18/6/1974), aconteceu fato mais ou menos idêntico. Só que não foi com o ex-vereador. Foi comigo mesmo.

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Após o jogo do Brasil contra a Escócia, muita gente mostrava-se inconformada com o resultado de 0x0.

Aqui na redação, todo mundo dava seus palpites, mostrando desalento e criticando Zagalo. Eu comentava com os redatores e gráficos, que Zagalo deveria ter tirado Paulo Cesar, fazendo entrar Edú em seu lugar. E que jamais deveria ter mandado sair Leivinha, conservando Mirandinha, que nem havia visto a cor da bola.

Todo mundo era técnico.

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Findo o serviço normal, o assunto empate acabou ficando preso lá dentro de minha massa cinzenta ou melhor, do subconsciente.

Teria que “estourar” aquilo que estava “guardado”. E de fato, “estourou”. Justo quando me encontrava dormindo.

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Aqueles quadros e aquelas imagens que todos haviam visto nos vídeos, durante o jogo Brasil x Escócia, passaram a ser por mim vividos durante o sonho.

Eu estava lá, no banco de reserva.

Leivinha atirava contra a trave. Rivelino perdia a chance excepcional.

O técnico não era Zagalo. Éra o monsenhor Majela.

E foi aí que o tecnico mandou eu entrar em campo, no lugar de Paulo Cesar, mandando Leivinha e Mirandinha trocarem de posição.

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Nunca joguei tanto futebol assim.

Entrei com a fúria de um leão no campo e cocei a receber bolas de Rivelino e Nelinho.

Driblava com facilidades os gigantes da defesa escocesa. Infiltrava-me até as imediações da grande área e arrematava com sucesso.

Joguei um “bolão”.

Marquei quatro gols para o Brasil e resolvi a partida.

Foi aí que acordei…

Extraído do Correio de Marília de 21 de junho de 1974

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Dia mundial de Ex-Combatentes (20 de junho de 1974)


Hoje, 20 de junho, registra a data consagrada à reverência e respeito aos ex-integrantes das I e II Grandes Guerras Mundiais.

A I Grande Guerra Mundial desenvolveu-se durante quatro anos (1914-18) e a II de 1939 a 1945 e ambas as citadas beligerâncias envolveram quase todas as nações do mundo.

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No segundo palco de operações bélicas, o Brasil se fêz presente com a participação efetiva através de mais de 25.000 soldados integrantes da gloriosa Fôrça Expedicionária Brasileira.

Os pracinhas brasileiros lutaram ativamente na Itália, cerca de um ano, enfrentando os quatro diferentes estações climáticas, ombreando-se aos experimentados soldados norte-americanos, ingleses, franceses e russos, combatendo as forças alemãs e tropas remanescentes do Exército Fascita.

Coube aos pracinhas brasileiros o maior feito militar na Itália, quando a FEB aprisionou sozinha, todos os efetivos das tropas inimigas, calculados em mais de 13.000 homens.

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Os pracinhas brasileiros estão congregados na Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, entidade de caráter nacional, regida por um só único Estatuto Social, com séde do Conselho Nacional em Brasília, secções estaduais e secções municipais.

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Marília tem a sua Secção da AECB, criada e reconhecida em 1.952, filiada ao Conselho Nacional e registrada junto à “Societè Mondiale des Anciens Combattants”, com séde em Paris, França, entidade que representa os ex-combatentes de todas as nações do mundo.

A Secção de Marília, como não poderia deixar de ser e como ocorre com centenas de outras espalhadas em todo o Brasil, vive de teimosa, permanentemente submersa num estado de franciscana pobresa, não contando com amparo ou bafejo oficial de quaisquer governos.

O que não ocorre com as entidades e os ex-combatentes de outras nações.

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Veteranos ingleses, norte-americanos e franceses radicados no Rio de Janeiro e em cidades dos Estados Unidos, mesmo velhos heróis da Guerra do Paraguai, recebem amparo de seus governos, num exemplo louvável de que suas próprias Pátrias lhes serão sempre reconhecidas.

No Brasil, desgraçadamente, apesar da existência de mais de uma centena de leis de amparo aos ex-combatentes, nenhuma providência governamental efetiva foi até aqui feita para atingir, de modo geral, todos os seus filhos, seus pracinhas, que defenderam suas tradições de Liberdade e Democracia nos campos de batalha.

Os pracinhas brasileiros deram à Pátria o mais sagrado dos tributos: O Tributo do Sangue.

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Todas as vezes que se vê um pracinha da FEB, percebe-se no mesmo a existência de um desgosto e de uma angústia dominar-lhe a alma. É que ele sente nas carnes o descaso da própria Pátria, hoje em tão elevado efeito, que se sobrepõe aos seus átos de heróico patriotismo e bravura, que ele tão bem soube demonstrar, provar e comprovar nos campos de luta.

Todo pracinha é triste, nervoso, aborrecido, não por haver cumprido seu dever para com a Pátria, mas por sentir, em seu próprio Ego, que a Pátria, que deveria ser Mãe, para ele assemelha-se à Madastra!

Extraído do Correio de Marília de 20 de junho de 1974

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Um ex-ladrão (19 de junho de 1974)


Dia outro, em São Paulo:

Adentrei numa lanchonete, na Avenida São João. Aboletei-me numa das banquetas, após fazer um pedido ao rapaz que veio atender-me.

Alguns metros além, mas em posição quase frontal comigo, além de muitos fregueses no estabelecimento, um homem duns 28 ou 30 anos, passou a olhar-me com insistência.

Costumo ficar cabreiro quando noto uma pessoa desconhecida fixar olhar em mim, para desviá-lo quando é encarada.

Nessa circunstância, a gente fica a pensar em três coisas: ou o distinto é policial, ou é malandro, ou pode até ser uma espécie de “coluna do meio”.

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Estava comendo, mas perturbado com a atitude do desconhecido, que sempre que eu dirigia meu olhar para o seu lado, apanhava-o fixando-me, apesar de baixar imediatamente a cabeça.

Instintivamente, nessa situação, a gente passa a ficar de sobreaviso: apalpa disfarçadamente o bolso onde leva o dinheiro e não descuida da pasta ou pacote que tenha consigo. Mais, fica-se “de olho” num indivíduo como esse, nesse caso.

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O homem acabou de lanchar, antes do que eu. Vi-o pedir a nota e pagar a conta, inclusive deixando uns miudos de propina.

Feito isso, levantou-se de onde havia permanecido. E dirigiu-se até onde eu estava.

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- O senhor não é o Zé Arnaldo de Marília?

A pergunta tranquilizou-me, pois percebi que o homem me conhecia e que não poderia incluir-se em nenhuma das três cogitações que anteriormente eu julgara.

Respondi afirmativamente, concluindo em pensamento, que, embora o mesmo me conhecesse, eu não tinha a mínima noção sobre aquela pessoa.

O homem estendeu-me a mão em cumprimento. Perguntou se “tudo estava bem”, se eu continuava ainda em Marília.

E completou o meu pensamento:

- Parece que o senhor não está lembrado de mim.

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Confessei que de fato não fazia nenhuma ligaçao com o homem em minha lembrança. Justifiquei que sendo muito popular, nem sempre consigo conhecer e lembrar de todos os que me conhecem. E que situações como aquela, não raro, se me deparavam.

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Aí o homem explicou quem era, dizendo:

- O senhor quase me matou de susto, quando me metou um revólver no peito!

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E a rememoração veio à tona.

O homem, na ocasião rapazola duns vinte anos, havia acostumado a roubar o pão e o leite de minha casa. Os furtos não eram diários, mas intermitentes e não raro aconteciam duas e até três vezes por semana.

Aborrecido com a sequência desses roubos, resolvi uma manhã tocaiar-me para flagras o larápio. Sabendo que o leiteiro passava por volta das três horas e o padeiro mais ou menos pelas cinco da manhã, levantei-me às duas horas.

Fiquei colado ao muro, na sombra e na escuridão, aguardando a visita. O leiteiro entrou e não me viu. Fiquei firme. O padeiro veio e também não me viu. Aguentei.

Eram quase seis horas quando um distinto parou defronte o portão de entrada. Olhou, prescutou. Abriu a portinhola com cuidado e com mais cuidado entrou, indo direto à janela onde estavam os dois litros de leite e o embrulho de pães.

Quando estendeu a mão para apanhar o leite e o pão, pulei-lhe na frente com o revólver apontado.

- Quieto, se mexer morre!

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O rapaz chorou, pediu perdão. Explicou que fazia “aquilo” para vender o leite num bar ou trocar por algo para comer em sua casa.

No final, deixei-o ir embora sem entregá-lo à polícia desde que não mais furtasse.

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E o homem recordou tudo, contou a vida que levava e como estava vivendo em São Paulo: descentemente, bem, exercendo um cargo de chefia numa firma importante.

No final, convidou-me para ir à sua casa, para conhecer a esposa e duas filhinhas, pois, conforme disse queria contar à mulher o fato e prová-lo com o meu testemunho.

Palestrando algum tempo, inclusive tomando cerveja, quando ele retirou-se, renovando seu pedido de perdão.

Quando ele saiu, deixou-me até movido de felicidade, pois se todos os que na infância ou juventude, pudessem, um dia, abandonar o marginalismo, para seguir uma vida reta e de trabalho honrado, o índice de criminalidade seria bem inferior entre nós.

Extraído do Correio de Marília de 19 de junho de 1974

terça-feira, 18 de junho de 2013

Futebol é assunto (18 de junho de 1974)


O Brasil disputará hoje, em gramados alemães, sua segunda partida de futebol, pela 10ª. Copa do Mundo.

Quinta-feira última (13/06/1974), frente ao selecionado iugoslavo de futebol, a seleção brasileira não correspondeu aos desejos e as esperanças de cem milhões de patrícios.

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Antes daquele jogo, o preparador Zagalo divulgou a mensagem de muito otimismo, vazada nos seguintes têrmos:

“À torcida brasileira:

“O trabalho que até agora realizamos, foi calcado no esquema utilizado com pleno êxito, durante a Copa do Mundo de 70, tanto na prática, como na teoria. Temo-nos preocupado em mostrar aos nossos jogadores, os nossos adversários nos mínimos detalhes, através da projeção de “Slides”.

“A nossa confiança é a mesma de 70, apesar de toda a reformulação que foi feita na Seleção Brasileira. O ambiente entre nós, está cercado de inteira confiança e otimismo, apesar dos murmúrios existentes aqui na Europa, segundo os quais não conseguiremos atingir nosso objetivo.

Mas estejam certos de que, a cada minuto, saberemos que existem 100 milhões de brasileiros, paralizados na televisão, nos incentivando, nos impulsionando, para a conquista de mais um campeonato mundial de futebol”.

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Essa foi a mensagem de Zagalo, antes do jogo frente à Iugoslávia. Mas o incentivo e a paralização de 100 milhões de brasileiros, frente a televisão, nada adiantou, pois empatamos e por pouco não perdemos o referido jogo.

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Para mim, se Zagalo não é o bairrista e o teimoso que dizem e está provando ser, então ele “não apita” nada e outros devem ser os teimosos e bairristas em seu lugar.

Comenta-se, inclusive, que Zagalo teria afirmado que não iria “mexer” no time. Isto vale dizer, o elenco deveria ser o mesmo que atuou quinta-feira última. Apesar de toda minha fé no futebol brasileiro, sou obrigado a admitir que, se o “onze” for o mesmo da semana passada, o Brasil não chegará às oitavas de finais.

Oxalá esteja equivocado, redondamente enganado.

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Fala-se no deslocamento de Rivelino para a ponta canhota e aí irá residir outro erro, pois a seleção tem junto de si o melhor ponteiro esquerdo do Brasil, que é Edu.

Frente à Iugoslávia, Mirandinha nem siquer permaneceu no banco de reservas.

Jairzinho deve continuar na ponta direita.

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Rivelino na ponta esquerda, Jairzinho pelo miolo e Mirandinha fóra do ataque, pra mim, só representa uma coisa: teimosia, capricho pessoal, falta de pulso como técnico, ou entao, burrice mesmo.

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Vamos esperar o jogo desta tarde, frente à Escócia.

Tomara que esteja eu enganado.

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Passando da ponte para a pinguela, jogou muito mal o MAC, frente à Ponte Preta de Campinas. Foi o mesmo que uma máquina desengrenada, com as peças soltas, sem rítmo harmônico.

O jogo de domingo, do MAC frente a “viúva alegre” de Campinas, veio provar um fato, que muita gente ignorou. Chegou mesmo a tapar a boca de muitos torcedores.

Toninho I fêz grande falta no ataque maqueano, queiram ou não, aqueles que não gostam do “pintinho molhado”.

Extraído do Correio de Marília de 18 de junho de 1974

sábado, 15 de junho de 2013

O primeiro jogo do Brasil (15 de junho de 1974)



Selecionado brasileiro de futebol não foi feliz em sua primeira apresentação na Alemanha. O jogo do Brasil frente a Iuguslávia veio provar tudo aquilo que se disse a respeito do preparador Zagalo.

O técnico, embora ninguém lhe negue virtudes como preparador, continua a apresentar uma caturrice das mais comprovadas.

Zagalo deixa-se influir por questões de amizade e simpatias pessoais e isto ficou provado à sociedade.

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Mas vai ter que “mexer” no time, senão quizer ser o responsável direto de eventual de catastrófica derrota do Brasil, frente a Escócia, na tarde de terça-feira próxima (18/6/1974).

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Quinta-feira passada (13/6/1974), o avante Mirandinha teria, no mínimo, que figurar no banco de reservas. Mas não aconteceu isto e todo mundo notou.

Já disse muitas vezes que Zagalo alimenta antipatia por jogadores de fóra, especialmente vinculados a times paulistas. Se não é verdade, pelo menos a coincidência é bem acetuada e o “modus operandi” já demonstrou isso numa série de vezes.

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Por ocasião do último campeonato, todos lembram, Zagalo não tinha a mínima disposição em convocar Rivelino e também não estava muito animado a deixar Pelé no Selecionado.

Inda num dos últimos prélios do Brasil, em 1970, quando o selecionado jogou no Morumbi, frente a Iuguslávia, o povo todo pedia a inclusão de Leivinha mas Zagalo fazia ouvidos moucos. Só em virtude da contusão de um dos titulares é que o técnico foi obrigado a mandar Leivinha entrar em campo.

O Brasil venceu por 2 x 0. Leivinha faturou os dois santos.

O Brasil venceu por 2 x 0. Leivinha faturou os dois tentos.

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Quinta-feira Leivinha jogou mal, muito mal.

Wilson Piazza foi uma geração das mais berrantes.

Waldomiro esteve perdido.

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Edú tem que entrar na Seleção. O mesmo com respeito a Mirandinha. Senão, o Brasil não conseguirá passar pela Escócia. Se perder poderá pensar em arrumar a bagagem para o regresso.

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Ainda quinta-feira passada, comentava eu, com base em jornal estrangeiro que havia lido cerca de quinze dias atraz, que a crônica esportiva alemã, até aquela época da edição do hebdomadário referido, “não botava fé” no Brasil.

E os comentaristas que assim emitiram conceitos tiveram consagrados seus pontos de vista, após a consideração do primeiro jogo de nossos atletas.

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A confiança de parte dos brasileiros continua ainda viva e latente.

Lembremo-nos que no Chile, o Brasil empatou na sua primeira exibição e depois sagrou-se campeão.

Agora o Brasil, para chegar às oitavas de finais, terá que vencer dois perigosos adversários: Escócia e Zaire.

Vamos torcer por isso e vamos contar com isso.

Todavia, se Zagalo não mexer no time, se teimar em conservar o elenco como formou quinta-feira, vai ser difícil, muito difícil.

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Edú tem que entrar no time, pela canhota. Mirandinha deverá entrar, fazendo dupla de ataque com Jairzinho ou mesmo com César.

Zagalo deve perceber que no último jogo o ataque só insistiu em infiltrações pelo miolo da defesa adversária, fazendo isto durante 90 minutos, sem resultado algum.

Se é inteligente, deve também ter percebido que bolas altas frente a uma defesa compacta, formada por homens gigantes, é malhar em ferro frio.

Vamos alimentar a esperança.

Extraído do Correio de Marília de 15 de junho de 1974

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Futebol e outras coisas (13 de junho de 1974)



O brasileiro João Havelange foi eleito presidente da FIFA – Football International Federation Association, com sede em Berna, na Suíça.

Espera-se radicais alterações na sistemática de operosidade da entidade máxima mundial de futebol.

Há um lado que deve merecer uma observação especial: o otimismo da luta e a perseverança de João Havelange. Há alguns anos passados, ele anunciou ante admiração geral e mesmo cepticismo de muitos brasileiros: “Vou ser presidente da FIFA”.

E foi mesmo.

Essa força de vontade, essa firmeza de propósitos e a conquista do objetivo caracterizam uma disposição impar de espírito de luta.

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A Estação Rodoviária de Marília representa em seu gênero a primeira construída no Brasil.

Sua edificação data do ano de 1.936 e seu idealizador foi o Sr. Joaquim Palácio, ainda vivo, fazendeiro residente em Marília.

Na época, primeira e única em todo o Estado e no País, a Estação constituiu-se em motivo de turismo. Gentes de fóra aportavam a Marília para ver e conhecer a óbra.

Este escriba, estudante do comércio e já “rabiscando” croniquetas para o então bi-semanário “O Progresso”, locomoveu-se desde a cidade de Lins, em início do ano de 1939, para conhecer e ver “in loco”, a Estação Rodoviária.

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Dia outro, alí na Avenida, determinado cidadão, dirigindo-se ao vereador Nadir de Campos:

- Professor, o senhor póde andar aqui pela Avenida com a cabeça erguida e o peito aberto, mas não são todos os vereadores de Marília que desfrutam dessa tranquilidade.

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Brasil pára hoje, às 11 horas.

Todos os brasileiros estarão com as vistas pregadas na tevê e com os ouvidos nos rádios, acompanhando a seleção nacional de futebol, que estréia na Copa-74, em Frankfurt, frente ao selecionado da Iuguslávia.

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Jornal “Diário de Baurú”, em sátira contra Zagalo e com respeito ao Campeonato Mundial:

- As iniciais WM, que se incrustam na Taça do certame mundial, tem uma única explicação: Waldir e Mirandinha.

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Lendo, há dias, uma publicação estrangeira, pude perceber que o noticiário referente às motivações que precederam as expectativas da realização do Campeonato de Futebol-74, apresentam por lá uma conceituação algo diversa.

A maioria dos críticos esportivos da Alemanha insistia em apontar, pelo menos até duas semanas atraz, a seleção da Argentina como a mais provável vencedora do campeonato mundial de futebol, que hoje se inicia.

Alguns cronistas italianos, no entanto, davam mais crédito a Alemanha, prognosticando sua vitória final, em duelo contra o selecionado da Inglaterra, que poderia vir a ser o vice-campeão.

Para outros cronistas franceses, tudo indicava, até três semanas passadas, que o certame, no turno final, poderia apresentar a seguinte classificação: Alemanha, Argentina, Inglaterra e Itália.

Todas essas considerações deixaram claro o descrédito pelas seleções do Brasil, Escócia, Iugoslávia e Uruguai.

Vamos ver o que acontecerá, porque, além de nós, brasileiros, muitas outras nações confiam no futebol canarinho.

Extraído do Correio de Marília de 13 de junho de 1974

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Ainda o deputado Wayne (12 de junho de 1974)



Comentei ontem (11/06/1974), o caso da desfaçatez do deputado norte-americano Wayne Hays, que num pronunciamento na Comissão de Assuntos Externos da Câmara dos Deputados daquele país, assacou uma infâmia contra a gloriosa Força Expedicionária Brasileira.

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O deputado em apreço lembra certos políticos brasileiros, inclusive locais, que costumam falar em plenário, sem conhecer o assunto que abordam, cometendo leviandades e injustiças.

Uma prova de despreparo intelectual e capaz para a desobrigação de uma função elevada e responsável.

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Dia outro, num destes escritos, comentando sobre minha condição de pracinha, fiz menção à “Task Force 45”, de cujo organismo participei, dentre os poucos soldados brasileiros da FEB.

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Se eu fôra mal-educado e chance se me oferecesse, de palestrar pessoalmente com o deputado Wayne Hays, por certo iria esfregar-lhe nas fuças, documentação que tenho em meu poder, representada por cópias serografadas, do próprio arquivo do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Esses documentos citam a Força Expedicionária Brasileira, sua contribuição para a vitória final das Forças Aliadas e referem-se também à FEB, como as tropas militares que maior número de prisioneiros alemães fez na II Grande Guerra Mundial.

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Organizado, sou um dos poucos que possui suas próprias “alterações” militares, como elemento da Reserva do Exército Nacional. “Alteração” militar representa as anotações oficiais do Exército, com respeito ao serviço militar e a vida do mesmo. As minhas condensam, “verbum ad verbum”, todos os fatos por mim passados e vividos dentro da caserna e como integrante efetivo e ativo da II Guerra Mundial.

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Há uns 10 anos passados pretendi obter alguma prova que atestasse meus serviços prestados à “Task Force 45”.

Escrevi ao Presidente da República dos Estados Unidos. O então Chefe da nação norte-americana, D. Eisenhower, despachou o pedido ao Departamento de Defesa, para que o pleiteante fosse atendido, desde que para tal existissem meios e razões.

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Eu nunca antes tinha visto o hoje comum “xerox”, que era desconhecido no Brasil. Recebi, com ofício assinado pelo Secretário de Defesa, quatro cópias xerografadas, do relato existente no próprio arquivo militar dos Estados Unidos.

O fato do xerox ter sido extraído de documentos originais e reservados ao Exército representou para mim um motivo de orgulho dos mais elevados: a confiança que me fizeram merecedor, pois não seria qualquer exército que iria permitir, como o caso referido, a extração de cópias autênticas de documentos oficiais de uma nação.

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Esses documentos, de bom gosto, eu os esfregaria no nariz do leviano e atrevido deputado Wayne Hays.

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Por certo, nosso Corpo Consular em Washington deverá esclarecer ao mesmo parlamentas os fatos verdadeiros e inclusive avocar o próprio testemunho das Forças Aliadas, para que Wayne Hays retifique os termos de seu pronunciamento, que tanto injustiçou um povo irmão e amigo e que tanto mentiu acêrca dos feitos gloriosos e heróicos, dos bravos pracinhas brasileiros.

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Em término, a dor dos mesmos pracinhas, pela morte ocorrida ontem, do grande brasileiro que foio Marechal Eurico Gaspar Dutra, Ministro da Guerra na ocasião da constituição da Fôrça Expedicionária Brasileira.

Por coincidência, o ex-presidente da República morreu na data comemorativa à Batalha de Riachuelo.

Extraído do Correio de Marília de 12 de junho de 1974

terça-feira, 11 de junho de 2013

Deputado leviano e atrevido (11 de junho de 1974)



Wayne Hays, deputado norte-americano, manifestando-se dia destes, na Comissão de Assuntos Externos da Câmara Alta dos Estados Unidos, assacou uma abominável leviandade e despudorado atrevimento contra os pracinhas brasileiros.

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Pronunciou-se exatamente em ocasião em que falava o Secretário de Defesa dos Estados Unidos (cargo equivalente ao de Ministro de Exército para nós), sr. James Schlesinger.

Em sua diatribe, o deputado referido, afirmou levianamente, que “o Brasil não póde ser considerado em fiel aliado, pois as tropas brasileiras nunca se aproximaram a menos de 500 milhas da frente de batalha da II Grande Guerra Mundial”.

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Além da ofensa e da leviandade, o deputado Wayne Hays assinou um atestado público de burrice e ignorância, de ofensa e de atrevimento. Provou que ele é, como outros existentes em todas as partes do mundo, um mau representante do povo. Atestou seu despreparo e desconhecimento da própria história, mostrando-se antipático, mentiroso e ofensivo.

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Deveria saber ele que, dentre as três Américas, os brasileiros exerceram e provaram ser os mais leais e fiéis aliados, seguidos dos canadenses. Que a gloriosa Força Expedicionária Brasileira atuou em combates no front italiano, integrando o IV Corpo do V Exército Aliado, este sob o comando do grande cabo de guerra, Marechal Mark Clark. Que a FEB foi comandada por um soldado que representa uma verdadeira glória para o Exército Brasileiro, o honrado e patriótico Marechal João Baptista Mascarena de Moraes.

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Ignora que o navio-transporte norte-americano “Gen. W. A. Mann”, partiu do caes do Porto do Rio de Janeiro em 2 de julho de 1944, transportando 5.074 militares do nosso Exército, inclusive 304 oficiais.

Desconhece esse leviano deputado que todos os fronts de combate, delineados pelo V Exército, à competência e responsabilidade dos pracinhas brasileiros, foram defendidos com a galhardia e a coragem de nossos soldados, sem qualquer compromisso ou consequência para as tropas aliadas.

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Igora os feitos extraordinários da FEB e seus pracinhas, com as tomadas de Montese, Monte Castello, Soprassasso, Barga, Montebufone e Seretto.

Não sabe que os soldados da FEB integraram a “Task Force 45”, sob o comando do General Brigadeiro Paul Ruthedge. Que os pracinhas tomaram sua primeira responsabilidade de guerra, substituindo tropas norte-americanas, do II Batalhão do 370º. Regimento de Infantaria e o 434º. Batalhão de Artilharia Anti-Aérea norte-americanos, numa extensão de grande responsabilidade, representada pelo distante front constituído por Massaciuccoli-Filletoe-Vecchiano, no Vale do Sercchio, litoral do Mar Tirreno, ao fundo dos Appeninos.

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Ignora, por atrevimento ou más intenções, que os feitos e a participação da FEB na II Grande Guerra Mundial, é parte integrante dos próprios arquivos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Que o Marechal Mark Clark outorgou as medalhas “silver star” a oficiais e pracinhas do Exército Brasileiro, por atos de bravura. Que o mesmo cabo-de-guerra louvou, seguidas vezes, a participação do Brasil nos combates, o mesmo acontecendo com o campeão das democracias, Sir Winston Churchill.

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Ignora, também, o deputado Wayne Hays, que a participação do Brasil na II Grande Guerra Mundial está configurada em livro escrito pelo próprio Marechal Mark Clark, que, com a melhor e maior autoridade, escreveu as operações bélicas do Teatro de Operações da Europa e a participação dos pracinhas brasileiros.

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Aqui o protesto dos pracinhas de nossa Pátria ao pronunciamento desse leviano deputado norte-americano!

Extraído do Correio de Marília de 11 de junho de 1974

sábado, 8 de junho de 2013

Noticiazinhas (08 de junho de 1974)



Tem muita gente por ai “braba” com os baurenses, pela “torcida” dos mesmos, quando do jogo entre MAC e Botafogo de Ribeirão Preto, ocorrido em Marília, na tarde de quarta-feira última.

Mais do que isso, pelas comemorações que a gente de Bauru realizou, com festas e passeatas e inclusivo com o “enterro simbólico” do Marília Atlético Clube.

São coisas do futebol, manifestações perfeitamente normais, que decorrem das alegrias e tristezas que o esporte-rei proporciona.

Quem poderia garantir que, em caso contrário, na hipótese de ter vencido o MAC, os marilienses não teriam da mesma fórma, realizado o “enterro” do E. C. Noroeste?

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Bomba junina explodia noite de ante-ontem no plenário da Câmara Municipal. Se não trata de ato subversivo, mas sim de ato de alguma pessoa sem responsabilidade.

Os efeitos após foram mais altos do que as consequências do ocorrido.

Tenho criticado a Câmara pelo comportamento de alguns de seus vereadores em funções legislativas. Mas não concordo com o que aconteceu, mesmo porque, embora se descontente com a ação dos parlamentares, justo é que se reconheça que a Câmara Municipal representa um Poder e como tal deve ser respeitado.

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Faleceu um cidadão conhecidíssimo, humilde, popularissimo da cidade: o Júlio Preto, ou Júlio Gagolino.

Simples, pobre, inofensivo, que não chegou a completar-se como cidadão. Mas que nunca ocasionou prejuízos a terceiros.

Foi uma espécie de “mascote” da A. A. São Bento de há 30 anos passados. Ropeiro do clube, dedicado ao clube alvirubro.

Com respeito, uma solidariedade póstuma.

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Teve excelente repercussão nos meios esportivos nacionais a re-convocação do atacante Mirandinha para a Seleção do Brasil.

Se o sãopaulino e ex-corinthiano conseguir realizar na Alemanha o que ultimamente tem conseguido no ataque do Morumbi, isso representará um rasgo de inteligência dos dirigentes da CBD – e uma tranquilidade para todos os brasileiros.

A razão é muito simples: César “escondeu”tanto o jogo durante os treinamentos do selecionado, que agora não consegue encontrá-lo.

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Waldir Perez, goleiro convocado à última hora em virtude do desligamento de Wendell, poderá fazer excelente figura, vez que vem se conduzindo numa forma espetacular.

E a gente lembra, então, que quando o Waldir jogava pelo Garça F. C., o goleirinho alimentava verdadeira paixão para ser contratado pelo MAC.

Mas, na ocasião, o Alfredinho não topou a cara do Waldir e não quiz que Ribamar o contratasse.

Fica, portanto, transferida para Garça, para o Ponte Preta e para o S. Paulo, essa honra de ter contribuído com um elemento para a Seleção Nacional.

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Contou-me, em São Paulo, um jornalista bauruense, antes da realização do jogo de quarta-feira:

- Temos o processo já “burilado” para impetrar contra o MAC, no caso de Marília vencer o Botafogo e alijar o Noroeste. E iremos “prá cabeça”, porque o amador do MAC não disputou  o campeonato oficial da FPF no ano passado.

Taí.

Não vai precisar. Mas o Maquinho disputou, sim.

Extraído do Correio de Marília de 08 de junho de 1974

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Ação contra o Prefeito (07 de junho de 1974)



Câmara vai intentar ação criminal contra o Prefeito. Toda Marília tem conhecimento disso. Efeitos já se irradiam, negativamente, fóra dos limites do município.

Lá fora, já pensaram que o prefeito “reformou” com dinheiro da municipalidade, essa tal de Rodoviária, porque o prédio é dele (prefeito)!

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Jornais de fora já comentam o fato.

Alguns sofismam, dizendo que a opinião pública esta dividida, que não é verdade. Pelo que se sente nas ruas de Marília, no comércio, na indústria, opinião pública está reincriminando a atitude da Câmara.

Só uma minoria, por caprichos ou por ignorância (ou maldade), é que forma com os vereadores que pegaram esse pião na unha.

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Eu, pessoalmente, não consigo aderir ao pensamento desses vereadores. Não porque seja amigo do Prefeito. Porque sou amigo de Marília.

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Não compete ao escriba dissecar o mérito jurídico da questão. Mesmo porque eu não tenho autoridade e muito menos competência, para discutir ou analisar questões de jurisprudência.

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Representando mais em mão-de-obra, o prefeito aplicou verbas do município na limpesa de percevejos, na assepcia de sanitários e na caiação da parte externa e um prédio particular, mas que se destina ao interesse público, como é o caso da Estação Rodoviária de Marília, a primeira no gênero construída no Brasil.

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Parece não configurar-se desvio para fins ilícitos, porque melhor a cidade, proporcionar condições humanas e higiênicas à uma população, não devera se constituir em crime.

Se isso configurar “animus”, Pedro Sola deve ser preso, Tatá deve ir para a cadeira, Biava deve ser condenado e igualmente prefeitos anteriores. E muitos prefeitos de cidades outras.

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Uma residência particular, certa feita, estava ameaçando ruir e a Prefeitura determinou o “armário” dos alicerces para evitar a catástrofe.

Já foi denunciado na Câmara, que em passado, operários municipais reformaram uma residência particular.

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Se existir, por exemplo, uma fosse negra num quintal ou num terreno vago, cujo poço ofereça risco de vida ao povo ou parte deste, a Prefeitura deve mandar tapá-lo, para salvaguardar vidas e integridades físicas. E mesmo que o terreno vago seja particular, o prefeito não deve ser preso por isso. Deveria ser preso, isso sim, se não tomasse providência e desse descaso resultassem fatos a lamentar.

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O prédio onde funciona a Biblioteca Municipal é de propriedade particular.

O edifício onde funciona determinado órgão do Ministério do Trabalho pertence a particular.

O local onde sedia-se o Serviço de Promoção Social é particular.

O edifício onde será instalada a Regional de Ensino é particular.

Prefeitura reformou todos eles por serem de interesse público e de interesse da cidade.

Prefeitos anteriores tiveram a mesma atuação.

Devem ser todos eles presos e condenados.

No pensamento e no entender de uma meia dúzia de vereadores.

Porque a maioria do povo assim não pensa.

Extraído do Correio de Marília de 07 de junho de 1974

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O cavalo vai negar o estribo (06 de junho de 1974)



Após o chamado período de democratização do país, a maioria das cidades brasileiras realizou até aqui séte eleições para a formação de suas Câmaras de Vereadores.

A primeira legislatura foi de 48 a 51 e a sétima enfixa o período de de 73 a 76.

Votei essas séte vezes.

Uma vez em Nelson Carvalho, duas vezes em Aniz Badra, duas em Rangel Pietraróia e uma em Guimarães Toni.

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Esses cinco nomes, que eu participei de suas eleiçõe à Câmara Municipal de Marília, corresponderam integralmente ao que dos mesmos esperava e esperei.

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No último pleito, em 1972, tinha intenções de votar em Camarinha e não o fiz. Votei em outro nome, que acabou sendo eleito com expressiva contagem de votos.

Tive a suficiente lealdade, certa feita, de dizer pessoalmente ao Dr. Camarinha, que pretendia votar no mesmo e não fiz.

Expliquei os motivos, que classifiquei como consequência de uma “identidade de consumação de um ideal”.

Camarinha soube entender, assimilar e compreender o motivo de minha fala pessoal. Aliás, outra não poderia mesmo ser a atitude desse cidadão que tem dado inúmeras provas de ponderação de atos e de interesse pelas causas e coisas de Marília.

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Votando também se erra.

Eu errei, pensando acertar, ao votar em outro nome no último pleito.

Se não estou arrependido, confesso estar grandemente decepcionado.

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Estou decepcionado com a atitude desse “meu” vereador na Câmara Municipal.

“Ninguém sabe o que se esconde nos corações humanos”.

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Em um ano e meio de atividades parlamentares, “meu” vereador só participou da maioria das intrigas que se geraram na Câmara, em plenário e bastidores.

Analisando suas atuações, venho encontrar um passivo enormemente maior do que o ativo de suas realizações.

Detendo-me na rememoração de suas ações parlamentares, não consigo encontrar muita coisa que mereça destaque e louvores. Em contrário, encontro um ról imenso de condutas negativas, de razões simplistas, eivadas de pejorativismo.

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Para ser mais franco e desassombrado ainda, senti por vezes inúmeras, no comportamento desse “meu” vereador, desamor e deserviços à Marília. Mais do que isso, caturrice e caprichos políticos, empavonamento e vaidade pessoal, que permito-me condenar.

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Oxalá esse “meu” vereador póssa fazer-me mudar de opinião. E isso é fácil, embora seja difícil para ele. Basta que o mesmo se compenetre de que está trilhando um caminho errado, um terreno falso, embora o faça, por estar encontrando um éco e uma ressonância igualmente errada e igualmente falsa.

“Quem vê cara, não vê coração”.

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Estou profundamente decepcionado com o “meu” vereador.

Acontece que não somente eu. Várias dezenas de marilienses que também votaram nesse mesmo homem estão grandemente arrependidos.

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Das próximas vêzes, “o cavalo vai negar o estribo”…

Extraído do Correio de Marília de 06 de junho de 1974

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Uma reunião de imprensa (05 de junho de 1974)



Convocado pela direção do “Diário de São Paulo”, participei em dia da semana passada, de uma reunião de correspondentes regionais do “maior matutino paulista”.

Um ambiente de cordialidade, onde se trataram de coisas sérias, de mistéres profissionais, de atividades jornalísticas.

Essas reuniões caracterizam-se pelo companheirismo, sem pompas ou ostentações. Enseja o reencontro de jornalistas radicados em vários pontos do Estado. Reaviva sentimentos de amizade e motiva a exteriorização de novas experiências, de contactos, de alegrias e dissabores, comumente chamados de “ossos do ofício”.

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Fiquei sabendo então:

Em Registro, o prefeito foi processado porque construiu um campo de futebol às expensas da prefeitura. O representante do Ministério Público impronunciou a queixa-crime por entender que, embora com ônus para o município, a construção do campo de esportes em terreno particular, representou uma motivação de lazer, diversão, contentamento e satisfação para o público, que deve ter motivos de alegria, proporcionada pela autoridade competente e bem intencionada.

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Também:

Em Tupã e Pompéia, ex-prefeitos foram absolvidos de ações contra os mesmos impetradas.

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O jornalista José Aparecido, de Guaratinguetá, contava com euforismo o rítmo de progresso de sua municipalidade, as obras do prefeito, o dinamismo de Guará e a projeção daquela cidade do Vale do Paraíba.

Em parte, dissera eu ao José Aparecido, que ele não olvidasse de uma coisa muito importante: a colaboração da Câmara Municipal, pois sem esta, o prefeito não conseguiria realizar as grandes obras que o mesmo apregoava como realizadas e em andamento.

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Ai o jornalista guaraense “vomitou”:

A Câmara estava contra o prefeito, torpedeando todos os projetos à mesma encaminhados. Impedia e cortava ou negava todas as verbas, para as obras de saneamento, melhoramentos, ensino, infra-estrutura.

O prefeito ia “tocando” assim mesmo, mas chegou um ponto em que ficou manietado.

Certa feita, a Câmara de Guará negou uma suplementação de verba para ocorrer as despesas de fornecimento da merenda escolar. E mais outra, para manutenção do Pronto Socorro Municipal.

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O prefeito de Guará não se desesperou – contou o jornalista José
Aparecido.

Dirigiu-se ao Quartel do Exército.

Falou com o general comandante, que não poderia dar alimentação às crianças escolares e que não tinha condições de socorrer doentes e acidentados, porque a Câmara negava-lhe, por questões políticas, as competentes verbas.

E pediu conselho ou orientação para resolver os angustiantes problemas.

O General ouviu tudo, analisou tudo, estudou, pensou e arrematou:

- Isso é problema de Segurança Nacional.

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Hoje a Câmara Municipal de Guaratinguetá permitiu a suplementação das verbas necessárias para os fins citados e aprova tudo o que a Prefeitura lhe envia.

Extraído do Correio de Marília de 05 de junho de 1974