sexta-feira, 28 de junho de 2013

Estação Rodoviária (28 de junho de 1974)


Não sei se mesma pessoa, ou a mesma idéia. Se imitação ou coincidência. Se o acaso.

O fato é que escreve-me determinado leitor, em data recente, fazendo sugestão já apresentada e divulgada inclusive por outro hebdomadário da cidade.

Sobre o assunto rodoviária.

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A sugestão condensa um ponto de vista que, embora tenha sua respeitável validade, enfeixa também impraticabilidade e certa incoerência.

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Nessa opinião, o missivista “chove no molhado”, achando por bem que a prefeitura fizesse doações de áreas específicas às empresas de ônibus que servem o município, estas ficariam no dever de erguer e instalar seus próprios pontos de vendas de passagens, embarques e desembarques.

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Parece que o “calcanhar de Aquiles” reside exatamente no fator “terreno”, que a prefeitura não dispõe adequadamente e assim de chofre.

Óra, se uma municipalidade não tem um único terreno que se preste exatamente ao fim referido, não seria uma puerilidade, essa mesma prefeitura vir a doar, não um, masi muitos terrenos?

Expresso de Prata,  Brambilla, Silva, Andorinha, Viação Marília-Garça, além de outras, são empresas de renomes e de conceitos públicos. Essas empresas não iriam, em locais diferentes, instalar seus “pontos”.

Isso seria até um contra-senso, especialmente quando se pensa em termos de progresso e de futuro para o dinamismo da cidade.

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Em comparação grosseira, regrederíamos, numa imitação tacanha, embora com os “pontos” melhor instalados e aparelhados.

Daria para lembrar “o ponto de jardineira do Bar do Zé”, o “ponto do botéco do Juca”, e assim por diante.

Serviços públicos de baldeações e conexões sofreria danos.

Talvez seja esse aspecto, um dos únicos, onde os fatores se invertem: ao contrário da descentralização, exigem a centralização.

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O assunto, por outro lado, gerou-me uma outra idéia.

Aqui vai ela:

Um próprio particular, nascido de coesão de forças, união de propósitos e casamento de interesses comerciais e públicos.

A constituição de uma sociedade de capital, de fundo em comandita. Ou uma espécie de sociedade anônima. Da qual participem, em princípio, o Expresso de Prata, Empresa Branbilla, Brambilla Turismo, Empresa Silva, Viação Ourinhense, Viação Andorinha, Viação Marília-Garça, dentre outras, inclusive a Reunidas, que cogita trânsito por nossa cidade.

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Um terreno de no mínimo uma quadra de 1.000 x 1.000 metros quadrados. Onde se instalem todas essas empresas, inclusive com locais previsíveis de expansões e ampliações do número de companhias e da própria elasticidade de novos coletivos e novas linhas.

Onde sejam instalados butiques, bazares, barbearias, “shoppings”, drogarias, joalherias, bares, restaurantes e tudo o mais, numa tentaiva de imitação da movimentadíssima Rodoviária de São Paulo.

Seria um emprego excelente de capital. Por outro lado, também uma fonte de renda.

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Aí está um motivo para os responsáveis por essas empresas rodoviárias referidas, bem como outras não citadas, estudarem a viabilidade.

Além do significado da iniciativa de visão particular, a concretização dessa hipótese, viria traduzir duas indiscutíveis razões de sossego: para o público local e forasteiro e para as próprias empressas interessadas.

Não seria isso difícil.

Desde que a idéia póssa merecer intensões e interesses das próprias empresas mencionadas.

Qual tal uma reunião preliminar, à guisa de estudos da própria tentativa?

Extraído do Correio de Marília de 28 de junho de 1974

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