quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Velhos e novos (30 de agosto de 1973)



Não é válida, a afirmativa, de que toda a pessoa velha seja decrépita, gasta, quadrada, ultrapassada e obsoleta.

Igualmente, validez não tem a afirmação de que todo jovem é lutador, detentor de idéias claras e invejável espírito de luta sem esmorecimento.

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

Existem velhos de espírito jovem, como existem jovens prematuramente decrépitos.

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No dia 16 de julho de 1950, um velho sapateiro, que tinha na ocasião 33 anos, exercendo uma atividade considerada física e biologicamente imprópria para sua idade, “acabou” sozinho com a seleção brasileira de futebol, em pleno Maracanã, levando para o Uruguai a Taça “Jules Rimet”, que pertenceria ao Brasil, que na ocasião disputava o último prélio, jogando apenas por um empate.

O nome desse “velho” era Obdúlio Varella.

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No último pleito eleitoral, os nossos dois candidatos à Prefeitura, Armando Biava e Pedro Sola, buscaram com lanternas, jovens da cidade, para adentrarem à luta política, como candidatos à vereança municipal.

A intenção, embora velada, era a injetar “sangue novo” no Legislativo municipal. Os jovens procurados omitiram-se todos, com exceção de Eduardo Rino.

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A primeira Câmara Municipal de Marília, após o chamado período de redemocratização do país, foi constituída em maioria absoluta por “velhos”.

E figurou em atividades e atuações, como uma das mais invejáveis do Estado. Tinha em seu seio “velhos” de estirpe, de idéias patrióticas e comprovado amor por Marília, dotados de inteligência impar e de ações inováveis.

Dentre outros, Nelson de Carvalho, Alcebiades Ferreira Bueno, Reynaldo Machado, J. Coriolano de Carvalho, Edmundo Lopes, Aniz Badra, Francisco de Barros Pires, Álvaro Simões e outros.

As Câmaras posteriores e (desculpem) inclusive a presente, são incomparáveis em relação e proporção à citada.

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Hoje em dia, verdade seja dita, não está existindo por parte dos jovens, o mesmo interesse que ainda é alentado e alimentado pelos velhos e a dedicação e a experiência destes, continua, em vários setores e prismas da própria vida nacional.

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Experiência é um fato e não uma virtude.

A experiência decorre do contacto permanente de ações com a provação de sucessos e fracassos, que se constituem em autentica escola, forjando caracteres, com a fixação de exemplos, evitados ou seguidos por todos aqueles que já trilharam os referidos caminhos. Essas pessoas, por força do fator tempo e lógica, são os velhos.

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É tempo já, portanto, dos jovens dizerem presente, para substituírem os velhos.

Mas devem, forçosamente, mirar-se nos espelhos de exemplos e de trabalho daqueles, adotando, por outro lado, idéias diferentes e práticas de um trabalho consciente e ativo.

Senão, nada feito. Inês continuará morta.

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Estranha fauna, classifica ainda os velhos como ultrapassados. Mas estes são os que de fato continuam dando o duro em ações de trabalho, garantindo certeza e confiança de suas ações denodadas, firmes, plausíveis e objetivas.

E não é de hoje.

A própria história nos comprova a rigidez desses velhos e até a idade em que trabalharam.

Por exemplo:

Heródoto (88 anos), Arquimedes (80), Winston Churchill (91), Charles Chaplin (84), Graham Bell (78), Gen. Mark Clark (80), Picasso (91), Pablo Casals (97), Ruy Barbosa (74), Darwin (74), Toscanini (80), Demócrito (90), Mme. Curie (70), Pasteur (73), Catão (85), Platão (81), Watt (82), Scheweltzer (90), Duque de Caxias (77), Gago Coutinho (89), etc.

Daí então deduz-se que esse negócio de “velho já era” não era, não...

Extraído do Correio de Marília de 30 de agosto de 1973

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