terça-feira, 21 de maio de 2013

O que pensam os outros (21 de maio de 1974)



Sábado último (19/5/1974) participei de uma feijoada no Restaurante “O Carretão”, no quilômetro 289, da rodovia BR-153.

O almoço fez parte de uma reunião que se convencionou denominar de “I Encontro de Imprensa e Rádio de Marília e Ourinhos”.

Em termos de reunião prevaleceu a premissa de cordialidade e congraçamento, eis que, assuntos relacionados diretamente às funções, profissiões ou trabalho de jornalistas e radialistas, não foram previamente pautados.

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Valeram as intenções no entanto e a feijoada oferecida pelos proprietários do estabelecimento, Mauro e Antonio, esteve supimpa.

O horário estabelecido era meio dia e como é meu hábito a pontualidade, cheguei momentos antes.

Lá encontravam vereadores de Ourinhos e Ocauçu, representando os Poderes Legislativo e Executivo das referidas cidades.

Também o sr. Márcio A. Bonifácio  Couto, prefeito municipal de Lupércio. O referido alcalde é um dos mais jovens do Brasil a ocupar o cargo de prefeito municipal, eis que, presentemente conta apenas 26 anos de idade.

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É perfeitamente normal que o homem fale por gosto aquilo que executa ou sobre cargo que exerce. Assim, o açougueiro conversa sobre o ramo com um colega, o médico discute assuntos sobre medicina com outro médico, o alfaiate fala sobre o feitio de calças com outro alfaiate, e, assim por diante.

Lá, nesse grupo citado, constituído  por políticos, o prato da conversa, antes do prato da mesa propriamente dito, foi política.

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Um jornalista presente, embora não tivesse declinado sua paixão e pendência doutrinária, deixou transparecer seu modo de pensar, ao indagar-me da situação atual, politicamente falando, de Doretto, Torrecilla e Quércia.

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Um vereador ourinhense falando sobre a Câmara daquela cidade, explicava-me que a Edilidade de Ourinhos, aprovava diretamente, todos os projetos oriundos do Executivo.

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Um outro edil, também de Ourinhos, nesse contacto improvisado enquanto se aguardava maior presença e a hopa da “boia”, perguntaram-me se a Câmara Municipal de Marília “tinha melhorado”.

Respondi-lhe, que, no julgamento geral, a edilidade local tinha perdido parte de seu conceito para com o público observador, mas que as coisas haviam tomado rumo diferente mais recente e que tudo parecia prenunciar um clima de harmonia completa entre os dois Poderes.

Aguardei oportunidade para saber do referido político, o fundamento que lhe dera base para indagar se a Câmara “tinha melhorado”.

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Quando a oportunidade se apresentou, fiz a indagação e a resposta veio rápida e franca:

- Presenciei certa feita uma sessão da Câmara de Marília. Fiquei abismado com o que ouvi, de certos vereadores da tribuna, coisas que em Ourinhos não acontecem. Vi e ouvi vereadores falarem besteiras na tribuna, “metendo o pau” no prefeito, chamando o Chefe do Executivo de “prefeitinho”, fato que me fez ficar admirado e surpreso, pela falta de respeito e ética parlamentar.

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Não pude desmentir e nem justificar o vereador ourinhense.

Ele tinha razão, porque no passado aconteceram coisas desagradáveis e verdadeiramente contundentes em nossa Câmara.

Vai dai…

Extraído do Correio de Marília de 21 de maio de 1974

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