terça-feira, 16 de abril de 2013

Outro velho companheiro (16 de abril de 1974)



Em um escrito anterior, “A lembrança de um homem” (veiculado em 10 de abril de 1974), focalizei a pessoa de um velho companheiro já falecido: o sr. Raul Roque Araujo, co-fundador e ex-diretor-proprietário deste jornal.

Hoje vou focalizar a personalidade de um outro velho companheiro, bem vivo e gozando excelente saúde.

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Quando comecei a trabalhar no “Correio”, em 1.946, travei conhecimento com um tipógrafo jovem, magro, muito atencioso, muito educado e profissionalmente muito competente.

Ele havia ingressado no jornal alguns anos antes, o que vale dizer, está já contando mais ou menos 32 anos “de casa”.

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Um empregado que permanece no mesmo serviço, durante mais de 30 anos consecutivos, sem falhas, sem sofrer penas disciplinares, sem necessitar de que os chefes o observem ou o admoestem, ou o chamem a atenção – não resta dúvida – é um funcionário excelente e exemplar.

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Ele é amigo de todos aqui no jornal. Não é homem de disque-disque. Não se mete com a vida de nenhum colega. Sabe respeitar e considerar todos os companheiros de trabalho, desde o gerente, os funcionários de redação, até os simples e humildes jornaleiros.

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Entende de artes gráficas e é zeloso e interessado em suas obrigações, sempre preocupado em fazer o melhor, da mais eficiente maneira. Sabe compor matérias tipográficas, sabe fazer fôrmas de anúncios, sabe imprimir jornal, conhece e entende tudo o que se refira à uma tipografia. Ainda “quebra o galho”, quando necessário, como revisor e até como linotipista.

É tão humilde que vive e transpira nosso jornal.

Tão simples, que havendo necessidade, ele não tem o mínimo acanhamento de apanhar uma vassoura e varrer as oficinas.

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Trata-se, evidentemente, de um companheiro muito leal e muito bacana.

Além do mais, popularíssimo em toda Marília.

E dezenas de cidades outras, também.

Ele é uma força de comunicação.

Esse velho companheiro, é o Sr. Waldemar Moreira, o inconfundível Nhô Constâncio.

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Dublê de gráfico e radialista, Nhô Constâncio atua na Rádio Verinha e tem uma legiãoo de ouvintes das mais expressivas da cidade. É o Nhô Constâncio um elo de ligação, entre a cidade e os habitantes da zona rural, especialmente nossos humildes, sinceros e laboriosos lavradores.

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Até as autoridades sabem disso:

Não existe mais fácil e mais efetivo meio de comunicação entre a população rural e a cidade do que Nhô Constâncio.

Isso já foi muitas vezes provado e comprovado.

Quando se precisa esclarecer a população rural, sobre a necessidade de presença no Mobral; da conveniência da vacinação das crianças; do dever eleitoral; da obrigação informativa aos censos demográficos – meio mais efetivo para essa comunicação é o Nhô Constâncio.

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Nossos sertanejos têm verdadeiro respeito e adoração por esse velho companheiro.

Entre nossos caboclos da roça, o que o Nhô Constâncio disser é o que mesmo que uma Lei.

Nhô Constâncio continua sendo a fôrça radiofônica mais ouvida do município. Seu poder de comunicação é simplesmente extraordinário e fóra de série, um dos maiores IBOPE da Alta Paulista.

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Seu linguajar acaboclado nada tem de imitativo ou de forçado. É naturalíssimo, próprio da cidade e região em que nasceu. Próprio dos bons brasileiros, pois Nhô Constâncio é natural de Bragança Paulista, embora tenha nascido no Dia de Marília, 4 de abril.

Extraído do Correio de Marília de 16 de abril de 1974

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