sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Futebol é assunto (17 de agosto de 1973)



A delegacia de polícia de Lima, capital do Peru, recebeu de uma senhora, estranha denúncia. A queixosa, Maria de tal, alegou que seu marido a espanca barbaramente, todas as vezes o escrete peruano de futebol sobre uma derrota. A última surra que dona Maria levou foi quando o Peru perdeu para o Chile.

Essa mulher ainda não póde queixar-se muito. Imaginem se o marido dela fosse um torcedor corinthiano...

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Mas o Corinthians não está sozinho dentro desse ritmo de insucessos. O São Paulo vai mal das pernas, perdendo para gregos e baianos. E continuará assim, enquanto durar uma politicalha “into”, que tem o dedinho de um tal de Pedro Rocha.

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Se os últimos serão os primeiros, no futebol paulista, presentemente, os pequenos estão sendo os grandes. Juventus, um exemplo, Guarani idem, Portuguesa idem.

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Toninho, Sérgio, Pedro Rocha, um triunvirato que está obrando muito mal, dentro do plantél de adoração do próprio Governador.

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Ademir da Guia joga bem no Palmeiras e joga mal no selecionado brasileiro. Será falta de patriotismo?

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Rivelino joga bem na seleção e joga mal no Corinthians. Será que ele não é conrinthiano?

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Uma coisa que muita gente não entende:

A turma do Sindicato dos Saqueiros duro dia todo, carregando sacos e mercadorias na cabeça, nem toda gente se alimenta bem, bebe cachaça e tem um extraordinário preparo físico.

Muitos jogadores de futebol, com regras, regimes, dietética, cuidados médicos, etc. e tal, não aguentam o “tranco” de noventa minutos dentro do gramado.

Bah.

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No passado, o São Bento tinha um técnico chamado Baleia.

Vésperas de um jogo duro, o técnico chamou os jogadores, na presença do então presidente Ardito e anunciou:

- Tenho uma fórmula positiva para o São Bento ganhar o jogo.

O suspense parou no ar e todo mundo ficou olhando para o Baleia. E o preparador anunciou a “fórmula”:

- Quando começar o jogo, vai todo mundo para a frente, marca um gol e depois recua todo mundo... assim ganharemos por 1 x 0.

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A tática moderna de futebol atual, deslustrou a beleza do futebol de raça do passado. No antanho, com a formação diferente as pelejas tinham mais objetividade e mais sensação.

Quem não lembra da sistemática de “apôio pela direita”, com o time de dois zagueiros, três médios e cinco atacantes?

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Naquele tempo, o ataque era a melhor defesa. Hoje inverteram-se os fatos e a defesa é o melhor ataque.

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Tudo isso vem a propósito:

Domingo o MAC/73 vai enfrentar o Bangú A.C. da Guanabara.

Uma boa pedida para o mariliense comparecer ao estádio.

Uma boa oportunidade para que os “bocas negra” se moderem porque senhoras e senhoritas irão assistir o referido encontro, prestigiando o futebol mariliense.

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Tem mais:

Vai acontecer um espetáculo a parte, com a Banda Marcial do Cristo Rei apresentando-se publicamente em sua nova fase e com novos uniformes.

Extraído do Correio de Marília de 17 de agosto de 1973

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