sexta-feira, 21 de junho de 2013

A psicose do futebol (21 de junho de 1974)


O sentido da expressão é comparativo, já se vê.

Mas toda gente brasileira está com o pensamento e as atenções voltadas para a seleção nacional de futebol, que participa da Copa, na Alemanha.

Mesmo os que não gostam e até os apáticos, procuram inteirar-se, saber, conhecer. Até a mais simples e humilde dona de casa.

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Muitos anos passados, aconteceu um caso tragicômico, envolvendo um cidadão mariliense. Por causa do futebol.

O farmacêutico e ex-vereador Edgard Santa Fé Cruz nunca gostou de futebol em sua vida. Nunca jogou, nem quando era criança. Jamais se interessou por essa modalidade de esportes.

Certa feita, a A. A. São Bento estava “na linha vento”, disputando o campeonato da primeira divisão. Ninguém falava em outra coisa, a não ser na excelente campanha sambentistas, na sua classificação. Em qualquer parte da cidade o assunto obrigatório era o São Bento.

O farmacêutico, que nunca tinha visto um jogo ou um treino do São Bento, acabou também ficando com o São Bento na cabeça.

Sabem o que aconteceu?

“Seo” Edgard, mesmo sem saber o que era futebol, acabou sonhando que estava jogando no São Bento. Aí veio o “desastre”: no sonho, chutou, forte, uma bola, bateu no peito do pé contra a ferragem da própria cama… e quebrou a pé!

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Na noite de terça-feira última (18/6/1974), aconteceu fato mais ou menos idêntico. Só que não foi com o ex-vereador. Foi comigo mesmo.

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Após o jogo do Brasil contra a Escócia, muita gente mostrava-se inconformada com o resultado de 0x0.

Aqui na redação, todo mundo dava seus palpites, mostrando desalento e criticando Zagalo. Eu comentava com os redatores e gráficos, que Zagalo deveria ter tirado Paulo Cesar, fazendo entrar Edú em seu lugar. E que jamais deveria ter mandado sair Leivinha, conservando Mirandinha, que nem havia visto a cor da bola.

Todo mundo era técnico.

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Findo o serviço normal, o assunto empate acabou ficando preso lá dentro de minha massa cinzenta ou melhor, do subconsciente.

Teria que “estourar” aquilo que estava “guardado”. E de fato, “estourou”. Justo quando me encontrava dormindo.

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Aqueles quadros e aquelas imagens que todos haviam visto nos vídeos, durante o jogo Brasil x Escócia, passaram a ser por mim vividos durante o sonho.

Eu estava lá, no banco de reserva.

Leivinha atirava contra a trave. Rivelino perdia a chance excepcional.

O técnico não era Zagalo. Éra o monsenhor Majela.

E foi aí que o tecnico mandou eu entrar em campo, no lugar de Paulo Cesar, mandando Leivinha e Mirandinha trocarem de posição.

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Nunca joguei tanto futebol assim.

Entrei com a fúria de um leão no campo e cocei a receber bolas de Rivelino e Nelinho.

Driblava com facilidades os gigantes da defesa escocesa. Infiltrava-me até as imediações da grande área e arrematava com sucesso.

Joguei um “bolão”.

Marquei quatro gols para o Brasil e resolvi a partida.

Foi aí que acordei…

Extraído do Correio de Marília de 21 de junho de 1974

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