sábado, 18 de maio de 2013

Desculpem a “bronca” (18 de maio de 1974)



Meus leitores perdoem e desculpem esta “bronca” de minha parte. Se a culpa deles não é, tão pouco minha.

Há um erro interpretativo, que por vias indiretas chega a envolver a própria História do Brasil. Um erro que confunde, mas que tem acentuação profundíssima aqui em nosso Estado.

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É claro, parte o erro de escalões superiores. Desse erro, redunda melhor falta de esclarecimento às nossas gerações, especialmente os escolares.

A culpa não é dos leitores, está certo.

Mas não é também minha.

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No próximo dia 23 será comemorado o Dia do Soldado Constitucionalista. A efeméride só tem destaque no Estado de São Paulo.

A homenagem é justa. A reverência também.

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Por ocasião da Revolução de 1932, eu mal havia saído dos cueiros e nem siquer frequentava o curso primário. Moleque da roça, nem poderia atinar com o movimento constitucionalista.

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Todos os anos, seguidamente, meus amigos e leitores procuram-me para dissertar sobre essa data, sobre o soldado constitucionalista, bem como para oferecer subsídios a trabalhos escolares.

Bolas! Eu não tive nada com isso.

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A confusão origina-se desse erro informativo, que consolida-se em erro generalizado, envolvendo a maioria de nossas gentes.

Estão confundindo a participação de cidadãos nesse movimento revolucionário, como os ex-combatentes da II Grande Guera Mundial, os “pracinhas” da Fôrça Expedicionária Brasileira.

Este é o meu caso. Eu sou ex-combatente. Sou “pracinha” da FEB.

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Há uma diferença muito distante entre o soldado constitucionalista e o pracinha da FEB.

Nas duas classes residem méritos. Mas são coisas diferentes.

O soldado constitucionalista é fruto de um patriotismo eminentemete paulista. Participou, por assim dizer, de um movimento político, intestino.

O ex-combatente, o “pracinha” da FEB, integrou o Exército Brasileiro, o que vale dizer, uma tropa armada, com comando militar, com esquema e plano estratégico e esquemático de guerra. Lutou no exterior. Ao lado das Nações Aliadas, de cujos exércitos fez parte.

Muita diferença.

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O erro é de origem. Pertence a escalões superiores, inclusive confundindo professores e alunos, gerando um espírito de ânimo genérico, fazendo-se a maioria pensar que é tudo a mesma coisa.

E não é.

Batatinha é batatinha, cebola é cebola.

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Nesta “bronca”, um apelo:

Aos leitores, aos professores, aos alunos marilienses: procurem discernir as duas classes, atendo-se ao fato de que Soldado Constitucionalista é uma coisa e Ex-Combatente da Força Expedicionária é outra.

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Desculpem a “bronca”.

Mas por favor, não confundam um e outro, dessas duas classes.

Extraído do Correio de Marília de 18 de maio de 1974

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