terça-feira, 2 de abril de 2013

Os futriqueiros (02 de abril de 1974)



Partindo da normal premissa de que toda regra tem sua exceção, não poderia existir exceção, sem regra originária.

Uma coletividade constitui-se de muitos conjuntos. No caso dos homens, de grupos, de uma sociedade.

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Em Marília, sua coletividade reveste-se, por natureza da própria formação demográfica, numa espécie de semi-cosmopolitismo, se formos buscar originalidade, autenticidades e ainda o humano espírito de aventureirismo próprio dos homens.

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Como sóe acontecer, numa coletividade, existe sem mescla, mas com naturalidade indiscutível, diversificação e divergência de pensar e entender. E de agir.

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Num rebanho de animais nota-se logo que o boi preto pasta ao lado de outro boi preto.

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Temos em Marília, dentro da coletividade toda, gentes de sentimentos vis, de mentalidade tacanhas ou doentias.

São os futriqueiros.

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Sigmund Freud, em seu método especial do estudo e da exploração da ciência do subconsciente, por certo deveria ter concluído, de que a pessoa futriqueira é uma irmã siamesa da criatura sádica.

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E como existem futriqueiros em Marília?

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Temos entre nós gente futriqueiras às tantas.

Gente que se delicia, que se sente bem, que torne pelo insucesso e desgraça dos semelhantes. Que costuma imitar o macada da fábula, tirando a castanha da chapa quente com a mão do gato.

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Gente que nada faz, senão atrapalhar.

Atrapalha tudo: os homens, suas ações, suas intenções, seu trabalho. Em alguns casos, até administradores.

Temos isso aqui.

Até políticos.

Até funcionários públicos.

Até gente que se considera importante.

Até “joãos-ninguém”.

Temos.

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Marília não prescinde desses futriqueiros. Em contrário, deve abominá-los, já que não pode baní-los de seu seio.

Urge que se trabalhe mais e se futrique menos.

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Por qualquer “dá-cá-aquela-palha”, está formado o futrico. Os futriqueiros são como chacais: aguardando a primeira oportunidade para atacar. E atacam. Parece que em outra coisa não pensam.

Só em futricar. Em complicar. Em destruir.

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Se esses futriqueiros tivessem um ensejo de sentir, ao menos uma vez, uma clarinada de razão e de consciência, deixariam de ser futriqueiros.

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“Se o velhaco soubesse o quanto é bom ser honesto, seria honesto, mesmo por velhacaria”.

Extraído do Correio de Marília de 02 de abril de 1974

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