terça-feira, 7 de maio de 2013

Verdade. Tem disso aí (07 de maio de 1974)



O assunto que aqui está focalizado quiçá nenhum interesse venha a trazer a muitos dos leitores.

Todavia, passa a encontrar uma justificativa para sua inserção. Esse motivo assenta-se naquilo que se convencionou chamar de “correria dos homens e dos tempos”.

“Correria” decorrente e exigida pela necessidade do ganha-pão cotidiano.

Nas cidades grandes. Em São Paulo, principalmente.

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Poucos são os paulistanos que levam vida sedentária.

Mesmo os que, trabalhando em escritórios, fábricas e oficinas, inclusive com horário comercial, vivem correndo.

A metrópole paulistana chega a ser uma cidade desumana, exigindo de seus habitantes um meio de vida ativo, incessante, sem pausas, num corre-corre diário e interminável.

É o ônus de trabalhar e viver numa cidade grande.

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Um de meus filhos reside em São Paulo. É profissional autônomo, o que vale dizer presta serviços para várias empresas.

A cidade é grande, muito grande. O próprio sistema de locomoção é difícil e nem sempre se consegue a localização fácil de uma pessoa.

Daí, no caso do rapaz, por vezes encontrando-se num ponto da Capital, precisar ser localizado imediatamente por uma outra firma para a qual trabalha.

Pensando bem, um caso difícil.

Suponhamos que o mesmo esteja no bairro da Lapa e uma firma do centro ou da Penha, ou do Jabaquara, precise localizá-lo. Ele não deixa roteiro de onde pssa ser encontrado. Nem tem telefone domiciliar. Nem tem ponto fixo de parada.

Mas o problema foi resolvido. É localizado onde estiver, a qualquer hora do dia, dentro da vasta área metropolitana da Capital. Na mesma hora.

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Parece uma coisa impossível, mas não. Em contrário, uma medida operacional até certo ponto simplicissima.

Uma prova do avanço da ciência eletrônica de nossa era.

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O garoto conduz consigo, preso à cinta, um pequeno receptor, locado com contrato, de uma firma comercial de serviços de rádio-chamada.

Qualquer uma das firmas que pretenda sua localização, à qualquer hora do dia, comunica-se com a empresa, através de um dos quatro telefones da mesma. A firma imediatamente faz o chamado em ondas curtas, não em fonia, mas sim numa espécie de sinal morse, que o aparelho portátil acusa com insistência.

A pessoa chamada dirige-se ao telefone mais próximo para saber quem deseja falar com ela. De lá, a firma orienta que tal pessoa de tal endereço, de tal local, reclama sua presença, ou seu contato. E isso é feito.
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Trata-se, evidentemente, de um sistema eficientíssimo de comunicação.

Se não fôra isso, difícil seria a sua localização de imediato, numa cidade tão grande como São Paulo.

Um serviço utilíssimo, rápido, prático e eficiente e que dá uma tranquilidade ímpar, tanto ao seu utilizador, como às pessoas ou firmas que dependam do mesmo.

Achei muito bacana o sistema.

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Para curiosidade, transcrevo a seguir o cartão que o garoto entrega às firmas ou pessoas que podem depender do mesmo ou necessitar em horários não previstos ou não marcados, sua presença imediata, ou seu contacto urgente:

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“Urgente: em caso de necessidade urgente, poderei ser localizado de imediato, em qualquer lugar que me encontrar, na área metropolitana, através de meu receptor de bolso do Serviço de Rádio-Chamada “Ondaforne”. Para isto, queira ligar para os telefones (cita os números), deixando recado pelo código de meu receptor, cujo número é (citado). Em seguida, o nome do rapaz”.

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Um serviço perfeito, cuja eficiência eu próprio constatei dia outro.

As firmas que o mesmo serve ficam tranquilas e o chamam no momento necessário e o mesmo anda de “cuca fresca”, sabendo que será chamado e localizado, esteja onde estiver.

Muito bacana, mesmo.

Extraído do Correio de Marília de 07 de maio de 1974

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