terça-feira, 28 de maio de 2013

Engenharia biomédica (28 de maio de 1974)



Um dia destes, palestrando com o pediatra mariliense, Dr. Euripedes Battistetti, indaguei do mesmo o que vinha a ser “biomedicina”.

Justifiquei o por que da pergunta:

Tendo conhecido em Brasília determinado cidadão, por sinal muito bacana e comunicativo, no decurso da palestra, informou-me o mesmo ter concluído o curso de biomedicina.

Confesso que não atinei sobre a especialidade profissional, mas não deixei transparecer ante esse novo amigo, minha total ignorância. Por essa razão, mais tarde, perguntei ao Dr. Battistetti o fato que estou contando.

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Deparo-me agora com uma outra expressão profissional indicativa, que se chama “engenharia biomédica”.

Também não sabia da existência desse “negócio”. Agora sei.

“Engenharia biomédica” é a combinação de talentos, de engenheiros e médicos, no arquitetamento, experiências e construção de instrumentos médicos, para diagnóstico e prevenção de doenças, bem como para tratamento e restauração de pacientes.

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Na cidade de Shenandoah, Virgínia, Estados Unidos, existe um conservatório musical. O que não representa nenhuma novidade, pois toda cidade de grau mais ou menos adiantado, tem o seu conservatório musical.

Mas o referido conservatório apresenta um fato “sui generis” em seu corpo discente. Um fato digno de registro, de admiração.

Um dos alunos do curso de piano daquele estabelecimento, Jerry Cleveland, de 20 anos de idade, executa peças clássicas, com a utilização de um dispositivo mecânico, que substitui o braço e uma das mãos, perdidos num acidente.

O referido fato representa, em termos práticos e objetivos, uma conquista vitoriosa, dessa especialidade médica, relativamente nova e por muitos desconhecida até aqui.

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Mas há outro exemplo, outro caso análogo.

O Dr. Lowel W. Rogers, de 27 anos, é médico-patologista, residente, do Hospital da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland, Estados Unidos.

O Dr. Rogers teve sua mão direita amputada, tendo sido substituída por um tipo de dispositivo eletrônico. E o patologista trabalha normalmente, com esse dispositivo, mexendo e utilizando todos os seus complexos instrumentos médicos.

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Graças, portanto, a essa nova ciência, agora conhecida como “engenharia biomédica”, as duas pessoas citadas executam normalmente atividades que exigem o emprego das mãos apesar de não possuí-las.

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O maior laboratório de engenharia biomédica encontra-se nas imediações de Washington, na sede do Instituto Nacional de Saúde, órgão do Governo Norte-Americano, que se dedica à pesquisa de saúde.

Mais de cem universidades norte-americanas estão oferecendo cursos de engenharia biomédica, subindo a três mil o número de organizações particulares, que operam laboratórios de pesquisa nesse setor, naquele país.

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Se não trata, percebe-se, de simples aparelhos de ortopedia, que são utilizados como uma espécie de terapêuta auxliar de membros, mas sim, de aparelhos que substituem funções executadas por membros humanos.

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Há outro lado a ser analisado: o lado do otimismo, da esperança, da perseverança e da própria fé.

Fé na ciência e auto-confiança, sem complexos egocêntricos.

E a gente, tendo conhecimento desse avanço maravilhoso da ciência hodierna, fica pensando, em tantas criaturas humanas que por aí existem, e, que, por razões físicas insignificantes, comparativamente com esses dois casos, servem disso como pretexto, para não trabalhar, para soterrarem-se elas próprias, na indiferença e na pusilanimidade.

Extraído do Correio de Marília de 28 de maio de 1974

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