quinta-feira, 16 de maio de 2013

Pais-da-Pátria estão aparecendo (16 de maio de 1974)



Papagaio!

Como existe gente por aí que “trabalha” por Marília!

Eu não sabia (desculpem minha ignorância), mas a verdade é que tem muitos cara (de pau) por estes Brasis afóra.

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Eleições se avizinham e os pais-da-pátria estão surgindo, lampeiros, imodéstos, vestindo o manto de trabalhadores, de obreios intelectuais, de amigos de Marília.

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Redação recebendo carradas de panfletos, de xerox de discursos proferidos na Assembléia e na Câmara Federal, “provando” qualidades de parlamentares desconhecidos, que buscam desbriadamente promoção pessoal, ludibrio ao público, via indireta, através de jornal.

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Certamente pensam eles que jornal do interior não tem notícias sérias e de interesse público e local. E que não tem pessoal muito disposto a cavar notícias e informações, e, que, nesse caso, vai acolher as arengas e mentiras, para estampá-las nos hebdomadários, fazendo-lhes propaganda eleitoral gratuita.

Bah!

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Recebo, diariamente, material desse jaez, através dos correios. Alguns dos avulsos trazem estampados, inclusive, clichês das fotos dos deslambidos pretensos candidatos.

Por certo, pensam esses dissimulados pretendentes às suas próprias reeleições, que o jornal, pelo fato de ser interiorano, é simplesmente provinciano, prestando-se, por isso mesmo, a fazer-lhes a mentirosa campanha eleitoral.

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Trata-se de “gente boa”.

Eu não sabia (desculpem minha ignorância), que tantos distintos “trabalham” por Marília, são “amigos” de Marília.

Gente que eu nunca havia ouvido falar tais nomes.

Alguns até com nomes que lembram xarope para tosse ou remédios para calos!

Nomes turcos, nomes esdrúxulos  nomes japoneses, esquisitos, mas que são parlamentares eleitos e que pretendem continuar nos cargos. E que querem tirar aqui da gente, através do jornal e sem ônus, alguns votinhos para aumentar-lhes o colegiado eleitoral.

Aqui, não.

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É possível que muitos desses falsos pais-da-pátria nem siquer conheçam Marília. Que nem saibam em que parte do Estado se situa a  sé da XI Região Administrativa.

Mas dão um jeitinho de conseguir o endereço e o nome do jornal. Seus assessores se incumbem do resto: apanhar o material embusteiro, colocá-lo em envelopes e deitá-lo na agência postal.

Tudo muito fácil.

Só que aqui não cóla.

Pais-da-pátria da política alienígena aqui não tem guarida, nem ressonância, nem aderência.

Ele que vão cantar em outra freguesia.

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É verdade que eles “trabalham” muito.

Só que o “trabalho” que até aqui apresentaram por Marília jamais existiu.

Afinal de contas, os interioranos simples e  sinceros, mas bobos à tanto, isso não!

Extraído do Correio de Marília de 16 de maio de 1974

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