quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Ferramenta enferrujada (26 de setembro de 1974)


Todo bom artesão deve possuir, além da competência e atenção profissional, como indispensável apetrecho, boas ferramentas.

Uma ferramenta enferrujada dificulta a perfeição e o bom rendimento do trabalho, fazendo a presença de imperfeições, com resultados negativos.

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Assim é a política. Ferramentas não de trabalho, mas de ideias doutrinárias, de arte – não de artimanhas.

Política é uma verdadeira ciência, em termos de análise real e objetiva. Só pode ter lugar em terrenos democráticos, pois onde impera ditadura e regime de força, a política não se configura como ciência e sim como aglomerado imperativo que todos temem antes que respeitam. Significa a política, a releção entre o povo e Estado, arte de comandar, de dirigir as organizações que representam parcelas governamentais. É um élo de comunicação social e exige a coesão de forças e pensamentos, sob o rótulo de partidarismo.

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Em Marília, a política é ferramenta enferrujada.

Haja vista a desunião de suas próprias forças, quase todos lendo por cartilhas diferentes, falando línguas diferentes.

Esse fenômeno, no que respeito diz, à força doutrinária situacionista, está apresentando os efeitos de uma colcha de retalhos, onde as costuras interligantes não apresentam o mesmo efeito, enfraquecendo pontos e alas, gerando dissidência, fomentando separações, provocando ressentimentos e distanciando a coesão de princípios partidários.

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Referido estado de coisas, nesse aspecto, é lastimável numa cidade de fôros de cultura e tradições como Marília.

Políticos arenistas, inclusive delegados do partido da situação, desgarraram-se do grosso do rebanho, formando grupos esparsos e até solitários, depauperando o próprio partido.

Em cada cabeça mais de uma sentença, em cada atitude mais um distanciamento da união necessária, imprescindivelmente necessária à harmonia partidária.

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Até o próprio candidato à deputado pela Arena está sozinho, qual um navegador solitário num barco sem remo e sem rumo.

Os que tinham por dever doutrinário aquilo que bem poderia chamar-se solidariedade política, tomaram rumos diversos, cada qual compromisando-se e apegando-se com candidatos alienígenas, numa prova indiscutível da falta completa de uma liderança.

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Além da ferramenta enferrujada, deprecia-se o próprio artesão – em comparação grosseira, o próprio partido situacionista.

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O reverso da medalha representa-se por um negativismo dos mais censuráveis, eis que a dissidência, a desunião, a falta de coesão, os caminhos diferentes, as quizílias e os desentendimentos, aliados a apatia ou antipatia, estão produzindo efeitos outros.

Nesse reverso da medalha, nessa germinação de efeitos outros, as forças situacionistas de Marília, promovendo e advogando a disperção de votos, estão contribuindo para a sequência da orfandade mariliense no parlamento estadual.

E, além do que isso, o pior: estão dando um gigantesco caldeirão de chá ao partido oposicionista.

Extraído do Correio de Marília de 26 de setembro de 1974

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