quarta-feira, 24 de abril de 2013

Faca sem cabo e sem lâmina (24 de abril de 1974)



Não existe, mesmo, uma faca sem cabo e sem lâmina.

Como igualmente se não póde admitir a existência de um guarda-chuva sem cabo, sem pano e sem varêtas.

Nem um colete com mangas.

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As expressões acima servem para afirmar, em têrmos de ironização, a existência de um fato que por sua própria natureza deveria ser concreto.

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Aproximamo-nos já do final do quarto mês do ano.

Em novembro próximo teremos a realização das eleições para a deputação estadual e federal.

Mas até agora Inês é morta.

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Em se falando sobre a circunstância de coesão de unidade política em Marília não se pode configurar a hernenêutica necessária e reclamada com insistência pelos próprios interesses do município e dos municípes.

Nesse particular, nós, marilienses, sabemos que de fato existe a faca sem cabo e sem lâmina. E o guarda-chuva sem cabo, sem pano e sem vâretas. E o colête sem mangas.

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Meu amigo Sebastião Mônaco, detentor de um caráter de honestidade e de personalidade inatacável como cidadão, não foi até aqui capaz de bem movimentar os cordéis que definem, dirigem e orientam a harmonia das forças políticas arenistas da cidade.

Em que pese seu alto gabarito, sua lhaneza de trato, fina educação e alta competência, Mônaco ainda encontra-se tal qual o domador sobre a séla, sem muita confiança na doma completa da própria montaria.

Prova isso as quizilhas política-doutrinárias de que todos conhecem de sobejo.

Parece existir um certo desalento ou quiçá até interesse pálido nas hostes internas do próprio partido situacionista, fazendo perdurar, até o momente presente a situação do chove-mas-não-molha.

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Por outro lado, parece vingar, à par de um vaidosismo indisfarçado de alguns, uma espécie de não aderência ao presidente arenista, vez que, apesar de sua diplomacia e maneiras, Mônaco não foi capaz de fazer-se cercado por uma unidade de total das próprias forças políticas do partido que preside.

Não se póde afirmar a existência de unilaterarismo no diretório local da Arena, pois isso seria de arrepiar a verdade dos fatos.

Está faltando melhor coesão, melhor uniformidade de compreensão, em termos de armonização completa e total. Embora alguns políticos a isso se propornham negar.

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Urge a localização do denominador  comum, o encontro de uma fórmula suassória com todos os arenistas falando a mesma língua.

Para o próprio bem do partido. Para que sejam devidamente consultados os interesses da cidade. Para que venha a ser conjurada a situação vexatória da antiga orfandade de Marília junto ao Palácio 9 de Julho.

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Há, no caso, uma grande dose de responsabilidade que no final acabará sendo repartida, em proporções equênimes, entre os próprios delegados arenistas.

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É chegada a hora dessa união partidária, porque a sua efetivação atende, antes dos próprios políticos, os legítimos interesses marilienses.

Só após isso as forças políticas poderão localizar, identificar, apontar e solicitar aos bons marilienses, que estes venham igualmente a formar correlatamente com eles, elegendo o futuro deputado estadual mariliense.

Extraído do Correio de Marília de 24 de abril de 1974

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