sábado, 22 de junho de 2013

Seleção de futebol, ainda (22 de junho de 1974)


Contaram-me:

Se Zagalo não tiver um “júnior” em sua família, isto é, se não tiver um filho com o seu próprio nome, somente uma pessoa em cima da terra poderá amanhã ser pai e registrar o filho com o nome de Mário Jorge Lobo Zagalo: só o jogador Paulo Cesar.

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Se o selecionado brasileiro de futebol sair-se bem hoje contra a seleção do Zaire, além de fazer cortesia com o chapéu alheio, quer dizer, de classificar-se para as quartas de finais com o alijamento ou da Escócia, ou Iugoslávia, Zagalo ficará à vontade, para parodiar a estória daquele distinto, que indo servir o Exército, acabou galgando a graduação de terceiro sargento.

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A estória é assim:

O homem, que deveria ser culto, era de fato “curto”. Não na altura, mas nas idéias e nos reflexos.

Mas esses reflexos, por vezes tinham um inesperado destaque, “vindo à furo”, como acontece com a matéria purulenta de um tumor.

Na presença e “na cara”, não. mas à distância, a soldadesca, ao referir-se a esse homem, diria “o sargentão analfabeto”.

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O sargentão, gostava de aparecer e era convencido e muito orgulhoso das três divisas que ostentava na túnica.

Sempre que se apresentava uma oportunidade para destacar-se, ele a apanhava imediatamente, mesmo sem temer consequências ou resultados.

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Gostava de impressionar os recrutas e de basofiar exemplos aos soldados recém-promovidos à graduação de cabos.

Certa feita, a tropa exercitava-se em tiro ao alvo.

Um grupo de recrutas estava tendo como monitor um cabo recém-promovido e foi desse grupo que o sargento aproximou-se.

Ficou a observar a instrução, como se fôra um grande general.

Um dos recrutas, utilizando todo um pente de munição, errou do alvo os cinco cartuchos disparados.

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O sargento viu aí a oportunidade.

Gritou para o cabo:

- Cabo véio, dá cá esse fuzil… vou ensinar como se atira…

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Apanhou a arma que lhe foi entregue imediatamente.

Manobrou o fuzil, fêz pontaria demorada e atirou. A bala cravou-se à direita da mosca. O sargento não se descompôs. Olhou para um dos recrutas e disse:

- Viu? Era assim que você estava atirando…

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Novo tiro. O projétil fixou-se na parte esquerda. O sargento disse para um outro recruta: “Assim é que você atira, viu?”

Outros tiros. Todos sem atingir a mosca e após os disparos, o sargento dirigia-se a um dos praças e dizia que era assim que o praça estava atirando.

No quinto disparo, a bala atingiu o alvo. E o sargento, feliz, dirigiu-se ao cabo:

- Tá vendo, cabo véio… é assim que eu atiro…

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Então, se o Brasil vencer o Zaire, por uma vantagem de gols que some o mínimo de três e desde que Iugoslávia e Escócia não empatem por qualquer vantagem, por certo Zagalo imitará o “sargentão analfabeto” e proclamará depois, que “os dois empates anteriores faziam parte de seus planos e de sua técnica”. E outras coisas mais.

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“Se acontecer a hipótese acima e o Brasil partir para as quartas de finais, já que Gerson não está no gramado, para gritar com os companheiros e mandar o jogo, o que restará a fazer, é que o time dentro do campo, jogue mesmo o futebol do Brasil, esquecendo as “técnicas” e os “esquemas” de Zagalo, que, até aqui, só tem feito o mundo notar e ver, ao contrário de um futebol técnico, objetivo, agressivo e insinuante, só viu mesmo, um futebol medroso, inseguro e por muitas vezes acovardado.

Extraído do Correio de Marília de 22 de junho de 1974

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