quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Remodelação do trânsito (12 de setembro de 1974)


Uma estória, que nem é estória, que nem é fábula, mas que tem certo verniz de filosofia, dá conta:

Um homem cavalga um burrico por determinada estrada, em viagem de propriedade rural para a cidade. Além do cavaleiro, o animal carregava sobre o dorso duas grandes bruacas, lotadas de mantimentos – que deveriam ser vendidos na cidade.

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Um certo trecho do caminho, o viandante cruzou com duas pessoas. Estas, ao cumprimentarem, observaram o homem, o animal e a carga. Quando se distranciaram das mesmas, o cavaleiro ouviu uma dizer a outra:

- Esse sujeito não tem coração… com tamanho peso sobre o burrico e ele ainda montado… parece que quer matar o animal…

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Pensando naquilo que ouvira, o cavaleiro apeou e passou a caminhar a pé, puxando pelas rédeas o burrico.

Mais adiante, voltou a cruzar cm outras pessoas.

Seguindo o caminho, teve a oportunidade de ouvir o comentário:

- Esse cara deve ser um “goiaba”… andando a pé e puxando o burro…

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Alguns metros mais adiante o homem pensou que deveria descansar o animal e assim nenhuma pessoa mais teria o que falar. Aliviou o burrico da carga, colocando as bruacas nas costas e caminhou puxando o animal e aconteceu a repetição do fato, pois ouviu uma delas dizer:

- Esse sujeito deve ser mais burro do que o próprio burro… andando a pé, ele carregado e o burro sem carga.

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O homem parou um pouco além. Recarregou o animal e aboletou-se sobre a sela, seguindo caminho, concluindo que não deveria dar ouvidos a ninguém e fazer aquilo que deveria ser o certo: o animal carregar as bruacas e o dono.

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Comparação grosseira, mas tem gente por ai dando palpites sem base, com os trabalhos que estão sendo realizados na cidade, da remodelação do trânsito urbano local.

Alguns protestando, outros achando “defeitos”.

Todas essas pessoas estão prejudicando ou analisando conveniências pessoais.

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O trânsito de Marília estava muito “bagunçado” e teria um dia que ser devidamente colocado “nos eixos”. Isto está sendo feito. Não por curiosos, mas sim por técnicos do DETRAN.

Semáforos e placas indicativas de trânsito são exigências de todas as grandes cidades. Marília não é vilarejo e teria mesmo que arcar com esse ônus, que significa melhoramento e progresso.

“Ordem e Progresso” está escrito na Bandeira do Brasil.

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Os que são contra e que vivem “metendo o pau” deveriam fazer exatamente o contrário.

Louvar na inovação. Confiar nas autoridades de trânsito. Saber que os trabalhos estão sendo executados por tecnicos e não por curiosos.

Perceber que já era tempo de Marília ter um trânsito organizado.

Porque, pensando bem, o que desejam, afinal, esses marilienses que são contra tudo o que significa progresso em nossa cidade?

Extraído do Correio de Marília de 12 de setembro de 1974

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