sexta-feira, 24 de maio de 2013

Task Force 45 (24 de maio de 1974)



Era uma terça-feira, dia 21 de novembro de 1944.

Encontrava-me, como integrante do Pelotão de Transmissão do III Batalhão do 6º. Regimento de Infantaria, numa casa abandonada, localizada numa contra-encosta da cidade de Volpara, próximo a um cemitério abandonado, parcialmente destruído por obuzes de morteiros das tropas alemãs.

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Seriam mais ou menos 10 horas da noite, quando o III/6º. principiou a ser substituido, por tropas do II Batalhão do 1º. Regimento de Infantaria.

A operação de substituição das tropas, no “front” que se extendia numa distância de uns oito quilêmetros, foi morosa e cautelosa, para não despertar as atenções do inimigo.

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Antes de duas horas da madrugada, a mudança completou-se, tendo eu descido a contra-encosta, juntamente com os outros 21 companheiros do Pelotão, para alcançar o novo objetivo de parada: “Casa di Christo”, às margens do Rio Reno, entre as localidades de Silla e Marano.

Por volta das 4 horas, atingido o novo local, distanciado da linha de combate, acomodei-me, juntamente com os demais, num quartinho sujo, com palhas de milho espalhadas pelo chão, servindo de colchões. Todos dormindo juntos, vestidos, calçados, armados, sujos e suados, imundos como porcos.

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Na manhã seguinte, enquanto aguardavamos que aparecesse o “camburão” de café, o Tenente Dantas Borges chamou-me:

- Cabo, você foi um dos poucos do 6º. Designado para integrar a rêde de comunicações dos Exércitos Aliados, subordinada à “Task Force 45”.

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Eu nem sabia o que seria “aquilo”, mas como o soldado cumpre ordens sem reclamar ou ponderar, calei-me concordando, receioso de não poder desincumbir-me da nova e desconhecida missão.

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No dia 23 de novembro de 1944, deixamos “Casa di Christo”, por volta das 14 horas, rumo à Silla e de lá em direção à Monte Castello, cujas posições inimigas eram desconhecidas e nosso Batalhão seria a primeira unidade militar a atacar, estabelecendo o primeiro contacto com os soldados alemães.

Só nas últimas horas da noite é que consegui chegar ao meu destino, uma casa próxima à Igreja, numa situação desesperadora, ante o cerrado fogo das tropas inimigas.

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No dia seguinte, sexta-feira, 24, fui obrigado a deslocar-me até um porão de uma casa destruída por bombardeios inimigos. Lá funcionava uma estação da Task Force 45, integrada por soldados ingleses e americanos, do “2nd Group Armored of 5th American Army”.

Foi para mim uma verdadeira “fogueira”, dialogar em inglês e travar contacto com têrmos militares desconhecidos, códigos e senhas até então não utilizados, recebendo as responsáveis instruções das novas funções.

Regressei, conduzindo inclusive dois pombos-correio, que teria que soltar no dia imediato, cada um portando mensagem específica das atividades da noite que se avizinhava.

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Passei a não funcionar mais como os meus companheiros de Pelotão e sim sozinho, “penando” e sofrendo com as novas funções de transmissões por rádio, em grafia e em fonia, tudo em inglês, ficando desesperado e quase maluco.

No final, percebi que bem havia desincumbido a missão, vez que mereci elogio individual pelas novas e defíceis atividades.

Prova que tenho em meu poder xerox extraído das alterações militares americanas, fornecidas que me foram pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América do Norte.

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A lembrança que originou o presente escrito ocorre-me pelo fato de ser hoje o Dia do Telegrafista.

Aqui, pois, minha homenagem ao Telegrafista e o Radiotelegrafista brasileiro, nas pessoas dos homens do “Morse” de nossa cidade.

Extraído do Correio de Marília de 24 de abril de 1974

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