quarta-feira, 15 de maio de 2013

Não parece, mas é assunto sério (15 de maio de 1974)



Não há muito, o Banco do Estado de São Paulo S.A., absorveu o patrimônio total do antigo Banco de São Paulo S.A.

Na ocasião da transação referida a agência local do “Emissor” havia transferido suas instalações provisoriamente do prédio próprio existente na confluência da Sampaio Vidal com a 9 de Julho, para fins de reforma de seu edifício, um dos mais antigos de Marília.

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Com a passagem do “Emissor” para o Banespa as obras de reforma do prédio daquele ficaram paralizadas.

Agora, decidiu a alta direção do Banco do Estado de São Paulo colocar à venda o referido edifício, localizado estrategicamente em ponto central de Marília.

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Trata-se de um prédio de dois pavimentos, construção antiga, porém sólida, com uma área construída de 275,50 metros quadrados (174 na parte térrea e 131 metros quadrados no pavimento superior).

A construção apresenta 15 metros de frente, para a Avenida Sampaio Vidal e 18 metros para a Rua 9 de Julho.

O edital de venda prevê o preço mínimo de Cr$ 585 mil para pagamento à vista, sendo certo de que a administração acolherá para estudos propostas para pagamento à prazo.

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A publicação da venda desse imóvel veio trazer-me uma preocupação bem mariliense.

Explico:

Não a transação propriamente dita.

Meu receio é que algum capitalista local venha a adquirir o referido imóvel para ordenar sua demolição, fazendo surgir ali mais um estacionamento para veículos.

Isso seria uma barbaridade.

O progresso centro-urbano de Marília, no que se refere ao dinamismo arquitetônico, está estacionado, em virtude dos incontáveis “estacionamentos” centrais.

Não interpretem-me contrário ao referido comércio, que é legal e que tem seu lado bom. Mas a demolição de edifício centrais para em seu lugar surgirem estacionamentos de veículos está representando atrazo e entrave no progresso arquitetônico da cidade.

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Se isto vier a acontecer, Marília perderia a oportunidade, ou de construir no local mais um gigantesco “arranha-céu”, ou, no mínimo, a chance de adaptação do edifício, para alí funcionar ou um outro estabelecimento bancário, ou, então uma empresa comercial de gabarito e expressão.

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A propósito, a Câmara Municipal de Marília deveria “bolar” uma lei proibindo  em área discriminativa central a instalação de novos estacionamentos de veículos.

A edilidade estaria dando margem ao progresso centro-arquitetônico da cidade, numa tentativa de imitar Araçatuba, Rio Preto e Bauru, que, nesse particular de edifícios centrais, deixaram Marília lá  atraz e num “poeirão” dos diabos.

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Já imaginaram o aspecto que teria aquele trecho do coração mariliense, com um estacionamento numa esquina e outro defronte, no mesmo cruzamento?

Uma barbaridade!

Extraído do Correio de Marília de 15 de maio de 1974

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